Capítulo III – Igualmente –
"And I know it aches"
E eu sei que dói
"And your heart it breaks"
E isso parte seu coração
"And you can only take so much"
E só lhe resta aceitar tudo
Walk on – U2
O sono pesado em que a kunoichi de cabelos rosas se encontrava fez com que Sai lhe acordasse de modo grosseiro.
Sentir a água da garrafa caindo sobre o seu rosto a acordou bruscamente.
- DESGRAÇADO! – gritou ela.
Sai apenas ria da cena que considerava muito cômica.
- Vamos, está na hora de ir.
- PRECISAVA ME ACORDAR ASSIM? – continuou gritando.
- Considerando as inúmeras tentativas que fiz para acordá-la e não tive sucesso, sim – respondeu tranqüilamente.
- Você é ridículo, Sai.
- Os fins justificam os meios, nunca ouviu dizer isso? – a olhava abismado.
- E graças a mim, você não terá que descer até o rio para lavar o rosto – continuou.
- Não estrague o meu dia.
Sakura cansou-se de discutir com ele, pegou a toalha que estava guardada e se secou. Penteou os cabelos e pegou um copo e a escova, utilizou o restante da água da garrafa para fazer a higiene bucal.
- Estou pronta – disse apressadamente.
Kakashi estava esperando a jovem que era a única que não estava pronta até então, seguiram assim que ela se prontificou.
Levaria a manhã e a tarde toda para chegarem. Isso se nenhum imprevisto viesse a acontecer. Apressaram-se, não seria conveniente estender o tempo de viagem.
Caminharam por longas horas.
- Vamos parar para comer – pediu o loiro indicando o estômago que roncava.
Pararam.
- Não vejo a hora de chegarmos, vou direto ao tio Ichiraku.
- Você ainda vai passar mal comendo tanto ramem – alertou a médica-nin.
- O estômago do Naruto tritura até pedra – comentou Sai.
Kakashi mal desviava a atenção do livrinho que o acompanhava em todos os lugares.
Ficaram pouco tempo parados. A saudade da Vila os fazia tornarem-se rápidos.
- O que você vai fazer quando chegar, Sakura-chan? – indagou o loiro esperançoso.
- Vou para minha casa, Naruto – respondeu.
- Vamos ao Ichiraku! Kakashi-sensei não se importaria de pagar ramem para a gente.
Antes mesmo de Sakura responder mais um não ao gennin, Kakashi adiantou-se.
- Se quer um encontro, comporte-se como um homem Naruto, e pague você – sugeriu corrigindo o amigo.
- Que seja. Vamos Sakura-chan? Insistiu ele.
- Obrigada, mas estou muito cansada para sair quando chegarmos e quero dormir cedo hoje! Tenho certeza de que você possa convidar outra pessoa, que não esteja cansada como eu – explicou a moça.
O modo como Sakura respondeu Naruto os deixaram intrigados. Ela não costumava ser amável com ele. Naruto estranhou o comportamento da moça. Insistiria mais se estivessem em outra ocasião.
Ela estava estranha.
Nem mesmo Sai a atormentara durante o restante do trajeto.
Chegaram a Konoha um pouco depois do previsto. Já estava escuro.
Foram até o escritório da Hokage e expuseram o resultado da missão.
- Boa noite! Tsunade-sama – disseram.
- Boa noite! Vejo que ocorreu tudo de maneira esperada.
- Hai – respondeu Kakashi.
- Estão dispensados por hoje – despediu-se deles a Hokage.
Não sem antes perceber o tom cabisbaixo que apresentava a aprendiz. "Talvez seja o cansaço" pensou a Godaime.
Foram embora, cada um para suas respectivas casas.
Sakura assim que chegou, a primeira coisa que fez foi tomar um bom banho. Tomar banho em rios não era tão relaxante quanto ao seu chuveiro.
Entrou sob as águas que corriam em temperatura amena. Esqueceu-se do mundo ao sentir a pele ser amaciada com a espuma de banho.
Naruto chegou correndo. Queria tomar um banho logo e ir comer o seu ramem. Fez o que pode na menor quantia de tempo possível. Chegou lá ainda a tempo de pegar o Ichiraku aberto.
- Boa noite, Naruto. O que vai querer hoje? – atendeu sorridente o dono do local.
- Boa noite, tio. Eu quero ramem de porco – pediu ansioso.
- Vejo que você não varia mesmo, hein – brincou.
Naruto riu.
Enquanto aguardava o prato, seus olhos que eram totalmente vivos, se perdiam.
- Algum problema, Naruto?
Naruto acordou de seus pensamentos e negou com a cabeça.
- Sabe, você vem aqui toda semana desde criança e nunca vi você tão perdido.
Envergonhou-se de estar pensando em Sakura. Ele a conhecia há muito tempo e desde que começou a gostar dela, ele bem sabia que ela era apaixonada por Sasuke.
Ele já tinha feito de tudo para chamar a atenção dela e ainda assim, parecia ser sempre indiferente. Talvez fosse hora de esquecê-la. Aliás, já havia passado da hora.
Mas era tão difícil.
- Sabe, tio, eu não consigo esquecer alguém – choramingou o loiro.
- Quem? É a Haruno ainda? – perguntou.
Naruto nunca tinha comentado com ele nada do gênero, assustou se com o chute dele. Mas ele era tão óbvio que devia ter deixado escapar algo.
- Sim – falou triste.
- Filho, eu tenho muito mais experiência que você, que é ainda jovem. Isso passa! – disse conformando o menino que parecia desolado.
Terminou a refeição enquanto pensava nas palavras do homem.
Pagou e agradeceu pela força que havia recebido. Antes que deixasse o local, ouviu as ultimas recomendações do senhor.
- Se seu amor por essa menina é tão forte assim, acho que deve mostrar a ela! Se ainda assim não der certo, lembre-se que amores vêm e vão. E acredite, logo encontrará alguém que vai fazer você muito feliz.
Caminhava vagarosamente, estava próximo à sua casa quando resolveu que falaria com Sakura pela última vez. Só que dessa vez ele não a convidaria para lugar algum, tentaria expor seus sentimentos.
Ele bem sabia que a amiga já sabia deles.
Mas seria a última vez que ele tentaria algo.
Correu até a casa da Haruno. Relutou, pensou no quão idiota seria tomar essa atitude, começou a se arrepender, mas já era tarde demais. A campainha já tinha sido tocada e a maçaneta estava sendo girada.
A expressão de apavoramento tomou conta do moço, suas mãos estavam trêmulas e suadas. Ele nunca ficava assim quando estava perto dela em missões. Ficou pensando a razão disso. Concluiu que nunca ficou assim porque nunca falou abertamente sobre eles.
- Naruto? – estranhou ela.
Nem mesmo conseguiu dizer o seu estridente "Sakura-chan".
- Algum problema? – preocupou-se ela.
- Posso falar com você? – foi direto.
- Sim – estranhando o nervosismo dele.
- Entre.
Entraram na sala e ela mandou que sentasse. A sala parecia sombria, a única luz que iluminava o cômodo era do abajur que estava ligado. Sentou-se, mas não conseguiu ficar parado por muito tempo.
- Diga – disse ela afobada com a inquietação do amigo.
Tomou coragem e olhou fundo nos olhos verdes dela.
- Peço que não me interrompa, até que eu tenha concluído tudo – pediu ele.
- Tudo bem – concordou.
- Eu estou aqui pela primeira e última vez para falar sobre o que sinto. Sei que você já sabe sobre meus sentimentos. Mas eu nunca os disse a você.
Sakura estranhou o tom do amigo, ela estava cansada de saber, porem nunca imaginou que ele chegaria a esse ponto. Para Sakura, o sentimento de Naruto era infantil.
- Eu não sou mais uma criança, porem esse sentimento me acompanha desde a infância. Assim como o seu também a acompanha. Eu não esqueço de você, bem como você não esquece Sasuke.
Não imaginou que Naruto faria tal comparação. Ela havia disfarçado isso faz algum tempo. Bem, não disfarçado exatamente, apenas omitido.
- Eu sei exatamente o que você irá dizer, não me importo, já sabia disso. Nem mesmo sei o motivo que me trouxe aqui, se eu já sei que você irá me ignorar como sempre.
- É o que eu sinto, mesmo que não seja recíproco, gostaria que você pelo menos os entendesse e não os desmerecesse – continuou ele.
Sakura entendia perfeitamente como o amigo se sentia. Ela se sentia da mesma forma. Caminhou até mais próximo do amigo e o abraçou. Tinha tempo desde a última vez em que suas lágrimas escorreram por seu rosto.
Mas elas rolaram sem impedimentos agora.
- Gostaria de corresponder a eles. Sinto-me da mesma forma.
Ficaram abraçados por longos minutos.
O silencio que os acompanhava era confortante.
Acima de tudo, eles eram amigos.
XxXxXxXxXx
Ta aqui!!
Valew pelas reviews !!
Mas não me matem por esse capitulo.. plisss
Faz parte, gente hehehe..
Sem reviews, sem continuação
Yeah, aprendendo a ficar mal hehehe
kIssuS
