Remo não queria acreditar que havia um ladrão na Grifinória. Preferia pensar que a pessoa recolheu o brinco e ia dar um jeito de achar o dono no dia seguinte, ou ia entregar a jóia para algum professor. Afinal, estava muito tarde e não havia condições de tomar providências numa hora daquelas.
Terminaram a caminhada pelo corredor e Remo estava muito absorto em seus pensamentos para dizer a senha. Nicole o fez, abrindo assim o retrato da Mulher Gorda que escondia o Salão onde os estudantes grifinórios se reuniam para fazer lições, trabalhos, ou para fofocar no fim do dia. Ela entrou na frente, encabeçando o grupo e Remo ficou ao lado da entrada contando as crianças que passavam por ele. Não estava faltando nenhuma. Quando o último garotinho entrou no Salão Remo o seguiu. O caos reinava na sala redonda e aconchegante que era o refúgio da Grifinória. Estudantes de todos os anos falavam alto, sobre alguma coisa que parecia ter acabado de acontecer. Não era, de todo, incomum que os alunos ficassem conversando até tarde nos primeiros dias depois das férias, mas aquela cena decididamente não era normal.
Havia um grupinho de garotas em volta de uma outra pessoa que parecia estar chorando. O restante dos estudantes estavam comentando o que devia ter passado a ela.
Remo olhou em volta e logo avistou os três amigos, sentados nas poltronas em frente à lareira. Estavam quietos, pensativos.
-Aluado, meu caríssimo colega – saudou-o Sirius – Senta.
-O que está acontecendo aqui? – indagou Remo sentando em uma poltrona em frente a Sirius e Tiago.
-O que está acontecendo não – respondeu Tiago olhando para o grupo de garotas reunidas – O que aconteceu.
-Que seja. O que foi? Que é que aconteceu?
-Evans – disse Sirius
-O que tem ela? – quis saber Aluado ansioso.
-Você quer dizer – continuou Tiago – O que ela não tem mais.
-Olha, não deixem de avisar quando vocês decidirem me contar, tá? – exclamou Remo ficando com raiva.
-Calma, Aluado – pediu Sirius – É que é muito recente entende? A gente ainda tá tentando absorver.
-Absorver o quê, caralh...
-O que aconteceu com Evans – interveio Pedro antes de Aluado concluir o raciocínio – Foi estranho, sabe. Estávamos todos aqui, conversando, tudo muito calmo, muito normal, quando de repente...- Pedro parou de falar parecendo que corromperia sua sanidade mental se terminasse a frase.
Remo ainda estava de sombrancelhas erguidas olhando para Rabicho, esperando que ele terminasse quando Sirius continuou:
-Quando de repente Evans soltou um berro, ao mesmo tempo que o retrato da Mulher Gorda se escancarou fazendo um barulho inacreditável e uma coisa brilhante saiu voando porta afora.
Aluado parecia não ter sombrancelhas uma vez que as suas haviam sumido por baixo de sua cabeleira lisa castanho amarelada.
-Uma coisa brilhante saiu voando porta afora. O que quer dizer com isso?
-Era um brinco – disse Tiago que olhava para o montinho que era Lílian no meio de suas amigas.
-Como é que você sabe? – perguntou Sirius surpreso.
-Ouvi ela contando para as amigas. Lembra que Snape tinha algo para mostrar a ela quando ele nos interrompeu?
-Lembro – responderam Sirius e Remo juntos.
-Ele ia dar a ela um brinco. E então ele deu, ela o colocou, ela entra para o salão e o brinco de repente sai voando. – concluiu Tiago virando-se para os amigos – Muito estranho não?
-Minhas nossa! – exclamou Remo entendendo o que realmente havia acontecido – Esse Snape realmente não presta!
-Disso a gente já sabia Aluado, mas não explica o porquê do brinco sair voando.
-Ah, não. Vocês não entenderam. Snape não fez o brinco sair voando. Eu fiz.
-O quê!? – exclamaram todos.
Remo explicou aos três toda a história do brinco de Nicole e como usou o feitiço convocatório para fazê-lo aparecer.
-Então o Ranhoso encontrou o brinco da monitora? – perguntou Pedro franzindo a testa, provavelmente fazendo força para entender.
-E deve ter feito uma duplicata, assim ele podia dar o par para Lílian como se fosse um presente. – terminou Tiago – Ah, mas aquele ladrãozinho vai ter o que merece!
-O que é que você está pensando em fazer? – indagou Remo temendo a resposta.
-Simples – respondeu ele sorrindo – Eu vou contar a Evans do que o amiguinho dela é capaz.
-Você não deveria se meter nisso – advertiu Sirius
-Também acho que você não tem nada a ver com a história – falou Pedro
-Você não acha nada, Rabicho – cortou Tiago – Eu vou contar pra ela e vai ser agora.
Tiago levantou-se e já ia andando em direção ao grupo de Lílian Evans quando Remo segurou seu braço.
-Ela não vai acreditar em você – disse Remo sabiamente para o amigo – Não com todas essas amigas em volta dela. Ela não daria o braço a torcer.
-Então vem comigo – pediu Tiago – Você viu tudo, você fez tudo acontecer. E chame sua amiga monitora, ela tem direito de saber como tiraram proveito do que é dela.
-Então espera um minuto, vou procurá-la.
Remo não teve tempo nem de se levantar e Nicole já vinha correndo em sua direção. A garota parecia afobada e confusa.
-Me contaram o que aconteceu – disse ela para Remo – Eu cheguei perto e vi que o outro brinco ainda está na orelha dela. Eu não entendo. –continuou ela confusa - Se o brinco era dela por que atendeu ao feitiço convocatório que tinha o meu nome? E por que só um brinco voou até nós?
-O brinco não era dela – resumiu Tiago.
-Mas tem um idêntico na orelha dela...-exclamou a moça desesperada.
-É porque é uma duplicata – esclareceu Remo – Quando convoquei seu brinco eu usei o seu nome, por isso só o original veio até nós.
-Como o meu brinco foi parar na orelha dela?
-Foi um presente – disse Tiago parecendo ansioso para repetir a história para Lílian – Evans não roubou seu brinco, por isso por favor, se você for dar queixa para algum professor, não use o nome dela.
-Mas quem...?
-Severo Snape, um sonserino – disse Remo – A gente só precisa dizer para ela que ela não podia ficar com o brinco, porque ele é seu. Pode nos ajudar nisso?
Nicole ainda estava confusa, mas o par de jóias que lhe pertenciam estavam penduradas onde deviam estar, portanto achou que devia uma explicação para a garota que estava chorando por algo que não lhe era de direito.
