—Capitulo dezessete
Finalmente, Voldemort.

John levantou-se lentamente, sentindo o rosto arder. Um filete de sangue corria diante de seus olhos, embaçando sua visão. Josh estava ao seu lado, apoiado na parede, com vários cortes eu seus braços e pernas. Parecia fazer força para ficar em pé.

—Eu sabia que ia ser fácil. —Disse Fehla, andando lentamente até eles, com um sorriso delineado no rosto. Conservava o chicote em uma das mãos, fazendo-o serpentear pelo chão. —Vamos lá, bonitinho...—Parou diante de John, segurando-lhe o queixo.—Me diga onde está o Luke e eu prometo que te mato sem muita dor.

—Vai ter que me matar dolorosamente, porque EU NÃO SEI ONDE DIABOS O LUKE ESTÁ!—Exclamou John, virando o rosto.

—Hum... que pena.—Disse Fehla, dando as costas para ele, tomando uma certa distância.—Realmente uma pena. Mas vai ser divertido ver suas expressões de dor, antes de morrer.

Ficaram um instante em silêncio. Cambaleante, Josh foi até o irmão, parando ao seu lado. Ambos olhavam para a garota, que agora esticava o chicote ao máximo, flexionando-o.

—Então?—Perguntou Josh, baixinho. —Já pensou um dia em ser morto por uma garota sadomasoquista?

—Não. —Riu John, olhando de canto para o irmão.—Na verdade, sempre procurei curtir a vida sem me preocupar com a morte. Numa imaginei como seria a minha.

—Eu sempre pensei que fosse morrer de cirrose hepática. Ou alguma doença sexualmente transmissível. —Riu Josh, também olhando de canto para o irmão.

Mais uma vez ficaram em silêncio. Fehla ainda flexionava o chicote, como se estalasse as juntas do próprio corpo. Respirando pesadamente, Josh, abaixou o olhar e riu antes de falar.

—Então, cara... antes disso tudo, quero que saiba que eu te amo, mano.

—Cara... —John riu, ainda olhando-o pelo canto do olho.—Sabe que isso foi muito gay, não sabe.

—Sei. —Riu Josh.

—E que eu vou zuar muito com a sua cara se sobrevivermos, não é?

—Aham.

—Você está realmente conformado então. —Riu John, voltando a olhar a garota.

—Com certeza. —Josh fez o mesmo.

—As garotas já disseram suas ultimas palavras?—Perguntou Fehla, dando passos lentos até eles.

Nenhum dos dois respondeu. Ficaram calados, parados, apenas esperando o que viria. Dando uma risada debochada, Fehla ergueu o chicote acima da cabeça e desceu-o com velocidade.

Impedimenta!

Antes que o chicote tocasse o chão, a garota sentiu seu corpo paralisar por completo. Não queria lhe obedecer. Ouviu passos à suas costas, aproximando-se lentamente. Uma mulher, de seus trinta anos, passou ao seu lado. Parou diante dos garotos e murmurou algo para eles que pareceram confirmar.

—Quem é você?—Perguntou Fehla, lentamente recuperando o movimento do corpo.

—Você é uma seguidora de Voldemort?—Perguntou a garota, ignorando completamente a pergunta da outra.

—Eu perguntei primeiro, sua intrometida. —Disse Fehla, irritada.

—Se faz tanta questão de saber, meu nome é Liv Whitewoods. —Respondeu Liv, olhando séria para a outra.—E não precisa me responder. Por sua atitude baixa, percebe-se que é seguidora de Voldemort.

—Oras, sua... —Disse Fehla, rangendo os dentes.—Quem pensa que é? Acha que pode me tratar assim? Tem a ilusão de que pode me derrotar sozinha?!

—Sozinha?—Liv riu, balançando a cabeça negativamente. —Não, não. Nunca pensei isso. Não é Sara?

Fehla franziu a testa e olhou por cima do ombro. Um jorro de luzes vermelhas já voava em sua direção. Rapidamente, sumiu como se dissolvesse no ar. Liv abaixou-se rapidamente e o feitiço atingiu um busto de mármore no final do corredor, despedaçando-o.

—Que garotinha abusada. —Disse Sara, aproximando-se do grupo.

—Tudo bem. Tive que lidar com tipos assim quando estudava em Hogwarts. —Disse Liv, dando de ombros.

—Aahm... obrigado.—Disse John, andando até elas.

—Ah! Tudo bem. —Sorriu Liv.—Não precisa agradecer.

—Desculpe a indelicadeza, mas... —Disse Josh, observando-as com o cenho franzido.—o que fazem aqui?

—A diretora McGonagall disse que poderíamos nos hospedar aqui, a pedido do proprietário da casa, Luke Parker. —Respondeu Sara.

—Que, pelos gritos que escutei antes de chegar, não está, certo?—Perguntou Liv, com um meio sorriso.

—Exatamente is...

Antes que John pudesse responder, um grande estrondo sacudiu toda a propriedade. Uma rápida olhada na janela e viram um enorme vulto sobrevoar a casa, preparando-se para voltar.

—Temos que sair daqui!—Exclamou Josh, a voz esganiçada.

—Não! Não!—Disse John, olhando para os lados.—Temos que tirar as crianças daqui!

—Crianças?! Mas que diabos de crian...

—As que vimos assim que chegamos!—Bradou John, já correndo na direção contraria.—Não podemos deixar-las aqui!

Josh mordeu o lábio inferior e ficou olhando para os lados. Olhou mais uma vez pela janela e viu o dragão iniciar uma nova subida. Rapidamente precipitou-se pelo corredor, atrás do irmão, acompanhado das outras duas garotas. Teriam que ser rápidos, ou estariam, literalmente, fritos...


Ashley continuava a, pacientemente, passar a ponta dos dedos pela parede. O cenho seguia franzido, tentando concentrar-se nas variações de energia. Mas eram poucas. Ela precisava de uma grande variação de energia para poder encontrar-lo. Mordendo o lábio inferior, ela virou-se na direção da outra parede e voltou à procura.

—Pensei que você fosse de alguma coisa, mas vejo que não é de nada, bruxinha.—Disse Yatzhi, zombeteiro.

—Ah, eu juro que vou fazer você engolir cada uma dessas palavras, seu rato mal nutrido.—Murmurou a garota, séria.

Yatzhi mais uma vez gargalhou. Abaixando perigosamente as sobrancelhas, Ashley virou-se, lançando um jorro de luz na parede. Nos escombros, estava o comensal, tossindo. Em velocidade, a garota passou pelas pedras e agarrou-o pela gola das vestes, tirando-o do chão.

—E então, magricelo?—Sussurrou, perigosamente, o rosto a menos de dois centímetros do de Yatzhi.—Pode repetir o que disse antes?

Antes que ele respondesse, girou o corpo no próprio eixo e atirou-o contra a parede oposta. Yatzhi voou como um míssil contra o fim do corredor, deixando um grito agudo e fino ecoar pelo corredor.

—Então?—A voz de Ashley soou perigosa, logo atrás dele, impedindo que ele chegasse à parede.—Quem não é de nada agora?

Num movimento rápido, acertou os joelhos no corpo dele, fazendo seu corpo dobrar-se no ar. Segurou-o pelos cabelos e jogou ele para cima, puxando rapidamente a varinha e apontando para o magricelo.

Estupefaça!

—Não dessa vez, gracinha!—Grasnou Yatzhi.

Antes que o feitiço o atingisse, mãos negras brotaram do teto, segurando-o pelo calcanhar, fundindo-o novamente com o concreto. Ashley olhou assombrada e irritada seu feitiço acertar o teto, fazendo chover concreto sobre ela.

—Maldito!—Gritou, furiosa, pondo as mãos em frente ao rosto para se proteger do cascalho que caia.—Pare de brincar e lute de verdade!!

A risada de Yatzhi ecoou pelo corredor. Mas não era a gargalhada de antes. Tinha algo de frio e cruel no jeito que ria. Ashley olhou para os lados, já se preparando em tocar às paredes para detectar a energia dele. Porém, a menos de dois metros dela, Yatzhi foi surgindo, brotando do chão, lentamente. Parou de frente para a garota, as mãos atrás das costas, um sorriso macabro no rosto.

—Você quer realmente que eu lute com tudo o que tenho?—Riu-se, fitando a garota, sem diminuir um centímetro de seu sorriso.

—Claro!—Exclamou a garota, posicionando a varinha.

—Muito bem...—Murmurou Yatzhi, fechando os olhos.

Com as sobrancelhas erguidas, Ashley abaixou um pouco a varinha, sem entender o que ele fazia. Então, um leve tremor começou a sacudir o chão. Assustada, a garota olhou para a janela, temendo ser outro terremoto ou algum ataque mais forte ao térreo. Mas as ruas do lado de fora estavam até calmas de mais. Olhou novamente para frente e levou a mão à boca, assustada.

Todas as sombras projetadas no corretor rastejavam agora na direção de Yatzhi, como cobras. Lentamente iam fundindo-se à sombra projetada por ele mesmo, tornando-a cada vez maior.

—Mas o que diabos é isso?—Sussurrou, assombrada com aquilo

Agora a sombra de Yatzhi cobria toda a extensão do corredor atrás dele. Seu corpo exalava uma aura negra e tênue que vibrava em compasso com seus batimentos cardíacos.Na verdade, até o chão parecia bater como um coração. Então, Yatzhi abriu os olhos. Sua sombra retornou ao tamanho normal e o tremor cessou. Ashley entreabriu a boca, as palavras embolando em sua garganta...

—Só isso?—Perguntou com desdém e até uma certa decepção.—Achei que fosse, pelo menos, ficar maior.

—Garota tola.—Riu Yatzhi, o olhar fixo no rosto de Ashley.

E, sem falar mais nada, sumiu no ar. Sem tempo de surpresa, Ashley foi atingida com força nas costas, sendo atirada no chão. Tentou levantar-se rapidamente, mas duas mãos enormes já brotavam logo abaixo dela, fazendo-a colidir com força contra o teto. Soltando um ganido de dor, a garota sentiu a pressão diminuir e logo seu corpo voltava a cair pesadamente no chão frio.

—Então, gracinha?—A voz de Yatzhi soou logo à sua frente. Sentiu o pé dele apoiar-se em sua cabeça, pressionando-a contra o chão.—Já acabou? E eu nem comecei a esquentar.

Furiosa, Ashley fechou a mão com mais força em torno da varinha, ainda bem segura na mão direita. Não podia deixar aquele palhaço mal nutrido fizesse o que queria com ela. Cortou o ar a sua frente com a varinha, disparando fagulhas. Sentiu a pressão em sua cabeça diminuir e levantou-se rapidamente, cambaleando para os lados, apoiando-se na parede. Yatzhi "dançava" à sua frente, pulando de um pé para o outro. Seus tornozelos agora estavam vermelhos e varias bolhas começavam a aparecer ali.

Incendio?—Ashley para a própria varinha, com um meio sorriso.—Foi isso que eu usei?

—Aaah, sua garotinha maldita!—Grasnou Yatzhi, ainda pulando de um pé ao outro.—Vou te esmagar completamente!!!

E, girando as mãos no ar, fez as sombras espalharem-se pelo ambiente, como uma névoa escura. A estranha névoa começou a condensar ao redor de Ashley, formando uma espécie de redoma. Sem tempo de reação, a garota sentiu-se prensada pelos lados, como se mãos gigantes se fechassem em torno dela. Gritando de dor, sentia os ossos estalando e trincando lentamente, enquanto o aperto aumentava gradativamente.

Do mesmo jeito que surgiu, a névoa dissipou-se. Caindo no chão, de joelhos, sem forças para levantar. Ashley apenas escutou o som de passos apressados ao seu redor, falando muito rapidamente. Sentiu duas mãos fortes segurarem embaixo de suas axilas, levantando-a, empurrando algo um frasco em sua boca, com um liquido fluido e de gosto acre.

—Poção revigorante, não se preocupe.—Disse uma voz grossa à sua frente.

Aos poucos, Ashley foi retomando o foco da visão. Quanto tempo havia passado dentro daquela redoma? Tudo ao redor estava diferente. Havia buracos no chão, nas paredes, concreto espalhado por todos os lados e um pedaço do teto havia cedido. O local estava cheio de homens vestidos de negro, com o que parecia ser uma mascara de gás, portando varinhas e espadas.

—Que...quem são vocês?—Foi a primeira pergunta que lhe saiu pela boca, assim que visualizou a própria imagem refletida no visor da mascara.

—Esquadrão Especial da agência de segurança.—Só agora Ashley veio notar o forte sotaque italiano do rapaz que lhe ajudara a levantar.—Io soi Antoni Liuzzi. Mas pode me chamare de Toni

Ashley olhou por um instante o rapaz, com a testa franzida. Então, sobressaltando-se e olhando para os lados, correu o olhar pelo corredor, procurando algum vestígio de Yatzhi. Mas ele não estava lá.

—Onde está...

—O baixinho esquisito?—Indagou Toni, indo até uma janela.—Sumiu assim que chegamos. Tentamos detere elle, mas o maledetto fundiu-se com a parede e escapou.

Soltando um palavrão, baixo, Ashley olhou para os lados. Não havia conseguido derrotar ele...


O suor corria todo o rosto de Pedro, pingando do queixo até o chão. Aquilo estava lhe exigindo um esforço físico e mental que não sabia por quanto tempo ainda teria. Fechando os olhos, procurou respirar fundo e normalizar os batimentos cardíacos levemente acelerados.

—Direita!—Deu um passo para o lado, escutando apenas o ar ser deslocado à sua frente.—Esquerda! Esquerda..Direita...ops!—Saltou para trás, escutando o deslocamento passar em vertical à sua frente.—Por baixo não vale...

—Estou impressionado, Sr. Ravenclaw.—A voz de Lamar soava tão calma e irritante como sempre, dando a impressão de que estavam apenas tomando um chá.—Sua concentração continua impecável, apesar de toda a pressão que está sofrendo.

—É...a gente faz o máximo que pode.—Falou, respirando pela boca, sentindo mais uma gota de suor abandonar o corpo em direção ao chão.—Mas já está ficando chato, não acha?

—Ah...mas nós acabando de começar...—Disse Lamar, uma entonação meio perigosa em sua voz calma.

Pedro franziu a testa, fechando os olhos com mais força. O silêncio era tanto que quase podia escutar o batimento cardíaco de Lamar. Aliás, era uma das lições que Laguna havia lhe ensinado, tantos anos atrás.

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—VOCÊ ACHA REALMENTE QUE VAI CONSEGUIR ALGUMA COISA LUTANDO ASSIM?!—Gritava o homem de uns quarenta anos, cabelos grisalhos e vestes velhas e surradas.—TENHO PENA DE QUEM DEPENDE DE VOCÊ!!

—Qual...é...—Dizia Pedro, respirando fundo, apoiando-se nos joelhos, o rosto banhado de suor.—Eu estou fazendo o máximo! Mas não dá pra fazer muita coisa com isso nos olhos.—Falou, com certo sarcasmo, apontando para a venda em seus olhos.

—Você acha que vai poder sempre depender de seus olhos?—Dizia Laguna Wintters, mestre piromago, naquele instante, encarregado de treinar o temperamental Pedro Ravenclaw, de 16 anos.—E se estiver lutando num lugar totalmente escuro? E se seu inimigo te atacar por trás? Ou se você não puder enxergar?

Respirando fundo, visivelmente irritado, fez um gesto meio desdenhoso com a mão, sendo bruscamente parado por Laguna, que parecia mais ríspido do que o comum.

—Nunca desdenhe de um inimigo. Pode ser a ultima coisa que vá fazer na vida.

Afastou-se do garoto, parando à alguns passos dele, em posição.

—Libere sua mente de qualquer pensamento mundano.—Falava alto, sua voz ressoando pela clareira.—Ignore qualquer outro som e tente se concentrar apenas no seu inimigo. Escute tudo dele. Seus batimentos cardíacos, sua respiração, sua pulsação. Tudo.

—Tá, ta...vamos recomeçar.—Murmurou Pedro, levemente entediado, em posição de luta.

—Vamos começar.—Laguna começou a correr pela clareira, procurando fazer menos barulho quanto era possível.

Pedro respirou fundo, sem sair da posição de combate. Como iria conseguir fazer tudo aquilo que Laguna lhe mandava fazer? Ainda não sabia. Só sabia que, se não conseguisse logo derrotar o mestre, iria passar mais uma noite na floresta, sem comida ou um lugar confortável para dormir. Por isso, procurou apurar os ouvidos, tentando escutar qualquer barulho ao redor.

A clareira estava silenciosa. Tirando o vento que, vez ou outra, soprava as folhas de um lado para o outro, tudo estava no mais perfeito silêncio. A cada estalo dos galhos, o garoto virava-se rapidamente, pondo os braços em posição defensiva, bloqueando um golpe que não vinha.

—Vai, seu bode velho. Aparece logo para eu te acertar.—Murmurou, caminhando lentamente pela clareira, ainda tentando se concentrar em possíveis sons ameaçadores.

Então, como o som de um tambor ressoando, escutou um "Tum-tum". Sentindo uma grande excitação correr cada célula de seu corpo, virou-se na direção do som. Sem esperar muito, correu em sua direção, saltando no ar, parando a menos de um palmo de onde o som vinha, acertando-lhe um forte soco.

—Muito bom...—Disse Laguna, ao seu lado.—Só que isso era uma árvore, imbecil.

E, com a mão aberta, acertou-lhe o lado do pescoço, atirando-o longe.

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Levando a mão discretamente até o pescoço, Pedro saltou mais uma vez para trás, desviando de uma nova série de golpes. Assim que seus pés tocaram o chão, sentiu mãos envolverem seus tornozelos, segurando-lhe com firmeza.

—Mas que d...

Antes que terminasse de falar, uma série de golpes acertou-lhe o rosto e o corpo, com força. Ainda preso, sentiu algo pontiagudo perfurar-lhe o ombro, fechando a boca com força, abafando um grito de dor. As mãos largaram seus tornozelos e, mais uma vez, foi atingido no rosto por um golpe, sendo atirado de cara numa parede. Mal equilibrado, o corpo de Lilá escorregou por suas costas, caindo no chão. Pedro fechou os olhos, sentindo o sangue correr por seu rosto e manchar a parede. Tentando recompor-se, respirou fundo e...

E então viu. À sua frente, como buracos numa cortina escura, pedaços difusos do corredor do hospital. Ficou alguns instantes confuso, mas logo sorri. Um sorriso vitorioso. Afastou-se da parede, cambaleando até o meio do corredor, virando o rosto para onde sabia que Lamar estava, ainda de olhos fechados.

—Então é isso?—Levou a mão até o cós da calça, puxando uma adaga que ali guardava.—Descobri seu truque.

—Do que está falando? O que vai fazer?

Simples!—Exclamou, estendeu o braço, levando a lamina da adaga o pulso.—Sua ilusão confunde meus olhos e ouvidos. Mas ela não consegue iludir meu olfato.

Então, passou a lamina pelo pulso, cortando-o, manchando o metal com sangue. Sentiu as sombras ao seu redor se eriçarem, como um animal acuado, prestes à sofrer o golpe final.

—Foi bom brincar. Mas eu cansei.—Disse Pedro, rindo meio sarcástico, atirando a adaga no ar.

A lamina cortava o ar, mas parecia estar cortando um pano negro. A ilusão parecia desfazer-se, como um cenário de papel, cortado ao meio por uma tesoura. Aproveitando a lamina como um guia, golpeou o ar como se batesse num saco de areia, liberando uma bola de fogo na direção de onde sabia estar Lamar.

Escutou um forte deslocamento de ar e abriu os olhos lentamente, mas não estava no corredor escuro. Estava de volta ao corredor do hospital, que agora tinha as paredes totalmente chamuscadas e, em algumas partes, destruída pelos constantes golpes aplicados por Lamar.

—Fugiu minutos antes.—Murmura, um pouco irritado, pondo os dedos da mão esquerda sobre o corte no pulso direito, fazendo-o fechar. Caminhou lentamente até a parede à sua frente, puxando a adaga cravada no centro de uma imensa queimadura em formato circular.

Respirando fundo, caminhou até o corpo de Lilá que estava jogado no chão, pegando-a novamente nos braços. Já se preparava para seguir à diante, quando escutou o som de passos à suas costas. Revirou os olhos, já pensando que eram mais inimigos, quando viu Ashley e o esquadrão especial vindo em sua direção.

—Ravenclaw!—Exclamou um dos membros do esquadrão, com um forte sotaque italiano.

—Toni?—Perguntou Pedro, confuso.—O que fazem aqui?

—Bones me promoveu ao Esquadrão Especial!—Disse Toni, alegremente, dando tapas nas costas do amigo.—Ordenou que todos viessem à Londres, para cuidar das coisas. Sabe como é.

Pedro apenas assentiu com um movimento de cabeça e logo correu o olha até Ashley. A garota parecia cansada. Haviam alguns hematomas espalhados por seus braços e o canto de sua boca começava a arroxear, mas, de resto, parecia inteira. Respirando fundo, virou-se novamente para Toni, franzindo a testa.

—O hall está tomado por comensais. E temos que tirar muitas pessoas desse prédio.

—Ah! Dio mio! Esqueci de te falare!—Disse Toni, bruscamente, dando um tapa na própria testa.—Assim que invadimo o hospital, aqueles maledetos desaparataram! Conseguimo pegar alguns, mas não parecem dispostos a falar.

—Mas por que eles fugiram?—Murmurou Ravenclaw, olhando para o chão, distante.

—Não sei.—Disse Toni, dando de ombros.—Mas é melhor sairmos daqui logo. Temos que evacuar o prédio.

—Tem razão...

Sem esperar mais, voltaram a correr pelos corredores. Uma parte do esquadrão ia à frente, verificando os quartos, ajudando a retirar os pacientes mais debilitados. No primeiro andar, outra parte do Esquadrão organizava a retirada os pacientes e enfermeiras, em fila única. Toni fez um sinal para um dos bruxos que organizava a saída, que retribuiu com um sinal de positivo com a mão. O italiano virou-se para Pedro e Ashley, fazendo sinal para seguir-lo. Desceram as escadas lentamente, chegando ao patamar de entrada, onde a retirada continuava. Num canto separado, membros do esquadrão cuidavam de alguns feridos.

—Chap!—Exclamou Ash, indo até o amigo, que tinha um grande ferimento na testa, manchando seu rosto de sangue.—O que aconteceu?

—Um daqueles malditos me atacou de surpresa.—Murmurou Chap, fazendo uma careta, pondo a mão sobre a testa.

—E a Mandy?—Murmurou Pedro, aproximando-se da garota que tomava, tremula, uma xícara de chocolate quente.—O que aconteceu?

—Não sabemos.—Murmurou Luke, fazendo uma careta, pressionando um hematoma no braço direito.—Um desses caras de preto chegou com ela, há poucos minutos. Estava totalmente congelada, no topo do prédio.

—E cadê a Aline, o Teddy e os outros?—Murmurou Pedro, sentando-se numa cadeira, de frente para o grupo.

—Teddy está desacordado.—Disse Luke, afastando lentamente o braço do hematoma, ainda com uma careta.—Aline e Alana estão ajudando à evacuar o prédio. E nós não encontramos Marina.

Respirando fundo, Pedro levantou-se lentamente.

—Vou procurar ela. Não demoro muito...


Seus olhos felinos corriam lentamente pelo aposento, fitando cada detalhes das pilastras e quadros que, no momento, dormiam em suas molduras. Parou seus olhos diante da imagem de um homem branco, com rosto debochado, cavanhaque negro e sobrancelhas grossas. Dormia apoiado no que parecia ser um cajado, formado por duas cobras enroscadas, uma na outra. Virou o rosto e fitou o mesmo cajado ali, apoiado num pedestal de pedra, envolto por uma redoma de cristal. Levantou calmamente e foi na direção do pedestal, parando de frente para ele. Fez um gesto com a mão e a redoma sumiu como fumaça.

—Milord?—A voz de Tom soou atrás dele. Virando-se lentamente, encarou o serviçal que estava ajoelhado às suas costas, a cabeça baixa.—Está tudo pronto, senhor.

—O Quinteto retornou?—Murmurou, quase num sibilo.

—Sim, mestre.

—Ótimo.—Voltou-se novamente para o cajado, segurando-o em suas mãos. Sentiu uma forte energia passar do cajado para seu corpo, como se ambos entrassem em profunda sintonia.—Está na hora do mundo conhecer seu algoz.

Virou-se novamente para Tom, erguendo o cajado no ar. Um forte vento circulou ao redor deles, formando um tornado. Quando o tornado dispersou-se, o salão estava vazio, sem nenhum vestígio dos dois.


Pedro caminhou por entre os destroços do combate, olhando para os lados, procurando Marina. O hospital estava praticamente vazio. Apenas os mais feridos ainda recebiam tratamento num canto perto da saída.

—Marina!—Gritava Pedro, afastando alguns destroços com um aceno da varinha.—Marina!

Apontou a varinha para algumas pedras que bloqueavam a entrada de uma recepção, afastando-as. Do lado de dentro haviam vários entulhos espalhados, cadeiras viradas, caixas e documentos jogados no chão, assim como os corpos de vários comensais. Num canto da sala estava jogado o corpo de uma mulher idosa, o xale cobrindo-lhe o rosto.

—Mas o que diabos aconteceu aqui?—Murmurou, erguendo a varinha, fazendo uma luz surgir na ponta, iluminando melhor o ambiente.

Seu olhar correu a sala, até parar numa garota de cabelos castanhos, sentada numa das cadeiras, chorando baixinho, segurando uma varinha com força. Respirando fundo, Pedro caminhou lentamente até ela, sentando-se ao seu lado, pondo a mão em seus ombros.

—Marina?—Murmurou, olhando para ela.—O que aconteceu?

A garota fungou alto, passando a mão pela frente dos olhos, secando algumas lagrimas. Pedro observou-a por um tempo antes de suspirar, subindo a mão até seus cabelos, afagando-os de leve.

—Pode não parecer, mas eu sei como é perder alguém que se gosta.—Murmurou, sentindo um aperto no peito ao lembrar que não tinha noticias de Emily.—E não vou dizer para não chorar. Nem sentir-se triste. Mas...temos que sair daqui.

Meio tremula a garota ergueu o olhar, olhando meio perdida para os lados. Com mais um suspiro, Pedro "abraçou" o rosto dela e beijou sua bochecha, afagando-lhe os cabelos. Não conhecia muito bem Marina, mas tinha quase certeza de que era preciso uma coisa muito forte para deixar-la daquele jeito.

—Nó...nós íamos...— Começou a falar a garota, tremula, a voz interrompida por constantes fungadas.—nós íamos...casar na sema...semana que v...vem.

—Sinto muito...—Murmurou Pedro, ainda passando a mão por seus cabelos.

Dando mais uma fungada, ela inclinou a cabeça mais para o lado, encostando a cabeça no ombro dele. Após alguns minutos em completo silêncio, Ravenclaw beijou-lhe novamente o rosto, afastando-se, levantando da cadeira e estendendo a mão para ela. Ainda tremula, ergueu o olhar até ele, segurando sua mão e levantando.

—O...obrigado...—Murmurou, dando uma fungada longa.

—Não precisa agradecer.—Respondeu, com um sorriso de canto.—Vem. Vamos sair daqui.

Marina concordou e caminhou com ele na direção da saída. Em silêncio, seguiram para a recepção, já vazia, exceto por Chapolim e os outros que ainda esperavam os dois. Lilá e Teddy haviam acordado e não abandonaram o grupo

—Todos já saíram?—Indagou Ravenclaw, olhando ao redor.

—Sim, sim. Não tem mais ninguém no hospital—Respondeu Luke.

—E como estão as coisas lá fora?

—Tranqüilas até de mais.—Murmurou Chap, ainda passando a mão pela testa onde não havia mais ferimento.—Sem dragões, caras estranhos ou robôs gigantes.

—Então acho melhor voltarmos para a mansão Parker.—Disse Amanda, os cabelos um pouco molhados, uma toalha jogada sobre os ombros, ainda segurando a caneca de chocolate quente.—Não podemos deixar a casa desprotegida com as crianças lá.

—Tem razão.—Murmurou Pedro, passando a mão pelo peito, preocupado.

Todos os outros concordaram e foram caminhando para a saída do hospital. A vidraça que separava o mundo trouxa do hospital bruxo havia sido destruída, quebrando o disfarce. Do lado de fora, três ou quatro membros do Esquadrão Especial, incluindo Toni, esperavam por eles.

—Ravenclaw! Vene lo...

Antes que o italiano concluísse a frase, um flash de luz verde, rápido como o de uma maquina fotográfica, atingiu ele e os companheiros. Por alguns instantes permaneceu na mesma posição, ainda acenando, com o mesmo sorriso de sempre, antes que seu corpo, e dos outros três colegas, caísse no chão, imóvel.

—Incrível o que apenas duas palavras podem fazer, não é?—Uma voz fria e sibilante soou atrás deles, com um ar de divertimento.

Quase que em câmera lenta, todos os dez viraram, encarando o rosto pálido e ofídico de Lord Voldemort. O bruxo segurava nas mãos um cajado em forma de duas cobras enroscadas. Ao seu lado havia um homem encapuzado, de joelhos e de cabeça baixa, parecendo um peão que espera ordens.

—Que surpresa agradável encontrar vocês aqui.—O bruxo sorriu malignamente, fazendo uma reverencia debochada.—Pensei que meu Quinteto fosse o suficiente para deter-los.

—Vai ser necessário mais do que aqueles cinco para nos derrotar.—Disse Lilá, dando um passo a frente, decidida.

—Sério? Porque pensei que gostariam de ver-los e novo.—Voldemort ergueu novamente o tronco, fitando cada um.

Lentamente, como se brotassem do chão, os cinco membros do Quinteto da Sombra foram aparecendo em frente à Lord Voldemort, na mesma posição do encapuzado. Quase que num movimento sincronizado, puseram-se de pé, retos, encarando Ravenclaw, Chapolim e os outros.

—Então, meus guerreiros?—Disse Voldemort, batendo o cajado no chão.—Divirtam-se.

Sem esperar uma segunda ordem, partiram para cima dos elementais, já preparando suas armas. Pedro tomou a frente, puxando a espada, encarando Voldemort diretamente.

—Luke, Teddy, Marina! Saiam daqui e voltem para a mansão!—Gritou por cima do ombro, a espada em posição na frente do corpo.—Tirem as crianças de lá o mais rápido que puderem!

Concordando com um movimento de cabeça, Luke e Teddy puseram-se a correr na direção da saída. Marina, porém, permaneceu parada, segurando a varinha com força, olhando as costas de Ravenclaw.

—Eu vou lutar!—Exclamou, decidida.

—O que? Não seja louca! Eles não são...—O que eles eram Marina nunca chegou a saber. No mesmo instante Henkor pulava sobre Pedro, descendo sua espada na direção da cabeça do piromago. Num movimento rápido, o rapaz pôs a espada na frente, bloqueando o golpe e sendo jogado no chão.

—Não parece tão seguro de si agora, Ravenclaw!—Riu Henkor, por cima do piromago, pressionando a espada sombria contra a lamina da espada de Pedro que tentava refrear o golpe.—Vai ver está com medi...

Estupefaça!

O jato de luzes vermelhas voou contra Henkor que saltou para trás à tempo. Ravenclaw levantou-se com pressa, olhando para o lado. Marina abaixava a varinha lentamente, olhando decidida para Pedro.

—Eu disse que eu vou lutar...

—Vamos parar com esse teatro!—Bradou Henkor, preparando um novo golpe contra ele. A poucos metros, uma rajada de vento gélido arrastou-o contra a parede. Bateu de costas contra o concreto, caindo no chão de joelhos, sentindo o corpo gelado.

—Já te disse uma vez, meu amigo.—Disse Amanda, à sua frente, apontando a lamina da espada para ele.—Sua luta é comigo...


Lilá e Ashley lutavam furiosamente contra Barth e Fehla. A garota de cabelo azul já havia saltado para o ombro de seu companheiro, estalando o chicote no ar, fazendo vários cipós sombrios erguerem da imensa sombra de Barth, tentando acertar Lilá e Ashley.

—Esse seu truque já ta enchendo o saco!—Exclamou Ashley, girando no próprio eixo para desviar de um chicote, tentando aproximar-se de Barth.

—É? Pois vocês ainda não conseguiram ultrapassar ele!—Riu Fehla, estalando o chicote mais uma vez, fazendo as copias sombrias atacarem com mais ferocidade.

—Vou ultrapassar sua cara, sua...sua...—Lilá rangeu os dentes, puxando os leques de prata e girando-os no ar, cortando os chicotes ao meio, também tentando aproximar-se da garota.

Fehla meramente riu, erguendo o chicote acima da cabeça e girando-o no ar. As copias sombrias ficaram estáticas, como enormes espinhos negros. Então, sem explicação, atacaram as duas garotas, segurando seus troncos, pernas e braços. Apertaram ela com força e tiraram as duas do chão, deixando-as na altura do ombro de Barth.

—O que diziam mesmo?—Riu Fehla, levantando-se do ombro do companheiro, dando um passo à frente. Vários chicotes sombrios ergueram-se, formando uma espécie de plataforma até Lilá e Ashley, que se contorciam, tentando se livrar dos chicotes.

—Me solta e eu repito tudinho na sua cara, sua magricela consumidora de drogas!—Disse Lilá, fazendo uma careta ao sentir o aperto ao redor de seu corpo apertar mais.

Fehla riu alto e parou na frente de Lilá, segurando-lhe o rosto.

—Você fala de mais, sabia?—Riu, soltando o rosto dela.—Talvez eu deva te matar primeiro.

—Aaah, filha.—Sorriu Lilá, enquanto um chicote deslizava sutilmente por seu pescoço, fechando-se ao redor dele.—Vai ter que malhar muito pra me matar.

Outro leque de prata abriu-se em suas costas, cortando os chicotes. Espantada, Fehla andou para trás, posicionando o chicote na frente do corpo, fitando Lilá que já segurava o leque numa das mãos, posicionada para luta.

—Vamos ver do que é capaz.—Disse Fehla, apertando mais o chicote, fazendo-o ficar ereto, como um bastão.

—Cai dentro.—Murmurou Lilá, fechando uma parte do leque e separando-o em duas espadas.

Por sobre a plataforma de chicotes, iniciaram uma luta furiosa. Lilá golpeava e girava, tentando usar a segunda espada como surpresa, mas Fehla mostrava manejo com o "bastão", sempre bloqueando os golpes e atacando perigosamente.

—Você pode fazer melhor do que isso!—Disse Fehla, rindo e saltando para trás. Pondo o bastão por trás do pescoço, direcionou-o para o "chão" abaixo de Lilá, fazendo os chicotes se dissolverem.

Lilá saltou para trás, meio ofegante, sem desviar o olhar de Fehla. A queimadura em suas costas havia voltado a incomodar, limitando seus movimentos. Fazendo uma careta de dor, a vampira inclinou o corpo pra trás, posicionando as espadas defensivamente.

Fehla soltou uma risada desdenhosa e saltou contra Lilá, girando o bastão no ar e mirando um golpe em sua cabeça. Lilá trocou a posição de uma das espadas e bloqueou o golpe, girando a outra espada no ar, acertando a lateral do corpo de Fehla. A garota deu uma cambalhota no ar e parou atrás de Lilá, agachada, a mão sobre o local atingido, o sangue já começando a manchar sua roupa.

—E então, filha?—Riu Lilá, juntando as duas espadas novamente, abrindo o leque.—O que dizia?


Chapolim corria ao redor de Lamar, desviando dos pulsos sombrios que surgiam do chão e tentavam lhe atingir. Com as duas espadas douradas nas mãos, golpeava e tentava se aproximar do inimigo, isolado num casulo de sombras.

—Você não ataca diretamente?—Resmungou Chapolim, desfazendo as espadas no ar e conjurando um escudo dourado, protegendo-se de uma série de golpes.

—Combate direto é uma perda de tempo.—A voz de Lamar soou de dentro o casulo.—Combates são desnecessários. Esgotam o corpo, a alma, a mente.

—Então porque não pára de lutar?—Resmungou Chapolim, também desfazendo o escudo e conjurando um tridente dourado, partindo em nova investida contra o casulo de Lamar.

—Obediência e fidelidade.

Chapolim ergueu as sobrancelhas e saltou para trás, desviando de um punho que surgia bem abaixo de suas pernas. Apoiou a ponta seca do tridente no chão e saltou, dando uma pirueta no ar. Girou o tridente ao lado do corpo e atingiu a parte de cima do casulo com o maior dos três dentes. Sentiu como se uma carga elétrica passasse por todo o tridente até seu corpo, queimando-lhe as mãos. Soltou a barra metálica da arma e caiu no chão, arrastando os pés até parar, batendo no que restava de uma bancada. Soltando um gemido baixo, olhou para as mãos que estavam muito vermelhas, algumas partes a pele estava corroída e em carne viva, como se ele tivesse tocado num ferro em brasa. Ergueu o olhar novamente e fixou no casulo. O tridente havia sido atirado para o lado. A ponta que fez contato com o casulo estava negra e retorcida.

—Então esse casulo é magia negra condensada?—Murmurou, levantando-se lentamente, abanando as mãos.—Interessante.

—A arte de dominar as sombras é pura magia negra.—Disse Lamar. Sua voz não parecia se alterar, mesmo com o ataque.—Mas como toda arte, ela deve ser usada apenas pelo artista certo.

—Vou te mostrar outra arte.—Murmurou Chapolim. Pequenas ondas de calor saiam de seu corpo, distorcendo o ar à seu redor.—Tão sutil e perigosa quanto sua magia negra.

A energia aos pés de Chapolim expandiu-se, em formas de ondas, deslocando vários azulejos no chão, afastando os entulhos ao seu redor. Seus cabelos balançavam para cima e seus olhos assumiam um tom meio vermelho.

Soltando um grito, golpeou o ar duas vezes, liberando duas fortes ondas de calor que se chocaram com o casulo, desviando-as para lados opostos. Não desistindo, junto as duas mãos e golpeou o ar, liberando mais uma forte onda de calor. O casulo foi atingido e tremeu um pouco, mas continuou firme. Franzindo mais a testa, Chap, bateu o pé de lado no chão. O calor percorreu uma trilha reta na direção do casulo, retorcendo o azulejo até bater contra a parede negra que mais uma vez tremeu, mas manteve-se solida.

—Merda.—Murmurou Chapolim, recuando ofegante.

—Tudo isso é inútil.—Murmurou Lamar, tão calmo quanto sempre.—Só está gastando sua energia à toa.

Chapolim ficou em silêncio, puxando o ar pela boca. Com um movimento das mãos, conjurou novamente as duas espadas enquanto pensava em algo para derrotar aquele maldito.


Aline e Alana corriam lado a lado, Yatzhi entre elas, procurando uma brecha para se enfiar numas das paredes.

—Não vai ser tão fácil, amiguinho.—Disse Aline, lançando uma série de bolas de fogo negro contra ele. O magricelo girou no ar, desviando dos ataques, mudando de direção.

—Maldito.—Resmungou Alana, derrapando um pouco e mudando de direção também.

Yatzhi dessa vez havia conseguido a distância de alguns passos. Próximo ao final do corredor, atirou-se contra a parede, fundindo-se a ela. Alana atirou o corpo contra o do magricelo, segurando-lhe o pé que escapou por entre seus dedos. Caiu de cara no chão, escorregando até bater numa pilastra. Gemendo baixo e passando a mão pelo cocuruto da cabeça, levantou-se, juntando-se à irmã.

—Não acredito que ele conseguiu.—Murmurou, fazendo uma careta de dor.

—Não vamos choramingar.—Murmurou Aline, afastando-se da irmã e tocando os dedos pela parede.—Ele usa magia negra para isso, não vai ser difícil de reconhecer.

Alana concordou com um movimento de cabeça e copiou o ato da irmã, passando a mão pela parede oposta. Em silêncio, apenas com os sons da batalha no saguão, procuraram algum vestígio da energia dele. Vez ou outra Yatzhi deixava sua risada ecoar pelo corredor, aumentando a pulsação de sua energia, mas ainda assim não sendo possível determinar sua posição. Aline franzia a testa e respirava fundo, um pouco irritada e impaciente, olhando para os lados enquanto passada os dedos pelas paredes.

—Aquele miserável não pode se esconder por muito tempo.—Murmurou Aline, virando-se para a irmã.—Ele não...ALANA, CUIDADO!!

Naquele mesmo instante, Yatzhi saltava do chão, às costas de Alana. Sem tempo para reação, o magricelo enfiou os longos e finos dedos em suas costas. Gemendo de dor, Alana sentiu as mãos penetrarem lentamente por sua carne, saindo do outro lado, manchadas de sangue. Com filetes de sangue caindo por seus lábios, deixou o corpo cair, escorregando as mãos de Yatzhi para fora.

—Fraca! Muito fraca!—Ria Yatzhi, levando as mãos até os lábios, lambendo de uma forma quase obscena o sangue em seus dedos.

—Oras, seu!—Aline rangeu os dentes, as mãos fechadas com força, pequenas chamas saindo das fendas entre seus dedos.—Eu vou acabar com sua raça agora!!!

Partiu para cima de Yatzhi, com fúria, numa série de golpes impensados. Seus passos e socos deixavam um rastro negro no ar, enquanto o magricelo desviava facilmente, como se visse cada movimento em câmera lenta.

—Assim não vai conseguir nada.—Riu, abaixando-se para desviar de um soco e girando ao redor de Aline, ficando às suas costas.—Vai precisar de muito mais para pensar em me derrotar.

E, cruzando os braços como uma tesoura, passou-os pelo pescoço de Aline. A Black ficou alguns instantes parada, em choque, antes que seu pescoço descolasse de seu corpo e sua cabeça caísse no chão. Rindo debilmente, Yatzhi começou a comemorar, sem dar contar que Alana levantava-se lentamente. Passou as mãos pelo abdômen perfurado, tocando o sangue, logo depois dando de ombros, como se não fosse nada.

—E então? Já acabou de comemorar?—Perguntou, franzindo a testa.

Yatzhi ficou estático, virando-se lentamente para ela, como se seu corpo fosse feito de pedra. Ao avistar a garota Black, em pé, com um enorme buraco em seu abdômen, como se nada tivesse acontecido, soltou um grito agudo, encostando-se na parede, apontando um dedo para ela.

—Vo...você!!!

—Eu...e daí?—Franziu a testa, logo depois olhando para o lado.—Aaaah! Line! Que bom que acordou!

Ainda mais horrorizado, Yatzhi viu o corpo decapitado de Aline Black levantar-se, tateando com os dedos o local onde deveria estar sua cabeça. Dando de ombros, voltou-se para a irmã, fazendo um gesto positivo.

—Co...como vocês...como vocês...—Balbuciava Yatzhi, apontando de Alana para Aline, apavorado.

Apenas rindo, Alana começou a aproximar-se do magricelo. Aline também se aproximava, as mãos estendidas à frente do corpo decepado, tentando não bater em nada. Pressionava o corpo contra a parede, mas não conseguia fundir-se à ela. Em desespero, começou a bater na parede que se distorceu e prendeu seus pulsos e calcanhares. Gritando em agonia, fechou os olhos, se debatendo.

—Que patético.—Murmurou Aline.

Lentamente, Yatzhi foi abrindo os olhos. Viu-se agachado no chão, em posição fetal. Aline e Alana estavam paradas à sua frente, intactas, observando-o de cima. Sem tempo para entender o que acontecia, foi atingido por uma rajada de fogo negro, sendo lançado contra a parede oposta, caindo desacordado.

—Boa ilusão, maninha.—Murmurou Aline, virando-se para Alana, que sorria triunfante.


Correndo no meio dos combates entre os elementais e os membros do Quinteto da Sombra, Pedro arrastava Marina, abaixando-se para desviar de constantes rajadas de gelo e fogo. Vez ou outra era obrigado a parar para criar uma barreira de fogo e desviar algum ataque mais forte.

—Para onde está indo?!—Exclamou Marina, abaixando-se para desviar de uma onda de calor que passou sobre eles.

—Estou de tirando daqui!—Gritou de volta, sem olhar para ela, tentando alcançar a saída do hospital.

—Eu já disse que quero lutar!—Gritou Marina, puxando o braço, olhando decidida para ele.—Eu não vou fugir do homem que assassinou o meu Andrew!!

Pedro virou-se para encarar-la, mas parou ao ver seu olhar decidido. Aqueles olhos firmes e teimosos lhe lembravam tanto alguém. Respirou fundo e abriu a boca para falar, quando um raio de luz verde voou na direção dos dois.

—Marina!—Gritou, abraçando-se a ela, ficando de costas para o golpe. Instantaneamente uma parede de fogo ergueu-se entre eles e o golpe, explodindo ao contato com o ataque.

—Onde pensa que vai, Ravenclaw?—Perguntou aquela voz sibilante, não muito distante deles.

Afastando-se lentamente de Marina, virou o corpo para encarar os olhos vermelhos e felinos de Voldemort. O Lord abaixava o cajado e voltava a tocar com ele no chão, seu sorriso de dentes pontiagudos com um toque de pura maldade.

—Voldemort. Quanto tempo.—Disse Pedro, seco, fitando o inimigo.

—Você ficou ainda mais parecido com seu pai.—Disse Voldemort, alargando mais o sorriso em seu rosto.—Menos os seus olhos...

—Que são iguais aos da minha mãe e bla, bla, bla...—Revirou os olhos, meio desdenhoso.—Agora eu sei como o Potter se sente. Isso é realmente um saco.

Voldemort meramente riu. Uma risada fria e penetrante, de arrepiar os pelos da nuca. Respirando fundo, Pedro posicionou-se, pondo a mão sobre o cabo da espada, fitando o bruxo.

—Marina, saia daqui.—Murmurou, sem olhar para a garota.

—Mas eu...

—Pombas, isso não é um pedido!—Esbravejou, sem tirar os olhos de Voldemort, que parava de rir e posicionava o cajado.—Isso aqui não é um jogo!

Resignada, Marina relutou por alguns segundos, antes de murmurar um "se cuida" e sair em disparada na direção dos outros combates.

Mesmo após a saída da garota, os dois permaneceram se encarando, fuzilando um ao outro com olhar. Pareciam tentar adivinhar os movimentos do outro, calcular suas defesas e seus ataques com precisão. Ravenclaw respirou fundo e puxou a espada, apontando para Voldemort que ergueu o cajado no ar. O tempo pareceu parar ao redor deles, antes de sumirem no ar e iniciarem uma furiosa onda de ataques um contra o outro.

—Não pode me derrotar, Ravenclaw!—Ria Voldemort, desviando dos ataques do piromago com extrema facilidade, como se visse tudo em câmera lenta.—Seu poder é limitado, ao contrario do meu!

Pedro apenas franziu a testa, saltando para trás e brandindo a espada no ar, criando um forte deslocamento de partiu na direção de Voldemort. O Lord meramente riu, brandindo o cajado, dissolvendo o ataque. Aproveitando a guarda baixa, Pedro golpeou o ar com o pé, lançando uma rajada de fogo em forma de meia-lua na direção do oponente. Voldemort observou o ataque aproximar-se, com calma, antes de sumir no ar. Pedro arregalou os olhos e não pode defender-se do forte golpe que atingiu suas costas, jogando-o com força contra a parede.

—Eu disse que você não poderia me derrotar.—Riu Voldemort, friamente, apoiando o cajado no chão.—Seu poder é limitado de mais.

Tossindo muito, Pedro saiu de dentro dos entulhos com alguma dificuldade. Passando a mão pelo canto da boca, de onde corria um filete de sangue, fitou Voldemort, que meramente sorria. Franzindo a testa, olhando irritado para o Lord, ergueu a espada e cortou o ar, formando um arco de fogo que disparou certeiro na direção de Voldemort. Apenas rindo, ele girou no próprio eixo, desviando facilmente.

—Tem certeza de que não posso?—Murmurou Pedro, ao lado de Voldemort. Sem esperar resposta, acertou um gancho em seu queixo.

Porém, Voldemort não se ergueu no ar ou caiu para trás. Pelo contrario. Seu queixo fazia resistência ao murro. Assombrado, Pedro sentiu o chão ao seu redor ceder, abrindo uma cratera, enquanto Voldemort ia abaixando a cabeça lentamente, fitando-o.

—Tenho, meu caro amigo.

Pedro arregalou os olhos quando sentiu um violento deslocamento de ar jogar-lo com força contra a mesma parede. Sentiu-se pressionado por alguns instantes, antes que seu corpo caísse no chão, com o rosto virado para baixo.

—Tolo...—Riu Voldemort, rindo, caminhando lentamente, estalando o pescoço.—Não há nada que você possa fazer para deter Lord Voldemort. A vida, a liberdade, tudo o que vocês sempre prezaram agora me pertence.

Apoiou o pé no rosto do piromago e virou-o um pouco, fitando seu rosto desacordado.

—Você poderia ter sido tão útil no meu exercito, Ravenclaw.— Suspirou Voldemort, afastando o pé de seu rosto, dando as costas para Pedro.—Mas agora, não passa de um saco de carne inútil.

Antes que desse mais um passo, sentiu uma mão agarrar seu calcanhar com força. Olhou para trás e fitou, um tanto impressionado, Ravenclaw levantar lentamente, o corpo tremulo, segurando seu pé. Seu rosto estava bastante machucado, um dos olhos começando à arroxear. Porém olhava decidido para Voldemort, a respiração entrecortada.

—Você pode querer tomar nossa liberdade e nossas vidas.—Murmurou, o corpo ainda tremendo.—Mas eu não vou facilitar o trabalho para você...

—Muito bem...—Riu Voldemort, virando-se para encarar-lo.—vamos ver do que ainda é capaz.


N/A: AAAAAH! \o/...finalmente! Depois de tanto tempo, como um episodio de uma esperada e sempre reprisada série, o novo capitulo de "A Noite das Sombras" está no ar! Junto com ele, a atualização da fic, com algumas coisas corrigidas e adições de coisas do sétimo livro...espero que gostem \o/

N/A2: Comentem