ALGUÉM COMO VOCÊ
CAPITULO TRÊS
"Como poderia ser natural depois de tudo o que aconteceu? Se lembrou das aulas de teatro que tinha aprendido no colégio. Deveria atuar? Fingir uma suposta indiferença? Quando na verdade, queria grudar as mãos naqueles ombros largos, morder a pele sensível daquele pescoço, lamber a pele quente do seu tórax malhado, me perder nos olhos azuis... Desvio o olhar quando ele percebe que eu o encarava. Natural. Sorria. Finja. Faça piada."
Chase se aproxima de Sophie e Cameron, com as mãos lotadas de cervejas e tequilas. Parecia constrangido.
- Como vai, Robert? Está curtindo a festa? – perguntou Sophie, sorridente.
- Muito. Está ótima. – respondeu ele. – Achei um barato a história da campainha.
- É. – ela riu. – É uma maneira de deixar o pessoal bêbado rápido.
Cameron e Chase sorriram com a piada. Sophie deu uma desculpa e saiu.
- Vamos dar uma volta. Essa casa é enorme. – Chase quebrou o silêncio que caiu entre eles. Ele ainda se sentia estranho com aquilo. Como se quisesse algo e não soubesse. Não que não quisesse ficar com Cameron. Queria. E muito. Desde aquela noite maluca em que ela tinha feito a festa com anfetaminas, que a queria todos os dias.
Mas depois da historia de Kayla, o processo e a quase perda da sua carreira, isso ficou tão em segundo plano, que praticamente esqueceu.
Eles seguiram a direita do salão de festas, onde havia mais salas. Pipocando gente por todo lado. O homem de cueca passou por eles.
- "Won't you help to sing/ these songs of freedom/ 'Cause all I ever have:/ Redemption songs/ Redemption songs…" – cantava inerte a tudo.
Chase e Cameron riram e continuaram entrando mais fundo na casa. Seguiram por corredores que começavam a esvaziar, e Chase viu a sua direita uma sala enorme com um piano.
Estava vazio, e entrando na sala, viu algo que lhe deixou de queixo no chão. Cameron se aproximou, extasiada.
- Minha nossa!
Era a vista para o Carnegie Lake. Cameron sabia que a casa de Sophie ficava no orla do lago, mas ainda ficava bestificada com a paisagem.
- É maravilhoso. – admirou Chase.
Ela riu feliz.
A esquerda deles havia uma mesa de sinuca de tecido vermelho e um bar abandonado.
- Quer beber alguma coisa? – Chase brincou, indo para trás do balcão. Ele levantou uma garrafa de uísque e mostrou para Cameron. – Vamos matar as nossas mágoas com John Daniels.
- Não é Jack Daniels?
- Não pra mim. Ele me deixa chamá-lo como eu quiser.
A esquerda deles, encostado na parede, havia um mesa com bandejas. Algumas estavam vazias e empilhadas, outras com bolinhos que deviam estar ali a horas.
Chase encheu dois copos e entregou um a Cameron.
- Tem algo que sempre quis te perguntar. – Cameron decidiu conversar pra acabar com o clima. Engoliu o álcool e amargou o gosto no fundo da garganta.
- Pergunte.
A campainha tocou.
- Falta a tequila. Dane-se vai com John.
Eles latiram e beberam.
- Queria saber, - ela fez uma careta após engolir novamente o whisky. - como um cara bonito e rico como você, vai parar num seminário?
Chase gargalhou.
- Bem... foi na época que meu pai foi embora. Achava que... Deus ia me ajudar a superar.
- Não ajudou.
- Não mesmo. Então eu fui atrás de algo que podia me completar.
- A medicina.
- Exato. – ele esticou o copo, e ela bateu com o copo dela brindando. – Acho que foi a melhor coisa que eu fiz. E você? Fez algo que sabe agora que não devia ter feito?
- Hum... – ela fez uma careta, pensativa. – Acho que não. Não.
Chase riu de novo, e abriu a boca pra retrucar, quando ela falou:
- Minto. Não devia ter aterrorizado a vizinhança com meus irmãos.
Chase gargalhou.
- Eu cheguei a bater num garoto. Acredita? – ela chacoalhou a cabeça, inconformada.
Chase ainda ria deliciado.
- Como a gente faz bobagem quando é criança. – ela disse, sorrindo.
- É. Queria ter tido irmãos pra fazer esse tipo de bagunça. Melissa sempre foi a bonequinha.
- Eu virei uma bonequinha mais tarde. No colégio.
- Não vai me dizer, que você foi líder de torcida?
Cameron revirou os olhos.
- Pior que eu fui.
Ele riu de novo.
- Sua risada ta me dando dor de cabeça, Chase.
- Desculpe. – disse rindo. – É que é tão... não consigo imaginar você como líder de torcida.
Ela suspirou.
- É. "Vão Gatos".
- "Vão Gatos"? – ele repetiu. – Mostra pra mim.
- Mostrar o que?
- Como o quê? Faz a coreografia pra mim.
- Claro que não.
- Por quê? Não tem ninguém aqui.
- Chase, isso faz dez anos!
- Me mostra vai. Eu aposto com você que encesto quatro bolinhos nojentos desse – e apontou para uma bandeja. – naquela cesta de lixo com a mão esquerda em seqüência.
Cameron olhou pra trás, e viu a cesta. Devia estar a uns três metros. Estava longe, Chase é destro e estava bêbado. Não ia conseguir.
- Feito.
Chase saiu de trás do balcão, esticou a mão na bandeja e voltou pra trás do balcão, mirando a lixeira.
- Um! – exclamou e acertou.
- Dois! – acertou.
- Três! – acertou de novo.
- Quatro! – acertou triunfante. Cameron abriu a boca surpresa.
- Desgraçado!
- Vai, sua vez! – ele riu divertido.
- Promete que não vai rir?
- Não.
Cameron deixou sua lata de cerveja ao lado de Chase, que estava encostado no balcão e pegou duas toalhas de papel.
Colocou-as no chão, uma de cada lado e ficou no meio.
- O que é isso? – ele ficou curioso.
- Pompons. – ela respondeu como se fosse óbvio. Ela fechou os olhos, se preparando. – Te odeio.
Chase ria feliz.
- "Prontos okay" – ela pegou os papeis no chão, e levantou-os no ar, acima da cabeça, e começou a sacudi-los. – "Os gatos estão aqui/ Pra mostrar pra vocês/ Quem irá vencer/ Depois, não chore/ Seu time irá perder/ Nós vamos celebrar/ E pra casa, você irá voltar." – e ela começou a pular jogando os papéis pra cima.
Chase ficou assistindo, surpreso. Surpreso, feliz e encantado. Aquela Cameron era irreconhecível.
- Incrível! – ele bateu palmas.
- Não força, vai. Eu tinha 17 anos.
- Não. Juro. Achei demais. Na Austrália, não tem esse tipo de coisa.
A campainha tocou, e os dois latiram. Cameron correu até o balcão, e bebeu mais uísque. Ele encheu o copo dela e sentou na mesa de sinuca. Ela sentou ao lado dele, e lhe tirou o chapéu da cabeça, colocando na sua.
- Como eu estou? – perguntou, fazendo pose.
- Linda! – ele disse, sorrindo. – Minha vez: eu posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- O que você vê no House? – ela o olhou, confusa. – Digo, ele é um médico brilhante, mas... ele é chato, grosso, arrogante, mal educado... É isso o que as mulheres procuram hoje em dia? Se eu agir assim, vou ter várias aos meus pés?
Cameron riu.
- Não sei te responder, Chase. Eu admirava muito House, mas... sei lá. Por mais que eu tente, eu não consigo compreendê-lo. Achei que ele fosse assim por ser sozinho, por não ter ninguém para amá-lo, mas não é algo que possa ser mudado. Ele é assim, e quer ser assim.
- É isso o que você procura? Mudar alguém?
- Não. Achei que ele fosse, na verdade, alguém... normal.
- Não é.
- Não mesmo. E outra, você... – e apontou para ele, encostando o dedo indicador no peito dele. -... é encantador do jeito que é. Não seja quem você não é.
Chase a fitou. Sentia o álcool invadindo seu cérebro e ele lhe dava coragem pra fazer qualquer coisa.
O que ela faria se
ele sentisse a maciez da sua pele?
Chase esticou uma mão,
e alcançou o rosto dela. Cameron deixou-o se aproximar, e
fechou os olhos. Sentiu a pele macia da mão dele. Se deliciou
com aquele toque.
Abriu os olhos para poder vê-lo. Chase mordia o lábio inferior, como se estivesse se segurando para não fazer algo. E ela sabia o que era.
Alcançou o rosto dele e o beijou. Um beijo ardente. Voraz.
Chase levou as mãos ao rosto dela e Cameron o segurou pela camisa. O chapéu lhe caiu da cabeça.
O gosto dele era inigualável. Jamais tinha provado algo parecido. Era gosto de menta. Ou era baunilha?
Chase estava atordoado. Era como um sonho realizado. Ela estava ali com ele. Quente, macia e real. Podia sentir o seu perfume, seu gosto de morango, a suavidade da sua pele. Algo poderia ser mais glorioso?
Sentia que entraria em combustão. Seu corpo agia como se estivesse em chamas. Precisava tê-la. Tê-la por completo.
- Acho melhor a gente sair daqui. – ele disse com os lábios dela entre os seus.
- Uhum... – ela murmurou, ainda o beijando. Chase fugiu dos lábios, alcançando o pescoço, passando a língua pela sua pele quente.
Cameron se arrepiou, e gemeu.
Pensando bem...
- Realmente... – ela murmurou novamente. -... acho melhor a gente sair daqui.
- Uhum...
- Vem pra casa comigo...
- Uhum... – ele gemeu, e desceu da mesa da sinuca, a puxando pela mão.
Atravessaram o salão, e nem se despediram da dona da casa. Em segundos estavam na rua.
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NOTINHAS:
- Carnegie Lake realmente existe. No inicio da 3ª temporada quando House fazia cooper, ele corria as margem do Carnegie Lake.
- Jack Daniels é uma marca de uísque.
- A letra do Hino que Cameron canta é de autoria minha. Por isso é tão ruim. Não sei rimar.
