Eu vivo pela estrada com um caminhão nos braços e alguém no coração.

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- Quem tem amigo na praça, além de não precisar de dinheiro, não passa frio. – Além da resposta, odiei o sorriso cínico de lado que Jensen me dirigiu. – Dormi no caminhão do Ty.

Senti meu estômago embrulhar, o ar me faltou...

- A Tigresa te esquentou direitinho? – No momento da minha explosão Samantha apareceu e Jensen baixou a cabeça meio que envergonhado, pois foi pego na mentira, Tigresa era o caminhão da Sam. – Olha a tua sorte de pararmos aqui. – Ela estava junto com o Jim e o Pelegrino em outro comboio da empresa.

- Bom dia rapazes. – Jim nos cumprimentou e deu um leve beijo nos lábios de Sam. – Vamos tomar aquele café para refazer a nossa energia, afinal a estrada nos espera. – Ficamos observando em silêncio o casal se afastando, cada um perdido em seus próprios pensamentos.

- Jensen. – Ele grudou em mim aqueles olhos verdes tão transparentes em seus sentimentos, e não havia raiva ou revolta, coisa que acontecia quando eu pisava na bola. – Sobre o que eu disse ontem à noite...

- Jared, esquece. – O olhei com atenção. – Você apenas falou a verdade, seus sentimentos, não são surpresas para mim, eu nunca mais vou lhe pedir para se assumir, se um dia isso acontecer que seja por vontade própria, uma necessidade sua, não quero carregar essa responsabilidade, não se sinta mais pressionado por mim. – Jensen subiu em seu caminhão.

- Você vai terminar comigo? – Meu coração parecia que encolhia de tanto medo de perdê-lo.

- Ainda não, pois não sei viver sem a esperança de te ter em meus braços nas estradas da vida. Mesmo que seja em um túnel escuro. – Ele estendeu a mão para me tocar o rosto, mas a recolheu no mesmo momento. – Boa viagem, meu amor. – Essa frase foi dita tão baixinho que quase não escuto, mas serviu para me acalmar, um pouco.

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30 dias de estradas percorridas – Continua em Jared POV

O tempo fechou e a policia rodoviária ordenou uma parada, e aqui estou tentando encontrar um lugar para estacionar, onde possamos ficar o mais próximo possível do companheiro de viagem.

Casa cheia: Carros de passeio, caminhões, ônibus de viagens, trailer, motos, tudo quanto é tipo de veículo, todos impedidos de continuar o seu caminho, a chuva caia forte e sem previsão de parar.

Encontramos um lugar bem longe do prédio onde funcionava o restaurante e a lanchonete, olhei ao redor e consegui visualizar algumas carretas da empresa, de outros comboios.

- Câmbio, camisa 10. – Jim chamava no rádio. - Acho que vou me esquentar na cabine da Sam. – Eles eram os companheiros viagem de Jensen, isso significa que ele está por aqui. – Vem jantar conosco?

- Não, vou jantar no restaurante do posto. – A voz de Jensen fez meu coração acelerar. A minha vontade era de correr para os seus braços e matar a saudade, fazia uns dez dias que não nos vimos, e ele cumpriu sua palavra, não me pediu mais nada.

- Olha, se eu fosse você ficava na cabine, até levo uma lasanha que a Sam, vai descongelar. Com essa gripe que você está, sair num tempo desses é pedir para piorar.

- Mas eu estou a fim de dar uma volta, coisa rápida. – Jim resmungou e desligou.

Olhei para fora e avistei a Rainha, no momento em que Jensen descia do caminhão, e me lembrei do nosso último encontro.

Cheguei de viagem em um sábado à tarde, e não perdi tempo, corri para a sua casa, na loucura da saudade fizemos amor na cozinha, depois no quarto e apaguei, estava cansado, seis horas dirigindo e depois encontrando um caminhão turbinado chamado Jensen Ackles não era para qualquer um.

Quando acordei estava sozinho na cama com um recado dizendo que tinha ido para o aniversário de um amigo, mas que era para esperá-lo e sem cueca, ignorei a parte de ficar com a bunda para cima.

Essa falta de cobrança me incomodava muito, parecia que estava desistindo de mim, e em um momento que perguntei isso, ele disse que me amava, porém a sensação de perda me acompanhava.

Saí das minhas lembranças quando vi Jensen se atrapalhando para ajudar uma senhora que saia de um carro com uma criança no colo e outras duas a segurando pelo casaco, mais uma mochila.

Corri para ajudá-los, peguei no colo uma das crianças que vinha caminhando, Jensen pegou a outra junto com a mochila e corremos para o prédio do hotel que existia naquele posto. Minha vontade foi de locar um quarto também para aquela noite, para nós dois. A senhora agradeceu a ajuda e seguimos em direção ao restaurante. Ele sorria lindamente para mim, estava feliz em me ver e eu a ele.

- Camisa 10 na área. – O aviso característico, anunciou que alguns notaram a presença de Jensen. – Um cowboy para esquentar? – Jensen me sorriu e li que ele preferia outro tipo de cowboy e não um copo de uísque puro.

Sentamos junto ao nosso grupo, um total de cinco caminhoneiros só puxando carreta da Ackles, inclusive meu tio estava no meio.

- Jared. – O homem me cumprimentou.

- oi, tio. – Respondi meio sem jeito, porém com um sorriso que foi correspondido, tinha decido quebrar a promessa absurda feita quando criança, no momento era o máximo que podia fazer, seria muita hipocrisia, manter esse juramento. O clima era de camaradagem, muitas brincadeiras apesar do atraso. Essas chuvas podiam nos deixar parados por dias, mas ninguém queria pensar nisso, por sorte estávamos aquecidos e com boa alimentação, sabíamos que com certeza alguns companheiros estavam na beira da estrada talvez passando fome.

- Olha o meu padrinho. – Jensen e o meu tio Geron fecharam a cara. – Vou chamá-lo.

- Não. – Jensen me segurou pelo braço. – Não quero esse homem na minha mesa, basta viver no mesmo planeta e nesse momento partilhar o mesmo ambiente. – Não entendi tanta animosidade, mas não questionei, apenas fui cumprimentá-lo.

- Pipoca. – Frederick Lehne me abraçou e assanhou o meu cabelo coisa que fazia quando eu era uma criança. – Até que enfim nos encontramos. Senta aí, vamos jantar juntos. – Não tive como recusar, afinal era o meu padrinho e fazia tempo que não o via.

- O senhor está indo para onde? – Perguntei me sentando ao lado dele, olhei para trás e Jensen entortou a boca em desagrado.

- O teu patrão não gostou de você ficar aqui. – Lehne viu o gesto de Jensen. – O teu pai está certo?

- Certo como? – Me fiz de desentendido.

- Sobre ele gostar de você. Por mim tudo bem, é só não ficar de quatro. – Acredito que fiquei vermelho. – O teu pai é radical, não aceita homem com homem, porém uma bundinha é uma bundinha e o teu camisa 10 ainda tem uma boca... – Odiei quando ele mordeu os lábios ao falar sobre Jensen. – Já vi que você é igual ao Gerald.

- Eu estou seco para pegar o teu patrão garoto. – Comentou um homem que tinha acabado de sentar ao lado do meu padrinho.

- Como assim? – Estava arrependido de ter me sentado ali.

- Ele tentou descobrir se a boca do Ackles era gostosa como parecia...

- Foi ele? – Perguntei com nojo, sabia da história que tinha acontecido com o Jensen. – Acho que vou voltar para a mesa dos meus companheiros.

-Jared...

- Desculpe padrinho, mas essa sua companhia... – Balancei a cabeça e voltei para mesa, me sentando ao lado de Jensen.

- Estava preocupado de que você fosse tão idiota quanto seu pai. – Meu tio Geron falou assim que sentei na cadeira.

- Como assim? – Olhei curioso para Geron.

- Gerald tinha um costume desagradável junto com esse teu padrinho de atacar homossexuais. – Fiquei sem palavras diante dessa revelação, sabia que o meu pai era intolerante, mas não a esse ponto. – Desculpa manchar a reputação do teu herói.

- Vamos trocar de assunto. – Jensen interrompeu o diálogo e agradeci, não gostaria de ouvir essas coisas sobre o meu pai, ele sempre me ensinou valores tipo: justiça, amizade, lealdade e outros que não estão de acordo com essa informação. Eu estava muito decepcionado com o meu pai, e percebi que ele nunca aceitaria a minha homossexualidade.

Não demorou muito todos seguiram para suas boleias, meu corpo todo implorava para ir me encontrar com Jensen, mas senti quando meu padrinho começou a me seguir.

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A noite foi péssima, fria, e pensar que o Jensen estava tão próximo e eu poderia estar quentinho com o meu loiro nos braços.

Olhei com tristeza para a Rainha, mas meus sentimentos mudaram como um motor que acelera em 10 segundo, Morgan saiu do caminhão de Jensen abotoando a jaqueta, a mesma do dia anterior mostrando que tinha passado a noite ali.

- O que aconteceu? – Jensen perguntou assustado quando entrei no seu caminhão batendo a porta.

- Você está bem? – A minha raiva se transformou em preocupação ao ver a máscara de inalação em suas mãos.

- Um pequeno ataque de asma devido à gripe. – Ele me explicou. – Mas por que você entrou aqui desse jeito?

- Por nada. – Não quis dizer que foi por causa do ciúme ao ver Jeffrey saindo do seu caminhão. Me sentei na cama próximo a ele e fiz um carinho em seu rosto, tocando nas olheiras, sinal que não tinha dormido. – Foi muito ruim a noite?

- Terrível, tive de chamar o Jeffrey para me ajudar, estava sem conseguir respirar. – Jensen me explicou.

- E por que não me chamou? – Me arrependi no exato momento que perguntei.

- Você viria, ou acharia que era algum truque? – Tentei falar alguma coisa, mas Jensen colocou um dedo em meus lábios me impedindo de falar. – Não estou te cobrando nada, foi apenas um comentário.

- Eu mereço. – Baixei a cabeça, mas logo o encarei. - Espero que tenha um pouco de fôlego, pois vou roubá-lo agora. – Selei sua boca em um beijo calmo, mas que logo tomou a dimensão da falta que ele fazia em minha vida. – Jensen, a estrada sempre me bastou, se ela fosse infinita seria melhor, mas agora preciso que ela tenha um retorno e que ela me traga de volta para você. Eu te amo e não quero te perder, e parece que é isso que está acontecendo.

- Você me confunde. – Jensen puxava a respiração por causa da gripe e do beijo. – Suas palavras são tão profundas e suas ações...

Voltei a beijá-lo e esquecemos-nos da falta de ar, de onde estávamos, invadi sua camiseta, sua pele estava mais quente que o normal, indicando que estava com febre.

- Uau! Desconfiava que vocês tivessem uma queda um pelo outro, mas não sabia em que ponto estava. – com o susto soltei Jensen e bati minha cabeça no teto. – Ou você teve um ataque de asma tão forte que teve de receber respiração boca a boca! – Jeffrey sorria de maneira cínica, Jensen apesar de tentar recuperar o ar me olhava como um observador curioso, parecia que não fazia parte da cena.

- Jeffrey...

-Cheguei maninho! – minha salvação chegou na forma de uma loira que reconheci sendo a Mackenzie.

- Vim te avisar da tua nova babá. – Jeffrey comunicou para Jensen. – Liguei para Alona e a Kenzie estava em um posto perto com o namorado como esparadrapo.

- Não aguentava mais, ainda bem que precisou de mim. – A garota revirou os olhos. – Acredita que o Jason não me deixa dirigir! Vou ficar com você até o destino do frete.

- E só vou permitir essa loucura por que é com o teu irmão. – Um homem mais baixo que todos nós, homens, porém bem mais musculoso, entrou e sentou no banco do motorista, pois a cabine estava cheia.

- Deixa de ser chato, sabe que isso é necessário, olha carinha dele, tão dodói. – A garota se aproximou do irmão e lhe puxou as bochechas, Jensen bufou. – Jeffrey, se aproveitou dele?

- Kenzie! – Jensen exclamou, parecia que conhecia bem sua irmã e se davam muito bem, Meg e eu éramos amigos, mas tinha minhas dúvidas se ela me aceitaria se descobrisse que sou gay.

-Ora maninho, não tem um motorista aqui que não queira te pegar, até os ditos héteros. – Ela comentou fazendo aspas com a mão. – Mas... – Ela me encarou. – você?

- Sou o Jared Padalecki. – Nesse momento fiquei sem jeito e com medo do namorado da Kenzie, pois ela levantou e me abraçou.

- Irmão da Meg! Como ela está? Que bom que você e Jensen reataram a amizade antiga. – Ela riu e olhou para os outros. – Vocês não imaginam como era fofo, os dois juntos, Jensen cuidava desse aqui como se fosse um coisa preciosa, eu ficava até com ciúmes. Uma vez Meg disse: Se um dos dois fosse mulher acho que se casariam, mas sendo o Jensen gay quem sabe. – Nessa hora fiquei vermelho.

- Kenzie, o frete não pode parar. – Jensen interrompeu a irmã, mas tinha um ar de riso no rosto.

- Sei! Mas tem gente que gostou da ideia. – Disse a garota dando a última palavra. Jensen apenas deu seu sorriso de lado. – A papelada já está toda certa e apesar de ainda chover, a estrada está liberada e vamos aproveitar! – Ela mudou totalmente o tom, mostrando Kenzie, a profissional e animada em pegar estrada.

- É isso mesmo, a carga precisa chegar. – Jason puxou a Kenzie para o colo quando a garota se aproximou e lhe deu um beijo quente e carinhoso.

Jeffrey se aproximou de Jensen e fez um carinho em seu cabelo, depositando um beijo no alto da sua cabeça, como um bom amigo e saiu do caminhão.

- Se cuida. – E lhe toquei a mão, minha vontade era de lhe apertar em meus braços, ou mesmo de pedir que a Kenzie assumisse o meu frete e eu seguiria com o meu loiro, mas não tive coragem, Jensen deitou, mas li a decepção em seus olhos. – Boa viagem.

- Obrigada! Depois me passa o contato da Meg. – Saí da cabine e fui em direção ao Jeffrey que me olhava sério, como nunca vi.

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- Jeffrey, eu queria...

- Eu sei o que você quer. – O homem me interrompeu, e não parecia nada feliz. – Não se preocupe, não vou falar nada, pois não vou me intrometer, mas tenho que dizer para aproveitar a sorte, pois o Jensen deve te amar muito para aceitar essa situação, já o vi dispensar uns e outros por bem menos.

- Jeffrey, você sabe como é minha família, eu estou tentando, e gostaria muito de assumir para todos, mas é difícil para mim, nem mesmo sei o que fazer, descobri que meu pai além de homofóbico é violento, intransigente. – Apesar do medo que Jeffrey não cumprisse sua palavra, era bom conversar com alguém sobre isso, além de Jensen.

- Eu entendo, mas acho que o loirão não tem muita paciência. Vou descansar um pouco, ninguém vai sair agora, o teu padrinho e a turminha dele ontem parece que queriam se divertir e encontraram uma vítima, por sorte o teu tio estava de olho neles e chamou a polícia, estão presos. Acredita que até o Gordon se envolveu nisso?

- O Gordon também?

- Sim, mas já concordou em alugar o caminhão para empresa, vai precisar de dinheiro para pagar advogado. Assim que chegar outro motorista continuamos. – Jeffrey riu. – Geron está se sentindo feliz. Na época não denunciou o seu pai juntamente com o Lehne, coisa que ele se arrepende. O sentimento pela família foi maior mesmo sendo rejeitado, humilhado e machucado, mas hoje, para ele ser feliz é o que conta. – Entendi o recado final.

Abriguei-me no Azulão lá me sentia protegido de todos, menos do meu pensamento. Será que valia a pena todo esse conflito com o Jensen por causa do amor de uma pessoa que praticava atos tão abomináveis, como agredir alguém por amar outro do mesmo sexo? Mas essa pessoa era o meu pai, por causa dele hoje sou carreteiro e com muito orgulho, poderia ser mais fácil agora que o meu herói está com o seu verniz arranhado, pela teoria o mandaria para o inferno e assumiria o meu amor, o homem da minha vida, mas na prática...

O telefone interrompe a discussão na minha mente, era meu pai. – Que história é essa de quebrar a promessa que foi feita no leito de morte do teu avô?

- Bom dia para o senhor também. – Fui irônico como nunca fui com o meu pai.

- Bom dia? Qual pai pode ter um bom dia depois de saber que seu filho está indo contra todos os conceitos de educação? E o pior, quebrando uma promessa...

- Desde quando agredir pessoas inocentes pode ser chamado de educação? – Interrompi o discurso.

- Vou ser sincero, eu fiz algumas coisas assim, quando eu achava necessário...

- Necessário?

- O teu tio, era uma vergonha, e outros davam em cima de mim, não sabiam respeitar um macho. – Eu não acreditava que esse era o meu pai.

- Respeitar um macho? Pois o senhor sabia que um dos amiguinhos do padrinho tentou agarrar o Jensen em um banheiro?

- O teu padrinho tem um conceito meio diferente, ele acha que aquele que só pega não é um degenerado, pra mim é tudo a mesma coisa, porém quando ele andava comigo, esse tipo de gente nem se aproximava. Caso contrário... – Meu pai respirou fundo, senti que ele ia me pedir algo. – Quero que você arranje um advogado para o teu padrinho e leve algumas coisas para ele.

- Eu não vou fazer isso, sinto muito...

- Mas ele é teu padrinho! – Meu pai gritou do outro lado.

- Que tem de pagar pelo seu crime...

- Mas ele tem direito a defesa. E estou pedindo. – Meu pai estava irritado, ele nunca aceitava uma desobediência direta.

- Sinto muito, mas não vai dar, estou de saída, tenho horário e a carga já atrasou bastante. – Menti, pois iria sair apenas depois do almoço, daria tempo de ir pelo menos visitá-lo, mas era algo que realmente não queria e nem ia fazer. Meu pai que perdoasse, talvez essa fosse a primeira decepção das decepções em relação ao assunto homossexualidade.

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Caminhão é assim mesmo, vai saindo pela estrada
vai entrando pelas veias...

Jensen POV

- E aí maninha, para quem estava apaixonada parecia muito ansiosa para fugir do amado. – Disse ao sentar ao lado da minha irmã, depois que todos saíram da cabine. Fingi que queria dormir, mas na verdade estava triste com a despedida do Jared, quando o Jeffrey nos flagrou tive uma pequena esperança dele se soltar mais, porém vi apenas a vergonha naqueles olhos tão amados.

- Acredita que estou a 20 dias na estrada e sem tocar no volante? – Kenzie exclamou indignada. – E o papai apóia! – Ri gostoso com o bico que a minha irmã fez, deve ser coisa de família.

- E por que você ainda está com ele? – Minha irmã sempre foi muito independente, teimosa, papai sempre tentou mantê-la longe do volante de um caminhão, nesse ponto eu ajudei. Depois que ela conseguiu a licença, sempre que viajava a levava comigo e dividíamos a direção. Até o dia que ela ameaçou a trabalhar na empresa concorrente, seu presente de 21 anos foi um cavalinho da Scania prata, com todas as modernidades e segurança da época.

- Ele é lindo, excelente profissional, amigo, companheiro e – Kenzie me olhou e deu um sorriso safado. – E muito, mas muito bom nas curvas.

- Ah! Kenzie! – Reclamei.

- Esperava uma reação dessas do Josh, mas sua, maninho...

-É difícil para eu saber que a minha irmã caçula está com um cara por que ele é bom nas curvas dela.

- Mas mudando de foco, e você ainda com esse coração vagabundo rodando de boleia em boleia?

- Assim você me ofende. – Revirei os olhos.

- Estou brincando, sei que você é uma princesa esperando um príncipe em um cavalo branco.

- Na verdade o príncipe apareceu em um cavalo azul, mas em vez dele me levar para um castelo, quer me enfurnar dentro do armário.

-Droga!Não acredito! – Kenzie bateu com as mãos no volante. – Mas qual é o problema dele?

- Além dele mesmo, a família. – Não ia contar que era o Jared.

- Faz tempo que estão nessa?

- Uns seis meses, entre uma viagem e outra nos encontramos, mas sempre às escondidas...

-Jensen, você sempre fugiu desse tipo de relacionamento, ele deve ser especial.

- Ele é lindo, excelente profissional, amigo e – Comecei usando as mesmas palavras da minha irmã ao descrever o namorado.

– E muito, mas muito bom nas curvas. – Kenzie completou de maneira safada.

- Nas curvas não... Nas retas. – E dei uma risada como há muito não dava.

- Eu que tenho de ficar constrangida agora. – Ela riu a acionou a buzina para enfatizar a frase. – Se ele é bom de reta, sinto que alguém esqueceu aquele papo de gouinada...

- Gouinage. – Corrigir rindo.

- É Gouinada, pois é nada mesmo. – Ela ri divertida. - Onde já se viu, rola e rala, e esfrega e esfrega, isso só era bom nos 16 anos.

- Kenzie!

- Deixa de ser uma bicha chata e puritana...

- Kenzie! – Falei mais alto, porém ri, era impossível não me divertir ao lado dela.

- Você sabe que sempre condenei essa tua ideia...

- Dizem que a maioria das mulheres não tem prazer na penetração. – Interrompi para ver o jeito dela.

- A maioria das mulheres não dirige uma carreta com 36 rodas. Não faço parte da maioria maninho. – Kenzie era uma debochada e eu adorava.

- Mas esse meu candidato a cunhado o fez desistir, me conta detalhes.

- Nunca!

- Deixa de ser sem graça!

- Você acha que vou dizer que ele me enganou... – Dei um risinho de lado.

- Mano, você tem de parar de dar esse negócio por engano. – Ela sabia de como tinha sido a minha primeira vez, não aguentei e ri.

- Sua palhaça! E o pior foi aguentar ele dizer que eu seria a mulher da relação.

- Que ridículo, ele é desse tipo? Ele deve ser muito bom, pois acho que você está aguentando muita poeira na cara sem tomar nenhuma atitude.

- Mas eu tomei... – Ri ao me lembrar. – Mostrei que ele estava com um macho! – Ela gargalhou.

- Agora só falta quebrar esse armário...

- Essa é parte difícil, não sei por quanto tempo vou aguentar essa situação.

- Você não tem de aguentar nada...

- A situação para ele é muito delicada...

- O que pode acontece? Ele pegar uma surrar do pai dele? Você pegou uma do papai, não morreu e o velho agora já aceitou que não perdeu um filho e sim ganhou uma filha, tanto que já vi o papai contratar um carreteiro e depois ficar avaliando se ele daria um bom genro, e não era para mim o marido! – Arregalei os olhos com a informação. – Você gostou do Ty...

- Gostei... Mas já estava apaixonado...

- É foda isso! – Minha irmã apertou a minha mão. – Droga! Parece que a chuva vai nos atrapalhar novamente. - A frente um engarrafamento. – Câmbio. Rainha desejando saber o que está acontecendo, algum companheiro aí na frente da Rodovia 80.

- Câmbio! Aviso aos companheiros de estrada, devagar na Rodovia 80, o rio próximo a Lincon, está transbordando e a passagem pela ponte está sendo feita um a um. Câmbio desligo. –Vários agradecimentos e reclamações foram ouvidos depois da mensagem. E com calma seguimos a viagem, paciência é uma das primeiras coisas que aprendemos quando decidimos por essa vida de estrada.

- Câmbio, Transportador para Rainha. – A voz firme de Jason invadiu a cabine. – Meu amor você quer que eu passe com o caminhão pela ponte?

- Câmbio! Sem necessidade, meu esparadrapo vai passar. – Olhei de maneira estranha para Kenzie, pois isso nunca foi problema, fazíamos apostas para ver quem passava mais rápido em uma ponte velha que existia no Texas, quando morávamos todos juntos.

- Não entendi. – Comentei.

- Ele acha que sou um enfeite para ser colocado no espelho retrovisor, e para não causar conflito, e melhor assim. – Senti que minha irmã não gostou de ter de usar esse artifício para fugir do controle do namorado.

- Posso descer? – Perguntei na hora em que a Rainha ia começar a sua travessia.

- Engraçadinho! Lembra que quem virou um caminhão foi você. – Ela riu de maneira cínica.

Na verdade quem tinha virado o caminhão tinha sido a Kenzie, mas isso aconteceu logo depois que o papai a liberou para dirigir os caminhões da família, estávamos apostando e por isso assumi a culpa, fui acusado de irresponsável, se fosse ao contrário seria de incompetente.

Kenzie seguiu comigo até Detroit onde esperou o Jason e depois ficaram para o almoço de Ação de Graças.

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- Feliz Dia de Ação de Graças. – Jared me ligou cedo, não iria participar conosco na empresa, pois seus pais estavam com ele.

- Obrigado. Pra você também. – Além de me avisar que não participaria do almoço e contar que o pai estava com suspeita de problemas no coração, ele não precisou falar, mas entendi que sair do armário nessa situação estava totalmente fora de cogitação.

Apesar de querer o Jared por perto, não me senti tão sozinho nesse tipo de situação, nós estradeiros em datas especiais dificilmente estamos com todos que importam em nossa vida, e por isso sempre buscamos consolo uns nos outros.

- Eu vou cortar o peru. – Misha comunicou depois da oração. – Vamos West ajuda o papai. – O meu pipoca sorria orgulhoso por estar participando de um ato tão importante.

Misha sorria feliz era um dos poucos que estava com a família toda ao seu lado. Nessa época existia muita carga e por causa das festas de final de ano alguns viajavam com esposas, filhos, amigos para não correr o risco de ficar só.

Quando briguei com meu pai deixei de passar Ação de Graças, Natal e Ano com meus pais. E mesmo depois da paz continuei a festejar junto dos meus motoristas, e às vezes a minha família toda vem para Detroit.

Olhando para alguns casais confraternizando entre si, foi que a falta do Jared apertou e tomei uma decisão.

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- Jensen, já estou indo. – Misha apareceu na porta do meu escritório.

- Não quer que eu vá no teu lugar? – Meu coração estava apertado.

- Está sentindo alguma coisa? – Misha me olhou sorridente. – Algum pressentimento? – Fiquei calado. - Bobagem. Só se morre na hora. Tchau loirão. – Fiquei olhando ele se afastando, balancei a cabeça como para afastar pensamentos e sentimentos ruins.

- Você vem aqui me dar um beijo de despedida? – Liguei para o Jared que estava no pátio da Chrysler pronto para partir.

- Até gostaria, mas agora toda vez que te agarro aparece alguém, a minha sorte é que os caras são discretos. E o meu pai está aqui comigo. – Respirei fundo para não responder e iniciar uma discussão, a decisão tomada se fez mais forte. - E a viagem é curta em quatro dias estou de volta e mataremos a saudade.

- Então, boa viagem. – Desliguei o telefone, minha irmã também estava de partida, essa é nossa vida de estradeiro: Despedidas.

- Mano, obrigada pela carga de horário, Jason não gostou muito, mas já abri o verbo para ele, nossa próxima viagem juntos, será cada um em seu caminhão. – Kenzie se aproximou e segurou o meu rosto. – E você?

- Já tomei uma decisão também. Obrigado por esses dias. – A abracei forte. – Precisamos fazer isso mais vezes. – Não conseguia parar de abraçá-la. – Não vai, fica mais um pouco comigo.

- Troca de homem que esse está te deixando muito carente. – Ela riu e me beliscou as bochechas. – Te amo, maninho.

- Também te amo muito. Boa Viagem. Cuidado. – Meu coração apertou, odiava quando isso acontecia, geralmente não vinham notícias boas. Juntos fomos caminhando para o pátio da empresa. – Desculpa Sam, te colocar com esse bode velho. – Sam também ia com carga de horário e seu companheiro de volante era o Jim.

- Eu aguento! Noites frias, não abro mão do meu cobertor de orelha... – Ela abraçou o marido e o beijou, não pude deixar de sentir inveja. – Meus amigos, boa viagem. Dei mais um abraço na minha irmã, não sabia quando ia vê-la novamente.

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Estava fechando alguns detalhes operacionais com a Alona, pois ela assumiria a empresa, quando Jake Abel me ligou, ele era um policial rodoviário e meu amigo.

- O que você manda botina preta, ligando nesse horário? – O silêncio e a respiração profunda do outro lado da linha, fez meu coração falhar uma batida, não era notícia boa...

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Música: Caminhão é assim mesmo – João Mineiro e Marciano.

N.A.: Fui rápida! E depois desse final vou me esforçar para ser mais rápida ainda para não causar muito sofrimentos.

A minha beta foi a linda Masinha(Marize) que está me dando uma força enorme, pois escrever até me "agaranto", mas na língua, nessa também sou boa... O problema é a gramática. Strsrsrrs Obrigada Marize, logo estarei escrevendo o próximo e estará nas suas mãos, apesar de achar que irá me matar! Srsrrs

A Anja é a minha consultora, no momento ela está sem tempo de betar, não está podendo fazer seu trabalho predileto.

Resposta aos reviews:

Anônimo

Obrigada pelo carinho, não sei se algum dia conseguirei escrever a sua história, mas de repente, nunca me imaginei escrevendo um lemon...

Espero continuar caprichando, mas acho que muitos irão querer ver o meu sangue! Srsrrs

Mil beijos.

Eve

Buscando uma roupa completamente blindada. Srsrsrrs

Mas sabe que de você não tenho medo... srsrsr Mistério, por que da Eve não?kkkk

Perva eu? Nunca esse capítulo foi tão puro! E a sua mente que a faz enxergar coisas onde não tem! Srrrs

O pai do Jensen é maravilhoso e o do Jared? Kkkkk E o padrinho? Tá explicado, mas não acho que o Jensen vai aceitar muito bem essa situação, já chegou no limite da carga que ele podia carregar, agora com os novos acontecimentos... Vamos ver o que o loiro vai fazer!

O Ty realmente não é perigo, mas o ciúmes é forte.

Aguarde novos acontecimentos e acredito que não terei de correr de você, eu acho... srsrsr

Mil beijos.

Luluzinha

O Jared é frouxo e pai e padrinho! Srsrrs

E já viu que o maior problema é o próprio Jared, acho que o Jensen não vai supertar por muito tempo! Srsr

Mil beijos

Diana Campos

O Jensen tem sorte que o pai dele não era realmente homofóbico e o preconceito dele era pequeno diante do amor pelo filho e teve outros fatores, a mão do Jensen e os irmão do lado dele, o Jared nem ele mesmo se aceita, por tanto não acredita que isso possa acontecer, e o padrinho é um mal caráter, ele poderia pedir ajuda para o tio, mas...

Mil beijos

Maria Aparecida

Espero que esse êxtase dure, srsrs E o Jared não merece o Jensen, quero ver sua opinião no futuro! Srsrsrsr

O loiro já não está com paciência, e com os acontecimentos que virão, vamos ver sua decisão. Srssr

Mil beijos!