Nem demorei dessa vez! Agora estou podendo me sentar mais e até caminhar pelo hospital. A tentação é grande, mas eu estou resistindo a vontade de ir ao café do hospital comprar pedaços de bolo bem grandes.
Eu espero que gostem desse capítulo já que estamos chegando na reta final da fanfic.

Boa leitura!

P.O.V Edward Cullen


Eu não queria ter perdido a cabeça com Bella hoje de manhã. Aliás, eu não queria ter perdido a paciência com meu filho também. Mas eu não pude aguentar seu choro quando a minha cabeça estava prestes a explodir. Eu tinha acabado de voltar de uma viagem à Suíça na noite anterior. Não consegui dormir direito de tanta raiva acumulada e entalada na garganta. Se existe alguém mais detestável que Victória Preston, então com a minha sorte eu esbarraria nessa pessoa. Nem Jasper conseguia tal façanha, nem Jasper.

Tivemos que gravar duas cenas de contexto sexual em Suíça, além das cenas de perseguição e ação. Eu fiquei esgotado com as constantes tomadas entre as cenas e isso tomou um pedágio muito cansativo. Mas o pior foram as constantes provocações de Victória, que se intensificaram depois que ela descobriu que estava sendo processada por mim. Durante uma das cenas onde os nossos personagens faziam amor, ela simplesmente dispensou o uso de tapa-sexo e ficou completamente nua. E ainda bem que eu não dispensei o meu, pois do jeito que suas pernas estavam abertas me prendendo bem no meio delas, tenho certeza um acidente infeliz poderia acontecer, como nos esfregarmos um no outro, e isso eu queria muito evitar.

Enquanto eu a beijava, beijo técnico aliás, eu pensei o mais forte que eu pude em Bella, me lembrei de seus lábios vermelhos, seus olhos amendoados e incrivelmente castanhos. Mas Victória tinha que ser Victória, e forçou sua língua na minha boca, e como já tínhamos repetido essa cena mais de cinco vezes, eu não quis parar e deixei por alguns segundos antes de mudar para seu pescoço. Porém, isso se provou pior, pois eu podia agora ouvir seus gemidos, e eu também tinha que gemer e simular o movimento mais antigo do mundo. Enquanto eu me lançava contra ela, eu olhei em seus olhos e toda a raiva que eu tinha dela voltou com força total. Nem por todo o dinheiro do mundo eu queria estar aqui nesse momento. Essa relação de tesão e ódio tinha que acabar e eu estava feliz que só faltavam mais algumas semanas para o fim das gravações.

Quando eu ouvi o diretor dizer — Corta! — foi como se um peso enorme deixasse os meus ombros. Eu estava tenso. Saí de cima de Victória rapidamente sem me importar se parecesse que eu estava fugindo. Porém senti que minhas partes, inclusive o tapa-sexo estavam molhados. Não sei se foi suor ou...nem quero pensar no que poderia ser. Eu não acredito que Victória estava realmente excitada com a cena. Eu estava tão distraído com me examinando que tomei um susto quando senti sua mão em meu ombro esquerdo. Quando olhei pra trás, ela já estava bem perto.

— Então? Eu consegui derreter seu coração gelado? — ela sorria de forma maliciosa. E eu fui me afastando dela ainda puto da vida de ter que interagir com essa mulher.

— Eu me esqueci que você não sabe o que significa atuar. — eu a olhei de soslaio no instante que um assistente de produção me entregou um robe. — Eu estava pensando na minha namorada. Realmente achou que eu estava pensando em você? — dei uma gargalhada sem achar nenhuma graça realmente, mas só para provocá-la e ser cruel.

Saí dali sem olhar pra trás e ver sua reação. E por causa disso e do cansaço, eu fui um verdadeiro babaca com Bella quando cheguei em casa.

Quatro meses mais tarde...

Bella e eu tínhamos nos mudado para uma casa pequena de dois quartos, mas com piscina em West Hollywood, Los Angeles, mais por comodismo do que por outros motivos. Ficava um pouco distante do apartamento de Rose, mas seria algo temporário porque Bella estava pensando em viver em Nova York por causa de sua carreira e eu estava pensando seriamente em trabalhar no teatro por um tempo. Noah tinha completado cinco meses de pura esperteza e manipulação. Ele adorava me fazer cantar para ele por minutos antes de finalmente adormecer.

Agora que estávamos aqui, eu tinha que concordar com Bella que não tinha sido boa ideia termos nos mudado primeiro para Hollywood em primeiro lugar. A imprensa não estava pegando leve conosco. Mesmo que eu despistasse e minha assessora de imprensa cuidasse do falatório, havia sim um ruído e milhares de teorias sobre o por quê de eu não estar vivendo mais com Rosalie, ou quem era minha roommate agora. Uma artista plástica com quem alguns achavam que eu tinha um caso, outros achavam que ela era uma amiga em comum com Rosalie já que Bella também tinha outras conexões, como Jasper e outros artistas no mundo da música. E claro, outros achavam que eu ainda morava com Rosalie e que estávamos mais unidos do que nunca apesar das tentativas de Victória de simular um romance comigo. Eu adotei a política do "Deixe eles pensarem o que quiserem".

Eu estava passando pela sala, vindo da caixa de correios quando ouvi a o que Bella estava assistindo na TV enquanto dava de mamar a Noah, sentados no sofá.

"A mesma morena, a artista plástica Isabella Swan, foi vista em Berlim com Emmett McCarty, Rose Hale e Edward Cullen, foi vista caminhando com Edward Cullen pelas ruas de West Hollywood semana passada. Eles empurravam uma criança no carrinho. Uma fonte disse que os viu numa loja de roupas infantis e que a criança é filho da senhorita Swan. Quem será o pai dessa criança?"

"Perez Hilton, tem uma teoria sobre isso. — Isabella Swan foi vista, durante todo o ano passado, com Jasper Whitlock, Garrett McMahon, Emmett McCarty, Tom Hoffmeister, Rick Dubois e finalmente Edward Cullen. Mas se for para apostar, diria que o pai de seu filho é Edward Cullen, pois há quem pense que ela era a misteriosa morena com quem Cullen foi visto aos beijos num show em Seattle."

"Muitos se perguntam se Edward e Rosalie estão mesmo juntos, ou se ele é esse mulherengo do qual a imprensa e alguns fãs o acusam recentemente. E como fica Victória Preston nessa história toda? Será que ele e Isabella têm um caso mesmo? Alguns dizem que Isabella era a melhor amiga de Rosalie e que furou os olhos da amiga..."

Eu peguei o controle remoto em cima braço de um dos sofás e desliguei a TV. Não sei porquê Bella estava assistindo isso de forma vidrada. Quantas teorias idiotas. Será que a verdade seria algo tão absurdo de acreditar assim? A verdade era que Bella e eu estávamos juntos, tínhamos um filho e éramos um casal normal. Seria essa uma história tão absurda que eles preferiam acreditar em fantasias sem sentido?

Bella olhou para trás pela primeira vez e me viu. Sua expressão não escondia o choque por eu ter desligado a TV.

— Será que você não podia assistir programas de culinária ou artesanatos, por exemplo? — eu sorri olhando para ela com Noah já adormecido nos braços.

— Eu não tinha ideia que nós estaríamos bem no olho do furacão quando decidimos vir para Los Angeles. Aqui a imprensa é muito pior do que em Berlim ou até mesmo Rio de Janeiro, meu Deus! A gente não pode nem sair para comer fora que vai ter algum fotógrafo em algum lugar apenas esperando o momento perfeito. — ela estava sussurrando com medo de acordar Noah.

— Eu vou verificar essas correspondências e depois vou ligar para Kate para saber mais sobre as acomodações em que ficaremos. Se fossemos só nós dois, com certeza ficaríamos onde fosse melhor, mas com um bebê, achei melhor aceitarmos a oferta generosa de Garrett.

— Com certeza, concordo totalmente, amor. Agora, deixe-me legar Noah e aproveitar a brisa da manhã pois hoje o calor ao longo do dia vai ser insuportável. — ela levantou-se e passou por mim em direção as escadas.

E eu me lembrei que tinha um talk show para ir no final da tarde. Tínhamos que divulgar o terceiro filme da saga Heróis. Emmett e eu tínhamos algumas entrevistas nos canais locais. E eu estava me dando pro satisfeito por ser tudo muito perto. Quem via Bella e eu nessa rotina confortável nem imaginaria que tivemos quatro discussões numa mesma semana. Ninguém podia duvidar que viver em Hollywood estava nos estressando como casal.

[…]

Ah, a festa de casamento...

Eu pensei olhando em volta a propriedade de Garrett em Saint Bernard Parish, Louisiana. Tudo tão verde e úmido apesar de quente. Estávamos quase no fim do verão, mas as flores amarelas ainda cobriam os campos. Noah ficou entretido quando passamos de carro alugado pela estradinha de terra que cortava os campos. E a casa, se é que se pode chamar de casa uma mansão estilo Palladiano¹, bem parecida com a Drayton Hall² com os tijolos vermelhos destacados e tudo, porém numa versão ampliada. O interessante dessa casa é que Garrett uma vez me disse que havia comprado a propriedade quando estava quase toda destruída pelo furacão Katrina e ele quis reconstruir a casa no formato original, mesmo sendo desaconselhado pelos arquitetos locais a fazê-lo. Era uma construção intimidante devido ao tamanho e largura. Possuía doze quartos, seis deles com banheiro. E por isso eu entendia a razão de Garrett ter oferecido acomodações para mim, meus pais e Ben Cheney e sua esposa Angela, pois o casal tinha um filho pequeno assim como Bella e eu. Tanya e seu namorado Paul também se acomodariam na casa já que ambos seriam madrinha e padrinhos de casamento, assim como Bella e eu, e um casal de primos de Garrett.

Jasper, Alice, Rick e Tom decidiram alugar uma van com motorista para que pudessem beber a vontade e não precisassem dirigir de volta para seus hotéis. E tanto Tom quanto Rick tinham acompanhantes para a festa o que me deixou muito satisfeito. Não gosto de ter aquele moleque cheirando a leite em volta de Bella com cara de apaixonado.

Mal montamos o berço portátil e Noah já estava dormindo. A viagem o tinha cansado para fora de seus limites. Bella e eu trocamos um olhar e eu soube que ela estava pensando o mesmo que eu, que da próxima vez que quiséssemos cansar nosso filho só precisávamos viajar. Kate tinha escolhido um vestido nem curto e nem logo demais para suas três madrinhas e Bella tinha aprovado com muito mais entusiasmo do que eu esperava. Batia um pouco acima do joelho, que segundo Bella, faria com que pudesse dançar comigo e era um tom de terra quase da cor da pele de Bella e transparente por causa da renda. Eu tinha certeza que não ia gostar de ver o resultado final porque seria algo provocante.

Enquanto Bella saiu para se juntar a minha mãe, Angela e Kate, Tanya e Alexia em alguma sala enorme desse casarão para encontrarem uma equipe de cabeleireiros que Kate contratou para cuidar dela e seus convidados, coloquei Noah no canguru bem ajustado ao meu peito e resolvi descer as escadas e andar um pouco pela casa. Encontrei meu pai sentado à mesa, uma mesa pequena de café inglesa. Tinha as pernas cruzadas enquanto lia um jornal. Ele usava seus óculos de leitura e foi por cima de suas lentes que encarou a mim e a Noah assim que percebeu nossa presença. Era a primeira vez que ficávamos sozinhos e nos falávamos em meses.

— Então esse é o infame Noah? — meu pai pôs o jornal sobre a mesa e deixou seus óculos sobre ele. Estendeu os braços na minha direção. — Deixe-me ver o meu neto mais de perto. — eu o tirei do canguru e entreguei a ele e Noah nem protestou. Parecia sentir a familiaridade. Carlisle o sentou em seu colo e ficou olhando para o neto com um sorriso contido. — Nossa, ele é a cara da mãe, mas os olhos são seus e de sua avó, que Deus a tenha. Acho que vai ser difícil perder essa característica nas próximas gerações.

Eu puxei uma cadeira que ficava exatamente de frente para meu pai e sentei observando sua interação com Noah. Fiquei olhando para neto e avô brincando enquanto me sentia um pouco mais leve por estar falando com meu pai novamente, sabendo que eu precisava tocar no assunto que tinha feito com ele parasse de falar comigo.

—Sabe pai, eu pedi Bella em casamento duas vezes. — eu o peguei de surpresa porque ele olhou imediatamente pra mim.

— É mesmo? Então podemos esperar um segundo casamento para logo? — ele perguntou antes de voltar sua atenção rapidamente para Noah.

— E como eu disse a você que ela faria, ela não aceitou. — ele me encarou com de suas sobrancelhas erguidas em total descrença. — Estou falando sério! E não adianta me perguntar o motivo, eu não saberia explicar, você teria que perguntar a ela.

Meu pai ficou me olhando por alguns segundos, seu olhar era pura desconfiança, mas como eu sustentei meu olhar, ele viu que eu estava sendo sincero. Suas defesas caíram.

— Não é possível! O que essa menina está pensando? Ela tem que pensar no filho de vocês, na questão da guarda legal se no futuro vocês decidirem de separar.

— Pai, eu conheço a mulher que eu amo muito bem. Ela sempre foi a mesma desde o dia em que nos conhecemos, muito independente e eloquente. Sua liberdade é muito importante para ela e se ela tiver que escolher entre ser livre e ser amada, ela vai escolher a primeira opção. Ela não é do tipo romântica. Ela é amável e muito generosa, mas não romântica. Ela é prática e eu sou romântico. E eu sempre fui, essa é a grande diferença entre nós dois.

— Estou vendo que você ama mesmo sua namorada. E eu sempre achei que fosse fogo de palha. Sabe? Quando eu exigi que você se casasse com a Bella, eu estava muito preocupado que você não aguentasse a responsabilidade de ser pai e viver com alguém vinte quatro horas. Em verdade, eu sabia que você não estaria 100% nesse relacionamento por causa do seu trabalho. Eu esperava que você fosse abandoná-los, meu filho. E isso estava me matando por dentro, pois eu me sentia culpado, achava que tinha errado em algum ponto.

— É mais fácil ela me deixar, papai, porque eu não vou a lugar nenhum.

Meu pai apenas sorriu para mim e depois voltou a embalar Noah que ainda estava, por algum milagre, quieto.

[…]

Ângela e Bella decidiram contratar uma babá para tomar conta dos dois bebês enquanto estaríamos todos na festa. Ela ficaria das quatro da tarde até ás oito da manhã. Eu estava terminando de ajustar meu terno de três peças o mais confortável que eu pude. Terno preto, colete cinza, camisa branca e gravata cinza um tom mais escuro do que o do colete não era minha combinação preferida, tinha sido escolhido por Kate já que eu faria par com Bella e Tanya com seu noivo Paul. Todos nós usávamos os mesmos modelos. Fiquei feliz de ver que meu pai também estaria usando um terno parecido com o meu. Ainda bem que Bella levou tudo isso muito bem, pois Tanya era uma das melhores amigas de minha irmã e as duas tinham planejados seus casamentos desde crianças. Apesar de Tanya ter sido minha namorada, a amizade que tínhamos continuou mesmo depois de um término sem traumas.

Mas olhando agora para minha mulher do outro lado do altar ao ar livre construído somente para aquele dia, naquela tarde ensolarada e alaranjada, eu tinha certeza o vestido escolhido por Kate se ajustou melhor no corpo de Bella, pois ele foi feito para mulheres sinuosas como ela. Seu cabelos estavam presos num coque bem elaborado no alto de sua cabela deixando escapar somente alguns fios de sua franja que caíam graciosamente por sua testa e fontes. Ela parecia uma deusa e a expressão na minha cara devia ser de fome, pois tudo em que eu podia pensar era em despi-la mais tarde em algum lugar daquela fazenda.

Kate e Garrett estavam de frente para o juiz de paz e logo em seguida de frente um para outro para dizerem seus votos. Eu olhei para Bella novamente, pois eu queria ver se ela estava tão emocionada quanto as outras madrinhas estavam. Tanya estava quase chorando e Alexia com cara de boba sonhadora. Mas minha Bella apenas sorria e em seu rosto uma expressão de completa serenidade.

O casal de noivos ansiosos trocaram seus anéis de Claddagh³e depois se beijaram, Kate chorando e Garrett sorrindo. Minha irmã estava casada.

[…]

A empresa contratada para realizar a festa de casamento tinha armado uma tenda enorme de um tecido cor de marfim impermeável com teto alto e em formato redondo como uma tenda de circo. É claro que a empresa fez algo mais sofisticado com os detalhes, como babados no tecido da tenda, um tablado de dois degraus para banda contratada tocar e uma pista de dança em madeira clara fosca. E as mesas com lugares para seis pessoas ficaram todas sobre o gramado. As laterais da tenda eram abertas o que facilitava a circulação de ar.

Chegamos a nossa mesa já quase ao anoitecer que foi quando a banda contratada começou a tocar. Kate fez questão de incluir algumas repertório da banda canções de artistas irlandeses, assim como músicas famosas tradicionais irlandesas. Garrett tinha descendência irlandesa também o que facilitou o arranjo. Eu sabia que seria a primeira vez para Bella mergulhar um pouco na cultura da minha terra. As mesas estavam bem decoradas e cobertas com uma toalha cor creme e os guardanapos eram de tom de verde que lembrava as cores do trevo quatro folhas. A banda estava tocando somente instrumental ambiente, pois nesse momento os garçons serviam espumante, whiskey e coquetéis de Minissalmão canadense com manga e hortelã, entre outros. Nossa mesa foi se enchendo aos poucos. Alice, Jasper, Tom, Rick e suas acompanhantes ocuparam seus lugares ao nosso redor. De vez em quando, Bella apertava minha mão por debaixo da mesa e de onde estávamos, podíamos ver muito bem o palco. Meus pais estão sentado na mesma mesa que os pais de Garrtett, que são divorciados e estão acompanhados de seus respectivos novos conjugues.

Logo o mestre de cerimônia anuncia a chegada dos noivos e Kate parece radiante. Garrtett está parecendo alguém que não sabe muito bem o que precisa fazer, mas nota-se que está apaixonado pela cara de bobo.

Será que eu vou ficar com essa cara no dia em que me casar? Melhor não me iludir. Não sei se Bella vai aceitar meu pedido alguma dia...

Os noivos se posicionam no centro da pista para a primeira dança. Todos nós assoviamos de vez em quando. Ao fim da primeira dança, os pais de Garrett vão juntos ao palco agradecer pela presença dos convidados e dizem para aproveitarmos os serviços do buffet. Bella abre pequeno menu feito de papel cartão que tinha sido ignorado até aquele momento e nos deparamos com o que será servido.

Bride & Cia Apresenta:

Casamento de Kate e Garrett McMahon

Saint Bernard Parrish, Louisiana

Entrada

Oriental Prawn Salad

camarão c/ folhas variadas,

manga e delicioso molho oriental salpicada com amêndoas torradas.

Prato Principal

Kafta de cordeiro.

Molho de iogurte e hortelã, Arroz Sírio e Saladinha de rúcula.

Sobremesa

Torta de maçã e sorvete de creme.

Eu olhei para Bella que tinha um sorriso no rosto depois de lermos o menu. Eu tenho certeza que estávamos pensando o mesmo, que o cardápio estava perfeito. Quando todos terminamos de comer, Kate e Garrett foram para a pista dançar e logo em seguida, Bella para dançarmos bem juntinhos ao som de "Dream a little dream of me". Minhas mãos descansavam nas costas de Bella e sua cabeça pousava em meu peito em total abandono. Enquanto rodávamos lentamente ao som da música, eu percebi os olhos de falcão de Tom na nossa direção. Ele estava dançando com seu par, mas sua atenção estava toda em Bella. Será que ele não conseguia nem disfarçar?

Kate tinha me pedido para tocar Gold da banda Interference para ela, então eu, Tanya e Paul fomos para o palco, porém hoje, quem cantaria seria Paul já que eu ficaria com o violino. Bella se posicionou bem na frente do palco e eu toquei olhando o tempo todo para ela. Eu sabia que ela estava louca para ouvir essa música ao vivo, já que, como muitos, ela tinha visto a nossa performance no O'Donoghue's pelo Youtube. Alice estava ao lado de Bella e Jasper bem atrás dela. No final da canção, Tanya estava ainda empolgada e de total improviso, pediu alguns membros da banda contratada para tocarmos todos "I'll Tell My Ma" da banda The Colonials e eu no violino. Até me empolguei também, me lembrei que eu sou irlandês, afinal de contas, e que eu não tinha percebido o tanto que eu sentia falta da minha terra. Garrett puxou Kate para fazer uma roda e Kate por sua vez puxou o resto das pessoas e logo havia uma grande roda de pessoas girando ao redor da pista de dança. Meus pais estavam vermelhos de tanto pular. Logo em seguida, o pai de Garrett pediu que tocássemos "The Irish Rover" e lá estava eu tirando meu paletó, usando somente o colete e arregaçando as mangas da camisa, pois já estava ficando quase molhado de suor ao tocar violino freneticamente.

Quando finalmente pude descer do palco, Kate subiu e quis fazer um rápido discurso, uma declaração para Garrett. Acho que minha irmã não estava muito sóbria, mas pelo menos também não estava caindo de bêbada. Olhei a minha volta procurando por Bella e ela estava conversando com Tom, ele todo corado enquanto falava e ela ria de alguma coisa que ele dizia.

— Eu quero dizer uma coisa. — Kate falou mas o microfone distorceu o som de sua voz porque ela estava muito perto e o volume estava muito alto. Antes que eu me movesse, alguém consertou o equipamento para ela. — Bom, Garrett, eu queria pedir que você nunca roube, minta ou traia, mas se você tiver que roubar, roube todas as minhas tristezas. Se você tiver que mentir, minta, mas para poder passar todas as horas comigo e se tiver que trair, traia a morte, por que eu não posso passar um dia sem você. — Garrett foi para o palco e tomou Kate nos braços para um beijo cinematográfico. Todos aplaudiram e eu imediatamente procurei por Bella e nossos olhares se encontraram. Seus olhos castanhos pareciam mais brilhantes do que o normal como se lágrimas fossem cair a qualquer momento. Porém, antes que eu pudesse ir até seu encontro, alguém tocou meu ombro.

N/A: A frase que Kate diz, foi tirada do filme Casa comigo( em inglês Leap Year) com Amy Adams e Matthew Goode, que se passa na Irlanda e é um dos meus filmes favoritos.

Era Jasper, e eu surpreso, mas impaciente, me virei para encará-lo.

— Então...er...eu... — Jasper engoliu em seco e eu vi que ele queria se desculpar. Em outras circunstâncias, eu estaria muito feliz em vê-lo engolir o orgulho, mas hoje eu tinha outras preocupações.

— Acredite, não é necessário! — eu pus uma mão em seu ombro para impedi-lo de continuar. — eu já estava olhando a minha volta, preocupado com Bella e aquele maldito Tom que ficava feito abelha em volta dela.

— A festa está ótima! — disse Jasper olhando o cenário geral, mas senti que ele falava porque sentia uma necessidade de ser cordial.

— Garrett sempre soube como dar uma festa, não ia ser diferente em seu casamento. — eu disse observando que a banda tinha voltado a tocar uma música lenta e alguns casais já começavam a dançar, inclusive Bella e Tom. — Jasper, se me der licença, eu preciso...

— Claro, claro! — ele me olhou aliviado e disparou em direção a mesa, pois Alice esperava por ele lá.

Mas antes que eu pudesse chegar até Bella para revindicá-la, minha mãe me parou para falar sobre o quão delicioso estava o coquetel de tangerina e ainda me fez provar um pouco. E não queria misturar nada com o whiskey que eu vinha tomando desde começo da festa, ainda mais algo doce como esses tipos de coquetéis. Quando finalmente consegui chegar até Bella, percebi que o par de Tom estava totalmente entediada na mesa, já que todos os outros casais estavam dançando. Era a segunda vez que Tom matava a sua acompanhante de tédio, sendo a primeira no natal passado, na Alemanha. Resolvi usar a psicologia reversa, conhecendo a mulher ciumenta que eu tenho, fui até a acompanhante de Tom e pedi para que dançasse comigo.

Enquanto dançávamos, eu descobri que seu nome é Jéssica, e que ela estuda jornalismo na UCLA, e eu disse que me matriculei lá, mas ainda não consegui frequentar. E eu até consegui rir, pois ela era engraçada. De repente, eu vi, vindo em nossa direção feito um foguete, Bella com cara de poucos de amigos. Ainda bem que Jéssica estava se costas, pois se a visse, teria saído correndo.

— Com licença, você se importa de me devolver meu acompanhante, por favor? — ela cutucou o ombro de Jéssica um pouco mais forte do que o normal.

— Claro! — ela se afastou de nós como se estivesse fugindo e Bella abriu um triunfante sorriso.

— Ora, ora, primeiro você some e depois aparece dançando com assanhadinhas por aí... — ela se aproxima de mim e me agarra pela cintura me dando um solavanco que eu não esperava. — Peguei você!

— Humm, talvez eu deva fazer isso mais vezes, pois adoro a Bella possessiva. — Eu a beijei enquanto meus braços apertavam seu corpo contra o meu.

— Pois saiba que essa Bella possessiva aqui tem uma surpresa pra você. — ela esfregava seu quadril contra o meu e eu olhei para ela surpreso pela sua falta de pudor. Acho que ela bebeu espumante demais hoje. — Eu não estou usando calcinha.

— Acho que eu vou ter que verificar isso agora mesmo. — eu fiz a minha melhor interpretação de policial de festa de despedida de solteira.

— Ainda não, Edward. Vamos dançar, beber porque faz tanto tempo que não faço nada disso. Eu quero aproveitar o máximo possível.

A partir daquele momento, eu só conseguia pensar em Bella sem calcinha e visões de nós dois em qualquer lugar daquela fazenda, até no celeiro eu pensei. Bella estava bebendo Whiskey do meu corpo e eu já estava começando a ficar preocupado. E quando vi que ela ia passar da conta, cortei. Comecei e tomar refrigerante na esperança dela beber comigo e fazê-la dançar para expulsar um pouco o álcool.

Quando eram 2:30 da manhã, Bella e eu escapamos de fininho, pelo menos, eu pensava assim, e eu nem esperei me afastar da festa. Eu encostei na parede atrás dos banheiros montados especialmente para a festa que era um lugar discreto e escondido. Eu tive que confirmar que ela realmente não usava calcinha. Ambos estávamos bêbados, porém Bella estava mais, como sempre. Ela gemia e me isso me excitava ainda mais. Porém decidi que não poderíamos fazer nada ali. Eu queria vê-la nua e eu também queria me livrar dessas roupas. Fomos para casa e eu tentei entrar discretamente, mesmo com Bella tropeçando nas coisas e rindo à toa.

[…]

Acordei no dia seguinte completamente nu, abraçado ao corpo de Bella, dormimos de frente um para o outro, sua cabeça em meu peito e suas pernas emaranhadas nas minhas. E eu senti que eu ainda estava dentro dela. Eu ainda estava dentro dela? Eu esperava que pelo menos eu estive usando preservativo. Olhei a minha volta e estávamos no chão, em cima de um lençol, alguns travesseiros e muitos preservativos usados a nossa volta. Será que trancamos o quarto? Eu comecei a ficar duro novamente, mas eu precisava me separar dela. Fui me afastando devagar, e ela protestava em seu sono. Olhei aliviado para mim mesmo, pois ali estava o preservativo. Pelo menos isso. Bella não me perdoaria se eu fosse descuidado. Era melhor eu levantar e começar a recolher toda a bagunça antes de tomar meu banho. Eu precisava verificar se Noah estava bem.

Um mês depois...

Eu estava começando a ficar insatisfeito com a nossa vida em Los Angeles e Bella também. Ela não tinha a paz que precisava, mesmo quando saia em viagem para expor seus trabalhos ou gerenciar exposições. E não podíamos nunca sair em família porque éramos perseguidos sem descanso. Estávamos considerando nos mudar ou para Nova York ou São Francisco. Nova York seria bom para os negócios, tanto para mim quanto para Bella. Já São Francisco seria algo mais próximo de onde estávamos, porém a logística seria quase a mesma que temos agora. Mas São Francisco era, com certeza, mais tranquilo do que Los Angeles.

Durante o mês eu precisei viajar para entrevistas, eventos de pequenas premiações, e Bella passou boa parte trabalhando e catalogando trabalhos para suas exposições. Porém quando voltei de uma de minhas viagens senti que Bella estava diferente. Estava muito calada, distante. Parecia tão preocupada. Eu não tinha tempo para prestar atenção, mas mesmo assim eu fiquei atento. Quando almoçávamos todos juntos ou jantávamos, ela comia pouco. Bella nunca foi de comer pouco. Ela conseguiu comer menos que nosso filho. Alguma coisa estava acontecendo.

Numa madrugada, acordei de sobressalto, eram 3:40 da manhã quando verifiquei no relógio do criado mudo. Ouvi barulhos estranhos vindo do banheiro. Parecia que Bella estava vomitando. Tentei a maçaneta e porta se abriu. Bella estava sobre o vaso vomitando sem parar e eu soube naquele momento que ela estava grávida de novo. Quando ela finalmente parou e seu corpo se acalmou, eu me aproximei um pouco mais dela, porém ela se esquivou de mim indo em direção a pia para escovar os dentes. Eu não insisti, apenas recostei contra a porta do banheiro fechada.

— Quando você pretendia me contar? — cruzei os braços esperando que ela me encarasse, mas ela não o fez.

— Eu descobri semana passada. Estou tentando digerir isso, Edward, porque eu juro que ouvi você dizer que usamos toda a caixa de preservativos comprados para a festa de casamento.

— Sim, nós usamos. Eu limpei a bagunça, lembra? Quando você acordou o quarto estava impecável. Mas isso não vem ao caso. É lógico que ou algum deles estourou ou eu não usei em alguma vez. E por isso eu sinto muito, mas agora sejamos práticos. Você está grávida e eu não vou afundar em culpa e arrependimento.

— Fácil pra você falar, afinal você fica livre, leve e solto para ir onde você quiser, trabalhar, fazer suas coisas enquanto eu tenho que me enfurnar em casa, trabalhar cheia de dores, cheia de cuidados e agora com Noah para carregar comigo quando eu preciso expor. Então me desculpe se eu não estou nem um pouco feliz com isso. Você não pensa em mim, quer dizer, você não pensa em me proteger quando você faz amor comigo? Edward, por acaso você pensa que sou uma fábrica de bebês? — ela estava estérica. Sua voz já estava alta e eu tinha medo de que acordasse Noah.

— Não, Bella, eu não penso em você como uma fábrica de bebês, tá bom? — eu estava começando a ficar puto com tudo, com ela e comigo mesmo. — Eu não vou a lugar nenhum, Bella. Agora que a situação é irremediável, eu vou cuidar de vocês, eu vou amar essa criança assim como amo o Noah. Eu vou estar aqui pra vocês.

— Sim, até o próximo filme. — ela finalmente olhou para mim e sua voz destilava sarcasmo.

— Porra, Bella, é claro! Eu sou ator, é disso que eu vivo e é isso que paga as contas. — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. Tive que me controlar novamente. — Infelizmente eu tenho que viajar para lugares distantes em alguns projetos. Ossos do ofício.

— De qualquer forma, isso não é irremediável como você disse. Tudo na vida tem solução. — ela também cruzou os braços me olhando com ar de desafio.

— O que você quer dizer com isso? Você não está pensando em aborto, não é? Por que se é isso mesmo que você está dizendo, você está louca. L.o.u.c.a! — eu enfatizei a palavra, mas me arrependi no mesmo instante.

— Louca ou não, Edward, o corpo é meu! Ou você acha que só você decide quando eu posso engravidar? O seu descuido sempre decidiu por mim. Por nós.— Bella encolheu um pouco e a ouvi fungar. Ela estava chorando. Limpou as lágrimas com raiva e voltou a cruzar os braços como que para se confortar.

— Deus sabe que eu fui cuidadoso dessa vez. Isso foi uma fatalidade, Bella. Dessa vez, eu estava sim pensando muito bem em nós dois. — eu caminhei em sua direção. — Eu sinto muito, mas não foi algo intencional. Você sabe que eu vinha sendo cuidadoso desde que começamos a fazer amor novamente, Bella. E eu estava lá quando conversamos com sua médica sobre você ainda estar amamentando e toda essa coisa de pílula anticoncepcional de progesterona. Você percebe que você engravidou apesar da pílula e dos preservativos? Percebe agora que foi mesmo uma fatalidade? Um acaso? — Eu a abracei afagando seus cabelos. — Bella, não tome nenhum atitude precipitada. Pense um pouco mais. — Eu beijei o topo de sua cabeça e cheirando seus cabelos mais uma vez. — Amor, você conseguiria abortar sabendo que eu quero esse filho?

— Mas eu também tenho que querer, não é? — ela ainda estava chorando.

— Apenas responda!

— Eu espero que você leve Noah para as filmagens quando você voltar a trabalhar, então! Oh, não, espere um pouco! Você não pode porque tem esse maldito contrato com o diabo ao qual você deve eterna obediência. — e ela saiu dos meus braços em direção ao quarto novamente.

— Se você tirar esse bebê, eu não vou te perdoar, Bella. — eu disse ainda de dentro do banheiro, mas eu sei que ela me ouviu.

E vou levar o Noah comigo! Pensei e guardei para mim. Pois não adiantava nada discutir com Bella, ela está grávida, portanto, regida pelos hormônios.

[…]

Cheguei de manhã, por volta das 8:30, de uma viagem a Nova York por conta de eventos que eu precisava comparecer por causa dos filmes da saga Heróis. Estranhei a casa estar tão silenciosa, pois Bella gostava de trabalhar ouvindo música e o Noah sempre estava por perto. E eu sei que ela não tinha nenhuma viagem marcada para aquela semana.

Andei pela casa e não encontrei ninguém. Comecei a ficar preocupado e já estava com o celular na mão pronto para ligar para Bella quando deparei com um papel preso por um imã na geladeira. Era um bilhete dizendo que Noah estava com Rose no apartamento dela. Fazia sentido, pois Rose já tinha voltado de suas viagens de divulgação há algum tempo. O que não fazia sentido era Bella ter deixado nosso filho com Rose sendo que ela nunca fazia isso sem um bom motivo. Ela não gostava nem de deixar com babás. Liguei para Rose.

Rose?

Edward! Graças a Deus, você chegou!

Por que "Graças a Deus"? Aconteceu alguma coisa com Noah? — Muita estranha ela ter usado a frase soando como se ela tivesse presenciado uma tragédia.

Não! Noah está bem, está até dormindo pra dizer a verdade. Eu achei Bella estranha quando ela passou aqui para deixar Noah. Foi uma coisa de emergência, mas ela não quis me dizer o quê. Ela tremia tanto que eu até pensei que tinha acontecido alguma coisa com você.

Então eu soube. Bella tinha decidido fazer o aborto. Eu sentei na primeira cadeira que eu vi pela cozinha. Meu corpo parecia afundar na cadeira dura de madeira. Eu estava tão chocado que eu não conseguia nem pensar.

Edward? Você ainda está aí?

Ela vai fazer uma besteira, Rose. — eu balbuciava. — Eu não acredito que ela teve a coragem...

Sobre o que você está falando, Edward? Não tá falando coisa com coisa!

Eu continuei repassando a conversa que tivemos no banheiro, procurando por algum sinal que me mostrasse que ela teria coragem de fazer o que ela tinha insinuado.

Edward?

Desculpe, Rose, eu gostaria que você me fizesse um favor. Eu não estou em condições de dirigir agora, então será que você poderia trazer o Noah?

Claro! Mas depois você tem que me explicar o que está acontecendo, por favor?

Tá!

Desliguei o telefone me sentindo tão chateado. O meu corpo pesava toneladas. Como ela poderia fazer isso comigo? Quer dizer, conosco?

Droga, Bella!

...


Estilo Palladiano¹ O palladianismo ou arquitetura palladiana é um estilo arquitetônico derivado da obra prática e teórica do arquiteto italiano Andrea Palladio (1508-1580), um dos mais influentes personagens de toda a história da arquitetura do Ocidente.

Drayton Hall² foi uma propriedade erguida entre 1738 e 1742 para John Drayton, por um arquiteto desconhecido, mas o projeto teve sua supervisão direta e possivelmente foi concebido por ele mesmo. Foto: wiki/Ficheiro:Drayton_Hall_

Anel de Claddagh³ um anel que é popular entre os irlandeses tanto como símbolo de uma amizade e como aliança de noivado. Este anel consiste em duas mãos segurando um coração coroado, e simboliza o amor, a amizade e a lealdade.