Capítulo XVII – O Império do Medo –
"Eu pendurei os quadros pela parede"
"Nada que lembre o teu sorriso absurdo"
"Mas quando eu vejo o teu olhar nos meus sonhos"
"Eu me encontro e me esqueço de tudo"
Eu não acredito em você – Vinny.
A entrada da Vila Oculta do Som amedrontou a kunoichi que era carregada pela cobra gigante. O Uchiha olhava para a Vila com a maior naturalidade, fato que mostrava que ele já havia estado no lugar algumas vezes. Os habitantes pareciam muito diferentes de Konoha e até mesmo de Suna, lugar onde a jovem já havia estado algumas vezes. Podia-se dizer, no mínimo, que seus habitantes eram estranhos e pavorosos.
Não que eles fossem diferentes fisicamente dos outros shinnobis, mas aquele lugar parecia mais um campo de concentração nukenin. Mas desde que Orochimaru era considerado um renegado entre outros adjetivos, a vila que fora construída para uma maior obtenção de técnicas ninjas do som, não poderia ter "habitantes" diferentes.
Assim que chegaram, Sasuke desceu da cobra e Sakura fez o mesmo. Andaram pela vila levantando poucos olhares, e os que eram levantados logo se desviavam.
Pareciam ter medo de algo. Deveras, não poderia ser de outro modo. Além de pessoas normais, existiam traidores permanentes e ou viajantes, assassinos, cobaias das insanas experiências do "Orokage" e muitos mercenários, fato que poderia traduzir Ka como algo extremamente desapegado de confiança.
Porém foi possível perceber que dentre todas as diferenças, havia ao menos uma semelhança. O medo que a figura de Sasuke exercia sobre a vila era notável.
Entraram num lugar longe de ser considerado imponente ou belo, mas que logo a kunoichi identificou ser a "torre de comando". Um homem, que aparentava meia idade e postura robusta os recepcionou fazendo uma reverência.
- Sasuke-sama, imagino que veio reclamar o cargo de Kage.
- Preciso ocupá-lo por um tempo – disse, olhando para a kunoichi e indicando que a Haruno viesse até eles.
- Eu a trouxe para me auxiliar – disse, fitando-a.
Com o olhar meio perdido, tentou deixar a surpresa de lado e completar a fala recém formulada do jovem.
- Prazer, Haruno Sakura – se apresentou.
- Dê tudo o que ela julgar necessário – cortou, percebendo os olhares um tanto quanto famintos dele. – Akira-san providencie um lugar para ficarmos.
- Hai – respondeu o homem, já se retirando.
Sakura seguiu o Uchiha até uma sala, onde entraram. Não seria uma hora para desenvolver nenhum projeto e muito menos uma reunião com um grupo de gennins. Seria hora de alguns avisos.
- Não mencione o jutsu que impede o sharingan sob hipótese alguma – alertou ele, mais sério que o normal. – Não peça por pergaminhos secretos e desconfie de tudo e todos – aconselhou, fitando a jovem e fazendo com que o olhar esverdeado dela se prendesse.
Definitivamente, aquilo estava sendo mais estranho que o normal.
- Como simplesmente te aceitaram como líder? – perguntou curiosa, já que não percebera nada como votação ou indicação por parte de conselheiros.
- Eu matei Orochimaru, ou pelo menos, o superei – falou, pausadamente. – Ninguém ousará me contestar – disse, firme.
Aquilo gelou a moça. Parece que só agora ela pôde perceber o poder do Uchiha.
- Entenda que aqui não reside autoridade, por mais que elas existam, aqui existe apenas medo – concluiu, fazendo a jovem engolir seco.
- Sasuke-kun e sobre...- tentou perguntar, mas não concluiu devido à chegada de Akira.
- Sasuke-sama e Sakura-sama, as acomodações já estão prontas – avisou ele.
- Bata antes de abrir – falou o Uchiha.
O senhor se desculpou e ambos o acompanharam. Chegaram a provável mansão onde o sannin das cobras residia esporadicamente. Ao ver o esplendor do lugar, pareceu ter mudado de Vila e chegou até a "entender" a razão de Orochimaru buscar tantos e tantos corpos para a sua tão aspirada imortalidade. Assim que entraram, o homem chamou por alguém.
- Reiko-chan.
Rapidamente uma jovem apareceu ao ouvir o chamado do pai. Os longos cabelos negros chegavam até a cintura, chegando a serem um pouco mais longos dos que o de Hinata e mais escuros do que os de Sai. A franja comprida que escondia os olhos da garota foi colocada de lado para que a moça pudesse ver melhor.
Os olhos cinzas pareceram travar ao ver os dois visitantes. E quando saíram do enfoque do casal, passaram o transe para ele. Só despertaram quando Akira se pronunciou.
- Reiko-chan, providencie tudo o que lhe for solicitado – aconselhou o pai à filha.
- Hai – disse, fazendo a Haruno se admirar com o timbre forte que a jovem possuía.
O olhar cinza dela voltou à mirar os ilustres convidados. E se voltaram para a rosada novamente. Aquela sensação de extrema observação estava causando arrepios na kunoichi e só pararam quando a jovem a sua frente se apresentou.
- Hojo Reiko – disse, séria.
Após as apresentações, Reiko guiou a kunoichi até os aposentos que seriam ocupados pela visitante. Sakura podia perceber o olhar da menina sobre si enquanto caminhava. O destino era um lugar que a inspirou fantasias. Entrou num quarto onde imaginou que mesmo se trabalhasse a vida toda e não gastasse um mísero centavo, não poderia comprar a mobília exposta naquele local.
A Haruno parecia perdida em meio à decoração do lugar, ainda que fosse bem exótica.
- Preferiria dormir com Sasuke-kun, Sakura-san? – perguntou, a jovem morena.
A pergunta fez a médica-nin corar. – Se preferir, eu durmo – disse séria, enquanto jogou um olhar não muito amigável para a dona dos olhos cinzas.
A moça mostrou onde Sakura poderia encontrar alguns itens e deixou o quarto. Quando retornou à sala onde estavam anteriormente, pôde ouvir que uma reunião com alguns dos melhores ninjas aconteceria o mais breve possível. Já era noite, Sasuke e Sakura viajaram até o fim do dia, e apreciaram a luz do sol até pouco antes de entrarem na casa onde residiriam temporariamente. Viu que o pai saíra em busca de cumprir o que o Uchiha lhe designara. Se aproximou da sala e mirou o jovem até se colocar atrás dele e lhe subir as mãos para uma massagem.
- Demorou, Sasuke-kun – sussurrou no ouvido do moreno, deixando os longos cabelos dela caírem por sobre os ombros dele.
- Não tenha este contato comigo – alertou, fazendo com que a kunoichi atrás de si o soltasse.
- Não foi isso que disse quando estava comigo – disse, irônica enquanto rodeava e abria os botões da blusa preta que vestia e caminhava em direção ao moço.
Sasuke simplesmente a olhou de cima até em baixo e a ignorou.
- Feche sua roupa e se arrume, terá uma missão.
- Não costumava me ignorar quando me despia – disse, já com a voz marcada pela decepção.
- Acostume-se com isso – disse, friamente ao olhar para a jovem.
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Em uma hora Naruto, Sai e Hinata deixavam Konoha. Contando com a sorte, rumaram até o pequeno vestígio que encontraram. Porém tiveram de reconsiderar. Pakkun apontou duas direções, o que causou um certo olhar de desconfiança por parte de Sai e Hinata.
- Sakura não deixou Konoha – disse, Sai.
- Como não? Você mesmo disse que uma vizinha da Sakura a viu saindo sozinha! – gritou, Naruto.
- Não se deixa um lugar e se caminha por duas direções – alertou o moreno. – Teremos que nos dividir – concluiu.
Ao ouvir a conclusão de Sai, Naruto puxou Hinata e se prontificou para que a menina fosse a sua companheira. A jovem arregalou os olhos ao ver que o menino a puxara, mas se odiou por não ter dito que acompanharia Sai.
- Não esqueça do real motivo dessa missão, Naruto-kun – cutucou o moço de olhos negros ao passo que corou a jovem moça.
Sai continuou junto de Pakkun, e continuaram por uma trilha, que levou em torno de três horas para percorrerem, mas logo se dissipou. Não havia mais cheiro e não havia mais pistas. Retornaram do ponto onde haviam se dividido.
Naruto caminhava junto de Hinata e não parou de pensar sobre o acontecido e o que era impossível se tornou real: Naruto havia calado a boca por um longo tempo enquanto seguiam adiante.
- Hinata-chan, me desculpe – disse ele, segurando a mão da jovem que não lhe dava muita atenção. Os olhos brancos dela o miraram segurando algumas lágrimas, as quais não foram derramadas. Lembrar de ter sido usada doeu mais que a vontade de chorar. Sem dizer nada, a Hyuuga se soltou a continuou a caminhar.
- Eu não te usei – pronunciou o loiro.
A frase pareceu pegar a kunoichi e lhe dar um belo tapa.
- Não me usou, Naruto-kun? – perguntou, derramando as lágrimas contidas outrora.
- Hinata-chan eu...
- Pare de me chamar de Hinata-chan – gritou ela, o assustando. Você mente e eu odeio mentiras, eu só serviria para o seu prazer – continuou ela, diminuindo o tom da voz à medida que soluçava mais.
A Hyuuga disparou na frente, fazendo com que o Uzumaki corresse até a jovem.
- Hinata, não corre, não sabemos o que está a nossa espera – alertou ele, desesperado pelo estranho comportamento da moça. Não era todo dia que se via a doce menina de olhos perolados tendo um surto. Naruto se sentia culpado por tê-la feito chorar, por tê-la feito se dopar e agora por se submeter aos perigos escondidos da floresta onde se encontravam.
Com o Byuukagan ativado ela correu e parou bruscamente ao ouvir a recomendação do loiro. Ela era chunnin e sabia exatamente dos perigos. Apesar de desvairada, ela estava consciente. Mas a sede de vingança pelo rapaz ainda não tinha cessado com a súbita corrida sem destino.
- Se preocupa comigo, Naruto-kun? – perguntou, estreando a ironia em sua vida. – Guarde suas preocupações para a sua Sakura-chan – concluiu, antes de se abaixar e se encolher sob a copa de uma árvore.
Naruto que ainda buscava chegar até a menina parou ao chegar perto da jovem e se sentou ao lado dela.
- Eu mereço que me odeie pelo que fiz, mas eu nunca a usei – disse, se lamentando. – Eu te desejei realmente – disse, pesaroso.
- Acha que desejo é suficiente? – perguntou, levantando as pérolas que se tingiam de vermelho.
- Não, talvez se eu achasse, não teria perguntado sobre quem você amava, eu não teria me importado – disse. – Se só o meu desejo bastasse, não me importaria e nem estaria te pedindo desculpas, só teria dormido com você aquele dia e nada mais.
O choro se prolongou e se abafou. Mas ainda assim, a moça não disse nada, apenas levantou e olhou para o Uzumaki, que a mirou fazendo os orbes azuis penetrarem em seu mundo, desconcertando-a novamente. Num minuto o ressentimento que assolava o peito da chunnin pareceu estancar. Chegou a imaginar que os olhos dele fossem um portal para a tranqüilidade, tamanha beleza que se via neles. Malditos olhos que a deixavam tonta. Relutante, se desviou deles a fez sinal para que ele levantasse e prosseguissem.
- Só o desejo não basta, não é mesmo Naruto-kun? Mas e se nem mesmo existir o desejo? – perguntou, cutucando o loiro.
- Não existe nada – disse, entendendo a moça.
- Então é assim que Sakura-chan o vê – disse, enquanto olhava firmemente. – Você é Naruto e nada mais alem disso – concluiu, fazendo com que o jovem se envergonhasse.
- Gomen – balbuciou ele, enquanto continuavam o trajeto.
O caminho foi seguido durante quatro horas e nada puderam encontrar. Decidiram voltar, mas o caminho parecia estranho, e levaram mais quatro horas para que notassem que haviam percorrido o mesmo lugar. Devido à falta de atenção dos dois por problemas pessoais, caíram em uma armadilha e estavam perdidos.
Sai que retornara até o ponto combinado, esperou por horas e não os viu, seguiu viagem já que deduziu que o casal tivesse encontrado algo e tomou a rota que Naruto e Hinata haviam tomado. Imaginou que logo os encontraria e assim continuou na companhia de Pakkun, que por ordens de Kakashi, obedeceria Sai em tudo.
O dia passara e a noite já se aproximava. A mudança da coloração da luz mostrava certa dificuldade ao ver. Por sorte de Naruto, o Byukagan os estavam guiando. Mas os guiava por lugares não conhecidos. Desfeito o genjutsu, se colocaram a analisar onde estavam e não puderam identificar.
Eles teriam de acampar e evitar algum inconveniente andando sem claridade. Evitaram andando, mas não parados. Hinata avisou Naruto que viu uma circulação de chakra próximo, mas antes que o Uzumaki começasse a lutar, uma kunai atingiu o ponto cego da kunoichi.
Hinata caiu. Com um alcance de mais ou menos 350 graus, o Byukagan falhara. O ponto fraco de um dos mais importantes clãs de Konoha fora atingido e conseqüentemente, a kunoichi perdera as forças.
Naruto correu na direção da kunai, e rapidamente usou o Kage Bunshin.
- Apareça maldito – gritou, furioso.
Nada e ninguém foram movidos. O loiro não sabia o que fazer, se continuava a perseguir o autor do disparo da arma, ou se socorria a garota que já apresentava traços de desfalecimento devido a perda de sangue.
Não havia nenhum ninja médico e isso era um problema.
- Tajuu Kage bunshin no jutsu – arriscou ele, enquanto corria para a garota.
A grande quantidade de clones dele foi, para a surpresa do rapaz, destruída por alguns leões brancos, o que causou certa curiosidade no herdeiro do Yondaime. Naruto se aproximou de uma das feras com cautela e logo gritou.
- Sai?! – suspeitando que aquilo só poderia ser jutsu do subordinado de Danzou.
O moreno assustou ao ouvir a voz do loiro da primeira vez, mas quando seu nome foi pronunciado, teve certeza de que os ninjas que atacara não eram inimigos. Ainda com cautela se aproximou e logo observou Naruto e mais a frente a Hyuuga.
- Naruto – gritou o moreno, saindo de detrás de alguns arbustos.
- Sai, seu idiota você atacou Hinata-chan – gritou, voltando a atenção para a garota. – Pakkun você não sentiu o nosso cheiro? – perguntou, encabulado.
- Desculpe, Naruto – disse o cão de Kakashi. – Imaginamos que não estariam mais aqui porque seguimos o cheiro de vocês, pensamos que já estivessem longe e sabe como é, a noite em uma floresta todo cuidado é pouco. – concluiu o cão observando a jovem.
- Hinata não poderá continuar – alertou Pakkun. – O ponto cego do Byukagan é muito sensível – disse, vendo o sangue que escorria da boca da jovem.
- Eu volto com a Hinata-chan – falou o loiro.
- N-não pre-precisa, Naruto-kun – se esforçou a jovem, porém foi calada ao ver que não agüentava mais.
- Posso voltar com Hinata, pois sei o caminho de volta, já que parecem estar perdidos – disse Sai. – Você pode continuar com Pakkun e encontrar Sakura – concluiu.
Naruto pareceu considerar a proposta do jovem, mas ao olhar a moça fraca não o fez.
- Pakkun nos guia e você continua sozinho – disse, pegando a Hyuuga no colo. – Você já foi ANBU e isso não será difícil – concluiu deixando Sai para trás e retornando para a Vila.
Sai os viu e continuou caminhada. Agora estava sozinho e teria de ser mais cauteloso. Seria melhor observar do que lutar.
XxXxXxXxXxX
YO People!
Como estão vocês??
Gostaram do capítulo? Meio grandinho né!espero que tenham gostado!!
As minhas reviews como sempre, eu as amoooo, e vou confessar que estou com preguicite aguda para responder.
Mas fica válido o OBRIGADA A TODAS E PRINCIPALMENTE A VOCÊS QUE LEEM A MINHA FIC!!
EU AMO VCS ACIMA DELAS, UHULLL
BOM, agora me despeço e deixo um beijão para vcs. Ok!
Kissus a todos e dêem GO!
