Harry e Ron seguiram para a aula conjunta com Slytherin de feitiços. Ron parecia muito envergonhado, nada dizia. Harry ainda sorria – não conseguia deixar de fazê-lo – e tentava tirar detalhes do ocorrido.

"Então... Como foi?", perguntou com um sorriso malicioso.

"Bem, foi bem, eu acho...", Ron falou vermelho.

"Bem? Você chama aquilo de bem? Imagine se tivesse sido excelente!"

Ron sorriu.

"A Hermione disse que gostava de mim, tipo, há um tempão! Eu não fazia ideia!"

"Todo mundo percebia isso, Ron. Menos você. Mas o importante é que agora vocês estão juntos. Quer dizer, vocês estão namorando, né?"

"Sim. Quer dizer, eu acho que sim. A gente não teve muito tempo pra falar, sabe..."

"É, eu sei. Vocês estavam muito ocupados trocando saliva."

E os dois seguiram rindo pelo corredor, até chegar à sala de feitiços. Apesar de eles terem passado muito tempo na enfermaria, ainda estava cedo para a aula. Só havia dois Slytherins lá dentro. Um deles era Blaise Zabini. A outra era Pansy Parkinson.

"Harry Potter, seu desgraçado.", Pansy disse assim que percebeu a presença de Harry.

Ao ouvir o xingamento Harry gelou na hora. Será que Malfoy havia contado alguma coisa para ela? Será que ela iria contar para Dumbledore? Oh, não. Ele estava ferrado.

"C-como disse, Parkinson?", perguntou Harry em estado de choque.

"Além de desgraçado é surdo agora?"

"Não, eu... Eu só não entendi o porquê de você estar me chamando assim..."

"Olha aqui, Potter, da próxima vez que você chegar perto do Draco, eu vou te torturar e acabar com você!"

"O que você está falando? Enlouqueceu?", Ron agora tentava defender o amigo.

"Não se meta nisso, Weasel! Eu estou falando com o desgraçado do Potter!"

Agora Harry estava ainda mais preocupado. Ficar longe do Draco? É isso, ele falou pra ela. Harry estava ferrado. Completamente ferrado. Mesmo assim, tentou disfarçar.

"Eu não estou entendendo, Parkinson. Como assim da próxima vez que eu chegar perto do Malfoy?"

"Você entendeu muito bem, Potter. Não se faça de idiota, quer dizer, não mais do que você já é."

"Mas eu realmente não sei do que você está falando, Parkinson."

"Ah, não? Aposto que quando você estava na ala hospitalar rindo de Draco você entendia muito bem."

"Rindo? Rindo do Malfoy? Eu não fiz isso!"

"E o que diabos você estava fazendo lá? O Draco ficou muito envergonhado pra me dizer, ou seja, você só poderia estar fazendo algo muito ruim com ele. E que conversinha mal contada é essa de que você pronunciou o feitiço errado?"

Ahhhhh, então é isso – Harry pensava – ela me viu lá e agora quer saber o que eu estava fazendo. Draco deve ter dito a ela aquela mentira de que nós estávamos duelando. Só preciso inventar uma desculpa e vai ficar tudo certo.

"Eu estava vendo como ele estava. Só isso."

"Vendo como ele estava? Até parece!"

"É sério! Eu realmente pronunciei o feitiço errado, nós estávamos duelando para ver quem era o melhor. Eu fui lá para ver se ele estava bem."

"Desde quando você se importa com ele?"

"Eu não me importo. Quer dizer, eu me importo sim, mas nem tanto. Só queria saber se ele estava bem."

"Não engoli essa história, Potter! Fique longe do Malfoy!"

"Tá. Ele vai ficar longe do Malfoy, não se preocupe.", Ron queria terminar logo com a confusão, "Não vai, Harry?".

"Sim, eu vou."

"É melhor mesmo.", encerrou Pansy.

Quando o professor Flitwick entrou na sala, mandou todos se calarem e começou a aula. Quando vez a primeira pergunta, estranhou a falta da mão de Hermione, que sempre se erguia.

"Onde está a Srtª Granger?", perguntou o professor.

Foi Ron quem se manifestou:

"A Hermione está na ala hospitalar."

"O que houve com ela?"

"Professor, eu acho melhor falar com o senhor depois da aula."

O Professor assentiu e prosseguiu com a aula. Alguns burburinhos surgiram na sala, principalmente da parte dos Slytherins. Ao final da aula, Ron foi chamado pelo Professor. Harry ficou com ele.

"O que houve com a Srtª Granger?", Flitwick repetiu a pergunta.

"Foi atacada por comensais da morte.", disse Ron calmamente.

"O que disse?"

Então Ron explicou tudo o que sabia. O Professor ficou espantado, mas tentou não demonstrar.

"Oh, sinto ouvir isso. Desejo melhoras para ela.", disse o Professor.

"Sim, obrigado.", concluiu Ron.

"Ah, Professor, se não se importa, nós poderíamos levar os trabalhos para a Hermione fazer enquanto ela está lá?", foi Harry quem lembrou.

"Oh, mas é claro, Sr. Potter. Aqui estão." E com um balançar de varinha, Harry estava com os pergaminhos na mão. "Aproveite e leve para o Sr. Malfoy também, eu soube que ele também está na ala hospitalar."

"Certamente Professor. Obrigado."

Quando saíram da sala, Ron disse:

"Por que nós temos que levar pro Malfoy?"

"Ora, Ron, não custa nada. E além do mais, ele está lá por minha culpa."

"É verdade. Tudo bem, mas você é quem vai entregá-los."

Harry balançou a cabeça positivamente.

Eles foram para a aula de adivinhação, depois tiveram um intervalo e seguiram para duas aulas seguidas de defesa contra as artes das trevas, já era no fim da tarde, ambos estavam exaustos das aulas.

Os dois nem perceberam, mas estavam indo em direção a enfermaria.

"Você não vai nem comer, Ron? Vai direto pra enfermaria?", perguntou Harry.

"É claro. Quem se importa com comida quando a Hermione está sozinha naquele lugar com o Malfoy?"

É verdade. Harry havia se esquecido, mas pelo visto Malfoy está apaixonado por Hermione. Será que estando lá sozinho com ela ele iria tentar alguma coisa? Eles têm que encontrar de algum jeito uma varinha pra Hermione. Caso ela precise, sei lá, se defender. Não, o Draco, quer dizer, o Malfoy não faria uma coisa dessas. Ou faria?

"Você vem, Harry?", Ron tirou Harry de seus devaneios.

"Claro. Esqueceu que eu devo entregar os trabalhos pro Malfoy?"

"Que pena pra você."

Na enfermaria, Hermione estava impaciente. Não tinha conseguido falar com Ron direito. Deveria estar na aula. Estava muito dolorida. Malfoy estava a assustando.

"Então Granger,", continuava Malfoy com suas perguntas estranhas, "O que o Potter faz no dia-a-dia? Ele sai por ai exibindo aquela cicatriz?"

"Malfoy, já chega. Não vou mais lhe responder nenhuma pergunta. Se quiser saber do Harry, pergunte a ele. A propósito, por que esse interesse nele?"

"Eu não tenho nenhum interesse no Potter, apenas não tenho nada pra fazer nesse maldito hospital e como você está aqui, eu devo aproveitar para descobrir coisas sobre o meu inimigo.", isso era uma mentira, Draco se importava com Harry, agora mais do que nunca.

"Seu inimigo? Harry é seu inimigo? Poupe-me dessas besteiras, Malfoy. E eu não vou ser seu poço de informações, então se cale de uma vez."

Nesse momento Ron e Harry entravam na sala. Hermione ficou aliviada, assim ela não tinha que falar com Malfoy.

"Hermione.", Ron veio sorrindo em sua direção e pra sua surpresa, tascou um beijo molhado em sua boca. Harry que estava do seu lado ficou constrangido com a cena, mas continuou ali.

"Oi também, Hermione.", disse Harry com um sorriso.

Quando Ron a soltou, ela disse meio encabulada:

"Oi Harry. Desculpe por isso."

"Não há problema nenhum. Eu não quero atrapalhar vocês, então eu já vou, ok?"

"Não, cara. Fica ai.", Ron disse.

"Não, eu realmente não quero atrapalhar."

"Harry, por favor. O Malfoy está aqui, por que você não poderia ficar?", disse Hermione.

"Tudo bem, mas eu vou ficar só um segundo, depois eu vou deixar vocês sozinhos."

"Certo.", disseram Ron e Hermione em coro.

Os dois ficaram lá, olhando um pro outro sem dizer nada, apenas sorrindo. Harry achou aquilo lindo no começo, mas agora já estava enjoado.

"Ah, tudo bem, eu já vou."

"Não, Harry, fique. Por favor.", pediu Hermione.

"Não, por Merlin, eu não preciso ver isso.", disse Harry, "Vocês são um lindo casal, mas eu não preciso ficar segurando vela. Vou só entregar esses trabalhos pro Malfoy e já vou. Aqui estão os seus."

"Obrigada, Harry. Desculpe novamente.", disse Hermione enquanto recebia os pergaminhos.

"É, desculpa cara.", disse Ron.

"Eu já disse, não precisam se desculpar."

Harry se aproximou da cama de Malfoy.

"O que quer, Potter? A Granger te falou da nossa conversinha e você veio tirar satisfações?", perguntou Draco assim que viu Harry próximo a ele.

"Não. Nem faço ideia do que você está falando. Vim te entregar esses trabalhos pra aula de feitiços.", respondeu Harry.

"Ah. É só isso?", perguntou Draco e Harry balançou a cabeça positivamente, "Era pra Pansy me trazer isso. Ainda bem que você trouxe, assim não tenho que ver aquela desgraçada."

"Não vai agradecer nem nada?"

"O que? Você precisa de agradecimento?"

"Seria bom, sim."

"Por Merlin. Tudo bem, obrigado."

"De nada, Malfoy. Agora: O que você estava falando com a Hermione?"

"Ah, nada de mais. Só estava perguntando como é o mundo trouxa e como você é."

"Por que o interesse na nossa vida, Malfoy?"

"Oh, vocês se acham superimportantes, não é? Eu não estou interessado na sua vida Potter, só quero passar o tempo nesse hospital.", mais uma vez era uma mentira.

"Malfoy."

"Potter."

"Sinceramente não dá pra ter uma conversa normal com você, Malfoy."

"Como se eu me importasse."

Harry se afastou de Draco, se despediu dos seus amigos e partiu pro Grande Salão.

XXXXXXXXX

"Draco Malfoy. Draco Malfoy. Draco ou Malfoy? Ou quem sabe os dois?", Harry pensava em Draco, mesmo tentando evitar isso ao máximo, "Se eu chamá-lo de Draco, será que ele estranharia? Com certeza. Mas é um nome tão bonito. Draco. Draco Malfoy. Malfoy. Draco..."

"Harry? Harry, você está bem?"

"O que?"

Harry estava no grande salão, sentado à mesa da grifinória. Sem Ron. Sem Hermione. Sozinho.

Luna Lovegood chamava seu nome.

"Eu estava perguntando se você está bem."

"Oh. Claro Luna. Eu estou ótimo."

"Por que você está sozinho? Onde estão Hermione e Ron? E o Neville? E a Ginny?"

"Bom...", Harry explicou para Luna o que havia ocorrido com Hermione, e que Ron estava com ela na enfermaria nesse momento. "... e eu aposto que eles estão namorando..."

"Mas comensais? Em Hogwarts?"

"Pois é. Eu pensei a mesma coisa."

"Meu pai disse que a qualquer momento você-sabe-quem poderá iniciar uma guerra. Por isso eu não vou pra casa nesse natal, ele acha que Hogwarts é o lugar mais seguro para se estar."

"Eu concordo com seu pai, Luna. Infelizmente, Voldemort pode estar começando a guerra agora."

Os dois ficaram lá, observando um ao outro por um tempo. Luna em pé ao lado de Harry, sentado. Depois de um silêncio constrangedor para Harry, mas nada de mais para Luna, a menina finalmente falou:

"Então aqueles dois finalmente estão se dando bem?"

Harry deu um largo sorriso.

"Mais do que bem, eu presumo."

Luna sentou-se ao lado de Harry e pegou um copo de suco de abóbora.

"E você Harry? Quando vai se dar bem com aquela certa pessoa?"

"O que? Do que você está falando?"

Harry ficou vermelho, pensando que Luna se referia à Ginny.

"Ela é irmão do Ron, sabe. Eu nunca iria querer nada com ela. Seria muito... Estranho."

"Eu não estou falando da Ginny. Estou falando da pessoa que você realmente gosta."

Agora que Harry não estava entendendo mesmo. Se não Ginny, então quem?

"Cho?"

"Ah, Harry, por favor, não se faça de tonto. Você sabe de quem estou falando. E é tão óbvio que o sentimento é recíproco. Não sei por que ainda não se acertaram. Não faz sentido."

"M-mas... Eu realmente não sei de quem você-"

Harry interrompeu suas próprias palavras. Será que Luna se referia a Malfoy? Será que ela sabia do sentimento que agora Harry alimentava por ele? E ela disse que ele também gosta de Harry... Não, ela deve estar falando de outra pessoa. Malfoy só sabe lhe desprezar, nunca teria sentimentos por ele. Ou teria? Por que era isso que Harry pensava antes do sonho. Que nunca iria sentir nada por Malfoy e aqui estava ele, sem parar de pensar no garoto.

"De quem você está falando, Luna?"

"Você sabe, Harry. Não dá pra ser mais óbvia do que eu já estou sendo. Eu tenho que ir agora, vou aproveitar um horário sem aulas para alimentar os Testrálios. Você quer vim?"

"Eu... Não Luna, obrigado."

"Tudo bem, tchau."

E a garota saiu saltitando e ainda acenando para Harry. Ela quase se esbarrava com um garotinho da slytherin no caminho, mas conseguiu desviar a tempo. Harry só ficou lá, observando a cena.

"Harry? Onde está a Hermione, o que houve?", era Ginny acompanhada por Neville e Dean Thomas.

Harry esperou seus colegas sentarem-se na mesa e repetiu a história para eles.

"Comensais? Você acha que a gente tá em perigo aqui?", perguntou Dean.

"Não. A não ser que alguém queira ir a Floresta Proibida. Hogwarts é muito seguro.", respondeu Harry.

"E por que o Ron ainda tá na enfermaria? Ele se feriu ou alguma coisa?", perguntou Ginny.

"Não, nada disso mesmo. Acho que o Ron tá tendo o melhor dia da vida dele.", respondeu Harry.

Os outros se entreolharam. Como ver Hermione sofrer assim poderia fazer parte do melhor dia de sua vida?

"Como assim?", Neville perguntou.

E mais uma vez, Harry explicou que Ron e Hermione estavam praticamente namorando agora.

"Ah, finalmente.", foi o que Dean disse.

"É, tem razão. Todos já sabiam que eles eram apaixonados. Já era hora.", completou Neville.

"Eles se amam mesmo. Se bem que a Hermione merecia coisa melhor.", Ginny falou em tom de brincadeira, todos sorriram.

Enquanto isso, Ginny pensava: "Caramba, até o Ron teve coragem de se declarar! Quanto tempo será que o Harry vai levar pra admitir que gosta de mim? Já tá demorando demais. Talvez eu devesse dar o primeiro passo."

"Bem, Harry, já que você está sozinho por enquanto, não quer vim comigo treinar quadribol?", Ginny foi logo direta.

"Pensei que eles tivessem suspendido o quadribol.", Dean disse. ¹

"Bom, eles suspenderam os jogos, mas não os treinos pra quem quiser.", respondeu Ginny.

"Ah.", disse Dean.

"Então Harry, você vem?", perguntou Ginny com um sorriso travesso.

"Bem, faz tempo que eu não jogo e...", dizia Harry enquanto Ginny fazia um biquinho, "Ah, tudo bem, eu vou."

Dean e Neville ficaram no grande salão enquanto Harry e Ginny foram para o campo de quadribol. Dean não parecia muito contente, ele olhava para os dois enquanto caminhavam com uma expressão triste. Eram ciúmes.

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Os dois caminharam pelo corredor sem trocar muitas palavras. Harry estava achando aquilo muito chato, mas Ginny estava amando.

Quando finalmente chegaram ao armazém próximo ao campo para pegarem as vassouras, Ginny estava tão animada com aquilo, que estava dando pulinhos de alegria. Harry entregou uma vassoura a ela e pegou uma. Os dois seguiram para o campo. Como já era no fim da tarde, quase não se via o sol.

"Ei, a gente esqueceu as bolas.", disse Harry.

"É verdade.", disse Ginny, mas quando Harry se virou para ir busca-las ela o puxou pela mão. "Harry, eu acho melhor a gente não treinar."

"Como assim? Não era isso que você queria fazer?"

"Era, mas... Bem, eu acharia melhor só dar umas voltas com as vassouras. O que você acha?"

Considerando que Harry estava exausto, essa parecia uma ótima opção, ele não poderia dizer não.

"Ok."

Então eles subiram nas vassouras e ficaram um bom tempo apenas rodando um pouco, ainda perto do chão. Passados alguns minutos Ginny decidiu ir mais alto e Harry a seguiu.

Quando alcançaram uma altura considerável, Harry disse:

"Já está escurecendo, nós devemos voltar."

Mas Ginny não queria que aquele momento perfeito acabasse, ela queria poder congelá-lo e viver nele pra sempre. Então, ela foi em direção a Harry, esticou o braço e segurou sua mão. Harry ficou espantado com aquilo e um calafrio subiu na sua nuca, mas não como o que ele sentiu quando Draco lhe tocou, esse era totalmente diferente.

"O que você está fazendo, Ginny?", perguntou o garoto espantado.

"Nada.", disse a garota com uma voz muito baixa.

Mas isso parecia ser mais do que nada. A cada segundo o rosto de Ginny se aproximava mais do de Harry, ela podia ver suas bocas quase se tocando.

Harry se lembrou de seu sonho, quando Draco quase tocou seus lábios com os dele. O momento perfeito que aquilo foi. Mas Ginny não é Draco. Harry não pode fazer isso.

Foi por pouco.

Harry se afastou bruscamente e quase derrubava Ginny da vassoura, mas conseguiu segurá-la pelo braço e a pôs de volta.

Ele não quis beijá-la. Não conseguiria fazer aquilo nem em um milhão de anos. Primeiro: Ela era irmã de Ron. Segundo: Ele não nutria nenhum sentimento por ela. Terceiro: Aquilo poderia acabar com suas chances – mesmo que ele ainda acha que não existam – com outra pessoa. Quarto: Ela não é Draco Malfoy.

O que ela estaria pensando? Querendo beijar Harry?

Ginny queria chorar. Chorar e sumir dali. Harry não apenas havia negado seu beijo, como também quase a havia matado. Ela queria fugir, mas de alguma forma reuniu forças para ficar brava com Harry, o garoto que ela ama.

"O que foi isso? Você quase me matou!", gritou uma Ginny muito furiosa.

"Desculpe, eu... Eu não sabia o que fazer!", gritou Harry de volta.

"Você poderia ter aceitado o beijo, seu idiota! Não quase me matar!"

"Desculpe-me Ginny, eu sinto muito mesmo. Por favor, me desculpe."

"Você quase me mata e quer que eu aceite as suas desculpas?"

"Não foi por que eu quis! Eu nunca tentaria matar você."

"Tá, eu te perdoo. Mas só por que eu gosto muito de você."

"Eu também gosto muito de você, Ginny."

Harry deveria ter escolhido melhor suas palavras. Aquilo só alimentou as esperanças de Ginny ainda mais, a fez pensar que ele só não quis lhe beijar por surpresa, ou por ela ser irmã do Ron. Ela estava enganada.

"Você gosta? De verdade?"

"Claro."

E de novo, Ginny se inclinou para beijar Harry.

E de novo, ele se afastou.

"O que foi? Você disse que gosta de mim! Por que me negou mais um beijo?", perguntou Ginny, ainda mais furiosa, se é que era possível.

"Eu gosto de você, mas não desse jeito.", Harry tentou explicar.

"Só por que eu sou irmã do Ron? Harry, ele não iria se importar."

"Não é por isso. Talvez um pouco, mas nem tanto."

"Como assim? Do que você está falando?"

"Ginny, olha, eu gosto de você. Gosto muito, ok? Mas você é quase como uma irmã pra mim, eu não posso fazer isso. Além do mais eu...", Harry interrompeu suas palavras, o que ele estava fazendo? Iria contar a Ginny que ele acha que gosta do Malfoy, sendo que nem ele tem certeza disso?

"Além do mais o que?"

"Nada não. Esquece."

"Você gosta de outra não é?"

"Não, eu não gosto de outra.", de outro talvez...

"É a Cho não é?"

"O que? Não! Claro que não! Já disse que eu não gosto de outra."

"Ah, Harry, por favor, deixe de mentiras."

"Mas eu não estou mentindo! Não tem outra garota! Acredite em mim!"

"Você é um canalha, sabia?"

"Ginny, eu sinto muito..."

"Um canalha! Agiu como se gostasse de mim esse tempo todo! E agora tá gostando de outra! Seu canalha!"

"Ginny, por favor! Eu não estou gostando de outra."

"Ah, cala a boca, Potter! Me deixe em paz."

Ginny avançou com a vassoura para o solo. Harry continuou parado lá, perplexo com a situação. Como ele pode fazer isso a Ginny?

Ginny jogou a vassoura de qualquer jeito no armazém. Ela sentia as lágrimas escorrendo. Maldito Harry! Como pode me enganar desse jeito? Maldita Cho! Que quer roubar seu Harry.

Harry, ainda parado no ar com a vassoura, pensava sobre a confusão que tinha causado. "Eu por acaso dei algum sinal a Ginny de que eu gostava dela? Não. Eu nunca fiz isso. Eu nunca gostei dela. Bem, talvez eu tenha gostado um pouco, mas agora eu não gosto de forma alguma. Ela é uma amiga. Nada mais que isso."

XXXXXXXXXXXXXX

Na ala hospitalar, Hermione adormecia segurando as mãos de Ron, que também cochilava. Draco estava extremamente enjoado com aquela cena. Por favor, né? Isso aqui é um hospital.

Ele havia passado a tarde fazendo os exercícios de feitiços. Fez e desfez, só para ter algo com o que ocupar sua mente. Estava conseguindo. Até voltar a pensar em Potter.

"Por que diabos eu estou pensando nele? Oh, céus, por quê? Aquele idiota nunca fez nada bom ao que me diz respeito. Só o que ele sabe fazer é me desprezar. Como se eu me importasse, eu desprezo ele mais ainda. O que ele fez pra eu odiá-lo tanto? Bom, vejamos a lista: 1. Negou minha amizade no começo da escola e me trocou por aquele Weasel. 2. É um merda de um arrogante, não aceita as opiniões de ninguém e se acha o maioral por ser 'o-menino-que-sobreviveu'. 3. É um idiota. Não é nada esperto. 4. Por último, ele me fez esses malditos machucados. Ou seja, ele é a pior pessoa desse mundo que eu poderia escolher para pensar sobre. Maldito Potter."

"Ha-ham.", Madame Pomfrey tentava acordar Ron e Hermione, "O que você ainda está fazendo aqui, Sr. Weasley?"

"Você disse que eu podia ficar... Só vim ver a Mione."

"Eu disse que você poderia visita-la, não disse nada sobre você passar a noite aqui."

"Mas eu não posso deixa-la aqui sozinha. Ainda mais sozinha com o Malfoy."

"Tenho certeza de que o Sr. Malfoy não fará nada contra a Srtª Granger. Agora eu preciso que você saia."

"Não. Eu não vou deixa-la."

"Ron, por favor, não faça isso. Está tudo bem, você pode ir. Eu vou ficar bem. Eu prometo, ok?"

"Mione, você tem certeza? Tem certeza mesmo?"

"Tenho sim, Ron. Agora vá, por favor. E mande lembranças a Harry e aos outros."

"Tudo bem, se é o que você quer."

Ron deu mais um beijo carinhoso em Hermione, acenou para Madame Pomfrey e partiu.

"Obrigada pelo bom senso Srtª Granger, achei que ele nunca iria sair.", disse a curandeira.

"Tudo bem, ele só é um pouco cabeça dura, mas ele entende."

Madame Pomfrey entregou mais remédios para Hermione e Draco.

"Sr. Malfoy, essa é a sua última dose. Amanhã, se tudo correr bem, receberá alta."

"Oh, ainda bem! Não suporto mais ficar aqui!"

XXXXXXXXX

Voltando para a sala comunal, Ron se deparou com Ginny correndo e chorando. Ele se espantou e seguiu a garota.

"Ginny! Ginny, por Merlin, o que houve?", perguntou Ron.

"Foi o Harry!", Ginny disse entre os soluços.

"Oh, não! O que aconteceu com ele?", ele perguntou enquanto abraçava Ginny.

"Não aconteceu nada com ele. Ele está perfeitamente bem.", Ginny empurrou Ron.

"O que? Então por que você está chorando?"

"Por que ele é um idiota, só por isso! Como ele pode me negar um beijo?"

"Ele te negou um beijo? Do que diabos você está falando? Vocês estavam namorando ou algo parecido?"

"Não! Bem que eu queria, mas não. Tudo por eu ser sua irmã. E por culpa daquela Cho desgraçada."

"Oh Merlin, o que aconteceu? Você poderia me explicar?"

Então Ginny disse o que havia ocorrido entre Harry e ela. Disse que ele só não a aceitava por ela ser irmã do Ron e possivelmente por que ele ainda gosta da Cho.

Ron não conseguia deixar de achar aquela situação engraçada. Graças às forças superiores que Harry não quis nada com Ginny. Já imaginou seu melhor amigo com sua irmã? Que coisa horrível.

"... e eu deixe ele lá, vim correndo pra cá. Quis sair de perto daquele idiota."

"Oh, Ginny."

"O que?"

"Eu só acho que é melhor assim. Vocês dois nunca iam dar certo, vocês são muito diferentes..."

"E qual o problema disso? Quer dizer que você e a Hermione não vão dar certo? Vocês são diferentes até demais."

"Não, claro que não. Nós nos amamos. Quer dizer, eu a amo e eu acho que ela me ama."

"Eu amo o Harry!"

"Mas ele não te ama. Aceite isso."

"Ron, você é desprezível! Isso é algo que se diga?"

Ginny retomou o seu caminho, correndo para a torre da grifinória.

"Ginny espere!"

Mas a menina já estava longe.

Ron não queria ir para a torre e encontrar com uma Ginny super irritada. Ele decidiu procurar por Harry.

XXXXXXXXX

"Eu devo falar alguma coisa pra ela?", pensava Harry enquanto guardava a vassoura, "Ou será que devo simplesmente deixa-la esquecer dessa história?"

"Harry!"

Ron vinha correndo em sua direção.

"Oi, Ron. Aconteceu alguma coisa?"

"Nada de mais, só a Ginny morrendo de chorar por sua causa."

"Oh, cara, eu sinto muito, eu não queria fazer nada daquilo com ela..."

"Eu sei Harry. Eu entendo."

"Ela te contou o que aconteceu?"

"Contou. É claro que ela deve ter aumentado algumas coisas, mas ela disse tudo. E então?"

"E então o que?"

"É verdade?"

"O que?"

"Merlin! É verdade que você dispensou ela? Que não quis beijá-la?"

"É. Mas eu só fiz aquilo por que eu não quero machucá-la. Ela é sua irmã, Ron, eu nunca poderia fazer nada com ela. Eu sinto muito, mas eu não a amo."

"Eu sei, Harry. Está tudo bem, eu não vou me zangar com você. Eu não posso força-lo a ama-la. Se bem que eu prefiro assim, seria estranho ver meu melhor amigo e minha irmã juntos."

"Oh, cara, obrigado. Você é demais, valeu mesmo, Ron."

"De nada, cara. Mas, por favor, da próxima vez, tenta não a fazer sofrer assim."

"Eu não fiz nada. É sério, eu não fiz nada."

"Ok, Harry. Ok."

Os dois foram caminhando de volta ao castelo. Ron agora suspeitava o porque de Harry não ter aceitado o beijo de Ginny, pois até mesmo ele tinha percebido que Harry gostava dela. Aparentemente agora não gosta mais. Talvez seja por que ele goste de outra pessoa. Então quem seria?

"É a Cho mesmo?", perguntou Ron.

"Ah, não. Isso de novo não. Olha, cara, eu quase não falei com a Cho desde o ano passado. Eu não sinto mais nada por ela. Você sabe disso, se eu ainda gostasse dela eu te falaria."

"Sei não, hein Harry. Se não é ela, então quem é?"

"Quem é o que?"

"De quem é que você gosta?"

"De ninguém, Ron. De ninguém.", mentiu Harry mais uma vez.

Mas espera. Por acaso realmente existia alguém? Draco Malfoy? Será que Harry realmente estava desenvolvendo sentimentos por Draco? Qual é o motivo disso? Harry não sabia, mas, agora mais do que nunca, ele tinha que descobrir.

Quando chegaram à sala comunal, Ron disse que ia tomar um banho. Harry ficou apreensivo de entrar lá e talvez encontrar com Ginny, mas isso não aconteceu. Pelo visto a garota tinha subido para seu dormitório minutos antes e estava lá desde então.

Ainda era cedo. Muitos estudantes estavam na sala comunal.

Mesmo assim, Harry logo subiu para seu dormitório. Não tinha ninguém lá.

Harry estava exausto. Nem tanto fisicamente, mas bastante psicologicamente. Toda essa história com Ginny realmente o abalou. A pobre garota não tinha culpa de ter sentimentos por ele. Mas ele também não tinha culpa de não ter sentimentos por ela.

E ainda tinha Malfoy.

O garoto não saia por um minuto sequer da cabeça de Harry. Harry agora tentava entender o porquê. Nada de mais tinha acontecido. Quer dizer... Teve o sonho, mas será que isso contava?

Harry descobriu que contava até demais. Afinal, foi o melhor sonho de sua vida. Malfoy era uma pessoa totalmente diferente. Sim, no sonho ele era amável. Mas e se Harry estiver realmente gostando dele? O que as pessoas iriam pensar disso? O que ele deve fazer? Falar pra ele? Claro que não. O que Draco falaria se Harry dissesse? De qualquer forma, Harry nunca teria coragem para tanto.

Harry se jogou na cama. Tentou esquecer-se de tudo o que estava acontecendo.

Draco. Ginny. Hermione. Comensais. Voldemort.

Os nomes continuaram vindo em sua mente. Mesmo com as imagens dessas pessoas na cabeça, Harry adormeceu.

XXXXXXXXXX

É hoje. Finalmente vou me livrar desse maldito hospital. Primeiro devo voltar na sonserina e ver como andam as coisas por lá. Depois tenho que fazer os trabalhos que ainda estão atrasados. Só ai poderei pensar em retomar os planos do Lorde das Trevas.

Era o que Draco pensava bem cedo, quando já esperava ser liberado da ala hospitalar. Ele estava muito ansioso por esse momento. Se livrar de toda essa besteira vai ser ótimo, voltar pra slytherin então vai ser melhor ainda.

A única coisa em que Draco não conseguia parar de pensar era que ele iria ver Potter com menos frequência. Isso perturbava a sua mente. Por que ele voltou a pensar em Potter? Por que esse desgraçado não saia da sua mente?

Falando dele, ai ele está. E o Weasley também.

Harry entrava na sala, acompanhado de Ron. Perceberam que Hermione ainda dormia e não quiseram acordá-la, então Ron apenas se sentou próximo a ela.

Harry seguiu para perto de Malfoy.

"E ai Malfoy? Está melhor?"

"Graças aos céus, sim. Pelo visto vou sair hoje."

"Oh, isso é bom. Está ansioso?"

"Não, estou triste por ter que sair deste hospital.", disse Draco sarcasticamente.

"Você está? Por quê?"

"É claro que eu não estou, seu idiota. Eu estou muito feliz por finalmente me livrar dessa merda."

"Ah. Pensei que você realmente estivesse triste por ter que ir."

"Por que diabos eu iria ficar triste por isso?"

"Ah, Malfoy, olha, eu sei do seu segredo.", Harry falou se referindo ao que ele achava, que Draco gostava de Hermione.

"Que segredo? Do que está falando?"

"Ah, por favor, você sabe muito bem."

Meu segredo? O que esse desgraçado acha que sabe? A única coisa que eu estou escondendo são os planos do Senhor das trevas. Nada de mais. A não ser que ele suspeite alguma coisa sobre mim, sobre os meus sentimentos. Que não existem. Repito: Não existem sentimentos. Especialmente não pelo Potter. Eca, nunca que eu ia querer nada com ele. Mas vou jogar esse jogo, vou descobrir o que ele pensa.

"Você vai ter que ser mais específico, Potter. Eu tenho muitos segredos."

"Ah, você sabe sobre qual eu estou me referindo. Estou falando de uma certa pessoa que você gosta."

"Pessoa que eu gosto?", ok, agora Draco estava nervoso, será que Potter realmente sabia? "Que pessoa que eu gosto?"

"Por Merlin, pare de se fazer de idiota! Mas eu tenho uma coisa a lhe dizer: Essa pessoa já tem alguém, não ouse atrapalhar esse relacionamento. Ouviu, Malfoy?"

Potter tem alguém? Que história é essa? Deve ser aquela ravenclaw, Cho. Ou então a Weasley-fêmea. Ambas são umas vadias...

"Eu não faço ideia do que você está falando, Potter. Por favor, pare com isso. Eu preciso me aprontar para a liberdade, se você me der licença."

"Claro. Mas saiba que eu estou de olho em você, Malfoy."

"Vê se te enxerga, Potter."

De olho em mim? Quem aquele testa-rachada pensa que é? Desgraçado.

Harry se afastou de Malfoy e se aproximou de Hermione, que ainda dormia.

"Você tá achando ela melhor hoje, Harry?", perguntou Ron.

"Sim, acho que ela está bem melhor."

E realmente estava. As feridas ainda não tinham sarado por completo, mas já estavam cicatrizando. Diferente de antes, agora Hermione tinha o rosto corado, parecendo mais feliz.

"Também acho. Mas, ei, Harry, o que você estava falando com o Malfoy?"

Oh, por que Ron tinha que perguntar logo isso?

"Ah, Ron, você sabe, foi eu quem fez isso com ele, eu tenho que saber como ele está."

"Certo, certo. Mas como eu já disse, acho que você está ficando muito obcecado por ele."

"Eu não estou obcecado por ele. Apenas me preocupo por que eu fui o culpado."

"Tá bom, Harry."

Harry estava obcecado por Draco. Assim como Draco agora também estava obcecado por Harry. No fundo Draco estava realmente triste por não poder ver Harry todo dia, mas ele tinha que continuar sua vida, voltar pra Slytherin, ajudar o Lorde das trevas...

"Ron, Harry.", Hermione estava acordando, já com um sorriso no rosto.

"Olá Hermione.", disse Harry.

"Oi Mione.", disse Ron e deu um beijinho na bochecha de Hermione.

"Então, como você está se sentindo?", perguntou Harry.

"Bem. Muito bem na verdade. Estou ótima. Acho que já poderia sair daqui."

"Calma, Mione, também não é assim. É maravilhoso que você esteja melhor, mas ainda não está totalmente curada. Fique aqui mais um pouco para melhorar.", disse Ron.

"Oh, tudo bem. É só que eu queria poder voltar pra Griffindor, voltar pras aulas, pra biblioteca...", disse Hermione.

"Meu Deus, Hermione, você só está aqui há um dia!", disse Harry.

"Eu sei, mas é que eu já estou com saudades.", disse Hermione melancolicamente.

"Hey, eu tenho uma boa notícia.", disse Harry.

"O que?", perguntaram os outros dois.

"Malfoy vai sair hoje, ele não vai mais te perturbar, Mione."

"Oh, ótimo.", disse Ron.

"Bom pra ele. Mas eu estou começando a ter pena dele."

"Pena do Malfoy? Por favor, Hermione.", disse Ron.

"Por que você está com pena dele?", perguntou Harry.

"É que Madame Pomfrey me disse que ele só recebeu uma visita além da sua e do professor Snape, Harry. Ninguém veio vê-lo."

"Só uma visita? Isso é realmente triste.", disse Harry.

"Ah, quem é que vai querer visitar esse ai?", riu-se Ron.

Madame Pomfrey entrou na sala. Ela trazia remédios, como sempre, mas dessa vez somente para Hermione.

"Aqui seus remédios, Srtª. Granger.", disse e virou-se para Malfoy, "Você já pode ir, Sr. Malfoy, está recebendo alta."

Finalmente. Draco não demorou nem um segundo para se levantar. Foi arrumar suas poucas coisas que ali estavam.

"Quanto a vocês, já podem ir para suas aulas, está na hora.", disse a curandeira olhando para Ron e Harry.

"Tchau Mione.", Harry se despediu.

Ron nem disse nada, apenas a beijou.

Os dois já estavam fora da sala quando Malfoy os alcançou.

"Está nos seguindo, Malfoy?", perguntou Ron.

"Não seja idiota, Weasley. Será que você não consegue ao menos pensar? Eu tenho aula de poções com Gryffindor agora.", seu burro, Draco quis completar, mas guardou o final para si mesmo.

"Malfoy, pare com essa grosseria. Não vejo o sentido nisso.", advertiu Harry.

"Oh, Potterzinho, ficou magoado com minhas palavras? O que vai fazer? Lançar um feitiço em mim e me mandar de volta pra enfermaria?"

"Você é um verdadeiro idiota, Malfoy."

"Ah, Harry, esquece esse cara."

Os três desceram para as masmorras. A aula de poções já havia começado.

"Atrasados outra vez.", disse Snape assim que eles entraram na sala, "Vejo que já está bem, Sr. Malfoy, entre. Quanto aos outros dois, suponho que não há uma boa razão para o atraso."

"Mas há, Senhor.", disse Ron, "Hermione está no hospital, nós fomos visitá-la."

"Sinto pela Srtª. Granger, mas não são vocês que estão lá, estão atrasados de qualquer jeito. Entrem de uma vez."

Só havia quatro cadeiras vagas. Uma delas ao lado de Neville Longbottom, outra sozinha no canto da sala e outras duas no meio, lado a lado. Os três ficaram procurando por um bom lugar.

"Vamos, sentem-se. E eu quero que façam duplas.", disse Snape.

Agora que tinha complicado tudo. A sala inteira já havia formado duplas. Draco não poderia fazer com Ron, nem com Neville. Harry bem que queria se juntar a Ron, mas ele não poderia deixar Neville com Draco. Então Neville puxou o braço de Ron e pediu para fazer dupla com ele. Ron olhou para Harry como que pedindo desculpas e sentou-se ao lado de Neville. Só sobraram Draco e Harry, eles teriam que fazer juntos.

"Vamos acabar logo com isso, Potter. Sente-se.", disse Draco com o maior desprezo que pode reunir.

"Certo.", disse Harry com o mesmo desgosto.

Ambos viram nisso uma ótima oportunidade. Harry poderia descobrir se realmente estava gostando de Draco. Draco poderia descobrir de que segredo Harry estava lhe falando minutos atrás, talvez também descobrir porque diabos vinha pensando tanto no garoto nos últimos dias.

"Creio que já formaram as duplas. Abram seus livros na página 394. Façam a poção do morto-vivo.", disse Snape lentamente, "Agora, qualquer um que não fizer a poção corretamente ou se a poção não fizer efeito irá perder pontos pra sua casa. Aqueles que acertarem irão ganhar. Lembrem-se: Sigam as instruções exatamente como está no livro. Comecem agora."

Draco estava pensando em outras coisas e em outras pessoas, não estava prestando atenção em Snape. Harry tentava entender as instruções do Professor. Quando Snape se calou, Harry ficou observando Draco, para ver o que ele deveria fazer. Draco estava sonhando acordado, nem percebeu nada.

"Malfoy?", perguntou Potter enquanto balançava a mão em frente aos olhos de Draco.

"Ahm?"

"Nós temos que fazer ou vamos perder pontos."

"Fazer o que? Oh, sim, a poção, claro. Em que página está?"

"394. Malfoy, você está bem?"

"Sim, estou. Apenas me acostumando com estar de volta. Agora se cale e me ajude com essa poção."

"O que quer que eu faça? Eu sou um inútil em poções."

"Eu já percebi isso. Mas você não vai ajudar? Vai só ficar ai e me observar trabalhar?"

"Não, eu quero ajudar. Só me diz o que fazer."

"Ok, começa picando aquelas raízes de valeriana."

"Aquelas o que?"

"Isso aqui.", Draco pegou um punhado de raízes, "Corte-as. Só isso. Pode ser?"

"Claro, sem problemas. Mas, Dra- hum, hum – Malfoy, eu tenho um livro com várias anotações, ele já me ajudou antes. Quem sabe não é útil?"

"Um livro com anotações? Do que você está falando?"

Harry mostrou o livro pertencente ao Príncipe Mestiço. Draco olhou, passou as páginas, dobrou e desdobrou. Finalmente decidiu.

"Não. Vamos usar as instruções originais."

"Ah, qual é, Malfoy? É bem mais fácil assim."

Draco deu mais uma olhadinha. As instruções realmente eram mais simples.

"Ah, que seja.", desistiu Draco.

Os dois seguiram as instruções riscadas no livro. Funcionou brilhantemente. Eles trabalharam de forma muito cooperativa e milagrosamente não brigaram nenhuma vez se quer.

"Agora nós devemos mexer no sentido horário ou anti-horário?", perguntou Harry.

"No livro diz que é no sentido horário, mas as anotações mandam dar sete voltas no sentido anti-horário e uma no horário.", respondeu Draco.

E assim Harry fez. Contou uma, duas, três... Sete voltas. Depois apenas uma no sentido contrário.

"Pronto? Só isso?", perguntou Harry orgulhoso com o resultado.

"Não. Ainda precisa de raiz de asfodelo.", Draco disse e colocou o ingrediente no caldeirão, "Agora sim está pronto."

Os dois olharam satisfeitos para o caldeirão que apresentava uma cor violeta.

De repente: BUM!

A poção de Ron e Neville acabara de explodir, fazendo algumas pessoas se assustarem e outras cair na risada.

"Belo trabalho senhores.", disse Snape, "Menos vinte pontos para Gryffindor. De cada um. Agora limpem essa bagunça e comecem de novo."

Os dois fizeram caretas, mas nem ousaram dizer uma palavra.

Harry e Draco já descansavam depois de terminarem o preparo.

"O que os senhores pensam que estão fazendo? Dando um intervalo no meio da aula?", se aproximou Snape, "Eu esperava mais de você, Malfoy."

"Oh, professor, não é isso, nós já terminamos.", disse Draco.

"Nós, Sr. Malfoy? Tem certeza?"

"Claro, senhor. Fomos nós que fizemos.", disse Harry.

"Em tão pouco tempo? Improvável."

"Mas fizemos, senhor. Pode testar", Harry completou.

Snape levitou algumas gotas da poção com a varinha e as testou. Estavam perfeitamente corretas.

"Bom, vejo que o senhor Malfoy fez um excelente trabalho. Vinte pontos para Slytherin.", disse Snape e foi se afastando.

"Mas... Professor? E eu? Eu não recebo pontos?", perguntou Harry desapontado.

"Está bem claro, Sr. Potter, que foi o Sr. Malfoy quem fez essa poção."

"Nós fizemos juntos.", afirmou Harry.

"Não acredito em você."

"Mas nós fizemos, professor. Potter fez uma grande parte. Ele merece os pontos.", declarou Draco.

O que era isso? Draco sendo amável? Ajudando Harry? Isso é alguma realidade paralela, só pode ser.

"Bem, se o Sr. afirma isso. Vinte pontos para Gryffindor.", disse o professor com um tom amargo.

Pelo visto milagres acontecem. Snape realmente deu vinte pontos para Harry e tudo graças a Draco.

O professor se afastou novamente, deixando os dois sozinhos.

"Ei, valeu Malfoy. Nunca pensei que veria o Snape me dando pontos. Valeu mesmo.", agradeceu Harry.

"Sem problemas, Potty. Eu posso ser um Slytherin, mas eu sou justo.", disse Draco estufando o peito de orgulho.

"Tá bom, até parece."

"Ei, eu sou sim, ok?"

"Tá bom, tá bom, eu acredito."

Veio um silêncio constrangedor. Harry logo se lembrou de Hermione, e que ele deveria descobrir se Draco gostava dela.

"Ei, Malfoy, eu estava me perguntando sobre aquele seu segredo.", Harry não sabia enrolar.

"Oh Merlin, de novo isso?", Draco fingia não mostrar interesse quando na verdade ele desejava muito saber sobre qual segredo Harry falava.

"Eu só quero ter certeza, ok?"

"Ok. Faça a pergunta. Se não for muito abusivo eu respondo."

"Certo. Você gosta dela? Quer dizer, você realmente gosta dela? Você a ama?"

"O QUE?", Draco falou alto, alto demais, toda a sala olhou para ele, "O que estão olhando, seus desgraçados?"

"Ah, Malfoy, pare de rodeios, responde logo."

"Eu responderia se eu soubesse de que diabos você está falando."

"Da Mione. Eu estou falando da Mione."

"Hermione Granger? Você acha que eu estou apaixonado por aquela sangue-ruim? Enlouqueceu Potter?"

"Malfoy, eu percebi a maneira que você olha pra ela. Eu vejo nos seus olhos que você a ama."

"Não, não, não, não, não. Eu não amo a Granger, ok? Por Merlin, eu não a amo de forma alguma! Seria mais fácil eu me apaixonar por, sei lá, você, Potter, do que por ela."

Seria? "Excelente.", pensou Harry.

"Pelo menos você tem sangue puro. Arg, Potter, de onde tira essas ideias?"

"Bom, é que você estava se importando demais com ela e o jeito que você olhava naquela direção me fizeram pensar assim."

"Pois você pensou errado até demais. E de uma forma muito nojenta, eca. Da próxima vez, vê se me imagina com alguém melhor, ok?"

"Alguém melhor que Hermione? Impossível."

Impossível? Por quê? "Como assim é impossível ser melhor do que a Granger?", pensou Draco.

"Quer dizer que é você quem está apaixonado por ela, não é?"

"O que? Por Merlin, não."

"Ora, é você quem está dando uma enorme importância para isso. Por que se importa?"

"Ela é namorada do meu melhor amigo. Ela é minha melhor amiga. Eu só me preocupo com ela. Você deve saber como é, você tem a Parkinson."

"Oh, por favor, não me fale daquela vaca."

"Por que você está a chamando de vaca?"

"Por que eu deveria chama-la de outra coisa? Ela é mesmo uma vaca."

"Pensei que vocês fossem amigos."

"Nós fomos. Quer dizer, ela pensa que nós fomos, mas eu nunca fui com a cara dela realmente. Ela é uma desgraçada."

"Sério? Uau. Mas deve ter acontecido alguma coisa pra você se revoltar com ela assim, de repente."

"Não é da sua conta, Potter."

"Ok, desculpa. Não vou mais me intrometer na sua vida."

"Ah, Potter, deixe de ser um bebezão. Olha, o fato é que ela é uma idiota, age como se eu fosse um objeto que ela possui, e eu não sou."

Agora que Harry havia reparado, Pansy estava agindo estranho. Nem ao menos olhava para Draco, quando ela pousava os olhos sem querer sobre ele, fazia uma careta.

"Ah, tô nem ai, tenho que perguntar. O que realmente aconteceu?", perguntou Harry olhando de Malfoy para Parkinson.

"Seu Potter intrometido."

"Ah, Malfoy, conta logo."

"Tá bom, eu conto. É só que quando ela foi me visitar na enfermaria, ela não acreditou na conversinha de que eu e você estávamos duelando e você pronunciou o feitiço errado, se bem que pareceu uma bobagem mesmo. Mas ela ficou perturbando minha cabeça com conversinhas de que eu deveria dizer pro Dumbledore ou pro Snape e você sabe que eu não quero fazer isso. Ficou dizendo que o 'Draquinho' dela não poderia estar sofrendo assim... Falou um monte de besteiras. Ainda ficou reclamando que você foi lá me visitar. Ai eu mandei ela cair fora, e graças a Deus, ela foi embora mesmo, ainda levou o Crabbe e o Goyle. Aqueles canalhas vão voltar a falar comigo com certeza, mas eu quero é que ela se exploda."

Por isso que Pansy tinha gritado com Harry na sala de aula, ela estava simplesmente com ciúmes do garoto.

"Uau. Ela é cabeça-dura, hein?"

"Não é que ela é cabeça-dura, ela é simplesmente uma idiota."

"Mas eu acho que ela só fez isso por que gosta de você. Eu acho que ela tem uma queda por você desde sempre."

"Ah, não, por favor. A Pansy é uma vadia, eu nunca ia querer nada com ela, até pensei que pudesse acontecer alguma coisa entre a gente, mas eu estava enganado, ela é uma vaca."

Coisa estranha, Harry e Draco trocando informações sobre suas vidas pessoais. Aquilo parecia surreal. Algumas pessoas da sala observavam de olhos arregalados a situação. Os garotos nem estavam percebendo nada, estavam muito envolvidos na conversa, eles se perdiam nos olhos um do outro.

"Mas ela gosta de você, isso é um fato."

"Só por que alguém gosta de mim não quer dizer que eu gosto desse alguém também."

Bem, era a dura verdade. De onde Harry estava tirando ideias de que Draco algum dia de sua vida iria desenvolver algum sentimento que não fosse ódio por ele? Se bem que nesse momento eles não pareciam nem um pouco irritados um com o outro. Pelo contrário, eles pareciam em perfeita sincronia.

"Mas e quanto a você, Potter? Tem alguma vaca correndo atrás de você?"

"Claro que não."

"Até parece. E quanto aquela Weasley fêmea? Ela parece bastante obcecada por você."

"Ginny? Oh, Merlin, pobre Ginny."

"O que foi?"

"Eu meio que dei um fora nela e quase a matei."

"Não, espera, conta isso direito."

Harry contou todo o episódio com Ginny. Como ela oferecera os lábios a ele e ele negara, quase derrubando a menina da vassoura. E depois negando outro beijo, enfurecera a menina ainda mais.

Draco simplesmente riu. Riu até criar lágrimas dos olhos.

"Boa, Potter. Por essa eu tenho que te parabenizar. Foi incrível.", disse Draco ainda rindo e enxugando os olhos.

"Não foi incrível, eu quase a matei!"

Draco riu mais ainda.

Eles iam continuar a conversa, mas a voz de Snape se elevou na sala.

"Bom, foram poucos os que conseguiram produzir a poção corretamente. Estou realmente desapontado. Aos que conseguiram um bom resultado, eu quero para a próxima aula um relatório de cinquenta centímetros sobre a poção do morto-vivo, façam com a mesma pessoa com que você produziu a poção. Aos que não obtiveram um bom resultado, ou fizeram como o Senhor Longbottom e explodiram a sala, eu quero, também para a próxima aula, um relatório de trinta centímetros, mas sobre cinco poções diferentes de sua escolha, incluindo a poção do morto-vivo."

A sala toda protestou. Eles iriam perder o fim de semana fazendo aquilo.

"Silêncio.", continuou Snape, "Não quero ouvir reclamações. Agora podem ir, estão dispensados."

Harry e Draco iriam se encontrar de novo, querendo eles ou não.

Enquanto recolhiam os materiais, Draco disse:

"Pelo visto vamos ter que fazer mais uma coisa juntos, não é Potter?"

"É. Infelizmente. Quando você quer fazer?"

"Sei lá, ainda tenho que ver. Depois falo com você."

Os dois ainda continuavam perplexos com a normalidade que estavam tratando um ao outro.

Eles foram os últimos a sair da sala. Ron já esperava por Harry. Passando pela porta, Harry se despediu de Malfoy apenas com um sacudir de cabeça, o outro retribuiu.

"Que droga, cara, você vai ter que fazer mais uma coisa com o Malfoy.", disse Ron enquanto eles seguiam para a aula de defesa contra as artes das trevas.

"Eu sei. É uma droga mesmo."

Não era uma droga, na verdade era algo muito bom. Uma droga era Malfoy não ser como no sonho de Harry. Uma droga era Hermione ter sido atacada por comensais. Uma droga era Voldemort ainda estar solto por ai. Uma droga era Harry não estar com Draco, o que, eles logo descobriram, ambos queriam muito.

"Eu queria estar com a Mione agora.", disse Ron quando ele e Harry já estavam sentados esperando pelo Professor Lupin. ²

"Eu sei, Ron. A ideia dela lá sozinha está me matando."

O Professor Lupin entrou na sala e deu bom dia a todos, depois mandou todos abrirem os livros no capítulo sete. A classe obedeceu.

XXXXXXXXXXXX

Draco estava sentado na sala de transfiguração, sem ninguém na cadeira ao lado. A Professora McGonagall estava ensinando como desmaterializar um objeto, o que Draco estava achando extremamente fácil.

Sem Potter por perto, ele finalmente podia se concentrar em alguma coisa. Infelizmente seu raciocínio foi interrompido.

"Draco.", era Blaise Zabini quem lhe chamava, ele estava sentado na cadeira de trás.

"O que é Zabini?"

"Você está melhor?"

"Se eu não estivesse, não estaria aqui."

"O sarcasmo está de volta, deve estar bom mesmo. Mas, enfim, o que eu realmente queria lhe perguntar é sobre a Pansy."

"O que tem aquela vaca?"

"Bom, pelo visto aconteceu mesmo alguma coisa entre vocês. Ela proibiu todo mundo de ir te visitar."

"É, eu percebi quando ninguém apareceu. Mas não tem importância."

"E ai? O que foi que houve?"

"Houve que ela é uma vadia. Só sabe falar besteiras e pensar que eu pertenço a ela."

"Olha, Draco, eu não sei o que houve de verdade, mas vocês precisam se acertar, ela tá fazendo um inferno com todo mundo."

"Eu não me importo. Vocês bem que merecem."

"Ah, Malfoy, é sério. Você precisa falar com ela, fazê-la parar."

"Senhores, espero não estar interrompendo sua conversa, mas, caso não tenham percebido, vocês estão atrapalhando a aula.", disse a Professora que tinha se aproximado deles sem que percebessem.

"Desculpe Professora.", desculpou-se Zabini.

"Não façam de novo.", e voltou a dar sua aula.

"E ai Draco? Vai falar com ela?", perguntou Blaise em um tom de voz bem baixo.

"Tá bom. O que seriam de vocês sem mim, hein?", respondeu Draco no mesmo tom.

A aula acabou mais cedo do que Draco imaginava. Talvez por causa de seus pensamentos terem voltado para Harry e para o Lorde das Trevas. Quando a Professora os dispensou, ele juntou os pergaminhos e a pena e logo saiu da sala.

XXXXXXXXXXXX

Era hora do almoço, todos estavam se dirigindo ao grande salão. Draco encontrou uma oportunidade de falar logo com a vaca da Pansy. Ele diminuiu o passo e esperou por ela. Alguns segundos depois, ela se aproximou, com Crabbe e Goyle ao seu lado. Draco simplesmente a puxou pelo braço.

"Eu preciso falar com você imediatamente.", e quando Crabbe e Goyle não se mexeram ele acrescentou: "Sozinho."

Os dois olharam de Draco para Pansy, ela acenou com a cabeça e os dois seguiram o caminho, desapontados por não ouvirem a conversa.

"O que você quer Malfoy?"

"Isso tem que parar imediatamente."

"Isso o que, exatamente?"

"Pansy, pelas barbas de Merlin, não faça isso. Apenas pare. Isso não está funcionando."

"Olha aqui, Draco, foi você que me expulsou da enfermaria. Você que não quis contar nada a ninguém sobre o que Potter lhe fez. E é você que não gosta de mim. Já cansei de ser tratada como lixo, ok?"

Oh, droga, como essa menina fazia um drama. Ela só queria que Draco se desculpasse, se ele fizesse isso, ela voltaria a amá-lo na mesma hora.

"Você mereceu. Você não tinha que se meter na minha vida, eu cuido dela como eu bem entender. Agora, você vai continuar com essa estupidez ou vai me ouvir e parar com isso?"

Pansy pensou por alguns instantes. Draco conseguia imaginar seus neurônios fritando embaixo daqueles cabelos escuros.

"Se quer algo para ajudar apensar, ai vai: Se você não parar com isso imediatamente, sou eu que realmente não vou mais falar com você, nem por um instante se quer."

Foi a gota d'água. Pansy estava fingindo ser forte até então, mas quando a ideia de nunca mais falar com Draco passou por sua cabeça, ela abandonou tudo.

"Tudo bem, Draco. Eu paro. Eu sinto muito, ok? Me perdoa? Por favor?"

Pansy implorou de uma forma tão exagerada, que só faltou se ajoelhar no chão e beijar os pés de Draco.

"Arg, por Merlin, Parkinson, pare com isso. Quer manchar a honra dos Slytherins?"

"Desculpe Draco. Mas você me perdoa?"

"Deixe de besteira e ande logo."

Draco não a havia perdoado. Para ele, ela nunca seria sua amiga novamente. Mesmo a menina já tendo feito coisas piores do que aquilo, ele não a suportava mais. Porém tinha que fingir que tudo estava bem, para que os alunos de Slytherin continuassem como sempre foram.

Parkinson interpretou a fala de Draco como um perdão. Pegou o braço do garoto e o arrastou para o grande salão. Draco estava enojado com tanto contato físico.

Quando os dois entraram, agarrados, a primeira pessoa que Draco viu foi Harry. Ele estava sentado, como sempre, próximo de Ron, Neville, Dean e Ginny. Essa última estava mais afastada e pelo visto evitava olhar para Harry. Quando Draco se lembrou do que o garoto lhe disse, começou a rir.

"O que foi Draquinho?"

"Nada, nada. E não me chame de Draquinho.", ele quis completar com: "Cala a boca sua vadia, não é da sua conta.", mas achou que era demais.

Harry viu os dois entrando no momento em que Draco gargalhava. "Então eles já fizeram as pazes. Parece que ele não queria tanto assim que ela explodisse."

Draco queria mais do que nunca que Pansy explodisse. Agradeceu aos céus quando a menina o largou para sentar á mesa e fez o máximo para sentar longe dela. Sentou-se entre Crabbe e Goyle, mas a menina ainda estava a uma distância muito curta.

Agora a mesa de Slytherin estava animada. Draco Malfoy havia retornado. Muitos perguntavam por que ele estava na enfermaria, ele se recusou a responder e proibiu Pansy ou qualquer outro de abrir o bico.

Depois que os Slytherins se acalmaram, Draco finalmente começou a comer. Ele pegou um prato e colocou uma pequena porção de cada coisa que estava a sua frente. Quando o prato encheu ele levou a colher a boca, o gosto estava excelente, muito diferente da comida de hospital que ele vinha comendo nos últimos dias.

Então quando ele desviou os olhos de seu prato pela primeira vez, encontrou dois pontos verdes luminosos o encarando. Era o Potter.

Os dois arriscaram trocar um sorriso e sorriram de verdade quando o outro retribuiu. Draco até pensou em falar alguma coisa, mas não teve oportunidade. Dumbledore estava pedindo que todos fizessem silêncio.

"Silêncio. Silêncio, por favor.", o diretor esperou um instante e quando todos se calaram ele continuou, "Eu realmente não queria lhes dar essa notícia, mas como é para sua proteção, eu devo dá-la assim mesmo. Comensais da morte foram avistados ao redor do castelo. Uma aluna chegou a ser atacada por três ou quatro deles nas remediações da floresta proibida. A partir de hoje, toda e qualquer atividade fora do colégio será supervisionada por um professor. Sobre hipótese alguma os alunos devem sair da escola sem permissão. Lembrem-se alunos, Hogwarts é um dos lugares mais seguros do mundo bruxo, mas nesses tempos todos devem ser cautelosos. Amanhã, a visita á Hogsmeade será guiada pelos professores Lupin e Snape. Isso é tudo, obrigado."

Quando o professor se calou, um barulho altíssimo de conversas se espalhou. Muitos estavam bastante assustados, outros diziam não se importar com a situação.

Harry estava entre os preocupados, se duvidar era o mais assustados de todos. Se Dumbledore dera esse aviso, significa que a coisa está ficando séria e que Voldemort está cada vez mais perto.

Draco não demonstrava, mas também estava com medo. Se haviam comensais em Hogwarts, significava que os planos do Lorde das Trevas estavam funcionando e logo ele teria que fazer sua parte.

"Eu tenho que contar isso pra Mione. Talvez ela se sinta melhor sabendo que o Dumbledore tá fazendo alguma coisa.", disse Ron e se levantou para ia á enfermaria.

"Eu vou com você.", disse Harry, "Se não se importar."

"Claro que não me importo, Harry, pode vim também. Na verdade acho que todos vocês deveriam ir.", Ron se virou para a mesa de Gryffindor.

"É verdade, eu vou.", disse Neville.

"Eu também vou. Você vem, Ginny?", disse Dean.

"Não. Prefiro ficar longe de pessoas que tentam me matar.", foi a resposta da menina.

"Ah, Ginny, por favor. Se isso lhe faz feliz, eu não vou, ok? Eu fico aqui, só pra você poder ir. Tudo bem?", disse Harry.

"Diga ao Potter", Ginny olhou para Ron, "que eu não preciso da preocupação dele."

Mas Ron revirou os olhos e puxou a menina pelo braço, levando-a em direção a saída. Dean segurava seu outro braço.

"Desculpe por isso, Harry. Eu explico pra Hermione.", disse Ron enquanto caminhava.

"Sem problemas. Diga que eu desejo melhoras."

E eles partiram. Harry ficou sozinho outra vez. Mas ao menos dessa vez Draco Malfoy estava bem em frente a ele. Harry não conseguia esquecer o sorriso que eles trocaram. Quando Harry procurou por Draco ele não estava mais lá. Ele passou os olhos por toda a mesa de Slytherin e até ariscou olhar pelas mesas mais próximas, mas nada do garoto. Quando se virou, levou um enorme susto.

"Me procurando, Potter?", era Draco com um sorriso no rosto.

"Por Merlin, Malfoy. Você quer me matar?"

"Talvez sim, talvez não. Mas, enfim, estava me procurando não é? E não adianta negar por que eu vi."

"Errr... Bem, eu estava mesmo te procurando.", Harry tentou pensar em uma desculpa.

"Por que...?"

O trabalho é isso, o trabalho que eles têm que fazer.

"O trabalho de poções. Quando nós vamos fazer? Já é pra segunda."

"Oh, é isso?", Draco parecia decepcionado.

"Por que? O que você achou que seria?"

"Nada não. Mas nós podemos fazer hoje, ou amanhã. Você que sabe."

"Hoje depois da aula eu estou livre. Tudo bem pra você?"

"Claro. Então depois da aula, na biblioteca. E traga aquele seu livro, é muito útil."

"Tudo bem."

"Tchau, testa-rachada."

Mas Harry ainda queria fazer uma pergunta.

"Espera Malfoy."

"Que foi? Já está sentindo minha falta?"

Com certeza. Mas não era isso.

"Você e Pansy se acertaram? Estão namorando ou coisa parecida agora?"

"Você e suas ideias, Potter. Eu já disse que eu desprezo a garota. Por que eu namoraria alguém que eu desprezo?"

"Mas e se você mudar de ideia sobre a pessoa?"

Agora Harry tentava tirar proveito da situação. Queria saber se tinha chances com Malfoy.

"Depende. Se a pessoa mudar de verdade, quem sabe."

"Ah. Legal."

Foi o que Harry disse por fora, mas por dentro estava soltando fogos de artifício. Isso quer dizer que ele tem sim chances com Draco! Quer dizer, tirando o fato dos dois serem garotos, mas Harry tinha uma intuição de que isso não seria um problema.

"Só isso Potter?"

"Acho que sim. Te vejo depois da aula."

"Infelizmente.", e Malfoy sumiu seguido por sua gangue e uma garota que agora saltitava ao redor dele.

Harry tinha aula de trato das criaturas mágicas a seguir, se perguntava se eles teriam que percorrer o caminho de fora com um professor na cola.

Foi quando Luna Lovegood se aproximou e sentou-se ao lado dele.

"De novo sozinho. Nada bom.", disse a menina enquanto pegava um pedaço de pudim e colocava num prato.

"Oi, Luna."

"Você estava falando com aquela pessoa. Finalmente!"

"Então era de Malfoy que você estava falando?"

"Claro! Não era óbvio?"

"Não. O oposto disso, na verdade. Você deveria ter me respondido isso antes, mas, por favor, responda agora: Por que você pensa que essa pessoa, o Malfoy pelo visto, está apaixonado por mim? E o mais importante, por que acha que eu estou apaixonado por ele?"

"Não é óbvio?", ela repetiu a pergunta, mas como Harry fez cara faia, ela continuou, "Eu posso ver Harry, nos olhos de vocês principalmente. Vocês se olham como só duas pessoas apaixonadas fariam."

"Nossos olhos? Como assim? Eu não olho pra ele diferente."

"Olha sim. E você sabe que o olhar dele sobre você é diferente. Você sabe, Harry, só basta admitir."

"Eu não sei, Luna..."

"Claro que sabe. Anda Harry, admita. Não é como se eu fosse falar pra todo mundo. Você pode confiar em mim."

Harry olhou para aquela menina bondosa e inocente. Como Luna sabia de seus sentimentos, ele nunca entendeu. Só sabia que nesse exato momento, ele sentia uma gratidão muito forte a ela, só por ela estar ali com ele. Harry pensou se deveria falar ou não como se sente, mas era ela ou ninguém, e Harry realmente precisava falar com alguém sobre isso.

Depois de um conflito interno devastador, Harry decidiu por contar, mas quando foi fazê-lo, sua garganta travou e nenhuma palavra passou por ali.

"Anda, Harry, você pode confiar em mim."

Ela repetiu as palavras e milagrosamente aquilo realmente ajudou. Harry sabia que podia confiar nela.

"Eu estou apaixonado por Draco Malfoy."

Ele falou baixo e não havia ninguém por perto, então ninguém além de Luna ouviu seu comentário.

"Excelente, Harry. Magnífico!"

"Você acha mesmo? Eu acho uma droga, sabe. Ele nunca que vai gostar de mim."

"Eu também acho. Ele nunca vai gostar de você por que ele já o ama."

"Não, isso não é verdade."

"Espere e verá."

Foram as últimas palavras da menina antes dela terminar o pudim, jogar o prato sobre a mesa e se levantar da mesa de Gryffindor.

"Aula de trato das criaturas mágicas também?"

Ele acenou que sim com a cabeça.

Os dois andaram pelos corredores sem tocar no nome de Draco novamente, Luna apenas falou sobre "O Pasquim" e Harry fingiu entender. Quando eles chegaram aos portões, já havia vários alunos lá, Filch não os deixava passar. Harry reparou que nem Ron, nem Neville ou Dean tinha voltado.

"Só com a supervisão de um professor.", continuava dizendo, "Esperem até o Professor Hagrid vir até aqui."

Hagrid chegou vários minutos atrasado, todos já estavam impacientes.

"Tive problemas com alguns animais.", ele disse, "Mas já está tudo resolvido."

"Harry, você viu o Dean? Faz tempo que eu não falo com ele direito.", era Seamus Finnigan.

"Acho que ele ainda está na enfermaria com os outros, visitando a Hermione."

"Ah. Você sabe se ele está com raiva de mim ou alguma coisa?"

"Desculpe Seamus, mas eu não faço ideia."

"Tudo bem, sem problemas."

Os alunos de Gryffindor e Ravenclaw desceram a colina atrás de Hagrid. Quando eles chegaram lá, Filch apareceu gritando, dizendo que três estavam atrasados e que Hagrid precisava ir buscá-los. Como os alunos não poderiam ficar fora do castelo sem supervisão, tiveram que andar tudo de volta só para buscar os outros. Eram Ron, Dean e Neville. Outros alunos soltaram alguns xingamentos a eles por estarem tão atrasados. Ron disse que eles não quiseram sair de perto de Hermione, a menina estava tão triste por ficar afastada das aulas que eles não tiveram coragem de deixa-la lá. Só depois que Hermione insistiu bastante, eles vieram com a promessa de que iam lembrar da aula toda e iam dizer a ela como foi.

Foi uma aula interessante, Hagrid caiu duas vezes tentando mostrar o abdômen de um bicho de nome estranho que Harry ainda não conseguia pronunciar. Ainda bem que não eram Slytherins, se fossem, Hagrid teria sido ridicularizado.

A aula acabou. Os alunos caminhavam de volta ao castelo e Luna voltou para perto de Harry.

"Então, Harry, pensou sobre aquilo?"

"Aquilo o que?", intrometeu-se Ron.

"Nada não, Ron.", enrolou Harry.

"Ah.", Ron se afastou indo para perto de Dean e Seamus que estavam no meio de uma reconciliação.

"Harry? Pensou?"

"Na verdade eu pensei até demais, Luna. Não aguento isso tudo na minha cabeça. Eu devo me esquecer dele."

"Não! Harry, por favor, não faça isso."

"Por que você se importa afinal?"

"Por que quando é amor, não vale a pena desperdiçar."

"E quem disse que é amor?"

Luna fez uma cara como se dissesse: "Não é óbvio?"

"Ok, talvez tenha alguma coisa ai, mas amor é uma palavra muito forte."

"Ah, Harry. Apenas espere. Dê tempo e você verá."

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Draco saia da aula de Runas antigas com Pansy em seus calcanhares. Ele ainda estava meio sonolento pela morbidade da aula.

Quando dobrou para o lado oposto das masmorras, Pansy o seguiu achando estranho a mudança de caminho.

"Para onde está indo? A sala comunal é por ali."

"Eu sei, eu não sou idiota. Talvez você seja idiota por não perceber que estou indo para outro lugar."

"Eu vou tam-", ela foi interrompida.

"Você não vai. Eu vou só. Entendeu? Agora volte para seu caminho."

Pansy fez biquinho, mas aquilo não convenceu Draco. O garoto apenas apontou com o dedo a direção que ela devia seguir e, triste, ela obedeceu.

No caminho para a biblioteca, Draco só pensava em Harry e ele já estava realmente irritado com isso. Ele deveria parar com esse maldito hábito. Logo o Lorde das Trevas precisará dele para cumprir seus planos, Draco não poderia fazer as pazes com o inimigo.

Entrou na biblioteca e nem sinal de Harry. Talvez Draco tenha vindo cedo demais. Talvez Harry houvesse esquecido. Ou talvez, só talvez, Draco queria acreditar que ela não viria, só para ter um motivo para odiá-lo e não ter esse sentimento estranho.

Draco sentou-se em uma das mesas e ficou esperando por Potter.

Harry chegou logo em seguida, apenas três minutos depois. Ele estava ofegante, veio correndo desde a entrada da escola até aqui.

"Por Merlin, Potter. O que diabos aconteceu? Estava fugindo de comensais?"

"Não. Só pensei que eu estivesse atrasado e não queria deixar você esperando, não quero te dar motivos para me odiar."

Droga. Harry pensou o mesmo que Draco, só que o outro não queria que isso acontecesse, enquanto Draco precisava desesperadamente odiar Potter por qualquer motivo que fosse.

"Eu cheguei muito atrasado?"

Poderia ser isso. Draco poderia usar essa dúvida a seu favor, fingir que estava irado com Potter pelo seu atraso.

"Sim, você está bem atrasado, Potter.", ele teria convencido se não fosse a próxima frase, "Três minutos atrasado."

"Oh, apenas isso? Ainda bem."

Droga, não funcionou. Oh, quem sabe Harry não tivesse trazido o livro...

"Trouxe o livro?", Draco perguntou enquanto Harry se sentava ao seu lado.

Harry mexeu na mochila, tirando livros e pergaminhos, os espalhando pelo chão.

"Eu não estou achando."

Ótimo, um motivo para Draco se zangar.

"Como pôde esquecer? É o material mais importante. Você é mesmo um...", Draco foi interrompido.

"Achei!", Harry gritou e percebeu os olhares de repreensão dos outros, repetiu mais baixo, "Achei."

Será que ninguém poderia ter um motivo para Draco ficar zangado? O que eles tinham contra sua fúria?

"Ainda bem. Vamos começar logo para terminar logo. Coloca ai na página que eu vou buscar outros livros."

"Certo."

Draco se levantou e foi apanhando alguns livros de poções que talvez eles nem precisassem, mas ele precisava se afastar por um tempo para tentar apagar as sensações que estava tendo.

"Ei, Malfoy. Já chega de livros, desse jeito nós vamos passar um ano aqui."

"Tá bom, já estou indo."

Draco devolveu alguns livros á prateleira e voltou-se para Harry.

"Já fez alguma coisa?"

"Claro que não. É um trabalho em equipe. Equipe. Nós temos que fazer juntos."

"Nossa, Potter. Mas você poderia ao menos ter acelerado as coisas."

"Você é bem melhor em poções do que eu."

"Eu sei disso. Mas enfim, vamos fazer logo essa porcaria."

Os dois trocaram algumas ideias sobre o trabalho e como a caligrafia de Draco era muito mais bonita e organizada do que a de Harry, Draco foi quem escreveu. Depois de quarenta e cinco minutos eles já tinham escrito quarenta centímetros no pergaminho.

"Oh Merlin, ainda faltam dez centímetros. Eu não aguento mais!"

"Sinto muito Malfoy, mas nós temos que terminar, se minha letra fosse bonita assim eu faria, mas minha letra é um horror, então você tem que continuar."

"Minha caligrafia é maravilhosa e é assim que eu sou recompensado? Tendo que fazer trabalhos forçados?"

"A vida não é justa."

Os dois garotos pararam por um instante pensando nessa frase. A vida não é justa. Principalmente para esses dois. Draco Malfoy, um jovem bruxo mimado, que levaria uma vida normal, não fosse por Voldemort, que decidiu querer a ajuda de alguém tão novo e arruinar parte de sua infância. Harry Potter, o menino que sobreviveu, teria também uma vida bruxa normal, não fosse por Voldemort, que matou seus pais e agora queria tomar o mundo bruxo. Duas pessoas diferentes, sofrendo por culpa de um só inimigo, mas de maneiras tão diferentes.

"Não é nada justa mesmo.", disse Draco após os momentos de reflexão de ambos.

Harry fitou o outro, com olhos tristes. De alguma forma foi nesse momento que Harry entendeu quem Draco realmente era. Não um garoto rico mimado, mas um garoto que teve muitas coisas tiradas dele, tão cedo.

Draco percebeu o olhar de Harry sobre ele e sem querer ficou hipnotizado naquelas íris verdes. Quando se deu conta, Harry estava falando alguma coisa e ele não entendeu.

"O que disse, Potter?"

"Como andam as coisas com a Parkinson? Ela não deu outro ataque de nervos?"

"Por que você quer saber? E que história é essa de ataque de nervos?"

"Zabini não lhe contou?"

"Se eu estou perguntando, é óbvio que ele não contou."

"Bem, enquanto você estava na enfermaria, Parkinson pirou um pouco antes da aula, ela começou a gritar comigo e disse pra eu ficar longe do "Draquinho" dela. Disse que se eu chegasse perto de você, ela iria lançar uma maldição em mim. Não sei como ainda não me matou."

"Ela fez mesmo isso? Aquela desgraçada! Eu só voltei a falar com ela por que Zabini disse que as coisas ficariam estranhas se nós não nos falássemos, não sabia que ela tinha dado um ataque desses!"

"Eu disse que ela gosta de você, está com ciúmes."

"Ah, que vaca! Qual a necessidade de ela fazer isso? Desgraçada!"

"Calma Malfoy, se eu soubesse que você ia pirar assim, nem tinha tocado nesse assunto."

"Foi bom que você falou. Ela vai se ver comigo. Vamos terminar logo isso, eu preciso resolver esse problema dos infernos."

"O que você vai fazer? Oh, não, desculpe. Já estou me intrometendo demais."

"Não, eu faço questão de dizer. Eu vou mandar aquela menina pegar as ameaças esfarrapadas dela e enfiar no rabo."

Muitos alunos menores olharam para Draco como quem diz: "Falar desse jeito é feio.", mas Draco nem se importou.

"Uau, eu realmente não devia ter dito isso, te fiz ficar irado com a vida."

"Nada disso, Potter, isso é uma das pouquíssimas coisas nessa vida que não é culpa sua. Agora se cale e trate de achar informações úteis para colocar aqui."

"Ok."

Mais quinze minutos se passaram, poucas pessoas estavam na biblioteca agora. Os dois ainda tinham mais cinco centímetros por fazer.

"Pelas barbas de Merlin! Não tem mais nada, é só isso. Como é que nós vamos fazer mais cinco centímetros?"

"Quer saber, Malfoy? Você já fez demais. Deixa que eu faço os outros cinco centímetros e te dou para você copiar." Isso queria dizer: Eu vou perguntar pra Hermione, ai eu te digo.

"Como é que você vai fazer? Tá quase impossível de achar alguma coisa que a gente não já tenha colocado."

"Eu dou um jeito, não se preocupe."

"E como é que eu vou escrever antes de entregar?"

"Eu te dou, oras."

"Como? É final de semana, sabe. Eu não vou ficar no castelo."

"Amanhã á noite eu passo na sua sala comunal. Pode ser?"

"Potter? Você na sala comunal de Slytherin? Tá querendo se matar?"

"Eu não vou entrar, só vou te chamar e entregar o pergaminho pra você passar a limpo."

"Então tá. Mas não vá muito cedo que eu não vou estar lá. Assim pelo menos posso falar com aquela vadia de uma vez."

"Calma Malfoy, vê se não exagera."

"Eu farei o possível."

Os dois foram guardando os materiais e deixaram a biblioteca para trás, andando um ao lado do outro. Draco estava se sentindo desconfortável com o silêncio que pairava sobre eles, buscou um assunto aleatório na sua mente, só pra ter algo para falar.

"Ei, o natal está próximo não é?", que diabos de conversa é essa?

"É.", respondeu Harry estranhando o assunto que Malfoy escolheu para falar.

"Será que vai ter o baile? Com essa história toda de comensais e do Lorde das trevas?"

"Eu sei lá. Talvez. O baile é dentro do castelo, então é seguro."

E o assunto morreu mais uma vez, não havia o que se falar.

Eles chegaram ao fim do corredor. Um lado levava às masmorras, o outro levava à sala comunal de Gryffindor.

"Então é isso. Até amanhã. Que horas eu passo lá?"

"Sei lá, só não vá muito cedo."

"Ok. Tchau Malfoy."

"Tchau Potter."

XXXXXXXXXXX

Draco seguiu para as masmorras, quando chegou lá disse a senha ao retrato e entrou na sala comunal. A sala espaçosa cintilava com as cores de Slytherin. Muitos alunos estavam se divertindo, jogando ou comendo alguma coisa. O garoto procurou por Pansy com os olhos, mas ela não estava lá. Crabbe e Goyle estavam do lado oposto a entrada, Draco foi perguntar se eles sabiam da garota.

"Não. Nós não a vemos desde a última aula. Não é Vicent?", disse Goyle.

"É. Ela não estava com você, Draco?", perguntou Crabbe.

"Ela estava, mas eu tive que ir à biblioteca e não a vi mais. Se vocês a verem diga que preciso falar com ela imediatamente."

Os dois acenaram com a cabeça mostrando que sim.

"Eu vou estar no dormitório."

"Mas você já vai dormir assim tão cedo?", perguntou Crabbe.

"Eu não vou dormir. Mesmo assim, não é da sua conta."

Draco se dirigiu para seu dormitório, lá ele teria privacidade por algumas horas já que os outro Slytherins vão ficar acordados até tarde. O garoto jogou a mochila ao lado da cama e se sentou. Já tinha virado rotina, ele estava pensando em Harry. Dessa vez ele pensava em como o garoto foi gentil em se oferecer para fazer o resto do trabalho. Draco não teria feito o mesmo. Ok, ele estava começando a admitir que estava desenvolvendo algum tipo de sentimento por Potter, não havia como negar. Mas não é necessariamente algum sentimento relacionado a amor ou coisa parecida, pelo menos era o que Draco pensava. Talvez Draco só estivesse precisando de um amigo e estranhamente Potter parecia ser a melhor opção.

Draco foi deitando lentamente na cama. Encostou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. Ainda era cedo para dormir, mas o loiro não queria ficar com outras pessoas, então ele simplesmente ficou deitado lá.

Ele esperou que alguém o viesse chamar para ele falar com a Parkinson, mas passadas umas duas horas ninguém veio e Draco acabou pegando no sono.

Ele teve uma noite sem sonhos.

XXXXXXXXXX

Quando Harry saiu da biblioteca foi direto para a enfermaria, torcendo para que Ron estivesse lá, mas Ginny não. Entrou e viu uma enfermaria quase vazia, com um garoto enroscado em uma garota. Ele percebeu que nenhum dos dois o tinha visto, então foi deslizando para perto deles e tocou o braço de Ron.

"Hum, hum."

"Pelas barbas de Merlin! Harry, você quer me matar de um susto?", Ron estava vermelho de orelha a orelha.

"Sinto interromper esse seu... Momento, eu acho.", disse Harry meio desconcertado.

"Sem problemas, Harry, nós é que devemos nos desculpar.", disse Hermione, estranhamente a menina não parecia nem um pouco constrangida.

"Não, façam o que vocês quiserem. Eu só vim ver como você tá, Mione."

"Eu estou muito bem. Estou ótima, já poderia ter saído daqui."

"Mione, por favor. Você ainda está fraca, precisa descansar.", disse Ron.

"Ronald, eu estou perfeitamente bem. E eu poderia muito bem descansar no meu dormitório, eu só não aguento mais ficar aqui."

"Hermione, eu tenho que concordar com o Ron. Você precisa descansar, assim você sairá logo daqui.", disse Harry.

"Mas eu quero voltar pras aulas. Faz 48 horas que eu não leio nada. Eu vou enlouquecer."

"Olha, se isso vai te fazer melhor, eu vou buscar alguns livros na biblioteca pra você, ok?", perguntou Ron.

"Você faria isso? Eu vou ficar muito feliz!", Hermione deu um sorriso.

"Harry, fica com ela enquanto eu vou lá?", Harry acenou que sim, "Ok."

Ron saiu do hospital e foi buscar os livros. Harry pegou o trabalho que ele e Malfoy estavam fazendo e foi pedir ajuda a Hermione.

"Hermione, eu sei que você está doente e tudo mais, mas poderia me ajudar com isso?"

"Poções? Eu vou adorar!"

"Obrigada, você é demais."

Hermione pegou o pergaminho e leu rapidamente o que havia escrito. Ela estranhou a caligrafia, não era a de Harry.

"Isso está muito bom, Harry. Você fez sozinho?"

"Não. Minha dupla é o Malfoy, foi ele quem escreveu, mas eu ajudei com o conteúdo."

"Malfoy? Oh, sinto muito."

"Não. Na verdade não está sendo horrível, eu acho que no fundo ele é uma boa pessoa."

"Isso é ótimo, Harry. Realmente ótimo. E então, o que quer que eu faça nesse trabalho?"

"Bom, nós devemos fazer cinquenta centímetros, até agora só tem quarenta e cinco. Você poderia me ajudar a acrescentar alguma coisa? Está parecendo que todas as informações estão ai."

"Claro. Você escreve o que eu vou dizer, ok?"

Hermione citou com facilidade muitas informações sobre a poção que não estavam no trabalho, Harry rapidamente conseguiu preencher os cinco centímetros restantes.

"Hermione, você é uma gênia. Muito obrigado."

"De nada, Harry. Fico feliz em ajudar."

Ron voltou poucos minutos depois. Ele carregava tantos livros que não dava nem para ver seu rosto. Ele quase derrubava tudo quando foi coloca-los no chão, mas Harry o ajudou.

"Sabe, você poderia ter usado um feitiço de levitar.", disse Hermione, "Mas eu agradeço imensamente."

Hermione agradeceu com um beijo e como sempre, Ron ficou super vermelho.

"Bom pessoal, acho que já vou. Você vai demorar, Ron?"

"Eu convenci Madame Pomfrey para ela me deixar ficar. Como hoje é sexta ela permitiu, contanto que eu não use nenhuma cama de pacientes."

"Oh, então eu já vou. Boa noite aos dois.", Harry deu um beijinho na bochecha de Hermione e partiu.

A sala comunal de Gryffindor estava cheia e barulhenta. Quando Harry entrou, Ginny, que estava conversando com Dean, se levantou rapidamente e foi para o seu dormitório.

"Dean?", Harry chamou.

"Que foi Harry?"

"A Ginny falou alguma coisa sobre mim?"

"Não, cara."

"Que mentira.", Seamus se intrometeu, "Ela passou o dia inteiro falando sobre você, reclamando de tudo o que você faz."

"Oh Merlin. Olha, vocês poderiam dizer a ela que eu sinto muito? E digam também que eu gostaria muito de voltar a falar com ela, nossa amizade significa muito. Podem fazer isso?"

"Claro.", disse Seamus e Dean apenas acenou com a cabeça.

"Muito obrigado. Se quiserem avisá-la para ela descer... Eu já vou subir. Boa noite."

"Boa noite, Harry.", disseram os dois juntos.

Harry deitou-se na cama, pensando em Malfoy. Ele sentia um frio na barriga cada vez que o garoto lhe vinha à cabeça. Certo, agora ele sabia que se mudasse de comportamento com Draco talvez tivesse alguma chance. Mas ainda havia um problema: Voldemort. Draco com certeza estava participando de alguma coisa envolvendo o lorde das trevas, Harry já desconfiava fazia tempo. Então ele deveria fazer alguma coisa a respeito disso, mudar o pensamento de Draco, trazê-lo para o outro lado. Seria uma tarefa difícil, mas isso não quer dizer que Harry não tentaria.

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Notas na areia: 1 . O quadribol foi suspenso no início de ano letivo em Hogwarts, por estarem acontecendo atividades suspeitas por parte de Voldemort e seus seguidores. O diretor fez esse anúncio no primeiro dia de aula, no grande salão.

2. Nessa realidade o professor Lupin lecionava defesa contra as artes das trevas em Hogwarts desde o terceiro ano de Harry.