Epílogo

Virna contemplou o rosto adormecido da filha em seu berço. Era tão linda! Tinha um rostinho delicado, iluminado por olhos azuis e emoldurado por sedosos cabelos negros, bem parecida com o pai.

Dentro de dois dias a pequenina Brígida completaria um ano e seria batizada pelo bispo Nels. O que significava que, a qualquer momento, ele e Venn chegariam a Warwick. Já não era sem tempo! Só Deus sabia a saudade que sentira do irmão. Por sorte Lacey, Audrey e Gwyneth visitavam-na com certa freqüência. E agora, toda a família se reuniria após um longo período de separação.

 Ah, bem que lady Eloya me avisou que a encontraria aqui, lambendo a cria!

Virna voltou-se para a porta.

 Mãe Wren!! Digo, abadessa!  exclamou, correndo para atirar-se em seus braços.  Quando chegou? Já comeu alguma coisa? Deve estar exausta, após a jornada desde Loytcoyt!

 Oh, quantas perguntas, criança. Acabei de chegar. As princesas vieram comigo e estão comendo o bolo que Rebeca lhes serviu, e sim, estou exausta. Mas terei bastante tempo para descansar depois de conhecer a princesa de Warwick.

Wren, agora abadessa de Loytcoyt, curvou-se sobre o berço e fez o sinal da cruz, numa bênção afetuosa.

 Meus cumprimentos. É a menina mais linda que já vi... mais até do que você nessa idade.

Virna sorriu, embevecida.

 Não é mesmo? E é tão doce, tão serena...

Depois de contemplá-la por mais alguns instantes, Wren acomodou-se numa cadeira almofadada e suspirou.

 Deus, não tenho mais idade para viagens tão cansativas! Venha, sente-se aqui do meu lado.

Virna apressou-se a obedecer. Era um prazer tão grande estar na companhia da mulher que a criara como se fosse sua própria mãe!

 Agora, conte-me. Que tal a vida de casada? Você está feliz?

Virna corou.

 Ah, mãe Wren, eu não saberia encontrar palavras para descrever o quanto! Edon ó melhor dos maridos! E ele tinha razão: nosso casamento não trouxe felicidade apenas para nós. Você reparou nos campos durante a sua jornada? As plantações vão muito bem, teremos uma safra excelente! A minha floresta jamais esteve mais verdejante. Oh, não me lembro de ter visto tanta paz e prosperidade em minha vida!

A abadessa segurou-lhe a mão e sorriu.

 Lembra-se daquele dia, na cabana em Woottom, em que você me bombardeou com perguntas? Eram muitas as dúvidas que a atormentavam...

 Sim, eu me lembro bem.

 Muitas coisas aconteceram depois daquele dia. E agora, sou eu que lhe pergunto: encontrou as respostas?

Pensativa, Virna ergueu-se da cadeira e caminhou até a janela, lançando um olhar intenso na direção da floresta. O lago ocultava-se ao longe.

 Sim, encontrei. Hoje sou cristã e minha fé não conhece limites. Contudo, não me sinto culpada. É como se, de algum modo, fosse o desejo da Senhora do Lago.

 E era. Acho mesmo que o destino a impeliria para os braços do viquingue se Ela não estivesse de acordo? Foi o que tentei dizer-lhe mas, naquele momento, você não estava preparada para entender.

 Tem razão. Tudo parecia demasiado confuso...

 E eu também não estava pronta para explicar direito. Os tempos mudaram, os homens mudaram, é preciso sabedoria para acompanhar todas essas mudanças.

Virna voltou para junto da abadessa e ajoelhou-se diante dela.

 O que eu descobri de mais importante, e essa descoberta me reconciliou com o mundo e comigo mesma, é que Deus é um só, mas são muitas as Suas faces...

Wren balançou a cabeça num assentimento mudo. Depois, abraçou-a com carinho maternal.

F i m