Olho para frente e vejo que estou em uma encruzilhada, sorrio com a coincidência, de um lado Texas e do outro Nova Iorque. As distâncias são praticamente as mesmas, o tempo de viagem quase iguais...

Se eu for para Nova Iorque, posso impedir do Justin viajar e depois posso ver o Jared, mas se descubro que quero uma segunda chance com o Jared...

202020

Um ano depois

Jared Pov

Estou aqui sentado de frente para o caixão do meu pai, no momento estou sozinho, as pessoas ainda não chegaram para o velório, olhando a urna fechada, é impossível não recordar a minha vida nesse último ano...

Flash Back

Eu estava em um bar, quando vi o meu padrinho, ele não se aproximou de mim, e nem eu, dele, tomei as minhas cervejas, coisa que estava se tornando um hábito na minha vida, um hábito muito perigoso...

Já era madrugada quando resolvi ir embora.

- A bichinha está sozinha? – Olhei para o lado apenas para confirmar, o que eu já sabia, meu pai estava ali, o olhar de desprezo doeu mais do que as palavras. - Onde está o teu macho, te abandonou depois de ter fazer a putinha dele?

- Pai...

- Eu não sou teu pai! – E com essas palavras o primeiro soco. Tão forte que não cai por que o carro impediu a minha queda. Mas logo estava no chão sendo chutado, por meu pai e pelo meu padrinho, não existia uma parte do meu corpo que não tivesse sido atingida. Ouvi barulhos de ossos quebrando, o gosto de sangue na minha boca indicava que algo tinha se rompido dentro de mim.

De uma hora para outra cessaram as agressões, ouvi uma sirene, e pelos meus olhos quase fechados, vi luzes vermelhas e azuis piscando.

Logo palavras reconfortantes chegaram aos meus ouvidos, depois descobri que eram dos paramédicos que me socorreram.

2020202020

Quando acordei a primeira visão que tive foi do Jensen dormindo em um sofá no quarto do hospital.

Não chamei, fiquei o observando por muito tempo até que minha garganta não aguentou a secura e comecei a tossir.

- Jared... – Ele acordou e me deu um sorriso lindo, meu coração aqueceu naquele momento. Pedi água, com carinho ele me ajudou a beber. - Vou chamar os médicos. – Antes de sair ele depositou um beijo em meus cabelos. – Que bom que acordou.

Os médicos me examinaram, comunicando que estava com um braço quebrado, mas logo me recuperaria, perdi o baço, e o edema na cabeça estava se desfazendo. Soube que estava duas semanas em coma.

Contudo no máximo em três meses poderia voltar para as estradas. Não conseguia pensar nisso naquele momento. Pedi para ficar sozinho e chorei por lembrar que quem fez isso comigo foi o meu próprio pai... e o que esperar de outras pessoas?

Acho que chorei até adormecer, pois não vi quando o Jensen entrou no quarto. Acordei, ele estava sentado me olhando, com um olhar pensativo e carinhoso.

- Oi, que bom que está acordado. Quer alguma coisa? Água? – Aceitei.

- Obrigado. – Agradeci a água e respirei fundo. - O que você está fazendo aqui?

- Estou cuidando de você...

- Você está aqui há quanto tempo? - Interrompi.

- Duas semanas...

- Você está aqui comigo todo esse tempo, e o seu namorado?

- Podemos conversar depois...

- Não! O que o Justin acha dessa situação toda?! – Ele baixou a cabeça e respirou fundo.

- Nós terminamos...

- Por minha culpa...

- Não!

- Claro que foi! Eu não te quero aqui!

- O que?

- Isso mesmo! Volta para o teu namorado! Não preciso da sua culpa ou de sua pena, já tenho auto piedade suficiente...

- Não estou com pena de você, eu escolhi estar aqui, eu te...

- Não se atreva dizer que me ama! Eu vi o jeito que olhava para ele, eu vi o agora... seus olhos refletiram a dor de estar longe dele... você não tem culpa de nada, volta para ele... com certeza será recebido de braços abertos!

- Por que você não acredita que estou aqui por você? Sem culpa ou sem pena...

- Eu te implorei para ficar comigo tantas vezes... e somente agora, decidiu voltar?

- Jared. – Ele se aproximou de mim. – Eu estava confuso, mas nunca deixei de pensar em você...

- Se eu estivesse bem você estaria aqui? – Ele ficou calado.

- Lembra da última vez que nós conversamos? Eu saí para estrada...

- E depois viajou para um paraíso com o Justin...

- Eu viajei por que necessitava...

- Necessitava estar ao lado de quem você amava... faz um favor para mim e para você: vai atrás do Justin, vão ser felizes, ou melhor, voltar a ser felizes, eu preciso apenas ficar sozinho, tenho uns cacos para colar, e realmente não preciso de você por perto...

- Você não me ama?

- No momento? Eu não amo nem a mim mesmo. Como posso amar alguém? – Senti Jensen tão desolado, tão perdido que quase aceito o que ele tinha para me oferecer, mas eu tinha certeza que isso ia me fazer mal, muito mal. – Vai embora! – Apertei a campainha quando ele continuou a me olhar. – Quero que ele saia e não o quero aqui. – Disse para a enfermeira assim que ela entrou.

- Por favor, Jensen. – Ela pediu com pesar no olhar. O uso do primeiro nome mostrou o tempo que passou no hospital. – Ele não se afastou nem um minuto desde que pode ficar do seu lado no hospital. – Ela me informou depois que Jensen saiu. Não respondi, apenas virei do lado, me afundando um pouco mais na minha dor.

Jensen ainda tentou se aproximar outras vezes, mas o rejeitei, até que o hospital o proibiu de tentar falar comigo, ao meu pedido, com ameaças de fuga e processos.

E cada vez que o mandava embora morri por dentro.

2020202020

Quando pensei que não podia ficar pior, Roger Ackles apareceu jogando uma bomba na minha vida.

- Não sei como te dizer isso garoto. – Donna entrou no quarto nesse momento. E segurou a minha mão.

- O Jensen está bem? – Fiquei preocupado, o meu pai poderia ter o encontrado, não dei queixa e me neguei a testemunhar, e não apenas liberei o velho, mas também o meu padrinho, e este eu queria preso, porém se o denunciasse, meu pai ia junto. Não podia fazer isso, era o meu pai, apesar de tudo.

- Calma, o Jensen está bem. – Donna que respondeu. – Não tem outra maneira de falar isso... sua mãe tinha um aneurisma, ontem ela foi operada e não resistiu...

- Minha culpa! – Murmurei. – Foi minha culpa!

- Não, meu querido! Foi um aneurisma, ela já estava em tratamento, mas seus pais não queriam preocupa-lo. – Eu não a ouvia, apenas chorava e repetia que a culpa foi minha. Me agitei de tal maneira que foi preciso me sedarem.

Claro que não fui ao enterro e nem ao velório, ainda estava internado e os médicos não me liberaram. E fui encaminhado para o psicólogo do hospital, Dr. Julian Richings.

Donna e Roger iam visitar, apesar de 5 horas de viagem, vinham toda semana, não conversava muito com eles, tentando demonstrar que não queria pena de ninguém, mas a mãe de Jensen não era fácil, depois de algumas esculhambações, relaxei e comecei a ansiar por suas visitas, tentaram falar no Jensen, porém cortei a conversa e não tocaram mais em seu nome.

Meu tio também sempre estava do meu lado.

Um dia eu estava particularmente triste, pensando no quanto eu era infeliz quando dois amigos apareceram para me visitar. Chad Murray e Zachary Levi.

- Por que, não ligou para gente antes? – Chad reclamou assim que entrou. – Se não fosse o coma alcóolico desse doido aqui, não saberíamos que estava internado, o que aconteceu?

- Fui agredido, por ser gay. – Falei para desafiar.

- Me devolve os 100 dólares. – Chad pediu para o Zachary. – Cara, sempre desconfiei que era gay.

- Como assim? – Baixei minhas defesas com a surpresa.

- O Chad na sua loucura achava que você era gay e eu não, apostamos, ficamos 4 anos esperando algum escorregão e nada, você esconde bem, no final da graduação, ele me pagou. – Zachary ria, e retirou uma nota de 100 de sua carteira entregando para Chad.

- Vou guarda, para quando puder beber. – Chad comentou. – Apesar de não merecer essa consideração, afinal como esconde uma coisa dessa, éramos amigos, ou melhor, somos amigos, e ainda me considero o seu melhor amigo, apesar de ter me esquecido. – Ele fez um bico engraçado de mágoa.

- Vocês ainda são meus amigos? – Ainda sem acreditar nas palavras do Chad, afinal quantas brincadeiras homofóbicas ele fazia.

- Por que deixaríamos de ser seus amigos? A bunda que você dá é tua! O dia que pedi a minha, vamos brigar! Mas deixar de ser teu amigo... jamais cara! – Os dois me abraçaram, e desde que tudo aconteceu, pela primeira vez, me senti bem.

20202020

- Jared, você poderia ir lá para casa. – Donna me convidou, assim que soube que teria alta.

- Obrigado, mas vou para a casa de um amigo. Chad. – Ele me convidou para ficar em sua casa e poderia cuidar de mim, por que estava de férias, e com o meu braço quebrado poderia ganhar de mim no vídeo game. – Vou morar em Houston.

2020202020

Resolvi que não voltaria para as estradas, comecei a trabalhar com o Chad, que criava programas para empresas diversificadas, dando também assessoria.

Roger me convenceu a não vender o Azulão, que decidi alugar para a Ackles Dallas, foi um bom negócio, consegui um bom apartamento e segui a minha vida.

Continuei com as sessões com o , era o único com quem tocava o nome de Jensen.

- Por que não o procura? – Um dia ele perguntou.

- Ele tem alguém.

- Tem certeza?

- Tenho. – A maneira que respondi, foi um ponto final.

20202020

Já fazia seis meses desde a surra que levei do meu pai, quando me ligaram de um asilo em San Antonio.

- Jared Padalecki, me chamo Samantha Smith, e sou responsável pelo Asilo San Antonio, vou direto ao assunto, seu pai está internado aqui a 4 meses, porém, nem você e nem um de seus irmãos, vieram visita-lo.

- Sra. Smith, eu não sabia que meu pai estava internado e nem acredito que ele queira minha visita. Ele foi mais do que claro, da última vez que nos encontramos, sobre eu ainda ser filho dele.

- Sr. Padalecki, eu sei um pouco da sua história, contada pelo seu próprio pai, claro que não com detalhes, pois esse assunto sempre vem em momentos delírios causados pela doença e pela dor. Acredito que nesse momento você poderia oferecer para ele o seu perdão.

- Eu realmente não sei. E meus irmãos? – Jeff e Meg nunca foram muito próximo do meu pai, mas nunca pensei que pudessem abandoná-lo assim.

- Sua irmã diz que não pode viajar, por morar longe e tem filhos pequenos para cuidar, seu irmão, vive viajando, ele apenas o deixou aqui, depois que seu pai saiu do hospital devido o derrame. – Fechei os olhos, só estava sabendo agora da saúde do velho.

- Eu vou pensar...

- Compreendo Sr. Padalecki, mas lembre-se que está chegando o Natal...

2020202020

- Tem certeza que não quer ir comigo? – Chad estava indo para a casa dos pais.

- Não, tudo bem. – Chad me encarou, senti que se pedisse ele não me deixaria sozinho. – Pega o teu rabo e fora daqui! Vou ficar legal.

- Tudo bem! Feliz Natal, no Ano Novo estou por aqui! Quero te beijar na boca a meia noite!

- Depois o gay sou eu aqui! – Ri e me surpreendi, pela primeira vez brincava assim.

Não fui com o Chad, por que meu coração me fez guiar 3 horas até San Antonio. Quando entrei no asilo, fiquei parado na porta do salão de recreação, o tempo estava frio, no salão, várias idosos estavam ali reunidos com sua família, uns rindo, outros olhando sem reconhecer os presentes, mas mesmo assim recebendo o carinho dos seus.

Já faziam 5 minutos que estava ali parado, e resolvi ir embora, mas a Sra. Smith, me impediu e apontou para um canto, toda a minha raiva ou mágoa que tinha do meu pai, se transformou em pena, um sentimento que esmagou meu peito, pois o homem forte e poderoso que conheci estava sentado em uma cadeira de rodas, magro, sem vida no olhar, era a imagem da solidão.

Me encostei na parede e lembranças da minha vida vieram na mente, como a primeira vez que ele me deixou segurar no volante do seu caminhão sozinho realmente, eu tinha 12 anos, lembrei do seu olhar orgulhoso e depois as palavras sobre não querer que eu fosse carreteiro, mas mesmo assim me ensinou a dirigir, a ter responsabilidade, os truques e conselhos para se viver nas estradas, e quantos deles foram úteis, me salvando de muitas enrascadas.

O engraçado é que a noite da surra não me veio na mente, devagar fui me aproximando e antes de falar com ele, enxuguei as minhas lágrimas.

Meu velho me olhou sério, por um momento pensei que seria expulso dali.

- Oi, Jeff, por onde andou? – Lágrimas vieram novamente até meus olhos, ao ser chamado pelo nome do meu irmão, mas uma vez me controlei.

- Tudo bem pai. – Arrumei coragem e depositei um beijo em seu rosto. – Feliz Natal, lhe entreguei uma miniatura de caminhão.

- Muito bonita, igual ao primeiro que tive. – O velho sorriu, e me encarou novamente. – Como estão as crianças?

- Estão bem, - Respondi sem saber, afinal não tinha notícias do meu irmão e de seus filhos.

- Tem falado com a Meg?

- Não muito. – Nunca mais falei com a minha irmã, desde que ela ligou me renegando por ser gay. – Sabe como é viagens e ela mora longe.

- Eu sei, a Samantha me disse que é por isso que ela não vem aqui. Acho que fui um péssimo pai. – Ele comentou com tanta tristeza.

- Não! O senhor é o melhor pai do mundo. – E o abracei, senti seus braços fracos me envolvendo, e nesse momento eu perdoei meu velho, pois realmente acreditei que era o melhor pai do mundo.

Ia uma vez por semana em San Antonio, e para minha surpresa meu pai começou a perguntar por mim, pela minha vida, claro que eu respondia como se fosse o meu irmão. Foram 4 meses dessa maneira, mas realmente não me importava, na verdade eu amava estar perto dele, dávamos boas risadas, e vira e mexe meu pai elogiava o Jared, sem saber que era eu.

- Acho que ele não vai aguentar ficar longe das estradas, e nem longe do Ackles, afinal ele se transformou por causa dele. – Meu velho acreditava que o Jensen tinha me feito gay.

Geralmente meu pai apenas contava histórias de sua vida de carreteiros, e com essas histórias riamos e muitas vezes chorávamos.

202020

- Jared, seu pai está no hospital, ele teve um outro derrame. – A Sra. Smith, se transformou em uma boa amiga e contava tudo que acontecia com meu pai. Corri para San Antonio.

Meus irmãos também foram para o hospital, não me aproximei não quis entrar em conflito com eles, Samantha me passava as notícias, depois de uma semana com meu pai em coma, meu irmão foi chamado para um trabalho do outro lado do pais e minha irmã foi atender a família, afinal do que adiantava a presença deles ali, o velho estava inconsciente e eles não podiam fazer nada.

2020202020

- Filho... – Meu pai acordou, depois de três semanas inconsciente.

- Pai, não fale, descanse...

- Eu tenho que falar, preciso confessar...

- Depois...

- Não! – Meu pai foi firme, em suas limitações, resolvi ouvi. - Me perdoa Jared. – Abri a boca em choque.

- Pai... – Ele balançou a mão, me impedindo de falar.

- Eu nunca te confundi com o Jeff, apenas naquele momento estava tão solitário... foi a minha saída, não aceitava aquilo que você se tornou. Fui covarde, mas eu precisava tanto de alguém... me perdoa, por tudo... por favor... hoje, eu te amo não importa o que você seja.

- Eu lhe perdoe, naquele mesmo dia... eu também te amo...

- Bem que sua mãe me disse... – Ele riu.

- Mamãe?

- Sim, eu estava dormindo quando ela veio me ver. Disse que eu tinha de voltar e consertar a minha burrada com você, e que também está arrependida por não ter ido te ver no hospital, antes de se operar. – Eu pensei que meu pai estava em delírio, porém, foi tão bom ouvir aquilo, parecia que uma carga tinha saído do meu peito. – E seu tio?

- Ele está aí fora, chegou de viagem hoje e queria saber do senhor...

- Manda ele entrar.

No começo meu tio não queria, porém, relutante aceitou, quando entrou no quarto, simplesmente se jogou nos braços do irmão, choraram por horas, meu pai adormeceu ali junto ao meu tio.

Engraçado como as coisas mudando quando a morte abana a mão.

Meu pai fez um pedido, queria andar de caminhão, os médicos disseram que seria maravilhoso atender esse pedido, que podia ser o último. Me asseguraram que se o pior acontecesse depois do passeio não seria a minha culpa. O desenganaram.

Liguei para o Roger e perguntei pelo Azulão, estava carregado pronto para sair, mas mesmo assim fiz o pedido. Cinco horas depois o Azulão entrava no estacionamento do hospital com Roger e Donna na cabine.

Com um balão de oxigênio, carreguei meu pai para a cabine do Azulão, segurei as lágrimas, pela facilidade que o levava no colo, tão leve. O acomodei, posicionei a cadeira do carona, o mais próximo possível da do motorista.

- Vamos pegar estrada certo? Não quero voltar para o hospital. – Ele me pediu com dificuldade.

- Claro, meu pai. – E sai do estacionamento, a estrada estadual ficava próximo, estava quase vazia, vi o sorriso do velho quando outro caminhão passou por nós dando o sinal de luz.

- Posso segurar no volante? – Peguei a mão dele e coloquei no volante, mas sem soltá-lo. – Isso me lembra quando você era pequeno.

Sorri ao lembrar, meu pai me colocava no colo e eu segurava no volante levando o caminhão, me sentia poderoso, afinal estava segurando um possante sozinho, mas meu velho disfarçadamente mantinha o controle, chorei tanto no dia em que descobri, porém, meu pai jurou que era a primeira e última vez que fazia isso.

- Que estrada eu peguei meu filho? – Eu sabia que estava se referindo sobre nós dois.

- A certa, meu pai, como o senhor sempre disse, quando você pegar uma estrada não pare pelo caminho para chorar por achar que a outra era melhor, siga em frente, o importante é que o frete chegue ao destino.

Ele encostou a cabeça em meu ombro, e naquele momento soube que meu pai tinha partido para uma longa viagem, parei no encostamento e chorei, não somente de tristeza, mas foi um choro libertador.

Quando voltei para o hospital, meu tio e Roger, me ajudaram a tirá-lo do caminhão.

- Morreu como todo carreteiro deve morrer, segurando no volante de um pé de borracha. – O médico comentou. – Sou filho de carreteiro. – Ele falou ao notar nossos olhares.

Fim do flash back

E agora estou aqui sentado sozinho nessa capela, esperando o velório.

- O que você está fazendo aqui?! – Olhei e vi meu irmão. – Papai não ia gostar.

- Não seja hipócrita, você sabe quem ficou ao lado dele, quando foi abandonado no asilo por você e pela Meg, com a desculpa de falta de tempo.

- Você se aproveitou do estado dele... por tanto... – Jeff olhou para a saída.

Pessoas estavam chegando para a última homenagem.

Eu o encarei. – Tudo bem! E vou por respeito a ele, não vou quebrar a tua cara aqui. Pode tomar conta de um corpo sem vida, isso realmente não importa para mim.

Ia saindo quando a Samantha me segurou. – Você tem mais direitos de estar aqui.

- Repare como a maioria está me olhando, não preciso disso, meu caminho foi longo e ainda estou vencendo situações como essa, e realmente não quero me sujeitar aos olhares de recriminações de pessoas que não tem importância nenhuma para na minha vida.

Na saída cumprimentei Roger e Donna, que me deu um abraço bem apertado. Segui em frente sem olhar para trás.

"Eu conheço cada palmo desse chão

É só me mostrar qual é a direção

Quantas idas e vindas, meu Deus, quantas voltas

Viajar é preciso, é preciso

Com a carroceria sobre as costas

Vou fazendo frete cortando o estradão"

2020202020

Jensen Pov.

Meu pai ligou, falando da morte de Gerald, da decisão do Jared de voltar para a estrada, fiquei feliz por isso e por saber que ele fez as pazes com o pai, porém minha felicidade foi nublada, ele não estava mais puxando carga para nenhuma empresa Ackles.

- Jensen, Rick Worthy, linha B. – Alona me avisou. Ele era dono de uma grande transportadora.

- Oi, Rick, tudo bem?

- Tudo, estou querendo informação sobre um carreteiro que trabalhou com você. Jared Padalecki, quais são as referências que pode me dá.

- Ele é um excelente profissional, foi uma pena perde-lo.

- E por que ele saiu?

- Assuntos pessoais.

- Foi isso que ele me disse, mas não entrou em detalhes, por isso te liguei pessoalmente, tudo bem, estou pensando em contrata-lo.

- Faça isso, será uma ótima aquisição para a empresa.

Lembrei da estrada até aqui.

Flash Back

- Não é justo! – Sem nenhuma vergonha chorei no colo da minha mãe, depois que o Jared me proibiu de vê-lo. – Eu abrir mão do Justin por ele...

- Você está chorando por quem? Pelo Justin ou pelo Jared?

- Não sei... – Respondi depois de um tempo pensando. - A minha decisão foi por achar que o Jared precisava mais de mim naquele momento.

- Então devo dizer que o Jared fez o certo. Apesar de tudo que está passando, pena é a pior coisa que pode sentir por ele, no momento só amizade, carinho e amor pode ajudá-lo.

- Mas, eu o amo!

- E o Justin?

- Podemos amar dois ao mesmo tempo? – Minha mãe riu e me deu um beijo nos cabelos, me senti uma criança novamente.

- Não com a mesma intensidade e da mesma maneira, um deles você ama para o querer em sua vida, o outro você ama pelo o que representou, e acredito que sempre vai amar.

- O que eu faço?

- Descobre quem você quer para a sua vida, e pegue a estrada com ele, sem olhar para trás, mas enquanto não souber quem será seu companheiro de cabine nessa viagem, não vá atrás do Jared e nem do Justin.

Fiz o que a minha mãe mandou, foi terrível, chorei muitas noites com saudades do Justin, de ter seu corpo quente junto ao meu, de seu carinho, atenção e compreensão, outras chorei pelo Jared, sentia falta de dormi em seu peito, depois de fazermos amor, descobri que nunca superei essa saudade, das nossas conversas noturnas, tantas coisas em comum...

As vezes a solidão me sufocava, pensava em ligar para o Justin, mas recuava, quando algo sussurrava em minha mente perguntando: E se o Jared mudar de ideia?

Desistia e ligava para os meus pais e pedia notícias do Jared, cobrava cada detalhe, sofri ao saber que ele queria vender o Azulão, implorei para o meu pai impedi-lo.

Mergulhei de cabeça nas estradas, porém um dia Misha me chamou.

- Jensen, estou de alta da fisioterapia! – O abracei feliz, mas sabia o que significava, teria de sossegar a Rainha e ficar na empresa, enquanto ele voltava para as estradas.

- Já sei vou ter de ficar de molho. – Ele sorriu confirmando.

- Desculpa... mas vai ficar mesmo! – O rosto de Misha parecia que estava todo iluminado diante da felicidade dele voltar para as estradas. – Amanhã, o Paraiso será entregue. – Ele resolveu chamar assim o seu novo cavalinho.

2020202020

O caminhão do Misha tinha a mesma cor e pintura do antigo, azul claro com nuvens branquinhas espalhadas por toda cabine. Era um Volvo VT-880, era o maior produzido pela Volvo, com o máximo de conforto para o motorista.

Na manhã da partida Misha me ligou cedo, dizendo que tinha de me entregar e comunicar algo.

- Bom dia! Todos vão me abandonar? – Perguntei assim que encontrei toda família Collins na minha cozinha, Misha tinha a chave e livre acesso em casa. – Hey! Garotão! – Falei com West que apenas me olhou e cruzou os braços, parecia que estava a beira das lágrimas.

- Tem café quentinho! – Vick colocou uma xícara na minha mão.

- O que aconteceu com o West?

- Jensen, tenho um pedido muito especial. Vou pegar estrada, a Vick e a Mason vão comigo, e o West está em aula. – Entendi o mau humor do meu "pipoca". – Quero te confiar um dos meus bens mais valiosos. – E Misha apontou para o filho mais velho. Compreendi a dor da criança, afinal já tinha passado por isso.

- Claro meu amigo que vou cuidar desse moleque. – O abracei e ele enviou a cabecinha no meu peito e começou a chorar.

- Misha, acho melhor eu ficar. – Vick estava de coração partido ao ver West chorando.

- Mas eu quero ir com meu pai. – West falou, demonstrando que o choro era para ir viajar com o pai, não por que iria ficar sozinho.

- Suas férias estão chegando e você vai na próxima. – Misha o colocou no colo, enxugando suas lágrimas com a ponta dos dedos. – E o teu padrinho precisa de você. – Ele me olhou como se confirmando. – Quer deixar ele sozinho?

- Não. E quando o Tio Justin volta? – Sorri e a saudade bateu. West sabia que Justin tinha viajado, mas é claro que desconhecia a situação envolvida.

- Vai demorar um pouquinho. – Respondi e tomei um gole de café para disfarçar.

- Tenho saudades dele, ele me deixava ganhar no vídeo game. – Ele saiu do colo do pai e foi na minha direção. – Vou cuidar do senhor!

West seguiu com o pai até quando a carreta entrou na rodovia, eu estava o seguindo com o meu carro e depois ele voltaria comigo.

Quando chegou o momento da despedida, novo choro, dessa vez o acompanhei pedindo para dirigir até o próximo posto, quase que o Misha não deixa, na verdade apenas permitiu por causa do filho, e a Vick foi dirigindo o meu carro.

Meu sócio, amigo e compadre, me olha enciumado no volante do Paraiso. Dirigi bem devagar apreciando a máquina que estava comandando. Ignorando completamente Misha.

West e eu ficamos muito tempo olhando a estrada por onde Misha seguiu, meu "pipoca" chorava, quem não era estradeiro não compreenderia a atitude do meu amigo e parti mesmo sob as lágrimas do filho, mas quem pertence a esse mundo, sabe que a vida é de idas e voltas, seja com sorrisos ou lágrimas.

Fiquei apenas um mês com West, e com aulas encerradas, o levei de encontro ao pai, fazendo a minha viagem mais longa depois que Misha voltou para a estrada.

Fiquei sozinho, apenas a empresa para tomar conta, e a ela me entreguei, percebi o quanto tinha me dedicado quando recebi dois prêmios, empresário do ano e excelência em transporte, ambos nacionais.

O tempo primeiro me acalmou e depois começou a desenhar a minha escolha, entre Justin e Jared, mostrar quem eu queria realmente do meu lado, meu companheiro de estrada, porém também me tirou a esperança, já não acreditava que poderia tê-lo do meu lado, sabia que estava sendo covarde, de não ir atrás e lutar por esse amor. Mas não conseguia enxergar a estrada até ele...

Fim Flash Black

– Pensando no escolhido? Princesa. - Um furacão chamado Mack me arrancou das lembranças.

- Estava pensando na minha próxima viagem. – Ela revirou os olhos, mostrando que não acreditava.

- Quando você vai me contar a sua escolha? – Ela sentou no meu colo.

- Nunca! - Ela fez um bico.

- Por que?

- Porque não adianta! Não depende mais de mim! O Jared está seguindo a sua vida, e o Justin, eu soube que está feliz e com alguém no Japão, por tanto o que me resta, é apenas uma irmã pentelha. – Dei um puxão no seu nariz.

- E desde quando você vai se conformar assim infeliz e sozinho?

- Eu não sou infeliz! Estou sozinho, mas quem sabe ainda possa encontrar, o meu verdadeiro príncipe encantado. – Claro que não acreditava nisso, dentro de mim a chance de ter alguém tinha acabado, e me culpava por isso, porque deveria ter sido mais corajoso, insistente, consciente, decidido, sei lá... realmente, não sabia o que deveria ter feito, porém isso não me inocentava, e como castigo, descobri quem realmente quero para a minha vida, mas perdi o poder de decisão...

"Eu conheço todos os sotaques

Desse povo todas as paisagens

Dessa terra todas as cidades

Das mulheres todas as vontades

Eu conheço as minhas liberdades

Pois a vida não me cobra o frete"

20202020 - Fim da primeira parte

N.A.: Mas gente! O capítulo final ficou enorme, tive de dividi-lo! Desculpem aí!

Uma cena do próximo capítulo:

Jensen pov

Acordo devagar e ficou ouvindo um barulho suave, ritmado e calmante, sinto meu corpo saciado, relaxado como a muito tempo não sentia. Tenho medo de abrir os olhos e descobrir que tudo não passou de uma doce ilusão, porém uma dor conhecida em um ponto de meu corpo me faz sorri. E o barulho reconfortante são as batidas do coração de J...

Respostas ao reviews não logados.

WDe

Oi, que bom que gostou de ver a resposta ao seu reviews, eu gosto muito dessa interação com os leitores, enriquece a história, incentiva para continuar a escrever, amo mesmo.

Seria interessante se você fizesse uma conta no site, pois assim poderia receber a resposta direto, talvez por isso muitas fic writers não respondem, são poucas que adotam o método de responder no capitulo, aprendi isso com uma maravilhosa que deixou de escrever e apagou suas fics, uma pena mesmo. E é por falta de cadastro no site que vem como Guest, sempre vai ter de colocar o seu nome.

Vamos ao capítulo...

Eu na verdade compreendo o Jared, a situação não é fácil, o próprio Jensen demorou para sair e para a família ele foi arrancado do armário.

O Justin fez uma jogada arriscada, afinal o Jensen na verdade nunca tinha se decidido por ele, e imagina viver com essa dúvida se é amado ou não? Ele apostou alto, e infelizmente perdeu, não sei que pra sempre... kkkkkkkk

Torce pelo Jared, muito bem e agora o que achou da decisão dele de se afastar? Nem vou dá a minha opinião... E o Jensen que antes tinha o poder de escolher um deles, não pode ficar com nenhum! Isso que dá muito indecisão.

Agora uma pergunta: Se o Jared não fosse o Jared, torceria por ele?kkkkkkkkk

Mil beijos!

Crisro

Estamos na reta final, não sei como vai reagir com esse capítulo, nada está decidido... Na verdade na cabeça do Jensen está, mas... A decisão não é mais dele...

Sem compaixão pelo Jared? Onde está o teu coração?

O Justin arriscou e talvez tenha perdido e o Jared teve alguma atitude para se reconstruir, mas parece que não quer o Jensen em sua vida... E agora?

Jentin!kkkkkkk Será que vai surgi um novo fadon Hartckles?

Vamos lá...

Mil beijos!

Lalky

Você falou certinho, onde receberei menos pedradas?kkkkkkk

Será mesmo que se o Jensen ficar com o Justin as pedradas serão menores?

Vamos ver parte dois está completam, e pronta para ser postada!

Mil beijos!

Claudia

A primeira vez que você falou sobre o Justin no Japão, ri muito, pois, existia isso na história! Kkkkk

Agora o caldo entornou, você não quer mais o Jared e nem o Justin! Kkkkkk Por que não o Justin? E por que raiva do Jensen?

O Justin fez uma jogada que ele se deu mal, achava que tinha uma boa mão e na verdade não era tão boa.

O Jensen não teve que escolher nunca saiu de uma confusão com o Jared e encontrou o Justin lindo e disposto! Kkk Difícil Né!

E agora o que fazer, infelizmente sei que o que decidi, irei apanhar! Kkkkkk

Mil beijos! Adoro te ter por aqui e amei ler aquelas anrigas! Posta mais! Kkkkkk

Guest

Não sei quem é! Kkk

O Justin arriscou,ele na verdade jogou pesado, afinal o Jensen não se decidia, sempre balançado pelo Jared, preocupado, e o Justin sempre ali do seu lado... vou arriscar, ele pensou, mas a mão dele se confirmou que não era muito boa.

E agora?

O Jay também não é fácil a vida dele, muitos condenam... viu que ele fez algo que ninguém esperava, nem eu! Kkkkkkk

Mas acho que agiu certo, na verdade acho que todos agiram certo

Vamos ver no que vai dá, a decisão está tomada! Kkkkkkk

Mil beijos!

Anaas

Eu tinha outros planos, mas devido as curvas que a estrada da vida dá! Kkkkkk

A dúvida do Jensen é muito cruel, dois homens lindos e perfeitos em suas imperfeições, mas será que eu não queria está na pele dele! Kkkkkkk Quem sabe! E Quem eu escolheria, ficaria com os dois! Kkkkkk

Essa é uma certeza o personagem que mais pode crescer na fic é o Jared, e depois o Jensen, o Justin ele é perfeito, bem resolvido na vida em todos os sentidos, o erro dele foi se meter nessa situação, em um relacionamento mal resolvido, porém ele se deixou levar pela paixão, mas como dizer não para o Jensen Ackles?

E o Jensen foi coerente agora, ele nunca deveria ter se envolvido com o Justin, mas tadinho, tanta confusão na cabeça dele, que ter um Justin para te consolar, é difícil resistir! Kkkk

E agora eu acredito que os três estão prontos para seguir em frente seja qual for a decisão tomada.

Mas vamos lá falta pouco!

Fui atrás da reportagem da caminhoneira de 84 anos, apaixonante! Uma história de vida linda, de uma mulher forte e que venceu em um mundo e e uma época que ser mulher não era fácil. Me emocionei! Obrigada pela dica.

Mil beijos!

Esse Guest deve ser a Aparecida!

E agora o que dizer para você! Kkkkkkkk

O Jensen decidiu e sua decisão não valeu e perdeu esse poder, quem decide agora é os outros! Kkkk Acontece em nossas vidas, ficamos tão divididos que ela(vida) vem e decide que não podemos decidi! kkkkkk

O problema do Jared é não se aceitar, talvez se não tivesse acontecido o que aconteceu dele ter apanhado, ele teria seguido o caminho certo e sem tantos traumas, mas com a perda do Jensen e da família o desmoronou, e foi admirável não fazer o Jensen uma tábua de salvação, amei isso nele!

E agora falta apenas saber o que vai acontecer, um ano se passou, várias coisas aconteceram... Vamos lá!

Obrigada pela Diva Linda!

Mil beijos!

SuCandido

Essa é TeamJared mesmo! Kkkkkk

Agora você amou! Kkkk Muito drama na vida do Jared, acho que ele foi ao fundo do poço, e quando chegamos ao fundo do poço podemos sentar e morrer, ou tomar um impulso e se salvar! E parece que ele fez isso.

O medo ainda existe a decisão não foi tomada! Kkkkk E nem depende do loiro!

Mil beijos!