CAPITULO QUATRO

"Fechei os olhos tentando lembrar daquela noite. O sabor dele ainda estava na minha boca, na minha pele. Seu perfume ainda estava grudado nos meus poros, exalando no meu travesseiro. Ainda consigo sentir a sua pele quente, e macia como de um bebê. Que falta me faz aquelas mãos fortes deslizando pelo meu corpo como se ele quisesse mapear cada centímetro da minha pele. Que falta me faz o corpo dele fazendo o meu tremer."

No carro, eles seguiram em silêncio. Sem falar nada, ela abriu a porta de casa para eles entrarem e fechou cuidadosamente atrás de si.

Foi como se os dois tivessem sido catapultados um contra o outro. Imediatamente, eles já estavam em pé, encostados na porta da frente, nos braços um do outro, beijando-se frenética e desesperadamente.

Cameron lhe tirava a camisa, o guiando, fazendo o caminho até o quarto. Empurrou-o na cama, o fazendo cair com um estrondo.

Ela subiu em cima dele, se sentando sobre seu colo. Chase lhe tirou o vestido, e Cameron lhe ajudou com o jeans.

Cameron não sabia como o sexo lúcido com Chase podia ser tão perfeito.

Nus, deslizaram lado a lado pelos lençóis, e cada toque, cada gesto, era cheio de curiosidade e delicadeza. O fôlego dos dois foi ficando cada vez mais curto e, com velocidade e desejo crescentes, deixaram a gentileza de lado, e se tornaram intensos, despudorados, violentos. Rolaram juntos, encaixados, ao que ele a penetrava, e então ela deslizou por baixo dele, colada ao seu corpo.

Quando tudo terminou, ficaram deitados, os corpo entrelaçados, unidos em sua paz.

- Achei que a gente tinha combinado que não ia mais fazer isso. – ela disse, sem fôlego.

- É. – ele suspirou. – Sempre fui um cara desobediente.

Ela riu.

- Minha única dúvida, - ele continuou, na escuridão. – é se você vai me respeitar amanhã de manhã.

- Não precisa se preocupar. Eu nunca te respeitei mesmo.

Ele lhe deu um beliscão.

- Ai! É claro que vou te respeitar amanhã de manhã. – garantiu. – Talvez te despreze um pouco a tarde. – acrescentou. – Mas posso te garantir meu respeito incondicional na parte da manhã.

Em silêncio, os dois permaneceram colados, nos braços um do outro, até que Cameron começou a sentir novamente as mãos dele se movimentando sobre ela. Cameron não resistiu aquele toque novamente, e fizeram amor pela segunda vez.

Depois do segundo tempo, Chase não demonstrou nenhum sinal de querer dormir, e isso agradou Cameron.

- Vamos! – chamou ela, cutucando sua barriga.

- Vamos onde?

- Para o banheiro, vamos tomar banho.

- Por quê? Você tem que ir embora logo, a fim de voltar pra casa? – brincou ele.

- Vamos logo.

Dando risadinhas, eles entraram meio desengonçados no banheiro, em direção ao boxe. Cameron lhe entregou uma esponja e uma embalagem de gel para banho.

- Me lave!

- Ta legal. – concordou ele, analisando o corpo dela e olhando para a esponja. – Só que primeiro vamos ter que molhar você.

Abriu a torneira de água quente e colocou Cameron embaixo dela. O jeito curioso e calado com que ele olhou para o corpo dela, sob a água da ducha que descia suavemente pelas curvas dos seus seios e chegava aos mamilos antes de continuar escorrendo, e a forma lenta com que espremeu a embalagem de gel sobre a esponja, sem tirar os olhos dela, foi algo carregado de erotismo.

- Você está imunda! – disse ele, com o rosto sério.

- Eu sei. – ela mal conseguia falar.

Ele passou a esponja bem devagar entre as pernas dela e a sentiu contorcer-se de desejo.

- Fique quietinha! – ordenou ele.

Ela tentou, mas a massagem firme e incessante era irresistível. A água morna, o corpo molhado dele e a pele escorregadia dela foram demais para ambos.

Encostando-a na parede de azulejos frios, com a perna dela em volta da sua cintura, Chase a penetrou novamente. Por alguns momentos paradisíacos eles se agarraram com força, os dentes cerrados de desejo, enquanto ele, de forma ritmada, lançava-se dentro dela em golpes constantes. Até que ele perdeu o apoio dos pés no piso molhado e os dois escorregaram no chão onde, estirados, com as pernas entrelaçadas, mas ainda firmemente unidos, caíram na gargalhada.

Na manhã seguinte, Cameron acordou cedo. Virou-se para o travesseiro ao seu lado e lá estava ele. Chase. Chase, do trabalho. Sem suas roupas. Adormecido e lindo, com as sobrancelhas grossas, as pontinhas da barba por fazer começando a despontar no maxilar, o quarto tomado pelo cheiro dele novamente.

Não podia reclamar sobre homens volúveis. Daquele que se manda quando transa com ela, depois de tempos a conquistando. Aquela era uma segunda vez.

Chase abriu os olhos, ainda com as pálpebras lânguidas, mas com um olhar expressivo.

- Oi. – disse ele, meio grogue.

- Oi. – sussurrou ela.

- Acho melhor eu levantar.

- Talvez.

Ele se levantou e começou a catar suas roupas espalhadas no chão. Achou sua camisa na sala, quando se deu conta que tinha perdido seu chapéu.

- Que saco!

- Que foi?

- Acho que perdi meu chapéu.

- Deve ter ficado na Sophie. Eu pergunto pra ela.

- Certo. – ele entrou no banheiro, enquanto Cameron passava freneticamente as mãos pelos cabelos, esfregando os dedos sob os olhos para remover qualquer vestígio de rímel.

Chase voltou, vestido. Tinha os cabelos revoltos, e parecia cansado.

- Acho que eu te encontro daqui a pouco, certo?

- Certo. – ela respondeu com um aperto no coração, se levantando da cama, nua.

Chase estava petrificado. Estava com medo. Medo do que falar. Do que ela podia falar.

Se aproximou dela e fez a única coisa que pensou que era a coisa certa a fazer. Pegou no rosto dela com as duas mãos, e a beijou. Um beijo calmo e doce, quase uma carícia. E em seguida, ele a soltou, se virou e saiu.

Ouviu a porta bater. Isso a tinha feito sentir um enorme vazio.

Cameron se sentou na borda da cama, confusa.

O que estava acontecendo? Será que estava gostando de Chase? Mas... já tinha dormido com ele antes. Por que agora era diferente?

xxxxxxxxx

Cameron entrou na sala de reuniões e viu Foreman sentado, olhando uma pasta. Um provável paciente.

Com o canto dos olhos, viu Chase, rabiscando uma revista de palavras cruzadas. Parecia bem entretido.

- Bom dia! – soltou.

- Bom dia, Cameron. – disse Foreman. – Isso aí, é pra você.

Cameron olhou para o que ele apontava, e viu um pacote de presentes bem embrulhado em cima da mesa.

Cameron pegou o embrulho e sentiu o peso que quer que fosse, era macio e mole. Não sabia se devia ficar empolgada ou não.

Com todo cuidado, rasgou o papel e então um objeto branco de plástico, se desenrolou sozinho e pulou na sua mão.

Cameron olhou para o objeto, e um largo sorriso se abriu no seu rosto.

- O que é isso? – pergunta Foreman.

- É um tapete de borracha pra colocar no piso do box do banheiro. – Cameron explicou, sorrindo. -, pra pessoa não escorregar.

Por entre as sobrancelhas, olhou para Chase, mas ele estava muito, muito, muito ocupado, fazendo cruzadinhas. Muito ocupado mesmo. Cameron quase sentiu os músculos do pescoço dele se flexionando com força para impedi-lo de olhar pra ela.

- Quem te mandou isso? – perguntou Foreman, desconfiado.

- Não faço idéia. – disse cínica.

- Tem cartão?

Cameron olhou dentro do pacote e tirou um envelopinho. Ela tirou o bilhete de dentro e não pode fazer nada, a não ser sorrir.

- De quem? – se aproximou House.

- De ninguém que você conheça.

- Achei que conhecesse todas as pessoas com que você dorme.

- Pois é, não conhece.

Por descuido de Cameron, House agarrou o cartão.

- House! Devolve! – ela gritou.

Foi então que Chase levantou de onde estava.

- "Pra gente não escorregar mais". – House leu alto. – Hoho! Cameron ta namorando!

- House, pára com isso. Me dá isso aqui. – ela estava à beira das lágrimas.

- Devolve, House. – pediu Foreman.

House olhou surpreso para Foreman, e devolveu o bilhete.

- Temos um caso? – perguntou Chase.

- Sim, mas não é tão interessante quanto o "caso" da Cameron. – ele se a mesa, sorrindo imbecilmente. – Quem é ele? Com quem você está "escorregando"?

- House... – ela começou a perder a paciência.

- Será que a gente pode deixar o namorado da Cameron pra lá, e nos concentrarmos no trabalho? – perguntou Chase.

Cameron olhou pra ele, se sentindo estranha. Namorado?

- Ta bem! – gritou House. – Homem, 48 anos, vertigens, dores de ouvido, náuseas, perda da nitidez auditiva.

Ele se virou para o quadro e Foreman foi até a máquina de café. Foi o tempo de Chase se virar para Cameron e sorrir. Ela sorriu de volta, e se sentou.

- Labirintite. – disse Chase, indo atrás de House.

- Labirintite? Andou bebendo? – House começou.

Cameron, ainda com o tapete na mão, e não ouvia os três discutirem as possibilidades. Ouvia seu próprio pensamento.

"Ele quer continuar isso. Seja lá o que for. Deus, meu coração tá acelerado. O que é isso? Eu to enlouquecendo. Mas... mas estar com ele... me faz tão bem... Melhor que com muitas pessoas. E se ele..."

- Cameron!

- O quê? – ela acordou dos sonhos.

- Está sonhando com o seu parque de diversões? – House ironizou com um sarcástico sorriso. - O "escorregador"?

Foreman e Chase, que tinha um leve sorriso nos lábios, a encararam.

Ela pra não perder a pose. Respirou fundo e mostrou seu melhor ar de confiança:

- Fístula Perilinfática.

House levantou as sobrancelhas. Chase e Foreman, surpresos, se voltaram para ele, procurando uma resposta.

- Encaixa com os sintomas. – se defendeu ela.

- Perfeito! – House exclamou. Ele tinha os olhos arregalados. E uma expressão de intensa admiração.

- Sugiro audiometria e tomografia. – Cameron termina.

- Façam. – ele ordena.

Chase encara Cameron, que dá um sorriso envergonhado.

Xxxxxxxx

Chase olhava os monitores, descartando opções, anunciando em voz alta. Cameron olhava também, escutava a voz dele, mas não ouvia o que ele dizia.

Ainda sentia um amolecimento, como se a noite que tinha passado com Chase, a tivesse entorpecido. Se pegou sorrindo e mirou Chase novamente. Estava fazendo isso a manhã toda.

- O quê? – Chase encarou ela do nada, embaraçado – Pára de me olhar assim!

- Queria te agradecer pelo presente.

- De nada. – ele sorriu, a encarando firmemente.

Nunca tinha prestado tanta atenção em Chase. Era só um riquinho puxa-saco. Só isso.

Mas depois daquela noite, tudo tinha se transformado. Agora, ali sentada a sua frente, o olhando profundamente, pode ver coisas que nunca tinha percebido antes: os olhos azuis, o cabelo caindo no rosto e um sorriso enorme numa perfeita boca vermelha.

- Chase... – ela começou. Lambeu os lábios secos, e viu que Chase seguiu o movimento com os olhos. - ... esta... esta noite foi... incrível.

Chase ficou petrificado.

- Eu sei que... tínhamos combinado que isso não devia mais acontecer... que não teríamos nada porque... complicaria tudo, mas essa noite...

Chase não piscava. Parecia que tinha parado de respirar.

Ele bebia as palavras dela, como se fosse néctar.

- ... essa noite não foi só... sexo pra mim.

- Pra mim também não. – ele sussurrou.

Ele alcançou seu rosto e a beijou. Cameron sentiu o coração disparar. Levou as mãos ao rosto dele, e não se importou com o fato de qualquer pessoa podia aparecer ali. Só continuou naquele beijo. Precisando de Chase como uma promessa.

- Você não vai embora, não é? – perguntou.

- Embora? – ele não entendeu.

- Pedir demissão.

- Não. – ele sorriu, feliz. Se sentindo assim pela primeira vez em muito tempo. – Nunca mais.

Cameron sorriu e o beijou novamente. Com paixão. Uma paixão, que achou que não teria mais.

- Sai comigo hoje? – ele pediu.

- Claro. Onde?

- Isso pode ser surpresa?

- Adoro surpresas! – ela sorriu, ainda com as mãos no rosto dele.

Chase sorriu de volta, mordendo o lábio.

- Alô, doutores! – alguém gritou, interrompendo-os.

- Desculpe, Daniel! – Cameron se levantou e foi tirar o paciente esquecido no equipamento.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx