Levantou-se, tirou a coberta de cima do corpo e deslizou para fora da cama. Não havia mais ninguém no dormitório além dele. Draco Malfoy seguiu para o banheiro, levando mudas de roupa. Tomou um banho rápido para ele, mas demorado demais para pessoas normais. Vestiu as roupas, uma camisa branca com uma calça preta um pouco colada, e foi se pentear em frente ao espelho. Aquilo demorou mais do que o banho, mas pelo resultado valeu a pena.
A sala comunal estava quase vazia, só alguns alunos do primeiro e segundo ano estavam lá. Malfoy saiu e foi para o Grande Salão.
Chegando lá, também havia pouca gente, as pessoas já estavam se preparando para ir à Hogsmeade. Harry não estava lá, nem nenhum de seus amigos. Draco sentou-se ao lado de Pansy.
"Eu estava esperando por você, Draquinho. Por que demorou tanto?"
"Pansy, não enche. Eu demoro o quanto eu quiser, não é de sua conta. Mas eu preciso falar com você sobre uma coisa."
"Claro, Draco. Qualquer coisa."
"Olha, eu ouvi que você...", Draco foi interrompido por Dumbledore.
"Bom dia alunos! Só estou aqui para informar que quem quiser ir à Hogsmeade deve seguir agora para a saída da escola. Vocês serão acompanhados pelo professor Lupin. Quem não for agora poderá ir daqui a duas horas, com o professor Snape. Lembrem-se: Vocês devem ficar sob a supervisão dos professores em todos os momentos. Isso é tudo."
"Então, Pansy, continuando...", disse Draco quando o Diretor se calou.
"Ah, Draco, vamos logo! Eu quero ir agora, não quero esperar duas horas!", Pansy levantou-se e puxou Malfoy pelo braço.
"Mas... Eu preciso falar com você."
"Fala depois. A gente tem que ir logo!"
"Pelas barbas de Merlin, Parkinson! Eu vou, mas me largue. Caso você não tenha percebido, eu sei andar.", Draco puxou o braço para longe do alcance de Pansy.
"Ok, ok. Mas vamos logo Draquinho."
"Não me chame assim!"
Eles chegaram rápido aos portões. Havia muitos alunos lá, de todas as casas. Draco automaticamente procurou por Harry, mas nem ele nem seus companheiros inseparáveis estavam ali.
"Draco, Draco. A gente pode ir à Dedos de mel primeiro? Por favor?"
"Pansy, que diabos está acontecendo? Controle-se. Eu não vou andar com você se você não se controlar."
Harry veio correndo nesse momento, tinha acabado de sair da ala hospitalar, Ron tinha ficado com Hermione. Procurou por algum rosto familiar, mas não havia ninguém lá. Então ele ficou escorado em um canto da parede mais próxima, só observando as pessoas.
Draco ficou esperando que o garoto viesse falar com ele, mas depois percebeu que era mesmo melhor que aquilo não tivesse acontecido. O que as pessoas iriam pensar?
Depois de um tempo, Harry decidiu falar com alguém, qualquer pessoa que fosse. Ele reconheceu uma cabeleira comprida e preta. Cho Chang.
"Por que não?", pensou, "Não é que eu quero alguma coisa com ela, mas ela é uma pessoa legal e também está sozinha. Além do mais, a Ginny não está aqui."
Harry caminhou entre as pessoas, se aproximou de Cho. Quando foi falar, ficou um pouco tímido e as palavras simplesmente não quiseram sair. Mas ele respirou fundo e seguiu em frente. Isso não é nada de mais.
"Oi... Oi Cho."
"Oh, Harry! Olá."
"Olá... Faz tempo que nós não nos falamos, não é?"
"Isso é verdade... Como você está?"
Os dois continuaram conversando mesmo estando um pouco constrangidos.
Draco agora observava a cena com uma enorme fúria interna. Quem aquela vaca pensa que é pra ficar conversando com Harry a uma distância tão curta como aquela? "Calma, Draco, você não vai querer nada com o Potter, não é?", Draco tentava se convencer, "Não é? Por Merlin, Draco, não é? É claro que eu quero alguma coisa com o Potter, já é tarde para negar. Mas agora: Sai de perto dele, sua vadia!"
Cho chegou a tocar o ombro de Harry para dizer que ele tinha sido um ótimo companheiro no ano passado. Draco quase se mexeu para fazer alguma coisa, mas nessa hora Ginny Weasley chegou. A garota passou com tanta brutalidade entre Cho e Harry que se ouviu um baque quando os corpos deles se bateram. Draco não pôde negar uma risada àquela situação.
"O que houve com ela Harry?", perguntava Cho enquanto passava a mão onde a garota tinha se chocado.
"É que...", Harry pensou por um momento se contava ou não o que aconteceu, "Nada. Eu não sei."
"Oh, que estranho."
Uma menina acenou para Cho, chamando-a para conversar.
"Desculpe-me, Harry, mas eu tenho que ir. Foi bom falar com você."
"Tudo bem, até logo, Cho."
E Harry voltou para seu cantinho na parede, mas dessa vez ele tinha algo mais interessante para observar: Draco Malfoy.
Quando seus olhares se cruzaram, houve um arrepio seguido por um sorriso em cada um deles. Novamente eles se perdiam no olhar um do outro.
O Professor Lupin chegou e mandou os alunos se organizarem para partir. Depois de alguns minutos, eles foram liberados para ir, mas todos deveriam ficar próximos ao Professor.
"Ah, que saco! Eu quero ir à Dedos de mel! Eles vão aonde primeiro?", Pansy estava extremamente irritante, Draco estava a ponto de lançar uma maldição nela.
"Pansy, eu vou dizer isso apenas uma vez. Se cale agora, se você continuar com essas suas besteirinhas, eu não vou mais falar com você.", Draco agora tinha armas perfeitas para torturá-la.
"Draquinho...", disse a garota com tom de tristeza e amargura.
"Não me chame assim! E cale-se imediatamente!"
A menina segurou o choro, mas calou-se. Ela andava muito próxima a Draco, constantemente tentando pegar sua mão, mas o garoto continuava se afastando.
Harry andava a frente do grupo, conversando com o professor Lupin. Remus perguntou por Hermione e Harry lhe informou que ela estava melhorando, Lupin logo deduziu que Ron estava com ela.
Depois de várias tentativas e quando Draco tinha desistido de impedi-la, Pansy finalmente segurou sua mão. Ela agora estava saltitante e irritantemente feliz. Draco apenas revirava os olhos para ela.
Quando Harry olhou para eles, Draco empurrou Pansy com uma força tão exagerada que a menina se esbarrou em outros alunos e foi parar no chão. "Sei lá por que fiz isso.", pensou Draco, "Mas ela mereceu e eu não quero que o Potter venha encher meu saco dizendo que nós somos namorados. Eu não quero que ele pense que eu e a Pansy somos namorados, ela é uma vaca. Aliás, eu não quero que o Potter pense que eu tenho namoradas de forma alguma."
Quando Harry deu um olhar de preocupação para Draco, este último apenas movimentou os lábios para o outro: "Vadia." E ficou rindo da raiva de Pansy, mesmo assim ajudou a garota a se levantar. Harry estava preocupado com Pansy, mas quando ele entendeu as palavras de Draco, deu um sorriso para o garoto.
"Alunos! Alunos, por favor, prestem atenção!", o Professor tentava falar por cima do barulho dos alunos. "Obrigado. Então, pessoal, vocês vão poder ir para qualquer lugar, contanto que permaneçam na rua principal. Nada de ir a lugares distantes. Daqui a duas horas, todos devem voltar aqui, será quando o outro grupo chegará. Todos entenderam? Ótimo. Podem ir, divirtam-se. Não saiam da rua principal!"
Os alunos se dispersaram, indo para sorveterias, livrarias, docerias e bares. Todos felizes por esse momento.
Harry não sabia o que fazer. Geralmente ele iria a alguma livraria com Hermione ou a alguma sorveteria com Ron, mas nenhuns dos dois estavam ali. Ele se sentiu extremamente sozinho.
Malfoy estava sendo arrastado por uma Pansy que lhe xingava constantemente. Era possível que Draco assassinasse essa garota hoje. Eles estavam indo a Dedos-de-mel.
"Anda Draco! O que você está fazendo andando tão lentamente? Só temos duas horas! Ou você prefere fazer alguma coisa que vá me machucar? Por que é só isso que você anda fazendo ultimamente.", dizia Parkinson.
"Eu não já te mandei calar a boca? Não há necessidade de andar mais rápido do que isso. Eu não pretendia te machucar, foi sem querer, mas você está me fazendo querer te matar.", replicou Draco com um tom muito calmo.
"Não queria me machucar?! Você me jogou no chão!"
"Por que você estava me agarrando na frente de todo mundo. Você não devia fazer isso nem quando estamos sozinhos, ainda mais na frente de todos."
"Mas... Eu só estava demonstrado o carinho que eu sinto por você!"
"Pois é melhor parar agora mesmo."
"Mas... Draquinho... E-eu... Eu te amo!"
"O QUÊ?!", pensou Draco, "Eu escutei direito? Ou essa menina pirou de vez? Se ela realmente disse isso, bem, o Potter estava certo... Droga, Pansy."
"Eu te amo! Pronto, falei!"
"Você... o quê? Tá enlouquecendo, Parkinson?"
"É... Bem... É meio óbvio, não é? Eu te amo há muito tempo."
"O que? Você enlouqueceu, só pode."
"Sim, eu estou louca. Mas é louca por você, Draquinho!"
Draco não sabia o que falar. Ele sempre teve Pansy como uma amiga, sinceramente a melhor que teve. Draco poderia contar com ela para muitas coisas, até em extremos casos como uma amante, mas Draco nunca pensou que a menina havia desenvolvido sentimentos por ele. Ele queria dispensá-la, mas, mesmo ela sendo irritante, ele não queria magoá-la.
"Olha, Pansy, eu fico feliz por você me amar. Mas é que... Sinto muito... Mas é que eu não te amo, ok?"
A garota começou a soluçar.
"O-o quê? Você... você não me ama? Mas... Eu pensei... Eu pensei que..."
"Olha Pansy, não fica assim, por favor. Eu só não te amo, mas podemos continuar sendo só amigos."
"Amigos? Eu não quero ser só sua amiga, Draco! Eu quero mais do que isso! Eu preciso de mais!"
"Sinto muito, Pansy.", Draco pegou a mão da menina que tremia.
Pansy puxou sua mão de volta e virou a cara. Dava para perceber as lágrimas que escorriam de seu rosto.
"Bem, eu não queria que isso tivesse acontecido, mas não foi minha culpa. O que eu deveria fazer? Dizer que eu a amo? Não, de maneira alguma. Ela pode até ser minha amiga, pode até ser bonita e ser uma ótima Slytherin, mas eu não estou apaixonado por ela. Draco Malfoy não se apaixona por ninguém. Pelo menos era assim até o Potter, mas deixe-o de lado um pouco, o problema é a Pansy no momento. Eu não posso fazer nada agora, devo esperar e ver se ela fará como sempre e voltará correndo para os meus pés. Eu realmente espero que isso aconteça.", pensava Draco.
"Pansy..."
"Cala a boca!"
"Mas Pansy..."
A menina saiu correndo. Draco gritou por ela apenas uma vez, mas ela nem virou o rosto. Draco estava chateado com a situação, mas não iria sair correndo atrás dela.
"Ok, se é o que ela quer... Depois eu tento falar com ela, agora eu vou aproveitar esse momento sem ela e me divertir um pouco."
Draco seguiu para o caminho oposto, deixando que Pansy se fosse. Ele entrou no Três-vassouras procurando uma mesa disponível, mas todas estavam ocupadas. O único assento disponível era no balcão, ao lado de um garoto com cabelos pretos rebeldes.
"Oh, droga.", dizia Draco em seus pensamentos, "Eu não queria me encontrar com ele. Ah, mas fazer o que né? Eu realmente preciso de uma bebida."
Draco seguiu para o banco e sentou-se ao lado de Harry.
"Malfoy! O que faz aqui?", perguntou Harry assim que percebeu a presença do outro.
"Ah, oi Potter.", Draco fingiu que nem tinha visto o garoto, "Eu só vim beber alguma coisa. E você? Por que está aqui sozinho? Onde estão seus amiguinhos inseparáveis?"
"Eu também vim só beber alguma coisa, não sei mais aonde ir. O Ron ficou com a Mione na enfermaria, então... Bem, eu estou sozinho..."
"Que coisa triste. Então veio encher a cara pra afogar as mágoas?"
"O que? Eu não estou magoado.", na verdade estava, "Só não sei o que fazer."
"Ah, bom, então beber é uma ótima opção."
Novamente um daqueles silêncios constrangedores se implantou entre eles. Os dois queriam muito algum assunto para falar, mas não conseguiam pensar em um.
Draco pediu duas cervejas amanteigadas e ofereceu uma a Harry. O garoto ficou surpreso com a gentileza.
"Obrigado Malfoy.", disse Harry enquanto aceitava a bebida, "Uau, nunca pensei que um dia fosse tomar uma bebida oferecida por você."
"Não se preocupe Potter, não fui eu quem preparou, não tem como eu ter envenenado."
Os meninos riram um para o outro. Os dois sentiam como se isso fosse impossível, Draco Malfoy e Harry Potter rindo um para o outro. Mas realmente estava acontecendo e eles estavam muito felizes com isso.
"Ah, Malfoy, cadê a Parkinson? A relação de vocês progrediu?"
"Oh, Merlin. Odeio admitir isso, mas você estava certo. Ela é mesmo apaixonada por mim."
Harry gelou. Quando estendeu a mão para levar o copo à boca, percebeu que estava tremendo um pouco. "Agora já era. Draco iria namorar Pansy e tudo o que eu pensei que pudesse acontecer – mesmo que eu não acredite que fosse possível – Já era. Droga.", pensava Harry.
"Então...", a voz de Harry tremia, "Agora vocês estão mesmo namorando?"
Draco deu um gole na bebida. Não levou nem um segundo, mas para Harry foi uma eternidade.
"Não. De jeito nenhum. Nunca."
Ufa. Harry respirou fundo, aliviado.
"Mas por quê?"
"Potter, por acaso você é idiota? Eu não já disse que ela é uma vadia?"
"Disse..."
"Então pronto. Você acha que eu vou namorar uma vadia? Nunca."
"E aquele agarramento que vocês estavam?"
"Você não está muito interessado na minha vida, não?"
Droga.
"Não... Bem... É que... A gente não tem nada pra falar e... Sei lá..."
"Tudo bem, Potter. Nós não temos muitos assuntos mesmo. Mas era ela quem estava me agarrando. Você não viu quando eu a empurrei?"
"Claro que eu vi. A coitada. Ainda li seus lábios a chamando de vadia."
"Ela mereceu."
"E onde ela está agora?"
"Bem... Depois que ela disse que me amava, eu dispensei ela, ai ela saiu correndo chorando. Eu é que não vou atrás dela. Que é que eu posso fazer se eu não sinto nada por ela?"
"Você tem razão."
Eles ficaram lá por um bom tempo. Bebendo e conversando sobre pequenas bobagens da vida. Nem se deram conta, mas já havia passado duas horas, eles deveriam voltar.
Só quando vários alunos estavam saindo do bar foi que Harry percebeu que eles deveriam ir.
"Malfoy, tá na hora de voltar. Já se passaram duas horas."
"Ah, que saco. Mas vamos né? Fazer o que?"
Quando eles estenderam a mão para deixar o dinheiro da conta sobre o balcão, suas mãos se tocaram. O calafrio costumeiro subiu pelo pescoço de ambos. Eles ficaram vermelhos e constrangidos e imediatamente puxaram a mão de volta, deixando os galeões caírem.
"Errr... Deixa que eu pago, Potter."
"Não, tudo bem, eu pago."
"Arg, já disse que eu pago."
"Olha, que tal nós dois pagarmos e deixar de discursão?"
"Tá."
Então eles deixaram o dinheiro lá, concordando que o troco poderia ficar como gorjeta e seguiram para fora do bar.
Lá fora, Snape trazia mais um grupo de alunos. Luna Lovegood acenou para Harry e seguiu em sua direção.
"Olá Harry!", disse a garota enquanto se aproximava aos pulos, "Vejo que está se dando bem com o Malfoy."
"Oi Luna. Bem... O Malfoy...", disse Harry meio envergonhado.
"Não é da sua conta, sua louca!", respondeu Malfoy.
"Malfoy! Não fale assim da Luna!"
"Não se preocupe, Harry. Eu não me senti ofendida. Eu vou deixar vocês sozinhos, tenho que ir logo comprar alguns doces, papai disse que doces de esqueletos ajudam a afastar os Nargles... Tchau, meninos!"
Ela foi se afastando antes mesmo dos alunos serem liberados pelos professores. O professor Snape a chamou e ela voltou com uma cara de inocente, ele tirou dez pontos de Ravenclaw por ela quase ter se afastado do grupo. Poucos minutos depois, eles foram liberados, mas novamente com a condição de ficarem na rua principal e eles iriam embora antes do que iriam se aquele fosse um dia comum.
Harry olhou para Malfoy quando os professores disseram que os alunos poderiam ir. "Será que eu ainda devo ficar com ele? Eu quero muito. Mas será que ele quer?", pensava Harry.
"Errr... Potter, você vai a algum lugar? Não é que eu queira ficar com você, mas... Bem, eu não queria ficar perto de nenhum Slytherin por enquanto, pelo menos não até eu fazer as pazes com a Pansy.", disse Malfoy, que estava com as bochechas um pouquinho vermelhas.
"Eu não vou fazer nada de especial. A gente nem pode sair da rua principal... Eu te faço companhia, não se preocupe.", Harry inconscientemente deu um sorriso, mas logo parou de sorrir quando percebeu o que fazia.
"Ok, valeu... Eu acho... Nossa isso é tão deprimente, não ter ninguém pra sair a não ser você..."
"Ei Malfoy! Eu fui uma ótima companhia no três-vassouras, não fui?"
"É, tudo bem, eu vou admitir, até que você dá pro gasto."
"Você também não é tão ruim..."
"Então, aonde a gente vai?"
"Sei lá. Que tal a dedos-de-mel?"
"É, pode ser."
Eles foram à loja de doces e compraram uma enorme variação de guloseimas, especialmente Harry, que tinha prometido a Ron que compraria vários doces para o garoto. Depois Harry chamou Malfoy para ir à livraria comprar alguns livros para presentear Hermione.
"Ok, vamos. Eu também queria comprar alguns livros."
"Você gosta de ler?"
"Claro, Potter."
"Ah, legal. Mas eu nunca pensei que você gostasse."
"Por quê? Pra sua informação não são só Raveclaws e a Granger que gostam de ler. Existem mais leitores no mundo."
"Eu sei, mas sei lá, você lendo é meio estranho."
"Potter, por favor. Você é estúpido, mas nem tanto. Como você acha que eu sou inteligente? Tudo bem que eu tenho inteligência de nascença, mas ler ajudou bastante."
"Tudo bem, Malfoy, eu não quis te ofender, desculpe."
"Tá."
Os meninos foram para a livraria e Malfoy indicou para Harry alguns livros que talvez Hermione gostasse, Harry ficou preocupado com a possibilidade dela já ter lido, mas comprou mesmo assim.
"E agora? Aonde vamos?", perguntou Harry, "Já fui aos lugares que eu pretendia e ainda temos tempo de sobra. O que você quer fazer?"
"Ah, vamos só ao três-vassouras mesmo."
"Tem certeza? Você não quer fazer mais nada?"
"Bom, o que eu queria fazer é muito Slytherin pra você."
"O quê? Muito Slytherin? O que você quer fazer?"
"Nada não, Potter, esquece."
"Vai Malfoy, diz logo."
"Não. Eu não vou te dizer o que os Slytherins fazem nas horas vagas. Vamos logo ao bar e pare de reclamar."
"Eu ainda vou descobrir."
"Hahaha. Duvido. Mas pode tentar, eu te desafio."
Harry olhou para Malfoy com um olhar de "desafio aceito". Eles entraram no bar que estava lotado, eles teriam que sentar no balcão novamente, mas dessa vez não haviam nem cadeiras juntas.
"Onde vamos sentar?", perguntou Harry.
"Espera um instante que eu dou um jeito.", respondeu Malfoy e se dirigiu a um velho bruxo que estava sentado no balcão entre duas cadeiras vagas, "Com licença senhor, você poderia sentar na outra cadeira?"
"E por que eu deveria fazer isso?", o homem tinha um hálito podre e parecia muito embriagado.
"Por favor, senhor. Eu gostaria apenas de sentar ao lado de meu amigo. O senhor poderia fazer essa gentileza?"
Harry ficou chocado com duas coisas. A primeira era a gentileza com que Draco tratou aquele velho bêbado. A segunda era que Draco havia se referido a Harry como um "amigo". Isso pelo menos mostrava que a relação deles estava progredindo. Harry ficou muito feliz com isso.
"Oh, então vocês são namoradinhos, hein? Os garotos de hoje em dia...", resmungava o velho, "Quer saber? Fique com a cadeira. Fique com o bar se quiser, eu vou embora."
O homem se levantou e caminhou aos tombos para o lado de fora. Quando estava lá fora uma garçonete o chamou e disse que ele não havia pagado a conta. Ele entregou o dinheiro e vomitou nos pés da moça.
"Que velho louco. Pelo menos eu consegui uma cadeira. Anda, senta logo.", disse Draco satisfeito com a saída do outro bruxo.
"Esse cara era louco mesmo. Chamando a gente de namorado... Ei, mas como assim 'amigo'?", Harry quis logo saber se era verdade ou se Draco estava apenas fingindo para o velho. Ele puxou a cadeira e sentou, encostando o cotovelo no balcão e olhando fixamente para Draco.
"Ahm?"
"Quando você disse 'amigo', você estava falando sério?"
"Ah, sei lá. Talvez. Quer dizer... Bem... Nós não brigamos nem uma vez hoje. Isso já foi um grande progresso, não acha?"
"Com certeza, mas você me considera realmente um amigo?"
"Olha, Potter, eu realmente não sei. Mas eu estou gostando de passar algum tempo com você. Isso é provavelmente por que eu estou sozinho ultimamente, mas é a triste verdade."
"Eu não acho triste. Eu acho legal. Eu também estou gostando de ficar com você..."
"Que bom."
Eles olharam um para o outro e o usual calafrio subiu pelas nucas dos garotos, eles já estavam se irritando com aquilo. Mas não conseguiram evitar uma risada por causa da estranha situação.
"O que você vai querer?", perguntou Malfoy.
"Cerveja amanteigada. E você?"
"Firewhiskey."
"Você não pode, nós somos menores de idade."
"Ah é? Observe e aprenda."
Draco se levantou e foi para perto de uma garçonete que estava servindo uma mesa. Ela era uma moça muito jovem, mas deveria ter pelos menos cinco anos a mais que os garotos.
"Olá garota.", ele deu um sorriso sedutor para ela, isso deixou Harry com um pouquinho de ciúmes, "Você está radiante hoje. A propósito, será que você poderia levar Firewhiskey pra mim e pro meu amigo? Eu ficaria te devendo um favor."
"Tudo bem, eu levo em um instante.", respondeu a jovem bruxa.
Draco retornou ao seu lugar.
"Viu Potter? Só é preciso um pouco de charme e você terá tudo o que quiser."
"Uau, foi impressionante."
"Eu sei."
Poucos segundos depois a garçonete trouxe dois copos de Firewhiskey, ela deu um sorrisinho tímido para Draco quando ele a deu gorjeta e disse "Obrigado, querida.".
"Pelas barbas de Merlin, como isso é forte!", disse Harry após dar o primeiro gole.
"Isso não é nada, você que não é acostumado.", disse Malfoy e riu da cara do outro.
Eles tomaram copos e mais copos da bebida, Harry nunca havia ficado bêbado, mas ele estava ficando preocupado com como ele ficaria depois disso tudo.
"E a Pansy, Malfoy? Você acha que ela vai ficar tudo bem entre vocês?"
"Ah, sei lá. Eu vou fazer as pazes com ela, mas não acho que vai ser como era antes... Não com esse negócio de ela me amar..."
"Eu acho que você deveria pedir perdão a ela."
"Pedir perdão? Tá louco? Eu não fiz nada."
"Eu sei. O problema é que pra ela você fez a pior coisa do mundo. Você deveria dizer a ela que está tudo bem. Ela é sua amiga, Malfoy, você não acha que vale a pena?"
"Tudo bem, tudo bem. Você tem razão, eu vou voltar a falar com ela."
"E eu também acho que você deveria trata-la melhor. A menina te ama e você a trata como lixo, isso não é legal."
"Nossa, você já tá exagerando. Eu gosto dela, eu admito, mas ela precisa ser tratada assim ou vai ficar ainda pior."
"Você que sabe."
E eles beberam mais um pouco.
"Mais um, Potter?"
"Não. Por favor, não. Acho que eu vou desmaiar de tanta bebida."
"Nossa como você é fraco, mas tudo bem, acho que está na hora de parar."
Assim que eles devolveram os copos, Neville, Dean, Seamus e Ginny entraram no bar. Harry tentou, tolamente, se esconder, mas eles – com exceção de Ginny – vieram em sua direção.
"Harry, nós estávamos procurando por você.", disse Neville.
Draco virou para o lado oposto daquelas pessoas, desejando com todas as forças não estar ali.
"Tá fazendo o que aqui?", perguntou Seamus.
"Só bebendo alguma coisa."
Dean e Ginny foram para o outro lado, à procura de uma mesa. Luna estava entrando nessa hora.
"Por que tá com o Malfoy?", perguntou Seamus.
"É. Eu tô com ele..."
"Meninos, oi!", Luna disse quando se aproximou do grupo.
"Ah, essa louca de novo?", resmungou Draco baixinho.
"Luna!", disse Harry.
"Oi.", disseram os outros dois.
"Bem... O que estão fazendo aqui? Por que não sentam com seus amigos?", perguntou Luna.
"Do que está falando, Luna?", Seamus olhava de Neville para Harry e de Harry para Luna.
"Estou falando que vocês estão deixando Ginny e Dean sentados naquela mesa sozinhos... Por que vocês fariam uma coisa dessas? Por que não vão se sentar com eles?"
"Nós só estamos falando com o Harry. Já estamos indo pra lá.", respondeu Neville.
"Tudo bem, pessoal, vocês podem ir. Eu só estou conversando com o Malfoy... Sobre o trabalho de poções, nada de mais. Ele não vai me machucar nem nada assim, ok? Vão logo ou a Ginny vai ficar com raiva de vocês também.", disse Harry.
"Tem certeza, Harry?", perguntou Seamus.
"Claro que ele tem. Vão logo, eu posso sentar com vocês?", respondeu Luna antes mesmo de Harry abrir a boca.
"Claro Luna. Vamos então, tchau Harry.", disse Neville.
"Tchau, cara. Se precisar, estamos ai...", disse Seamus.
Eles foram se afastando em direção a mesa. Luna ficou um pouco para trás e disse a Harry, baixinho:
"Acho melhor vocês irem para outro lugar. Outro lugar para ficarem sozinhos..."
"Obrigado, Luna.", ele respondeu tentando fazer Malfoy não escutar.
E ela se juntou aos outros.
Harry entregou galeões suficientes para pagar a conta para a garçonete com quem Draco estava flertando, ele não deu uma gorjeta por ciúmes, mas no final das contas Draco ainda deu alguma coisa a ela.
"Por que você já pagou?", perguntou Draco.
"Por que nós vamos sair daqui.", Harry se levantou e puxou Draco discretamente até a saída, "Vem logo."
Quando eles chegaram lá fora, Draco puxou o braço para longe de Harry.
"Tá bom, me diz o que foi isso."
"Ah, aquele pessoal ia ficar falando a maior besteira. Sei lá, ia ser chato pra você... E pra mim também."
"É, ia ser mesmo. Até que aquela lunática serve pra alguma coisa, pelo menos ela os distraiu. Mas o que vamos fazer agora? Tomar sorvete? "
"Só temos mais meia hora. Acho que é uma boa escolha."
Eles foram à sorveteria e cada um pediu um sorvete duplo de limão. Ficaram tomando os sorvetes sentados numa mesinha próxima a saída.
"Malfoy?"
"O que?"
"Acho que eu tô bêbado."
"Não acredito que você ficou bêbado com apenas aquilo. Sinceramente Potter, você é muito fraco."
"Malfoy, eu tô falando sério. Eu tô tonto... Não sei o que é isso, mas tô com um ardor no peito..."
"Ai, não. Potter, vai ao banheiro. Agora."
"Por quê?"
"Por que você vai vomitar."
"Não vou não."
"Vai sim. Agora levanta e vai logo ao banheiro."
"Ok, eu vou. Mas eu duvido que eu vá vomitar."
Quando Harry se levantou, ele derrubou o sorvete de ambos e teria caído se não fosse por Draco, que o segurou.
"Por Merlin, Potter, não precisa cair. Eu ajudo, vai. Só não vomite em mim, essa camiseta é nova."
Draco passou o braço de Harry ao redor de seu pescoço e o ajudou a ir até o banheiro. Harry escorregou no piso do banheiro, fazendo Draco cair ao lado dele.
"Muito obrigado, agora estou com a bunda suja desse chão imundo!", disse Draco enquanto o outro ria ao seu lado.
Harry ia falar alguma coisa, mas em vez disso levou a mão à boca e se arrastou para um vaso sanitário. Ele vomitou por pelo menos dois minutos. Draco só disse umas dez vezes: "Eu disse que você ia vomitar, Potter."
Quando eles saíram da sorveteria, todos os outros alunos já estavam se reunindo para voltar ao castelo. Os professores estavam checando as listas de presença para ver se todos estavam ali.
"E finalmente, Malfoy e Potter. Onde vocês estavam?", perguntou o professor Lupin.
"O Potter não estava passando bem. Agora ele já tá melhor.", disse Malfoy.
"É... Tá tudo bem... Agora. Desculpe... Pelo atraso.", completou Harry.
"Tudo bem. O importante é que estejam bem. Professor Snape, todos da sua lista estão presente?", perguntou Lupin.
"Estão todos aqui. Os seus também? Então já podemos ir. Alunos, todos se dirigindo ao castelo. Agora.", respondeu Snape.
Todos foram caminhando em direção à escola. Alguns alunos ainda reclamavam de como havia sido pouco tempo e que eles queriam ficar em Hogsmeade. Os professores apenas responderam dizendo: "Foram ordens de Dumbledore, nós temos que fazer o que ele diz."
"Ei, Potter. Você já terminou o trabalho de poções?", perguntou Draco.
"Terminei."
"Você vai me entregar hoje, né?", Harry acenou positivamente, "Então quando você passar lá, eu te dou uma poção para diminuir a ressaca. Também vai te deixar um pouquinho menos bêbado."
"Oh, e tem poção pra isso? Valeu."
"Sem problemas."
Eles chegaram ao colégio e se despediram brevemente. Draco foi para a sala comunal de Slytherin, a maioria dos alunos foi para o grande salão e Harry foi para a enfermaria.
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"Harry! Como foi o passeio?", perguntou Hermione antes mesmo dele se aproximar de sua cama.
"Foi sem graça sem vocês...", mentiu Harry.
"Oh, cara, sinto muito.", disse Ron.
"Não, sem problemas, você tinha que ficar com a Mione mesmo. Ei, eu trouxe presentes pra vocês."
"Eba!", disse Ron.
"Não precisava, Harry.", disse Mione.
"Precisava sim. Aqui está.", disse Harry enquanto abria uma sacola, "Para Ron, muitas variações de doces. Muitas mesmo, nem eu sei o que é tudo isso."
"Poxa, Harry, valeu mesmo.", disse Ron e logo enfiou meia dúzia de doces na boca.
"Para Hermione, livros. Sinto muito se você já tiver lido algum deles."
Ele entregou um pacote com pelo menos sete livros para Hermione.
"Oh, Harry, muito obrigada. E não, eu só li esse aqui, mas foi da biblioteca, então eu ainda não tinha. Muito obrigada mesmo, eu adorei!"
"De nada, pessoal. Vocês merecem. Então, me falem como foi seu dia."
Os outros dois contaram como passaram o dia apenas jogando xadrez de bruxo e ouvindo as broncas de Madame Pomfrey.
"Puxa, que emocionante.", disse Harry de forma sarcástica.
"É, eu sei. Eu quero tanto sair dessa cama!"
"Você vai Mione, mas..."
"Eu sei, eu sei. 'Mas primeiro eu tenho que ficar boa.' O problema é que eu já estou boa!"
"Nossa Hermione, você não muda de ideia mesmo, hein?", disse Harry, "Olha, gente, eu queria mesmo ficar aqui com vocês, mas eu estou com fome e..."
"Harry vem cá.", Hermione o interrompeu.
"Que foi Mione?"
"Vem cá, chega mais perto."
"Ei, Hermione, pra que essa aproximação?"
"Oh, por favor, Ron. Sério Harry, vem cá."
"O que foi?", Harry disse enquanto chegava bem perto de Hermione.
A menina puxou seu rosto para bem perto do seu. Ron quase que tinha um ataque cardíaco, mas ela simplesmente o cheirou.
"Que é isso, tá enlouquecendo?", perguntou Ron jogando Harry para longe dela.
"Não estou enlouquecendo Ronald. O Harry andou bebendo alguma coisa, eu senti o cheiro."
"O que? Eu não estava bebendo nada."
"O que você estava bebendo, Harry?"
"Nada, Ron!"
"Harry, diga logo!", Hermione se sentou na cama e o encarou seriamente.
"Foi só cerveja amanteigada..."
"Cerveja amanteigada não cheira assim. Diga logo o que era!"
"Tá bom, tá bom. Eu tomei Firewhiskey."
"O que? Você é menor de idade!", disse Hermione.
"Onde foi que você conseguiu? Por que não me deu um pouco?"
"Ron! Você queria beber também?"
"Não..."
"Pessoal, por favor. Foi só um pouco, só pra experimentar..."
"Foi o Malfoy quem te deu, não foi?", perguntou Hermione.
"Foi..."
"Você estava andando com o Malfoy?!", se espantou Ron.
"Sim, eu não vejo problema nisso. Quer saber? Se vocês têm algum problema com ele, vocês têm problema comigo também!"
Harry se afastou dos amigos e se dirigiu a porta. Ron gritou para ele voltar e Hermione estava com uma cara de choro, mas Harry não voltou.
Ele foi para o grande salão. Neville e Dean o chamaram para sentar com eles, mas Harry negou, pegou alguns pãezinhos e foi para a torre de Gryffindor.
Ele engoliu os pães em uma quantidade de tempo incrivelmente curta. Subiu para seu dormitório, pegou os pergaminhos que tinha o trabalho de poções, pegou o mapa do maroto e ficou olhando da letra de Draco para o pontinho "Draco Malfoy" no mapa. Ele queria ir entregar o trabalho para o garoto, mas ele disse que Harry não fosse cedo, então Harry esperou.
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Draco entrou na sala de Slytherin acompanhado de alguns outros estudantes. Estava uma agitação muito grande, alunos comiam doces, mostravam novas roupas aos outros, bebiam qualquer coisa que conseguiram trazer escondido...
Mas Draco estava com a consciência pesada por duas coisas, por que Pansy estava com raiva dele e principalmente por que ele estava se aproximando demais de Potter.
Primeiro ele deveria resolver aquilo que era mais fácil, deveria fazer as pazes com Pansy. Apesar de ela ser a pessoa mais irritante que Draco conhece, ela poderia lhe oferecer algumas vantagens, a família Malfoy não ficaria feliz em saber que ele cortou relações com a garota, pois eles e a família Parkinson compartilhavam alguns interesses e seria ruim que isso acabasse. E, além disso, Pansy era uma das únicas amigas de Draco, ele não poderia esquecê-la assim.
Então Draco foi procurar por ela. Ele perguntou a Blaise e ele disse que ela deveria estar no grande salão. Draco pensou em ir atrás dela, mas decidiu por esperar.
Passou-se bastante tempo e nada de Pansy. Quase todos os alunos já estavam lá, mas ela não tinha aparecido.
Draco já estava se irritando, imaginando que ela estava demorando para evitar se encontrar com ele.
Agora já estava ficando tarde. Todos os alunos já haviam retornado, com exceção de Pansy. A maioria já estava se preparando para dormir. Se Draco não se apressasse Potter iria chegar e ele não teria falado com Pansy. Ele decidiu ir atrás dela.
No momento que estava saindo pelo retrato Draco viu Pansy se aproximando.
"Pansy, finalmente."
"Olha, Malfoy, eu não quero falar com você agora, ok?"
"Pansy, por favor. Eu sei que eu não fiz o que você queria, mas, por favor, me deixe conversar com você."
"Eu não quero falar agora! Deixe-me em paz!"
Pansy saiu correndo na direção oposta a Draco. Ela olhou para trás e Draco a seguiu.
"O que você está fazendo? Por que está fugindo de novo?"
"Fique longe, Draco! Saia de perto de mim!"
"Por favor, Pansy. Eu ainda quero ser seu amigo, ok? Eu posso ser um idiota às vezes, mas eu ainda quero sua amizade."
"Mas eu já disse que eu preciso de mais do que só amizade. Eu não aguento mais ser apenas sua 'reserva', Draco. Eu pensei que você me amava da mesma forma como eu te amo. Mas como eu estava plenamente errada o melhor a se fazer é esquecer você."
A menina dobrou o corredor e Draco a perdeu de vista por um momento.
"Olha, Pansy, eu cheguei à conclusão de que... Bem, eu acho que eu te amo... Mas como uma amiga, você é a única que eu tenho. Pelo menos a única verdadeira... Eu sinto muito mesmo se eu não te amo como você me ama, mas eu queria mesmo que você continuasse sendo minha amiga, ok? Eu te amo mesmo, Pansy. Pansy?"
Não veio resposta.
Quando Draco dobrou o corredor encontrou uma Pansy de olhos arregalados. Ele se espantou, mas, quando olhou na direção que ela olhava, entendeu.
Havia dois vultos encapuzados com varinhas em punho, apontando na direção da garota.
Pansy estava paralisada, não conseguia nem dizer nada.
Draco estava com muito medo, mesmo assim caminhou em direção à garota. Quando ele deu o primeiro passo, conseguiu enxergar uma luz verde vindo da varinha do vulto da esquerda. Pansy foi atingida em cheio.
Draco parou de respirar. Ele não sabia o que fazer, achava que ia desmaiar, mas, quando conseguiu organizar os pensamentos, ele deu um grito que ecoou pelo corredor:
"PANSY!"
Com o grito, os comensais da morte acharam que não seria seguro ficar ali. Ambos saíram correndo para fora das masmorras.
Draco se jogou ao lado de Pansy e gritou para os homens encapuzados:
"Por que vocês fizeram isso, seus idiotas? Ela está no lado do Lorde das Trevas!"
Lágrimas escorriam pelo rosto de Draco e caiam no rosto de Pansy.
Poucos segundos depois, Draco viu mais alguém se aproximando. Era o Potter.
"Malfoy? Você estava gritando? O que aconteceu?"
Draco não conseguia se mover, nem conseguia falar nada. Ele apenas olhou para Harry com um olhar de desespero.
Foi só ai que Harry percebeu as lágrimas nos olhos de Draco e o corpo de Pansy jogado no chão.
"Merlin, o que aconteceu?"
Harry jogou a mochila que carregava no chão e se jogou ao lado de Draco.
"Malfoy, pelas barbas de Merlin, me diz o que aconteceu! Ela tá bem? Você tá bem?"
"A Pansy... Ela..."
Draco começou a soluçar alto agora, mais do que ele mesmo imaginava que fosse possível.
"P-Potter? Você acha que ela... Você acha que... Ela tá bem?"
Harry olhou para Draco e Pansy. Ele puxou o braço da menina e colocou os dedos sobre seu pulso. Ele esperou por uns quinze segundos, depois lágrimas começaram a cair de seus olhos também.
"O que foi?", perguntou Malfoy por entre os soluços, "O que foi, Potter?"
Harry enxugou os olhos e só então olhou para Draco. Ele disse muito baixo e muito tristemente:
"Malfoy, ela está morta."
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