Tempo a Dois
Shadows pulling me along with you
When the moonlight sings
The darkness brings me back to die with you
I've given all my life to be with you
My heart is waiting and breaking to return to burn with you tonight
I hold secrets only dreaming eyes can see
Night time sanctuary cease
Pain of the living
-We are The Fallen "Burn"
Harry tinha passado os próximos dias tentando evitar Hermione e Ron. A raiva que sentia tinha-se abrandado até transformar-se num mal-estar permanente. Sempre que chegava as horas de regressar às salas de aula, sentava-se no canto oposto a que estava acostumado a sentar-se, e passava os seus tempos livres com Seamus, Dean, Neville ou Luna, sempre que a encontrava. A maior parte das vezes não via Ginny, embora gostasse de passar mais tempo com ela.
Afinal de contas, estar afastado dos melhores amigos tinha-se provado ser uma experiência mais interessante do que supusera. Sabia agora porquê que Seamus tinha voltado a repetir este ano. Ao contrário de Dean, Seamus tinha podido ficar em Hogwarts, mas tinha passado os últimos messes escondidos na Sala das Necessidades. Aparentemente a sua mãe insistira estrondosamente para que voltasse a Hogwarts no próximo ano.
Nunca soubera porquê que Neville, Pansy Parkinson ou Zabini tinham voltado este ano. Se não o soubesse, diria que os Slytherin tinham regressado para o atormentar. Sentiu um arrepio de nojo percorrê-lo. O mais provável era que Pansy tivesse voltado para passar mais tempo com o seu namorado.
Afastou os seus pensamentos da sua cabeça e começou a descer o carreiro de terra batida, por entre um mar de relva indomável.
Quando chegou à fachada da cabana de Hagrid, bateu à porta ruidosamente e passado um minuto Hagrid emergiu pela ombreira da porta, com um avental cor-de-rosa e umas luvas douradas a cobrirem-lhe as mãos. Fang ladrou ruidosamente por de trás do dono, abanando a cauda em sinal de comprimento.
- És tu, Harry. Estava já à tua espera.
- Como é que sabias que eu ia vir? – perguntou Harry. Hagrid deixou-o passar, e fez sinal para que se sentasse numa das cadeiras da cozinha.
- Eu sabia que havias de acabar por arranjar tempo para me visitar – sentenciou Hagrid, alegremente. Puxou duma colher de pau dura e começou a remexer com ela as papas duras que coziam ao lume.
Para dizer a verdade, sentia-se um pouco envergonhado. Já devia ter ido visitar Hagrid, nem que seja para agradecer-lhe os bolinhos de aveia, duros como uma pedra. Tinha-se esquecido. Depois de sair da Enfermaria, a matéria por actualizar ocupara-lhe a maior parte do tempo, e tinha desperdiçado, também, muito tempo a pensar em Snape, e no seu último encontro, que nem se lembrara de arranjar espaço para ir ver Hagrid, que morava a pouca distância do castelo.
- Peço desculpas! Eu já devia ter ido antes… Só que tenho tido muito em que pensar nos últimos tempos…
- Estás-te a referir ao Ron e à Hermione? Já te ia perguntar o que se passava entre vocês.
- Nada de especial…
Hagrid franziu o sobrolho. – Foi isso mesmo que o Ron e a Hermione me disseram ontem, quando lhes perguntei porque não tinhas vindo. Podes confiar em mim, Harry. Podes encontrar na minha casa sempre um espaço para descansares, se quiseres.
Harry agradeceu, no entanto não sentia vontade de voltar a falar do assunto. Em vez disso, respondeu decisivamente:
- Desta vez acabou-se. A sério! – exclamou ao ver o olhar de descrença do amigo. – Estou mesmo farto deles…
- Isso há de passar… Lembraste quando tu e o Ron discutiram com a Hermione? Ela passou bastante tempo na minha cabana e parecia mesmo triste. Disse que vocês não lhe falavam e passados umas semanas tudo voltou ao normal.
Sim, mas foi preciso a sentença do Buckbeak sair para se voltarem a falar. Mas isso Harry não lhe recordou.
- Não acredito – foi tudo o que respondeu, sentindo a respiração pressa na sua garganta e um peso a apertar-lhe o peito.
- Queres comer alguma coisa?
- Não, obrigado – agradeceu ao olhar para os bombons de melaço dispostos ao longo de uma travessa rectangular. Lembrava-se destes. Eram extremamente pegajosos e colavam-se ao teto da sua boca, deixando-lhe um sabor amargo na língua.
Passaram o resto de tempo a recordar experiências passadas. Hagrid contou-lhe alegremente aquela vez em que um dos seus alunos gritou que estava a ser atacado por sanguessugas de listras vermelhas ao sentir a pele viscosa duma lesma comum a deslizar-lhe por cima do braço.
Hagrid era realmente bom a levantar-lhe os ânimos. Era quase impossível passar mais de alguns minutos zangado na sua presença. Sabia que aqui, sempre podia encontrar uma espécie de refúgio, mesmo quando tudo corria mal.
Embora não o quisesse admitir para si mesmo, tinha mesmo muitas saudades de Snape. Mesmo depois de tudo o que ele lhe fizera.
Queria sentir os braços protectores do Professor a envolver-lhe a cintura, e a sua voz abafada a sussurrar-lhe palavras reconfortantes. Claro que isso nunca aconteceria, mesmo assim sentia-se protegido com ele.
Tinha sido separado cedo dos pais, e depois disso acabou por ter pouco amparo ao longo da sua vida. Primeiro sobre a forma de Sirius, e depois encontrara algum sossego provisório nas palavras gentis de Dumbledore. Até em Ginny e Cho Chang encontrou um lugar especial. Mas Harry vi-os a todos partir. Uns pelo sangue, outros pelo tempo. Sabia que se Snape lhe deixasse entrar tudo poderia ser diferente.
Ouviu um rugido vindo do exterior sobrepor-se à voz grossa de Hagrid. Levantou-se automaticamente e caminhou rapidamente em direcção à janela. Hagrid nem se dignou a mexer-se, parecia que não tinha ouvido nada.
- Que foi isso? – perguntou Harry, algo temeroso.
A chuva caia em gotas grossas, fustigando a janela. Harry fez os possíveis para ver através do vidro manchado de água. Do outro lado, alguma coisa movia-se por entre a relva alta. Era uma criatura que nunca vira antes. Tinha pupilas de gato douradas e duas narinas fendidas a ilustrar-lhe o rosto verde. Julgou ver a criatura a descobrir o lábio superior, mostrando os dentes afiados. Tinha uma grande couraça que lhe cobria as costas e um conjunto de espinhos afiados a descerem-lhe pela coluna. Andava elegantemente sobre quatro patas com uma calda comprida a balançar atrás de si. Devia ter o tamanho de um cão grande.
- Oh, isso são só Espinhos de Fogo. Ainda são adolescentes, só há pouco tempo é que começaram a caçar sozinhos – explicou Hagrid docemente, como se tivesse a falar de bebés humanos. Se ainda eram adolescentes e já tinham o tamanho de cães grandes Harry nem queria pensar quando fossem adultos.
- Como… como é que eles foram cá parar? – perguntou numa voz quebrada.
- Eu comprei-os numa feira ilegal.
- Isso quer dizer que a Directora não sabe nada disso – deu um suspiro. – Hagrid, vais arranjar problemas para ti mesmo se alguém descobrir…
- Eu não pude resistir a eles, não é Fang? Ali sozinhos e tudo… – deu uma pancadinha amigável na cabeça do cão que se escondeu debaixo da mesa. – Só que desde que eles chegaram têm ajustado o Fang.
O Fang e qualquer aluno que caminhasse pela floresta.
- Eles parecem perigosos, e se magoam alguém? – Hagrid tinha um recorde de tratar de animais estranhos e pouco amigáveis. No entanto, a seus olhos eram tão inofensivos como uma cria de gato recém-nascido.
- Não te preocupes. Tenho-os bem treinados. Soltei-os ontem à noite na floresta e têm-se portado bem até agora. Aqui vão estar protegidos e ninguém vais os magoar.
E quem vai proteger os alunos?, pensou Harry.
- Obrigada, Hagrid – Harry agradeceu-lhe de todo o coração. – Espero poder ver-te dentro em breve.
Depois de se despedir, fez o trajecto contrário na direcção do castelo. Encontrou Ginny à medida que caminhava pelo corredor principal do andar de baixo.
- Olá, Harry! – cumprimentou-o alegremente. - Posso saber se tens alguma coisa para fazer hoje por volta das oito? Precisava mesmo da tua ajuda, mas se vais estar com o Seamus e o Dean não te chateio mais.
- Às oito vou estar na biblioteca, a estudar para poções – disse Harry. Queria mesmo provar a Snape que era capaz de tirar notas razoáveis. Com todo o tempo livre tinha arrumado bastante espaço para estudar. A sua amizade podia estar a ser prejudicada mas tinha a certeza que pelo menos as suas notas iam melhorar.
Ginny fez uma careta instintiva.
- A sério? Devias arranjar uma namorada… A Anna Williams dos Ravenclaw não me tem deixado de chatear a perguntar se tu estás disponível.
- Não estou interessado em raparigas - Harry corou instantaneamente.
A ruiva olhava-o com um olhar especialmente perspicaz. Fixando-lhe demoradamente.
- Bem, então talvez um rapaz…?
Harry não conseguiu entender se era uma afirmação ou interrogação. Tudo isso lhe deixava muito atarantado. Era difícil conversar sobre este tipo de coisas a qualquer pessoa, principalmente a tua última namorada. Por isso, deixou-se ficar calado, de olhos postos no chão. De repente descobriu o quanto fascinante eram as pedras.
- Queria-te pedir um favor acerca do Ron… - Ginny mudou de assunto.
- Sabes bem que nem o Ron nem a Hermione falam comigo. Por isso duvido que te possa ajudar – respondeu numa voz mais segura. Estava novamente num terreno duro, com os pés assentes num solo conhecido. Desde que não falassem em homens ou em Snape tudo correria bem.
- É exactamente por causa disto – afirmou Ginny, caminhando a seu lado. – Hoje à tarde, das oito às nove, precisava mesmo de um tempo sem que ninguém me incomodasse. Pensei que se talvez eu dissesse ao Ron que ia encontrar-me contigo ele não me chateasse. Já que vocês não têm falado um com o outro, seria mais fácil de ele me acreditar – parou diante dele, tapando-lhe o caminho. – Por favor! – suplicou.
- Está bem! – tentou parecer resoluto. – Nesta hora os Gryffindor estão normalmente na sua sala comum. Duvido que o Ron passe pela biblioteca tão tarde. Mas por favor não te deixes apanhar – pediu.
- Não te preocupes, para onde vou duvido que alguém me encontre – piscou o olho e riu-se alegremente.
Harry não queria realmente saber. A única coisa que se importava era com o facto de não se encontrar com Snape à muito tempo. Sempre que Snape o apanhava na sala de aula humilhava-o e ostracizava-o, parecendo divertir-se sempre enquanto o fazia. Comportava-se de uma forma indiferente, como se não houvesse mais nada entre eles. Por vezes acreditava que as palavras simpáticas de Snape tinham sido apenas uma ilusão.
Era capaz de tudo para ver o Mestre de Poções olhar-lhe com desejo, para sentir-se amado. Não importava que a sua voz fosse dura como as pedras, os seus sorrisos ácidos, não se sentia capaz de voltar a amar alguém daquela forma.
O Professor Binns nem dera pelo facto de ter chegado atrasado. Envolto como estava num amontoado de manuscritos que cheiravam a bolor. As aulas não deixaram de ser realmente chatas, mas sempre aprendeu qualquer coisa pela primeira vez, e foi capaz de rabiscar alguns apontamentos nos seus pergaminhos novos, por usar. O Professor nunca fazia perguntas, apenas discursava na sua voz entediante e peculiar. Só mesmo algumas vezes é que caminha no meio dos alunos, mas nunca parava para ver se realmente o escutavam. Foi capaz de relaxar durante um bom tempo, pelo menos até tocar para o entrevá-lo, e ter de arrumar as suas coisa.
Depois disso teve Encantamentos, e a aula foi realmente fantástica. Aprendeu a criar um feitiço que encheu a sala de música. Foi o primeiro a conseguir fazê-lo e não deixou de se sentir um pouco satisfeito com as tentativas frustradas de Hermione.
Mas foi realmente a aula de Poções que lhe despertou maior alegria. O artigo no Profeta Diário escrito pela Rita Skeeter passara a livro, quando a jornalista recebera toneladas de cartas a pedir por mais. Draco trouxera um dos exemplares para a sala de aula, aberto no capítulo que falava de Harry, e tentara passar-lhe o livro, por entre as gargalhadas desbotadas dos alunos da sua casa. Snape apanhara o exemplar a tentar ser passado e confiscara-o. Harry nunca antes o vira tão zangado com um aluno da sua casa. Fora a primeira vez este ano que tirara pontos aos Slytherin e foi com grande prazer que Harry viu Draco ser expulso da sala de aula.
Quando o fim de tarde se aproximou, envolvendo o sol num manto cor de coral, que se estendia até à linha do horizonte, Harry saiu do refeitório em passos ligeiros e caminhou até à biblioteca.
Estudar demonstrou ser mais difícil do que pensava. As palavras fugiam-lhe da cabeça sempre que tentava fixar o olhar sobre as letras, e parecia que nada se fixava na sua cabeça. Lutou com cada palavra, evitando que as suas pálpebras pesadas se começassem a fechar de sono. Por fim, sempre decorou algumas definições chave, muito mais do que esperava conseguir.
- Falta pouco para a biblioteca fechar – informou laconicamente a bibliotecária, por de trás do seu amontoado de livros.
Harry olhou automaticamente para o relógio. O ponteiro girara até parar na casa das nove e um quarto. A biblioteca fechava daqui a cinco minutos, o tempo necessário para os alunos voltarem aos seus dormitórios.
Dirigiu-se até à estante que ficava engaiolada ao fundo da biblioteca e preparava-se para arrumar os seus livros quando a porta da biblioteca abriu apressadamente.
- Senhora Pince, a minha irmã está aqui? – perguntou-lhe Ron.
Agarrou instintivamente no seu manto da invisibilidade e cobriu-se todo, segurando o seu malão com força até aos seus dedos começarem-lhe a arder.
A esta hora Ginny já devia ter regressado ao dormitório. Não tinham combinado nada, por isso Harry assumia que não era preciso que voltasse acompanhado. Se Ginny já tivesse voltado, tudo o que tinha de se limitar a fazer era regressar. Agora não sabia o que dizer a Ron ou Hermione.
- Aqui só tenho um rapaz. Quase nenhum aluno passa pela biblioteca a estas horas.
- Obrigada na mesma – agradeceu simpaticamente Hermione. – Vamos, Ron.
Antes que Ron e Hermione fechassem a porta atrás de si, Harry esgueirou-se atrás deles, tentando não chamar a atenção. A bibliotecária, absorta nos seus livros, não lhe ligou nenhuma atenção.
Hermione galgou Ron num passo rápido e Harry teve de se por a correr para não os perder de vista.
- Ron – chamou Hermione – é melhor desistirmos. Já procuramos pelo castelo todo, e ninguém parece os ter visto.
- Não se podem ter esfumado no ar. Que andam a fazer a esta hora? – perguntou revoltado, para ninguém em especial. Harry conseguia ver na cara de Hermione que já tinha respondido a esta pergunta centena de vezes.
- Sabes que não sei…
- E se… - Ron pareceu parar para ponderar o que ia dizer a seguir. – Já pensastes se as marcas no pescoço do Harry… foi a Ginny… - balbuciou, incerto do que diria a seguir.
Harry corou instantaneamente e levou a mão ao pescoço. Estavam quase curadas, o que não lhe deixava de causar uma certa aflição. E quando desaparecessem? O último vestígio da última vez.
Como podia Ron ser tão burro? O coração pulou no peito ameaçando rebentar de fúria. Ron não sabia nada, não compreendia nada do que se estava a passar. No entanto andava por ai a fazer acusações infundadas a seu respeito. Havia um buraco negro no seu peito que parecia alimentar-se do seu sofrimento e das palavras cruéis que lhe eram enviadas. A cicatriz na esta não era a única coisa capaz de lhe arder. Por pouco não tirou o manto e mostrou-se. No entanto, decidiu agir de uma forma mais sensata.
- Não acredito que penses isto! – respondeu Hermione chocada.
- Não me digas que nunca tinhas pensado nisso – acusou-a Ron. – O que andam a fazer a esta hora?
Pela forma como Hermione desviou o olhar arrependido, a ideia já lhe tinha passado pela cabeça.
- Também já pensei nisso – confessou. – Mas se o Harry e a Ginny andam a namorar porque não disseram antes? Não é propriamente um grande motivo para guardar segredo. Eles já tinham namorado antes e toda a gente estava admirada, e tudo… por eles não terem reatado o namoro.
- Pode ser que só estejam começado a namorar agora, e que a pessoa que deixou aquelas mordidelas no Harry seja outra – respondeu atabalhoadamente.
- Não me digas que acreditas que o Harry ia andar com uma pessoa para lhe largar um minuto depois pela Ginny – censurou-lhe Hermione, irritadamente.
Desta vez, foi Ron quem teve a decência de corar.
- Tens razão… Não acredito a sério…
Podia ser que Ron não tivesse encontrado Ginny por coincidência, mas conhecendo Ron como o conhecias, o ruivo devia estar obcecado o suficiente para ter varrido o castelo meticulosamente. Ginny devia estar bem escondida. A questão era onde. Podia estar na Sala das Necessidades, se assim o fosse nunca mais poderia encontrara. A única forma de lá entrar era saber como Ginny a imaginara. E ainda existia a Floresta Proibida. Um bom lugar para se ir quando não se quer ser apanhado. Hagrid raramente via alguém atravessá-la no meio da penumbra da noite.
Então estava decidido. Ia procurá-la na Floresta Proibida.
Harry moveu-se silenciosamente por entre os contornos indefinidos de árvores que se erguiam do solo até ao céu, cobrindo-o duma penumbra. À medida que caminhava, a floresta intensificava-se em seu redor. Era incapaz de ver um palmo à frente dos olhos e a geada fresca encharcava-lhe os ossos.
Por mais do que uma vez, quase esbarrou de encontro a um tronco velho e retorcido. Aquelas árvores deviam estar ali plantadas à mais de um século. Isso, contudo, fez-lhe apenas agradecer interiormente por existirem. Pouco mais do que um ténue reflexo do luar era capaz de transpor o seu cume. Com a luz do luar, a céu aberto, seria capaz de ser visto a caminhar.
Por breves momentos, pensou em chamar por Ginny, mas logo apagou esta ideia estúpida da sua cabeça. Podiam existir centauros ali perto. E, agora que não era mais um "potro", duvidava que uma invasão sua fosse bem recebida.
- Devia-mos voltar para o castelo. Não tarda vão dar pela nossa falta, e eu não tenciono passar a tarde toda em detenção com o Professor Snape.
Harry aproximou-se vagarosamente. O instinto e a prudência ditavam-lhe para aguardar uns momentos, por isso deixou-se ficar no escuro para ver quem falava. Julgou reconhecer a voz de alguma parte, mas não importava o quanto remexesse na sua cabeça, não parecia se lembrar.
- Daqui a um pouco – pediu Ginny. – Há tantas coisas que ainda podemos conversar…
Ao lado da ruiva conseguiu distinguir um vulto alto, de costas voltadas. Tinha a pele da cor da meia-noite e os cabelos eram uma corrente escura e revolta. Quando se virou, o coração de Harry parou por um momento. Era Blaise Zabini.
Saiu de trás dos arbustos ainda um pouco atarantado.
- TU ANDAS A NAMORAR COM O BLAISE ZABINI?
- Que te importa tu, Potter? Não tens outras coisas que fazer do que espiar atrás dos arbustos – Blaise olhava-o, desconfiado.
- Blaise! – exclamou Ginny.
- Escuta. A Ginny não é a tua namorada. Não tens nada haver com o assunto.
Como era que a rapariga se atrevera a sair com alguém dos Slytherin? Havia uma regra não falada que punha de parte este tipo de relacionamentos entre as duas casas. Quem a transpor-se, arriscava-se a ser ostracizado pelos colegas. E com certo motivo. Os alunos tinham-se de proteger contra a casa dos Slytherin. Eram perigosos, traiçoeiros…
E no entanto tu fizestes sexo com um, disse a sua consciência.
Claro está que a situação era completamente diferente. Harry sabia o que estava a fazer… Só que provavelmente Ginny diria o mesmo. Quem é que estava a enganar? Seria um hipócrita se a culpasse por isso, sabendo que caso Snape lhe pedisse agora para se pôr de joelhos e tocar-lhe, fá-lo-ia sem reclamar.
Harry dirigiu-se pacientemente para Ginny, com um tom de arrependimento forçado na sua voz. – Bem, têm toda a razão. Nada disto me diz respeito. Se julgas realmente que ele é adequado… - os olhos de Blaise estreitaram-se e desta vez Harry dirigiu-se a Zabini. – Eu não me importo que a Ginny esteja a namorar. De facto, existe outra pessoa de quem gosto. Não tenciono discutir contigo, mas se magoares a Ginny não creio que o Ron fique muito contente.
- Como se o que o Weasley dissesse…
- Sê cortês. Por favor…
- Está bem… - respondeu Blaise, contrariado. – Ouviram alguma coisa? Parecia um rugir…
Da escuridão, apareceu um Espinhos de Fogo, parando alguns metros mais á sua frente. Os seus olhos arregalados, fixavam cada um deles como se fossem presas.
- São Espinhos de Fogo. O Hagrid…
No entanto, não teve tempo de acabar. A criatura gigante saltou, ágil como um gato, na sua direcção, bufando de uma forma grotesca.
- Fujam! – berrou Harry, no meio da confusão.
Infelizmente, cedo se apercebeu que correr talvez não fosse a mulher das ideias. A criatura perseguia-os, quase no seu encalço. Parecia que se tinha sentido ainda mais atraída pela tentativa de fuga, semelhante a um caçador sem fome, que sente o seu desejo atiçar-se, ao ver a sua pressa tentar fugir-lhe.
Zabini puxava a mão de Ginny, arrastando-a atrás de si. No entanto, a rapariga imobilizou-se presa à terra, e lançou o feitiço deprimo.
O Espinho de Fogo abriu a boca grotesca e lançou uma nuvem de fogo na direcção deles. Harry fez os possíveis para se proteger com os braços em frente do rosto.
- Fujam! Eu distraio-os – gritou, o cheiro a queimado amargando-lhe a garganta. -Aguamenti! – ondas de água brotaram da sua varinha, apagando o fogo que se começava a alastrar pela floresta.
Talvez agora fosse uma boa ideia se os centauros aparecessem.
Tinha uma queimadura na palma da mão direita e as pernas dobravam-se de cansaço. Mesmo assim não cedeu, e escondeu-se atrás de um tronco velho. Aguardou, por alguns momentos, imóvel. Um silêncio perturbador alastrava-se pela floresta. As únicas coisas capaz de ouvir eram os sussurros do vento, ecoando entre os ramos despidos.
Deixou-se escorregar lentamente, até cair de joelhos no chão. Os seus pulmões lutavam por ingerir mais ar e as suas mãos picavam-lhe. Tinham adquirido um tom vermelho escuro que se alastrava em forma de mancha até aos seus pulsos. Justo no lugar em que utilizara, como escudo, para proteger a sua cara do fogo.
Não sabia ao certo como tudo tinha terminado daquela forma. Queimado, exausto e assustado. A esta hora, já devia ter regressado ao dormitório. Perguntou-se se os seus colegas teriam notado pela sua falta. Que estupidez! Devia antes ter-se deixado ficar quieto. Ginny já era adulta o suficiente para resolver os seus problemas por si.
Virou-se agilmente na direcção onde Ginny e Zabini tinham desaparecido. Parecia-lhe ter ouvido o barulho de ramos de árvores a quebrarem-se.
- Potter! – a figura lúgubre de Snape emergiu do escuro, caminhando apressadamente na sua direcção.
Harry deixou-se ficar onde estava. Sentado no chão duro de folhas mortas, a pensar se ainda haveria forma de sair dali sem apanhar um castigo severo.
- Que pensas que estás a fazer aqui? – perguntou Snape, retoricamente. – Pusestes toda a gente preocupada com a tua ausência, pensando que tinhas sido raptado. A escola inteira está num alvoraço à tua procura. Mas o santo do Potter não se preocupa com isso. Teve de se armar em herói e ir à procura da sua namorada, em vez de reportar o seu desaparecimento como era seu dever – vociferou com um olhar ameaçador. A sua voz ressaltava como um chicote. Havia desprezo e reprovação estampada nas linhas finas do seu rosto, o suficiente para fazer o coração de Harry doer-lhe, sentindo como se lâminas cravassem-se nele.
- Eu…
- Cala-te, Potter! Eu ainda não acabei – Harry deixou-se ficar imóvel, sentindo raízes crescerem-lhe nos pés. – És um rapaz mimado e arrogante, com a mania de se enfiar em problemas. Eu previno-te. Vou fazer da tua vida um inferno. Vais desejar nunca ter saído daquele castelo. Mostra-me a tua mão direita – ordenou impaciente.
Harry estendeu a mão, mantendo os seus lábios premidos para não dizer nenhuma baboseira. Snape ajoelhou-se a seu lado, e lançou-lhe um feitiço para curar a queimadura, agarrando-lhe o pulso com mais força que o necessário.
O Professor tinha o sobrolho carregado e os lábios crispados. Apesar de tudo isso, os seus olhos mantinham-se frios e vazios, enquanto um Inverno longo perdurava neles. Era como se mesmo depois do seu ataque de fúria gelada, não estivesse mesmo ali. Mas sim num lugar longínquo e resguardado. Um lugar que Harry não conseguia alcançar. E isso magoava-lhe mais que nunca. Mesmo assim, decidiu tentar partir o gelo.
- Ginny não é a minha namorada – declarou, mantendo contacto visual. - Já te disse antes: eu quero-te apenas a ti. Sinto-me menos sozinho sempre que estou contigo a meu lado. Eu sei que é aí que eu devo estar, não importa o que aconteça. Quando eu julguei que fosses morrer… compreendi que de alguma forma não ia conseguir viver sem ti.
- Não sejas tão teatral, Potter, e por favor pare com essa choradeira ridícula – Snape tinha razão, sem se aperceber tinha começado a chorar. – Temos de voltar para o castelo. Que aconteceu à tua mão?
- Nada… Devo-a ter queimado em algum lugar…
Ainda bem que Snape não sabia dos Espinhos de Fogo ou caso contrário o Hagrid estaria metido em sarilhos.
O Mestre de Poções pareceu aperceber-se que segurava a mão de Harry o tempo inteiro. No lugar onde os seus dedos tocavam-se, sentiu uma faísca quente. A sensação era óptima. Queria continuar de mãos dadas.
Snape, no entanto, parecia não concordar. Foi quase arrastado por ele, numa tentativa de ele obrigar-lhe a pôr-se de pé. Mesmo assim, deixou-se ficar ajoelhado no chão.
- Que foi agora? – perguntou Snape exasperado. – Quanto mais cedo regressarmos, melhor.
- Eu queria ficar um pouco aqui – pediu-lhe Harry numa voz fraca.
- Não sei se te apercebestes, mas existe um motivo pela qual esta floresta é chamada de "Floresta Proibida" à mais de um século – escarneceu. - Esperas que eu volte ao castelo e te deixes aqui, no meio de animais perigosos, para seres morto e eu ter de tomar responsabilidades pela tua desobediência?
- Na realidade eu estava contando que ficasses comigo… Sinto saudades tuas. Raramente nos vemos e eu dou comigo à espera que a próxima aula de Poções chegue. E quando chega a hora, tu humilhas-lhe sempre, e ignoras-me como se nada se tivesse passado entre nós. Queria ter a oportunidade de passar um pouco de tempo contigo.
- Para isso tens as aulas de Oclumância.
- Não são suficientes…
Ele gostava de acreditar que Snape também aguardava ansiosamente pelas próximas aulas de Oclumância. Talvez fosse por causa disto que as tivesse começado a dar... Harry afastou este tipo de pensamentos. Snape não era como ele.
- Tens cinco minutos, nada mais. Se não arrasto-te de volta para o castelo. Posso saber o quê que tencionas fazer para ocupar estes minutos? – Snape ajoelhou-se a seu lado sem esperar por uma resposta.
O grifinório olhava-o nos olhos fixamente, com fascínio. Parecia que o Professor tinha acordado de um sono profundo.
Snape levou os dedos de Harry aos lábios, humedecendo-os levemente. Prosseguiu, mediante a sua surpresa, e abriu a boca para lambê-los, suavemente, deixando um traço de saliva para trás. Passado pouco tempo, abriu a boca fina, começando desta vez a sugar os seus dedos lentamente e com suavidade.
Sentiu o seu coração parar por momentos e um estranho nó apertar-lhe a garganta, sufocando-o. Tremeu involuntariamente de desejo. Desejo por aquele homem que era capaz de o pôr cheio de tesão.
Quando o Professor parou, Harry deitou-se sobre o manto de relva húmida e conduziu a mão do outro até ao seu coração, deixando-a descansar lá. Premida entre os seus dedos finos. Eram muito mais pequenos do que os dele.
Não passava dum rapaz amadurecido pelo tempo. Mas mesmo assim um rapaz. Embora tivesse dezoito, o seu corpo nem ela de todo um dum homem. E isso envergonhava-o. Poderia ser olhado pelo homem à sua frente com prazer enquanto era tão jovem? Era tão escanzelado, ao passo que Snape era um homem experienciado e muito mais corpulento.
Snape pareceu perceber o que ele queria. Deitou-se sobre o corpo de Harry e tocou suavemente no seu rosto. Percorria-lhe com os seus dígitos, como se o quisesse decorar por inteiro.
Havia ainda um pequeno traço de lágrimas que transbordava suavemente pelas bordas dos seus olhos. Snape enxugou-as com os seus próprios dedos, continuando logo a seguir os traços do seu rosto, parando nos seus lábios. A língua de Harry lambeu os dedos de Snape sensualmente, humedecendo-os. Ou pelo menos era isso que tencionava fazer, caso não se sentisse tão nervoso pela presença do homem mais experiente em cima de si.
Capturou Snape num abraço. As suas mãos seguravam-lhe as costas, tentando-o puxar o máximo possível para si. Daquela distância conseguia sentir o cheiro a poções acabadas de fazer. Desceu os seus dedos sobre a coluna até chegar às coxas e apertou-as com forças, cravando as suas unhas na pele fria por debaixo da roupa.
Snape silvou levemente.
- És demasiado parecido com o teu pai – sussurrou num tom de reprovação. No entanto, os seus olhos estavam carregados do que parecia ser desejo. Era demasiado difícil de sabê-lo. Por experiência própria, cedo se apercebera que qualquer tentativa de interpretar Snape podia se tornar um fiasco. Ele era bem capaz de esconder emoções fortes quando o queria, por de trás de um rosto esculpido em gelo.
- Também amavas o meu pai? – um leve sorriso preguiçoso espalhou-se pelo seu rosto.
- Não sejas insolente! – exclamou entre dentes. – Sempre odiei o teu pai, mas o teu rosto é de alguma forma mais tolerável.
Sabia que isso era o mais próximo que ia receber de "Tu és lindo!". Pelo menos era isso que ouviu na sua cabeça. Não pode evitar que um sorriso tonto lhe escapasse dos seus lábios.
- Ainda bem, quero-te só para mim – arquejou o corpo fazendo com que a sua erecção roçasse com a de Snape. O pénis do outro estava tão próximo do buraco do seu ânus…
- Potter, tu és um aborrecimento. Capaz de me fazer esquecer do meu dever… – Snape afoitou um gemido curto que saiu dos lábios do rapaz ao roçar novamente com o seu pénis pela entrada dele. – Não consigo tirar-te da minha cabeça.
- POTTER! – ouviu-se um berro ecoar por de trás do maciço de árvores.
Snape levantou-se rapidamente, deixando Harry atarantado. O seu pénis ainda dardejava, animado pelos eventos anteriores. Desta vez, quando Snape lhe puxou o braço com as suas garras, não resistiu. Deixou-se ser arrastado até ficar de pé.
Quando Miller emergiu por entre as árvores, acompanhada por Ginny e Zabini, que a seguiam contrariados, Harry ainda teve tempo de endireitar as dobras da sua camisa e de sacudir a terra acumulada. Snape a seu lado vestira um ar de indiferencia, comummente encontrada no seu rosto magro.
- Potter! – exclamou Miller, contrariada. – Andei à tua procura por toda a parte. Que vos deu a cabeça? Valha-me deus, fugirem a meio da noite para a Floresta Proibida… Onde já se viu… Pensava que tinhas mais inteligência na cabeça. Mesmo depois de tudo o que te aconteceu…
- Obviamente não conheces o Potter como eu. Gosta de chamar a atenção, e pensa que as regras só devem ser aplicadas aos comuns dos mortais – disse Snape, com hostilidade.
Era como se o momento mágico que tinham tido à pouco não tivesse, de facto, acontecido. O seu rosto apagado não dava sinais de reconhecer Harry como mais do que um aluno que antipatizava ferozmente.
Tremeu involuntariamente, colando os olhos ao chão. Esperava que os outros não notassem a sua erecção pressionada de encontro às calças.
- Não foi sua culpa! – defendeu-o Ginny, trémula. – O Harry só nos queria ajudar…
- Silêncio! – pediu Miller. Não à desculpa para este tipo de comportamento. Tinha preparado um castigo para vocês os dois, mas tenho estado muito ocupada por isso tenho-o estado a adiar. Pensei também que precisavas de um pouco de descanso, Potter – disse a última frase marcando-lhe nos olhos. – Aparentemente estava esganada, e já estiveste descanso que segue.
- Se tens estado muito ocupada eu posso encarregar-me de dar um castigo adequado ao Potter… - interveio Snape, mordazmente.
- Não é preciso. Se ainda me lembro, devem ser os chefes das próprias casas a administrar um castigo adequado neste tipo de situações – respondeu-lhe Miller com falsa suavidade.
- Eu teria sido menos brando com eles. Acho por bem que os alunos a meu cargo sejam disciplinados na hora – criticou Snape, polidamente.
Isso era injusto! Snape daria um castigo leve a Zabini. Todos sabiam que era demasiado brando com a sua casa comparativamente às outras três. Em boa verdade preferia passar mais uma detenção com Snape. Tinham tão pouco tempo para se ver… E embora a voz de Snape, por vezes, estalasse afiada como um chicote, Harry não podia deixar de antecipar o próximo momento que se encontrassem.
- Muito bem! Ambos vão ter de aparecer no meu gabinete no primeiro intervalo de amanhã para que eu voz acompanhe ao vosso castigo e me certifique que ficam a ser observados…
- O quê que vamos ter de fazer? – perguntou-lhe Ginny.
Zabini remexeu-se a seu lado. Ele preferia passar o castigo com Ginny, mas não ia ter sorte, pensou com um prazer mórbido. Se não podia passar o seu castigo com Snape, Blaise também não tinha o direito de passa-lo com a sua namorada.
- Vão ter de lavar todas as casas de banho do castelo sem magia – frisou o sem magia. – A Weasley vai ficar encarregada das casas de banho femininas, enquanto o Potter fica com as masculinas. Por isso nada de perder tempo a conversar um com o outro. Depois disso vão ajudar com as decorações de Natal, mas falamos mais disso depois de acabarem a vossa primeira tarefa.
Aquele castigo duplo era bem pior do que estava à espera. Estava habituado a lavar as casas de banho dos Dursley sem qualquer tipo de magia, mas eram apenas duas.
Depois disso, voltaram para o castelo em silêncio. Harry ouviu o Mestre de Poções falar com Blaise Zabini, mas nunca soube qual ia ser o castigo que o rapaz ia apanhar.
Estava exausto quando entrou na Sala Comum com Ginny. Hermione e Ron esperavam-nos, sentados nos cadeirões em frente à lareira.
- Que se passou? Está tudo bem contigo, Ginny? - Inquiriu Ron, levantando-se sobressaltado.
- Não tens nada a ver com isso! Enfiaste-nos em problemas – exclamou Ginny. Correndo em direcção ao dormitório feminino.
- Que tem ela?
Harry deu de ombros e passou pelos dois, apressado.
Antes de adormecer, fixou o dossel da sua cama demoradamente, pensando em Snape. Não conseguia tirar da sua memória os acontecimentos passados. Não importava o quanto o desejasse. O Professor dissera-lhe que também não o conseguia tirar da cabeça. Nunca ninguém lhe tinha dito isso antes. Por momentos fugazes, pensou em ir bater à porta do gabinete do Professor.
Adormeceu passados alguns minutos, e embora não se recordasse o quê que tinha sonhado, sabia que devia ter sido com algo mesmo bom, por que no dia seguinte acordou, sentindo-se mais feliz que nunca.
FIM
Deixem um review por favor. Se não tiverem tempo basta um smile.
N/A: Considerem este capítulo um presente de fim de ano adiantado.
Mr. Rickman: Obrigada por todos os comentários e espero que aches que este capítulo tenha saído mais rápido. Pelo menos pareceu-me mais rápido, mas eu tenho tendência a perder-me no tempo enquanto escrevo. Acredito sim, que uma parte de Snape quer inventar desculpas para passar mais algum tempo com Harry. Harry pondera isso nesse capítulo, e no capítulo oito e nove vamos mesmo saber um pouco mais de quais eram as suas intenções ao pedir para Harry ter lições extra com ele.
Nan3da: O meu Português é sim de Portugal, mesmo sabendo que a maior parte dos Brasileiros é que vão ler. Em Portugal traduziu-se menos as palavras de forma a ficar mais parecidas com o inglês. Por exemplo, os nomes do Ron e da Ginny ficaram iguaizinhos aos em Inglês. Espero que não seja muito difícil de entender… Li muitas mais fanfictions em português do Brasil e entendi bem. Por vez até penso em escrever uma expressão mais brasileira. Estou habituada a ver "menino" a ser utilizado muitas vezes e em português só usasse isso mesmo para uma criança.
Obrigada a todos os outros. Principalmente a Dels que comentou no último capítulo.
