Agradeço o carinho que essa fic foi recebida, o universo em que ela ocorrer é muito apaixonante, e espero não decepcionar, estou escrevendo com muito carinho, coisa que sempre faço, mas caminhões, carretas são uma paixão especial.
Usarei algumas gírias, mas bem poucas por causa do entendimento da história, mas sempre colocarei seus significados.
Gírias usadas:
Batonete: garota de programa.
Batonete do Paraguai: Travesti.
Trucker: Sapatão.
QRV :Em sua disposição
QRA: Nome da estação ou apelido.
Reco-Reco na costela: Abraço.
Cap-02
Para-choque de Caminhão: Doei todos meus órgãos: o coração já está em seu nome.
Meu amor arrumou a minha mala
Boto o caminhão na estrada
Outra vez vou viajar
É assim minha vida de estradeiro
Jared Pov
Acordei cedo, 5:30 AM, vou engatar a carreta em um dos pátios das montadoras aqui em Detroit, com destino a Denver, Colorado. São dezoito horas de viagem direta, mas, com as leis que exigem um descanso de meia hora a cada oito horas dirigidas, e a empresa tem uma política rígida de segurança, em dois dias chegaremos ao destino. É uma viagem curta já com carga certa para voltar.
Às 6:00 AM, Jensen vinha chegando em uma cabine dupla S-10 vermelha, estacionou junto dos cavalinhos que faziam parte do meu comboio.
- O que está fazendo cedo aqui? – Ouviu Beaver perguntar.
- Tenho uma reunião com o gerente comercial da GM. Welling é louco, acorda 6 da madrugada. – Respondeu o loiro e no final abriu a boca perfeita mostrando que ainda estava com sono apesar de aparentemente já ter tomado um banho, pois o seu cabelo estava mais escuro, devia estar molhado, e eu estou reparando demais no meu novo patrão. Devo me controlar principalmente por vê-lo se espreguiçando e sentir que alguém estava se animando dentro da minha calça.
- Ele ainda continua com a mania de querer tratar somente com você? – Na voz de Steven Willians, um tom de ironia. Jensen apenas balançou a cabeça, já não gostei muito desse tal de Welling, acabei sorrindo do meu ciúme.
- Tá feliz novato? – Matt perguntou, no rosto uma expressão de poucos amigos.
- Louco para pegar estrada. – Respondi sem olhar para ele, pois Jensen estava com aquele vício terrível de passar a língua nos lábios, tirando o sossego dos mortais a sua volta.
- Qual o teu QRA, Jared? – Quem perguntou foi Mark Pelegrino. Todos os carreteiros tem uma espécie de codinome, para falar no rádio, mas eu ainda não tinha o meu.
- Eu ainda não tenho. – Respondi como se estive cometido um crime e fora pego.
- Sasquatch. – A voz de Jensen se fez ouvir.
- Sasquatch? – Sorrir. – Gostei.
- Já tomou café Jared? – Jensen me perguntou.
- Ainda não, estava indo para...
- Nem vai dar tempo, acordou tarde. – Com esse comentário Matt confirmou que me achava uma ameaça. Na verdade não querendo ser convencido, acho que ele tem razão, pelos olhares do disfarçado do loiro, sinto que ele arrasta um bitrem por mim, apenas vou conhecer o caminho que me leva até esse loiro e ver as condições da estrada.
- Claro que dá tempo, ele é o quarto da fila, deixa de ser chato, Matt. O velho aqui sou eu, e o líder do comboio. – Jim interrompeu. – E Jensen quer carona. – Nesse momento o velho riu e eu não entendi o motivo.
- Você é engraçado, não gosta que ninguém pegue aquela velha...
- Mais respeito com a Rainha. – Jensen falou alto, e Steven se calou, mas riu. – Tudo bem se não me querem dar carona, vou no meu carro.
- Eu te dou carona. – Falei e não entendi os risos.
- Ele quer carona, mas quer ir como motorista. – Entendi a situação, nós carreteiros não gostamos muito de ninguém dirigindo o nosso carga pesada.
- Tudo bem. – Me vi jogando a chave do meu cavalo para Jensen, confio nele. Claro que o biquinho fofo que ele fez por achar que eu ia voltar atrás ajudou a embaralhar a minha mente, mas fiquei feliz com a decisão quando ele abriu o sorriso mais lindo que vi em minha vida.
- Vamos tomar café, temos uma carga para entregar, precisamos fazer o país andar. – Jensen seguiu em direção à lanchonete e restaurante da empresa.
Tomamos um café reforçado com ovos, bacon, sucos e frutas. Sem muita conversa, mas era um silêncio amigável, apesar de sentir alguns olhares dos outros motoristas na minha direção, não me importei, mesmo sabendo do pensamento de muitos.
Quando Jensen tomou o lugar do motorista no meu possante, ele me deu um sorriso mais bonito que o outro, e me lembrei de uma frase, dessas que lemos nos para-choques: A luz do seu sorriso me cegou, e capotei meu coração. Senti que era perda total.
- Obrigado, Jared, pela confiança. – Jensen acariciou o volante antes de ligar o caminhão. Fechou os olhos ao sentir o motor. – A minha Rainha não é tão suave. – Mas eu sou, pensei.
Jensen Pov.
Sasquatch, o meu Sasquatch, esse pensamento me faz rir.
Quando vi Jared se aproximando calça jeans, bota, uma camisa de flanela e uma camiseta cinza por baixo, na cabeça um chapéu de vaqueiro, um cowboy do asfalto, lambi os lábios ao confirmar que ele era realmente lindo, pois antes de dormir fiquei na dúvida se tanta beleza era verdadeira.
Quase não me controlei quando ele me entregou a chave, eu poderia o ter beijado, na verdade ele não precisa fazer nada para eu ter vontade de experimentar o sabor daqueles lábios.
E agora sentado aqui do seu lado, sentindo o motor suave, mas possante, fico imaginando se o dono desse cavalinho não é assim: forte, mas carinhoso, pelo sorriso de menino sinto que é, será que um dia poderei ter certeza?
- Jared, cuidado, teus companheiros vão aprontar algo para o teu batismo. – Era costume de fazer algum trote com o novo irmão de estrada.
- Mas que tipo de coisa eles podem fazer? – Muito fofo o olhar assustado que ele fez, ainda bem que tive de mudar a marcha, pois a minha vontade de acariciar o seu rosto foi tremenda.
- Imaginação não vai faltar, mas não será nada que atrapalhe a viagem. Esteja apenas preparado. – Outra carinha fofa. Céus, acho que ele treina na frente do espelho, e deve perguntar 'onde vou usar essa hoje?'
- Chegamos na hora. – Me dirigir para o lugar do engate, Jared ia puxar uma carreta cegonha, com 12 veículos. Seriam três cegonhas e dois bitrens com peças automotivas. Era um comboio grande, meu sangue fervia de vontade de participar da viagem, espero que o Misha chegue logo, pois só assim poderia pegar estrada.
- Bom dia, cavalinho novo? – Cumprimentou Tom Welling, outro do meio rodoviário que é gay, mas não tem coragem de se assumir, apesar de alguns desconfiarem. Vive me convidando para sair, mas já dei a condição: se assume que podemos conversar. Jeff diz que isso é radicalismo, porém não aguento gay dentro do armário.
- Sim, esse é o Jared Padalecki novo contratado da empresa. – Apresentei o Jared e odiei o olhar que Tom lançou ao meu amigo de infância, quase ele se entrega babando naquele trecho de mau caminho.
Apesar do ciúme, me deu vontade de rir do Tom tentado se controlar e não conseguir tirar os olhos de Jared, principalmente quando este foi verificar os pneus da carreta. A calça que ele usava não era apertada, mas dava para ver todo o material, e que material. Acho que vou precisar é de um trem, pois é muita areia para um caminhão apenas. Mas eu me garanto.
- Ele é gay? – Tom perguntou quando ficamos sozinhos.
- Não sei, acredito que não. – Infelizmente, pensei, mas tinha as minhas dúvidas, porém não ia dizer isso ao Tom, afinal ele pode ser uma concorrência.
- Pensei que estivesse rolando algo entre vocês. – Me surpreendi com o comentário, pois depois que desci do caminhão, não trocamos mais nenhuma palavra.
- De onde você tirou essa ideia?
- Os olhares trocados entre vocês são diferentes do normal. Pensei que tivesse desistido do seu conceito de namorar apenas gays assumidos.
- Pois não desisti, o Jared é uma delícia, mas sabe meu pensamento. E não temos nada, talvez o que você esteja vendo é que na infância tivemos uma amizade passageira, mas forte, e com certeza essa amizade pode ressurgir, é apenas isso. – Acho que abaixei a voz no final e o tom saiu meio triste, involuntariamente.
- Não vai se apaixonar... Se já não estiver... – Dei um soco no ombro do Tom, acho que doeu, pois ele reclamou. – Pra um gay você devia ser mais delicado.
- E você devia ser assumir logo, pois é muito fresco. – Falei e fui em direção ao Jared, que me viu e abriu aquele sorriso mostrando todas as covinhas. O sol brilhou mais forte ou foi apenas impressão minha?
Jared Pov
Depois de seis horas dirigindo paramos para o almoço, em uma das diversas paradas para carreteiros, teríamos no total uma hora de intervalo.
- Boa tarde! – Um homem lindo nos cumprimentou, os olhos de um azul penetrante me encararam.
- Esse é o novato, Jared Padalecki. Jared esse é o outro manda chuva da empresa, Misha Collins. – Jim nos apresentou. – QRA Anjo.
- O amigo do Jensen. Seja bem vindo, irmão, à nossa família. – Gostei do Misha imediatamente, na verdade o único que me incomodava era o Matt. – Você está naquela Internacional azul? – Concordei com a boca cheia. – O Jensen vai te perturbar para dirigir.
- Ele já dirigiu. – Mark comentou. – Estava mais feliz que pinto na merda. – Todos gargalharam.
- Mais um que quer pegar o loiro. – Esse comentário de Misha me fez engasgar. – Calma...
- Não... – Procurava respirar.
- Calma aqui ninguém tem preconceito... – Misha falava rindo e batendo nas minhas costas.
- O Jensen é apenas meu amigo, um amigo antigo. – Falei depois de um gole de refrigerante, e expliquei o motivo de ter deixado o loiro dirigir o meu cavalinho, me senti mal negando o meu interesse nele como homem, quando afinal meu corpo todo estava cheio de más intenções por cada pedacinho daquele corpo.
Dirigimos por mais cinco horas completando as onze, e paramos para dormir, tomar banho, Mark e Steven foram para o bar, com a recomendação de Beaver para eles irem dormir logo. Todos detestavam quando Jim era o líder do comboio, pois tinham de andar na linha.
Eu jantei e fui dormir, ainda iam dar 22:00 h. Estava me preparando para dormir quando o telefone tocou, e não pude conter um sorriso ao ver que era Jensen.
- Oi. Como foi o primeiro dia? – Aquela voz rouca fez uma conexão direta com o meu pênis, imagino se ele tivesse aqui pessoalmente, teria gozado nas calças. – Ei, você está por ai? – Percebi que não tinha respondido.
- Desculpa...
- Tudo bem, está tarde, não devia ter ligado. Vai dormir...
- Não, eu me distrair com algo lá fora. – Menti. – Mas agora sou todo seu... – Mordi os lábios quando me dei conta do que falei.
- Já foi batizado? – Jensen trocou de assunto, ignorando a frase, apesar de ter rido das minhas palavras.
- Não, acredito que hoje não vai rolar. Alguns foram dormir e os outros à caça.
- Esses caras não tem jeito. – Jensen riu, mas senti que não gostou.
- Eu os dedurei? – Fiquei preocupado, sei que a empresa é rigorosa com esses lances de horário e descanso.
- Não se preocupe, é uma regra que não é levada muito a sério e sempre ignorada. – E Jensen trocou de assunto, engraçado como a nossa conversa flui, descobrimos que continuamos com muitas coisas em comum e que discordamos em muitos assuntos, mas as opiniões contrárias apenas apimentava a conversa.
- Espera. Estão batendo na porta. – Pedi para Jensen e abrir a cortina. Steven, Mark e Matt estavam do lado de fora, com uma garota vestida com uma saia tão curta que parecia um cinto, a blusa mal cobria o seio siliconizado, o rosto com maquiagem excessiva, talvez se tivesse menos maquiado poderia ser atraente. – Acho que meu batizado é agora, me espera na linha. – Disse para Jensen antes de abrir a porta.
- Presente de boas vindas. – Mark foi o porta-voz. – Tudo por nossa conta. – Ele empurrou a garota pra frente e os outros estenderam uma garrafa de uísque.
- Obrigado, mas não. - Recusei como estivesse sem jeito.
- Isso é uma desfeita, somos uma família, e você está recusando um presente, todos fizeram uma vaquinha. Sabemos como é essa vida de estradeiro, às vezes estamos com a carga atrasada, entende? – Mark falava sério e como se tivesse ofendido.
- Mas eu não estou atrasado. – Argumentei.
- Tudo bem, mas não podemos perder a oportunidade de adiantar o frete. – Steven entrou na conversa.
- Eu não quero ser grosseiro, mas estou com a minha namorada na linha, e realmente ela me deixa super em dia, e quando o frete atrasa sempre tem surpresinha. Valeu. – Fui firme e ria por dentro, se eles soubessem quem estava na linha.
- Olha rapazes, o cara não quer, porém vocês estão me devendo e quero receber, afinal dispensei um cliente por causa da brincadeira de vocês. – Quando a moça falou, percebi que a moça era um travesti e comecei a rir.
- Paguem a "moça" – Frisei bem a palavra e retirei 10 dólares da minha carteira e entreguei a Mark. – Agora me deixem terminar a conversa aqui com a minha garota. – Entrei no caminhão, vi que estavam reclamando, mas deram o dinheiro combinado. E pensar que em outra ocasião poderia até pegar para não fazer desfeita, afinal sou novo na empresa, e qualquer atitude que eu tomasse seria motivo de zoação. – Amor, você ainda esta na linha? – Perguntei carinhosamente para todos ouvirem antes de fechar a porta.
- O que aconteceu? – Jensen perguntou sério.
- Estavam me oferecendo uma batonete do Paraguai. – O loiro de uma gargalhada tão gostosa do outro lado.
- Não se prive por causa do meu telefonema. Amor. – Jensen brincou.
- O que é isso baby, sou todo seu, não precisa ficar com ciúmes. – Respondi também brincando.
- Vou acreditar. Agora obedece a tua namorada e vai dormir. Já é meia-noite. – Me assustei com a hora, nem vi o tempo passa enquanto conversava com Jensen.
- Tudo bem. Sonha comigo. Que eu vou sonhar com você. – Brinquei, mas sabia que era verdade. – Boa noite. – Desliguei sorrindo.
Jensen Pov.
- Eu vou sonhar com você. – Respondi para o telefone desligado. Claro que foi uma brincadeira, mas gostei tanto dele me chamando de amor. Você está ridículo Jensen, tá parecendo uma garota apaixonada. Por sorte amanhã estarei preparando tudo para minha viagem. O Misha chegou naquela noite.
2222
- Bom dia. – Cumprimentei Misha quando cheguei ao escritório.
- Bom dia pra quem? – Ele já devia ter descoberto que a minha próxima viagem era de no mínimo 20 dias. – Jensen isso não se faz! 20 dias?
- Mas as outras eram tão curtas! – Tentei fazer uma voz que sentia muito, mas não consegui.
- Tu és uma bicha muito má! – Sorri, ele já tinha começado a me perdoar. – Mas quando você voltar, vou escolher a mais longa. – Sempre brigamos para viajar, era estranho em nossa casa tínhamos todo o tipo de conforto, mas queríamos estar pelas estradas correndo riscos, comendo mal... Vai entender. – Conheci o Jared. – Acho que me entreguei ao ouvir o nome do moreno, pois Misha deu uma gargalhada.
- Viu o caminhão dele? – Disfarcei.
- Vi, e sei que já o dirigiu, acho que ele quer te comer, e o tamanho dele... Você vai aguentar? – Ele era o único que falava assim comigo, sem levar um soco. Pelo sorriso cínico ele não estava somente brincando.
- Será que ele quer mesmo? – Perguntei na troça, mas esperando pescar alguma coisa.
- Cara, eu acho que o Jared é hétero.
- Eu não sei... – Realmente eu não tinha tanto certeza da heterossexualidade dele, dizem que uma bicha reconhece a outra, e algo no Jared me diz que tenho alguma chance, talvez seja apenas esperança... Porém, espero estar certo.
- E se ele for daqueles que não saem do armário? - Misha sabia do meu modo de pensar.
- Eu o arranco na marra. – Misha sorriu. – Apenas não conseguir fazer isso com você. A Vick que me perdoe, mas apenas uma passiva louca dirige um caminhão daquele. – Misha dirigia uma Scania com a pintura estilizada, era azul com nuvens espalhadas pelo chassi.
- Claro, o teu caminhão diz o quanto você é macho. – Misha deu uma desmunhecada proposital nessa hora que gargalhei à vontade. – Cara, acho que a tua masculinidade foi toda para o teu caminhão.
- Que masculinidade? A Rainha é uma dama. – Reclamei ainda rindo.
- Ela é uma "Trucker" e vocês faz um casal perfeito. Agora vamos para de frescura que temos muito que colocar em dia, senão tem gente que não viaja no final da tarde. – Fiz um biquinho, mas começamos a trabalhar.
Jared Pov
Sou mais um caminhoneiro
Sem ter tempo de parar
A vida de carreteiro é romanceada. Se todos desconfiassem o quanto é dureza e monótona, parariam de sonhar com essa vida, apesar de ser apaixonante, e quando nos apaixonamos pelas estradas é para sempre.
Já estava rodando há quase um mês pela empresa Ackles, quando voltei de viagem o Jensen estava na estrada, nos falávamos por telefone e sempre temos muitos assuntos, brincadeiras e ele fez algumas insinuações, sempre respondo com outras, mas em tons de galhofas.
Eu adoraria o levar para a minha boléia, mas ninguém do meu convívio sabe que sou gay, nem o meu melhor amigo, quando saio com homens são prostitutos, nunca tive uma relação séria. Claro que já namorei, mas com garotas e por pouco tempo, por isso apesar do meu desejo pelo loiro, acredito que ficarei apenas na vontade, ou me satisfazendo com prostitutos loiros, que foram as minhas últimas escolhas desde que o conheci.
Essa é a minha terceira viagem, logo estarei parando para o descanso. – Câmbio. Convido a todos os irmãos próximos ao posto nove da rodovia 80, aniversário do nosso companheiro Ty, venham dá aquele reco-reco na costela do Vampirão. – A voz rouca de Jensen no canal usado pela empresa Ackles, fez meu pé acelerar um pouco. – Confirmem. Câmbio desligo, mas em QRV.
- Câmbio, Caçador na área e coloca mais três lugares na mesa que estamos chegando. – A voz de Jeffrey, o líder do nosso comboio, soou, e meu coração bateu mais forte, pois eu iria reencontrar Jensen.
Em outra ocasião pararíamos em uma hora, mas seguimos viagem por mais duas horas, e estacionamos no posto nove, perto de outras cinco carretas com o símbolo das Empresas Ackles na porta e entre elas a Rainha, estacionei ao lado desta.
- Vamos chegando companheiros, podem se servir a vontade. – Chamou um motorista negro e muito simpático. – Esse eu não conheço. – Falou apontando para mim.
- Esse é o Jared Padalecki, está conosco há um mês. – Falou Jensen que vinha saindo por trás de uma carreta, perdi o meu fôlego. Ele estava com a barba por fazer, um palito de dente entre os lábios perfeitos, a camisa com os três primeiros botões aberta e sem nenhuma camiseta por baixo mostrando uma corrente de ouro não muito grossa com um medalhão, a noite estava muito quente e esquentou mais ainda, principalmente quando desci meu olhar pela calça jeans desbotada e rasgada nos joelhos. – Esse é o Rick Worthy e o nosso aniversariante Ty Olsson. – Ty era um homem grande e sorriu simpático, gostei dos dois.
- Jensen, senta ai. – Gritou Jeffrey já empurrando o loiro para uma cadeira, e logo em seguida empurrou o Ty no colo do loiro. – Feliz aniversário, Vampirão. – Falou usando o QRA deste. Odiei essa brincadeira principalmente por que o Ty não saiu logo.
- Jeffrey não começa. – Jensen reclamou, mas não adiantou Jeff tomou o lugar do Ty e ficou, o moreno era assumidamente gay, e ninguém tirava brincadeira com ele, quem tentava via que ele era mais macho do que os que se vangloriavam disso.
Os colegas não acharam estranha a brincadeira e percebi que entre o Jensen e o Jeffrey existia um carinho especial, uma intimidade que não parecia vir do sexo e sim da amizade. Mas que também poderia rolar alguma coisa, pelo modo que o moreno olhava para o loiro, agora sentado do seu lado, e às vezes cochichava no ouvido do outro que ria de maneira gostosa.
Eu estava sentado na sua frente e procurava disfarçar conversando com os outros colegas, mas às vezes me pegava olhando para ele, e também sentia seus olhares sobre mim.
- Pega Jensen. – Mark que estava em outro comboio entregou um prato com churrasco para Jensen. – Come e depois pega o teu violão e canta.
- Ok! Mais alguma coisa papai? – Brincou.
- Por enquanto é só. – Mark riu.
- Jared senta aqui do lado do Jensen. – Jeffrey me chamou para o seu lugar. E Jensen tossiu o refrigerante, não sei se foi coincidência. – Você está perto da mesa e esse pratinho de nada não vai me satisfazer. – Foi impressão minha ou o loiro o fuzilou com o olhar. Mas eu gostei estava louco para ficar perto do meu patrão.
Vira e mexe deixávamos a conversa em grupo e falávamos apenas entre nós dois. – Jensen para de namorar e pega o violão. – Jeffrey gritou em um desses momentos.
Jensen Pov
- Você se incomoda com a brincadeira? – Perguntei para Jared, antes de sentar ao seu lado. Fingi que estava olhando o violão. – Posso sentar em outro lugar.
- Nem um pouco, deixa de bobagem e senta aí. – Essa resposta me deixou muito feliz afinal o Jared parecia ser livre de preconceito, já vi muito carreteiros brigarem apenas por uma insinuação bem menor. Matt foi um, por isso me afastei dele, e o pior que depois resolveu declarar seu interesse, mas foi tarde demais.
2222
- Jensen! – Steven gritou depois da terceira música. – Você está apaixonado?
- Apaixonado e sofrendo. – Mark completou.
- Por quê? – Perguntei curioso.
- Você só está tocando música de corno. – Gritou Rick.
- É homenagem a vocês. – Brinquei. Todos riram, menos Pelegrino.
- Não gostei dessa palhaçada. Seu viado. – Mark gritou estava vermelho, estranhei sua atitude.
- Qual é o problema seu corno? Doeu o chifre? – Gritei de volta com raiva, não por ser chamado de viado, mas pela forma que foi dito, com a intenção de ofender.
- Eu não sou corno, mas você é um viado. – Mark parecia querer brigar.
- Você acha? Passa mais tempo na estrada, essa hora a tua mulher deve está prestando assistência para outro. – Pelegrino veio pra cima de mim, por sorte Jeffrey o segurou, pois eu já estava preparado para socá-lo, e ele ia se dar mal, já estava meio porre.
– Boa noite. – Me despedi, precisava me aclamar, eu podia demitir o Mark, mas quando estávamos assim como irmãos de estrada nos divertindo, não existia a relação patrão e empregado, e Pelegrino era um motorista de confiança. Eu também errei devia ter ficado na minha e relevado, mas meu sangue esquenta quando querem me ofender pela minha sexualidade, como se fosse algo sujo, que eu devesse me envergonhar.
2222
- Jensen! Jensen! – Acordei com Mark batendo na porta da cabine. – Me desculpa. – Ele começou a chorar, quando sair do caminhão, estava mais porre que antes. – Eu perdi a cabeça, aquela piranha, me traiu e com outro carreteiro. – Ele começou a rir. – Ele pensava que ela era solteira. – E gargalhou alto. – Mas o corno sou eu por ser o marido. – E voltou a chorar.
- Está tudo bem ai? – Jared abriu a porta da cabine dele, e por um momento esqueci Mark, brigas, tudo, apenas aquela visão do paraíso: carinha de sono, cabelo atrapalhado, peito desnudo, deve ser gostoso dormir nesse peitoral. – Tudo bem Jensen?
- Tudo. – Respondi depois de recuperar o ar. – Vai dormi. E você também Mark. Está tudo bem, sem mágoas. Agora se recolhe, pois caso contrário amanhã o teu comboio não viaja e sabe que a multa de atraso será tua.
- Claro. – Ele se acalmou. - Vocês fazem um casal bonito. Por que não estão dormindo juntos? – Mark riu.
- Não tem casal aqui. Vai dormir. – Mandei sério.
- Mas acho que você gostaria de dormir com ele e ele contigo. – Mark falou antes de ir embora para o seu caminhão. Olhei para o Jared que sorria, sem parecer ofendido com o comentário.
Jared POV
Acordei quando ouvi Mark chamar pelo Jensen, e fui ver o que estava acontecendo, a minha vontade foi de socar a cara de Mark, não que ele estivesse fazendo alguma coisa, mas estava com essa gana desde a hora da briga. Ofender um cara como o Jensen?
Mas a minha raiva passou diante da beleza de Jensen, algo másculo e ao mesmo tempo delicado. A lua iluminava os pelos loiros, do braço desnudo, que estavam arrepiados pelo frio da madrugada. Depois que Mark foi embora o examinei detalhadamente, o olhar estava meio cansado e a boca em um bico de contrariedade. – Está frio. - Ele comentou.
- Eu sou calorento. – Não resistir e passei a mão em sua barba. – Deixando a barba crescer? – Perguntei para disfarçar o meu desejo, que cresceu ao sentir o quanto aqueles pelos quase rentes a pele eram macios. Que vontade de sentir essa barba pelo meu pescoço. Devia fazer cócegas e excitar ao mesmo tempo.
- Quando fico muito tempo na estrada, a deixo crescer, apenas a aparo. – A voz dele me fez voltar à realidade, Jensen estava recostado na Rainha, mostrando o seu cansaço.
Minha vontade era de puxá-lo para a minha boleia, porém falei: – Melhor você entrar e vamos dormir, afinal ainda temos muito chão pela frente.
- Boa noite. – Ele falou e antes de fechar a porta, me olhou. E a minha decisão foi tomada: vou ter esse loiro na minha boleia de qualquer maneira. Tenho que apenas arranjar um jeito discreto de acontecer. Pois tenho uma imagem a zelar.
2222
A vida corria tranquila, apenas algumas situações engraçadas como no dia em que o caminhão do Matt deu prego e tivemos de para no meio do nada, três carretas carregadas de ferro. Por sorte a carga não era uma das mais visadas.
- Ei, rapazes, vejam onde nós paramos. – Jim nos chamou, e para a nossa surpresa estávamos do lado de um cemitério.
- Vamos tentar andar um pouco mais pra frente. – Matt pediu na voz um medo evidente.
- Só se for para fundir o motor. Deixa de ser medroso. O perigo está com os vivos. Vamos dormir um pouco, a sede já enviou um mecânico. – Resolvemos fazer o que Jim mandou.
- Por que não ficamos todos juntos? – Matt ainda tentou não ficar sozinho.
- Tá com medinho? – O velho motorista perguntou com ironia.
- Não, apenas...
- Ótimo não estou a fim de segurar mão de macho. – Jim interrompeu dando a palavra final. E cada um foi para o seu caminhão, porém o velho foi me chamar e aprontamos uma brincadeira com o Matt.
Me escondi embaixo do cavalinho e Jim jogava pedra na porta do caminhão. E quando Matt saiu perguntando alto quem estava ali, com um taco na mão, o segurei pelas pernas, me arrependi da brincadeira. O moreno desmaiou e antes de cair molhou as calças, fiquei desesperado pensei que tínhamos matado o moreno.
O pior foi que a equipe de apoio chegou e ele ainda não tinha trocado as calças, e o que era para ficar entre nós três se espalhou pela empresa. Matt sofreu, Jensen teve de interferir por que as encarnações se tornaram pesadas, até o QRA dele mudou para Mijão. Isso o loiro não teve como mudar, mas melhorou e aos pouco Matt está se acostumando, e logo vamos esquecer e pegar outro para pato.
Os colegas deixaram de me empurrar garotas, aceitaram que eu era um cara fiel, para a namorada. Apenas a gerente da lanchonete da empresa, Genevieve, começou a dar em cima de mim. Uma vez dei uma carona para ela, pois fingiu que o carro dela estava no prego, como descobrir no outro dia, e na despedida me agarrou e me roubou um beijo, 'como agradecimento' foi a sua desculpa, e passou a me ligar também, depois de descobrir o meu telefone. A trato bem, mas sem dar esperança, pelo menos eu acho isso.
Meus planos de trazer Jensen para a minha boleia não me abandonaram, mas essa vida corrida de idas e vindas não estão ajudando, apesar de os telefonemas continuarem, nunca mais ficamos frente a frente, quando chego de viagem ele parte e vice-versa.
2222
Minhas últimas conversas com Jensen me deixaram preocupado.
- Oi, se esqueceu de me ligar. – Cobrei assim que ele atendeu.
- Desculpa Jared, o Ty me ligou e ficamos conversando e quando ele desligou achei que já estivesse dormindo. – Sentiu algo ruim apertando o meu peito, acho que é ciúmes.
- E o que ele queria? – Acredito que a minha voz saiu um pouco alterada pelo silêncio do outro lado.
- Queria conversar, na verdade ele quer sair comigo, ele é gay, eu nunca sair com nenhum carreteiro. Mas ele é diferente, é legal, conversamos muito da última vez que trabalhamos juntos, e estou sozinho há tanto tempo que de repente... – Cada palavra que Jensen dizia doía um pouquinho, e batia um desespero. Estava me sentindo como um amigo confidente, e apesar de nossa amizade, era o que eu menos queria.
- Se eu fosse você não se arriscaria. Não gostei muito desse Ty ele não parece ser de confiança. – Menti descaradamente, o Ty era um cara legal, sério, excelente profissional e nem era galinha. – Já o vi com uns lances com uns carinhas aí... Você sabe que estou falando.
- Eu sei, mas o Ty não tem compromisso com ninguém, portanto é livre. – Jensen o defendeu, o meu desespero aumentou.
- Mas sabe que tem carreteiro viciado em prostituição. Que mesmo com alguém não larga essa vida. – Queria queimar o cara de qualquer jeito.
- Mas isso só vou saber depois. – Droga como evitar que o Jensen se envolva com o Ty? Se isso acontecer as minhas chances serão quase anuladas. A conversa transcorreu sem as insinuações de sempre, e isso me perturbou tanto que quase não dormi buscando uma solução.
222
Estava partindo para uma nova viagem e a Rainha entrou no pátio, quando passou por mim Jensen deu tchau, ele estava mais lindo do que eu me lembrava. A barba rala, o óculos escuros que me impediram de ver o verde dos seus olhos, mas o que me matou foi o sorriso que ele deu para o Ty, havia promessas nele.
- Ty, você está no meu comboio? – Perguntei ao me aproximar do moreno.
- Não, viajo apenas amanhã. – Ele respondeu sem me olhar, pois sua atenção estava na Rainha, na boca um sorriso de satisfação, que aumentou quando Jensen desceu do caminhão. Acho que nós dois paramos de respirar, ao vê-lo caminhando em nossa direção.
- Jared, quanto tempo. – Reaprendi a respirar naquele momento. Um aperto de mão e uma tapinha nas costas. – Ty. – Um sorriso e um aperto de mão muito demorado para o meu gosto. – Vai viajar agora Jared?
- Vou, dessa vez é bem curta, uns oito dias. – Respondi.
- Eu vou ficar essa noite. – O tom da voz do Ty veio carregado de promessas, tantas que o loiro ficou corado, minhas entranhas deram nó. A vontade de gritar que aquele loiro era meu foi tremenda.
- Jensen, ainda bem que chegou, temos um problema aqui para resolver. – Misha o chamou.
- O dever me chama. Jared boa viagem. Ty, depois a gente conversa. – Odiei o sorriso que ele deu para o outro.
2222
Eu estava dentro da boleia, motor ligado, papeladas em ordem, pronto para sair quando tomei uma decisão.
Corri em direção ao escritório. – Alona, o Jensen está ai?
- Sim. – A garota respondeu sem me olhar.
- Ele está com o Misha?
- Não, o Misha acabou de sair. – E como ele continuava digitando algum documento, entrei sem ser anunciado.
- Jensen? – Chamei, e ele me respondeu e dentro do banheiro, fui para a porta esperá-lo sair.
- O que foi? – E sem pensar em nada o agarrei e tomei os seus lábios entre os meus, eram bem mais macios do que eu podia imaginar, eram doces, invadi sua boca com a minha língua, explorando cada centímetro.
Minhas mãos passeavam por cima de sua camisa, enquanto eu o apertava junto a mim, nossos corpos se esfregavam buscando mais contato, suas mãos invadiram meus cabelos os acariciando enquanto forçava minha cabeça para aprofundar o beijo. Quando minha boca abandonou a dele, afundei meu rosto em seu pescoço, a mistura do perfume amadeirado, com suor e óleo diesel, afinal ele tinha acabado de chegar de viagem, e o seu cheiro entorpecia meus sentidos, gemidos fracos escapavam dos seus lábios e dos meus também.
- Me espera. – Pedi quando comecei a ouvir buzinas, afinal eu tinha fechado a entrada e a saída do pátio de carretas. – Me espera, promete que vai me esperar? – E o prensei contra parede o fazendo sentir toda a dureza do meu desejo.
- Prometo. – Sorri e com a ponta dos dedos toquei os lábios pornográficos, que agora se encontravam inchados devido à intensidade do nosso beijo, ele fechou os olhos e os ofereceu para mim novamente e aceitei a oferta, não pude demorar tanto quanto gostaria, pois meu nome foi anunciado no sistema de alto-falantes.
- Me espera. – Falei novamente antes de sair correndo porta a fora.
E assim vou levando a vida adiante
Uma paixão é o volante
Meu amor, outra paixão
Viajando lá vou eu nas madrugadas
Como uma fera na estrada
E um anjo no coração.
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Voando sem Asas h8t8t8p:**/***WWW**.youtube***.com***/watch?v=***FcU0ROGNDfA
Respostas aos Reviews não logados
Blue Mystery: Continue firme e forte nessa viagem teremos grandes emoções! Mil Beijos!
SolPadackles: Que bom que está comigo, eu acho que você vai querer a minha cabeça! Kkkkk Muitas águas, ou melhor, muitos quilômetros estão separando o Jared do Jensen! Srsrsrsr
Que legal irmão caminhoneiro, já pegou uma estrada com ele? Se um dia der aproveita! É gostoso demais.
O próximo capitulo será mais rápido. Mil beijos!
Anônimo: Ele terá um pé de estradas brasileiras, tentei colocar a realidade do EUA, senão ia ficar difícil escrever, mas não tem como não abrasileirar, principalmente nas gírias. Mil Biejos.
Justine: Imagino as fantasias que esses caminhoneiros provocam! Srsrsrsr Mil biejos!
Perola: Nessa fic será sempre em primeira pessoa, da parte do Jensen e do Jared, como percebeu, sou meio ruim nesse português se estiver muito terrível me avisa tá? São as concordâncias e os verbos, as palavras, as... srsrsrrss
A experiência de vida dos dois vai causar os maiores problemas entre eles, e talvez não ocorra tudo tão bem... srsrs Ameaças! Kkkkk Mas você não se importa, que bom!
Coloquei o palitinho na boca do Jensen por tua causa! kkkkkk
Espero que goste do seu presente, dividido! Srsrs
Mil beijos!
Luluzinha: O universo de carreteiro é muito rico em histórias, se fosse aqui no Brasil a emoção seria maior, pois as dificuldades daqui são tremendas, mas nas estrada será sempre uma estrada.
O Roger foi terrível com o filho, mas apesar de tudo o Jensen é livre de ser o que quiser, eo Jared? Até que ponto ele vai aguentar a pressão?
Mil Biejos!
Claudia: Acho que esse capitulo foi um pouquinho mais incrementado, essa história terá um pouco de difença das demais! Srsr
Espero dá conta, Carreteiros o universo gostoso e difícil de escrever.
Se você conseguir entrar nessa boleia me chama, seja amiga... srsrs
Mil beijos1
Guest: Previsão correta, muita confusão mesmo! Srsrrs
Maria Eduarda: Nem me fale em viagem de caminhão! Adorava viajar com o meu pai. E sei das dificuldades tremendas que eles passam nessas estradas. Como nos EUA a realidade é um pouco melhor sofrerão menos! SQN! Kkkkk
Te quero nessa viagem comigo. Mil biejos!
