A Poção do Amor: Toques de Veludo
"It's not me that you love
You woke up cold this morning
Shied away from my touch
I would never mean to hurt you
Cause I love you so much
Was it always only one night
That you every wanted from me?
It's not me that you love"
-Snow Patrol "One Night Is Not Enough"
O tempo tinha passado, e com ele o mês de Dezembro chegara apressadamente, sem Harry dar por nada. O castigo de Miller tinha provado ser um verdadeiro inferno. Ainda só tinha conseguido limpar cinco casas de banho, e as suas mãos cálidas ardiam-lhe, com crostas brotando-lhe pela sua pele, graças ao desinfectante demasiado potente que lhe tinha sido entregue. Doía-lhe agarrar o cabo da vassoura, e depois disso Harry não tinha mais vontade de ver na sua vida inteira qualquer produto de limpeza. O castelo era demasiado grande, e ainda lhe faltava mais quatro casas de banho antes de ter de enfeitar a escola para o Natal que se avizinhava.
A Miller, quando vira as suas mãos feridas, dissera-lhe para pedir um unguento a Snape, agora que a Pomfrey estava tão atarefada com alunos engripados e com entorses. Naquela época do ano, quando o manto de erva se estendia sobre o campo de Quidditch todo enlameado, era fácil para os alunos que praticassem sofressem algumas lesões.
Harry, no entanto, não dissera nada a Snape. O Mestre de Poções tinha tentado ignorar-lhe o mais que pode depois do acidente na Floresta Proibida. Provavelmente devia sentir-se como se tivesse atravessado uma linha invisível naquela altura, induzindo-o a retrair-se ainda mais para dentro da sua concha. Nada disso lhe agradava. Tinha trabalhado todo este tempo com Snape, para ser capaz de ver nem que seja um vislumbre da sua outra parte, mas tudo isso era como atravessar uma pequena estrada de terra batida que serpenteia selvagemmente, desaparecendo para logo se encontrar o trilho mais à frente. No fundo, sentia que era demasiado fácil voltar ao início com ele.
Nas aulas de Poções, era rara a vez que o Professor lhe fazia comentários maliciosos, e Harry não aprovava a mudança brusca. Agora o único tempo que tinham para passar juntos era nas aulas de Oclumância. E o Professor mantinha-se sempre distante e imperturbável. Estava a dar com Harry em doido!
Quando Snape passava junto dele, quase perdia controlo dos seus actos, e sentia vontade de lhe apertar de encontro ao peito, cheirando o aroma nítido a poções, que se aderia às suas roupas enquanto o seu próprio coração batia descompassado.
Há noite, era o nome dele que morria-lhe nos lábios, enquanto encostava o rosto ao travesseiro, para que ninguém lhe ouvisse a chamar pelo seu nome com as calças desapertadas, e uma mão presa em redor dos contornos do tecido fino. Naquelas alturas tentava imaginar que era ele a lhe tocar, mas nunca tocava-se por debaixo das cuecas, guardava este direito para a próxima vez que Snape lhe tomasse. Porque tinha que haver uma próxima vez.
Harry levou o cálice de sumo de abóbora aos lábios, bebendo distraidamente, enquanto observava disfarçadamente o Professor de Poções a levantar-se da mesa e a abandonar o grande salão em passadas largas. Foi por pouco que se conteve de não o seguir, tal era a urgência que o instigava a tocar-lhe demoradamente.
A maior parte dos alunos já tinham abandonado o Grande Salão, por isso mesmo Harry tinha acabado de levantar-se, quando uma rapariga magra de cabelos cor de palha entrelaçados em madeixas finas bloqueou-lhe o caminho com um ar embaraçado.
- Podemos falar em privado? – perguntou-lhe, indecisa. – Espero não te estar a interromper num momento importante.
Deixou-se ficar, atarantado. Era como se tivesse levado com um balde de água fresca na cara. Sentia-se finalmente a acordar do seu estupor, e os seus pensamentos todos voltaram-se para a linda rapariga à sua frente. Reparou que nos seus olhos amendoados pareciam reflectir toda a luz do sol só para si, como se o sol irradiasse deles. Tinha também um rosto pontiagudo em forma de coração, com os lábios carnudos ligeiramente aberto, semelhantes a duas pétalas de rosa. Porque nunca tinha reparado nela antes?
- Claro! – exclamou, obedientemente. – Sinto-me como se já te conhecesse à décadas. - Era verdade. - Era capaz de dedicar cada minuto da minha vida para fazer-te feliz – confessou atabalhoadamente.
Na sua cabeça um sino estranho tocou em aviso. Só conhecia esta rapariga à menos de cinco minutos e já se sentia loucamente apaixonado por ela. No entanto, sentia que a força dos seus sentimentos comprovavam a urgência de não a deixar ir.
Como que ouvindo os seus pensamentos, a rapariga agarrou-lhe pelo braço e arrastou-o para fora do Salão. Não era preciso ser instigado a caminhar. Era capaz de a seguir para qualquer parte do mundo!
Conseguia ver claramente os olhos desconfiados de Hermione a seguirem-no com o olhar. Fez os possíveis por a ignorar.
- A sério? Eu também me sinto assim. – A rapariga corou, desconfortavelmente. Transportava um olhar de pura adoração, e Harry retribui-o com igual fervor.
- Como é que te chamas? – perguntou Harry.
Não sabia nada dela, parecia quase impossível sentir-se tão obcecado com alguém que conhecera à tão pouco tempo. Mas isso era o que ele precisava… De esquecer Snape, apagá-lo da sua mente, e substitui-lo por uma figura feminina muito mais agradável. Alguém doce e simpático que fosse capaz de amá-lo sem impor-lhe barreiras. Até agora nada disso tinha resultado, mas sabia que desta vez tudo ia ser diferente.
- Chamo-me Mary.
Subiram juntos a fileira de degraus de pedra até chegarem ao andar de cima. Os longos corredores eram enfeitados por armaduras de placas de metal grosso que ostentavam um olhar sombrio.
Mary parou uns metros mais à frente, quando viu que o corredor estava deserto, e virou-se na sua direcção. Harry conseguiu perceber-se que estava nervosa. Achava simplesmente adorável o seu tique de enrolar as madeixas do cabelo entre os dedos.
A rapariga com olhos cor de amêndoa inclinou-se sobre a janela em forma de arco e respirou a brisa fria da manhã.
- Não é tão lindo?
A Torre dos Ravenclaw erguia-se a oeste majestosamente, rasgando o céu em dois. Lá em baixo, a neve salpicava os pratos, acumulando-se de forma a moldar pequenos montículos de neve que se estendiam como um manto prateado. Esta devia ser a primeira neve deste Inverno. Estava tudo tão frio e húmido e Harry sentiu-se feliz por se encontrar acolchoado dentro dos seus agasalhos. Dentro em breve, a neve seria suficiente para os alunos mais novos fazerem bonecos de neve e enviarem bolas de neve uns aos outros.
Sentia falta da sua inocência de infância. Não que a tivesse realmente em abundância, pelo contrário, mas mesmo assim tinha falta dela. Quando ainda nunca vira realmente ninguém a morrer. Naquela altura, acreditara que os maltratos dos Tios eram o pior que podia sofrer. Não havia Voldemort nem Devoradores da Morte. Nem mesmo conhecia o significado de ocultar os seus desejos dos olhares dos outros, porque sabia que seria humilhado. Talvez também por não ter realmente nenhum amigo. Hermione e Ron… só agora se apercebeu como sentia falta deles. Embora se Mary lhe pedisse para não falar mais com eles nunca mais lhes dirigia a palavra. Não havia nada que não fizesse por ela.
- Nada disso se compara à tua beleza. – Era verdade, podia ficar todo o dia a olhar para o seu rosto que seria feliz para o resto da vida.
- Obrigada! Eu… eu sou dos Gryffindor, não sei se te lembras de mim… Ando no mesmo ano que tu.
- Não sei como fui capaz de não te notar até agora. Não existe nenhuma rapariga que te iguale.
- Oh! – respondeu a rapariga desapontamento. O coração de Harry rasgou-se em dois. – Não faz mal… De qualquer forma sou um ano mais nova que tu. Se não tivesses repetido o ano nunca nos teríamos conhecido.
- Eu ter-te-ia encontrado de qualquer forma – respondeu Harry com uma convicção crescentes. Estavam unidos por laços mais fortes que o destino.
Era estranho como a sua cabeça parecia tão leve e nublada. Havia qualquer coisa de errado ali. Mas, de alguma forma, não era capaz de perceber o quê. A imagem de Snape acudiu-lhe à mente. Com o cenho franzido e os lábios descarnados a olhá-lo por de trás de um uma espessa camada de neblina.
- Eu… eu amo-te… - confessou Mary, corando até à ponta dos cabelos.
Harry respondeu-lhe com um beijo demorado na boca. Quando se separaram ambos estavam bastante ruborizados.
- Eu também te amo. Não percebo como fui capaz de viver sem ti.
- A sério!? – perguntou-lhe, espantada. – Não vais mesmo mudar de opinião, não importa o que aconteça?
- Juro-te – prometeu Harry veemente.
Caminharam até à sala de Poções, conversando animadamente. Pela primeira vez em algum tempo, Harry sentiu que podia soltar a sua língua sem ter nada que se preocupar. O vulto negro, com a forma semelhante à de um morcego, finalmente deixara a sua memória em paz.
Quando chegaram à sala, a maior parte dos alunos já tinha ocupado os seus lugares e o Professor mantinha-se em pé, em frente às secretárias dos alunos com a varinha empunhada no ar. No entanto, a porta ainda estava aberta, para um pequeno grupo de alunos que ainda não tinha chegado.
Inclinou-se sobre Mary e deu-lhe um último beijo, puxando a cascata de cabelos entrançados que escorregava sobre o seu rosto para trás da sua orelha pequena.
Harry sentia que os olhos de todos os alunos estavam postos nele. Os olhos de Ron pareciam duas bolas de bilhar de tanto abertos que estavam, e Hermione tapou a boca para evitar que um "oh" lhe escapa-se. Mas naquele momento, nada disso importava para além da sensação dos lábios femininos nos seus.
De repente, as garras de Snape desceram sobre o seu braço e afastaram-no de Mary, arrastando-o para dentro da sala de aula. Porque Snape tinha de estar sempre zangado?
- Vinte pontos a menos para os Gryffindor, por conduta indecente fora da sala de aula. Parece-me que este ano os alunos dos Gryffindor vão estar em último lugar – disse Snape, com os olhos a resplandecerem de fúria primitiva. As palavras que saiam da sua língua cortavam o ar como gelo. Estava tudo mal, o seu sorriso torto não estava no seu rosto enquanto escarnecia dele. Por momentos, foi capaz de captar um olhar carregado de ódio, até desaparecer por de trás de uma máscara de indiferença. - Se já acabastes de tentar chamar a atenção, sugiro que te sentes no teu lugar, Potter.
Harry, no entanto não lhe ouviu. A única coisa que era capaz de ver era o rosto nervoso de Mary, que tinha-se sentado na fila ao fundo. Fez menção de segui-la, mas a voz gutural de Snape irrompeu por de trás dele.
- És surdo, Potter? Disse-te para te sentares no teu lugar.
- Prefiro sentar-me aqui – respondeu Harry bruscamente, sem hesitar. Havia algo nele que estava a fazer-lhe esquecer o som dos alarmes que tocavam em sinal de aviso na sua cabeça.
- Infelizmente aqui sentas-te onde eu quero. Talvez um dia possas fazer o que quiseres, mas esse dia ainda não chegou – retorquiu Snape acidamente, avançando alguns passos na sua direcção. Ainda empunhava a varinha na sua mão, como se o quisesse atingir com uma maldição de tortura. – Esta aula não é uma passagem de modelos para deambulares de um canto para o outro, embora a tua inteligência seja de tal modo insignificante e escassa que talvez modelo fosse a profissão mais adequada para ti. – Algures no fundo da sala, um grupo de alunos soltou umas risadinhas abafadas. - Julgas que és alguém especial? Pois deixa que te diga, não passas de um incompetente desobediente – disse Snape odiosamente, derramando gelo do seu olhar até à temperatura da sala reduzir-se ao zero.
As palavras de Snape ressaltavam no seu ouvido, e por algum motivo desta vez eram incapazes de atingir a sua mente. Parecia que vinham de muito longe, e eram difíceis de escutar. A única ideia fixa que era capaz de permanecer colada à sua cabeça era a de abraçar a rapariga ruiva e beijá-la.
Harry finalmente se sentou com desagrado, mesmo assim não deixou de lançar um último a olhar a Mary que lhe esboçou um leve sorriso. Era o sorriso mais belo que alguma vez vira. Porque não podia ficar com ela?
- Que se passa contigo? – perguntou Ron, surpreendido.
- Que te interessa? – respondeu com brusquidão.
Durante os próximos minutos, concentrar-se provou ser uma tarefa muito mais difícil do que esperava. Uma estranha força atraia-o na direcção de Mary e foi preciso todo o seu esforço para não se mover.
Snape finalmente mandou-lhes buscar o material. Antes que Harry pudesse evitar, caminhou na direcção contrária, sentindo-se compelido por uma corrente mágica que o impelia a aproximar-se de Mary.
- POTTER! Que julgas que estás a fazer? Dei-te uma ordem clara: ir buscar os materiais necessários para formular uma Poção da Memória adequada. Será assim tão difícil ou és surdo? Deixa a Carson em paz ou expulso-vos aos dois se não conseguem ficar quietos por uma hora – cuspiu venenosamente. Hoje Snape parecia com pior humor.
- Quem é a Carson? – perguntou Harry, estupidamente.
- Mary Carson, este nome não te faz lembrar nada? – perguntou Snape exasperado. – É bom saber que o amor hoje em dia dura para sempre – ironizou. Vários Slytherin desataram às gargalhadas.
- Tu tens mas é inveja de eu amá-la – gritou-lhe enraivecido.
O Mestre de Poções parou, momentaneamente espantado. Havia sim, raiva no seu olhar, mas já não era dirigida para ele. Virou-se bruscamente na direcção de Mary.
- Deste-lhe a Poção do Amor para ele beber, sua rapariga idiota! – exclamou gravemente, Snape. Não era uma pergunta, era uma afirmação. Mesmo assim a rapariga tentou responder, balbuciando:
- Não é verdade eu… eu… - Parecia que a voz lhe tinha morrido na garganta perante a expressão de fúria de Snape.
- Vinte pontos a menos para os Gryffindor pela tua incompetência. Não se esqueçam a quem devem agradecer por isso.
- Eu não fiz por mal! Só pensei que se desse uma ajuda inicialmente ele… ele podia amar-me.
- Como te atrevestes! – exclamou Hermione chocada. – Que maldade!
As lágrimas subiram-lhe aos olhos, e Harry pensou em dirigir-se na sua direcção e aninhá-la nos seus braços, mas Snape mantinha-o preso.
- E tu fica onde estás – ordenou Snape, dirigindo-se a Harry.
- Guardem os materiais novamente… - disse Snape, continuando aparentemente alheio aos sorrisos atónicos. – Preciso de regressar ao meu gabinete para prepara um antídoto adequado ao Potter. O último recipiente que eu tinha em minha posse foi gasto o mês passado com um aluno dos Slytherin, por esta época do ano os alunos têm tendência a encomendar este tipo de poções absurdas. – Lançou um olhar de censura a cada um, demorou-se mais em Ron. Toda a gente sabia que este tipo de Poções vinha da loja do seu irmão mais velho.
- Não podíamos esperar aqui? – interrogou-se uma aluna dos Slytherin inocentemente, recebendo um olhar de rancor por parte de todos os colegas. – Quer dizer, não deve demorar assim tanto…
- Para que a poção seja adequadamente completa vou precisar de pelo menos meia hora, e não vejo o sentido em mantê-los aqui a destruir a minha sala de aula. O Longbottom já danifica caldeirões em número suficiente na minha presença. Saiam todos, menos a Menina Carson.
Os alunos levantaram-se rapidamente, fazendo os possíveis para sair o mais rápido possível, antes que o Professor mudasse de ideias. Ron e Hermione lançaram-lhe um olhar de pena que não foi capaz de compreender. Acabara de conhecer a rapariga mais linda do mundo. Porque haveriam de sentir pena dele?
Snape virou-se automaticamente para Mary Carson.
- Ainda não acabei contigo, rapariga tonta. A Directora saberá do ocorrido e é possível que sejas expulsa, atendendo aos problemas que já causastes o ano passado – declarou Snape, mordazmente, sentindo um prazer por infligir dor aquela rapariga que de repente parecia tão pequena, vergada pelo peso dos seus erros.
Snape obrigou Harry a segui-lo por uma escada estreita de pedra, passando por uma mão de tochas acesas a cheirar a óleo queimado, até chegarem ao calabouço.
Harry quis dizer alguma coisa, antes de entrarem no escritório de Snape, mas acabou por engolir as suas palavras que pareciam estar presas à garganta. Tentou aclarar a boca sem resultado. Sentia-se de alguma forma culpado, o pior é que não sabia de quê. Que tinha feito de mal? Era natural estar-se apaixonado e…
A porta abriu-se com brusquidão, cortando a sua linha de pensamentos, e Harry foi obrigado a entrar naquele ambiente desolador. A lareira estava apagada, causando um aspecto mais macabro ao resto da sala. Um pequeno feixe de luz tremeluzente atravessava o quarto obliquamente, pintando sombras móveis na parede.
- Senta-te – ordenou Snape mais uma vez. Harry sentou-se, algo nervoso, em frente à secretária de Snape, lembrando-se de outra vez em que se sentara neste mesmo lugar e em que tudo mudara.
Daquela distância, era bem capaz de ouvir o barulho de frascos a retinirem e líquidos a serem vertidos dentro de um caldeirão fumegante. Chegou-lhe um cheiro amargo que fez com que lágrimas subissem aos seus olhos.
- Posso ver a Mary, senhor? – Talvez se fosse bem-educado Snape deixasse-lhe sair desta alhada. – Não fiz nada de mal…
- CALA-TE! – interrompeu-o Snape, bruscamente. – Preciso de concentração, e o barulho da tua voz incomoda-me.
Snape pousou o manto sobre o sofá, que ficava frente à lareira, e deslocou-se novamente na direcção do caldeirão, derramando um líquido prateado no seu interior, enquanto abanava levemente a varinha para dar fervura. Bolhas grosas formavam-se por entre a mistura, irrompendo passado alguns segundos. Havia uma fina veia que marcava a testa do professor em sinal de concentração evidente.
Tudo naquela sala era escuridão derramada por cima do chão de pedra dura. Até mesmo os cabelos escorridos de Snape espalhavam-se por cima do seu rosto. Talvez com o mesmo pensamento do menino a passar-lhe pela cabeça, porque nem Snape via tão bem no escuro, acendeu um candelabro e poisou-o em cima da mesa. A luz difundia-se no escuro.
Não soube ao certo quanto tempo passou, só soube que passado algum tempo Snape reemergiu das trevas, com os olhos negros a perfurarem-no por inteiro. Trazia consigo um frasco com um líquido azul preso entre longos dedos brancos e esguios.
- Bebe tudo e dentro em breve estarás a sentir-te… melhor…
Harry não protestou. Sabia que o Mestre de Poções parecia ainda zangado com qualquer coisa, embora para falar a verdade, sentia-se perfeitamente bem consigo mesmo.
Engoliu o conteúdo de uma só vez, sem presta muita atenção ao sabor amargo que lhe ficou na boca. Pouco a pouco sentiu-se a voltar ao normal. Preso durante demasiado tempo em teias tecidas de ilusões, que se desmoronaram assim que o líquido fez efeito.
Porra! Que tinha feito ele? Embaraçando-se diante de Snape e da turma inteira. Provavelmente ele nunca mais ia querer olhá-lo no rosto.
Recordar-se das palavras declamadas àquela rapariga eram suficientes para queimarem-lhe o rosto de raiva e vergonha. Não a amava, nunca tinha gostado dela, de facto não a conhecia de lado nenhum. A sua cabeleira era demasiado clara, demasiado comprida, os seus olhos não eram escuros como azeviche e o seu corpo não era… masculino. Nada parecido com o de Snape. Como poderia ele te sido tão estúpido? Gostava de acreditar que este tipos de poções não tinham qualquer efeito sobre ele, no entanto… Mesmo assim sabia que tudo aquilo não era amor. Era uma obsessão artificial, pouco natural, mas ainda assim não se deixou de desprezar por isso.
Snape virou-se para ele com os olhos a brilharem de raiva.
- Como te atrevestes, a humilhar-me daquela forma diante da turma inteira? Provavelmente já estão, a esta hora, a espalhar rumores à escola inteira – sentenciou Snape, mordazmente.
- Rumores?
- Sim, rumores! Podias ter ficado calado, mas tivestes de declarar a plenos pulmões o quanto invejoso eu era da tua relação disfuncional com aquela rapariga tonta.
- Falas como se fosse culpa minha. Eu nunca quis que isso acontecesse - disse Harry, evitando olhá-lo nos olhos. Quando Snape não respondeu, Harry acrescentou:
- Tens de acreditar em mim! Eu…
- Tu o quê, Potter? Esqueceste-te que és meu por direito?
Harry estremeceu. As palavras duras de Snape ressaltavam em seus ouvidos. A expressão intimidadora no rosto dele era suficiente para calar quais queres comentários de indignação.
Ele estava falar mesmo a sério.
Abriu a boca para gritar quando Snape lhe empurrou de encontro à parede dura. As costas dele estalaram de dor, e algures no meio de toda esta confusão, os seus óculos caíram no chão com um barulho distinto de algo a ser quebrado.
Lutou para soltar-se, no entanto, Snape mantinha os seus pulsos agarrados com uma força impressionante e todas as tentativas de se soltar foram frustradas. Esbracejou o mais que pode, pontapeando o outro entre as pernas, enquanto gritava o mais alto possível. Não se importava se a escola inteira o escuta-se.
- Larga-me, deixa-me ir… Eu não fiz nada de mal…
- Não serve de nada gritares, lancei um feitiço silenciador já algum tempo. Ninguém te vai ouvir.
- Que fiz eu? Não queria beber aquela poção…
- Não querias? – repetiu Snape mecanicamente. – NÃO QUERO SABER DAQUILO QUE TU QUERES OU NÃO! Pertences-me desde a primeira vez que te toquei, e eu não vou permitir que seja uma rapariginha qualquer a acabar com isso. Não tinhas autorização para tocá-la – gritou Snape irracionalmente. Qualquer coisa havia quebrado em Snape, a determinação para se manter calmo e agir razoavelmente fugira-lhe da mente à medida que deixava transparecer os seus pensamentos escondidos. Parecia louco, as pupilas dilatas revirando-se, enquanto o seu nariz quase lhe roçava na pele, provocando um estranho formigueiro. – Os teus lábios são meus, o teu pénis é meu, o teu corpo inteiro pertence-me.
- Se os meus lábios te pertencem então porquê que nunca os usastes? – explodiu amargamente. - Nunca sequer me beijastes.
- Não importa se não os uso, não deixam de ser meus! Ainda consigo ver as marcas que te fiz no pescoço. Nem esperastes que desaparecessem por inteiro.
- Sabes muito bem que eu não sabia que ia ficar desse jeito. Tenho-te a ti e nunca quis mais ninguém desde o dia… - Hesitou, corando novamente. Se ao menos as mãos de Snape afrouxassem um pouco… O seu corpo estava a corresponder de uma forma inteiramente indesejável para aquela situação. Talvez fosse um masoquista. Tinha a certeza que dentro em breve Snape iria sentir o seu pénis pressionado de encontro às suas coxas. - … em que eu perdi a… o dia em que te toquei pela primeira vez.
As sobranceiras finas de Snape uniram-se num trajecto desdenhoso.
- A Poção do amor pode ser distinguida pelo seu sabor particular a hortelã-pimenta e a espinhos de rosa. A menos que o preparo seja feito por mãos invulgarmente talentosas, e não comprado numa loja em segunda mão qualquer, ou feita por uma rapariga que já chumbou dois anos a Poções. Relembra-me, Potter, se eu estiver enganado, mas parece-me que já te tinha dito isso no quarto ano quando demos a Poções do Amor. Se passasses menos tempo a tentares-te enfiar em sarilhos e mais em escutares a matéria saberias disso. Mas ouvir as aulas de Poções não é um bom modo de empreender o seu tempo para o Escolhido.
Tudo o que foi capaz de fazer foi protestar debilmente como um idiota. Ele não lhe queria ouvir naquele momento, apercebeu-se, queria apenas torturá-lo pelos ciúmes que sentira ao vê-lo beijando aquela rapariga.
Ao ver a linha fina dos lábios de Snape projectar-se num sorriso cruel, teve medo e… o que era mais aquilo?
Harry tentou evitar o mais possível o contacto com o corpo de Snape. Se pudesse esfumar-se de encontro à parede fá-lo-ia de bom grado. O ar estava a ficar cada vez mais pesado em seu redor enquanto as sombras dançavam dobre a pele do rosto de Snape, descobrindo-o vagamente, para logo o encobrir nas penumbras. Tudo aquilo desfacilitava a leitura da expressão facial, tão enigmática estava.
Fechou os olhos e deixou-se levar pelas emoções, perdendo o pouco autocontrolo que lhe restava, no momento em que roçou despropositadamente com o tecido fino que cobria o pénis erecto de Snape. Então ele também me quer... Teria soltado um sorriso, não fosse sentir as mãos de Snape tensas, apertando com cada vez mais força os seus pulsos doloridos. Embora os seus pulsos não fossem a única coisa dolorida no seu corpo.
Sentiu o bafo quente de Snape fazer-lhe cócegas ao pescoço, apertou os lábios com mais força que o necessário para evitar que um gemido fugisse, e sentiu os seus olhos postos nele, avaliando qualquer reacção mínima. O seu coração galopava furiosamente no seu peito, ameaçando rebentar a qualquer demora, fazendo com que o seu pulso se acerara-se a cada momento passado, exposto ao calor corporal do Professor. Era capaz de o sentir com todo o seu ser as suas entranhas remexerem-se, formando um nó espesso de desejo e temor interligados num só.
- Terei de te castigar pelo que me fizestes passar – disse Snape casualmente, soltando os pulsos de Harry. Agora que tinha de novo liberdade, não sentia vontade de sair dali. O calor que ele emanava colava-se ao seu corpo como um vírus. Deixou-se, então, ficar quieto. Esquecendo-se que as suas pernas tinham alguma utilidade para além de sentir Snape. – Podia pedir-te para te ajoelhares aos meus pés e pedires desculpa, talvez fique para depois… Agora tenho uma ideia melhor. Tira a roupa. Vou-te fazer gritar o meu nome, de dor e prazer até tudo o que possas pensar seja em mim. Vou fazer com que te arrependas de me teres defrontado, e quando acabar contigo, vai doer durante um mês até aprenderes a lição. Isto, pelo menos posso ser capaz de te ensinar.
- E se eu não quiser? – encarou-o Harry. Era verdade que também desejava Snape, mas sentia-se na necessidade de encara-o, não queria ser tratado como um objecto obediente.
- Acredita em mim, quando te digo que o pior vai ser quereres cada segundo disto até não puderes mais – respondeu, num tom de veludo.
- E quero. Acho que era incapaz de te negar. Sempre quis sentir as tuas mãos apertando as minhas nádegas até ficarem vermelhas, a tua respiração acelerada enquanto dizes o meu nome. Sei que só contigo seria capaz de sentir este prazer inegável enquanto tu me tomas – corou involuntariamente. O pénis de Snape estava a corresponder à sua fantasia, e ao que parecia o seu também.
Finalmente conseguiu respirar com tranquilidade quando as mãos em volta dos seus pulsos largaram-lhe, para logo a seguir começar a lutar contra os botões da sua camisa. Não sabia onde tinha posto o seu manto, mas agora nada disso importava. Dentro de poucos momentos a blusa deslizava pelo seu corpo caindo no chão. Estava mais vulnerável e aberto que nunca.
Um pensamento passou-lhe pela cabeça, Snape ainda tinha as suas roupas todas. Não costumava tirar mais do que o necessário por isso nunca tinha visto o seu corpo completamente nu.
Levou as suas mãos vacilantes até ao manto de Snape e começou a tira-lo com uma rapidez incrível. Não sabia o que julgava. Talvez julgasse que se livra-se das roupas o mais rápido possível ele não daria por nada, ou não tivesse tempo de o deter.
No entanto, Snape não fez absolutamente nada. Continuou a ajudar Harry a despir as calças e as cuecas, até ficar completamente despido, sentindo o frio a morder-lhe a pele. Empurrou as calças para longe com um último pontapé e continuou a despir Snape. Em breve, ambos estavam completamente nus.
Harry lambeu os lábios involuntariamente, apreciando os olhos do Professor a analisar cada pedaço de pele do seu corpo, parando demoradamente sobre o seu pénis hirto, entre os testículos, cobertos por uma manta espessa de pelos escuros. Conseguiu ver claramente os seus olhos tornarem-se carregados de desejo quando voltou-os novamente para o seu rosto, e viu que também ele olhava boquiaberto para o corpo à sua frente.
Era uma obra de arte, sem dúvida. Os contornos delineares do seu peito aguçavam-se ao longo das virilhas, contornando o pénis endurecido. Era uma maravilha de se ver, e foi com dificuldade que conseguiu engolir a saliva que se armazenava cada vez mais na sua boca. Grande, com um formato único e especial a seus olhos. E era seu. Só a ele era permitido tocar-lhe. Sim, agora era claramente capaz de ver, com uma ponta de remorsos, que também ele teria odiado ver Snape tão próximo de alguém como ele tivera hoje, com o sem o efeito da poção.
No entanto, foi mesmo o peito que lhe chamou a atenção. Nunca o tinha visto antes completamente despido, a não ser nos seus sonhos. A realidade cedo se provou ser muito melhor que as suas fantasias. Cor de mármore como a sua tez e ligeiramente musculado, tal como os seus sonhos, mas muito melhor.
- Deita-te na secretária – ordenou Snape numa voz rouca.
Obedeceu imediatamente, excitado com o que viria a seguir. As mãos experientes de Snape percorreram o seu corpo desprotegido, e os seus lábios húmidos desceram sobre os contornos do seu rosto, parando para beijar cada pedaço de pele à mostra. Lambeu o lóbulo da orelha e mordeu-a depois, até arrancar um gemido de prazer que nunca se julgou capaz de emitir.
Estava a arder de desejo. Um calor abrasador ameaçava o seu corpo de entrar em combustão a qualquer hora. Aqueles toques, ao mesmo tempo bruscos e meigos, eram um vício difícil de aguentar. O pénis entre as suas pernas latejava de antecipação enquanto as suas unhas cravavam-se com uma força intensa na secretária de mogno.
Os lábios mais experientes de Snape continuaram a deslizar pelo corpo, lambendo e mordendo os mamilos endurecidos pelo prazer.
- Ahhh! SNAPE… toma-me… - sussurrou ao seu ouvido. As suas mãos penteavam as mechas do cabelo do professor. Antes sempre tinha pensado que o cabelo de Snape era oleoso, mas não pode deixar de reparar que na realidade era suava como seda a deslizar por entre os seus dedos.
- Cuidado com a língua ou arranco-a fora. – Harry ia gostar de ver isso. – Não sejas impaciente, vou ter-te quando a altura chegar.
Harry segui-o com os dedos o trajecto da linha da coluna arqueada até decidir, com um gesto de coragem, tocar no pénis de Snape. Inicialmente as suas mãos percorreram a superfície quente de forma vacilante, mas quando ouviu a respiração de Snape alterar-se e a voz descontrolada chamar pelo seu nome começou a amassar os testículos com mais força, irritando levemente a pele áspera com as unhas.
- Pott…er…
Se alguém entrasse naquela sala, naquele mesmo momento, viria o Mestre de Poções debruçado sobre a secretária onde o menino se encontrava deitado, cobrindo toda a extensão do seu corpo, contornando o interior das coxas com as suas mãos capazes, apertando as nádegas com força até começarem a ficar vermelhas.
- Ohhh! Snape… Snape… Sna… - repetiu Harry como um mantra.
Snape afastou-se bruscamente.
- Por favor, não pares…
- Já te disse para não seres impaciente. – Afastou-se até à secretária e retirou pequeno frasco. – Abre mais as pernas – pediu. Harry obedeceu, e dois dedos cobertos pelo líquido no frasco deslizaram para dentro do seu interior.
- Ahhh! Oooohhh! Mais…
- Vai doer, Potter, mas talvez até gostes.
Nem teve tempo de ficar assustado, de qualquer forma a onda eléctrica de prazer que descia pelo seu corpo proibia-o de sentar mais alguma coisa para além de uma paixão incrível pelo homem à sua frente. Mesmo durante o sexo Snape podia provar ser realmente severo e amargo, no entanto cofiava nele.
- Confio em ti com a minha vida.
O pénis de Snape penetrou-o rapidamente, sem dar tempo para que Harry se habituasse. Gritou de dor inadvertidamente, procurando Snape com o olhar. Cada linha do seu rosto, mesmo que duras, transpiravam de prazer.
As estocadas foram tornando-se mais fortes, e lentamente acostumou-se às picadas de dor no seu interior, semelhantes a alfinetes cravados na pele.
Sentou-se sobre o tampo da secretária, de forma a poder fazer contacto visual com o professor, e afagou o seu rosto, tocando na linha dura que deslizava sobre os lábios, emprestando ao rosto um ar severo. Dali tão perto, era capaz de ver todos os movimentos de Snape, tentando esconder o prazer que aumentava a cada estocada. Plantou um beijo leve na testa, enquanto acercava o corpo à sua frente num abraço apertado, atraindo para si o cheiro a ervas medicinais e a suor molhado.
- Lindo… - articulou Harry.
- Ahhhh! – gritou Snape, o seu corpo em espasmos. Ejaculou passado uns segundos dentro dele, e Harry pode sentir o líquido quente escorrendo, uma parte de Snape dentro de si.
Ainda assim Snape não parou, continuou a penetra-lo com estocadas cada vez mais rápidas, aproximando-o lentamente do orgasmo. Harry arranhou distraidamente a pele das costas, num movimento brusco, tentando fazer o possível para se conter. No final não consegui-o, acabou por perder-se em êxtases, no doce sabor do momento.
O sangue nas veias correu cada vez mais rápido, como se uma espada forçada em brasas perfura-se lentamente a pele, deixando um rasto agonizante de prazer. Ejaculou de encontro à barriga de Snape, chamando o seu nome vezes sem conta.
Ficou parado por momentos, tentando recuperar o fôlego. Snape, à sua frente, vestia as calças silenciosamente, como se não desse pela sua presença.
- Veste a roupa e para de olhar – ladrou Snape, secamente. – Eu não sou nenhuma atracção de circo.
- Desculpa… mas… - gaguejou. Passados alguns segundos ganhou a coragem para prosseguir, mesmo que cabisbaixo. - … Mas se julgas que eu sou teu, então porquê que te comportas como se não gostasses de mim?
- Porque não gosto de ti, Potter. Quando é que vais enfiar isso na tua cabeça dura? Só porque transámos não significa que eu te tolere mais do que antes. Não quero que fiques com ideias desproporcionadas.
- Na Floresta Proibida, dissestes que eras incapaz de me esquecer – insistiu.
Snape apertou o seu manto negro, aparentemente aborrecido.
- Aprecio o teu corpo, nada mais. Gosto também de pensar em como o teu pai se sentiria se visse o seu único filho desta forma, prostrado diante de mim. Julgavas que eras especial? – Snape esboçou um leve sorriso, que não chegou a atingir os seus olhos, estavam mortos.
Não acreditava em nada disto. Snape que gritara à pouco que cada pedaço do seu corpo era seu, num ataque de ciúmes irracional, agora atacava-o com as suas palavras, espezinhava-o e dizia-lhe que não passava de um qualquer.
- Talvez pudesses arranjar outra pessoa qualquer para te tocar. Então tudo isso é por causa do meu pai? E a minha mãe?
- Sim, também tens os seus olhos… Agora sai. Já devem ter dado pela tua ausência, e não quero que apareçam por aqui a perguntar por ti. Os teus colegas por esta hora devem julgar que te enfiastes em mais problemas, como é teu costume.
Harry, no entanto, não lhe escutou. Uma centelha de fúria ameaçava rasgar-lhe o peito por dentro.
- Não acredito! – exclamou inabalavelmente. Ia acordar dentro em breve. Tudo não passava de um sonho.
- Amas-me, não me amas? – perguntou Snape sem esperar pela resposta. – Um dia vais gostar de uma rapariga qualquer, como a Carson.
- Eu nunca…
- Cala-te, não digas mais nada. Não tenho tempo para ter um adolescente cheio de hormonas constantemente grudado a mim. Disse-te para ires. Estás a ocupar o meu tempo precioso.
- Estou farto de tudo isso! Eu não era um incomodo quando fizemos sexo. Chamas-me ao teu gabinete, usas-me como te apetece, como se eu fosse um boneco de trapos, e depois desprezas-me, como se eu nada fosse – exclamou Harry, revoltado. A fúria vibrava no ar em seu redor.
O olhar de Snape tornou-se mais grave.
- Tu nada és para mim. Quantas vezes terei de te dizer para que entendas? Não passas de um rapaz mimado que com uma imaginação demasiado potente. Nunca te amei, nem nunca te amarei na minha vida. Por isso tira essas ideias irracionais da tua cabeça.
Harry virou o rosto bruscamente para que Snape não visse as lágrimas que queimavam o seu rosto. Tirou os óculos de aros redondos dos olhos e começou a limpá-los na manga da blusa, não porque tivessem realmente sujo, mas mais para arranjar algo em que se entreter. Nunca te amei, nem nunca te amarei na minha vida. Não penses nas suas palavras… Tentou esvaziar a mente de todas as emoções que atingiam-no, fluindo através do seu corpo. Raiva, desamparo, tristeza e perda. O peito ardeu-lhe involuntariamente.
- Que estúpido sou. Pensei que não me amavas, mas que talvez algum dia… Mas devia ter sabido. Quem é que haveria alguma vez de me amar? Não passo de um rapaz fraco, que é mais um incómodo aos outros do que alguém realmente desejada. Não sou tão inteligente como o senhor, sou escanzelado, demasiado novo e não tenho qualquer experiência. A culpa é minha, pensei que desta vez tudo fosse diferente.
Girou sobre os calcanhares e correu para a porta, fazendo a maçaneta rodar sobre os seus dedos. Felizmente estava destrancada. O trinco soltou-se e a porta abriu-se para um corredor deserto.
Não queria estar mais ali, na companhia de alguém que lhe lembrava constantemente de tudo o que nunca tinha tido, e que nunca poderia ter.
Havia qualquer coisa nos olhos do professor que não estava antes lá. Por momentos pareciam manchados de arrependimento e culpa. Não, não queria mais vê-lo. Nem a ele nem aquele olhar, demasiado semelhante a gelo derretido. Aquele olhar que facilmente transformava-se num dum predador.
- Espera, Potter!
Será que não entendes? Em tempos fui capaz de te seguir até qualquer ínfimo recanto do mundo, agora não obedeço mais às tuas ordens. Tornei-me surdo para a tua voz.
Quando um coração se parte, é demasiado difícil voltar a tornar-se intacto.
FIM
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