Confissões
"Existe amor em seu corpo
Mas você não consegue segurar
Ele sai dos seus olhos
E escorre pela sua pele
O mais delicado toque deixa a mais escura das marcas
E o mais gentil dos beijos quebra o mais duro dos corações (…)"
- Florence and the Machine "Hardest of Hearts"
O dia da visita a Hogsmeade chegou, solarento e quente. Toda a gente sentiu-se gratos por ter tempo para finalmente poder descansar. Ron falava disso há centenas de dias, e até Harry deixou-se entusiasmar com a perspectiva de poder apanhar ar novo, e passear umas boas horas fora do campo de visão do mestre de poções. Isso fez-lhe lembrar do entusiasmo da sua primeira visita a Hogsmeade, e da desilusão que sentia ao saber que precisava da autorização dos seus tios. Tudo isso parecia ter sido há muito tempo.
Hermione e Ron despediram-se de Harry em frente aos Doces dos Duques, deixando-o livre para poder deambular pelas montras pitorescas das pequenas lojas, a atafulhar de produtos para vender. Passou de vagarosamente pela frente duma vitrina a publicitar caldeirões de alta qualidade, outra a vender produtos desportivos, na qual Harry deteve-se para observar demoradamente, e uma terceira loja de herbologia, encostada a esta. Do outro lado, encontrava-se Neville, a conversar com Hannah da casa dos Hufflepuff, num debate aparentemente acesso. Sem olhar por muito mais tempo, com medo de ser visto e ser convidado a juntar-se a eles, porque a última coisa que queria era interromper um encontro amoroso, contornou a esquina e atravessou a rua, entrando na primeira loja que viu à sua frente.
Era uma livraria grande, velha e poeirenta, com prateleiras altas de madeira clara, carregadas de livros de capa grossa, encadernados em pele áspera, com pequenas luzes a iluminá-los. Ao fundo da sala, encontrava-se uma estante com pergaminhos impecavelmente dobrados, cada um amarrados com fitas de diferentes cores, e um conjunto de tinteiros negros e penas de todas as variedades. Havia uma escada em caracol a dar ao um andar de cima, a com dizer com o tecto de padrões elaborados, e curvas semelhantes ao interior duma concha. No meio de tanta coisa, Harry não foi capaz de distinguir o proprietário.
- Em Hogsmeade, Potter? Porquê que isso não surpreende-me? – A voz sardónica de Snape emergiu atrás dele. – Com que então a Directora aconselha-te a ficar em Hogwarts, para tua própria protecção, mas a estrela do mundo da magia é demasiado famosa para dignar-se a escutar os conselhos dos seres demasiado inferiores a ele, arriscando a sua própria segurança. Podes ter um clube de fãs à tua espera para assinas-lhes autógrafos, mas para mim não passas de um rapazola ingrato e mal-educado, com a mania que tem importância.
Harry virou-se na sua direcção. - Cale-se! Não tem o direito de falar comigo desta forma! Eu sei a verdade! O senhor drogou o chá que a Madame Pomfrey pediu-lhe para fazer para mim, com uma poção anti-memória. Queria que eu esquecesse-me do tempo em que passamos juntos. Fui-lhe útil até certo ponto, a partir do momento em que considero-me um incómodo desnecessário, tentou livrar-se de mim! – disparou, a voz tremendo com dificuldade de controlar-se. – Planeava envenenar-me de novo assim que o efeito da poção passa-se, ou estava a pensar lançar-me um feitiço anti-memória? – perguntou sarcástico.
- Abaixa a voz! – ordenou Snape num tom ríspido. - Não sejas ridículo! Sempre fostes imprudentes, mas desde que convenceste-te que estás apaixonado por mim não tens tido qualquer consideração pela tua própria segurança. – Se não tivesses-me ido ver ao meu gabinete não terias sido enfeitiçado com uma maldição imperius, nem sido atraído para a floresta proibida, e se não te tivesse encontrado na noite do baile, não terias sentido desconfortável o suficiente para vaguear nos corredores sem ser permitido, em vez de voltar para o salão como devias ter feito. Se eu tivesse sabido como terias reagido ter-te-ia administrado uma dose dupla.
Respirou fundo. – Eu sei que a Directora pediu-lhe para estar de olho em mim, mas eu não preciso da sua protecção. Se quer que eu me esqueça de si, pare de perseguir-me constantemente! – exclamou Harry irritado, caminhando entre as prateleiras de livro, abrindo a porta, e fechando-a com uma pancada estrondosa.
A brisa suave com sabor a uma primavera por vir, ajudou-o a acalmar consideravelmente a sua raiva. Subiu a rua apressadamente, sem olhar para trás, como tivesse-se a ser perseguido por um fantasma, e virou à esquerda, em direcção a uma rua populosa. Preparava-se para parar para descansar, quando uma mão agarrou-lhe, e obrigou-lhe a virar-se na sua direcção.
Harry já sabia quem era antes de ver o seu rosto. – O quê que queres? – perguntou irritado.
- Tu.
Ouviu o som do vento a fustigar as folhas, o barulho das suas capas a roçagar no chão de pedra e, sem ter tempo de respirar, sentiu os dedos pálidos de aranha do professor erguerem-lhe o rosto suavemente, e beijarem-no ferozmente.
Os seus olhos arregalaram-se de espanto, e as suas mãos tomaram vida própria, aprisionando os ombros de Snape, e empurrando-o com mas força na sua direcção. A discussão que acabaram de ter, os exames, ou a identidade da pessoa que o tentara matar, tudo isso esquecido naquele momento, enquanto reciprocava com fervor, licitando um gemido de prazer da boca de Snape, e redobrando os seus esforços numa tentativa de o fazer voltar a gritar.
Os seus lábios abriram-se suavemente, e Snape atreveu-se a introduzir a sua língua esguia na sua boca, explorando e contornando o seu maxilar inferior, parando para sugar a sua língua, até arrancar-lhe berros da sua boca. O ataque súbito parou repentinamente, Snape afastou a sua língua, e contentou-se em lamber os seus lábios, alternado entre beijos e mordidelas suaves. Quando afastaram-se, ambos tinham a respiração acelerada, e precisaram e algum tempo para descansar.
- Tu estás a mandar-me mensagens contraditórias – confessou Harry.
Os olhos de Snape estavam presos num ponto indefinido, distantes e perdidos nos seus próprios pensamentos. Quando começou a falar, parecia não ter consciência de estar a ser realmente escutado.
- O teu pai era de uma arrogância estrema, convencido e impertinente, capaz de fazer a minha estadia em Hogwarts um tormento eterno. Sabias que uma vez ele prendeu-me num armário, e lançou-lhe um feitiço silenciador? – perguntou indiferente. - Passei um dia inteiro até terem a decência de dar pela minha falta. E pensar que eu, um dia, ia-me apaixonar pelo seu filho…
O coração de Harry parou repentinamente de trabalhar, a língua colou-se à boca, as palavras teimando em não sair. E se aquilo fosse tudo uma brincadeira? Ou talvez não tivesse entendido direito… Não havia qualquer hipótese dele ter-se confessado, logo depois da discussão de há tão pouco. Tinha um medo infantil em falar, e quebrar aquele encantamento, acordar Snape, e ouvi-lo negar amá-lo, magoando-lhe e cortando-lhe qualquer esperança. Ainda assim, tinha de dizer realmente alguma coisa. Não ia perdoar-se se perde-se aquela oportunidade.
- Tu… eu… - gaguejou nervosamente, a cabeça em branco, descobrindo que de repente tornara-se muito mais difícil falar. Forçou-se a continuar. - Estás apaixonado por mim?
Os lábios de Snape curvaram-se, formando um breve sorriso sem humor. – Não sabia que o James Potter tinha mais algum filho.
- O quê? – perguntou Harry estupidamente, obrigando-se a encher de coragem. – Isso não é altura para piadas! Tu estás realmente a falar a sério – respondeu horrorizado, ponderando a ideia de isso ser um sonho. Não havia forma do Snape estar realmente interessado nele. Talvez estivesse sobre o efeito dum feitiço de confusão.
- Escuta-me. Eu estou a falar a sério. – A sua voz obrigando-lhe a obedecê-lo imediatamente. Era como se um pesadelo tivesse chegado ao fim com o romper do dia. – Se queres ter um relacionamento comigo precisas de ponderar primeiro as consequências. – Os seus olhos enterraram-se nos seus. - Se os teus colegas descobrirem acreditas que ainda vão querer falar contigo? O teu prestígio e respeito na comunidade de feiticeiros, que herdastes depois de derrotares o Senhor das Trevas, vão ser postos de lado. Muitos poucos vão-se lembrar do que fizestes por eles, as pessoas tendem a ser hipócritas, e a esquecer-se muito facilmente. Nós vamos ser expulsos de Hogwarts, e eu vou perder o meu emprego como professor. Haverá pessoas que vão pôr o teu testemunho em minha defesa à prova, eu poderei ser preso se o ministério decidir voltar a investigar-me. És capaz de lidar com isso?
Já tinha pensado nalguma parte disso, embora a ideia de ver Snape a ser preso, depois de tudo o que tinha feito pela comunidade da magia, nunca tivesse-lhe ocorrido. Imaginá-lo numa cela pequena e vazia, enfraquecido pelos Dementors, sem ser capaz de invocar uma memória feliz, era suficiente para congelar o sangue nas suas veias, ainda assim não hesitou em responder:
- Desde que estejas ao meu lado eu sou capaz de lidar com tudo isso.
- Tal como esperava. Previsível e optimista como sempre – avaliou-o Snape, com o tom de voz pesado e sombrio de sempre. Os seus lábios apertaram-se formando um esgar ameaçador, e uma pequena ruga apareceu-lhe na testa. – Não acalentes ilusões. Eu não perdoo-o facilmente. Previno-te desde já que se isso for uma brincadeira de mal gosto para ti, e dentro em breve decidires partir para uma nova conquista, eu dificilmente vou tolerar esse tipo de comportamento. Eu tentei esquecer-te durante esse mês, focar as minhas atenções em algo mais produtivo, mas tu assombras-me o pensamento, tornas-me fraco com sensibilidades emocionais. Eu não posso perder-te. – terminou num to de voz quebrada. Via-se que tinha pensado nisso há já algum tempo. Harry nunca conseguira interpretar correctamente as linhas do seu rosto, pelo menos não com muita precisão, mas pareceu-lhe ver fragmentos de desespero no seu olhar.
– Eu não acredito! Tu és mesmo incrível! Depois de tudo o que eu disse-te, e ainda dúvidas de mim? Pensas que se eu pudesse deixar-te já não o teria feito? - Harry levou a mão ao seu rosto lívido, contornando os seus traços severos, e parando para acariciar com ternura os seus lábios magros. - Eu… mesmo depois de perder as minhas memórias, não consegui deixar de pensar em ti. Desde o início que és o único. Eu só preciso de ter-te a meu lado. - Tentou transmitir-lhe a segurança na sua voz.
Harry inclinou-se na ponta dos pés, deixando-se envolver pela capaz negra de Snape, agarrando o material áspero da sua blusa negra, e reclamou-lhe os lábios com suavidade. Uma parte dele queria provar que tudo aquilo era verdade, que ele não ia evaporar-se como água entre os seus dedos, antes que pudesse processar toda a alegria que deslizava do seu peito em correntes.
Por seu lado, Snape retribuiu o beijo fervorosamente, cobrindo a mão de Harry, que ainda estava colada ao seu rosto, com a sua. Deixou-se ser explorando, por momentos, respondendo com um entusiasmo que recompensava a sua falta de prática, mas uma ideia pavorosa surgiu-lhe no fundo da sua mente, obrigando-lhe a terminar o beijo abruptamente, e a afastar-se uns passos para recuperar o fôlego. Os seus lábios estavam inchados, as suas pupilas dilatadas, e era capaz de sentir as suas bocejas a queimarem.
- Pode-mos estar a ser observados! – exclamou Harry preocupado, virando-se e lançando um olhar em sua volta.
A rua estava a abarrotar de gente. A estrada larga era ladeada por lojas ricas e bastante frequentadas, com um grupo de mulheres, à esquerda, a apanhar sol na esplanada, bebendo café e conversando amigavelmente. Julgou ver uma delas a olhar na sua direcção.
- Pensas que um manto da invisibilidade é a única forma de manteres-te invisível? Eu lancei um feitiço anti-verbal, desde que começamos a falar, para esconder-nos de olhares indiscretos. – Inclinou-se sobre Harry, e agarrou-lhe o pulso com uma suavidade inesperada. – Agarra-te a mim, Potter, eu tenho algo que preciso de mostrar-te. – A sua voz suou distante, mas quando Harry segurou-se ao seu peito, encostando o seu corpo de modo a encobrir qualquer distância por mais pequena que fosse entre eles, os seus olhos, duas pedras obsidianas encrostadas num rosto magro, brilharam com emoções mal controladas, provocando um tremor pelo seu corpo inteiro. Snape afastou o olhar, com uma expressão facial o mais perto de embaraço que alguma vez o vira mostrar.
Materializaram-se numa ruela demasiado estreita, a sufocar de casas velhas e desabitadas, recortando tristemente o horizonte, algumas já sem janelas ou portas para dar-lhe significado próprio, e subiram a estrada apressadamente, Harry tentando acompanhar o passo apressado de Snape a subir a rua inclinada. Parecia que aí, o sol não era capaz de fazer a sua presença sentir-se, e cada barulho multiplicava-se e ressoava no silêncio vazio. Demorou algum tempo até Harry localizar um riacho com água escura, a serpentear entre um mar de relva indomável, com lixo escondido entre si, responsável, em parte, pelo cheiro nauseabundo que permanecia, teimosamente, espalhando-se em seu redor. Pararam em frente à última casa do bairro, com uma chaminé a erguer-se altiva, como um braço erecto, cuspindo fumo para o céu cinzento.
- Lumus! – entoou Snape, e a ponta da sua varinha reverberou a pouca luz capaz de penetrar na sala. Harry interrogou-se porquê que ele não abria a luz. – Segue-me.
Não teve tempo de observar com delongo o que parecia ser uma sala de estar integrada numa cozinha pequena. Por mais curioso que fosse, a única coisa capaz de chamar-lhe a atenção foi o cadeirão estofado já gasto, aninhado a um canto, e a imensidão de prateleiras atulhadas de livros, ocupando as paredes, e engolindo o que de outra forma seria espaço vazio. De alguma forma, parecia-lhe que Snape dava mais importância a isso do que ao resto da sala, com o seu balcão de cozinha bolorento e louceiro com armários de pinho mel com aspecto de serem muito pouco usados.
Caminharam em direcção a um corredor estreito, e entraram num quarto de dormir com um aparência muito genérica e simples. Não tinha qual queres livros nem poções, e a cor branca dava-lhe um ar ainda mais irreal. Snape abriu a primeira gaveta, a contar decima, duma cómoda de madeira escura, com um espelho baço a adorná-la. Estava completamente vazia, com apenas um pequeno envelope gasto. O professor pegou-o e abriu-o, tirando para fora o que parecia ser uma fotografia cortada, e entregou-a a Harry.
- Penso que a Lily queria que ficasses com isso.
Harry piscou os olhos e olhou para a imagem da sua mãe, sorrindo e acenando, com o cabelo ruivo a voar ao vento. Tinha um vestido verde-avelã, a condizer, e Harry não deixou de notar, com uma ponta de orgulho, que apesar das parecenças que tinha com o pai, era capaz de reconhecer alguns traços semelhantes aos seus.
- Obrigada. Diz-me como é que ela era? – pediu Harry sentindo os seus olhos marejarem de lágrimas.
A única recordação que tinha da sua mãe era do espelhos dos invisíveis, e dos pequenos vislumbres provocados pela sua ligação com Voldemort, e neles, só a sua silhueta, de braços abertos, e rosto pálido, tombando como uma pequena peça de xadrez nas mãos dum senhor cruel, só isso ficara-lhe cravado na memória, assombrando-o e apagando-lhe qualquer recordação feliz da sua vida curta. Nada palpável em que pudesse tocar. Fez uma nota mental de usar um feitiço para colar essa parte da fotografia à outra que já tinha, com o seu pai e ele no seu colo.
- A tua mãe era simpática e amigável, toda a gente gostava dela, e era capaz de fazer amigos de diferentes idades e casas com facilidade. – A voz tremeu-lhe levemente. – Mas ela era capaz de ser teimosa e dura quando discordava de alguém, assim como tu.
- Eu pensava que julgavas que eu era mais parecido com o meu pai.
- Talvez eu tenha sido um pouco apressado em avaliar-te.
- Sabes, nós não somos assim tão diferentes – confidenciou Harry, continuando antes que Snape o pudesse contrariar. – A sério! Os meus tios não tratavam-me propriamente muito bem, tal como os teus pais, e quando eu fui para Hogwarts foi como se eu tivesse realmente começado a viver. Ambos encontra-mos refúgio ali, e às vezes eu penso se seria capaz de ser feliz fora de lá. – Guardou a fotografia com cuidado no bolso, fixando-o nos olhos. - Como é que foi para ti, viver fora de Hogwarts? – perguntou com curiosidade genuína, ansiando que o professor desse-lhe a resposta a um enigma já antigo.
- Parecia-te feliz no colégio? – perguntou-lhe Snape, sem dar-lhe tempo para responder. – Não, depender desse tipo de emoções é um erro, enfraquece a tua mente, e faz-te esquecer dos objectivos mais importantes. – A sua voz era controlada, mas Harry julgou ver um bebé chorando dentro de si, cortado talvez para sempre dum mundo que não tinha-lhe sido capaz de dar amor, degradando e humilhando emoções genuínas com medo que uma simples carícia fosse transformar-se num gesto ameaçador. Após um momento de pausa, continuou: - Tu fostes o mais próximo que estive de ser feliz.
- Se pudesse-mos passar mais tempo juntos…
- Sim, tu serias capaz de levantar-me os ânimos – concluiu Snape com uma ponta de rancor. – Isso é o que eu temo, habituar-me à tua presença para depois perder-te.
Naquele momento, sentiu que devia, mais que nunca, ficar ao lado de Snape, provar o quanto a sua presença era benéfica, iluminando-lhe as trevas dentro dele, propagadas por anos de solidão extrema, em que tivera de desempenhas diferentes papéis, até esquecer-se de si mesmo.
Com cuidado, como se tivesse a lidar com um animal ferido, estendeu a sua mão, entrelaçando os seus dedos nos de Snape, até ser capaz de sentir o seu calor espalhar-se pela sua pele gelada. Sentiu o seu rosto queimar-lhe, a proximidade era suficiente para fazer o seu coração agitar-se no seu peito de forma desconfortável. Quando ergueu os seus olhos, conseguiu ver a expressão de puro choque no rosto flácido dele, como se a última coisa que esperasse fosse ser tocado.
Pensou como seria ser como Snape, usar sempre uma máscara diferente no rosto. Ser um professor a perder o seu tempo corrigindo testes infindáveis, disciplinando e ensinado alunos preguiçosos; um devorador da morte assassino, preso a ideologias fundamentalistas; um aliado e inimigo, seguro para uns, precário para outros; espião e colega, sem nunca ser verdadeiramente nada, perdido nos papéis que desempenhava, com um controlo duro e inflexível sobre todas as suas emoções para, depois de tantos anos ausente, acabar por ligar-se ao filho do homem que mais odiava, um aluno seu, com menos do dobro da sua idade. Não havia problema, ia fazê-lo entender o quanto sério sentia-se quanto a eles. Ia guiá-lo nas trevas, ou se fosse preciso, ia fortalecer a sua presença até faze-lo sair da sua armadura de metal.
Após um pequeno silêncio arriscou-se. – Tu és tudo o que eu quero, e tudo o que eu preciso – admitiu Harry. – Eu nunca vou deixar-te, e mesmo que eu precise, um dia, de ausentar-me por algum período de tempo, o meu coração estaria sempre contigo, e quando voltasse ia encher-me de felicidade, por que eu sei que estarias sempre à minha espera, como eu faria por ti. Eu não vou deixar ninguém separar-nos. – Corou, mantendo os olhos baixos. As mãos tremiam-lhe ligeiramente, esperou que Snape não notasse o seu nervosismo, que ameaçava desenrolar-se do seu estômago e sair cá para fora.
A respiração parou-lhe de súbito, Snape beijou-lhe com ferocidade, bebendo-lhe os lábios, como um viajante perdido no deserto ao encontrar um oásis. Harry deixou-se ser assaltado entusiasticamente, sentindo a sua língua húmida penetra-lhe na boca, registando a sensação de dedos compridos puxando-lhe para mais perto de si, mantendo-o cativo de encontro ao seu corpo. Foi como se uma torça quente tivesse sido ateada, derramando o seu fogo dentro do seu corpo, espalhando-se e pintando a sala em tons de vermelho sangue. Ele não queria sair dali, não queria deixar para trás o calor e protecção do corpo ligado ao seu, ainda assim, antes de acabar de pensar, já Snape afastara-se um passo, os seus pulmões lutando por ar. Tinha a certeza que havia mil e uma emoções expressa no seu olhar.
A boca de Snape, ainda esfolada do beijo partilhado, retorceu-se num sorriso desagradável. - Ora, talvez não tenhas deixado que a fama subisse-te à cabeça depois de derrotares o Senhor das Trevas, como inicialmente julguei, mas seguramente que nem a tua ambição deve ser tão medíocre que satisfaça-se tão facilmente.
- Eu não sou um Slytherin. Mesmo assim, vou lembrar-me disso da próxima vez que pensar em salvar o mundo da magia – disse Harry, brindando-lhe com um sorriso falsamente inocente. – Essa casa pertencia aos teus pais – mudou de assunto ao olhar em seu redor, para as paredes brancas e vazias. – Eu lembro-me. Ouvi-te a falares dela, com a minha mãe, nas memórias que me desta. – Não era uma mentira, ainda assim não tinha sido daí que reconhecera aquela paisagem desoladora. Quando estava a praticar oclumência, lembrava-se de ter visto um breve vislumbre duma criança triste, escondida atrás da porta dum quarto desagradável. Não queria recordar Snape da sua intromissão, nem sabia se o professor tinha-se apercebido. – Não é lá muito bonita, prefiro os teus aposentos em Hogwarts – admitiu.
Snape lançou um olhar de desapresso em seu redor. – Eu não vivo aqui a tempo inteiro. Já ter de passar o verão nesta casa é suficiente, eu evito prolongar a minha estadia quando não é necessário. – Caminharam de regresso à sala de estar. – Os meus pais estavam sempre a discutir. A minha mãe preferia não ter desistido do seu emprego como capitã duma equipa de Quidditch, para casar e fazer algo tão fútil como cuidar de filhos, e o meu pai era violento, e estava sempre zangado. Os muggles e os feiticeiros não são muito diferentes: a maioria deles é estúpido e demasiado vulgar, comportam-se como um rebanho de ovelhas, e preferem proceder como é esperado, tendo em conta a expectativa dos outros, em vez de pensarem por si mesmo – A sua voz era gelada.
Decidiu dirigir a conversa noutra direcção, sabendo o quanto doía-lhe falar daquele tema, embora sentisse-se curioso por conhecer mais da sua infância. Tudo a seu tempo, pensou. Haveriam alturas para isso, por agora, teria de dedicar-se a conversas mais alegres.
- Desculpa. Eu não devia…
- Eu não preciso da tua pena! – cuspiu Snape, as palavras saíram-lhe mais fracas do que deviam. – Queres chá? – Mudou de assunto.
- Chá!? – gritou Harry espantado.
Snape arquejou as sobrancelhas em tom um pouco mais divertido. – Sim, chá. Mesmo alguém como tu, com resultados tão pobres a poções, deve conseguir executar uma tarefa tão fácil.
- Claro! – exclamou indignadamente. – Eu cozinhava quase sempre para os meus tios, até ao dia em que o Dudley decidiu fazer uma dieta, e a tia Petúnica meteu na cabeça que eu andava a enfiar gordura a mais na comida dele, de propósito.
Tinha sido inicialmente um tormento vê-la assistir enquanto ele preparava a comida, pegando em cada ingrediente para o examinar, mas felizmente que a própria tia aborrecera-se, e decidira começar a fazer ela própria a comida.
- Eu só não imagino-te a fazer tarefas domésticas – continuou.
Snape arquejou o sobrolho, lançando-lhe um olhar carregado. – Qualquer pessoa consegue lançar um feitiço simples como este.
Sem esperar pelo consentimento de Harry, Snape, com um movimento suave da sua varinha, fez com que talheres e utensílios de cozinha começassem a dançar no ar, flutuando ao seu ritmo próprio, numa coreografia atarefada, derramando ingredientes e misturando-os em pequenas chaves de porcelana.
Harry puxou uma cadeira, e sentou-se em frente à mesa da cozinha, soltando um gemido de dor ao sentir a pele retesar por debaixo do tecido da roupa, arranhando-lhe num golpe de dor agudo. Levantou os olhos na direcção de Snape, na esperança que ele não desse por nada, mas o professor já deixara o bule e as chávenas de chá caírem, com um estrondo enfurecido, sobre o balcão da cozinha, caminhando na sua direcção em passos rápidos.
- Tu estás ferido. Mostra-me – ordenou Snape num tom de comando que não suscitava qualquer desobediência.
- Não é nada – apressou-se Harry a desculpar. – Eu só escorreguei quando estava a caminhar no parque de Hogsmeade.- Quebrou o contacto visual, sabendo da importância que tinha para um Legimante conseguir ter acesso às suas emoções.
- Não me mintas! Nunca foste bom a esconder os teus sentimentos. Mostra-me. Não vou pedir-te de novo!
Harry não diz nada, nem fez qualquer movimento para mostrar-lhe as suas feridas, apenas afastou as suas próprias mãos, que seguravam o seu torso protectoramente. Apesar disso, também não deteve as mãos esguias de Snape de erguerem a sua blusa, e tocarem na sua pele suavemente.
Os olhos negros e frios do professor cravaram-se nele. - As tuas feridas não curaram como deve ser. Podem infectar se não forem tratadas. Porquê que não mostrastes-me mais cedo? – Snape parecia furioso, podia jurar que as suas palavras eram capazes de cortar o ar. – Pensastes que eu era impressionável como as tuas adoradoras? Que a ideia de ver umas feridas, capazes de deixar cicatrizes, ia-me causar aversão, mesmo sabendo que eu tenho marcas bem piores? – A sua voz arrefeceu consideravelmente.
- Não é isso! – balbuciou chocado.
A verdade era que aquela ideia nunca ocorrera-lhe. Snape não era uma pessoa materialista, e apesar das suas incertezas acerca da sua aparência e diferença de idade, um precipício que podia separá-los facilmente, Harry cresceu habituado ao interesse e desejo que era capaz de facilmente despertar nele. Se a sua aparência desagradava-lhe, nunca teria acabado por tocar-lhe daquela forma, murmurando o seu nome e voltando por mais. E duvidava que algumas cicatrizes fossem suficientes para mudar isso.
- É só que… o Draco e o Goyle não são propriamente óptimos feiticeiros. Eu lutei contra inimigos piores. E se eu não consegui derrotá-los, o quê que isso diz de mim? – perguntou Harry aflito, desviando o olhar embaraçadamente.
- Eram dois contra um e estavas desprevenido.
- Então eu presumo que, da próxima vez, eu deva pedir polidamente para cada um dos meus inimigos aguardar o seu turno, para lutar comigo. Se eu quiser ser um Auror vou ter de lutar contra mais do que um feiticeiro!
- Hogwarts, enquanto instituição, devia ter velado pela tua protecção. Mas não iludas-te: não existe lugares seguros. Os Gryffindor são orgulhosos e nobres, qualidades muito pouco úteis se precisas de derrotar o teu inimigo – disse secamente, com uns traços do seu tom zombador habitual. - Quantas vezes pensas que eu ataquei, em grupo, feiticeiros mais vulneráveis, ou derramei para dentro dum cálice uma poção que fizesse com que os meus inimigos não acordassem no dia seguinte? Talento e coragem são importantes, mas precisas de conhecer os teus inimigos, e eu acredito que não terás muitas dificuldades nesta área. Podes ter sido um tolo inocente, sem consciência do perigo que era a tua ligação com o Senhor das Trevas, mas fostes capaz de aproveitar-te do conhecimento que adveio dela, assim como compreender com facilidade a complexidade das Artes das Trevas. Eu tive alunos idiotas e fracos, que tornaram-se Aurors, mal sabendo o que é a guerra, que pensavam que bastava saber um conjunto de feitiços básicos para derrotar Devoradores da Morte que não hesitam em matar! Tu tens experiência, e muito tempo para aprofundar os teus conhecimentos sem nada para deter-te – concluiu com alguma aspereza.
Snape apontou-lhe a varinha, murmurando encantamentos em voz baixa, entoados como se fosse uma melodia suave, e as suas feridas tornaram-se menos proeminentes.
- Obrigada – disse, decididamente grato.
Snape afastou os seus agradecimentos, com se uma mosca trata-se. Levantou-se da cadeira, guardando a sua varinha no bolso e desapareceu, para, passado poucos minutos, voltar a reimergir com um frasco de poções cor de ouro líquido, e um conjunto de ligaduras de tecido de lã. Pousou-as em cima da mesa, e procurou nos armários por um recipiente de pequenas dimensões, enchendo-o com água fria. Pegou num pano limpo e molhou-o, começando por lavar-lhe as feridas. Onde a água tocava na sua pele, sentiu o frio causar-lhe uma sensação de dormência, alastrando-se pelo seu tronco inteiro.
- O Draco não vai-te incomodar de novo, Eu verifiquei-me disso. Fiz-lhe entender que haveriam consequências se ele provocasse-te, pronuncia-se o teu nome, ou até mesmo olha-se na tua direcção – disse possessivamente, a sua voz grave transformando-se numa ameaça velada. O ar em seu redor, de repente pareceu tornar-se mais frio. – Eu não vou perder-te! Nunca! Não vou deixar ninguém levar-te de mim! Mesmo que tenha de proteger-te contra todo o mundo. Eu estarei sempre a teu lado.
- Tu magoaste-o?
- O suficiente para fazê-lo entender – respondeu. Snape semicerrou os seus olhos negros sem vida.
A resposta não o surpreendeu. Snape sempre o pusera à prova e provocara-o com o seu lado mais negro, intimidando-o a deixá-lo, com medo de ser rejeitado mais tarde, mas Harry não acreditava que ele fosse tão malvado e cruel como dava a entender, de outra forma não teria feito os possíveis para salvar todas as pessoas que vira em perigo de vida. Mesmo quando atacara a Ordem da Fénix, a mandado do Voldemort, apenas ferira George tentando aparar o feitiço dum Devorador da Morte, na batalha dos Sete Potters. Não, a altura em que desconfiara de Snape já tinha passado à muito, desde que tinha tido acesso às suas memórias, e compreendera o seu papel crucial na vitória contra o Voldemort. Mesmo assim, temeu por momentos o quê que ele pudesse ter feito ao Draco, num ataque de raiva, depois de encontrar o seu corpo quase sem vida. Talvez não o tivesse torturado sem misericórdia, mas duvidava que Draco fosse esquecer-se daquele dia, tão cedo, e isso, para além de afligi-lo, reconfortou-o. Porque acima de tudo não queria ter o Slytherin com que preocupar-se.
Harry engoliu em seco. O frio que sentira alastrar-se pelo seu corpo fora substituído por uma centelha de fogo crepitando ao longo da sua pele, ao sentir os dedos finos de Snape massajarem suavemente o conteúdo do frasco de poções sobre o seu tronco. As suas mãos faziam movimentos circulares em torno do seu abdómen, subindo um pouco para logo a seguir descer até pouco mais abaixo do seu umbigo, cobrindo toda a extensão das suas feridas. Sentiu os seus dedos acordarem cada recanto do seu corpo, imprimindo a sensação de borboletas a dançarem suavemente sobre a sua pele escaldante, e esperou que Snape não notasse como o seu diafragma movia-se rapidamente numa corrida constante, para cima e para baixo, em sintonia constante com as golfadas de ar que ele engolia apressadamente. Esperava que as suas pupilas dilatadas, e as suas unhas a cravarem-se na cadeira com uma força tremenda não chamassem-lhe a atenção. Não queria que Snape pensasse que ele era incapaz de controlar-se, que bastava um toque seu para pô-lo naquele estado.
Snape aplicou mais conteúdo do frasco sobre a sua pele, fazendo deslizamentos com os punhos fechados, tendo todo o cuidado para não pressionar com demasiada força, descendo, brevemente, um pouco mais em direcção às virilhas, para aparar uma gota de líquido que escorrera traiçoeiramente. Harry teve a sensação que se Snape não se despacha-se em breve, iria atingir o orgasmo sem sequer sem tocado lá em baixo. As suas boxers abraçavam desconfortavelmente toda a extensão do seu pénis protuberante. Felizmente, o professor parou para apor sob a região afectada, uma compressa de pano húmido.
- Acreditas que o Draco estava sob uma maldição Imperius quando atacou-me? Ele não gosta lá muito de mim, e os seus pais caíram de boas graças desde a batalha de Hogwarts. Ele tinha bons motivos para querer-me morto, e não é a primeira vez que tenta envenenar alguém – disse Harry, honestamente.
Depois de tudo o que passara-se entre eles, não era assim tão difícil acreditar que Draco poderia desejá-lo morto. Era verdade que não tinha conseguido assassinar Dumbledore, como Voldemort o mandara, mas muita coisa poderia acontecer num espaço de pouco menos dum ano.
- É verdade – respondeu Snape sem parecer, no entanto, concordar. Ponderava as palavras cuidadosamente. – Contudo, ele apresentava sinais claros de estar sobre uma maldição Imperius mal executada, que tu talvez tivesses notado antes, caso estivesses em condições de prestar atenção. - Snape fez os seus dedos deslizarem com mais força sobre a sua pele, ponderado as palavras que ia dizer a seguir. - Desde que derrotastes o Senhor das Trevas que existe muitas pessoas que desejariam a tua morte. Alguns dos seus apoiantes ainda andam em fuga, e infiltrar-se em Hogwarts não seria completamente impossível.
Harry tinha pensado em utilizar-se como isco, e atrair seja quem for que o tenciona matar a uma localização planeada, com um grupo de pessoas próximas a servir de vigilantes, mas sabia que o plano não era lá muito bom, e Snape nunca consentiria em ajudá-lo, demasiado teimoso em agir por meios próprios, sem dizer-lhe nada. Quando voltasse a Hogwarts iria falar com a Hermione e o Ron, decidiu.
As mãos hábeis de Snape trabalharam metodicamente, enrolando a ligadura de compressão em volta do seu corpo com duas voltas, em movimentos circulares que sobrepõem-se, de forma a segurar a compressa de pano circular.
- Bem, então como? – perguntou Harry com curiosidade.
Ninguém podia desmaterializar-se ou materializar-se em Hogwarts, e o castelo tinha vários feitiços de protecção milenares, que até agora tinham executado o seu papel na perfeição. Utilizar o guarda-fato como portal de transporte, como Draco fizera, não ia ser um truque que resultasse uma segunda vez. Claramente, se alguém quisesse entrar, teria de servir-se de outro plano.
- Existe formas… E isso deve bastar-te. – redarguiu repressivamente, afastando as suas mãos do corpo de Harry.
Queria protestar, mas a perda das mãos sobre o seu tronco, venceu qual queres receios iniciais.
- Não pares de tocar-me – pediu, corando visivelmente e abaixando o rosto.
Já? – perguntou Snape maliciosamente, lançando um olhar à protuberância óbvia nas suas calças.
Harry não disse nada, limitando-se a observar o chão, subitamente interessado nos seus padrões aborrecidos. Quando estava prestes a levantar-se, incapaz de manter-se na mesma posição por muito mais tempo, sentiu um par de mãos pálidas atraírem o seu corpo em direcção ao seu, coagindo-o a sentar-se sobre o seu colo.
Soltou a respiração que estava a conter por já algum tempo. As mãos de Snape ruminaram sobre o seu braço, parando perto do pescoço, para logo a seguir descerem sobre o seu tronco, explorando cada recanto exposto da sua pele. Os seus lábios finos traçaram um trilho imaginário, beijando e sugando o seu pescoço, provando o sabor salgado da sua pele, os seus dentes prendendo a sua orelha, provocando-o ao mesmo tempo que procuravam o seu ponto erógeno, com movimentos suaves da língua.
Harry protestou debilmente, os lábios secos entreabertos, e os músculos do estômago contraídos em antecipação, derramando uma torrente de fogo líquido sobre si. Agarrou-se à cintura de Snape, movendo-se lentamente de forma a provocar atrito, sentindo os dedos do professor encontrarem finalmente os seus mamilos erectos e fecharem-se sobre eles, contorcendo-os e obrigando-o a soltar gemidos e suspiros suaves.
- Abre os teus olhos - a voz de Snape ordenou, e Harry apercebeu-se que tinha estado com os olhos cerrados à já algum tempo, lutando para sorver golfadas de ar fresco.
- Tu és lindo.
- Eu não requeri que mentisses.
- É verdade! – gemeu e chiou, largando a cintura de Snape, e deslizando os seus dedos pelas suas coxas, parando para acariciar preguiçosamente o seu interior em pequenos círculos suaves. – Eu adoro os teus olhos negros e profundos, a forma como teu corpo encaixa-se de encontro ao meu, o teu cabelo… ahhh… - os lábios de Snape encontraram um dos seus mamilos, sugando-os e lambendo-os suavemente entre os seus dentes -, não existe alguém com o cabelo igual ao teu.
- Só isso? – perguntou Snape com uma pontada de malícia.
- Não – respondeu sinceramente. – Eu adoro como os teus lábios apertam-se quando sentes-te incomodado, o teu tamanho, a cor da tua pele, e as tuas convicções fortes, mesmo quando discordo delas.
Com uma lentidão tortuosa, brincou com o tecido negro das calças de Snape, desfazendo apressadamente o nó que o separava da sua pele fria, e introduziu os seus dedos dentro das suas boxers, moldando e girando a base do pénis até fazer-lhe endurecer, parando apenas, por breves momentos, para acariciar o escroto, dando maior ênfase aos testículos.
– Eu quero-te! Eu quero cada parte tua! Aaaahhhh!
- Cuidado com o que pedes, Potter – Snape mordeu-lhe na veia jugular, entre o pescoço e os ombros, arrancando um grito abafado dos seus lábios. A sua voz era um rugido suave sobre a concha da sua orelha.
- Chama-me Harry - pediu.
- Enquanto ainda fores meu aluno chamar-te-ei Potter.
Em poucos segundos, Snape afastou-lhe as mãos, pegando-o ao colo, e transportando-o em direcção ao seu quarto, como se ele fosse tão leve como uma pena. Deixou-o cair sobre a sua cama sem delongas, procedendo a retirar as suas calças e boxers, pontapeando-as para longe, e deixando à mostra o seu pénis pálido e protuberante, erguendo-se erecto, com a sua cabeça molhada, implorando para ser tocada.
Harry não protestou, incapaz de desviar os seus olhos, sentindo-se hipnotizado pelos movimentos das mãos longas, desapertando a blusa e afastando-a do seu corpo, do pénis a baloiçar entre as suas pernas, coberto dum manto de pelos escuros, e do seu próprio corpo reagindo instintivamente ao cenário à sua frente.
Já estava à espera da sua resposta, ainda assim não conseguiu deixar de negociar:
- Chama-me Harry, pelo menos enquanto estamos sozinhos.
Snape não respondeu. Em vez disso, deitou-se de cotovelos sobre a sua cama, delineando, com a língua, os seus lábios finos, e Harry começou a retirar a sua própria roupa a toda a velocidade, enviando-as para o chão até formarem uma pilha de roupa, sem conseguir conter-se durante muito mais tempo. Conseguia sentir os olhos do outro colado ao comprimento do seu corpo, devorando-o num calor arrebatador.
Sem demorar-se muito mais tempo, subiu para a cama, sentando-se sobre o corpo de Snape, de forma a que os seus pénis roçassem um de encontro ao outro, provocando uma sensação de atrito feroz. Afagou-lhe o rosto magro, suavizando-lhe as suas linhas duras, e emprestando-lhe uma expressão de harmonia e prazer constante, e beijou-o na testa, acariciando, e lambendo os músculos do peito. Snape traçava a linha da sua colina, agarrando e apertando as nádegas entre a sua mão esquerda, enquanto com a mão direita masturbava agilmente os seus pénis, movendo-se sobre as suas raízes, acariciando os seus prepúcios, e provocando com que um grito fugisse da sua boca. Sentiu um pequeno estremecimento agitar o seu corpo, à medida que carvão em brasas amarrava-se lentamente à volta do seu estômago, uma centelha de desejo atiçada.
- Impressionante com tudo gira à tua volta. No entanto, não consigo afastar os meus olhos do teu corpo – rugiu asperamente Snape.
Quis dizer-lhe, como já antes o fizera, que pouco importava-se com a fama que a sua cicatriz trouxera-lhe, nem com a popularidade que alcançara depois de derrotar o Voldemort, desde que o tivesse junto a seu lado, mas Snape não parava-lhe de tocar. Se ao menos ele parasse nem que fosse por um minuto… As palavras colaram-se há sua garganta, e as suas pernas abriram-se mais, instintivamente, ao sentir os seus dedos ágeis torcerem-se em volta do seu pénis, desconcentrando-o com os seus movimentos.
Harry penetrou-se com dois dedos, preparando o seu corpo e brincando com o seu ânus em movimentos lentos. Os músculos do seu corpo contraíram-se, arquejou as costas, mordeu os lábios e rangeu os dentes, reprimindo um gemido que ameaçava-o sufocar, ao sentir a mão de Snape fechar-se completamente sobre os seus pénis, ao mesmo tempo que os seus dedos encontraram um ponto dentro do seu corpo que o fez perder o seu controlo, num jogo de gelo e fogo.
- Ohh… sim… é tão bom… mais… Eu costumava tocar-me… ahhh… desta forma pensando em ti. – As palavras atropelaram-se para fugir dos seus lábios.
Lábios adormecidos sobre a sua pele chamavam a noite sem fim, e toques gentis acordavam-lhe as trevas, a sua consciência fundida com a de Snape, sentindo-se finalmente cheio, envolto naquela escuridão, procurando um ritmo próprio de membros e respirações entrelaçados.
Quando pensou que devia estar próximo do orgasmo, um grito de dor escapou-lhe dos seus lábios, a sua ferida picando-lhe como lâminas dum punhal a cravar-lhe o tronco.
- Pára! – pediu Snape. – Existe outras formas.
Com cuidado, Snape agarrou-o pela cintura, e deitou-o de barriga para baixo sobre os lençóis da cama, o seu pénis erecto friccionado de encontro ao tecido sedoso, esperando ansiosamente pelo seu toque. Mas os dedos de Snape não acariciaram-lhe a pele, em vez disso, sentiu os seus lábios magros traçarem beijos ao longo da barriga da sua perna esquerda, mordendo suavemente a sua superfície, causando com que um tremor apossa-se do seu corpo.
A língua húmida contornou o seu ânus, penetrando-o suavemente, e Harry esperou que tudo aquilo nunca mais acabasse, preso num mundo só deles, sem ninguém para os separar, enquanto os movimentos de Snape tornavam-se cada vez mais rápidos.
- Accio óleo de aloé vera - disse Snape, e Harry levantou a cabeça com curiosidade, para logo ver um frasco transparente com um líquido amarelo iridescente sair do armário da cabeceira, ao lado da cama, e voar em direcção à mão do professor.
Após alguns minutos, na qual Harry supôs que Snape aplicava o lubrificante sobre a o seu próprio pénis, sentiu um corpo pálido cobrir o seu, imobilizando-o, um rosto suado encostado aos seus cabelos, e a sua mão esquerda entrelaçada em harmonia com a de Snape, quando a cabeça do seu pénis entrou dentro de si, trémula e latejante, enchendo-o por inteiro, e adaptando-se aos músculos do seu ânus, procurando um ritmo próprio entre cacofonias de prazer.
As estocadas tornaram-se mais fortes, abrindo-o por dentro. Agarrou as cobertas da cama, cravando as unhas até doerem-lhe, no lençol escuro, o seu rosto empapado em suor, com o seu cabelo colado há testa. Em poucos segundos, os seus músculos flectiram-se, a sua pele tornou-se rija. Tentou pressionar mais o sei corpo de encontro ao de Snape, conduzir a sua cintura numa sintonia hipnótica, movendo-se de encontro a ele, mas sentia-se sem respiração, as suas forças faltavam-lhe, tornando-o demasiado fraco para mexer-se. Um calor invadiu-lhe o corpo, e o seu coração martelava ferozmente de encontro ao seu peito, como se tivesse falhado um degrau das escadas.
- Nnnhhh! Eu não consigo aguentar mais! Não pares! – berrou Harry, por cima dos sons dos seus próprios gemidos.
Daria quase tudo para que aquele momento nunca mais acabasse, preso num mundo só deles, com o fluir do tempo a marcar a sua harmonia. Sem deveres, nem pessoas para corresponder às suas expectativas, sem ninguém para julgá-lo. Teria querido prolongar o mais tempo possível, decidido a que, agora, depois de ter experimentado passar mais algum tempo com Snape, tudo aquilo não esfumasse-se como cinzas ao vento, mas o seu corpo não concordava consigo. Protestava ao sentir os braços em seu redor apertarem-se mais, e um calor crescer cada vez mais dentro de si, tornando-se em braças vivas que ameaçavam pegar-lhe fogo por inteiro, o seu pénis, pulsando, duro, dentro dele, atingiu a sua próstata vezes sem conta, empurrando-o em direcção ao orgasmo.
- Ohh, sim! Harry! – A voz de Snape quebrou-se num murmúrio, ejaculando dentro dele um pequeno jacto, quente e pegajoso, de sémen, marcando-o por inteiro.
- Eu amo-te! Eu amo-te! Eu amo-te – confessou Harry vezes sem conta, o rosto pressionado de encontro à almofada, o pénis de Snape mergulhando com cada vez mais força dentro dele, obrigando-o a gritar ainda mais alto o seu nome, até fazê-lo sufocar.
Apenas foi capaz de registar vagamente o calor que o corpo do professor emitia. E, no fim, não foi apenas o som da voz de Snape, chamando o seu nome, murmurando palavras de encorajamento, e suspirando obscenidades ao seu ouvido, que o empurrou em direcção ao orgasmo. Olhou para trás, à volta dos seus ombros. Foi Snape, em toda a sua essência, sem qualquer traços de malícia, com os olhos escurecidos por desejo, tão desesperado, perdido nele, que o fez perder qualquer compostura, e gozar.
Gotas de sémen claras mancharam a coberta da cama, deixando uma sensação húmida no seu órgão. O pénis de Snape enterrou-se uma última vez dentro dele, até os seus braços enfraquecerem, cedendo ao peso do seu corpo.
Deixou-se cair sobre Harry, ambos contando o barulho da galgaria dos seus corações. Tinha quase a certeza que seria desta vez que Snape iria afastar-se, como tantas vezes fizera antes, levantando-se e começando a vestir-se com movimentos demasiado rápidos, mas o professor não parecia ter qualquer intenção de mexer-se. Em vez disso, deixou-se ficar com o pénis já flácido dentro dele. O seu corpo cobria, e rodeava-o, as suas pernas emaranhadas, e os seus braços cercando os seus, e Harry não conseguiu encontrar vontade para falar, quebrando aquele silêncio tão tranquilizador. Em vez disso, os seus músculos protestaram, e as suas pestanas tornaram-se mais pesadas, a noite abatendo-se sonolenta sobre os seus corpos cansados.
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- Acorda! Quantas horas pensas que são? – gritou-lhe Snape rigidamente. Parecia impossível que o Potter, não Harry – lembrou-se – parecia ser capaz de dormir tão pesadamente numa circunstância como aquela.
O rapaz estendeu as mãos em direcção à mesa da cabeceira, apalpando às cegas em busca dos seus óculos. Tomou pena dele, ainda que, em parte, por não ter tempo para muitas delongas, e estendeu-lhe os óculos redondos que encontravam-se, na realidade, atirados ao chão, mesmo em cima das suas calças.
- São nove e um quarto – disse Harry, como se ele já não o soubesse. - Eu detesto ser acordado desta forma… - queixou-se, bochechando, sem no entanto fazer qualquer movimento para levantar-se.
Ponderou se ele ainda não estaria, na realidade, a dormir.
- Eu sei que essa notícia poderá parecer chocante para ti, mas eu ainda sei ver as horas. Um dia em que não seja capaz, sem dúvida que posso contratar-te para exerceres tal função – respondeu-lhe, empurrando-lhe um olhar aborrecido.
Com passadas largas, caminhou até à cozinha, regressando com um pano molhado entre os seus dedos, para encontrar Harry ainda deitado na cama, os braços estendidos, abraçando a almofada preguiçosamente.
- Levanta-te! Eu não vou-me repetir-me outra vez – avisou. - Por essa altura, a Directora já deve ter alertado os Aurors da tua ausência.
Harry apoiou-se nos cotovelos, sem no entanto fazer qualquer intenção de realmente levantar-se. – Obriga-me. – Um sorriso breve espreitou nos seus lábios. – Ao contrário de ti, que passas as noites a corrigir testes e a patrulhar os corredores, eu preciso duma boa noite de sono para acordar com energia no dia seguinte.
Parecia que ele, de alguma forma, tornava-se mais insuportável depois do sexo. Deveria ser uma qualidade inata sua. Talvez não devesse incentivar este tipo de comportamento, pensou. Ainda assim, não conseguiu deixar do provocar, sentindo um prazer macabro em ver aqueles olhos encherem-se de energia.
- É uma pena… Logo este ano, em que os Gryffindor tinham boas hipóteses de ganhar a taça de Quidditch.
- O quê que isso tem a ver com Quidditch? – perguntou Harry, interessado.
- Em quem é que pensas que a Directora e a professora Miller vão acreditar? Em ti, que passas a vida a causar sarilhos, ou em mim que sou um professor? – Um sorriso torto e cruel desprendeu-se dos seus lábios. – Se eu dizer-lhe que perdestes o teu tempo em tarefas infrutíferas, sem ter em conta as horas de regresso, e a tua própria segurança, elas ver-se-ão obrigas a castigar-te, deixando pouco ou nenhum tempo para treinos. E, corrige-me se eu estiver enganado, mas eu não penso que seja a primeira vez este ano – disse Snape. Sabendo perfeitamente que Harry já tinha sido castigado vezes sem conta. – Receio que isso irá influenciar a tua performance.
- Tu não terias coragem… - declarou Harry, como se ele já não tivesse feito bem pior por menos. Para além do mais, ele dificilmente deveria ser autorizado a praticar Quidditch no estado em que encontrava-se.
- Queres arriscar-te? - perguntou-lhe provocadoramente. – Porque, a esta hora, nem o Weasley é tão denso para não ter dado pela tua falta.
- Está bem, está bem – disse Harry contrariado. – Eu já ia-me levantar de qualquer das formas. Mas não insultes o Ron desta forma! Ele é meu amigo.
Snape decidiu não dizer-lhe que isso dificilmente seria uma boa justificação. Em vez disso, alcançou as roupas a Harry, devorando-lhe com o olhar, cada traço do seu corpo, ao ponto de fazê-lo corar. Sentiu um ardor pelo peito, ao ver Harry pegar no pano e limpar o seu pénis exposto, assim como o buraco apertado do ânus, ainda com o sémen a pingar-lhe, e isso fez-lhe lembrar como o seu próprio pénis tinha estado enterrado dentro dele até alguns minutos, enquanto dormia nos seus braços. Foi preciso todas as tuas forças para não enviar-lhe de volta para a cama, atacando-lhe cada região do seu corpo.
- Mas o quê que vamos dizer, a sério, para justificar a nossa ausência? Porque eu recuso-me a arcar com todas as culpas, e eu duvido que a Mcgonagall goste de ouvir um relato das nossas actividades.
- As tuas feridas...
- Não! - interrompeu-lhe Harry. – Eu estou cansado de estar na enfermaria, e se passar mais um dia que seja lá vou chumbar os meus exames. – Pegou nas suas calças e começou a vesti-las, sentando-se na cama para calçar as meias e os sapatos negros.
Graças aos seus cuidados bastava que ele não fizesse esforços bruscos. Não seria necessário voltar à enfermaria. As feridas curar-se-iam em pouco tempo.
- E se até tu estás preocupado com as tuas notas, deve ser de estrema gravidade. – Snape ajudou Harry a amarrar a gravata vermelha e dourada, não porque queria uma desculpa para continuar a tocá-lo, porque isso não faria sentido algum, mas mais para tentar ajudá-lo a despachar-se. Já passavam pouco das nove e meia, e Snape fazia a tensão de vê-los regressar antes da hora de recolher obrigatório, embora sem dúvida, beneficia-se se não tivesse de olhar para os rostos aborrecidamente curiosos de alunos, coscuvilhando e parando para vê-los passar. – Eu vou pensar nalguma coisa quando chegar-mos a Hogwarts. Tu ficas calado e confirmas a minha história. Fiz-me entender?
Harry não disse nada, em vez disso continuou a vestir sobre a camisa o suéter de malha de lã cinzenta, de gola em formato v, lutando apressadamente com as mangas, pegando, por fim, no casaco comprido que tinha sido esquecido, pendurado no cabide ao pé da porta de entrada.
- Vamos – E a sua voz ríspida suave mais a uma ordem do que a um pedido. Mas Harry não moveu-se, em vez disso, deixou-se ficar parado, como uma expressão facial que indicava que algo o devia estar a incomodar.
- Eu não penso que venha ser fácil voltar-mos a encontrar-nos a sós – disse Harry, e Snape teve a ideia que tentava adiar a sua partida, relutante em deixar para trás o único lugar que servira como refúgio para eles no último mês. – A Hermione e o Ron vão desconfiar se eu começar a ir ao teu gabinete, depois das aulas, e eu duvido que alguém acredite que eu estou a ter aulas extra de poções, logo nos últimos meses de aulas. Eu podia utilizar o meu manto da invisibilidade, e ir depois da hora de recolha aos teus aposentos, sem ninguém dar por nada…
A ideia, já de si só, era ridícula. Não seria muito difícil os seus colegas darem pela sua falta, e tendo em conta as circunstâncias, alertarem o seu desaparecimento. Encontros furtivos a meio da noite nunca eram uma boa alternativa, e poriam em risco a sua segurança.
- Só por eu ter-me declarado a ti, isso não significa que eu venha dar-te privilégios, e deixar-te descumprir as regras sempre que achares necessário – declarou secamente Snape, mas ao ver o olhar de decepção no seu rosto, continuou: - Existe formas mais seguras, desde que não sejam usadas em excesso. Isto está mais nas tuas mãos que nas minhas. Sempre fostes bom em causar desordem nas minhas aulas. Arranja-me um motivo para castigar-te, isso não deverá ser muito difícil, e eu prometo-te tornar a tua detenção prazerosa – A sua voz adquiriu um tom de insinuação, provocando o efeito desejado. – Mas tu precisas de lembra-te, deves sempre controlar os teus sentimentos, escondendo e fingindo até convenceres-te a acreditar que é verdade. Actuar é um papel importante. De outra forma seremos expulsos de Hogwarts.
Harry caminhou, ligeiramente corado, na sua direcção, agarrando-lhe pelo peito, trajando padrões sobre o tecido da sua roupa, numa carícia suave, e pressionando o seu corpo de encontro ao dele, mesmo sabendo que tal comportamento era desnecessário. Ambos tinham autorização para aparelhar individualmente, e mesmo que o precisassem de fazer em grupo, não era necessário mais do que um simples toque. Ainda assim não disse nada, em vez disso, agarrou o corpo de Potter possessivamente de encontro ao seu, sentindo o seu próprio cheiro sobre a sua pele.
- Eu prometo.
Snape beijou-lhe no canto dos lábios, provocativamente, saboreando uma paleta de emoções com um simples gesto.
Por mais ridículo que fosse, sentia-se bem com Harry a seu lado, não havia qualquer lugar que desejasse estar naquele momento, a sua presença invocava-lhe uma felicidade que não era capaz de sentir há muito tempo. Devia desprezá-lo, pôr de lado todas aquelas emoções banais e inúteis, mas, em vez disso, não conseguia deixar de agarrar-se com mais força, depender dele como uma fonte de esperança num lugar outrora deserto. Impressionante como, com palavras quentes e gestos suaves, ele fora capaz de preencher o buraco no seu coração.
FIM
