Capítulo XIII – O amigo chamado Tempo –
"Um momento quase perfeito"
"Inocente em seus defeitos"
"Tudo que é bom dura pouco"
"E não acaba cedo"
Eu nunca disse adeus – Capital Inicial.
Com os passos ligeiros, deixava as ruas de Konoha cada vez mais rápidos. Após fechar a porta da casa do Uzumaki com grande tremor em suas mãos, conteve-se para não chorar em frente a sua calçada. Desviou os olhares das pessoas que passavam pelo local. Não importava se as conhecia ou não. Não tinha e não teria ânimos o suficiente para apenas um aceno. O trajeto que lhe parecera curtíssimo outrora, agora parecia longínquo.
A entrada do clã Hyuuga nunca pareceu tão acolhedora.
Correu e entrou a mansão principal tomando apenas o cuidado de não passar perto de seu pai. Se Hiashi soubesse o que acontecera com a filha, Naruto teria sérios problemas e Hinata sofreria severas conseqüências. Quando passou pelo corredor que ligava todos os quartos à escada, percebeu que Neji olhava para a janela, como se estivesse observando algo. Tentou passar sem ser percebida, mas não foi.
- Hinata-sama? – perguntou, intrigado pelo modo silencioso com o qual ela tentara passar.
Sentiu o corpo gelar, sabia que se ele a visse de frente saberia que estava chorando, e então desejaria saber qual a razão das lágrimas, afinal ele era o responsável pela proteção da herdeira. Sem se virar para ele, apenas movimentou a cabeça indicando que não havia problema algum. Percebeu que ele dera os primeiros passos em sua direção e apressou-se para que ele não a alcançasse.
- Neji nii-san, Hanabi procura por você – mentiu, tentando despistá-lo de si.
O jovem de olhos perolados parou, mas não acreditou no que a menina disse. Hanabi não dissera nada a irmã, pois ele a observava da janela e viu quando Hinata se aproximou. Mesmo que seu dever mostrasse que ele deveria insistir em saber a razão para o repentino sofrimento dela, não o fez. Talvez ela precisasse de tempo.
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Sai deixara a casa do loiro sem a resposta de sua pergunta. Não encontrou Sakura e muito menos tivera alguma indicação de seu possível paradeiro. O jeito era voltar pra casa e esperar por ela, mesmo sabendo que ela não iria até lá. Suspirou cansado quando se jogou no sofá, tirando a camisa. Para alguém que não conhecia emoções, a ausência de Sakura causava uma dor que ele não sabia explicar de onde vinha e nem como doía. Só sabia que tinha que encontrar a moça logo. Se nenhum ANBU aparecesse e o mandasse para o escritório da Hokage, ele desenharia as feições dela durante todo o restante da tarde.
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Voltou ao chuveiro e o abriu, pegou um sabonete e começou a se lavar. O cheiro de lavanda impregnou o recinto e a fez sentir-se mais calma, além de intrigada. Não esquecia os olhos negros dele sobre si. Não deixou de sorrir ao imaginar que ele era capaz de desejar, mesmo que nada tenha dito a esse respeito. A frase que soltara quando a viu se esconder revelou que ele já tinha estado com alguma mulher antes e isso a fez fechar a cara. Talvez o vingador reconhecera suas necessidades, mesmo que não tenha sido com ela. Esfregou as mãos no sabonete e fez com que a espuma lilás se tornasse branca de tanto atritar e passou no rosto a fim de se livrar das impurezas de sua pele. Quando passou as mãos sobre os lábios, lembrou imediatamente do beijo com Sai.
Um aperto lhe subiu a garganta. Não entendia a razão para sentir-se dessa forma, mas de algum jeito aquilo mexera com seus instintos, afinal fora a primeira vez que alguém lhe tomara os lábios. Ela já havia estado com outro, e este não era Sasuke. Mas desejava que fosse e se perguntava se quando o Uchiha estivera com a outra, pensara nela.
Deixou uma lágrima rolar. Ela sabia que não. Odiou-se por não ter continuado o beijo com Sai. Talvez as coisas seriam bem mais fáceis se ela voltasse a sentir-se confusa ao lado de Sai. Bastou que Sasuke aparecesse para que a confusão dela se desfizesse e as certezas de que ela nunca esquecera o garoto dos olhos vermelhos voltarem com ainda mais furor.
Tudo parecia tão claro agora, por Sai existia desejo e por Sasuke, amor. Fechou o chuveiro e enrolou-se na toalha que ele dera.
O azul da toalha contrastava com o rosa de seus cabelos, que por estarem molhados, pareciam mais escuros. Pegou uma das roupas para vestir e torceu o nariz quando a viu. Pareciam antiquadas, e muito comportadas, apesar de limpas e sem cheiro algum. Calças largas e camisas típicas japonesas e alguns yukatas no meio. Vestiu-se e deixou o quarto em busca do Uchiha, pois ele providenciaria algo para comerem.
Passou o longo corredor, desceu as escadas e andou por todos os lados, afinal ainda não tinha encontrado nada com que pudesse identificar como cozinha. Pelas poucas janelas existentes pôde notar que a noite já se aproximaria. Ficou abismada com a quantidade de escadas distribuídas pela casa. No fundo de outra sala, havia mais uma e esta levava ao que podia se chamar de cozinha. Desceu os poucos degraus e viu que havia comida exposta por sobre um balcão. Os olhos verdes brilharam tamanha fome que a kunoichi sentia. Assim que levara a boca o alimento, deu falta da presença do moço. Mas não esperava que ele a esperasse, pelo contrário, sabia que durante todo o tempo em que ficasse lá, o veria em situações necessárias.
Fartou-se. Subiu as escadas e atravessou o corredor novamente. Por mais que ela soubesse o quão reservado era Sasuke, tinha que perguntar o que faria, já que aquilo a estava torturando. Não o encontrou, resolveu descer até onde ele treinara durante a manhã. Não gostava do aspecto daquele lugar, as velas que ainda queimavam logo mostraram o moço lidar com a espada. Assim que ela o viu, ele parou.
- Não cansa disso? – perguntou, pesarosa ao ver que o jovem passara o dia todo com aquilo.
- Não – respondeu, virando-se a ela.
- O que eu faço?
- O que quiser – disse, friamente.
- Não tenho nada para fazer!
- Hn.
- Você tem sempre que ser assim?! Me diga algo para fazer e eu farei! Não vou suportar ficar presa aqui! – gritou.
- Você não está presa, está aqui por que decidiu ficar – disse, chegando mais próximo a moça.
Sakura sentiu o rosto corar com as palavras e a proximidade. Sabia que as palavras dele eram verdades.
- Então irei – disse, subindo as escadas.
- Saudades de Sai? – perguntou, irônico.
Bastou ele dizer para suas pernas travarem. "Como ele sabe sobe Sai?", era a única coisa que passava pela mente da kunoichi. Logo deduziu que Sasuke soubera daquilo porque ele mesmo dissera que estava por perto. Os olhos verdes dela voltaram-se para os negros dele.
- O que sabe sobre minha vida, Uchiha? – perguntou, rangendo os dentes.
- Que você continua irritante – dizendo isso, virou-se.
- Você me observou, Sasuke? – perguntou, descendo os poucos degraus que havia subido e se aproximou dele, colando seu corpo ao corpo dele. De repente sentiu-se confiante o suficiente para provocar o rapaz a sua frente e a passos lentos e sinuosos, desceu os poucos degraus que os separavam.
O Uchiha que se encontrava de costas para a kunoichi, nada fez ao sentir o corpo dela grudar ao seu. Com o dedo indicador a jovem de cabelos róseos passeou o ombro direito dele e subiu até a sua orelha, onde sussurrou.
- A irritante que você precisa – dizendo isso, baixou os lábios na altura do lóbulo dele e levemente o mordiscou.
Fazendo isso, afastou-se e tomou as escadas novamente. O silêncio dele e o alterar da respiração masculina fizeram com que Sakura soltasse um leve sorriso, deixando o vingador para trás.
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Entrou em seu quarto e fechou a porta e manteve-se com as mãos cruzadas atrás de seu corpo enquanto observava as janelas. Através delas podia se ver os raios solares que adentravam o cômodo e que teimavam em alegrar o ambiente. Mas não havia nada que pudesse remediar o que a Hyuuga sentia. Finalmente permitiu que as lágrimas rolassem sem impedimentos e não controlou o ódio que sentiu pelo menino de cabelos claros. A atitude dele passara dos limites, afinal ele a instigara a revelar seu segredo e então aproveitara se dela para usá-la. Mesmo que esse raciocínio não batesse com o de Naruto, tentar modificar o curso de conclusões era impossível.
Mas não havia nada que ela pudesse fazer. Por um momento, se perguntou sobre ser uma boa líder. Tal dúvida tomou conta de seus pensamentos já que se lamentava por não conseguir enfrentar uma decepção sem fraquejar. Não conseguia parar de imaginar o que mais teria acontecido se Naruto não a tivesse perguntado. Talvez agora estivesse enrolada em alguns dos lençóis espalhados por sobre a cama do Uzumaki.
Agradeceu por não ter continuado e também por ter tido forças para deixar a casa dele. Alguns minutos depois foi interrompida por batidas na porta e antes de se virar e abrir, suspirou fundo e enxugou o rosto. Vagarosamente abriu e viu Neji.
- Algum problema, nii-san? – perguntou, disfarçando a voz chorosa.
- Existe algum, Hinata-sama? – retrucou ele, abrindo a porta e olhando o quarto como se estivesse procurando por alguma coisa.
Sem mencionar nenhuma palavra esperou Hinata pronunciar algo.
- Não, nii-san.
Era evidente que havia algo, mas ele não insistiu, apenas a aconselhou.
- Se existir algo que a perturbe, diga-me – disse, olhando fundo nos mesmos olhos perolados que ele tinha. – É meu dever assegurar seu bem-estar – concluiu.
O olhar profundo fez com que a menina corasse e se segurasse a contar algo. Afirmou com a cabeça e desviou o olhar, dando brecha ao jovem para que se retirasse. E assim ele o fez.
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Sakura tratou de chegar a sala onde desmaiara. Acendeu algumas velas para iluminar o local e passou a examinar os exemplares que existiam na biblioteca do lendário sannin. Surpreendeu-se, mas separara alguns deles para um estudo minucioso. Já que ela teria de encontrar um modo para desfazer o jutsu, que até então não se conhecia.
Encontrou uma espécie de enciclopédia sobre as kekkei genkai, e passou a ler interessadamente uma a uma. Viu que muitas das abordadas pelo livro já não existiam mais ou estavam condenadas. Notou fatos curiosos e anotou toda e qualquer similaridade com a linhagem do sharingan.
Não encontrou muitas. Enquanto lia, não viu a hora passar e seus olhos já ardiam. Dormiria ali mesmo se não percebesse nenhum tipo de movimentação.
Levantou da poltrona e atentou-se a observar o lugar. Não se podia dizer que aquele local lhe inspirasse confiança e bastava olhar para os diversos corpos para estudo para se lembrar disso ainda mais fielmente. Ela sabia que só podia ser o Uchiha, mas ainda assim, tinha que se certificar.
Logo avistou o moreno e desviou o olhar, voltando a se sentar na poltrona.
- Achei que fosse treinar a noite toda.
- Hn.
- Separei alguns livros sobre Kekkei genkai, e estive fazendo algumas anotações sobre – disse, tentando demonstrar esperança.
- Encontrou algo? – perguntou, voltando os olhos para a kunoichi.
- Ainda não, mas amanhã eu ... – tentou continuar.
- Amanhã nós iremos até o País do Som – disse, interrompendo a moça.
- Por que? – perguntou, mudando a expressão já que o país do Som era liderado por Orochimaru.
- O que vai fazer lá?
- Relações diplomáticas.
- Para que?
- Preciso de ninjas.
- O que pretende? Caçar Itachi? – disse, caçoando.
- Impedir que Konoha tente alguma busca – disse, olhando a furiosamente.
- Você disse que ninguém me encontraria se ficasse aqui – lembrou ela.
- Naruto virá e junto dele o subordinado de Danzou, de uma forma ou outra – disse, friamente.
Os olhos verdes dela se arregalaram. Como é que o moreno afirmava aquilo com tanta convicção? Que Naruto viria era óbvio, mas o que Sakura queria esconder era que, não podia negar que Sai podia sentir algo por ela, ainda mais após o beijo.
- Eu não era uma traidora, Sasuke-kun? – ironizou, novamente.
- Mais alguns dias e será – respondeu.
Antes de deixar o lugar, a aconselhou dormir, pois teriam uma longa jornada até o País do Som. Após a "morte" de Orochimaru, o cargo de "Orokage" ficara vazio e diante disse, receberia como líder aquele que fora capaz de derrotá-lo. Já que apenas uma porcentagem de Orochimaru estava apta a controlar Kabuto e a Akatsuki o procurava, ele não voltaria reclamar o cargo tão cedo e, diante disso, Sasuke era o indicado e Sakura viajaria com ele. Agora ambos precisariam de tempo.
Tempo para viajar e quem sabe, pensar.
XxXxXxXxXxXx
YO!!
Depois de uma ressaquinha, volto com mais um! Agradeço as reviews, mesmo achando que meus leitores andam muito preguiçosos! Hauauaha
Massss, para aqueles que mandaram, beijo especial, ok!!
Ahhh eu gostaria de indicar a música "Oração ao tempo" de Caetano Veloso, a letra é maravilhosaa!!
Feliz ano novo a todos vocês!!, boas vibrações!!!
e boas férias(para aqueles que estão) e lembrem –se, juízo !!
Mandem reviewsss!! Ok!!
Kisssus a todosss e deem o GO!
