Dicionário:

Pitimbado : Doido

QRA - nome usado nas estradas pelo Rádio.

Cristaloíde – Filho

PX-Maior – Deus

Perneta de Fé – Amigo

Esparadrapo – Carona

Batonete do Paraguai – Travesti

Antes...

Quando cheguei à transportadora fui até o escritório da administração e Alona me comunicou que a minha carga era de horário e por tanto dividiria a direção do meu possante com outro motorista, e me entregou a documentação da carga. Fui procurar o nome do outro carreteiro, e para a minha surpresa era: Jensen Ackles.

- Gostou? – Jensen estava sorridente parado na minha frente.

- Você quer ferrar com a minha vida? – Falei baixo entre os dentes, meus sentimentos estavam entre a surpresa e a raiva.

Agora...

- Entra aqui. – Jensen me chamou para o seu escritório. – Por que vou ferrar com a sua vida?

- Jensen a maioria das pessoas aqui na empresa desconfiam que nossa amizade não seja apenas uma amizade, o que vão pensar de nós dois viajando juntos e dividindo a mesma boleia? – Eu passo as mãos nos cabelos mostrando todo o meu nervosismo.

- E qual é o problema de pensarem que temos algo, se nós temos.

- E o tempo que você ia me dar para falar com a minha família?

- Jared, nós não vamos assumir nada, apenas faremos uma viagem de horário como outra qualquer. Todo mundo sabe que esse tipo de frete é o mais corrido, os intervalos são mínimos...

- Jensen, meu pai te odeia... – interrompi.

- Me odeia por quê? – Ele me interrompeu.

- Por que você é gay que teve coragem de se assumir, ele acha isso um absurdo. Na visão dele, a pessoa pode ter suas paixões, mas que guarde para si...

- Acho que o teu pai é um tremendo boiola, que de tanto cheirar naftalina no armário, ficou pitimbado da cabeça. – O segurei pela camisa, e ele me olhou assustado.

- Não fala isso do meu pai. – Ele apenas retirou as minhas mãos se afastando de mim. – Desculpa. – Tentei me aproximar, mas ele de um passo para trás e ai paralisei. – Desculpa. – repeti.

- Espero que tenha se ofendido apenas por ter chamado teu pai de louco e não de gay. – Os olhos de Jensen são tão transparentes, suas emoções tão explicitas, e infelizmente ali a raiva e a magoa reinavam absolutas.

– Não quero discutir, o caso é que se nós dois viajarmos juntos no mesmo cavalinho vai me causar problemas...

- Jared, eu tenho que resolver algumas situações, afinal o Misha também está viajando. – Ele suspirou cansado e decepcionado, pegando a documentação da viagem de minhas mãos. – Quando me coloquei como teu companheiro de viagem, a minha intenção era apenas ficar um tempo maior do teu lado, não te causar problemas.

- É, mas vai causar. – Sair do escritório, pois não suportava aquele olhar magoado e saber que era o culpado, mas realmente quando vi o nome dele fiquei imaginando os telefonemas que meu pai daria ao saber. Simplesmente não teria paz, ele era capaz de se oferecer para pagar qualquer multa de quebra de contrato caso houvesse.

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Resolvi esperar Jensen no cavalinho e pensar no que fazer quando o meu pai começasse a encher a paciência. Ele já tinha começado em relação ao meu tio, pediu para manter a promessa que fiz no leito de morte do meu avô, na verdade todos nós fizemos: meu irmão, minha irmã e eu. Juramos que não teríamos amizade de espécie alguma com Geron Padalecki. Claro que nem comentei nada com o Jensen em relação a isso, quando ele falou que o meu tio estava trabalhando para a empresa agora.

Mas eu queria muito saber quem é o fofoqueiro que fala tudo para o meu pai aqui da transportadora.

- Bom dia garoto. – Ao mesmo tempo em que Beaver entrava na minha cabine, eu recebia uma mensagem do Jensen, dizendo: "Problema resolvido". Naquele momento entendi: Jensen colocou Jim no lugar dele. – O que foi? Não quer dividir o volante comigo? Olha garoto, eu já dirigia antes de você estar nos culhões do teu pai, por isso...

- Eu não tenho problema nenhum em ter você dirigindo o meu Azulão, é outra coisa. – Tentei acalmar o homem que estava ficando vermelho. Eu deveria estar feliz com a troca, mas senti que isso poderia acabar com o que eu tenho com o Jensen.

- Ainda bem, por que não tem jeito, na verdade só estou aqui por que o Trovão. – Era o nome do caminhão de Jim – Resolveu que queria uma folga. Eu ia sair com a Rainha, mas o Jensen mudou de ideia, não explicou o por que.

- De repente ele não queria que você dirigisse a Rainha. – Comentei ainda sem ânimo, mas eu sabia o verdadeiro motivo.

- Isso não foi! Já dirigi a Rainha muitas vezes, porém essa troca foi melhor, essa viagem é curta, sete dias, no máximo oito e o volto para o meu Trovão. – Jim foi arrumar suas coisas na parte de trás da cabine.

- E de quantos dias será a viagem da Rainha? – Isso me preocupou.

- É longa, vai atravessar o país, passará por todas as filiais da empresa. O Misha vai querer a cabeça do loirão. No mínimo 40 dias antes de voltar para a filial de origem. – Essa informação acabou comigo. – Você está bem? Ficou pálido. – Desci do caminhão e corri em direção ao escritório.

- Onde está o Jensen? – Perguntei para Alona.

- Ele deve ter passado por ti, mas por causa de tua correria não o viu, olha. – Ela apontou a janela e Rainha estava manobrando para sair. – Ele vai carregar na fabrica da GM. – Alona informou, me olhando curiosa. – E você devia tá saindo agora, aconteceu alguma coisa? Na falta do Jensen e do Misha, estou respondendo pela empresa.

- Não era nada. – Peguei o celular e liguei para o Jensen.

- O que você quer? – A voz dele estava fria.

- Você não devia...

- Por favor, Jared, você disse que era um problema, o problema foi causado por mim, e como eu podia resolvê-lo, resolvi. Agora uma boa viagem. – O tom duro de sua voz me dava medo, medo de perder.

- Eu não... – Ele não me deixava falar.

- Jared, você está confuso e perdido, tem vergonha do que é. – Essa frase me derrubou mais um pouco. – Tenho que respeitar, afinal todos tem o seu tempo, mas eu sei quem sou, o que quero e o que preciso, e no momento quero apenas paz, preciso para pegar a estrada, e você também. Deixa as coisas como estão e na volta conversamos. – Mesmo com essas palavras não me acalmei.

- Mas a tua viagem é tão longa. – Falei baixinho caminhando devagar para o meu caminhão.

- Normal, quando nos envolvemos com carreteiros, sabemos que podemos passar dias, semanas e até meses sem os ver. Por isso devemos aproveitar cada oportunidade para estar juntos. – E depois desse recado, ele desligou sem se despedir.

- Vamos embora garoto. – Gritou Jim. – Eu vou começar o turno, pela tua cara, é melhor descansar. Brigou com a namorada?

- Briguei. – Simplesmente respondi, e me calei.

- Teu tio está trabalhando com a gente agora. – Jim puxou conversa.

- Eu sei. Acho que vou deitar. – Não queria conversar sobre isso, na hora veria qual seria o meu comportamento em relação ao meu tio. Demorei a dormir, mas me mantive deitado, buscando descansar e relaxar para dirigir com segurança e atenção.

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Jensen Pov

Nunca tomar nenhuma decisão com raiva! Eu nunca aprendo! Quando o Jared foi ao meu escritório dizendo que eu queria ferrar com a vida dele apenas por que iríamos dividir a mesma cabine, com raiva mantive a longa viagem da Rainha e sem necessidade, poderia ter trocada por outra, mais curta.

E agora estou aqui sem raiva do Jared, com raiva de mim por estar morto de saudades dele. Não vou mentir para mim mesmo, seria puro orgulho, estou sentindo a falta do meu Sasquatch, a culpa é desse meu coração traidor.

A viagem que ele fez com Beaver era curta, quase não conversamos, às vezes pelo rádio ouvia sua voz e no face por mensagem privada. Agora voltamos a nossa rotina de nos falarmos toda noite, estamos bem distantes um do outro, praticamente em limites opostos do país. Acho incrível como nos damos bem quando não estamos tratando de sua saída do armário, isso é a única coisa que atrapalha a nossa relação.

Estou reclamando de saudade, mas tenho esperança que essa distância prolongada o faça se decidir mais rápido. Logo estarei chegando ao Texas, rever meus pais, essa é vantagem da viagem, vou matar a saudade da minha família.

Sorrio feliz ao ver os portões da matriz se abrindo, já passa das 20 h, a Rainha está toda iluminada, fiz questão de acender todas as suas luzes e como ela está puxando a sua carreta original, gloriosa a define.

Apesar da hora, meu pai está me esperando para jantar, vou comer a comida gostosa que a minha mãe preparou para a minha chegada.

Estacionei na plataforma de descarga, e quando saltei meu pai vinha correndo em minha direção seguido de mamãe.

- A Rainha ainda é preta. – Meu pai falou depois de um abraço forte. – E não você não colocou silicone. – Depois de ter apertado os meus peitos. – E ainda tem cara de homem. – Segurando o meu rosto.

- Estava morrendo de saudades de você meu filho. Nem acreditei quando seu pai me disse que estava a caminho. – Ela me beijava e não parava de falar. – Preparei todas as comidas que você gosta.

- Também estava morrendo de saudades de vocês, mas não entendi essa preocupação do papai, por que eu iria colocar silicone? – Estava caminhando abraçados aos dois, indo na direção do restaurante da empresa, pelo meu horário de chegada minha mãe resolveu cozinhar na própria transportadora.

- Lembra-se do Will? – Eu lembrava. Era um carreteiro que correu atrás do filho com uma faca quando descobriu que este era gay, mas o meu pai conseguiu acalmar o homem. Foi um momento que fiquei orgulhoso do meu velho, percebi que ele realmente tinha me aceitado. – O filho se envolveu com um carreteiro e este gostava de mulher e para agradar o namorado está se transformando em uma garota e bonita. – Meu pai ria. – Mas eu não gostaria que você fizesse isso, não que fosse ficar com raiva, mas... Esquece.

- Que dizer que o senhor não ia me rejeitar se eu resolvesse colocar uns peitos? – Perguntei já rindo.

- Nunca mais vou te rejeitar. – E ele me deu um beijo no rosto. – Agora vamos jantar que estou morrendo de fome, não pude dar nem uma beliscadinha.

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Foram três dias de muito mimo, comidinha da mamãe, estava até com preguiça de voltar para a estrada.

- Seu pai me disse que você o convidou para seguir viagem até a filial de San Diego? – Minha mãe me perguntou quando arrumava a minha mochila.

- Convidei. – Mordi os lábios. Nem sabia que meu velho iria comigo, mas já devia ter desconfiado papai nunca perde uma oportunidade de voltar para a estrada, e comigo a minha mãe não ia reclamar tanto.

- Você ainda não sabe mentir. – Minha mãe ria ao me falar isso.

- Mas tem algum problema dele ir? – Meu pai teve um principio de derrame, pelo estresse da estrada e empresa, teve de deixar a boleia, porém às vezes não aguenta e sai com os pés de borracha.

- Nenhum, ele está bem e sabe que sempre gosto de ver vocês dois juntos, sempre fizeram uma dupla de caminhoneiros lindos. – Ela me deu um beijo e fez o sinal da cruz em meu rosto me abençoando e desejando uma boa viagem.

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-Enganei a tua mãe. – Meu pai estava mais feliz que criança em uma loja de brinquedo.

- Se acreditar nisso o faz se sentir bem. – Ri da cara de surpresa dele. – Até confirmei a história do convite, mas...

- Ela nos pega na mentira sempre. – Meu pai completou a minha frase. E caímos na gargalhada. – Eu dirijo primeiro.

- Tudo bem, é bom ter um assistente. – Comentei me espreguiçando para provocar o velho.

- Assistente! – Ele se indignou. – Olha seu moleque...

- Eu te ensinei a dirigir, quando você pegou no volante a primeira vez foi no meu colo. – O interrompi mostrando que sabia de cor o discurso. – Estou brincando. – Parei de ri. – Pai obrigado por estar aqui comigo, por tudo que me ensinou.

- Não vai começar a chorar feito uma mulherzinha. – Ri ao vê-lo enxugar uma lágrima atrevida. – Foi um cisco. Câmbio! Aviso aos rodãos da estrada: Fodão, no comando da Rainha. – Meu pai deu uma gargalhada gostosa depois desse aviso, ele adorava o seu QRA. – Feliz ao lado do meu Cristaloide! Pedindo proteção durante a viagem para o PX-maior.

- Câmbio, seja-bem vindo às estradas, Fodão, um perneta de fé. Boa viagem. – E várias mensagens iguais a essa foram ouvidas durante o inicio da viagem, meu pai era muito querido e respeitado no meio.

Não dá para descrever a minha alegria de ter meu pai ali dividindo o volante comigo. Tenho certeza que no meu olhar existia o mesmo brilho de quando eu era apenas um menino, e viajava ao lado dele.

Seu coração viaja em paz
Carregado de emoção, de mais,de mais
Dia, noite madrugada ele sai, não tem hora de partida,
O caminhão o que ele traz, e a coragem que ele tem que é sempre mais.
Pulso firme no volante enfrente vai, pela estrada e pela vida!

Ele sempre foi o meu herói, o achava o homem mais forte do mundo por conseguir controlar um bichão daquele, que na época tinha 18 rodas, hoje dirijo uma com 26 rodas, e às vezes, com 34, mas a imagem de todo poderoso que tenho dele nunca vai mudar.

Quando levei aquela surra, a maior dor que senti não foi das pancadas, e sim da perda. Aquele que devia me proteger com a sua força, estar ao meu lado, foi o primeiro a me rejeitar. Porém no dia em que ele apareceu na minha casa pedindo perdão, não pensei em nada, apenas corri pra os seus braços e sentir que nada e nem ninguém poderia me atingir, estava outra vez sob a proteção do meu herói.

Nesse momento observando o meu pai posso compreender o Jared, é difícil você virar o vilão do seu super-herói, e sei que mesmo com todos os defeitos e preconceitos é isso que Gerald é para ele.

Meu pai dirigiu oito horas seguidas, nem me ofereci para dividir a direção, pois com certeza levaria um pescoção, tinha certeza que nessa viagem não passaria de um esparadrapo, como saímos depois do almoço, paramos para jantar em um posto em que dormiríamos.

- Camisa 10 na área. – Gritou Mark Pelegrino ao nos ver entrando no restaurante. – Ei! Alan paga uma rodada, já estamos no descanso.

- Já pararam de trabalhar? Não fazem mais carreteiros como antigamente. – Meu pai brincou e mandou servir a rodada pedida, sentamos juntos aos nossos motoristas, estávamos em dois comboios e um com quatro carretas e o nosso com três, éramos oito motoristas ao todo. Entre eles: Geron Padalecki.

- Alan! – Geron levantou um copo de água cumprimentando meu pai.

- Geron, que surpresa! Meu filho você não disse que temos outro Padalecki na empresa. – Quando o meu pai tocou no nome do Jared não aprofundei o assunto com medo de denunciar o que tínhamos.

- Espero que não se importe. – Estranhei esse comentário do tio de Jared.

- De maneira alguma, vida nova. – E meu pai trocou de assunto, mas sentou ao lado de Geron e ficaram alguns minutos conversando baixinho.

O restaurante estava cheio de estradeiros: caminhoneiros, motoqueiros e várias espécies de nômades que encontramos pelos caminhos de asfalto da vida. A conversa era barulhenta e divertida.

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- Será que essa boca é tão gostosa quanto parece? – Eu estava no banheiro e quando olhei para o lado, vi que o dono da voz era um dos caminhoneiros presentes no restaurante, um homem alto branco, com barba e bigodes mal cuidados, olhos azuis e com uma barriga que prometia ficar maior. Resolvi sair sem nenhum tipo de resposta, mas o sujeito segurou meu braço. – Apenas uma chupetinha...

- Me solta. – Tentei puxar o braço, mas o sujeito o segurou com mais força.

- Você gosta. – Nos lábios grossos surgiu um sorriso irônico. – Não vou contar para o seu papai. Apenas uma chupetinha e se for gostoso, posso comer o seu... – Mas o desgraçado não teve chance de completar e logo estava prensado contra a parede com o meu revolver dentro da boca.

- Agora quem vai fazer é uma chupetinha gostosa é você, só que essa é ao contrário: tem que fazer direitinho para ela não gozar. – Falava entre os dentes, baixinho, mas pelo olhar apavorado do homem, eu deveria estar ameaçador. – Passa língua bem devagar, agora chupa. – Eu sentia que meu braço ia apertando aos poucos o pescoço do outro que ia perdendo o fôlego.

- Jensen, não vale a pena meu filho. – Nem percebi que o meu pai e outros motoristas tinham entrado no banheiro. Parece que um viu a história e chamou meu pai.

- Foi culpa dele... – O sujeito ainda tentou falar, mas meu pai deu um belo soco em seu estomago o deixando sem ar e outro deixando o sangue escorrer pelo nariz que devia ter quebrado.

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- Eu estou bem pai. – Disse caminhando em direção a Rainha, resolvemos nos recolher depois dos acontecimentos.

- Essa é uma das minhas preocupações com você...

-Pai. – Interrompi, pois ele começaria e discursar dos perigos da estrada, por eu ser muito bonito, e todo o blá, blá, blá... – Esses engraçadinhos podem aparecer em qualquer lugar.

- Mas na estrada...

-Só ando em comboio. Ligou para a mamãe? – Troquei de assunto.

- Entendi. – Meu pai balançou a cabeça. – Mas tenho algo sério para conversar com você.

- Sério? – Me surpreendi e fiquei vasculhando na minha mente em busca de uma pista.

- Vamos nos acomodar para dormir, não queria falar com a tua mãe por perto, pois ela ficaria nervosa. – Fiquei cada vez mais curioso. – E veste uma roupa.

- Gosto de dormir nu. – Reclamei, mas ria pela cara do meu pai. – Ok! Vou colocar uma boxer, ficou admirado do meu 34 eixos?

- 34 eixos? No máximo isso é um bitrem, nenhum dos dois puxou para mim. – Meu pai sempre se vangloriou de ser bem dotado, meu irmão tem um pouco de trauma, por ser o mais velho e ter um pinto menor que o meu. – Eu sou o Fodão! – Ele disse isso e caiu em uma gargalhada gostosa. – Já vai me agarrar? – Eu gostava de dormir em seu peito, me sentia protegido, sempre foi assim desde pequeno, depois que cresci, quando tinha oportunidade aproveitava, mesmo com ele reclamando. – Esse mundo está perdido, depois de velho, vou dormir agarrado com um macho quase pelado. – Nesse momento soube que meu abrigo estava garantido.

- O que de tão sério o senhor tem para me dizer? – Meu pai sentou e me encarou.

- O Gerald Padalecki me ligou. – Não sei por que mais senti que nessa hora me denunciei, e confirmei quando o meu pai apertou os olhos. – Ele disse que você o praticamente o expulsou do pátio da empresa.

- Ele me ofendeu...

- Eu acredito nisso. – Fui interrompido. – Mas a minha preocupação é outra, ele disse que você estava seduzindo o filho dele, e que se o transformasse em um veado, ele mataria os dois. – Engoli seco e mordi meus lábios.

- E que o senhor disse?

- Que ninguém transforma ninguém em veado, e que se o Jared quisesse dar para você é por que ele já era um tremendo de um batonete do Paraguai disfarçado de macho.

- E ele?

- Disse que estava explicado o fato de ter um filho pervertido, e que o recado estava dado, e desligou o telefone.

- Ainda bem que o senhor sabe que ninguém transforma ninguém...

- Eu te pedi para não colocar o Jared na perdição. – Arregalei os olhos surpresos para o meu pai, sem entender nada.

- O senhor...

- Eu disse aquilo, por que não admito que ameacem a minha família...

- O senhor acha que eu sou um pervertido? – Foi minha vez de interrompê-lo.

- Não acho que seja um pervertido, mas acho que você pode seduzir quem quiser, ainda mais um jovem de hoje, por que é tudo normal, agora. Me responda com sinceridade: você tem algum interesse no Jared? Não precisa me dizer nada, esse teu olhar já te condenou.

- Pai...

- Esquece esse rapaz, se você já tentou algo com ele, desista de vez e se já conseguiu, acabe com essa relação. – Fiquei assustado, pois meu pai estava tremendamente preocupado. – Faça isso, por favor, pelo menos pelo bem da tua mãe, se eu estou preocupado e capaz dela ter um treco.

- Por que tanta preocupação? – Eu não conseguia entender, tudo bem que o Gerald era um tremendo filho da puta homofóbico, e com certeza rejeitaria o filho, mas me pareceu bem exagerada a reação do meu pai.

- Vou te contar uma história para você entender o nível de ódio que o Gerald tem por gente assim... Meio gay... Entende. – Sorri, meu pai tem preconceito, mas o seu amor por mim é maior, por isso ele freou suas palavras quando percebeu o caminho que elas poderiam levar.

- Deixa me aconchegar aqui, para dormir com meu pai contando histórias, velhos tempos. – Quando meu pai não estava viajando, ele fazia questão de nos colocar para dormir e contava histórias de suas andanças pelas estradas, algumas aumentadas e outras, com certeza, inventadas, mas que nos despertaram o amor pela profissão de carreteiro.

- Só que essa história é de terror. – Meu pai riu, pois também se lembrou dos nossos momentos. – Eu conheci Gerald e o Geron, juntos, irmãos, carreteiros e muito amigos, na época as leis das estradas não eram tão boas para nós. Tínhamos poucos direitos, na verdade quase nenhum. Éramos mais solitários, mas os dois sempre que podiam iam num mesmo comboio, e assim seguia a vida, sei apenas que era linda a amizade dos dois, muito unidos, era uma festa quando se encontravam nas estradas.

"Não sei quando e nem como, mas depois o Geron passou a ter um companheiro de estrada, John Schneider, um cara gente fina, se tornaram inseparáveis. Sempre pegavam cargas juntos, às vezes viajavam os três, isso sem problema. Infelizmente aconteceu um acidente grave, o cavalinho do John bateu em outro caminhão e a carreta não freou, empresando a cabine, e ele morreu entre as ferragens.

Foi muito triste, na época sua mãe estava viajando comigo e estávamos na cidade que ocorreu o enterro. Geron chorava, inconformado, lembro que o pai dele, o chamou e disse: 'Tudo bem que era teu amigo, mas já está exagerando.' E ai que a coisa ficou feia.

Geron gritou: 'Exagerando? John era o amor da minha vida, nós...' Ele não terminou a frase, o pai desferiu o primeiro soco e depois, Gerald deu os dele, o batiam por todo o corpo, quase que Geron ia sendo enterrado com o amante dele."

- Mas não fizeram nada para impedir? – Estava horrorizado.

- Não, não fizemos... – Meu pai abaixou a cabeça, estava envergonhado pela omissão. – Somente interferimos quando Geron estava jogado no chão do cemitério, era uma massa ensanguentada.

- Nenhum dos dois foi preso? – Minha voz era pura indignação.

- Não, ninguém se meteu, a sua mãe queria ir à delegacia, mas não deixei. Geron, não quis denunciar o pai, e o delegado achou melhor tratar como briguinha de família. E depois de tudo Gerald ficou intolerante. Em uma das viagens que fiz com ele, juntamente com o padrinho do Jared, Fredric Lehne, espancaram um desses que ficam rondando pelo posto. O rapaz se insinuou para alguns carreteiros, mas todos levaram na brincadeira, depois ele foi encontrado desacordado no estacionamento, alguns viram quem foi, mas não denunciaram os colegas, você sabe como é isso...

- Eu sei. – A união de nós estradeiros às vezes ultrapassa o limite da lei e da verdade.

- Entende o meu medo? Ele é um homem perigoso, fico imaginando o que ele pode fazer com o filho e com quem se meta com ele.

- Gerald é bem perigoso, mas não consigo imaginar que também a culpa dele ter ficado assim, foi por causa da omissão de muitos. – Meu abaixou a vista novamente envergonhado. – Mas mesmo com todo esse risco o Jared não pode deixar de ser ele mesmo, pois... – Me calei, percebi que falei demais.

- O Jared é gay? – Meu pai me encarou e eu sabia que não ia mentir, nem que quisesse. – Agora falta-me dizer que estão juntos. – A voz dele foi como uma acusação. – Termina essa relação que nem devia ter começado.

- Mas pai... – Fiquei sozinho na cabine, pois meu velho saiu batendo a porta.

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N.A.: Infelizmente o dia para mim tem menos de 24 horas(sensação que tenho). Porém tentarei não atrasar tanto. Peço desculpa aos que leem a fic. Porém tenham a certeza que ela não será abandonada. E antes do final de 2014 terminará! Srsrs

Esse capítulo era para ser maior, porém ia atrasar mais, e ai preferi postar.

Observação: Quando os personagens se referem a quantidade de eixos, na verdade eles querem dizer o tipo de carreta: 26 eixos é um bitrem e 34 é um tritrem, é o numero total de rodas que cada um tem.

Comentários nos capítulo da beta:

(Somos dois, mas você ainda é burro.) Querem saber do fofoqueiro

(Vou dizer... Não entendi quase nada dessa frase, mas dei risada. Cristaloide? PX-maior? Tem um dicionário ai, por favor?)

(Perneta de fé? Mais um verbete!)

(Por que eu acho que esse não é só o personagem, mas a escrito falando?)

(VIVA O PAPA ACKLES! ADOOOOOOOREI! E claro, adore o loiro tbm. kkkkk)

Pela surra no banheiro.

. (golpe baixo Papa Ackles...) Ao falar que a mãe pode ter algo.

(Papa Ackles o senhor entende que ele é um grande filho da p...?)

(Um sogro fdp, um pai medroso e um namorado burro. Jens ta bem arranjado né?)

Respostas aos reviews não logados

Justine

Nesse capítulo você viu a barra que deve ser para o Jared, o pai dele tem tolerância zero, respeito nenhum e o estilo que mata mesmo, não tivemos quase os dois juntos até por causa da viagem da rainha.

Viu que o Jensen terá que ter um papo bem convincente para o Jared sair do armário.

Os sofrimentos e as consequências serão mais evidentes a partir do próximo capítulo.

Mil Biejos! Pressa para atualizar! Srsrsr

Anonimo

Viu mais um pouco da vida o Jared e a dificuldades dele para assumir não é apenas um medo atoa, o pai do Jensen apesar de preconceito tem um amor maior pela família o Gerald o amor devem em segundo plano.

Obrigda pelo carinho. Mil beijos! E Desculpa a demora.

Luluzinha

O Jared gostou! Srsrsr

Mas acho que ele tem que passar por essa recuperação mais vezes! Srsrrs Porém com o Jensen viajando, o tratamento será adiado! Srsrrs

Mil beijos1

Sol

Saudades de você filha! Srsrsr Deve esta me xingando igual o Jared pela demora na atualização! Kkkkkkk

O Jensen deu para perceber que apesar do problema com o pai ele conseguiu se resolver, e que o papa Ackles é outro nível de ser humano.

Acho que a coisa vai ficar difícil, e considerando que você já está com raiva do Jared, e vai ficar mais um pouquinho!kkkkk

E você advinhou o Jensen mandou outra pessoa, mas exagerou no tempo de sua viagem!kkk

Mil Beijos!

Claudia

Esse segredo surgiu no comentário da Mi quando escrevemos aquela fic a 4 mãos! Saudades!

Nesse capitulo não teve J2, e nem sei como vi acontecer agora! Kkk

Surpresas!

Mil Bijeos!

Blue Mystery

A pior coisa é a pessoa não se aceitar, e por causa disso ele pode perde alguém importante, porem junto com o pavor de ser descoberto pelo pai, que você viu que não é nem um pouco fácil.

Vamos ver se com a distância, ele possa mudar um pouco.

Mil beijos.

Maria Eduarda

Viu que os pais do Jared não são nada fácil, o Alan tem uma grande preocupação e que parece que é verdadeira.

Agora ser consolada por Jensen Ackle... O Jared tem de aproveitar! Kkk

Mil biejos!

Cleia

Espero que sua paciência se mantenha! Srsrs Demorei e muito!

A posição foi certa, porém o loirão ainda não conseguiu o principal, fazer o moreno se assumir e assumi-lo.

Mil beijos

Eve

O capitulo mostrou o tipo de sogro que o Jensen tem!srsrsrsr

À segunda que pensa sobre o Jensen ter forçado essa viagem, mas ele de repente que depois da entrega, seria uma nova etapa, mas o buraco é mais embaixo. Srsrrs

O Diametro(gostei do uso da palavra) do Peruackles dever ser de arrombar! Kkkkk Pergunta para o Jared, e deixa ele te responder no Twiter! Kkkkk

Sobre o fato dele gostar de ficar de quatro dizem realmente é a melhor posição!

Demorei mais estou aqui! Srsrrs E vou até o fim da viagem!

Mil beijos!