Capítulo V – Uma dose por você –
"Pass me a bottle, Mr. Jones"
Passe me uma garrafa, Sr. Jones
"Believe in me"
Acredite em mim
"Help me believe in anything"
Me ajude a acreditar em algo
"Cause I, wanna to be someone who belives"
Por que eu quero ser alguém que acredita
Mr. Jones – Counting Crows
Sakura não chegou em sua casa a tempo de não se molhar. Uma forte pancada de chuva a pegou enquanto voltava.
Entrou em sua casa correndo, tentava inutilmente escapar. Sem efeito, adentrou o lugar pingando por todos os lados.
Um banho quente seria uma boa escolha.
Ainda com as toalhas enroladas no corpo, entrou em seu quarto. A cama ainda estava desarrumada. Dobrou as cobertas e caminhou até a cômoda.
Correu os olhos por sobre a foto que estava em cima dela.
Era a única lembrança que tinha dele.
Passou os dedos por sobre a imagem do moreno.
Sentou-se em sua cama ainda com o porta-retrato nas mãos.
Tirou a foto dele e a encostou por sobre o peito, enquanto deitou e buscou lembrar dos momentos em que ela pôde estar junto dele.
Adormeceu.
Dormiria mais se um forte relâmpago não tivesse caído. Acordou sobressaltada e foi até a janela e a fechou, a chuva estava se tornando uma tempestade.
Um forte vento arrepiou a pele da jovem que só então se lembrou que ainda não havia colocado suas roupas.
Vestiu-se e pegou a foto que estava por sobre a cama. Colocou a novamente no porta-retrato, não sem antes perceber que a foto estava úmida. O suor das mãos da jovem a deixou desta forma.
Sentiu raiva de si mesmo, mais um pouco e ela estragaria a única coisa que a fazia manter vínculos com alguém que estava longe.
Sentiu-se pior ainda quando se deu conta de que todo o esforço para manter esse vínculo, na realidade foi em vão. Abaixou o retrato do antigo time sete.
Ela teria de esquecer.
Vestiu uma capa de chuva, e saiu. O tempo não estava convidativo para um passeio, e alem disso, já estava escuro.
Mas ninguém disse que ela se importaria com isso.
Não tinha rumo. Mas necessitava fugir.
Fugir de si mesma.
Como um homem cheio de problemas, entrou no primeiro bar que viu. Sakura nunca havia feito isso antes.
Nem mesmo se importou de estar em um lugar onde só se viam homens. Sentou-se em uma das mesas mais afastadas e acenou para alguém vir atendê-la.
Um senhor de meia idade aproximou-se.
- O que vai querer? – perguntou observando a jovem de cima a baixo.
- Sake – respondeu fingindo que não ter percebido o olhar dele.
- Sim – disse ele.
Rapidamente trouxe uma dose para a moça.
Sakura bebeu um pouco. Sentiu sua garganta arder. É certo que a kunoichi já tinha experimentado a bebida, mas nunca se sentou em uma mesa de bar para fazer isso.
Mas pouco se importava. Amava alguém que jamais retribuiria seu amor, e muito menos o agradeceria. A Hokage a afastara de suas funções por motivos óbvios, não teria o que fazer durante alguns dias. O amigo tinha declarado seu amor, mas ela não podia corresponder.
A cada razão somada ao seu infortúnio, mais um gole era dado.
Ergueu a mão e acenou que queria mais um. Mais uma dose foi acrescentada à sua sede de esquecimento.
E outra, e mais outra.
"Por que ele não está aqui? Preferiu aquela cobra maldita a mim".
As mãos dela agarravam os copos que estavam sendo somados por cima da mesa.
"Por que Tsunade-sama me afastou? Ninguém nunca a afastou por ser viciada em sake e jogatina" e "Droga, Naruto! Você não deve me amar, deve amar Hinata".
A bebida dava os primeiros sinais.
As mãos da kunoichi não paravam de se erguer. E a bebida não parava de chegar.
A visão já tinha se turvado. A moleza de seu corpo fez com que ela debruçasse por sobre copos e mesa.
- Ei, garota – disse puxando o braço de Sakura.
A jovem somente olhou para cima.
- Já chega, vá embora. Não quero que a Hokage venha me encher depois por sua causa – reclamou o dono do bar.
Sakura sentia seu corpo adormecido e custava-lhe ficar em pé.
Deixou o bar, totalmente dominada pelo líquido que tanto ingeriu.
Andou por alguns quarteirões sendo ajudada apenas pelas paredes que serviam para que ela escorasse.
- Sasuke-kun seu maldito! Apareça – balbuciava a jovem.
- Por que foi embora? Eu não sirvo para você? – concluía.
- Não sou boa o suficiente para servir como a mulher que irá re-erguer seu clã?? – chorava ao dizer as frases.
As calçadas molhadas fizeram com que a dona dos olhos verdes escorregasse e caísse.
Deprimente. Era a palavra que melhor descreveria a situação.
Ficou sentada onde caiu. Encolheu-se e chorou. A lua pouco iluminava, as nuvens a cobriam parcialmente.
Não havia ninguém para presenciar a cena, e muito menos ajudá-la. Levantou-se com custo. Tentou se apoiar para não cair na lama formada novamente.
Caminhava enquanto desabafava seus problemas.
- Eu só queria não ter de ser afastada, de poder amar quem me ame, e não ter de suportar Sai – confessou enquanto secava os prantos e sentia o estômago virar.
- Aquele idiota, porque ele não pega aquele caderno e... - terminaria a frase, se pudesse.
O estômago da moça não suportou.
O amargo da boca não fez com que ela se recuperasse. Tudo ficaria bem se a moça não estivesse tão dopada.
Suas pernas a levaram até a casa de Sai.
Sentia a necessidade de desabafar com alguém, ou melhor, descontar. E foi ele o escolhido para seus insultos e suas raivas.
- SAI, ABRE A PORTA SEU IMBECIL – gritava na frente da casa do rapaz.
- ANDA, VOU TE MOSTRAR COMO UMA SELVAGEM SE COMPORTA!
Sai que estava dormindo, acordou espantado com os gritos em frente a sua casa. Correu até a porta e a abriu assustado.
Deparou-se com a figura de Sakura. Suja, suada e exalando álcool.
- Que surpresa! Não esperava que fosse receber sua visita essa hora e muito menos nesse estado – zombou.
- EU TE DESPREZO. VOCÊ ME ENOJA – falava aos berros com Sai.
- Se eu te enojo, o que faz aqui?
Sakura não podia responder o porque. Não tinha razão suficiente para seu comportamento e se tivesse, a bebida fez com que ela parecesse uma tola.
- Não sei.
Ele percebeu o estado da companheira de time e notou que não adiantaria discutir. Puxou a jovem para dentro da casa, para evitar escândalos e possíveis comentários da vizinhança.
- Me largue, Sai – desesperou-se ela ao ver que não tinha forças suficientes para soltar-se.
Fechou a porta da casa e a sentou no sofá.
- Encheu a cara, é? – riu.
Ela tentava se levantar, enquanto ele observava todo o esforço que ela fazia tentando sair do sofá fundo em que estava.
- Acho melhor você ficar por aí mesmo – aconselhou o moreno.
- EU NÃO PRECISO DA SUA AJUDA –tornou a gritar.
A chuva voltou a cair em Konoha.
- Por pouco você não toma chuva – sorriu ele.
- EU VOU EMBORA, ME RECUSO A FICAR COM VOCÊ – desesperava-se ela.
Conseguiu levantar, e foi cambaleando até a porta, resmungando coisas que Sai não conseguiu distinguir.
- Você tem certeza que vai sair nesse temporal? - questionou.
- EU SEI ME CUIDAR - gritava enquanto tentava girar a maçaneta.
- Então, me empresta essa capa de chuva, vai ser bom tomar um bom banho – disse enquanto arrancou a capa dela.
Sem tempo de contestar, ela somente sentiu ser empurrada para fora.
Os relâmpagos começaram a assustar a kunoichi que se julgava sóbria o suficiente.
Sai sabia que ela não iria longe.
Mal deu tempo de Sai guardar a capa, e já ouviu gritos.
- Sai, seu desgraçado! Está chovendo.
Riu e abriu a porta.
- Já? Esperava mais insistência de sua parte, Sakura! Não é você que ainda insiste num amor de anos? Achei que insistiria mais um pouco lá fora – debochou mais uma vez.
As palavras de Sai acertaram a kunoichi, que se escorregou da porta chorando. Se Sakura tentava parecer forte, o efeito da bebida fez com que ela se esquecesse disso.
Sai olhou e nada mais disse.
Pegou a kunoichi nos braços e a levou para o banheiro.
Ela precisava de um bom banho.
Abriu a porta do banheiro, desviando o corpo da moça, para que não acertasse seu corpo. O choro ingênuo que ouvia, fez Sai perceber como Sasuke era importante. Deduziu que o porre era culpa dele, e que a razão de ela estar ali era somente conseqüência da bebida e em parte, por Sai atormentá-la.
Abriu o chuveiro e sentou a jovem no chão, que nada mais fez para evitar qualquer ação dele.
A roupa que já estava úmida, agora se achava encharcada. A jovem se encolheu e deixou que sua cabeça recebesse as gotas que se misturavam com suas lágrimas.
A lama da roupa de Sakura ia dissolvendo-se, deixando o chão do banheiro todo sujo. Não tiraria as roupas dela, a menos que ela fizesse, sentiu pena ao ver o seu estado e fez sinal de que poderia despir-se. E enquanto deixava o banheiro, ouviu o som das roupas caírem no chão.
Segurou-se para não olhar para trás e vê-la.
Fechou a porta e foi buscar uma toalha e algo para ela vestir.
Buscou em seu armário algo que ela pudesse usar, mas não achou nada feminino, acabou por pegar uma camiseta grande e confortável. Abriu a porta do banheiro e pode ver somente o contorno do corpo feminino que aparecia por detrás do boxe.
A moça desligou o chuveiro e ele estendeu a toalha. Ainda meio atordoada ela se enxugou da maneira que pode, enrolando-se na toalha e abrindo o boxe, assim que achou estar seca.
Ver a moça enrolada na toalha e com os cabelos pingando, fez Sai travar.
- Aqui, vista isso – foi a única coisa que falou.
Sakura pegou a roupa e antes mesmo de Sai sair para ela trocar-se, jogou a toalha no chão, sem nem mesmo ter noção do que estava fazendo. E se tivesse, não lhe importava. Vestiu a camiseta que mais parecia um vestido. Sai parecia hipnotizado.
Não fossem as pequenas poças d'água provocarem a queda dela, ele não saberia o que fazer.
Levantou a kunoichi e a ajudou caminhar até o quarto, ela precisava descansar.
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Agradeço todas as reviews!! Realmente nos empolgam a escrever..
Kissus a todoss
E Dêem GO! P
