Capítulo XIX – Humanamente errado -
"When you say your prayers try to understand"
Quando você fizer suas preces, tente entender.
"I've made mistakes I'm just a man"
Eu tenho cometido erros, eu sou somente um homem.
Always – Bom Jovi.
Acordou com a cabeça girando. O tombo de cima de um clone de pássaro não fora uma altura muito baixa e o shinnobi percebeu isso. Mas só percebeu tarde demais, apesar de ninja ele não era um deus e somente um desmaio foi muita sorte. Olhou em volta e não viu ninguém e também desconheceu o lugar.
Provavelmente quem o derrubou também o arrastou para outro local e estando noite, não poderia simplesmente sumir já que agora sabia que alguém o observava. Levantou e segurou a zonzeira, quando tentou afirmar os pés, sentiu dor. A queda o fraturou.
"Droga" amaldiçoou, ele.
- Não deveria se esforçar – disse, uma voz feminina.
Imediatamente os olhos negros buscaram o lugar de onde vinha o som e puderam ver alguém que chegava com o rosto coberto.
- O que quer? – perguntou ele, sentindo arrepios ao ouvir a voz.
- Saber o que te leva até as imediações da Vila do Som – disse, abaixando o capuz e revelando os orbes cinzas.
Ao ver os exóticos olhos dela, suspendeu a respiração. Era como se um passado inteiro voltasse a sua mente e era a primeira vez que sentiu fisgar o peito. Ele jamais esqueceria aqueles olhos ainda que ficasse longe deles durante mil anos. O mundo é realmente pequeno e essa lógica não fugiu do mundo dos shinnobis. Ainda que não se importasse ou desse a mínima para a moça que estava a sua frente, era como se um turbilhão de emoções e pensamentos invadissem seus neurônios. E foi capaz de se incomodar com os sentimentos graças ao descoberta deles.
Graças à Sakura.
E ao encarar o par de olhos negros a sua frente, não teve reação diferente da dele. Mas apesar das semelhanças entre os sentimentos que envolviam o tão inesperado encontro, existia uma grande barreira: aquilo a pegou de surpresa e fisgou seu peito com intenso vigor.
Não havia como ninguém começar algum questionamento, eles não sabiam quais palavras usar. Mas algo tinha de ser feito e foi.
As mãos dela tocaram o rosto dele enquanto os orbes nublados pareciam voltar ao passado. Havia muito tempo desde a última vez. Sentiu os dedos trêmulos caminharem por seu rosto e por um momento pareceu querer afastar a aproximação. E ela percebeu isso. Reiko era muito esperta e nada que passasse perto de seus olhos e ouvidos sairia despercebido. Parecia ler os pensamentos dele quando afastou rapidamente as mãos.
Se ele já havia experimentado o amor, agora experimentava o remorso. E mais uma vez, o conhecimento de seus sentimentos foi creditado à Haruno.
- Desculpe – falou ele, baixando os olhos para desviar do olhar dela.
O vento soprava forte e logo a cabeleira dela se pôs a voar junto dele, enroscando alguns fios por entre os carnudos lábios. Os olhos nublados derramaram as primeiras gotas de chuva e escorreram pela branca face.
- Desde quando se importa com algo, ANBU? – retrucou, enxugando os olhos.
- Sinto muito – concluiu, suspirando.
- Não sente metade do que eu senti – resmungou ela.
- Realmente não sinto, mas sei como se sentiu – falou.
- Reencontrou seu irmão para reaprender sentimentos? – ironizou a morena.
- Encontrei alguém que me ensinou.
- E com certeza muito longe daquele abrigo – continuou ela.
- Se eu pudesse voltar, não faria o que fiz – desabafou, olhando a garota.
- Não teria estado comigo ou não teria sumido dias após? – perguntou ela.
- Não faria o que fiz.
- E como o mundo é irônico, não é mesmo? De todos os shinnobis que eu poderia derrubar, derrubei exatamente a você – disse, colocando as mãos na cintura.
- Não me culpe – alertou ele.
- Não te culpar? Como? Você me ajudou a deixar minha Vila e eu sou grata a isso. – falou. – Mas fez com que eu me apaixonasse por você e não fez nada por isso – continuou. – Não fez nada e eu me odeio por isso, só fez algo quando sentiu suas imundas necessidades masculinas tomarem conta de seu corpo – se alterou, indo para cima dele. – Fez com que eu acreditasse que aquilo significava algo e se aproveitou da minha ingenuidade – concluiu.
As mãos dela seguraram o ninja e ameaçaram o pescoço com uma kunai.
- Eu já tinha belos seios, mas ainda tinha sonhos – falou, derrubando mais lágrimas e soltando o homem a sua frente.
Ficaram em silêncio, ele, no entanto, ouviu o alterar da respiração dela se acalmar e só então se pronunciar.
- O que fez depois daquela noite? – perguntou ele, vendo que ela se acalmara.
- Depois que me deixou, recebi treinamento de Danzou – contou, riscando a terra a sua frente. – Quando você voltou da missão que ele lhe dera, eu já estava fora da Raiz porque eu fingi não assimilar nada e essa era a única forma de deixar a organização. – contou, limpando a sujeira que ficara na saia branca. - Voltei a minha vila para buscar meu pai – contou, se levantando e olhando para ele.
- E vocês vivem juntos agora? – perguntou ele, interessado.
- Sim – respondeu ela, tirando a capa que cobria seu corpo. – Ele se esconde porque já era um ninja quando deixou a vila, ao contrário de mim que nem ao título de gennin possuo.
- Sem títulos e com a habilidade de praticamente um jounnin – comentou ele, mexendo no pé que latejava.
- O que faz sozinho nessa direção? – perguntou ela.
- Vou buscar alguém – disse.
- Com a bandana de Konoha? Deixou Danzou?
- Temporariamente sigo a Hokage – contou.
- Não posso deixar você passar – disse ela.
- E porque não? – se interessou.
- Você está próximo da Vila do Som e tenho ordens para não te deixar passar – disse, tirando as longas botas e revelando as pernas.
- Com o pé quebrado não irei a lugar algum – reclamou.
- A propósito, qual seu nome agora? – cutucou ela.
- Sai – resmungou ao tentar firmar-se no chão. – De quem recebe ordens? – perguntou, já que ela mencionara não poder deixá-lo passar.
- Uchiha Sasuke.
Ao ouvir o nome, as perspectivas dele se confirmaram, mas ainda assim, tinha que perguntar.
- Haruno Sakura está junto dele? – perguntou, aflito.
- Se você se refere a aquela kunoichi com cabelo de boneca, está – disse, emburrada. – Está desesperado por ela?
- Percebo uma certa birra em relação a ela – sorriu, irônico. – Ela está machucada? – perguntou, já preocupado.
- Só se alguma parte bem íntima dela estiver ardendo agora – falou, irritada.
- O que ele fez com ela?
- Ela está bem e ele não a trouxe acorrentada se é isso que quer saber, e acredite, ela está bem à vontade com ele – disse, caminhando até ele e pegando o pé quebrado.
O som do berro de dor que ela causara foi por um bom motivo. O pé já estava no lugar, agora era preciso imobilizar.
- Eu adoraria quebrar suas pernas – disse ela, rasgando parte da capa e pegando a parte dura da bandana dela para imobilizar o pé dele. – Serão necessários alguns dias para que possa andar normalmente.
- Não tenho esse tempo, tenho que trazê-la de volta – disse, ensaiando alguns ins.
- Você é algum idiota? Já não disse que ela não está sendo forçad?a – falou, parando as mãos dele. – Me admira um ANBU não saber o mínimo necessário para se auto-curar.
- Ela foi trazida! – se alterou ele. – Eu não lembro, nunca quebrei nada antes – disse.
- Você a ama, não é? – perguntou, fazendo os corretos ins.
Ele não respondeu, apenas corou. E ela sorriu cansada ao passar um pouco de chakra verde nele.
- O que ela tem de tão especial? – perguntou, inconformada. – Não force, o chakra só aliviara um pouco, mas não curarei você por completo, não quero ter problemas com Sasuke-kun – respirou fundo.
- E o que ele tem de tão especial? – perguntou, inconformado com a pronuncia do "kun".
- Não sei – concluiu ela.
- Você tem algo com ele? Parece triste – perguntou, sendo irônico novamente.
- Talvez eu o ame – disse, pesarosa.
- Já tiveram algo? – perguntou, se lembrando do platonismo em que Sakura vivia.
- O que acha, Sai? Pareço idiota e infantil a ponto de amar alguém que não pode me tocar? Enquanto Orochimaru o treinava, algumas vezes ele me procurava, outras eu a ele – contou, envergonhada. – Mas eu não irei fazer mais falta a ele – desabafou.
- Se sabia que ele não a amava porque dormiu com ele? – perguntou, abismado.
- Por que ele me lembrava você – falou, triste. – Talvez essa seja a minha sina – sorriu, tentando esconder a chateação.
Sai não escondeu a decepção ao ouvir as palavras dela. E ela não disfarçou o incômodo ao pronunciá-las. Ajudou o moço a se levantar e com ele escorado no corpo, adentraram mais a mata. A madrugada já ia ao longe e eles tinham que parar em algum lugar. Pararam em uma clareira e montaram o que podiam chamar de acampamento. Na verdade o que cobriria a jovem era a capa rasgada. Diante do outro, rasgou o pano mais uma vez e o entregou.
- Cubra-se – recomendou ela.
- Porque não me tratou como um inimigo? – perguntou estranhando as boas ações dela.
- Jamais poderia – disse, ríspida.
Sentimentos são realmente muito difíceis de se entender.
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O dia amanheceu e o clarão logo acordou a moça no hospital. Ainda que fraca, sentia o corpo melhor e ao levantar da cama e se olhar no espelho, viu que o ar sadio já habitava seu rosto. Ligou o chuveiro e tomou um banho. Desde que chegara e recebera atendimento da Hokage, ainda não tinha se livrado do sangue seco e das sujeiras que pegara durante o trajeto. Lavou os cabelos e saiu. Enrolou-se na toalha e voltou até a cama, onde pegou um traje que uma enfermeira deixara.
Antes de começar a trocar, viu que a maçaneta estava sendo aberta e logo o loiro entrou. Envergonhada, segurou as toalhas com força e o olhou.
- Hinata-chan, você está melhor? – perguntou, ignorando a situação constrangedora em que ele a colocara.
Ela afirmou que sim e então ele saiu do quarto, para minutos depois retornar, com as mãos para trás do corpo. Ele a viu vestida e caminhou até ela. Assim que ficou perto da moça, que estava sentada na cama, passou os dedos nos cabelos que lhe caíam a face e os colocou para trás, sentindo algumas gotas lhe ficarem nos dedos.
Antes que o costumeiro corar aparecesse, entregou uma rosa branca a ela, que a pegou interrogativa, afinal não sabia o que aquilo significava.
- Desculpe – disse, novamente. – Eu acho que me importo com você muito mais do que eu imaginava – disse, encabulado.
- Você acha, Naruto-kun? – perguntou, duvidosa.
- Na verdade, tenho certeza – disse, animado enquanto colocava as mãos para trás da cabeça.
Um sorriso se viu no rosto da Hyuuga e uma surpresa nas atitudes do Uzumaki, quando ele beijou suavemente os lábios dela. Mas o que ninguém viu foi o olhar triste que apareceu no rosto do jounnin de longos cabelos marrons. O moço que passara a noite em claro por culpa do acontecimento entre ele e Hanabi, recebeu a notícia e foi ao hospital ver a menina.
E ele a viu, porém agradeceu por ninguém tê-lo visto. Deixou o quarto e voltou até a sede do clã. Não sabia o que fazer, mas na verdade não havia nada que ele pudesse. Proibi-la seria infantilidade e tinha certeza de que sempre que estivesse na companhia de Naruto, ela estaria bem.
Ele sabia que o portador das nove caudas daria a vida para poupá-la e ao ver a mais nova descer as escadas com os olhos inchados, percebeu que talvez existisse quem a desse por ele.
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Sakura acompanhou Sasuke até onde ele a levara e ao ver a infinidade de pergaminhos secretos que existiam na Vila, se surpreendeu. Sabia que todos eram roubados e comprados, mas não imaginou que seriam tantos. Sasuke mostrou uma caixa onde havia muitos que falavam sobre jutsus sobre Kekkei genkai.
A moça não demorou a revirar tudo. E durante todo o dia, o jovem ficou ao lado dela. Observava cada anotação e cada movimento que a mão dela fazia. Observou os vários ins que foram tentados, observou o chakra dela diminuir, observou os abrires de boca e as piscadas pesadas que o sono provocava.
Observou o nervosismo ao não conseguir o que buscava. Observou o empenho e a vontade dela. E fez tudo isso em silêncio.
Observou a jovem dormir sobre os livros e anotações. Já não havia mais nada que ela pudesse fazer. Ela precisava descansar e ele não acordou a moça. Somente a pegou nos braços e a levou até o quarto onde dormiria. Colocou a jovem na cama e pela primeira vez a observou diferente.
Com cuidado.
Não deixou o lugar e se encostou na janela e ficou a observar a noite. O sono aos poucos tomou conta de seu corpo e se deitou.
Ao lado dela.
A olhou já sonolento e passou a mão sobre os cabelos rosados que se espalhavam pelo travesseiro. E ao sentir o toque, pronunciou palavras desconexas.
"Acaba...ódio...acabar"
Palavras que não fizeram sentido ao Uchiha que já fechava os olhos de tanto cansaço. E muito menos para a jovem que as pronunciara dormindo. Não sabiam eles que faziam mais sentido do que podiam imaginar.
XxXxXxXxXxX
Salve, Salve!
E como estão os leitores da minha fic??
Ah eu espero que estejam muito bem e muito felizes, pois eu estou!
Aos que participaram com as reviews, o meu mais sincero e devoto "Obrigado"
Aos que leram e nada comentaram, animo para digitar algumas linhas!
Espero que tenham um bom início de semana e que tenham sorte em tudo. E principalmente juízo!
Kissus a todos os meus polakitos!
E dêem GO!
