Draco se removia na cama. O único pensamento que ele conseguia ter era: "Por que eu insisti em fazer isso? O Lorde das Trevas vai me matar." Não que não houvesse valido a pena, por que, entre todas as coisas que Draco já havia feito, essa foi sem dúvida a mais prazerosa.

Mesmo assim não seria nada bom se Voldemort descobrisse que ele, Draco Malfoy, filho de Lucius e Narcisa Malfoy, estava praticamente namorando o seu pior inimigo, Harry Potter.

O que também o deixava revoltado era o fato de que Harry agia como se aquilo não fosse problema algum, como se eles sempre foram amigos e estivessem apenas passando a olhar para o outro de maneira diferente e o mundo fosse um mar de rosas. O problema é que não era nada assim.

Desde a tarde quando eles se beijaram pela primeira vez, Draco não conseguia se separar de Harry, e ele apostava que com o outro era a mesma coisa. Eles agora estavam acostumados a dividir mesas nas aulas conjuntas ou a esperar pelo outro no fim da tarde quando estivessem livres das aulas. Draco não havia contado a ninguém, afinal a única pessoa que tinha uma pequena possibilidade de saber sobre o assunto era Pansy, e ela estava morta. Harry jurou para ele que também não havia contado.

Essas duas últimas semanas foram emocionantes por terem que esconder sua relação das outras pessoas. Apesar de Draco perceber alguns olhares estranhos em sua direção quando ele estava acompanhado por Harry, eles não se importavam.

Aparentemente Hogwarts estava em clima de paz. Os níveis de segurança e a preocupação ainda continuavam elevados, mas não ocorreu nenhum novo ataque. Os alunos, se baseando na relação de Draco e Harry, estavam se dando melhor. Não que as famosas brigas entre Slytherins e Gryffindors não acontecessem mais, mas agora estavam menos comuns. Draco não gostava de admitir, mas ele estava gostando do novo clima.

Se não fosse por Voldemort, tudo seria perfeito do jeito que está. Mas Draco esperava encerrar logo esse capítulo obscuro de sua vida.

- Malfoy! – Draco ouviu alguém gritar seu nome da porta do dormitório.

Ele se levantou rapidamente, abriu as cortinas da cama e percebeu o quanto ela estava bagunçada pelo tanto que ele se remexeu.

- Malfoy! – A voz gritou novamente.

Dessa vez ele se incomodou em responder.

- O quer comigo? Achei que tinha avisado para ninguém me perturbar hoje. – Draco gritou com uma careta de irritação.

- É, mas você disse que se alguém, por um acaso o Potter viesse te chamar era pra avisar. – Draco reconheceu a voz no instante em que olhou Blaise nos olhos.

Enquanto Blaise falava, no momento em que Draco o ouviu dizer "Potter" sua expressão mudou.

- Har... Potter está aqui? Ok, eu vou falar com ele. Obrigado por avisar.

- Obrigado nada. Faça por merecer ou da próxima vez mando dizer que você disse pra ele ir se fuder.

- Diga isso e eu te dou um Avada Kedavra.

- Por que, Malfoy? Não quer que eu insulte seu namoradinho? – Zabini fez um biquinho quando pronunciou essa última palavra.

Draco ficou vermelho de raiva. "Ele é mesmo meu namorado, não que isso seja da sua conta!", foi o que ele não disse.

- Vai se fuder, Zabini! Vê se me deixa em paz.

- Nossa, eu deixei o Drakey irritadinho.

- Cala essa boca agora mesmo! – Draco disse enquanto saia do quarto e aproveitava para empurrar Blaise contra a parede. Não se virou para ele de novo, nem para ver o gesto obsceno que ele mesmo mostrava para o outro.

A sala estava muito cheia para um domingo, principalmente para um domingo tão próximo do natal.

Mas é claro. Nós não somos mais estudantes, agora somos prisioneiros.

Algumas pessoas tinham ouvido a briga entre Draco e Blaise, mas aquilo era mais do que comum entre Slytherins, então ninguém deu importância.

Quando Draco abriu a porta viu Harry cansado de esperar por ele. Draco bateu a porta atrás de si o mais forte e rápido que pôde.

Ele praticamente pulou em cima de Harry, dando-lhe um beijo super molhado na boca, fazendo com que ele se chocasse contra a parede. Harry se espantou, a não ser pelo primeiro beijo, todos os outros foi Harry quem iniciou.

- Draco, estava com saudades de mim? – Harry falou assim que recuperou o fôlego.

- Harry, cala a boca.

- Mas foi você quem me atacou! Não que eu esteja reclamando, a propósito.

- Sim, eu estava com saudades de você. Estava quase morrendo com a sua ausência. Satisfeito? – Draco falou em tom sarcástico, mas quis dizer cada palavra.

- Não. Só fico satisfeito se você me der mais beijos.

- Cala a boca. O que você veio fazer aqui, afinal?

- Bem, você sabe. Falar com você, te ver, essas coisas.

- Como veio até aqui?

- O Professor Lupin permitiu.

- O quê? Gryffindors. – Draco mexeu a cabeça para o lado como um pequeno gesto de desprezo. – Só isso?

- Praticamente, mas eu queria saber também sobre o Natal. Você vai pra sua casa, não é?

- Provavelmente. E você?

- Vou ficar. – Harry parecia triste tanto pela resposta de Draco quanto pela sua.

- E por que não vai ficar com os Weasleys?

- Não quero causar nenhum problema a eles. Ficar em Hogwarts é mais seguro.

- Bem... Se você quiser, eu posso levar você comigo.

Harry arregalou os olhos para a sugestão de Draco. Apesar do que quer que estivesse acontecendo entre Draco e Harry, os Malfoys ainda o odiavam. E além do mais seria horrivelmente constrangedor para Draco leva-lo para sua casa.

- Não. Eu não quero causar nenhum problema pra você. Eu vou sentir sua falta, mas posso esperar.

- Não seria um problema, aquela casa também é minha, eu não me importo com meus pais.

- Draco, seria uma grande confusão. Eu vou ficar bem aqui, ok?

- Se você diz.

Draco estava contando com essa resposta de Harry, se ele tivesse aceitado seu convite seria realmente um desastre. Já vai ser terrível ter que ficar com os Malfoys e falar sobre Voldemort. Seria ainda pior se eles tivessem mais um motivo para brigar com Draco.

- Você vai ficar o dia aqui? – Harry perguntou.

- O que mais eu posso fazer? Essa escola virou a droga de uma prisão. Eu já tenho que voltar Harry. Esses caras estão loucos para ferrar com a minha vida, já podem até ter chamado o Snape para me castigar.

- Se você tem que ir, eu não posso fazer nada. Te vejo amanhã.

Harry se virou para pegar o caminho de volta, mas Draco segurou seu braço.

- Eu disse que tenho que ir, mas não disse que você não poderia vim também.

- Você quer que eu entre ai? Está maluco?

- E a capa? Está com ela? – Harry disse que sim – Então use. Vamos logo, vou te mostrar o melhor dormitório de Hogwarts.

Harry hesitou por um segundo antes de puxar a capa, mas ele nunca negaria um pedido de Draco, então logo entrou.

A sala estava tão cheia de gente, que Harry ficou desconfortável. Draco foi à frente mostrando por onde Harry deveria passar e Harry estava com a mão no seu ombro, só para provar que estava mesmo ali.

Quando eles entraram no dormitório masculino, Draco fechou a porta e pronunciou algum feitiço que Harry não conseguiu ouvir, provavelmente algum feitiço silenciador ou de proteção.

Draco segurou Harry pela mão e caminhou alguns passos, depois retirou a capa de cima dele.

- Então, o que achou? – Draco perguntou enquanto sentava em sua cama bagunçada.

Harry olhou ao redor e percebeu o quão luxuoso era o local, tão diferente de seu próprio quarto. Era maior e visivelmente mais confortável.

- É perfeito. – Harry disse mesmo ainda preferindo seu próprio quarto.

- Eu sei. – Draco sorriu e abriu espaço para ele se sentar – Vamos, vem logo aqui.

Harry correu para a cama e sentou ao lado de Draco, sem ao menos pensar, eles já estavam se beijando.

Um segundo depois eles caíram de lado na cama, ainda sem largar os lábios do outro.

- É melhor fechar a cortina. – Harry falou usando o pouco de ar que lhe restava.

- Ninguém vai vim aqui, eu enfeiticei a porta.

- Tem certeza?

- Harry, você quer calar a boca?

Nem foi preciso dizer duas vezes, no momento seguinte Harry estava jogado sobre o corpo de Draco e eles rolavam na cama.

Eles ainda estavam com os lábios colados quando se deram conta que um garoto alto e gordo estava olhando para eles com um olhar espantado.

Draco empurrou Harry para o lado e se levantou de um pulo no mesmo instante em que Goyle abriu a boca.

- Goyle, calma. Não precisa fazer alvoroço por causa disso, ok?

Goyle tentava abrir a boca pra falar alguma coisa, mas o máximo que ele conseguiu foi produzir alguns ruídos estranhos.

- Draco, é melhor eu ir embora. – Harry falou com uma expressão metade espanto, metade tristeza.

- Não, você não vai a lugar nenhum. – Draco falou olhando para Harry e depois se virou em direção a Goyle. – E quanto a você, nem pense em falar uma palavra sobre isso com ninguém ou vai ter uma morte lenta e dolorosa. Entendeu bem?

- E-eu não vou dizer nada. Prometo. – Goyle finalmente conseguiu falar alguma coisa. – Mas... Bem, você se importa em me dizer o que está acontecendo? Você está namorando um Gryffindor? Não é contra as regras ou algo assim?

- Goyle, não se mete. Não é da sua conta o que acontece entre Harry e eu. Agora vaza daqui e lembre-se: Se abrir o bico, você já era. – Draco balançou o punho fechado de forma ameaçadora em direção a Goyle.

- Cara, já disse que não vou dizer nada. Só... Espero que você seja feliz. – Goyle falou sem nem mesmo olhar para algum ponto específico, deixando Draco boquiaberto, e saiu desesperadamente do quarto.

Draco observou-o ir embora, depois se virou para Harry que também estava de boca aberta. Estranhamente Harry caiu na gargalhada. Draco o encarou como se ele estivesse enlouquecido.

- Potter! Qual é a graça, seu idiota?

Harry tentou segurar a risada e tomar fôlego para falar.

- É só que... Ufa... Foi estranho ver o Goyle... Agindo dessa maneira... E sua cara também foi... Foi impagável...

Draco nem se deu ao trabalho de replicar o que Harry estava dizendo, ele tinha problemas maiores para pensar. Se por um acaso o idiota do Goyle abrisse o bico para qualquer pessoa que fosse, o assunto iria se espalhar e logo chegaria a seus pais – Eles o matariam – mas o pior é que, se chegasse aos ouvidos de seus pais, logo chegaria aos ouvidos do Lorde das Trevas e o que ele faria a Draco? Bem, digamos que nem as três maldições imperdoáveis juntas dariam conta do recado.

Harry percebeu que Draco não estava achando nada de engraçado no que acabara de acontecer, então finalmente conseguiu parar de rir e ficar com uma expressão séria.

- Draco, o que foi? Ei, não precisa se preocupar, aposto que ele não vai contar a ninguém. E mesmo se ele contasse a gente aguentaria a barra.

- Harry, você não entende. – Draco estava agora sentado de volta em sua cama, cobrindo o rosto com as mãos. – Pra você é tudo tão simples. Deve ser mesmo bom ser o escolhido, o-menino-que-sobreviveu. Mas pra mim não é nada assim. Se alguma pessoa descobrir que nós somos... Sei lá o que... A coisa pode ficar complicada, logo meus pais saberiam e o Lorde das Trevas... – Draco se interrompeu no momento em que esse nome saiu de sua boca. Se Harry pensasse por um momento que Draco estava trocando ele pelo Lorde das Trevas com certeza nada mais poderia ser tirado dessa relação.

Mesmo com a súbita interrupção, Harry havia ouvido o que Draco disse. Ele ponderou sobre o que falar em seguida, pois queria continuar com a mesma relação que tinha com Draco agora e, ao mesmo tempo, salvar Draco das mãos de Voldemort e dos próprios Malfoys, para que ele pudesse ser só de Harry e de mais ninguém.

- Draco, olha, eu sei que até agora nós não falamos sobre isso, mas acho que chegou a hora.

Draco olhou seriamente para ele pelos espaços entre seus dedos entreabertos.

- Você não precisa fazer qualquer coisa que seja só por que seus pais ou... Certo alguém quer. Você pode fazer o que quiser. – Harry apoiou uma mão no ombro de Draco.

Draco jogou a mão de Harry de lado e o encarou diretamente dessa vez.

- Eu acabei de dizer que não é assim tão fácil pra mim. Pra você talvez seja, quer dizer, pra você com certeza é, mas não pra mim. Se eu ao menos pensar em ir contra o que minha família quer, eu estaria acabado. Por favor, tente entender! Se eu quero fazer tudo o que eles me mandam? Não. Se eu concordo com a vida que eles levam? Se eu penso da mesma maneira que eles? Se eu pedi para seguir às mesmas regras que eles seguem? Não, não e não. Se eu ao menos tivesse escolha, eu juro, não seria nada assim. – Draco percebeu a cara de espanto de Harry, talvez por que o outro nunca pensou que ele fosse ser honesto com ele assim tão de repente. – Harry, por favor, você consegue entender? Eu não pedi pra que isso acontecesse comigo, mas eu tenho que fazer aquilo que me foi mandado. Pela minha própria vida e pela vida de meus pais.

- Draco, eu... – Harry procurava alguma coisa sensata para dizer, mas sua mente estava a mil por hora. – Eu não sei o que dizer.

- Eu entendo. Mas será que você poderia ao menos pensar em como é isso? Em como é estar na minha pele? – Draco estava assustadoramente calmo.

- Claro. Na verdade acho que já pensei, posso até ter uma solução.

- Harry, não é hora pra atos de heroísmo. Não há nada que você possa fazer no momento.

- Mas talvez possa haver algo que você possa. Talvez você pudesse não fazer o que eles querem. Contanto que você esteja em segurança e que Voldemort tenha certeza de que seus pais não sabiam de sua rebeldia, todos estariam a salvo.

- Você enlouqueceu? – Draco começava a perder a calma assustadora. – Você pode até ter lutado contra ele, mas saiba logo que ele não se engana facilmente.

- Mas nós não iriamos enganá-lo. Só precisaríamos que você ficasse a salvo. Aqui. Hogwarts é seguro o bastante. E precisaríamos que seus pais não soubessem sobre isso e que Voldemort fosse pegue de surpresa. A única coisa que você teria que fazer seria não fazer nada. Ficar aqui. Comigo. Sem preocupações. Tudo se resolveria.

- Não funcionaria. De alguma forma ele iria descobrir e eu seria morto ou coisa pior.

- Draco, pense sobre isso. Eu tenho certeza de que você conseguiria.

- Não dá. Eu iria correr muito perigo. Meus pais também. Eu não quero fazer aquilo que me foi designado, mas eu também não quero morrer.

- Eu não deixaria você morrer. Nunca vou deixar você ir embora, lembra?

Draco ficou vermelho e virou a cara.

- Pelo menos promete pensar sobre isso, por favor? – Harry insistia – Pense durante as férias de natal e quando voltar me dê uma resposta, tudo bem?

- Tá bom. Vou pensar sobre o assunto. Prometo. – Draco fez um gesto estranho que aparentemente bruxos faziam como forma de juramento. Não era um voto perpétuo, mas já servia.

- Agora que tal você relaxar? – Harry perguntou a ele e o puxou para mais perto.

- Potter, seu tarado! – Draco disse enquanto se esticava para beijar Harry.

XXXXXXXXXXXXX

No último dia de aula antes das férias de natal, Harry se sentia mais depressivo do que havia ficado há muito tempo.

O motivo era Draco. Por que agora eles finalmente estavam juntos e tinham a chance de serem felizes, mas mesmo assim ainda há coisas que podem atrapalhar, em sua maior parte era Voldemort. O desejo que Harry tinha era encontra-lo agora e mata-lo o mais rápido possível.

Se fosse assim tão fácil.

Mas Harry tentou deixar as preocupações de lado e se concentrar nas coisas boas.

Ele e Draco marcaram de se encontrar antes de Draco partir, para que eles pudessem se despedir e fazer outras coisas também.

Nesse momento Harry estava esperando por Draco no lado de fora do Grande Salão, enquanto o resto das pessoas terminava o jantar.

- Pssst, Harry.

Draco vinha se esgueirando ao encontro de Harry.

- Não precisa dessa cerimônia toda. Não tem ninguém aqui. – Harry falou sorrindo por ver Draco.

- Eu sei, mas é melhor prevenir. Vem logo aqui.

Draco puxou Harry até um canto na parede onde eles já haviam feito isso antes.

- Eu não queria que você fosse. – Harry disse antes de darem o primeiro beijo.

- Eu não queria ter que ir. – Draco disse antes do quinto.

- Então fique comigo. – Harry disse antes de deslizar a mão para o peitoral de Draco.

- Eu não tenho escolha. – Draco disse enquanto fazia o mesmo com Harry e lambia o lombo de sua orelha ao mesmo tempo. – Eu preciso te perguntar uma coisa antes de partir.

Draco havia pensado sobre isso durante um bom tempo e finalmente tomou coragem para dizer. Afinal, se ele havia sido quem tomou uma atitude e beijou Harry em primeiro lugar, então ele deveria ser a pessoa que diria ao outro que eles estavam prontos para o próximo passo.

- Pergunte qualquer coisa. – Harry falou suavemente deslizando os dedos nos mamilos de Draco.

- Como você definiria nossa relação? Quer dizer, o que nós somos um do outro?

- Bem, eu não tenho certeza...

- Nem eu. Mas eu quero ter. É por isso que eu quero te fazer essa pergunta. – Um medo estranho percorreu o corpo de Draco. – Será que você aceitaria...

A atenção deles foi tomada por uma confusão que surgiu de repente vinda do Grande Salão.

- Pergunte logo. As pessoas vão chegar. – Harry insistia.

- Não, deixa pra lá. Essa não é a hora certa de perguntar. Deixa pra depois.

- Você tem certeza?

Draco nem teve direito de resposta. No momento seguinte Ron e Hermione apareceram atrás de Harry.

- Você está ai! Por Merlin, Harry, não está vendo essa confusão? – Ron gritou e empurrou o amigo para dentro do Salão.

Harry tentou falar com Draco, mas a multidão de pessoas os separou.

- O que diabos está acontecendo? – Harry gritou por cima das vozes.

- É a Ginny! – Hermione tentou explicar o mais rápido que pôde. – Ela está querendo brigar com a Cho.

- Por que ela iria fazer isso?!

- Por sua causa, ora essa! – Ron gritou para ele.

Quando eles pararam de andar e se encontraram no centro da confusão, Harry percebeu que era realmente Ginny. Ela estava gritando e xingando. Quem estava a sua frente era Cho, a menina só estava tentando sair dali, mas Ginny a puxava de volta a cada passo que ela dava.

Harry tentou escutar o que elas estavam dizendo.

- Você é uma vagabunda! Sabe disso, não sabe? Uma vagabunda e uma vadia! – Ginny gritava tão alto que sua saliva voava longe.

- Por que você está falando isso, Ginny? Eu não entendo. – Cho estava assustada, encolhida e de cabeça baixa.

- Você roubou a pessoa que eu amo e ainda se faz se cínica! Saiba que ele não te ama, ok?

- Do que você está falando? Por favor. Não estou entendendo nada.

As pessoas ao redor tentavam alcançá-las, mas aparentemente havia um campo de força ao redor delas. Ginny estava com a varinha em punho, então ela provavelmente havia conjurado aquilo.

- Cala a boca, sua puta!

Ao lado de Harry, Ron estava tendo um ataque de nervos enquanto Hermione tentava acalmá-lo.

- Minha irmãzinha fazendo uma coisa dessas! – Ron gritava. – O que vai ser de mim agora Hermione?

- Ron, não é nada de mais. Ela só deve estar tendo um dia ruim. – Ela tentava acalmá-lo.

- Num dia ruim a gente chora e fica deprimido, Hermione. Pessoas normais não saem por ai xingando umas as outras!

Agora Ginny havia jogado a varinha no chão e dava saltinhos com os punhos levantados.

- O Harry não te ama, sua puta! Ele é meu e vai ser pra sempre meu e só meu!

- Ginny, isso é por causa do Harry? Eu já disse que não tenho nada com ele.

- Mentiras. Tudo o que sai da sua boca é mentira. Mas agora você vai ter o que merece. Veja qual é a vantagem de crescer com seis irmãos mais velhos.

Ginny esticou o braço e acertou um soco exatamente no nariz de Cho. O sangue sujou todo seu uniforme.

- Ginny, eu não quero brigar com você. Por favor, para com isso. – Cho estava chorando e segurando o nariz ensanguentado.

- Vá se fuder! – Ginny xingou o mais alto que pôde e deu mais um soco em Cho.

Dessa vez a garota conseguiu desviar e isso só fez Ginny se irritar ainda mais. Ela inferiu um chute no estômago de Cho, a menina caiu no chão e tentou se defender dos próximos golpes da melhor maneira possível. Ginny continuou batendo nela.

A multidão ao redor gritava. Alguns dizendo como as garotas deveriam lutar, os mais sensatos mandando Ginny parar de bater, e ainda haviam aqueles que queriam que elas tirassem a roupa e iniciassem um combate sensual. Mas nenhuma dessas pessoas gritava mais do que Ron.

O garoto estava a ponto de rasgar a garganta tão forte eram seus gritos. Ele dizia que Ginny havia enlouquecido e que a culpa era dele. Hermione o puxou e agora dava repetidos beijos por sua boca e pelo resto do rosto na tentativa de fazê-lo se calar.

Harry estava paralisado de espanto. Aquela cena era bizarra. Ginny estava brigando por ele. Oh, Merlin, por que isso agora?

Finalmente os professores conseguiram atravessar a multidão que antes os impediam de passar e agora estavam tirando Ginny de cima de uma Cho ensanguentada.

McGonagall estava muito irritada com Ginny e retirou 100 pontos de Gryffindor por cada golpe que ela deu contra Cho. Basicamente agora Gryffindor tinha pontos negativos. Ela levou Ginny para sua sala.

Dumbledore apenas permaneceu calmo e mandou levarem Cho para a enfermaria. Hermione aproveitou e pediu que levassem Ron também, ele agora estava desmaiado.

Harry só acordou de seu transe quando Draco lhe cutucou.

- Briguinha de garotas por você. Tá bem desejado, hein? – Draco disse por cima do barulho que ainda permanecia no Salão.

- É, acho que sim. – Harry disse sem graça.

- Saiba que eu não permitirei nada disso, ok? – Draco falou baixinho e próximo ao ouvido de Harry – Você é só meu. Não gosto de dividir as coisas com ninguém. Nem com Weasleys necessitados.

Harry riu e respondeu:

- Eu sou só seu. Não se preocupe. – Mas ele não falou baixo como o outro, o que lhe rendeu um soco no ombro. – Ai, por que fez isso?

- Não saia dizendo essas coisas em voz alta, seu louco!

XXXXXXXXXXXXXXX

Mais tarde, quando as pessoas já tinha se acalmado, era hora de partir. Aqueles que iam passar o natal fora tinham que levar suas malas para fora do castelo e esperar pelas carruagens para a estação.

Harry ajudou Hermione a levar seus tantos livros para lá. Também acompanhou Ron, mas apenas para lhe fazer companhia, pois seu malão ia quase vazio. "Minha mãe separa coisas pra eu usar nas férias", era a desculpa dele.

A não ser por Luna e Neville, todos os amigos de Harry iam para casa. Hermione ia passar o natal com Ron na toca, junto com todos os Weasleys.

- Tem certeza de que não quer ir com a gente? – Ron perguntou pela milésima vez. – Ainda dá tempo de arrumar a mala.

- Ron, eu não quero fazer vocês correr nenhum risco. Prefiro ficar aqui. – Harry respondeu também pela milésima vez.

- Eu entendo Harry, se cuida, ok? – Hermione foi a primeira a se despedir. Ela deu dois beijos em cada bochecha de Harry e um abraço.

- Tchau, cara. Desculpa de novo pela Ginny, não sei o que essa menina andou bebendo pra agir desse jeito. Queria que você estivesse indo com a gente. – Ele deu um abraço em Harry.

- Vai ficar tudo bem, fiquem tranquilos e boa viagem.

Eles partiram, junto com o restante dos alunos.

Harry sentiu a falta de Draco e seu coração deu um nó ao perceber que ele nem ao menos se despediu.

Quando a última carruagem estava pronta para partir, Filch levou o restante dos alunos que estavam ali só para acompanhar de volta ao castelo. Quando Harry se virou, deu de cara com uma pilha de bagagens e foi parar no chão.

- Não deixa partir sem mim! – Draco gritou por trás da pilha.

- Draco? Pensei que você já tivesse ido!

- Claro que não. Eu só tive dificuldades em trazer tudo isso sozinho.

- Você deveria ter pedido minha ajuda.

- Agora já é tarde.

- Graças a Merlin que você ainda não foi embora, pensei que tinha ido sem se despedir de mim.

- Eu nunca faria isso.

Filch interrompeu a conversa dos dois.

- Hum-hum, se ainda quiser ir, é agora ou nunca.

Harry se levantou e ajudou Draco a fazer o mesmo. Eles levantaram as bagagens até a carruagem.

Draco estava prestes a subir, mas tinha uma vontade enorme de ficar com Harry. Ele nem ao menos podia se despedir apropriadamente por causa das pessoas ao redor.

Harry se aproximou e passou os braços ao redor de Draco.

- O que está fazendo?! – Draco tentou se afastar.

- Não se preocupe, é só um abraço. Amigos também se abraçam.

Draco envolveu os braços ao redor de Harry e o segurou com a maior força que conseguiu.

- Não demore.

- Vou voltar o mais rápido que puder.

Eles se soltaram, mas ainda seguravam as mãos.

Draco reuniu forças e conseguiu soltar a mão de Harry. Ele subiu na carruagem, deu uma piscadela para Harry e partiu.

- Volte logo para mim, Draco. Já estou com saudades. – Harry disse para si mesmo enquanto observava aqueles cabelos loiros voarem cada vez para mais longe dele.

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Draco foi recebido com um abraço da mãe. Ela sorriu quando o filho entrou pela porta, mas Draco percebeu que ela estava desconfortável. Era estranho acima de tudo por que seus pais nunca vinham lhe receber na porta.

- A viagem foi agradável, filho? – Perguntou Narcisa tirando o casaco de Draco e entregando para um elfo doméstico guardar.

- Não foi nada de mais. – Draco respondeu enquanto acompanhava a mãe para dentro da mansão.

- Você deve estar com fome. Venha, vamos comer alguma coisa. Seu pai já está sentado à mesa. – Ela disse agradavelmente.

- Eu não estou com fome. Vou para meu quarto se tudo já estiver pronto. – Draco falou indiferente.

- Draco. – Ela disse seu nome severamente. – Você vai comer comigo e com seu pai. Agora. E todos nós vamos conversar como uma família de verdade. Vamos, me acompanhe.

Draco se surpreendeu com a mudança do tom de voz da mãe. Ele decidiu acompanhar a mulher para saber o motivo daquele estresse. O problema é que ele não queria conversar com seu pai.

Quando ele adentrou a sala de jantar, logo percebeu um olhar pesado sobre ele.

- Olá, pai.

- Sente-se logo, não perca tempo. – Lucius falou com a voz pesarosa de sempre.

Apesar de Lucius sempre ser assim, Draco percebeu que havia alguma coisa de diferente nele.

- Sim, pai. – Ele não ousava ir contra o pai.

Draco puxou a cadeira mais distante de Lucius, mas sua mão lhe impediu de sentar e Lucius estava indicando uma cadeira ao seu lado.

- O que está havendo? Por que vocês estão agindo estranho? – Ele perguntou assim que se sentou.

- Você sabe o que está havendo, não sabe? Ou será que se esqueceu? – Lucius falou cerrando os olhos para Draco.

- Eu não sei do que você está falando. – Draco temia o motivo de tal revolta. Será que descobriram sobre Harry?

- Por Merlin, Draco! Como pôde esquecer tão facilmente? – Lucius bateu com os punhos fechados sobre a mesa, fazendo com que os talheres fizessem barulho.

- Mas do que... – Draco foi interrompido.

- Lucius, se acalme. – Narcisa interferiu. – Não seja tão cruel com ele, você sabe pelo que ele está passando.

- Isso não é desculpa Narcisa. Ele tem responsabilidades. E ele deve cumpri-las. – Lucius se levantou e indicou o filho com a mão.

- Vocês podem me dizer do que diabos estão falando? – Draco elevou a voz para ser ouvido.

- Abaixe a voz para falar comigo! Mostre respeito dentro da minha casa! – Lucius gritou com Draco.

- Desculpe, pai. – Draco abaixou a cabeça – Mas eu só gostaria de saber do que vocês estão falando.

Lucius se sentou novamente e respirou fundo. Narcisa ficou de pé ao seu lado, com uma mão em seu ombro.

- Draco, querido. – Disse a mulher – Nós sabemos que você está sofrendo com a morte de sua amiga, mas você tem que se lembrar das coisas que você tem que fazer. O Lorde das Trevas não se importa com nada disso, ele apenas se importa com os resultados.

- Então é sobre isso que vocês estão falando? – Draco pareceu decepcionado – Eu estou trabalhando nisso, vai funcionar.

- Mas já deveria ter sido feito. O Lorde das Trevas quer resultados. – Lucius repetiu as palavras da mulher. – E ele os quer agora.

- Eu sei disso, pai. Estou fazendo o máximo que eu posso. Vocês não precisam se preocupar, eu já estou cuidando de tudo.

- Draco, nós confiamos em você. Mas meu filho, por favor, faça logo. – Narcisa falou.

- Tudo bem, mãe. Pode contar comigo.

- Olha aqui Draco, nós estamos dependendo de você. É melhor que cumpra exatamente como foi planejado. Não me desaponte. – Disse Lucius.

- Eu não vou. – Draco falou olhando diretamente para o pai. – É só isso, não é? Já posso ir pro meu quarto?

- Você não quer comer? – Narcisa tentou acalmar a todos.

- Não. – Lucius e Draco falaram ao mesmo tempo. – É melhor ele ir logo para a cama. – Completou o homem.

- Mas ele deveria comer...

- Não há necessidade, mãe. – Draco interrompeu. – Boa noite. – Ele completou se dirigindo apenas á mãe.

Draco deixou a sala de jantar e subiu rapidamente as escadas em direção a seu quarto. Ele estava com a cabeça doendo do diálogo que acabara de acontecer. Ao entrar no quarto fechou logo as cortinas, pois ele queria ficar sozinho na escuridão. Deitou-se na cama e jogou os sapatos para qualquer lado, nem se importou em vestir o pijama. Seu travesseiro era macio e fez com que ele se acalmasse um pouco, mas não foi suficiente para tirar o sentimento ruim que o abitava no momento.

Tudo o que mais queria agora era acabar com isso, ou seguir com o plano do Lorde das Trevas, ou seguir com o plano de Harry.

Foi com essa dúvida e com lágrimas nos olhos que ele adormeceu.

XXXXXXXXXXXX

O dia seguinte foi um tédio. Harry não tinha nada para fazer, passou o dia zanzando pelos lugares que lhe era permitido ir, o que não eram muitos.

Ele imaginava como Draco se sentia agora, já que, agora Harry sabia, ele não se dava nada bem com os pais. Draco não concordava com o comportamento de seus pais, ele talvez não tivesse vontade de ir para casa não só por causa de Harry, mas por eles também.

Mas de alguma forma Harry esperava que ele estivesse se divertindo, pois pensar no sofrimento de Draco era pior do que sua própria dor.

Harry pensou que mandar uma carta para Draco fosse uma boa ideia, mas ele percebeu que seria muito suspeito se Draco Malfoy fosse pegue recebendo correspondência de Harry Potter, então ele decidiu escrever para Ron e Hermione e outra para Draco, mas ele não enviaria essa última.

Harry escreveu uma carta só para o casal. Era simples, só perguntava se eles estavam se divertindo e como a família Weasley estava. Também perguntava sobre Ginny e se ela estava bem depois do ocorrido.

Ele a endereçou e amarrou na pata de Edwiges, depois de ter enviado a coruja, Harry voltou para escrever a carta de Draco.

Essa foi bem mais complicada. Com a certeza de que Draco nunca leria, Harry fez uma escrita muito sentimental e melosa, falando de como ele estava sentindo falta de Draco e de como ele o amava, apesar de Harry nunca ter dito para ele.

Quando Harry terminou de escrever, o primeiro pensamento que teve foi queimá-la, tamanha era a vergonha que ele sentia de si mesmo após lê-la. Mas ele a guardou, por que aquilo de alguma forma servia para aproxima-lo de Draco.

XXXXXXXXXXXXX

Draco acordou em sua cama confortável, ainda completamente vestido. Ele cuidou logo de melhorar sua aparência, afinal nenhum Malfoy poderia ser visto daquela maneira.

Tomou um banho demorado, tentando gastar tempo para não se encontrar com seu pai na hora do café da manhã. De qualquer forma, ele ainda encontrou com Lucius, quando ele já estava saindo para o trabalho.

- Draco, você pensou sobre a nossa conversa? – Lucius disse secamente enquanto vestia o casaco para sair.

- Sim, pai. – Draco respondeu sem olhar nos olhos do homem.

- Excelente. Sua mãe quer que todos nós jantemos juntos hoje, então esteja pronto quando eu voltar.

- Sim, pai. – Essa parecia ser a única coisa que Draco tinha a dizer ao pai.

Lucius saiu pela porta sem se despedir.

Draco seguiu para a cozinha e encontrou a mãe sentada á mesa, ainda tomando café.

- Draco, querido. – Ela sorriu para ele. – Sente-se comigo.

- Obrigado mãe, mas eu só vim pegar alguma coisa para comer, já vou voltar para o meu quarto.

- Não, não, não. Você vai se sentar comigo e vai me dizer como você está. – Ela se levantou e sentou Draco a força.

- Tá bom, você venceu. – Ele se serviu com ovos e bacon.

- Ótimo. Agora me fale de você. Como vai a escola? Faz tempo que não responde às nossas correspondências.

- Você quer dizer suas correspondências. Meu pai não me escreve, você é a única que faz isso. – Diferente da maneira que Draco tratava o pai, com a mãe ele era muito grosseiro às vezes.

- Você sabe que seu pai é ocupado. Não pense nele dessa maneira. Sei que ele não é de demonstrar sentimentos, mas ele te ama, meu filho.

- Não parece. – Draco jogou o garfo de lado, perdendo o apetite. – Mas respondendo a sua pergunta, a escola vai ótima. Apenas um pequeno fato ruim. Sabe aquela garota que vivia ao meu lado? Aquela irritante? Pois é, ela foi assassinada. – Draco falou friamente. Narcisa o encarava sem saber o que dizer. – Mas não, não precisa se preocupar mãe, eu estava lá quando aconteceu. Vi tudo. E adivinha quem foram os assassinos? Exatamente. Os homens que trabalham para a mesma pessoa que vocês, ou melhor, nós. E que por acaso também recebiam apoio da menina que eles mesmos mataram. E como Hogwarts reagiu? Ah, de forma excelente. Agora tudo é proibido, ninguém pode fazer nada, nem andar pelo corredor é possível. Os alunos não poderiam estar mais felizes. Aposto que o Lorde das Trevas está satisfeito...

- Já chega! – Narcisa gritou e se levantou de um pulo. – Pare com isso agora mesmo!

- Ué, por quê? Você não gosta de ouvir a verdade? Do que adianta fingir se é isso mesmo que está acontecendo? – Draco não elevou a voz, permaneceu frio.

- Você sabe que não deve sair falando essas coisas! – Ela ainda gritava. – Não é isso que você quer, mas também não era isso o que eu queria. Nós não podemos fazer nada além de aceitar! Tudo isso vai melhorar. O Lorde das Trevas vai resolver tudo. Sinto muito por Parkinson, mas imprevistos acontecem no caminho.

- Ela é só isso pra você? Um imprevisto? Merda, mãe! Por que você não consegue ao menos perceber a burrice que está fazendo seguindo este homem? Voldemort não quer o bem de ninguém além dele próprio! – Draco surpreendeu até a si mesmo pronunciando aquele nome. – Você só pode ser muito burra pra pensar que tudo vai ficar bem, por que não vai!

- Draco, se acalme. Eu sei que ele não é a melhor pessoa no mundo, mas nós estamos nas mãos dele. E não diga esse nome nessa casa!

- Quer dizer que nós temos que fazer absolutamente tudo o que ele manda, mas nem pronunciar seu nome é permitido? – Draco riu para si mesmo – Mãe, agora só me responda uma coisa: Se é tão urgente que eu produza "resultados" por que diabos ele já teve resultados sem minha ajuda? Que porra aqueles comensais estavam fazendo em Hogwarts na noite em que mataram Pansy?

- E-eu não sei. – Narcisa abaixou a cabeça e se sentou novamente, desistindo de brigar com o filho.

- Surpreendente seria se você soubesse. – Draco se levantou e caminhou para longe da mãe. – Pode comer sozinha, perdi a fome.

XXXXXXXXXXXX

Harry comia na mesa de Gryffindor acompanhado apenas de Neville. O Grande Salão estava cheio de decorações natalinas. Harry não se sentia bem com aquilo. Natal para ele significava reunião familiar, estar com as pessoas que você ama. Mas ao contrário disso, ele estava ali sozinho, longe de todos os seus amigos, e o pior, longe de Draco.

Luna, que também tinha ficado, pareceu perceber sua agonia e se juntou a eles na mesa. Agora já tinha virado um hábito, ela comia naquela mesa praticamente todos os dias.

- Harry, por que tão triste? – Ela perguntou sentando entre Harry e Neville.

- Acho que você sabe melhor do que ninguém. – Harry respondeu.

- É, Luna. Você sabe muito bem. – Neville se intrometeu.

- Harry, você contou a ele? – Ela se espantou.

- O que? Claro que não. Ninguém deve saber.

- Saber do que? Vocês estão falando sobre o Harry sozinho sem Ron e Hermione, não é?

- Claro, Neville. Claro. – Luna logo entendeu e colocou uma mão no ombro de Neville para fazê-lo esquecer sobre aquilo. De qualquer forma, ele ficou tão vermelho com aquele ato que nem tocou mais no assunto.

- Não fique assim, Harry. – Luna continuou. – "Eles" – Ela fez um gesto de aspas com os dedos logo os colocando de volta em Neville – Vão voltar logo.

- Eu sei Luna. Obrigado. De verdade, obrigado por tudo. Você é a melhor amiga que alguém poderia querer. – Harry sorriu de verdade para ela. Esse poderia nem ser um Natal tão ruim assim, pois Luna estava lá e Harry percebeu que ele sentia amor por ela. Um amor da forma mais sincera possível, ela realmente era uma excelente amiga. – Nunca poderei pagar tudo o que você fez por mim.

Luna soltou algo como uma risada. Harry franziu o cenho.

- O que foi? Eu estou falando sério!

- Eu sei. – Ela parou de rir. – Mas não precisa me agradecer, eu fiz tudo isso por que eu gosto de você. Você é meu melhor amigo. – Luna continuava sem nenhum constrangimento enquanto Harry ficava mais vermelho que um pimentão. – Eu amo você, Harry.

Ela tirou a mão que estava sobre o ombro de Neville e se esticou para beijar a bochecha de Harry.

Ele aceitou o beijou e a beijou de volta, de uma maneira muito desastrada.

- Eu também amo você. – Harry respondeu, por que era verdade e por que ele entendia a que tipo de amor ela se referia.

Neville caiu para trás quando viu e ouviu o que estava acontecendo.

Enquanto Harry ajudava Luna a levantar Neville, ele percebeu o porquê de Neville agir mais estranho do que o normal às vezes. E essa razão era Luna. E se a garota tinha sido a principal responsável pela junção de Draco e Harry, nada melhor do que retribuir o favor.

- Luna, lembra aquele dia em que você falou pra mim que percebia como eu e Draco nos olhávamos? – Ele falou ao ouvido dela enquanto Neville se recuperava.

- Claro que sim. Não tem como esquecer.

- Pois é. Acho que agora é você quem vem trocando olhares com alguém. Pelo menos eu tenho certeza que você está os recebendo.

- O que? Você deve estar enganado. As pessoas não gostam de mim, não que eu tenha problemas com isso. – Ela disse isso sem nem parecer triste – Mas eu acho difícil alguém estar olhando pra mim da maneira que vocês se olham.

- Eu acho que você só não está olhando para o lugar certo. Às vezes o que nos espera está bem ao lado e nós não conseguimos perceber. – Harry indicou Neville com os olhos e Luna teve um choque imaginário, como se um novo mundo estivesse acabado de ser criado na sua frente.

- Você acha que... – Ela estava de olhos arregalados. – O Neville?

Harry acenou que sim.

- Vamos, não perca tempo, explique a ele que nós não acabamos de fazer juras de amor, que somos apenas amigos.

- Você tem certeza?

- Absoluta. Eu vou deixa-los sozinhos agora. Ah, e Luna, se precisar leva-lo até a floresta proibida, minha capa está totalmente disponível.

Ela sorriu para ele enquanto Harry voltava para a solidão de seu quarto.

XXXXXXXXXXXX

Draco subiu para o quarto e se trancou lá o dia inteiro.

Ele ligou um aparelho trouxa que havia ganhado de aniversário de uma prima distante e que havia escondido dos pais. Era um tipo de receptor, onde ele podia ouvir notícias e músicas trouxas e que também servia para comunicação entre eles, jogos e outras coisas que Draco não entendia, mas ele não sabia como usar.

Durante todo o dia ele escutava canções ruins e melosas de amor que não faziam sentido, mas aquilo fez com que ele pensasse em Harry e seu coração apertou quando percebeu a falta que o moreno fazia.

Uma canção em específica não era tão mal. Na verdade não era ruim de maneira alguma, era perfeita. Principalmente por que ela praticamente descrevia Draco e sua relação com Harry. Era exatamente o que ele sentia, ele se identificou tanto com ela que seus olhos se encheram de lágrimas.

Ele estava esperando a música terminar para ter alguma informação sobre ela, o nome da música ou pelo menos o da banda, mas sua mãe invadiu o quarto sem mais nem menos e ele teve que desligar.

- Mãe! Você poderia ao menos bater? – Ele gritou enquanto tentava esconder o aparelho embaixo do travesseiro.

- Draco! Você ainda não está pronto? Seu pai não lhe avisou sobre o jantar? – Ela parecia um pouco aflita.

- Avisou, mas ainda tenho bastante tempo.

- É claro que não. Já está quase na hora de seu pai chegar. Meu filho se apronte logo!

Draco havia perdido a noção do tempo e nem percebeu que já estava escurecendo.

- Oh, Merlin. Está bem, mãe. Fico pronto em um segundo. – Ele expulsou a mãe do quarto e tentou se aprontar o mais rápido possível.

Ele vestiu um terno branco que já havia esquecido que existia, mas que servia perfeitamente nele. Escovou os cabelos e passou perfume. Sua mãe lhe esperava no fim das escadas, ela estava vestindo um vestido azul, com uma abertura lateral que deixava sua perna a mostra. E seu cabelo estava amarrado em um coque elegante, com cachos caídos de lado.

Pra que tudo isso? Será apenas um jantar entre nós três.

Mas Narcisa era vaidosa. Ela gostava de se vestir bem, mesmo que não tivesse importância.

- Faz tanto tempo que você não usa essa roupa. Fica tão bonita em você. Sua mãe tem bom gosto. – Ela disse e Draco se lembrou de que ela havia sido a pessoa que lhe deu aquela roupa.

- Sim, mãe, foi uma bela escolha. – Draco estava indo se sentar em uma das poltronas para esperar pelo pai.

Narcisa se sentou na poltrona ao seu lado e o encarou.

- O que foi? – Ele estranhou o comportamento da mãe.

- Draco, antes de seu pai chegar, eu queria lhe pedir para deixar aquele tal assunto de lado por um tempo, pelo menos no jantar. Você poderia fazer isso?

- Você quer que eu evite falar naquilo que o pai quer mais falar? Bom, isso vai ser um pouquinho complicado.

- Por favor, Draco. Eu só quero que nós tenhamos um jantar juntos, como uma família. Seria uma pena se isso fosse arruinado.

Draco revirou os olhos.

- Meu filho, por favor. Eu lhe peço desculpas pelo que eu falei hoje cedo. Eu estava sendo burra em confiar nele. Eu só farei o necessário e o indispensável para a nossa segurança de agora em diante, certo? E farei o possível para seu pai fazer o mesmo. Você tinha razão, ok? Você estava com a razão o tempo todo.

- Tem certeza, mãe? Você não está apenas mentindo?

- Draco, por Merlin, eu sou sua mãe. Não tenho motivos para mentir pra você.

Quando ela encerrou a frase, eles puderam ver um elfo doméstico ir atender à porta. Lucius estava entrando pelo Hall.

- Tudo bem, mãe. Farei o que você quer. – Draco disse antes de Lucius chegar até eles.

Narcisa só teve tempo para sussurrar um "Obrigado" antes de ir até o marido.

- Querido, como foi o trabalho? – Ela perguntou ao dar um beijinho de boas vindas nele.

- Apenas cansativo. – Ele não retribuiu o carinho da mulher. – O jantar está pronto?

- Sim, vou mandar servir. Vamos Draco.

Draco acompanhou a mãe depois de cumprimentar o pai com "Boa noite, Senhor", por que era com formalidades que Lucius queria ser tratado pelo filho.

Eles todos se sentaram à mesa e o jantar foi servido. Apesar de Draco não ter comido nada o dia todo, ele ainda não tinha fome. As palavras trocadas por eles foram poucas.

- Draco, você não está comendo nada. – Narcisa tentava a cada minuto iniciar uma conversa, mas suas tentativas eram em vão.

- Não estou com muita fome, mãe.

- Coma sua comida. – Lucius falou para ele.

Draco se forçou a comer, apenas para evitar uma briga do pai.

Narcisa já tinha praticamente esgotado suas alternativas de inicios de conversas, mas ainda continuou tentando.

- Draco, você tem andado tão distante ultimamente. Como se estivesse nas nuvens ou algo assim. – Ela tentou novamente.

- Desculpe, mãe, mas não sei do que a senhora está falando.

- Mas é verdade. Não acha, Lucius? Draco não anda muito aéreo ultimamente?

- Sim, eu concordo com sua mãe. Qual é seu motivo? Você não pode ter distrações no momento, Draco.

- Não há nada acontecendo. A não ser pelo fato da minha melhor amiga estar morta... – Draco se interrompeu quando Narcisa tossiu disfarçadamente para que ele parasse. – Não há nada acontecendo.

- Bom. Assim você pode manter o foco no seu dever. – Lucius completou.

- Eu não sei, ainda acho que há alguma coisa diferente em você. – Ela insistia. – Não seria uma garota, seria? Draco, você está apaixonado, não é? – Narcisa deu um sorriso.

- Não! – Ele quis permanecer calmo, mas sua voz o traiu. – Não. Não é uma garota e eu não estou apaixonado.

Na verdade era um garoto e sim, Draco estava apaixonado. Ele começava a suar.

- Draco, não há problema em estar apaixonado. Você pode admitir. – Narcisa o incentivava, o que só o fazia suar mais.

- Ela tem sangue-puro? Vem de uma família nobre? – Lucius perguntou.

- Bem... Acho que sim. – Draco cedeu e respondeu. O que não era totalmente mentira.

- Se ela tiver sangue-puro, então tudo bem. Ela é uma Slytherin, certo? – Lucius perguntava ainda mais.

- N-não. – De alguma forma Draco sentiu alguma coragem para dizer a verdade.

- Então Ravenclaw? – Narcisa perguntava e Draco balançava a cabeça. – Hufflepuff? Também não? Então ela estuda em qual escola?

- Em Hogwarts. Da casa Gryffindor. – Draco engoliu em seco quando pronunciou essas palavras.

- O que? Como você pode estar apaixonado por uma Gryffindor? – Lucius já começava a gritar. – Esta ficando louco?

- Não, Senhor. Eu apenas me apaixonei. Nós não escolhemos a pessoa por quem nos apaixonamos.

- Você nunca poderá se envolver com ela. Está me ouvindo? Pare antes mesmo de começar. – Lucius estava vermelho de raiva.

- Bem... – Draco ainda tinha alguma coragem restando.

- Quer dizer que você já se envolveu com ela? Pelas Barbas de Merlin! – Lucius pirava ainda mais. Ele se levantou e começou a ziguezaguear a sala de jantar.

- Draco! – Narcisa também estava muito nervosa. – Você não deveria. Você já fez alguma coisa com ela? Por Merlin, me diga que não.

- Com ele, mãe. E sim, nós já nos beijamos várias vezes.

Lucius teve um mini ataque cardíaco quando Draco falou aquilo. Narcisa teve que segurá-lo para ele não cair para trás. Quando conseguiu se controlar, a raiva que tinha de Draco era a maior que sentia em sua vida.

- Draco. – Ele tentava se acalmar para ao menos se fazer entender, se sentou de volta na cadeira. – Diga-me que eu ouvi errado. Diga-me que você não falou que é "ele". E me diga agora mesmo.

- Desculpe, senhor, mas não posso fazer isso. Não posso mentir.

- Draco! Por que você faria uma coisa dessas? – Narcisa estava desesperada.

Lucius se levantou lentamente e foi até o lado de seu filho.

- Quem é ele? Quem é esse maldito Gryffindor responsável pela destruição da nossa família? – Lucius perguntou calmamente.

- Harry Potter.

Assim que Draco terminou de pronunciar aquelas palavras, só conseguiu sentir uma dor aguda na bochecha esquerda do rosto. A mão de Lucius tinha acabado de lhe esbofetear.

- Lucius, não faça isso! Ele é seu filho! – Narcisa tentava impedir.

- Eu não criei um filho para isso! – Lucius tinha abandonado totalmente o tom calmo. – Meu filho não se envolveria com um Gryffindor. Meu filho não se envolveria com o maior inimigo do Lorde das Trevas. E acima de tudo, meu filho não se envolveria com outro homem! Você pode ir se fuder, Draco! Foda-se você! Foda-se Harry Potter! De todas as pessoas do mundo e você escolheu logo esse maldito!– Cada frase que ele terminava era uma tapa ou um soco que ele dava em Draco.

- Pare com isso! Lucius! Pare já com isso! VOCÊ VAI MATAR SEU PRÓPRIO FILHO!

- EU JÁ DISSE QUE ELE NÃO É MEU FILHO! – Lucius gritou e empurrou Narcisa com força, que caiu sentada. – Pelo menos não mais.

Draco permaneceu o tempo todo calado, apenas recebendo as tapas, sem ao menos se mexer.

- Já terminou, Senhor? – Draco perguntou calmamente, limpando o sangue que descia pelo seu nariz.

- É CLARO QUE NÃO! Cale a boca e escute o que eu tenho a dizer, seu idiota. Você não é mais meu filho. Meu filho está morto para mim. Eu não faço ideia de quem você seja, mas não é a porra de um Malfoy. Você vai cumprir as ordens que o Lorde das Trevas lhe deu e vai sumir da minha vida. Desaparecer. Não quero ter nenhuma notícia sua depois de cumprir seu dever. Entendido? Nada que pertence aos Malfoys é seu agora. Você não terá mais herança, não terá mais nome e não terá mais pais. Entendido?

- Sim, Senhor.

- Pela manhã, você vai pegar o trem e vai embora desta casa. Entendido?

- Sim, Senhor.

- E só para deixar claro, eu só não vou te matar, por que você poderá ser útil para o Lorde das Trevas. Do contrário você já estaria morto. Quanto a Harry Potter, não se preocupe, se o Lorde das Trevas não o matar, eu faço o serviço.

Narcisa chorava desesperadamente no chão, no lugar em que Lucius a havia jogado. Ela olhava para Draco.

- Agora você terminou? – Draco finalmente levantou os olhos e encarou o pai.

- Terminei. Agora saia daqui, pegue suas porcarias e leve-as para longe de mim. Fique aqui até o amanhecer, se quiser. Mas quando eu acordar, se eu vir sua cara por aqui, você será um homem morto. Não um homem, por que ninguém mais pode te chamar assim.

- Já que terminou, eu tenho minha chance de falar. – Lucius deu mais um soco em Draco quando ele se levantou, mas isso não o impediu de continuar. – Eu não me importo de você ter tirado meu nome e minha herança, muito menos meus pais. Essas nunca foram coisas importantes para mim. E se você quiser me matar, por favor, sinta-se a vontade. É só que eu duvido você conseguir. – Mais um soco foi dado. Narcisa gritou mais uma vez, ainda no chão. Draco só conseguia pensar que graças a Merlin Lucius não estava com sua varinha. – E eu vou embora daqui por minha própria vontade, não por que você está me expulsando, isso é o que eu quero fazer desde quando cheguei aqui, não será um problema. Xingue-me de todos os nomes que conseguir pensar. Bata em mim até cansar. Faça o que quiser. Mas da próxima vez que disser qualquer coisa sobre Harry, você não terá tempo nem de dar um último suspiro. Entendido? – Draco usou o mesmo tom de voz que o pai. – E quer saber, não se preocupe. Voldemort ficará feliz quando eu cumprir minhas obrigações. Eu não sou estúpido de abandonar meus deveres. Mas não acho que ele vai gostar quando você disser que seu próprio filho virou gay pelo seu maior inimigo.

Draco começou a se afastar deixando Lucius sem reação.

- Ah, e Lucius, espero que você o pegue em um bom dia quando resolver contar. Boa sorte com isso.

- Quer saber? Eu retiro o que eu disse. Depois eu explico ao Lorde das Trevas, ele vai entender. Eu vou te matar agora mesmo.

Draco deu um sorriso ensanguentado antes de fechar os olhos na certeza de que seu pai iria lhe bater de novo.

Para sua surpresa isso não aconteceu e quando ele abriu os olhos, viu Narcisa de pé, apontando sua varinha para Lucius.

- Corra, Draco. Vá logo embora, eu não posso segurá-lo por muito tempo. – Narcisa falou e Draco percebeu que seu pai estava petrificado a sua frente.

- Mas e você...?

- Eu ficarei bem, meu filho. – Ela disse carinhosamente essa última parte. – O importante é que você fique a salvo. Pegue sua vassoura e voe para Hogwarts. Lá será seguro. Não deixe de cumprir o plano do Lorde das Trevas. E não se preocupe, duvido que seu pai vá contar.

Draco deu um último olhar para a mãe e fez o que ela disse. Correu para seu quarto, pegou a varinha e reuniu a maior quantidade de objetos possíveis dentro da mala, ele até fez um feitiço de expansão, mas não couberam tantas coisas assim. Antes de sair, ele enfiou o aparelho trouxa no bolso e correu escadaria abaixo.

Quando chegou a porta da mansão, ergueu a varinha e disse "Accio Nimbus" e no próximo instante lá estava sua vassoura. Ele a agarrou e sentou nela, deu uma última olhada na casa e encontrou sua mãe.

- Filho, antes de ir, eu preciso saber. – Ela correu desesperada a seu encontro e o abraçou apertado.

- Mãe, ele não vai se soltar?

- Não por um tempo. Agora me diga: Você o ama? Você ama Harry Potter? – Ela ainda tinha os braços ao redor de seu corpo, mas agora olhava em seus olhos.

- Eu ainda não sei a resposta dessa pergunta.

- É claro que você sabe. Nós sempre sabemos quem amamos. Por favor, Draco, me diga a verdade. Você o ama?

- Sim, mãe. Eu o amo. Mais do que eu pensei que seria possível.

- Ótimo. Isso é maravilhoso, por que se você o ama, ele vale a pena. Agora você tem que ir. Vá e se mantenha a salvo. Eu te amo, meu filho. Nunca se esqueça disso. – Ela o beijou na bochecha, o abraçou e deu um empurrão para que ele partisse logo, em seguida voltou para casa para encarrar o marido.

No caminho, as lágrimas de Draco ardiam ao tocarem seus machucados. Ele sentia como se sua mente fosse uma mistura de todos os pensamentos existentes. Seu mundo girava. Ele teve de se concentrar em uma só coisa para não enlouquecer. O que fazia mais sentido em sua mente era a música trouxa que ele havia escutado mais cedo. Ele focou nela.

Take me out tonight

(Me leve pra sair esta noite)

Where there's music and there's people

(Onde há música e pessoas)

Who are young and alive

(Que são jovens e estão vivas)

Driving in your car

(Dirigindo no seu carro)

I never never want to go home

(Eu nunca, nunca quero ir pra casa)

Because I haven't got one anymore

(Por que eu não tenho mais uma)

Take me out tonight

(Me leve pra sair esta noite)

Because I want to see people

(Por que eu quero ver pessoas)

And I want to see lights

(E eu quero ver luzes)

Driving in your car

(Dirigindo no seu carro)

Oh, please don't drop me home

(Oh, por favor, não me deixe em casa)

Because it's not my home it's their home

(Por que não é minha casa, é a casa deles)

And I'm welcome no more

(E eu não sou mais bem-vindo)

Harry. Ele deveria se concentrar em Harry se quisesse continuar. Em Harry e na música, que juntos eram a descrição resumida da vida de Draco.

And if a double-decker bus

(E se um ônibus de dois andares)

Crashes into us

(Colidisse contra nós)

To die by your side

(Morrer ao seu lado)

It's such a heavenly way to die

(É um jeito tão divino de morrer)

And if a ten-ton truck

(E se um caminhão de duas toneladas)

Kills the both of us

(Matasse a nós dois)

To die by your side

(Morrer ao seu lado)

Well, the pleasure and the privilege is mine

(Bem, o prazer e o privilégio são meus)

Se Harry estivesse ali ao seu lado, ele realmente não se importaria em morrer com ele, mas ele estava sozinho e deveria continuar o caminho para chegar a quem ele mais deseja.

Take me out tonight

(Me leve pra sair esta noite)

Oh, take me anywhere

(Oh, me leve a qualquer lugar)

I don't care I don't care I don't care

(Eu não me importo, eu não me importo, eu não me importo)

And in the darkened underpass

(E na passagem subterrânea obscura)

I though "Oh God my chance has coming at last"

(Eu pensei "Oh Deus, minha chance finalmente chegou")

But then a strange fear gripped me

(Mas então um medo estranho me atingiu)

And I just count ask

(E eu simplesmente não pude pedir)

Take me out tonight

(Me leve pra sair esta noite)

Oh, take me anywhere

(Oh, me leve pra qualquer lugar)

I don't care, I don't care, I don't care

(Eu não me importo, eu não me importo, eu não me importo)

Just driving in your car

(Apenas dirigindo no seu carro)

Oh, please don't drop me home

(Oh, por favor, não me deixe em casa)

Because I haven't got one

(Por que eu não tenho uma)

Oh, no I haven't got one

(Oh, não, eu não tenho uma)

Ele tinha achado a música tão perfeita antes, mas agora se encaixava melhor ainda, por que ele não tinha mais para onde ir e o que ele mais queria era que Harry o tirasse dali.

And if a double-decker bus

(E se um ônibus de dois andares)

Crash into us

(Colidir contra nós)

To die by your side

(Morrer ao seu lado)

It's such a heavenly way to die

(É um jeito tão divino de morrer)

And if a ten-ton truck

(E se um caminhão de duas toneladas)

Kills the both of us

(Matasse a nós dois)

To die by your side

(Morrer ao seu lado)

Well, the pleasure and privilege is mine

(Bem, o prazer e o privilégio são meus)

Draco riu da ironia, enquanto sentia o sangue escorrer, a altitude diminuir e o corpo se chocar contra o chão. A música falava sobre morrer ao lado de alguém, mas ali estava ele, caído sabe-se lá onde. Ele iria morrer sozinho, no escuro, sem ninguém. Harry nunca saberia que ele o amava.

There is a light that never goes out...

(Há uma luz que nunca se apaga...)

There is a light that never goes out...

(Há uma luz que nunca se apaga...)

There is a light that never goes out...

(Há uma luz que nunca se apaga...)

There is a light that never goes out...

(Há uma luz que nunca se apaga...)