Queda

Why must we fall apart to understand how to fly?
I will find a way
Even without wings
Follow your heart
'Til it bleeds
As we run towards the end of the dream

- Evanescence "End of the Dream"

Tinham passados minutos, talvez horas e Harry lutava contra a sua respiração irregular. Estivera quase a fazer sexo oral com Snape. Snape, o seu odiado professor de poções. Como poderá ter-se deixado excitar com as imagens de um homem, muito menos com o dobro da sua idade? Quando estivera sobre o efeito da poção Veritaserum dissera a verdade. Desejava-o. Mas não daquela forma pouco natural. Conseguia sempre se conter e não lhe era muito difícil imaginar o rosto do homem como um inimigo. No entanto agora… Tudo estava virado pelo avezo.

Harry tentou esvaziar a sua mente. Estava farto de repensar cenários, muitos deles pouco plausíveis, sobre o que aconteceria assim que o professor regressasse ao seu gabinete. Não queria pensar em mais nada. Sentia-se nervoso e excitado por dentro. Grandes níveis de dopamina eram libertados provocando o seu sistema nervoso central.

Infelizmente desde cedo compreendeu que a sua tentativa de esquecimento era artificial, quase contraditória. Como se tivesse empurrando um largo número de informação para um recanto escondido da sua mente, obrigando-se a esquecer algo que estava destinado a voltar ao de cima. O vazio preencheu-lhe o corpo momentaneamente, até que ouviu o ruído da porta a ser aberta atrás de si.

O quê que Ron e Hermione pensariam?

Do outro lado da porta Snape retribuiu-lhe um sorriso frio.

- Ainda estás aqui, Potter? Confesso que duvidei da coragem inerente à tua casa.

Harry baixou o olhar. Não queria que o Mestre de Poções vise o medo e a vergonha reflectidos nele. Não se sentia lá muito corajoso como um Gryffindor. Talvez devesse mesmo ter ido para os Slytherin e apreendido a ter uma resposta sempre pronta na ponta da língua.

Sentiu as garras de Snape apertarem-lhe os ombros fazendo-o ajoelhar-se de novo em frente ao seu vulto negro. Engoliu em seco e começou a brincar com o tecido negro e fino do manto de Snape enrolando-o em volta do seu dedo indicador.

- Despaça-te. Não tenho a noite toda – ordenou Snape em voz áspera e impaciente, erguendo os seus olhos negros ao encontro dos verde-esmeralda.

As mãos do Rapaz que Sobreviveu afastaram cuidadosamente o manto e puxaram as calças, ladeando as pernas esbeltas do professor. Desta vez não perdeu muito tempo com as cuecas. Queria ver o que se ocultava por de baixo do fino tecido.

O pénis estava hirto como uma pedra, erguendo-se alguns centímetros em frente à sua cara. Estava coberto por uma espessa camada de pelos escuros ornamentais. Os seus olhos tentaram decorar avidamente um esboço dos principais trajos do pénis. Podia ser a última vez que se deleitava com tamanho cenário.

Tentou afastar o embaraço que insistia em dar cor à sua cara. Se queria que tudo corresse bem não podia estar a tremer como varas mortas.

Um pensamento egoísta passou-lhe pela sua cabeça. Queria causar tanto prazer a Snape que lhe alterasse a expressão grave do rosto. Queria queimá-lo de prazer. Com uma grande alegria pensou em como se masturbava, quando as luzes da torre dos Gryffindor se apagavam e era deixado sozinho com os seus pensamentos.

Respirou fundo e cobriu com a sua mão dextra a base do pénis protuberante, fazendo-a deslizar em direcção ao topo, tendo o cuidado para não o tocar. Parou momentaneamente, perguntando-se se Snape o amaldiçoaria e, com a outra mão, formou um anel em volta do pénis apertando-lhe levemente, altercando com uma massagem pela superfície dura. A ponta do pénis estava vermelha e uma pequena rede de veias nodosas percorria o membro desaguando na sua superfície. Parecia que todo o seu sangue se concentrava nesta zona. Estimulou, com os dedos, a ponta do pénis, sabendo por experiencia própria que esta era a área mais sensível.

À sua frente Snape respirava profundamente, deixando soltar um gemido rouco e abafado. As suas sobrancelhas uniam-se formando duas linhas grossas. Por entre uma cascata de fios de cabelo negros Harry conseguiu visualizar um olhar desvairado. Uma parte do Mestre de Poções parecia ter perdido o controlo. Lançava-lhe um olhar de puro prazer que nunca antes tinha presenciado. As suas mãos largaram-lhe os ombros para logo a seguir lhe agarrarem bruscamente a cabeça empurrando-a em direcção do pénis.

Entregou-se completamente ao desejo. Sentia o seu próprio pénis dar um salto dentro das suas calças e as suas entranhas remexiam-se como carne em fogo. Ver Snape daquela forma estava tirar-lhe do sério. Queria vê-lo a gritar e saber que fora ele a provocar-lhe desta forma. Era com se tivesse preço num transe. Tudo o que importava neste momento era o homem à sua frente. Não havia mais nada que importasse no mundo para além deste momento.

Debruçou-se ainda mais sobre a pélvis e lambeu repetidas vezes a ponta do pénis esfomeadamente, avançando ao longo da superfície quente. Percorreu-a, fazendo círculos finos com a língua, deixando para trás traços de saliva ao longo do comprimento do falo.

- Potter!– gemeu Snape abafadamente à sua frente. – Não sabia que gostavas assim tanto de uma posição submissa – disse fazendo novamente uma pausa para soltar o ar. - Talvez se o soubesse tivesse sido muito mais fácil controlar-te ao longo dos anos.

Harry chupou com força o pénis de encontro aos seus lábios provavelmente rosados, ignorando o comentário trocista. Sentia-se demasiado erecto para se importar com os seus comentáriozinhos. Snape pressionou-lhe fazendo-o engolir mais o pénis que agora quase lhe tocava na garganta, irritando-lhe o fundo da boca. Tinha dificuldade em respirar e fez os possíveis para não se engasgar mais.

Snape soltou um pequeno grito e arquejou a cabeça, o cabelo afastando-se da sua frente, descobrindo-lhe o rosto macilento repleto de um prazer súbito.

Dentro de alguns minutos tudo acabou. Snape ejaculou na sua garganta, um jacto de líquido salgado engolido com dificuldade, mas um fio fino escorreu-lhe pelos lábios abaixo. Sentia o seu calor. Sabendo que o Professor de Poções o olhava, passou a língua pelos lábios, tentando beber qualquer gota que se tivesse acumulado, sem depreender o olhar do homem à sua frente.

Com dificuldade levantou-se, ficando no endireito dele. Sentia o seu pau duro de encontro às suas cuecas, pressionando-as vorazmente. As entranhas remexendo no seu interior deixando-o alienado a tudo o que se passava em seu redor. Queria que Snape lhe tocasse ali e agora, com aqueles dedos longos e finos, talentosos a preparação poções. Havia magia no ar, tinha quase a certeza. A magia negra e fria de Snape pairava em seu redor, oculta, dançando sobre a sua pele quente do sexo.

- Toca-me … por favor… - implorou deferentemente, mantendo o contacto com o professor.

Os segundos passaram-se e Snape mantia-se impassível, olhando-lhe com um olhar reprovador por detrás dos seus longos cabelos escuros. Com um último impulso Harry lançou-se nos seus braços apertando as suas mãos de encontro ao seu peito. Inclinou a cabeça para cima e plantou um beijo leve, mais não completamente destituído de desejo, nos seus lábios.

- Eu não consigo aguentar se não…

- Se não o quê Potter? – interrompeu Snape sarcásticamnete. Parecia surpreendido com o beijo mas recuperou rapidamente. Empurrou-lhe bruscamente fazendo com que Harry se desequilibrasse e caísse de encontro à secretária. – Não me lembro de te ter dado autorização para me tocares. Gostava de saber o quê que o teu amado pai diria se e visse ajoelhado à minha frente e a implorares para que te tomasse. Com certeza está-se a remexer no túmulo…

- Eu só queria sentir-me diferente…

- Silêncio rapaz! – ordenou beligerantemente Snape. – Não te dei autorização para falares ou me tocares. Sempre fostes um rapaz mimado, convencido que de alguma forma tinhas nascido superior a todos os outros, meros mortais, mas eu não sei como te dizer mas não passas de um garoto mimado com a mania de te enfiares em alhadas.

Harry levantou-se bruscamente fitando-o enraivecido. Odiava-o. Um ódio tumultuoso que lhe incinerava por dentro, fazendo o seu coração espremer-se de raiva. Tinha visto os seus desejos concretizarem-se, sentindo-se cheio pela primeira vez em muito tempo. Soubera que tinha algo especial, único e mágico. Bem, quando fizera sexo oral tinha tentado desviar a imagem do seu odiado professor de Poções da sua cabeça e pensar numa rapariga qualquer mas tudo o que lhe viera à cabeça era a imagem sombria de olhos escuros. Odiava-o mas desejava-o ao mesmo tempo como o yin e o yang se unem num só. Porque, afinal de contas, não queria sentir-se sozinho. Queria ter alguém maduro em quem confiar. Mas para quê? Para ser tudo depois arrancado como a uma erva de galinha e enviado para um canto, desnecessário. Agora tudo o que sentia era sujo e usado.

Começou, lentamente, a chorar. Sentia as suas lágrimas frias cobrirem-lhe o rosto, enturvando os seus olhos. Deixou-se ficar, por algum tempo, pasmado e de cabeça em baixo. Não tinha forças nem para encarar o feiticeiro à sua frente nem para sair do gabinete nos calaboiços.

- Se sou assim tão sujo porquê que me deixou lamber-lhe o pénis? Ou faz isso a todos os seus alunos…

- Pára de te comportar como um bebé recém-nascido – disse Snape amargamente. -Tenho relatórios a corrigir e não tenho tempo a perder a fazer de babysitter por isso segue-me até aos teus dormitórios…

- Não… - interrompe-o Harry. – Eu sei onde ficam. Posso muito bem ir lá ter sozinho.

- A esta hora da noite os alunos não estão autorizados a vaguear pelo castelo sozinho. Também não julgues…

Harry deu meia volta e saiu a correr da sala. Enviou com a porta atrás de si com um estrondo de tal forma mortificante que abalou as colinas de pedra esguia. Não queria ouvir mais nada. Não queria ouvir aquela voz carregada de ódio. Tudo não passava de um pesadelo. Iria, com certeza, acordar no dormitório e rir-se do ocorrido.

Quando o relógio de cuco, pendurado na parede ao fundo do corredor, marcou uma badalada, assinalando que passara já da meia-noite, Harry virou à esquerda pelos corredores escuros e insinuantes, mal iluminado por tochas altivas e subiu as escadarias em direcção à torre de astrologia. Quando lá chegou tentou abrir a porta. Estava fechada.

- Alohomora!

A porta abriu-se rangendo num tom seco. Harry entrou, atravessou a torre e saiu para o terraço. Uma rachada de ar frio embateu-lhe no rosto cansado. A escuridão inundava o seu campo de visão, ocultando-o parcialmente. Sentou-se de encontro às ameias do castelo com os joelhos encostados ao seu estômago, deixando que a tristeza e cólera saíssem parcialmente.

Não queria voltar ao dormitório masculino nem sentir os olhares desconfiados dos outros alunos. Se calhar até já tinha dado pela sua falta. Mas se sim, porque não mandar alguém perguntar por si no gabinete de Snape? De certo o Ron queria protegê-lo, caso estivesses numa alhada. E estava. Tinha acabado de dormir com um docente e não um qualquer, um ex Devorador da Morte com mal feitio e odiado por todos para além dos alunos da sua casa. Tinha sido colado inteiro para logo a seguir ter sido partido e esmigalhado. Snape quisera humilhá-lo por causa de antigas brigas de infância.

Não soube ao certo quanto tempo passou, nem se dignou a olhar para o seu relógio de pulso, as lágrimas já tinham secado no seu rosto embora sentisse os seus olhos ainda arderem, inchados.

Levantou-se e fez o itinerário de volta para a torre dos Gryffindor, com o manto da invisibilidade a cobri-lo. Ron estava á sua espera, com o dossel de cetim da sua cama escorrido para os lados.

- O quê que se passou? – perguntou Ron ensonado. – Tens aspecto de ter sido atacado por vinte duendes domésticos! Não me digas que o Snape obrigou-te a lavar todas as casas de banho do castelo numa só noite.

- Não quero falar nisso... – respondeu-lhe deprimentemente guardando o manto da invisibilidade dentro do seu malão e apressando-se a descalçar. Estava demasiado letárgico, depois do tempo todo que passara nas penumbras, entre as ameias do castelo.

- Compreendo… - retorquiu Ron com uma cara de quem não compreendia. – … mas eu sou o perfeito e deves-me uma explicação senão as pessoas vão andar ara ali a dizer que eu deixo os meus melhores amigos fazerem tudo o que quiserem…

- Então acusa-me à Miller ou há Directora – alvitrou acidamente. – Desde que me deixes dormir…

- Muito bem, se é assim que queres será. Mas não penses que podes tratar toda a gente mal só porque derrotastes o quem-nós-sabemos.

Mal lhe ligou. Sentia uma dor lancinante afogar-lhe os soluços que insistiam em tentar sair da sua boca. Correu o reposteiro lateral da sua cama para encobrir a expressão do seu rosto e deixou-se cair sobre o colchão fofo. Embora tivesse sono, não dormiu quase a noite inteira.

Quanto tempo passara? Abriu as pálpebras pesadas e olhou para o relógio na mesa-de-cabeceira. Eram quase oito e meia. Levantou-se bruscamente, quase tropeçando nos sapatos que deixara abandonados a um canto. Raio! Se chegasse atrasado arranjaria mais problemas para si.

Tomou um duche rápido e mudou para o uniforme de inverno, perdendo precisos minutos lutando contra a sua gravata. Já mais ninguém estava no dormitório. Ron costumava esperar por ele mas devia estar mesmo zangado. Harry fez uma nota mental para ver se lembrava-se de pedir desculpas. Ron não era culpado, simplesmente preocupava-se. Se não tivesse estado tão cheio de si mesmo não o tinha atacado verbalmente.

Nos próximos dias Harry não se conseguiu concentrar adequadamente. Parecia que tudo o que fazia corria indefinivelmente mal. Foi o pior dos alunos a encantamentos sem sequer conseguir lançar até um encantamento simples e foi mordido por um Fanged Geraniuma Herbologia. No fim da aula Pansy Parkinson ria-se histericamente apontando para ele. Porquê que tivera de perder o ano passado? Possivelmente só para o atormentar.

Nunca pensou sentir-se feliz por ter uma dose dupla de História da Magia. Seria uma desculpa para poder novamente descansar sem ter toda a gente a rir-se na sua cara. Felizmente Ron aceitara o pedido de desculpas de Harry, atribuindo-lhe ao cansaço e à fricção provocada pelas suas muitas horas passadas com o seu professor mais odiado. Contou-lhe uma mentira esperando que os seus olhos não o atraiçoassem.

E foi assim que as horas passaram-se até chegar a aula de Adivinhação, a última aula antes de ter Poções.

A professora Trelawney curvou-se sobre a bola de cristal embaciada de Harry, deixando fios cor de cobre caírem-lhe para a frente da cara. Tentou assoprá-los sem parecer mal -educado.

- Então rapaz, o quê que és capaz de ver?

- Não sei ao certo, professora – respondeu-lhe Harry sorumbaticamente. A verdade é que a bola de cristal devolvia-lhe a imagem do seu rosto marcado por olheiras negras e cabelo desgrenhado. – Parece-me ver um… triângulo vermelho?

- Não, não e não! – exclamou a professora Trelawney fazendo com que os seus músculos se contraíssem involuntariamente. – Vejo… -fez uma pausa dramaticamente fazendo com que todos os alunos da sala olhassem para ambos. -… um vulto escuro. Irás confiar em alguém que julgas amar mas esta pessoa encaminhar-te-á em direcção à morte. E o teu erro será não quereres ver o que deve ser visto.

Toda a sala olhou para a professora Trelawney embasbacadamente, como se tivessem a vê-la pela primeira vez. Os seus olhos reviravam-se, parecendo quase translúcidos, cobertos da mesma névoa mística que pairava, encobrindo a boa de cristal opaca, daqueles que não tinham a Visão.

- Porquê que toda a gente está a olhar para mim? Não vai ser no meu rosto que vão conseguir ler a bola de cristal. Vejam se concentram-se! E tu Potter, esperava melhor de ti. Um triângulo vermelho? Nem sequer vistes sangue? – perguntou repentinamente interessada.

- Pensando bem nisto talvez houvesse sangue – respondeu-lhe Harry encorajado.

- Bem me parecia que sim.

- A mim mais me parecia que ia fazer mal tempo – confidenciou Ron em tom divertido. – O que foi aquilo?

Mas a verdade é que Harry não tinha a mínima ideia.

Ron e Harry apressaram-se a sair da sala de Advinhação, contornando as cadeiras almofadadas, dispersas ao longo da sala. Hermione estava do lado de fora à espera, com um braça de livros grandes e bolorentos.

- Para que é tudo isso? – perguntou Ron espantado. – Ainda mal começamos o ano!

- Já é quase Outobro, Ron, temos de começar a pensar nos exames – respondeu indignadamente parando para olhar para Harry com aqueles olhos cor de mel que sabem quase tudo. – O que foi? Não pareces lá muito bom, Harry… Passou-se alguma coisa em adivinhação?

- O costume, a Trelawney a fazer profecias estúpidas. Só que desta vez… desta vez parecia como daquela vez em que era declamou a profecia sobre mim e o Voldemort. Os seus olhos estavam revirados de uma forma muito estranha, parecia quase possuída. E depois continuo como se nada tivesse acontecido.

- Talvez quisesse chamar a atenção – alvitrou Ron, divertido. O quem-nós-sabemos já está morto e quantas mais profecias ela vai adivinhar sobre ti? Cá para mim uma profecia correcta em toda a sua vida já é demais.

- Talvez – exclamou Hermione abstendo-se de dizer o que realmente pensava. – De qualquer forma é demasiado cedo para fazer conclusões precipitadas.

- Sim, talvez tenhas razão…

- Para onde vão? – perguntou Hermione olhando Harry e Ron nos olhos. – A sala e poções é no outro sentido…

- Hermione, poupa-nos. Ainda temos sete minutos. Se passo mas do que um só minuto naquela sala juro que morro – disse Harry.

Era verdade. Snape fizera-lhe as suas entranhas agitarem-se como nunca antes sentira para logo a seguir deixá-lo quebrado, como uma boneca de trapos velha. Não queria passar mais tempo do que necessário na sua companhia, sentindo os olhos hipnotizantes do professor vaguearem-lhe pela sua pele quente, inspeccionado os milímetros das profundezas da sua alma. Estremeceu involuntariamente sem saber se de prazer ou dor.

- Oh, desculpa! Já me esquecia que tivestes de passar horas em detenção à alguns dias… Devias ter participado dele à Professora Miller. Tenho a certza que não te pode obrigar a trabalhar tanto depois da hora de recolhimento.

- É Snape! – exclamaram Harry e Ron em conjunto, como se isso finalizasse a discussão. – É capaz de fazer qualquer coisa.

E de facto era. Desde cedo aperceberam-se que tinham feito bem em chegar cedo. O Professor Snape parecia estar de imenso mal humor e não era preciso uma desculpa muito forte para tirar pontos. Já tirara quarenta pontos aos Gryffindor por chegarem atrasados e cinco aos Slytherin, algo extremamente raro de se ver.

- Façam pouco barulho – aclamou por cima das vozes da multidão. – Hoje vamos falar da Cura para os Furúnculos. Alguém sabe os ingredientes?

Snape inspeccionou a sala vagarosamente tentando evitar a muito custo pôr os olhos sobre o braço visivelmente erguido de Hermione.

- Sim, Miss Cullen?

- Usa-se seis dentes de serpente e lesmas espinhosas.

- Dez pontos para os Slytherin – disse lentamente Snape, o farfalhar do seu manto ondulante parando poucos centímetros à frente da sua secretária. – E que mais?
A Slytherin nem adivinhara os ingredientes todos para a poção mas já recebia dez pontos. Snape sempre fora injusto para as outras casas, principalmente as do Gryffindor. Tinha uma certa ideia porquê mas não queria sentir pena do homem.

Tentou, a muito custo, manter o olhar sobre os pergaminhos da sua secretária. Snape tratara-lhe como um objecto que pode ser usado e deitado fora. Muito bem. Se queria assim então seria. Iria ignorá-lo. No entanto uma pequena voz correu-lhe o pensamento obstinadamente. Estou tão acobardado por causa do que aconteceu à alguns dias que nem sou capaz de o olhar nos olhos. Talvez devesse mesmo não ter sido seleccionado nos Gryffindor, já que me comporto como um cobarde...

- Usa-se também espinhos de ouriço-cacheiro. Adiciona-se os dentes de serpente ao Almofariz e esmigalha-se até formar um pó. Junta-se quatro colheres de dentes de serpente esmigalhado ao caldeirão, aquece-se a mistura até aos duzentos e cinquenta graus por dez segundos, ergue-se a varinha e deixa-se cozinhar por mais três minutos – vomitou Hermione, cuspindo as palavras apressadamente, como se tivesse medo que ficassem presas ao céu-da-boca. Teria engolido o livro de Poções?

- Uma explicação muito curta mas em parte correcta, se a Miss Granger não se tivesse esquecido de mencionar a quantidade de dentes de serpente talvez tivesse recebido alguns pontos… - respondeu Snape secamente. Harry quase que sentia o sabor amargo da sua voz fria e cruel.

- Mas Professor… - implorou Hermione civilmente. -… a Anna Cullen já dissera que eram seis dentes de cobra… não achei que fosse necessário…

- Não achastes que fosse necessário? – troçou Snape acidamente, elevando os seus lábios finos num esgar grotesco. – Em poções todo o cuidado é pouco. Não serve apenas decorar palavras do livro. Agora para quem não percebeu nada das baboseiras de Miss Granger poderá achar o modo de preparo no quadro – articulou apontando a varinha para o quadro negro. - Podem começar. Têm metade da aula para a concluir.

Harry arriscou um olhar em direcção a Hermione. Os seus olhos estavam borrados de lágrimas frescas e tentava a muito custo não chorar.

- Não ligues, Hermione – consolou-o Ron. – Ele só tem inveja dos outros por não serem tão miseravelmente solitários comparado com ele. Aposto que nunca ninguém alguma vez gostou dele – disse fazendo uma careta. – Era capaz de vomitar se o visse por mais do que duas aulas por semana…

- Quarenta pontos a menos para os Gryffindor. Agradeçam, ali, ao Weasley. Terás de me ver por muito mais do que duas aulas por semana. A começar por hoje quero-te ver a lavares a enfermaria sem utilizares magia e amanhã quero receber uma composição tua de dez páginas acerca do uso fascinante do bezoar e nada de pedires ajuda à tua amiguinha.

Uma dor atingiu-lhe o peito, ofuscando-lhe de fúria, mas mesmo assim resignou-se a olhar para o papel em vez de ir em defesa de Ron. Já tivera detenções que chegue e também aprendera que embora passar algum tempo com o professor fosse, de certa forma… produtivo… arranjava-lhe mais alhadas que soluções. Sentia-se mais confuso e perdido do que quando observara o pensatório de Snape e uma nuvem de cinza cobrira os seus olhos para dar lugar a uma paisagem agreste, com um rapazinho mais novo escondido por detrás de uma sebe.

Snape fora e sempre seria assim. Fora estupidez julgar que a noite de sexo que tiveram fosse capaz de mudar alguma coisa. O pior era saber que fora o único a sentir-se daquela forma, especial…

A sua poção já ia a meio quando Snape parou à sua frente. Estava tão próximo que podia sentir a respiração quente do professor fazendo-lhe cócegas no pescoço.

- Potter, Draco está com dúvidas acerca do modo de preparo, certamente poderias ajudá-lo. Diz-me, durante quanto tempo se aquece a fervura? – perguntou malvadamente.

- Dez segundos.

- Fala mais alto e olha-me nos olhos quando falo contigo.

- Dez segundos – repetiu Harry sem olhá-lo directamente nos olhos. Tinha medo. Tinha medo de olhar e ver um frio glaciar transbordar-lhe dos olhos, movendo-se até à sua alma, comprovando que nada mudara entre eles.

- POTTER, EU DISSE PARA ME OLHARES NOS OLHOS!

- Sim, senhor – respondeu insubordinadamente.

Ali à sua frente, sentiu-se retido pelos olhos de predador que se cravaram no seu, dando mostras de desprezo óbvio. Harry nunca viu tanto ódio.

- Seu rapaz inútil, julgas que fazes aqui falta? – implicou desagradavelmente Snape. – Se as aulas de poção não são para pessoas tão famosas como tu, que derrotastes o Senhor das Trevas, talvez não te devas dignar a por cá mais os pés.

- Talvez seja isso que eu faça – respondeu-lhe Harry atabalhoadamente, fixando agora claramente os seus olhos nos do outro. As sobrancelhas de Snapes uniam-se obviamente, formando uma única linha no alto da testa pálida. – Essas aulas não prestam para nada, Senhor. A muito custo tentou manter a voz controlada mas as últimas palavras saíram-lhe bruscas e revoltas dos seus lábios.

Tinha tentando-se aguentar, caminhado numa linha fina, mas Snape tivera de a esticar, tivera de encher o seu copo até se sentir transbordar de raiva por aquele homem à sua frente, ao ponto de esquece-se a que aquele rosto pertencia, ao homem que soltara o seu nome dos seus lábios com ímpeto e prazer mal disfarçado.

Os alunos à sua volta tentavam observar disfarçadamente, prendendo a respiração. A voz de Hermione rasgou o silêncio glaciar e trémula, murmurou:

- Senhor, o Harry não se está a sentir lá muito bem...

- Estou a sentir-me sim – negou convincentemente, sem tirar os olhos do outro. – Nunca me senti tão bem na minha vida. Já devia ter feito isso muito mais cedo. Vou andando…

Virou-se e saiu da sala batendo com a porta com demasiada força. Que Snape fosse para o Inferno! Estava farto dele. Uns bons metros mais à frente, ouviu o farfalhar de um manto a cortar o ar.

- Como te atreves a insultares-me na minha sala de aula? - sibilou Snape, agarrando Harry bruscamente, obrigando-o a virar-se na sua direcção. – Sempre foste egoísta, desrespeitador das regras, vaidoso, tal e qual ao teu pai. Ambos têm a cabeça tão cheia com ideias de grandiosidade que não me espanta que não aja espaço para mais nada. Receio que vais ter de me acompanhar até ao gabinete…

- Também fodias o meu pai? – perguntou, interrompendo-o bruscamente, os seus olhos a vibrarem de ódio puro.

O silêncio pairou no ar por alguns segundos e Harry não esperou para ouvir a resposta. Com um movimento brusco, soltou-se das garras do professor e correu em direcção ao fundo do corredor de pedra.

Harry decidiu esconder-se na sala das necessidades. Sabia que era um comportamento para cobardes mas não podia simplesmente ir para a sala de estar dos Gryffindor, onde podia ser facilmente descoberto. E se Snape fosse atrás dele enraivecido? Ou se fizesse com que fosse expulso do colégio? Sentia o silêncio atroz da sua solidão ecoar pelas paredes da sala cobrindo-a de um vazio distinto. O coração tremia-lhe no peito ocupando a sua mente com todo o tipo de pensamentos sobre o que poderia eventualmente acontecer.

Finalmente decidiu-se a sair e ser verdadeiro. Talvez fosse melhor ir mesmo ter com a Miller e explicar a situação. Decerto já soubera o que se passara e não podia passar o resto da sua vida escondido na sala das necessidades. Nem sequer tinha o Cabeça de Javali para lhe abastecer, como o que acontecera quando Snape fora director.

Ficou mais tempo do que o esperado plantado fora da porta do gabinete da nova chefe dos Gryffindor. Miller merecia a gratidão e simpatia de todos os alunos da sua casa e talvez também das outras. No auge das suas férias de verão, tinha sido atacada pela sua irmã gémea, devoradora da morte e pressa na sua própria casa. A muito custo conseguira fugir e alertar o ministério, não sem antes sair com um túnel de nódoas negras. Uma situação demasiado sórdida, pelo menos essa era a opinião de Harry. Mas mesmo assim voltara como chefe da sua própria casa, agora que Mcgonagall fora promovida para Directora.

Dentro do gabinete podia-se ouvir a sua voz, claramente sucinta, falando com mais alguém. E se fosse Snape? Parou hesitante.

- É um comportamento abominável! Atacar a sala dos Slytherin só por causa de uma disputa entre namorados…

Harry bateu à porta apressadamente. Não, isto não era definitivamente Snape. Quem seria o Gryffindor idiota ao ponto de fazer tal coisa?

- Entra, Potter.

- Como é que sabia que era eu?

- O Professor Snape já teve aqui e contou-me soube o teu comportamento chocante. O quê que se passa hoje com os Gryffindor? Nunca vi tal coisa…

- Peso imensas desculpas. Prometo que não volta a acontecer… - disse Ginny, elevando a sua voz para que pudesse ser ouvida claramente.

O que fazia Ginny ali?

Os cabelos da jovem mais nova estavam revoltos, emaranhados em nós grossos e tinha o rosto um pouco pálido. Havia algo de estranha, quase feral no seu olhar. Inclinou a sua cabeça na direcção de Harry, sorrindo abertamente e Harry ficou admirado por não sentir nada para além de simpatia e pena.

Podia ter-se esforçado. Ela cobrira-lhe os lábios, acariciando-o, naquele dia, quando fizera dezassete anos. Na sua voz havia promessas esperançosas e frases por dizer. Tinha acabado com ela, mas esperara que depois da queda de Voldemort, ou da sua, porque um tem de morrer para o outro sobreviver, pudessem voltar a andar juntos. Mas o Voldemort preenchera-lhe os recantos mais ínfimos da sua cabeça e os seus pensamentos encheram-se de preocupações que lhe pareceram, nesta altura, de vida ou de morte. Depois, quando voltar a vê-la nos varões do castelo, o seu coração não se alterou ao avistar-lhe a fase simpática. Já não sentia nada. Culpava-se de certa forma de se ter esquecido tanto rápido. Se apenas desta vez também fosse assim…

Harry afundou-se na cadeira ao lado da de Ginny.

- Muito bem, tratarei do teu castigo mais para a frente. Por agora tenho muito que fazer…

- Mas por favor Professora… - pediu desesperadamente Harry. - Temos ambos o jogo de Quidditch para daqui a uma semana…

- É verdade – acrescentou Ginny.

- Evidentemente que não quero que sejam prejudicados – disse piscando os olhinhos minúsculos por de trás de aros grossos. – O castigo terá de esperar mais para a frente.

Harry respirou de alívio inadvertidamente.

- Podes ir andando Miss Weasley. Harry, fica onde estás. Precisamos de falar… Que se passou contigo? Sei que tens tido muita pressão desde muito novo por causa do quem-nós-sabemos mas não podes atacar verbalmente ou descontar nos teus professores sempre que te sintas irritado. Tenho a certeza que percebestes. Gosto pessoalmente de ti e julgo que és um rapaz simpático, bem sei que o professor Snape pode ser deveras antipático… - respondeu, como que a recordar-se de algo. – Mas professores são professores, entendido? Quero que contínuos a ter Poções de agora em diante.

- Sim, senhora.

A conversa ficou realmente por aí e quando Harry voltou à sala dos Gryffindor recebeu um ou dois vivas pela sua coragem em desafiar o professor de poções mas, recebeu principalmente, olhares carrancudos. Ron e Hermione contaram-lhe que Snape descontara neles até ao fim das aulas. Nunca antes tinha tirado tantos pontos numa única aula. Passara o tempo inteiro refilando, humilhando e troçando, apontando comentários maliciosos a qualquer aluno dos leões por motivos estúpidos. Até os Slytherin tinham-se sentido prejudicados, já que Snape mal prestara atenção às suas poções e acabara por atirar notas ao ar, distraidamente. Quando Harry perguntou-lhes se parecia muito zangado responderam-lhe que apenas aborrecido. Com que então utilizava, afinal, uma máscara de indiferença. Se era assim que o queria Harry também sabia jogar este jogo, pensou.

Os próximos dias foram-se passando, diluindo-se num princípio de Outono seco e tempestuoso. Hoje a chuva decidira-se a ausentar, mas o vento assoprava fortemente por entre as folhas, abanado vorazmente os troncos mais fracos das árvores. Com um tempo como este ia ser difícil jogar Quidditch. Ele dependia do seu peso leve e tamanho baixo para ajudar-lhe a aproximar-se mais facilmente da Snitch mas com este tempo podia ser facilmente desviado ou empurrado da vassoura, se não tivesse cuidado. Também ia ser difícil ver o campo com clareza. As nuvens encobriam o céu deixando rastos de uma névoa fria.

Harry e Ron foram incapazes de comer o seu pequeno-almoço. Harry sentia um nó na boca da barriga, premindo-lhe o estômago. Chegaram muito antes ao estádio. Toda a gente estava uma pilha de nervos e Harry, que era o capitão da equipa, queria dar umas dicas com antecedência. No final ninguém acabou por ouvir muito, nervosos como estavam, e Harry teve de lutar para que a sua voz lhe saísse segura.

Lentamente, os balcões do estádio começaram-se a encher de multidões protegidas com capaz grossas e cachecóis vermelhos e verdes, das respectivas casas.

- Gryffindor!

- Gryffindor!

- Slytherin!

- Slytherin!

Quando o apito ensurdecedor ecoou, Harry elevou-se no ar, dando meia volta ao campo em busca da Snitch. O céu estava coberto de nuvens negras e o vento espalhava poeira para os seus olhos. Assim seria muito difícil ver qualquer coisa que fosse a mais de um metro de distância. Semicerrou os olhos, estreitando-os fixamente ao longo do seu perímetro de distância. Não via nada. Onde estava Hermione, com o seus feitiços, onde mais precisava?

Mais à sua frente uma das Chasers dos Gryffindor tirou a Quaffle dos Slytherin e passou-a à sua colega mais à frente que marcou com um golpe rápido.

Aplausos irromperam das bancadas dos leões, enchendo-as de cartazes erguidos para ao ar, com palavras como: "Força Gryffindor, o leão está contigo.", "Potter, Potter!" ou até mesmo "Abaixo os Slytherin!".

Harry voltou a fixar o seu olhar no ar. Mais á frente Draco aproximava-se em direcção à Snitch com um sorriso nos seus lábios. Desesperadamente, deu impulso à vassoura, elevando-a no ar em direcção a Draco. A Snitch tremeluzia levemente no céu, desviando-se das mãos de Draco, quando este fez um movimento brusco para a apanhar. Tinha desaparecido algures entre o denso nevoeiro.

Ele tinha-se de concentrar. Não podia deixar Draco conseguir apanhar a Snitch. O jogo dependia largamente do primeiro a agarrá-la.

Estava dez-trinta, com trinta para os Slytherin, que este ano tinham apostado em melhores jogadores, em vez de apenas brutamontes.

- Força, Ginny! – sussurrou-lhe Harry quando ela raspou com a sua vassoura por a dele. – Era bom que tivéssemos um avanço de pelo menos trinta pontos.

Uma das Bludgers passou rente a Harry que se desviou agilmente, elevando-se no ar. Ali, ao lado da baliza dos Slytherin, a Snitch esvoaçava agilmente. Harry voou em direcção à baliza, alheio a tudo o que se passava em seu redor. Apenas se concentrava na esfera dourada, centímetros à sua frente. Estendeu a sua mão, equilibrando-se em cima da vassoura e agarrou-a. Sentia-a esvoaçar por entre os seus dedos, fazendo força para se libertar.

Por um momento, foi capaz de sentir uma incrível sensação de alegria, que viera-lhe recompensar as semanas passadas. Ergueu-a, sobre a sua cabeça e aplausos romperam do formigueiro lá em baixo. Vozes elevavam-se no ar, chamando o seu nome. Não sabia como descrever este momento. Possivelmente foi um dos melhore destes últimos messes, sem contar com o momento em que o professor de poções gozou na sua boca.

Infelizmente, não o aproveitou por muito tempo. Uma luz prateada atingiu-lhe nas costas, fazendo-o desequilibrar-se da vassoura e cair. Sentia o seu coração martelar no seu peito, mais vivo que nunca, enquanto tentava manter a mão esquerda agarrada à vassoura. Os seus dedos tremiam descontroladamente em volta do cabo. Tentou gritar qualquer coisa mas a voz morreu-lhe nos lábios.

Naquele momento, não sabendo porquê ao certo, procurou com os olhos sobre a bancada lá em baixo, a figura altiva e esguia de Snape. Estava no meio dos Slytherin, como um morcego erguido ao vento. Tinha a sua varinha apontada na sua direcção. E isto foi a última coisa que viu antes de sentir a sua mão enfraquecer, os dedos escorregando pelo cabo da vassoura lentamente, até largá-la. Caiu em direcção ao estádio sendo abraçado bruscamente pelas trevas.

FIM

Deixem um review, por favor. Se não tiverem tempo basta um smile.

N/A: Espero que não tenham esperado muito tempo… A relação do Snape com o Harry vai evoluir lentamente ao longo da história. Vai haver sim espaço para conversas, relativamente agradáveis e romance, só não vai ser agora. Estes dois ainda têm muitas coisas para resolver...

Obrigada pela vossa compreensão em relação aos erros ortográficos. Tentei-os corrigir mas as mudanças que aparecem no preview não aparecem na página do capítulo um, sabe-se lá porquê…