O Coração Não Mente I
E quanto ao amor?
Você não quer alguém para se importar com você?
E quanto ao amor?
Não o deixe escapar
E quanto ao amor?
Eu só quero compartilhar com você
Você pode precisar um dia.
- Heart "What About Love"
Eram sete horas e trinta e três minutos quando Snape realmente despertou. Desde logo apercebeu-se que algo de errado passava-se. Estava deitado na sua cama, como era seu costume, mas havia alguém enroscado entre os seus braços, colado a seu corpo, com as suas mãos quentes aninhadas sobre o seu tronco despido.
"Potter!", gritou mentalmente. Não havia ninguém no mundo capaz de o atormentar daquela forma.
No entanto, não podia cometer o mesmo erro uma e outra vez. Nos seus anos de Devorador da Morte tinha aprendido que fechar os olhos para os seus problemas não ia fazê-los desaparecer, pelo contrário, só os ia multiplicar antes que pudesse realmente voltar a abrir os olhos e resolver os seus problemas. Negar o busílis no mundo negro onde crescera podia ser sinónimo de morte. As sementes já tinham sido plantadas, só lhe restava tentar arrancar as ervas escorregadias que implicavam em crescer cada vez mais, obstruindo os seus pensamentos com ideias irracionais.
Quando é que tudo tinha começado? Talvez naquela dia em que Snape pedira a Harry para ter aulas de Oclumância com ele. Entrara na sua mente despedaçada, vasculhara nas suas memórias mais deprimentes, e também nas mais apaixonadas, e inutilmente convencera-se que nada disso tinha-lhe afectado. Tinha-lhe conspurcado com as suas emoções, aproximando-o do rapaz que, assim como ele, partilhava da dor de ser humilhado e do prazer de ter tocado daquela forma, como nunca antes sentira.
Muito antes, quando Potter pedira-lhe para fazer sexo, aceitou, convencido que seria capaz de magoar o rapaz como o pai dele o tinha feito. Sem saber que abrira uma pequena ranhura na sua parede antes tão sólida, expondo-se ao rapaz e correspondendo em parte aos seus desejos mais proibidos.
Porque tudo girava à volta de Potter? Sempre soubera que a raiva era necessária, desde que dentro de quantidades aceitáveis, para lançar maldições imperdoáveis mais potentes. Abraçara-a desde tenra idade e nunca tivera dificuldade em fazê-lo, bastava pensar em James Potter ou no seu próprio pai, enviando pratos à parede enquanto um rapaz pequeno e escanzelado se escondia atrás da porta do seu quarto. Mas só aquele rapaz era capaz de atear mais o seu fogo até ele incendiar-lhe por completo a mente e derreter-lhe a máscara elaborada a gelo.
O seu auto-controlo, tão pormenorizadamente criado era posto à prova uma e outra vez. O pior era que agora havia emoções bem mais piores que tinha dificuldade em controlar. Emoções que se fosse por ele, nunca iriam transparecer ao de cima. O rapaz testava-o constantemente e ele não sabia se estava realmente pronto a proteger-se.
Por mais que mentisse sabia a verdade. Não era necessário que ele passa-se a noite na sua cama. Transfigurar uma cama a seu lado ou até mesmo no seu gabinete era suficiente. Ninguém se atreveria a entrar ali dentro, demasiados feitiços obstruíam a passagem a convidados indesejados. Harry Potter dormira na sua cama porque ele desejara tê-lo enroscado a seu lado, servir-se dele para seu próprio conforto. "Sou ainda mais fraco do que julgo."
Odiava-o com uma raiva pungente, tanto que deixava de ser ódio e invertia-se até tornar-se em empatia, preocupação e vontade de proteger e mantê-lo sempre por perto. Por outras palavras, dependência.
Afastou as cobertas ferozmente, como fizesse tensão de as rasgar a meio e lançou um olhar de puro ódio ao rapaz deitado a seu lado.
Rapazes naquela idade podiam ser honestos mas também bastante voláteis. Sabia que ele hoje amava-lhe, mas e amanhã? Todas as suas tentativas de o incumbir foram bastante pobres. Potter não tinha qualquer talento para a arte de ocultar os seus pensamentos, trazia o seu coração constantemente ao peito e orgulhava-se disso. E no entanto, Snape não podia saber como era capaz de regenerar-se depois de tudo o que havia passado.
"Não pensa no futuro, para si o presente é o que importa." Então teria que ser ele a preocupar-se pelos dois. Até porque recusava-se a deixar o Potter entrar no seu coração para o destruir mais tarde. O amor era um doce veneno que devia ser evitado, o Senhor das Trevas dissera-lhe uma vez, e Lilly provara que isso era demasiado verdade.
Estendeu a mão para acordar o rapaz quando ouviu um murmúrio.
- Snape…
Ainda havia tempo para acordar-lhe mais tarde. Era melhor preparar-se sem tê-lo constantemente grudado a si, convenceu-se a si mesmo. Não era por o Potter parecer tão delicado e indefeso, não era pelo facto de ele ter vociferado o seu nome. Não tinha nada a ver com isso…
Harry acordou com uma voz a ribombar-lhe ferozmente nos ouvidos. A primeira coisa que pensou foi que devia ser Ron a chamar-lhe. Mas a voz do amigo era bem mais diferente, mais alegre e calorosa onde aquela era demasiado soturna.
Piscou os olhos e estendeu as mãos automaticamente para a mesa-de-cabeceira. Com os óculos postos no seu devido lugar foi capaz de focalizar com pormenor o quarto em seu redor. Não estava no seu dormitório, estava na cama de Snape.
Colado há parede os ponteiros do relógio fixavam as oito e treze. As aulas deviam começar dentro de dezassete minutos e ainda nem tinha tomado o pequeno-almoço.
- Ainda bem que acordastes. Finalmente sou capaz de compreender porquê que chegas sempre atrasado às aulas – zombou Snape. - Tens quinze minutos para preparas-te.
Não tinha sido realmente sua culpa. Adormecera por volta da uma da manhã graças a ele.
- Devias-me ter acordado – disse, ainda meio atordoado pelo sono que insistia em pairar na sua cabeça.
- Não sou a tua mãe e já está mais que na altura que aprendas a ser pontual.
Harry levantou-se da cama e moveu-se na direcção de Snape, parando uns centímetros à sua frente. Gostava de estar bem perto dele, para poder sentir novamente aquela sensação de vertigens e fraqueza nas pernas que só ele era-lhe capaz de provocar. Nessas alturas o seu coração começava a bater bem mais rápido.
- A primeira aula que tenho é com o Professor Binns e ele nunca nota se somos pontuais ou não. De qualquer forma estava mesmo a precisar de dormir. – Bochechou.
Já por duas vezes ao longo da sua estadia no Colégio da Magia chegara atrasado às aulas de Binns e ele nem dera por nada. Limitara-se a continuar a dar a sua lição, com os olhos postos na parede, como se não houvesse qualquer aluno na sala e nada do que pudesse acontecer o fizesse interromper de dar a matéria. Só Hermione lançava-lhe um olhar reprovativo.
- Ninguém contou-te, Potter?
- Que há para saber? – perguntou Harry, desejando não ter mesmo de descobrir.
- Tendo em conta que faltei à nossa última aula o Professor Binns consideravelmente deu-me a sua hora para poder-mos rever a matéria a sair no exame de Poções da próxima semana – relatou calmamente.
Harry não sabia se devia perguntar porquê que ninguém dissera-lhe nada acerca disso ou como era possível que o exame de Poções já fosse para a próxima semana. No fim, abasteceu-se de dizer alguma coisa. Não queria tornar tudo mais complicado.
- A Menina Granger ficou de informar-te. Devia saber que não era de confiança.
Ao ouvir isso, apressou-se a defender a amiga.
- Ontem deixei o refeitório antes da hora quando soube que podias estar ferido.
- E como um Griffindor tolo que és julgastes que eu tinha necessidade da tua companhia – concluiu maliciosamente, lançando a Harry um olhar capaz de cortar a tensão que pairava em redor dos dois.
As palavras de Snape eram bastante diferentes da voz suave da noite passada. Teria a noite levado junto com a escuridão a harmonia que eles tinham encontrado naquele mesmo quarto? Sabia bem demais que o professor era bem capaz de ser inumanamente cruel. Todos os jogos que jogava ganhava. Deixando-o para trás, perdido numa confusão que sempre alastrava-se. Tinha que mover o seu cavaleiro para algumas casas mais à frente se queria destruir a sua torre.
Escondeu o tom magoado na sua voz.
- Ainda melhor! – exclamou Harry, alargando os seus lábios até formarem um sorriso radiante. – Ultimamente comecei a gostar mais das aulas de Poções. Assim, tenho mais tempo para passar contigo.
Snape fixou-o, ligeiramente surpreendido, ponderando as suas palavras.
- Gostas das aulas ou do professor? – sussurrou, a voz meia oitava a baixo do normal.
- De ambos. Gosto de ouvir a tua voz única a falar sobre os ingredientes, ou de observar as tuas mãos habilidosas a preparar uma poção.
- Neste caso aconselho-te a escutar as minhas palavras e fazer uso delas se queres melhorar os teus resultados desastrosos. Se não, nem vais ter hipótese de passar este exame. És bem capaz de reprovar com pior nota que o Longbottom desta vez, e isso é um caso só de si digno de passar para a história. Não sabes nem preparar uma simples poções de Anti-Paralisia. Não tens qualquer do talento da tua mãe. – Proferiu num tom de voz ferina.
- Talvez até o tenha. Acho que sempre fui capaz de surpreender-te por isso talvez seja melhor esperares até corrigires o meu exame para criticares-me – disse Harry.
Snape bufou.
- Quero-te no meu gabinete mal as tuas aulas terminem. Um minuto de atraso e irei à tua procura – avisou guturalmente.
- Está bem – respondeu Harry olhando em seu redor. – Onde fica a casa de banho?
Snape conduziu-o silenciosamente para fora do quarto, até a uma porta lateral que quase se camuflava com a parede.
- Não demores muito tempo. Vou estar à tua espera.
Harry anuiu e entrou dentro da casa de banho.
Era suficientemente espaçosa comparativamente à dos alunos. Ali, era capaz de sentir-se demasiado diminuído. "Não sou um professor como ele, não passo dum aluno que não devia estar aqui." Todo aquele lugar era de acesso restritivo. Talvez ele fosse mesmo o único aluno a ter cá entrado.
Parou para olhar-se no espelho. A sua cabeleira negra estava mais revolta que o normal, mas no geral tinha um ar mais saudável do que do dia anterior. Engraçado como Snape era o responsável por todas aquelas mudanças.
Afastou as cortinas do chuveiro e entrou dentro dele. A água quente afagava-lhe a pele agradavelmente e fazia-o relaxar lentamente, embora apenas tivesse conseguido afastar as suas preocupações momentaneamente. Elas sempre voltavam ao de cima justo quando pensava que tudo estava sobre controlo. Massajou o couro cabeludo e espalhou o gel de banho pelo seu corpo, observando o vapor a elevar-se no ar e os azulejos a tornarem-se transpirados.
O Mestre de poções tomava banho ali. Não conseguia afastar aquela ideia óbvia da sua cabeça. Aquele era, inclusivo, o mesmo champô que ele usava. Como era capaz de recordar este cheiro a camomila, mesmo que mesclado com o cheiro forte a poções acabadas de fazer que geralmente aderiam à sua pele.
Agora tudo estava bem. Ou não estaria?
Quem é que estava a tentar enganar? Esta manhã ele estava demasiado esquivo, demasiado frio, demasiado… normal. Como Harry lembrava-se dele nos anos anteriores. Sem que se apercebesse, uma dor perfurou-lhe o peito. Queria ser tratado de forma especial, como na noite passada. Se disse-se isso a Snape ele limitar-se-ia a troçar dele e dizer-lhe que tentava constantemente ser o centro das atenções do mundo inteiro. Só que isso não era verdade. Só queria ser o centro do seu mundo e demais ninguém. Viver daquelas noites em que tudo é permitido e em que eles possam-se finalmente reunir.
Aquela relação era proibida. Se alguém descobrisse poderia ter consequências catastróficas para ambos. Talvez fosse por causa disso que Snape tentava-se sempre afastar-se. Ele era seu professor e Harry só há pouco tempo fizera dezoito anos. Poderia convencer toda agente, se fosse necessário, que só tinham começado este tipo de relacionamento depois de atingir a maioridade? Talvez ninguém importe-se ao certo. Tudo o que vão ver vai ser um rapaz tolo e destroçado atraído por um homem pervertido com o dobro da sua idade.
Secou o corpo, enrolou a toalha à volta da sua cintura e saiu da casa de banho, à procura do seu uniforme que ficara esquecido no quarto.
Passados poucos segundos, ouviu o barulho da maçaneta a rodar e o instinto fez-lhe livrar-se da toalha em volta da sua cintura com um movimento rápido.
Mais tarde, quando recordou os próximos momentos, não conseguiu impedir que um rubor descesse-lhe ao rosto. Dumbledore disse-lhe uma vez que possuía desenvoltura suficiente, uma característica da casa dos Slytherin, e hoje mais do que nunca soube que era verdade.
Não podia mentir para si mesmo. Uma parte dele, mesmo que por breves momentos, desejou que o professor entrasse naquele momento, e quando a porta do quarto realmente abriu-se, como se Snape tivesse acudido a um chamamento mágico, a primeira coisa que fez foi reunir uma força que não julgava ter.
O vulto negro parou do lado de dentro do quarto sem dizer uma única palavra, o que fez com que Harry tornasse-se ainda mais nervoso. O seu coração apertou-se bruscamente de encontro ao seu peito, deixando-o com falta de ar, e as suas entranhas remexeram-se como se dentro delas duas serpentes andassem numa luta sanguinária.
Ignorando a parte do seu cérebro que dizia que tudo isso era demasiado perigoso, fingiu estar demasiado ocupado a procurar pela sua roupa enquanto posicionou-se de forma a que Snape tivesse acesso com o seu olhar à sua excitação crescente. Mesmo sem olhar, tinha quase a certeza que as duas opalas negras cravavam-se de encontro à sua pele, explorando cada ínfimo recanto exposto.
Manteve as suas pernas afastadas, expondo-se o máximo possível, e embora tentasse a todo o custo fingir-se indiferente a toda aquela situação, sabia que o seu falo estava-se a tornar cada vez mais duro à medida que o sangue bombardeava-o. Naquele momento, foi incapaz de sentir qualquer frio, mesmo no estado em que estava.
Bastava Snape ter dito qualquer coisa, naquele tom de voz destituído de emoções, que ele teria virado as costas a tudo isso. Mas ele manteve-se horrivelmente silencioso. O som da sua voz não o rasgou e despedaçou em pedaço. Só algum tempo mais tarde ele atreveu-se a interromper o silêncio, já Harry preparava-se para voltar para a casa de banho.
- Toca-te… - pediu Snape. – Quero ver-te a masturbares-te.
Olhou para o relógio. Era isso que pretendia, não era? Contudo, já eram quase oito e meia, hora em que deviam começar as aulas.
- Vamos chegar atrasados…
- Agora é que preocupas-te com a pontualidade? – ironizou Snape. Sem nunca escarnecer do motivo óbvio porque ele estava terrivelmente nu, no seu quarto. – Não acredito que consigas concentrar-te adequadamente durante as minhas lições da forma como estás. – Apontou na direcção do pénis hirto e duro de tesão.
Acenou em consentimento e fez com que as suas mãos descessem sobre as suas próprias ancas, até encontrar a zona púbica que latejava por um pouco de atenção. Tomou o seu próprio pénis na mão, sem incomodar-se com os gemidos que soltava e afagou-o suavemente, fazendo com que as pontas dos seus dedos acariciassem-lhe os testículos e apertassem-nos com vigor, até fazer diminuir o ardor que tomara conta dos seus órgãos há poucos minutos.
- Nnnnnnhhhh…
Não ia conseguir aguentar muito mais tempo desta forma, mesmo sabendo que queria que aquele momento durasse ao máximo. Abraçou a superfície do pénis bem perto da sua base, fingindo que os dedos que o tocavam eram mais longas e mais pálidas que os seus, e deslizou a palma da mão para cima e para baixo com vigor, enquanto a sua outra mãos brincava com a glande.
- Ahhh…
Uma corrente de sensações prazerosas invadiu-o, os seus testículos engrossaram cada vez mais com a sua semente à medida que a sua respiração acelerava. Ejaculou com os olhos de Snape a devorarem-no por inteiro, saboreando cada segundo daquele momento único.
- Snaaaaaappppeeee… ahhhh! – chamou.
Bastou uma olhadela rápida à frente das calças de Snape para ver o montículo erecto a esfregar-se de encontro ao tecido escuro.
Lambeu os lábios sedutoramente.
Snape fez menção de levantar-se da cadeira, mas Harry foi mais rápido e percorreu a curta distância que os separava. Para ele, pareceu que quase demorou séculos, à medida que avançava envolto numa névoa de desejo que lhe ofuscava a visão. O ar estava mais pesado que nunca e de repente tornou-se muito mais difícil respirar.
Sentou-se no colo do professor e começou por acariciar-lhe o peito forte como um muro bem construído, sussurrando-lhe ao ouvido e irritando-lhe o lóbulo com os seus dentes.
- Potter… - Snape articulou em êxtase.
Agarrou bruscamente a cintura do rapaz sentado no seu colo e começou a plantar beijos e mordidelas no pescoço enquanto pressionava o seu joelho esquerdo no seu pénis.
- Não… nnnhhh… alguém pode ver as marcas… - arfou Harry com dificuldade. Cada vez que tentava chamar a razão esta fugia-lhe entre os seus dedos como grãos de areia, deixando a sua cabeça leve a rodopiar.
- Pouco me importa. Vou marcar-te até me pertenceres…
- Sempre fui teu… ahhh…
Como que para provar isso, desapertou as calças e de seguida as cuecas de Snape, até escorregarem pelas suas pernas, deixando-as à mostra.
Tudo passou-se quase instantaneamente, tremia levemente enquanto sentia o joelho a ser cada vez mais pressionado de encontro à sua nova erecção, e só foi capaz de lembrar-se onde estava quando Snape utilizou um feitiço não verbal para agarrar num frasco com lubrificante e derramá-lo sobre o seu próprio pénis.
Naquela altura, a tesão tomou conta dele por inteiro fazendo-o empurrar-se de encontro ao pénis erecto, empalando-se de uma só vez. A sensação de prazer foi maior que a dor e fê-lo arquejar ao mesmo tempo que Snape tentava aparar o som grosso da sua voz, que saída em golfadas frenéticas.
- Potter…
O coração de Harry martelou de encontro ao peito, ameaçando despedaçar-se, como acontecera há bem pouco tempo, mas desta vez era prazer que acumulava-se dentro dele e não medo. Conseguia sentir o calor que espalhava-se pelo seu corpo em ondas cada vez maiores.
Ambos moveram-se de encontro um ao outro, no que mais parecia uma dança deliberadamente demorada. Era atroz poder ter Snape, sentir com as suas mãos a pulsação forte do seu coração a bater-lhe ferozmente de encontro ao peito, tocar-lhe em cada recanto escondido do seu corpo e no entanto querer sempre mais.
Plantou um beijo suave na sua testa e tentou decorar todos os traços do seu rosto com as pontas dos seus dedos suadas.
Se fosse por si, todos esses jogos de sedução seriam eternos.
- Aaaahhhhh! – gemeu Harry, tentando acompanhar os movimentos cada vez mais rápidos do professor. O seu pénis enterrava-se cada vez mais fundo dentro de si, a sua superfície quentes deslizando em movimentos bruscos, até tocar num ponto que lhe fez berrar ainda mais alto. – Nhhh…. Aaahhhh!
Snape enrolou um mamilo seu em volta dos seus dedos, colhendo-o com os seus lábios, provando-o com a sua língua. As suas mãos tocavam-lhe em todos os recantos do seu corpo, a paixão que sentia enchendo-o por inteiro. Era fogo líquido que agora corria dentro dos seus pulsos, no lugar do seu sangue, vertido por aquele olhar incandescente que fazia todo o âmago do seu ser revirar-se em brasas ardentes.
- Quero ouvir-te dizeres o meu nome – pediu Snape ao seu ouvido. O som das suas palavras fez-lhe coisas maravilhosas a todo o seu corpo que não julgou ser possível.
- Severus… ahhh… eu amo o som da tua voz, o teu nome, o teu rosto… ahhh… Merlin, és lindo!
- Potteeeerrr…
- Não aguento mais… - disse, e ejaculou quase instantaneamente a Snape, vertendo o seu sémen de encontro à sua blusa escura, todo o seu corpo uma torrente de emoções arrebatadoras. – Aaaaahhhhhh!
O cansaço tomou conta do seu corpo, fazendo-o cair num estado de languidez absoluto, enquanto esperava que a sua respiração normalizasse-se. Os seus cabelos revoltos espalhavam-se por cima da sua cara, varrendo a pele dos ombros do Mestre de Poções a qual se encostava suavemente, se pudesse ficar deixa maneira para sempre...
Com suavidade, tocou no seu pénis já frouxo e levou a sua própria semente aos lábios provocadoramente, lambendo as pontas dos seus dedos até limpa-los por completo. Por de trás da cortina de cabelos negros, o olhar penetrante de Snape cravava-se nele até deixar o seu coração novamente a correr no seu peito. Só naquele momento apercebeu-se que tinha prendido a respiração.
Snape afastou-o do seu corpo e levantou-se da cadeira. O nevoeiro que lhe toldava o raciocínio afastou-se, deixando a verdade nua e crua à mostra. Aquilo não era, nem nunca seria, um conto de fadas. No fim, o rapaz teria que saber quando dar-lhe espaço para distanciar-se emocionalmente.
Pensar em Harry só deixava-lhe mais desagradado do que nunca. Sentiu o ódio fluir-lhe à mente, duro e frio, cravando-se em cada recanto do seu corpo. Era tudo sua culpa.
- Pára com isso, Potter. Não tenho mais tempo para as tuas brincadeiras, vamos chegar atrasados por tua culpa. – Snape lançou um olhar ao ponteiro do relógio cravado na casa das oito e quarenta e três.
Harry afastou o rosto para que ele não pudesse-lhe ler a desilusão e o desespero, como se tivessem-lhe dado uma bofetada. Tremeu involuntariamente, as lágrimas a marejarem-lhe os olhos, recusando teimosamente em deixar transparecer qualquer sinal de fraqueza neles.
Ambos apressaram-se a vestir depois de Snape ter lançado um feitiço para limpar o sémen dos seus corpos. Em menos de cinco minutos já estavam prontos para abandonar a sala.
- Espera, Potter! – ordenou Snape no tom de voz arrastado e profundo de sempre.
Um fio de esperança nasceu dentro de si. Queria ouvir o tom de voz brando que ele utilizava reservado somente para os momentos íntimos de sexo.
- Toma. – Deu-lhe um frasco de poções quase cheio com um líquido translúcido.
- O que é isso? – perguntou abafadamente.
- Uma Poção de Sono sem Sonhos. Três gotas apenas serão suficiente para fazer efeito.
- Está bem. Obrigada... – Apertou o frasquinho de encontro ao peito desviando o olhar do professor. – Snape eu…
- Temos de ir andado, Potter. – Snape puxou-o pela manga do casaco e forçou-o a acompanhá-lo os seus passos rápidos.
Harry estava farto de acreditar que alguma coisa ia mudar entre eles depois do sexo. Era uma estupidez sua, devia ter sabido de ante mão, que Snape não o ia tratar duma forma melhor só por aquilo que acontecera à bem poucos minutos. Ele era capaz de mostrar o suficiente para plantar em si a ideia tola que algum dia iam ser amantes a sério, mas depois tudo voltava ao normal, excepto por um olhar ou outro mal guardado de desejo. E até isso Harry não sabia se era sem querer. O professor nunca deixava transparecer nada disso quando estavam em aulas.
Não sabia há quanto tempo começara-se a sentir daquela maneira. De início, estava demasiado contente com a perspectiva de poder tocar no corpo de Snape para ligar a mais nada mas agora tudo era diferente. Queria mais. E o sexo não seria a forma de alcançar isso. Precisavam de ter tempo de qualidade para conversarem.
Felizmente que agora que estava a viver nos aposentos de Snape, tempo de qualidade é o que não faltava.
FIM
Obrigada pelos comentários.
