Draco nunca sentiu tanto frio em sua vida. O primeiro pensamento que teve foi: "Morrer é assim?"

Pensamento que só fez aumentar quando percebeu a luz forte que emanava sobre ele.

Quando tentou se levantar, foi atingido por uma enorme dor de cabeça, imediatamente repousou de volta. O encosto era incrivelmente macio, o que o fez descartar a possibilidade de ainda estar estirado em algum gramado.

Sua consciência ia e vinha, cada vez ficando na escuridão por mais tempo.

Quando finalmente conseguiu abrir os olhos, percebeu que a luz acima dele era nada além de uma janela. Ele estava deitado em uma cama, com cobertas até os ombros. Ao seu redor o quarto era simples, com apenas uma cama, um criado mudo e alguns armários, mas tudo parecia muito vazio.

Ao fazer a segunda tentativa de se levantar, derrubou um copo com água que estava no criado mudo ao lado da cama. O barulho atraiu uma mulher que pareceu familiar a Draco.

Ela tinha uma pele quase morena, cabelos negros compridos – que balançavam livremente como uma cortina ao vento enquanto ela andava –, olhos que Draco não conseguiu dizer se eram verdes ou azuis e usava um vestido escuro que aparentava ser velho. Ela não tinha mais que vinte anos.

Quando ela entrou no quarto e sentou-se ao seu lado na cama, Draco a reconheceu. Ela era aquela garçonete com quem ele havia flertado em troca de fire whisky, no Três-Vassouras, na primeira vez que passou a viagem a Hogsmeade ao lado de Harry.

- Tia Helen! – A menina gritou para fora do quarto – Ele está acordado!

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Fazia quatro dias que Draco havia partido – Daqui a dois seria o Natal. Harry agora encarava um amontoado de cartas, todas com algo em comum: eram endereçadas a Draco Malfoy.

Escrever cartas para Draco tinha se tornado algo vicioso. Já que Harry não poderia contar com sua presença durante um bom tempo, escrever foi a única maneira de manter um elo entre eles.

Mas agora ele não fazia nada além de dormir e escrever, nem comer ele conseguia. Então percebeu que deveria mudar de hábitos, do contrario não sobraria nem um pouco dele quando Draco voltasse.

Enfiou todas as cartas dentro da mala e desceu para a sala comunal. Encontrou Neville sentado ao lado de alguma cabeleira loira, depois de se aproximar Harry percebeu se tratar de Luna.

- Bom dia, pessoal. – Ele disse com um sorriso meio forçado para os dois.

- Harry! – Luna pulou em cima dele. – Que bom te ver, estava precisando falar com você.

- Bom dia, Harry. – Neville se inclinou para que Harry o visse.

Luna o puxou para um canto e sussurrou para ele.

- Harry, eu preciso de ajuda. – Ela disse sem rodeios. – É sobre o Neville.

- Claro Luna, qualquer coisa. Vocês finalmente se acertaram?

- Ah, quem me dera. Harry, eu acredito no que você falou no outro dia. Que o Neville gosta de mim, eu quero dizer. Mas o problema é que ele tem muita vergonha de admitir. Então... será que você poderia falar com ele? Dá um empurrãozinho? Por favor, Harry. – Luna fez uma cara de desespero – Eu já tentei de tudo e não deu em nada. Só tenho você pra me ajudar...

- Luna. Eu falo com ele, ok? – Depois de tudo que Luna havia feito por ele, isso não seria nada de mais. – Acalme-se, eu tenho certeza de que ele vai admitir logo, ele só é muito tímido. Mas eu vou dar um jeito, tudo bem?

- Muito obrigada, Harry. – Ela deu um beijinho em seu rosto. – Eu não sei o que faria sem você.

- Pior seria eu sem você. – Harry deu um sorriso, um de verdade dessa vez. – Quando você sair eu falo com ele, não se preocupe.

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"Tia Helen" era uma mulher gorda, mas que incrivelmente tinha um rosto magro. Com seus cabelos castanhos misturados com vários fios brancos, Draco suspeitava que tivesse mais de 55 anos. Ela aparentou gentileza quando falou.

- Oh, graças a Merlin, ele está bem! – Ela entrou no quarto segundos após a sobrinha ter chamado. – Como está se sentindo, querido?

- E-eu... – Draco ainda sentia grande dificuldade em falar. – Onde eu estou?

- Oh, sim, claro, me perdoe. Bem, você está na minha casa em Hogsmeade – Hogsmeade? Draco não imaginava ter chegado tão longe. – Eu sou Helen Norrells e essa é minha sobrinha, Maia. Nós trouxemos você pra cá depois que Maia o encontrou no quintal. Você estava muito machucado, nem faço ideia do que pode ter acontecido com você. Você se lembra?

Draco lembrava, mas ele não queria dar explicações, então se contentou com um "Não" meio que sussurrado.

- Não se preocupe, tenho certeza que logo se lembrará, foi apenas um terrível choque. Ainda mais depois de ter caído daquela vassoura. Bom, o importante é que você está bem agora, nós cuidamos de você. Não somos curandeiras, mas fizemos o máximo possível com o que temos. – A mulher parecia tão gentil, Draco sentiu uma enorme gratidão por ela. – Então, você tem alguma pessoa que gostaria que chamássemos? Ou talvez algum lugar para onde estava indo?

- Hogwarts. – Draco falou por entre uma tosse. – Contate alguém de Hogwarts.

- Hogwarts, mas é claro! – Disse Maia dando um tapinha na própria testa. – Lembrei-me de onde o conheço, ele estava no bar quando o grupo de alunos estava na cidade. Ele até me paquerou. – Ela deu um sorrisinho pra ele, Draco se engasgou.

- Maia, pelas calças surradas de Merlin! Não vê que o garoto ainda não está bem? Vá enviar uma carta para Hogwarts. – A mulher mudou subitamente o tom calmo para algo mais rígido. – Vá logo! – Ela acrescentou quando a sobrinha não se mexeu.

- Mas o que eu digo? Nem o nome dele sabemos. – Ela disse indicando Draco com o queixo.

- É Malfoy. Draco Malfoy. – Draco sentiu uma pontada quando se lembrou de que não deveria mais usar aquele sobrenome, mas era tarde demais para informar isso, Maia já havia partido para escrever a carta. – Eu passei a noite aqui? – Perguntou se virando para encarar a Sra. Norrells.

- A noite? – Ela riu – Oh, pobre garoto, você passou dois dias desacordado.

- Dois dias? Por Merlin!

- Sim, sim. Tome um pouco de água, eu já vou buscar algo pra você comer. – Ela lhe estendeu um copo – Dois dias sem ingerir nada é muito tempo.

- Sra. Norrells? – Draco chamou por ela.

- Sim?

- Estou muito agradecido por tudo que fez por mim. Bem, por tudo que ainda está fazendo. A senhora e sua sobrinha. De verdade, muito obrigado.

- Oh, meu rapaz. Pela careca branca de Merlin, não precisa agradecer. – A Sra. Norrells gostava muito de falar o nome de Merlin, Draco logo percebeu. – Nós ficamos felizes em saber que está bem. Isso é o que importa. – Com um sorriso, ela partiu.

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Harry esperou a partida de Luna e imediatamente foi falar com Neville.

Já havia repassado o diálogo entre eles diversas vezes na cabeça, mas enquanto caminhava até Neville, tudo se perdeu. De qualquer forma, não tinha importância, ele estava ciente de que Neville não seguiria seu "roteiro".

Neville incrivelmente não foi complicado de convencer. Harry apenas lhe disse que ele deveria demonstrar seus sentimentos por Luna, pois a garota sentia o mesmo por ele.

- Tem certeza? – Neville perguntou.

- É claro que sim. – Harry respondeu. – Você só deve deixar a timidez de lado um pouco e dizer a verdade pra ela. É sério Neville, se você não tomar uma atitude, nunca vai conseguir o que deseja.

- Tem razão, Harry. Da próxima vez que eu a vir, vou falar toda a verdade. Vou dizer que a amo e vou esperar não receber um chute nas bolas.

-Neville! É claro que ela não vai fazer isso. Acredite em mim, ela tem os mesmos sentimentos que você, só está esperando uma atitude.

- Ok, eu acredito em você. Oh, vamos apenas torcer para dar certo.

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Draco achou a comida servida pela Sra. Norrells muito gostosa. Ou talvez fosse apenas a necessidade de consumir algo depois de dois dias.

- Muito obrigado pela refeição, Sra. Norrells. – Disse, entregando o prato para ela. – Estava deliciosa.

- Oh, não foi nada demais. E, por favor, me chame de Helen. Todos me chamam assim, não estou acostumada com ser chamada pelo sobrenome.

- Claro, se é o que deseja. Pode me chamar de Draco também, meu sobrenome está entrando em desuso agora.

- Bem, é melhor que você vá dormir. Já está melhor, mas não está totalmente curado. Quando eu tiver notícias de Hogwarts, eu aviso.

- Claro Sra. Helen. O que a senhora disser.

Maia entrou correndo no quarto, sem fôlego e com uma carta na mão.

- Tia Helen! Tia Helen!

- Maia! Faça silêncio! – Helen nem se quer parecia irritada quando falou isso.

- Desculpe, me perdoe. É que chegou uma carta de Hogwarts. Dumbledore escreveu. Ele disse que assim que possível virá até aqui. – Maia entregou a carta à Tia.

- Excelente, excelente. – Helen dobrou a carta e colocou no bolso. – Enquanto isso, rapaz, você tem que descansar.

Draco não queria descansar, gostaria de se levantar daquela cama e correr ao encontro de Harry. Porém ele sabia que isso não seria possível, o máximo que poderia fazer agora era esperar por Dumbledore.

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Na hora do almoço, quando os alunos estavam no Grande Salão, Neville se dirigiu a Harry, pedindo algum conselho.

- Harry, ela está aqui. Será que eu devo falar com ela? – Ele estava suando tanto, que havia marcas redondas sob as axilas.

- Neville, é agora ou nunca. – Harry deu um empurrão em Neville para ele se levantar. – Vai logo cara, não perca tempo.

- Tudo bem, tudo bem. Eu vou. – Neville se levantou, deu três passos em direção à mesa de Luna e se virou de volta. – Não, eu não consigo.

- Neville, por favor. Você consegue sim, vá logo lá.

- Mas o que eu vou dizer? – Suas mãos tremiam ao lado do corpo.

- Apenas diga o que está sentindo, ela vai te aceitar. Agora: Anda logo! Vai! – Harry o empurrou até estar quase em frente de Luna, depois o soltou, voltou alguns passos e esperou pra ver o que aconteceria.

Harry não podia ouvir, mas a cena que ele presenciava era a de um Neville tremendo dos pés a cabeça e uma Luna de boca aberta e olhos brilhantes.

Neville abria e fechava a boca – Harry sabia que ele estava tentando falar a coisa certa. Até que finalmente fechou os olhos e disse tão alto que boa parte do salão pode ouvir.

- Eu te amo! – Neville agora não só tremia, mas também estava mais vermelho que os cabelos de Ron.

Luna, que agora tinha um olhar mais brilhante do que antes, nem se incomodou em dizer nada: Ela se jogou nos braços dele e deu um beijo em seus lábios. Ao redor, muitos alunos aplaudiam ou davam vivas pra eles (Ou ainda olhavam enojados).

Neville pareceu se acalmar com o beijo e quando Luna soltou seus lábios, ele a pegou pela cintura e rodou com a menina no ar, só para depois lhe dar um beijo molhado.

Harry sentiu-se livre para classificar Luna como a garota mais feliz que ele já tinha visto. Quando Neville a pôs no chão e ela gritou para ele "Eu também te amo. Eu te amo muito!", ele não teve mais dúvidas.

Harry estava se sentindo alegre e triste ao mesmo tempo. Alegre por ver aquela cena entre Neville e Luna, pois eles mereciam a felicidade. Triste por cada rosto, cada movimento, cada som, o lembrar de Draco.

Como o tempo passa devagar quando se está longe da pessoa que ama. Por Merlin, Draco, eu sinto tanto sua falta.

Harry se sentou de volta em seu lugar e rezou mentalmente para que algum milagre acontecesse e Draco voltasse pra ele mais cedo.

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Depois de duas horas, Draco foi acordado bruscamente pela Senhora Norrells.

- Draco? Garoto, está acordado?

- Sim, eu estou.

- Ótimo. O Diretor Dumbledore já está aqui. Posso convidá-lo para entrar? – Ela deu um sorriso para ele, ele apenas acenou com a cabeça de volta. – Tudo bem. Maia, vá chama-lo.

Maia estava sentada numa cadeira que antes não estava ali. A garota se levantou relutante e saiu pela porta.

- Está se sentindo melhor? – Helen perguntou. – Vejo que já está um pouco menos pálido.

- Sim, acho que estou melhor. Sra. Norrels... Quer dizer, Sra. Helen, a senhora está com minha mala? E minha vassoura? E... –Draco tateou os bolsos – Um aparelhinho estranho? Alguma dessas coisas sobreviveu á queda?

- Oh, claro que sim, querido. Suas coisas estão na sala aqui ao lado, mas temo dizer que sua vassoura está partida ao meio.

- Não tem importância, agradeço por sua gentileza.

- Como já disse, não é preciso agradecer. Por Merlin, onde está Maia? – Ela mal terminou a sentença e Maia já estava ao seu lado, acompanhada por Dumbledore e Madame Pomfrey.

- Aqui está o garoto, diretor. – Maia disse enquanto abria espaço para dar passagem a Dumbledore.

- Sim, agradeço a ambas pela hospitalidade. Pobre do garoto Malfoy se não fossem vocês. – Dumbledore falou gentil como sempre. – Draco, meu rapaz. – Dumbledore se aproximou da cama. – Como está se sentindo? A Sra. Norrells me explicou tudo; Bem, pelo menos o que ela sabe.

- Estou bem, não foi nada de mais. Posso voltar para a escola agora? – Draco se sentou e foi atingido por mais uma onda de dor de cabeça.

- Certamente. Vou levar você ao anoitecer. Vamos esperar que Madame Pomfrey faça você melhorar um pouco. – Dumbledore se afastou para Pomfrey se aproximar.

- Doce Merlin, o que ouve com você? – Madame Pomfrey puxou uma maleta e aplicou diversos medicamentos em Draco.

Enquanto a curandeira fazia seu trabalho, Draco percebia que Dumbledore estava conversando com a Sra. Norrells em um cantinho. Ele tentou escutar o que eles diziam.

- Diretor, acha que pode ter sido um ataque de Comensais da Morte? O garoto disse não se lembrar.

- Não posso ter certeza disso. Mas lhe asseguro de que quando voltarmos a escola irei descobrir tudo sobre essa situação. Novamente, agradeço por tudo que fez.

- Vocês e seus agradecimentos. – Helen deu um sorriso. – Diretor, há mais uma coisa.

- Sim? – Dumbledore se aproximou um centímetro.

- O garoto, Draco. Ele estava pronunciando um nome enquanto dormia. Não tenho absoluta certeza, mas acho que era "Harry", isso faz algum sentido? Será que pode ser o agressor?

- Oh, minha querida, faz todo o sentido. – Dumbledore iluminou um sorriso. – Obrigado pela informação.

Draco se mexeu quando Pomfrey aplicou uma pomada ardida em sua pele. Ele estivera pronunciando o nome de Harry enquanto dormia? Estava delirando, provavelmente. Ou talvez só estivera esperando encontrar Harry uma última vez antes de partir.

Dumbledore se aproximou depois de Madame Pomfrey terminar de medicar Draco.

- Diretor, ele só precisa descansar um pouco. Já podemos voltar para a escola. – Madame Pomfrey balançou a varinha e seus equipamentos já estavam guardados.

- Excelente. – Dumbledore sorriu. – Boa notícia, sim Draco? – Draco apenas concordou.

- Tem certeza que tem como ele voltar hoje? – Maia interrompeu. – Quero dizer, se ele não puder ir, eu ficarei feliz em cuidar dele.

Draco achou estranhos ambos, a proposição e o tom de voz da garota. Talvez ela estivesse se interessando por ele? O pensamento não foi nem um pouco agradável. O pior foi o outro pensamento, de que Harry poderia estar sendo "paquerado" ou algo do tipo por outra pessoa. Um calafrio subiu pelo pescoço dele. Harry era só seu. Nada iria acontecer. Ou pelo menos ele deveria acreditar nisso.

- Não há necessidade, Senhorita. Ele já está muito bem. – Madame Pomfrey foi em direção à porta do quarto. – Agora se vocês me dão licença, eu preciso retornar à escola, têm alunos precisando de mim.

- Sim, é claro. Obrigado Papoula. – Dumbledore agradeceu e indicou a porta com a pala da mão.

- Maia, acompanhe a Madame até a porta, por favor. – Sra. Norrells empurrou Maia quando esta se negou a acompanhar a curandeira. – Por favor, agora.

Relutante como sempre parecia estar, Maia acompanhou Madame Pomfrey e só restaram Draco, Helen e Dumbledore no quarto.

- Eu não quero de maneira alguma abusar de sua hospitalidade, Sra. Norrells, mas será que poderia deixar que eu falasse com o garoto a sós? – Dumbledore falou.

- Pelas cuecas fedidas de Merlin, Diretor! Não está abusando de forma alguma. Eu os deixarei sozinho, fiquem à vontade.

Sra. Norrells se retirou rapidamente do quarto, fechando a porta atrás de si.

A princípio, Dumbledore não disse nada, apenas observou Draco a certa distância e eles se mantiveram sob um silêncio constrangedor durante um longo período. Draco finalmente decidiu quebrar o constrangimento e perguntou:

- Há alguma coisa que precisa falar comigo, Diretor?

- Muitas coisas até, meu garoto. Temo não fazer ideia por onde começar. – Dumbledore não tinha expressão de confusão, mas suas palavras diziam o contrário.

- Comece pelo mais fácil: Minha queda. – Draco estava impaciente e desconfortável.

- Não. Prefiro começar com o motivo. O que você estava fazendo zanzando com uma vassoura tarde da noite vindo em direção à escola?

- Eu prefiro não falar sobre assuntos pessoais, Diretor. Só o que o Senhor precisa saber é que não foi um ataque de Comensais. Meus motivos não lhe dizem respeito.

- Muito pelo contrário, seus motivos são tudo o que importam para mim. Sobre não ser um ataque, eu já sabia, mas ainda não consegui entender o porquê de você ter perdido os sentidos. Você é um ótimo voador, não perderia o equilíbrio assim tão fácil. E esses seus machucados todos, não é possível que tenham sido apenas da queda, alguma outra coisa aconteceu. Eu, com Diretor, tenho obrigação de saber o que houve. – Dumbledore falou tudo muito rápido, Draco mal pode processar e sua cabeça já girava novamente.

- Diretor, por favor. Eu estava apenas vindo para a escola e caí, não houve nada além disso. Por favor. – Draco implorava com o olhar e Dumbledore de alguma forma compreendeu seu desespero.

- Eu vou deixar você em paz por um momento, mas não me esquecerei desse assunto. Agora, meu rapaz, vamos falar sobre outra coisa tão importante quanto a anterior. Acho que uma palavra já define o assunto e essa palavra é "Harry".

Draco sentiu o corpo amolecer e a bile querer subir pela garganta. Tentou disfarçar o máximo que podia, mas as possibilidades que envolviam Harry em sua cabeça só davam em desgraça. Lucius invadindo a escola à noite e lançando a maldição imperdoável em Harry. Voldemort invadindo a escola e terminando a guerra com a morte de Harry. As pessoas descobrindo sobre o relacionamento deles e assassinando Harry. Ou pior, Harry ter percebido o quão terrível ele é e se arrependendo do romance com o loiro.

Draco balançou a cabeça e falou com a voz mais calma que pôde.

- "Harry"? O Senhor está falando de Harry Potter? – Mesmo com a força que ele fez, a voz ainda saia tremida.

- É claro que estou falando de Harry Potter. E eu acho Draco, que você é a melhor pessoa para falar comigo sobre isso. – Draco enrubesceu e Dumbledore tentou o acalmar. – Não precisa ficar envergonhado, eu sei.

- Sabe o quê exatamente? – Draco arregalou os olhos.

- Bem, não vou afirmar com certeza absoluta, mas posso deduzir. Minha confirmação foram os seus sussurros enquanto delirava. – Draco pareceu se desesperar. – Draco, não me entenda mal. Eu seria a última pessoa a ter algo contra isso. Eu só quero que ambos fiquem a salvo. Eu nem me meteria nesse assunto, mas eu suspeito que esse seu acidente tenha muito a ver com o Harry. Já prometi deixar o assunto em paz, então vou parar por aqui, mas, por favor, qualquer coisa que você precisar, sinta-se livre para vim falar comigo. Qualquer coisa mesmo.

Draco queria dizer a Dumbledore que ele estava enganado, que Harry nada tinha a ver com o acidente, que eles não sentiam nada além de ódio um pelo outro, mas era impossível mentir para aquele bruxo. Draco se contentou com apenas um balançar de cabeça.

- Excelente. Agora descanse, ao anoitecer já estaremos de volta à escola.

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Quando o almoço e a seção de beijos entre Neville e Luna acabaram, Luna veio pedir a Harry sua capa da invisibilidade emprestada. Harry nem se deu ao trabalho de perguntar o motivo, disse logo que sim. Neville, Harry e Luna subiram à Torre de Gryffindor um atrás do outro. Ao chegar, Harry enfiou a mão dentro do malão e retirou do meio das cartas o tecido luminoso. Luna agradeceu com vários beijos em seu rosto – Harry suspeitava nunca ter visto ela tão feliz – e Neville apenas deu um "Obrigado". Os dois correram escadaria a baixo e logo sumiram embaixo da capa.

Agora que Harry estava sozinho novamente, conseguiu pensar novamente sobre o que estava sentindo. Só hoje ele havia voltado a comer e o vazio em seu estômago ainda continuava. Disse a si mesmo que se piorasse iria ver Madame Pomfrey.

Na sala comunal o silêncio predominava, Harry estava sozinho em toda a sala comunal. Onde os outros estavam, Harry não sabia, mas eles com certeza deram um jeito de fugir.

Harry se sentou no chão ao lado da poltrona e pegou o livro "Quadribol através dos séculos" para ler, mas ele não estava conseguindo se concentrar. A cabeça doía e os pensamentos não fluíam.

Está bem, está bem. Eu vou à enfermaria. – Harry convencia a si mesmo de que aquilo que ele estava sentindo não era normal.

Quando estava saindo pela porta, deu de cara com o Professor Lupin, ele não parecia muito bem.

- Professor? O Senhor está bem? – Harry perguntou espantado.

- Sim, Harry. Não há nada com o que se preocupar. Só estou um pouco abalado por causa da poção. – Harry lembrou que a lua estava cheia e que o professor precisava de uma poção para impedir que se transformasse em lobisomem. – Onde você está indo?

- Vou à enfermaria, não estou me sentindo muito bem. Talvez o Senhor pudesse vir comigo ver Madame Pomfrey, ela vai ajudar.

- Não, Harry. Não há necessidade. Pode ir, mas tome cuidado.

Harry se despediu e caminhou escadaria abaixo torcendo para que Lupin ficasse bem.

Dobrou o corredor e encarou as portas da enfermaria. Deu três batidas seguidas e como ninguém apareceu, ele tomou a liberdade de entrar.

Apenas o garoto da Hufflepuff continuava ali.

- Com licença, você sabe onde Madame Pomfrey está? – Harry se aproximou e perguntou a ele.

- Ela me disse que precisava cuidar de algum aluno que sofreu um acidente de vassoura em Hogsmeade, mas ela disse que voltaria o mais rápido possível.

- Oh, obrigado. Acho que vou esperar aqui, então.

Harry esperou por pelo menos duas horas. Matou o tempo conversando com o garoto que estava sozinho, pois todos seus amigos tinham ido para casa no Natal.

Quando Madame Pomfrey finalmente apareceu, ela parecia exausta. Carregava uma maleta de medicamentos e ainda estava com a varinha em punho.

- O que você faz aqui, Sr. Potter? – Sua voz confirmava seu cansaço.

- Desculpe, eu só queria saber se a Senhora poderia me ajudar com essa dor de cabeça e mal estar que estou sentindo.

- Oh, Merlin, mais doentes. – Ela colocou a bolsa de lado. – Muito bem, Senhor Potter, sente-se, eu vou lhe examinar. E quanto a você. – Ela apontou para o garotinho – Está se sentindo melhor?

- Sim Senhora. Já tomei o remédio no horário.

- Ótimo.

Harry sentou na cama ao lado e Pomfrey começou a examiná-lo com a varinha. Ela passou o exame inteiro reclamando de que hoje em dia os jovens não tomam mais cuidado consigo mesmos.

- Cair de uma vassoura! – Ela resmungava. – Deveria estar em alta velocidade, só pode ter sido isso.

- Desculpe, mas quem foi que sofreu o acidente? – Harry quis saber.

- Ora, foi o pobre do garoto Malfoy.

- Draco? – Harry quase gritou.

- Sim, esse mesmo.

Quando ela pronunciou aquelas palavras o corpo de Harry congelou. Draco tinha sofrido um acidente! Por Merlin, o que ele deveria fazer agora?

- Mas o que aconteceu com ele? Ele está bem? Onde ele está? – Harry falava tão rápido que uma palavra atropelava a outra.

- Por favor, Senhor Potter, acalme-se. Ele está bem, foi apenas um acidente e ele já foi cuidado. No momento ele está em Hogsmeade e o Diretor está com ele. Não há motivo para se preocupar.

Como assim não há motivo? – Harry quis gritar. – Draco sofreu um acidente! Isso é sim um motivo para se preocupar!

- E quando ele vai voltar? Não seria melhor para a Senhora cuidar dele se ele estivesse aqui? – O corpo de Harry descongelava e ele começava a tremer.

- Dumbledore o trará ao pôr do sol.

- Oh. – Foi só o que ele conseguiu dizer, mas haviam bilhões de palavras não ditas rodando em sua cabeça.

Quando a curandeira terminou o exame, ela entregou dois frascos para Harry. O primeiro, ela disse, servia para as dores de cabeça, e o segundo era para o mal estar que ele sentia. Ela também disse que ele deveria comer melhor, pois estava ficando muito fraco.

- Obrigada, Madame Pomfrey.

Ela já o estava expulsando do hospital, mas Harry se recusava a ir embora.

- Eu vou ficar. Vou esperar pelo Draco.

- Senhor Potter, o Senhor conhece as regras. Não posso lhe deixar aqui se não for um paciente.

- E a Senhora sabe que se eu voltar para a Sala Comunal não vou poder voltar aqui. – Harry tentou usar o argumento mais real que ele conseguiu pensar.

- Deixa ele ficar, por favor. – Era o garotinho. – Já fiquei tanto tempo sozinho aqui.

- Tudo bem, Senhor Potter, o Senhor venceu. Mas nem pense em me atrapalhar ou importunar os pacientes. – Ela falou no plural mesmo sabendo que só havia um único paciente ali.

- Vou ficar quieto. Nem vai perceber que eu estou aqui.

- Acho bom. – Ela encerrou e levou suas coisas para sua sala.

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"Descanse", disse Dumbledore. Como se Draco conseguisse. Ele estava na ânsia de voltar para a escola e o motivo, é claro, era Harry.

A Sra. Norrells apareceu a cada 10 minutos no quarto e Draco perguntava a ela todas as vezes se já estava perto da hora de partir.

A noite já havia chegado e Draco estava ainda mais ansioso para ir. Quando já eram 7 horas, Dumbledore voltou ao quarto e perguntou se Draco estava pronto.

- Já estou pronto há muito tempo. – Draco se levantou e quase caía no chão.

- Acho que você ainda precisa descansar. – Dumbledore o segurou.

- Não! – Ele gritou. – Não. – Repetiu mais baixo. – Por favor, Diretor, eu não quero mais ficar aqui. Não que eu não esteja grato pela sua hospitalidade Sra. Norrells – Acrescentou quando viu a mulher. – É só que eu quero voltar para a escola. Por favor.

- Tudo bem garoto, mas deixe-me ajuda-lo.

Dumbledore passou o braço ao redor de Draco e o acompanhou até a porta do quarto, a Sra. Norrells vinha atrás.

Quando chegaram à sala, Dumbledore balançou a varinha e as coisas de Draco que estava encostada na parede começou a segui-los. Viraram-se para se despedir da mulher.

- Obrigado novamente, Helen. – Dumbledore disse.

- Exatamente, obrigado Sra. Norrells. – Draco também agradeceu.

- Já falei que não quero vocês me agradecendo por nada. E, por favor, me chame de Helen, Draco. – Ela sorriu.

- Sim, Helen. Muito obrigado. Nunca esquecerei o que fez por mim. Até a próxima.

- Adeus.

Dumbledore puxou um Draco meio que sorridente e agradecido. Antes de fecharem a porta ouviram o grito de uma garota um pouco distante. Pararam para olhar e viram que ela estava correndo na direção deles.

- Esperem! Não vá embora ainda! – Quando ela se aproximou, eles perceberam que era Maia.

Ela estava ofegante por causa da corrida.

- Maia! Você deveria estar trabalhando, o que faz aqui? – Helen perguntou de dentro da casa.

- Eu só vim me despedir do Draquinho. – Quando ela lhe chamou assim, uma sensação ruim se impregnou no peito de Draco. Era assim que Pansy o chamava. – Até logo, Draquinho. Sinta-se livre para vim me visitar. – A sensação virou uma queimação no estômago e ele sentia a bile querendo subir.

Maia se aproximou e deu um beijinho na bochecha dele periculosamente próximo à boca. Draco não conseguiu aguentar, se virou de lado e vomitou ali mesmo na calçada.

- Oh Merlin, me perdoem. – Ele pedia desculpas envergonhadas. – Acho que ainda não estou bem. – Mas ele sabia que o motivo do vômito era apenas a lembrança de Pansy.

- Não tem problema. – Maia respondeu. – E repito: Venha me visitar quando quiser. – Ela se aproximou para beijá-lo de novo, mas pensou que era melhor não, afinal, ele tinha acabado de vomitar.

- Vamos, Draco. – Dumbledore o puxou.

Depois de se afastar de uma Helen sorridente e uma Maia chorosa, Draco se perguntou se eles iriam andando de volta à Hogwarts.

- Diretor, nós vamos andar até a escola? – Ele perguntou.

- Oh, mas é claro que não. Vamos, segure meu braço. – Dumbledore ordenou e Draco obedeceu.

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Harry ficava impaciente. O sol já havia se posto há muito tempo. Tudo bem, só tinham se passado quinze minutos desde o por do sol, mas parecia uma eternidade para ele.

O garotinho, que se chamava Maxwell, mas preferia ser chamado de Max, estava cansado e Harry não conseguia inventar mais nenhum assunto para eles conversarem.

- Eu já vou dormir, ok? – Max disse. – Se não tiver nenhum problema.

- Claro que não, Max. Pode dormir, você precisa descansar. – Harry ajeitou o cobertor do garoto e se afastou. – Boa noite.

- Boa noite Harry.

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Quando o puxão no corpo de Draco sessou, ele se encontrava na sala de Dumbledore. Surpreso, tentava entender como era possível terem aparatado em Hogwarts.

- Mas... Como? – Ele se virou para Dumbledore que agora praticamente o carregava.

- Está tudo bem garoto. Eu só desfiz um feitiço.

Draco se sentiu ainda mais fraco depois que deu o primeiro passo. Cambaleou e Dumbledore apertou seus ombros para ele não cair.

- Eu sabia que você ficaria pior, mas foi mais rápido assim. Apenas uma noite na enfermaria e você ficará curado. Está bem?

- Sim, tudo bem.

O caminho à enfermaria deixou Draco tenso e nervoso. Se ele finalmente tinha retornado a Hogwarts, seu desejo era estar ao lado de Harry, não ter que passar mais tempo naquela porcaria de hospital. "Uma noite", dissera Dumbledore, se fosse pelo menos só uma noite, talvez ele pudesse suportar. Ainda assim, a ideia de ele estar sob o mesmo teto de Harry e não estar ao seu lado o deixou enjoado.

- Senhor, será que eu não poderia ir logo para meu dormitório? Acho que não tem ninguém lá e Madame Pomfrey disse que eu só precisava descansar. E ela já me fez tomar todos os medicamentos.

- Acho melhor não. Afinal, você precisa de cuidados e ficar lá sozinho pode ser perigoso.

Agora eles estavam a dois corredores da enfermaria. Draco parou.

- Diretor, por favor. Eu não aguentaria ficar mais uma noite naquele lugar, já fiquei lá por tempo demais em um só ano. Além do mais, se eu precisar de alguma coisa dou um jeito de vim até aqui. Por favor.

- Tudo bem, garoto. Você venceu. Porém, se qualquer coisa acontecer, venha imediatamente à enfermaria. Entendido?

- Perfeitamente, diretor.

- Então vamos. – Dumbledore puxou Draco para o outro lado, se distanciando da enfermaria e descendo as escadas para as masmorras.

O caminho foi curto e quando eles entraram na sala comunal nenhuma alma estava presente. Draco ficou animado por não precisar enfrentar ninguém por um bom tempo, mas triste por ter que ficar numa solidão tão grande.

- Está tudo bem diretor, eu posso tomar conta de mim daqui pra frente. – Ele disse quando Dumbledore fez menção de leva-lo até seu quarto.

- Nada disso, irei coloca-lo em sua cama e um elfo doméstico trará algumas coisas pra você comer.

Mesmo com Draco insistindo que aquilo não seria necessário, Dumbledore o empurrou para o dormitório e o colocou na cama.

- Tudo bem, agora você pode ficar sozinho. Suas coisas vão chegar daqui a pouco, já mandei alguém trazer. O jantar será trazido por um elfo. E não se esqueça: Se precisar de qualquer coisa, não hesite em chamar Madame Pomfrey ou eu mesmo. Boa noite.

Dumbledore saiu sem esperar que Draco falasse qualquer coisa. O garoto havia desejado ficar sozinho, mas agora que o tinha conseguido se sentia solitário e ansiava passar a noite inteira ali.

Procurar por Harry foi a única solução que veio a sua cabeça. No momento em que jogou os cobertores de lado e colocou os pés pra fora da cama a maldita da tontura lhe atingiu como um soco na cabeça. Ele tentou se levantar e dar alguns passos, mas a única coisa que conseguiu foi derrubar espelhos e produtos de beleza que estavam em sua estante.

Voltou cambaleando para a cama e apanhou os cobertores. Os ouvidos ecoavam um zumbido distante. Sem querer dormir, mas incapaz de ir contra o próprio corpo, encostou a cabeça no travesseiro e no segundo seguinte estava apagado.

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A porta da enfermaria se abriu e Dumbledore entrou tão silenciosamente que se não fosse pela luz que adentrou o quarto, Harry nem teria percebido que ele estava ali.

Levantando-se e enxugando a saliva que havia escorrido da boca enquanto tinha adormecido sobre uma das camas, Harry encarou o diretor.

- Senhor. – Seu coração palpitava.

- Harry, meu garoto, o que faz aqui? Está doente novamente? – O tom de Dumbledore era calmo, ainda assim cansado.

- Diretor. Onde ele está? – Madame Pomfrey apareceu e destruindo a chance de resposta de Harry.

- Draco já está bem, eu o levei ao seu dormitório.

- O que?! Ele precisa de cuidados médicos! – Pomfrey reclamava.

- Papoula, você mesma disse que ele só precisava de descanso. Por favor, deixe o garoto em paz.

- Que seja. – Ela desistiu. – Eu não decido mais nada sobre os pacientes... – E saiu reclamando pra si mesma.

Enquanto a voz da curandeira diminuía, Dumbledore encarava novamente Harry.

- Eu só vim pedir um remédio à Madame Pomfrey. E... – Ele olhou para Max. – E Max estava sozinho e eu decidi fazer companhia a ele. Perdão por desobedecer às regras, Senhor. Aceito sua punição.

- Harry, está tudo bem. Se eu fosse punir todos os alunos que estão desobedecendo ás regras nesse momento, seriam todos vocês. Não se preocupe, volte para seu dormitório. Eu só estava me perguntando sobre sua saúde. Amanhã é véspera de Natal, aproveite.

E saiu da sala.

Harry ficou assustado com o clima leve do Diretor, mas não decidiu fazer nada a respeito. Em vez disso, como Dumbledore tinha dito que Draco estava em seu quarto, a única coisa que ele poderia fazer no momento era ir ao seu encontro.

Saiu de fininho da enfermaria, dando um olhar de despedida para Max, prometendo a si mesmo voltar para visita-lo, fechou a porta e correu silenciosamente para as escadas em direção às masmorras.

Encarou o retrato que continha o portal que o levaria a Draco e amaldiçoou a si mesmo. Ele não fazia ideia de qual era a senha.

- Draco. – Chamou alto o suficiente para ser ouvido apenas a uma curta distância. – Draco. – Repetiu um pouco mais alto. – Malfoy! – Gritou finalmente.

Dentro da sala Harry pôde ouvir alguma coisa caindo e se estilhaçando no chão, mesmo assim ninguém apareceu.

Harry se encostou à parede e deslizou até o chão. Decidiu que não sairia dali até ver o rosto de Draco, nem que ele tivesse que esperar até o amanhecer.

Duas batidas. Um elfo doméstico apareceu com uma bandeja na mão.

- Você está levando isso pro Draco? – Harry perguntou.

- Grimm não sabe o nome do Slytherin. Grimm só foi dito para deixar comida no quarto. – Respondeu o elfo, que tinha olhos maiores que os de Dobby.

- Você pode abrir a porta? Sabe a senha? – Harry se levantou.

- Grimm tem permissão apenas de levar a comida.

- Eu posso entrar com você? Por favor, Grimm? – Harry implorou.

- O Senhor está pedindo um favor? Grimm faz o que os Senhores mandam.

- Grimm. – Harry estendeu a mão. – Minha melhor amiga ficaria horrorizada em ouvir você dizer isso. Eu sou Harry Potter, prazer em conhecê-lo. – Harry balançou a pequena mão do elfo, que teve que se equilibrar para não derrubar a bandeja. – E eu preciso de um favor seu. Mas apenas se você quiser.

- Grimm ficaria honrado em fazer um favor a Harry Potter. Harry Potter pode entrar com Grimm.

Grimm estalou os dedos e o retrato se abriu. Harry sorriu e acompanhou o elfo.

- Draco. Draco, você está aqui?

- O Senhor Slytherin deve estar dormindo, o senhor diretor avisou Grimm sobre isso. Grimm não deve fazer barulho.

- Sim, Grimm. Não vamos fazer barulho. Quer saber? Pode voltar, deixa que eu cuido disso, eu levo a comida. Tudo bem?

- Um Bruxo fazendo serviço de Grimm? Grimm não pode permitir isso.

- Grimm, por favor. Você já fez seu serviço, pode deixar o resto comigo.

- Se é o que o Mestre Harry Potter deseja. – O elfo entregou a bandeja nas mãos de Harry e desaparatou.

Harry pegou a comida e foi ao quarto de Draco. A estante ao lado da cama estava vazia e vários objetos estavam espalhados pelo chão. Harry colocou a bandeja ali e se abaixou para falar com Draco.

Ao ver seu rosto, todas as coisas ruins que atormentaram Harry nesses últimos dias foram drenadas. Ele se sentia curado e novo em folha. Uma onda de felicidade se espalhou por seu corpo e ele teve que se conter para não pular nele.

Mas Draco não parecia nada bem. Seu rosto estava mais pálido do que o normal e ele não parecia estar consciente.

- Draco? – Harry não conseguiu se conter e envolveu os braços ao redor do outro, mas Draco não deu resposta. – Draco, por favor, responda.

Depois de alguns minutos de agonia para Harry, Draco finalmente se mexeu, mas ainda estava delirando.

- Harry... Há tanto tempo eu te espero... Você me abandonou... – Ele falava em meio aos espasmos que Harry tentava conter o envolvendo mais forte.

- Fiz tudo aquilo por você... A culpa é sua... Meu pai... Ele nunca vai me perdoar e a culpa é sua... – Draco continuava o delírio.

- Draco, por favor, acorde! Eu estou aqui agora. Eu não podia fazer nada, eu não sabia. – Harry se desesperava e chorava enquanto agarrava Draco.

- A culpa é sua... É sua... Você é o motivo de eu me sentir assim... Meu pai não vai me perdoar... Tudo isso por causa de você... Você e o modo com que me faz sentir... Você é o que causa esse sentimento...

- Draco, o que eu fiz? Eu sinto muito, por favor. Me perdoe! Eu sinto muito!

- Não... A culpa não é sua... Meu pai... Ele não entende o que eu sinto... Você é o motivo... Tudo isso por que eu te... – Draco interrompeu a própria frase e voltou a fechar os olhos, o delírio estava indo embora e seus músculos se acalmavam.

Harry estava branco de tão assustado. Como Dumbledore pôde deixar Draco sozinho dessa maneira?

O que o pai dele fez? O que eu fiz? – Harry se perguntava e as lágrimas não paravam de cair. – Eu sou o motivo de quê? O que ele quis dizer com "Tudo isso por que eu te..."? Será que ele me... ? Não é possível...

Passou o tempo e Harry não conseguia deixar as inúmeras perguntas nem a preocupação com Draco de lado.

Draco não se mexeu durante a noite, assim como Harry, que, vencido pelo cansaço, estava dormindo sentado no chão, encostado na cama e com os braços ao redor de Draco.

A manhã chegou. Draco foi o primeiro a acordar e levou um susto ao encontrar Harry adormecido sobre ele. Com o movimento, Harry acordou.

- Harry? Como você apareceu aqui? – Draco encarava o outro com um misto de surpresa e deleite.

- Draco, graças aos céus você está bem! – Harry pulou na cama, com cuidado para não machucar Draco, e o abraçou como nunca havia feito antes.

- Calma ai! – Draco reclamou, mas retribuiu o abraço com a mesma intensidade. – Harry, pra que tudo isso?

- Me desculpe, você provavelmente não queria que eu fizesse isso, eu só não consegui me conter...

- É claro que eu queria isso, seu idiota. – Ele puxou o rosto de Harry para perto do seu e sugou seus lábios.

Harry foi pego de surpresa, mas isso não quer dizer que ele não tenha retribuído o beijo como se sua vida dependesse daquilo.

- Senti muito a sua falta. – Harry falou quanto finalmente respirou.

- Eu também. – Draco falou baixo e ficou vermelho com o comentário. – Você ainda não me disse como apareceu aqui.

- Eu fiquei sabendo que você tinha sofrido um acidente e estava esperando por você na enfermaria, mas Dumbledore apareceu lá dizendo que tinha te deixado aqui, o que foi muito irresponsável da parte dele, então eu vim atrás de você, mas quando eu chamei ninguém respondeu. Tive que esperar um elfo doméstico vim te entregar comida pra poder entrar. Quando finalmente consegui, você estava desacordado. E delirando... – Harry achou melhor não entrar em detalhes sobre os delírios. – Eu fiquei tão assustado e não pude te deixar aqui sozinho nessas condições.

- Harry, calma, respira. – Draco tentava acalmar o outro e a si mesmo. – Agradeço por ter vindo aqui, mas não deveria ter se arriscado tanto. E se alguém visse você aqui?

- Eu não poderia te deixar aqui daquele jeito! – Harry protestou. – O que aconteceu com você, afinal?

- Eu caí da vassoura. Foi um acidente como Dumbledore falou. – Draco não sentia que deveria contar a verdade, Harry só iria se preocupar em vão.

- Uma simples queda de vassoura não faria todo esse estrago.

- Você está dizendo que agora eu estou horrível? Minha aparência está arruinada?

- É óbvio que não. Você está maravilhosamente lindo como sempre. – Harry sorriu e Draco corou. – O que eu estou falando é que seu estado é muito grave. De novo, Dumbledore não podia ter te deixado aqui sozinho. E Draco, eu não queria falar nisso, mas enquanto você delirava você falou sobre seu pai. Disse que eu sou o culpado... Eu não sei o que eu fiz, mas sinto muito mesmo. De verdade.

- Seu Gryffindor idiota. Ficou aqui observando meus delírios...

- Draco, eu estou falando sério. O que aconteceu com você? Do que eu sou culpado? Seja o que for, eu prometo que vou consertar.

- Potter, cala a boca. Não tem como consertar o que você fez. Não dá pra voltar atrás e mesmo se desse isso é o que eu menos quero. E tenho esperança de que você também não quer.

- O que eu fiz? O que seu pai fez?

- Meu pai quase me espancou até a morte. Ele me deserdou e a partir de agora eu não tenho mais nada, nem o nome Malfoy posso usar. – Draco decidiu contar logo a verdade.

- O que?! Por que ele faria isso? – Harry se endireitou na cama com um rosto surpreso.

- O "eu delirante" estava falando a verdade. A culpa é sua. Ele descobriu sobre nós. – Harry protestou e Draco o interrompeu. – Fui eu mesmo que contou. Eu não conseguia esconder. Eu acho que nem queria.

- Draco, oh meu Deus, eu sinto muito. Eu não sabia... Se eu pudesse fazer alguma coisa...

- Mas você não pode. E como eu disse, eu não quero que faça nada. Se ele não me aceita como eu sou, não devo correr atrás dele. Minha mãe por outro lado não fez nada contra mim. Inclusive foi ela quem me salvou, caso contrário meu pai teria me matado.

- E você realmente caiu da vassoura?

- Eu acho que fiquei inconsciente e desmaiei. Ainda bem que alguém me encontrou. Eu pensei que eu tinha morrido, Harry.

- Eu deveria estar lá por você. – Harry virou o rosto para longe de Draco. – Eu entendo se você estiver com raiva de mim. Eu sinto muito. Como você disse, eu sou a causa disso, eu deveria ter cuidado de você.

- Até quando você vai ser tão idiota? Não tinha como você saber, como é que queria estar lá?

- Mas nada disso teria acontecido se não fosse por mim. Eu só trago desgraça pra sua vida, Draco. Talvez... – Harry voltou a encarar Draco.

- Talvez o que? – Draco sentiu o peito apertar.

- Talvez você devesse ficar longe de mim. Para seu próprio bem. Seu pai já agiu dessa maneira, imagina quando Voldemort descobrir. Vai ser melhor assim. – Harry falou aquelas palavras rapidamente, pois uma dor crescia em seu peito a cada letra que pronunciava.

A dor no peito se espalhou e depois ele sentiu uma pontada aguda na lateral do rosto. Draco tinha acabado de lhe dar uma tapa.

Ainda com a mão estendida, Draco tinha lágrimas escorrendo pelo rosto.

- Eu não acredito que você disse isso. Eu fiz tudo isso por você. Eu enfrentei meu pai, fui deserdado e quase morri só por você! E é assim que você age? Diz que devemos nos separar?

- Draco eu não... – Harry começou a explicar, mas se deu conta do que o outro havia dito. – Você fez tudo aquilo por minha causa. Você tem razão, mas é por isso que eu disse para você ficar longe de mim. Se você fez tantos sacrifícios por mim, eu deveria fazer esse sacrifício e abrir mão de você.

- Ah, cala a boca. Você fala de "abrir mão" de mim, eu não sou um objeto para você deixar de lado. E quanto ao que eu quero, Harry? Você só se importa com o que você quer? E o que você diz que é o melhor é a pior coisa que alguém poderia me dar. – Ele falou entre a respiração pesada por culpa do coração acelerado.

- Não. Eu não quero me separar de você. Eu nunca vou te deixar, lembra? – Harry falou, lembrado a Draco da promessa que ele fez depois da morte de Pansy. – Eu só estava sugerindo isso pra sua própria proteção e por que eu acho que é o que você quer.

- Você é um idiota! Um Gryffindor burro e retardado! – Draco bateu com o punho fechado de leve no ombro de Harry. – Como pode pensar que é isso o que eu queria? Eu desisti de tudo, Harry. E só por causa de você. Começo a pensar se valeu a pena.

- Acho que não. Eu não valho tudo isso, você é demais pra mim... – Harry tentava se desculpar elogiando o outro, mas Draco não parecia ouvir.

- Cala a boca, Harry! – Draco se permitiu sorrir. – É sério, é bom você valer muito a pena, eu fiz muito sacrifício por você.

Harry tirou um momento para apreciar o rosto de Draco. Quem diria que depois de tantas brigas que os dois tiveram eles estariam ali, frente a frente, Draco dizendo que se sacrificou por Harry. Antes parecia a maior loucura já existente, mas agora ele percebia que tudo era destinado a acontecer.

- Eu irei te recompensar. Eu prometo. – Harry se inclinou e deu um beijo de leve nos lábios de Draco.

Ao se separarem, Draco deu um sorriso torto e brilhante.

- Se quiser me recompensar de verdade vai precisar de muito mais que isso.

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Depois que Draco conseguiu manter o equilíbrio, Harry o levou até o banheiro. Draco insistiu que conseguia entrar sozinho.

- Tem certeza de que pode fazer isso sozinho? Eu posso ajudar. – Harry gritou da porta do banheiro.

- Claro que sim, já disse que estou bem. Você só quer uma desculpa pra entrar aqui, não é Potter? – Draco gritou de volta.

- Talvez...

Draco jogou um sabonete molhado em Harry. Rodou o registro do chuveiro e deixou a água cair.

Deixando as roupas de lado, ele foi para baixo do chuveiro e deixou que o calor da água percorresse seu corpo gelado. Passou algum tempo assim, então se esticou para alcançar outro sabonete, quando a tontura o atingiu novamente e ele se desequilibrou.

Ele se segurou no registro, mas não foi o suficiente para evitar a queda. O sabonete que estava na mão voou para o outro lado do banheiro e Draco bateu com a cabeça no chão. O barulho de seu corpo atingindo o chão se juntou ao som de seus produtos caindo.

- Draco! – Harry correu assim que escutou o estrondo. – O que aconteceu?

- Potter, sai daqui! – Draco gritou e atirou algum objeto que estava no chão contra Harry. – Foi só um acidente, eu estou bem. – E quando Harry fez menção de entrar no chuveiro, ele adicionou. – Nem pense em entrar aqui.

Harry virou o rosto por impulso, mas não obedeceu ao que Draco pediu. Fechando os olhos, ele entrou no chuveiro.

- Você não vai conseguir se levantar só. Eu disse que precisava de ajuda. – Harry tateou a parede e conseguiu desligar o chuveiro.

- Harry, sai daqui, seu pervertido! – Draco gritava. – Sai daqui imediatamente.

- Eu estou de olhos fechados, não estou vendo, ok? – Ele se abaixou para levantar Draco. – Cadê você?

- Aqui, seu imbecil. – Draco puxou a mão de Harry.

Harry levou seus braços até os ombros de Draco e, ainda sem enxergar, tentou levantá-lo. Tocou a pele molhada de suas costas enquanto seus dedos escorregavam pelo corpo de Draco, tentando se equilibra para levantá-lo.

- Cuidado. – Draco falou quando Harry o puxou pra cima com força. – Vai devagar.

- Mas eu não estou enxergando nada. – Harry falou antes de pisar em uma poça de água, derrubar Draco no chão e cair por cima dele.

Draco começou a gritar com ele, mas uma onda de risadas o atingiu, os dois ficaram bolando de rir no chão.

As roupas de Harry estavam completamente molhadas agora, por isso tinham se tornado transparentes, era possível ver seus mamilos através do tecido fino da camisa.

- Que belo resgate, Potter. – Draco disse por cima dos sons da sua própria risada e da de Harry.

- Foi um acidente. – Harry disse. – Posso abrir os olhos agora?

- Agora que você não pode abrir os olhos mesmo. Eu estou pelado aqui embaixo. – Draco deixou as risadas um pouco de lado.

Mas Harry não resistiu e abriu os olhos mesmo assim. Ele não ficou observando o corpo de Draco, afinal, ele estava coberto com o seu próprio. O que ele fez foi encarar Draco nos olhos através de seus óculos manchados. Draco corou como sempre quando Harry lhe encarou, mas ele não reclamou, ao invés disso, tirou os óculos de Harry e os pôs de lado.

- Você fica bem melhor sem óculos. Seus olhos são muito verdes para serem escondidos atrás de lentes. – Draco sussurrou.

E naquele momento Draco era o borrão mais lindo que Harry já vira.

- Draco eu... – Harry começou, mas não conseguia continuar. Estava hipnotizado olhando para Draco. Ele queria dizer, queria colocar pra fora aquele sentimento que pulsava feito fogo nas suas veias, mas não era possível, ele não podia.

- Harry, não diga nada, ok? – Draco colocou uma mão no rosto de Harry e suavemente acariciou suas bochechas. – Não vamos dizer nada agora.

E os óculos de Harry ficaram jogados no chão, assim como suas roupas, que foram arrancadas apressadamente por Draco.

Harry tirou um pouco de seu peso de cima de Draco e eles rodaram no chão molhado. Draco totalmente sem roupas e Harry ainda mantinha a cueca.

Draco tomou a boca de Harry e esse foi o beijo mais quente que eles já deram. O coração de Harry batia tão forte que começava a doer. Draco aparentava estar calmo, mas estava tão nervoso quanto Harry.

Quando os beijos já não eram suficientes, Harry escorregou os dedos pelo corpo do outro, sentindo toda a pele macia e molhada contra a sua. O cheiro natural que emanava de Draco fazia seu corpo tremer.

Draco aproveitou o que Harry fez e passou a lamber seu pescoço, sua nuca, seu abdômen, seus mamilos...

Harry teve leves espasmos pelo corpo enquanto Draco fazia aquilo. Ele decidiu retribuir e sua mão deslizou para a protuberância entre as pernas de Draco.

- Harry, não... Não... – Draco sussurrou, mas era tarde demais. Harry já havia agarrado seu membro e agora o massageava levemente. – Harry...

Com isso Draco tomou coragem e fez o mesmo. Enfiou a mão por dentro da cueca de Harry e agora os dois faziam movimentos em perfeita sincronia.

O movimento ficou mais intenso e eles passavam a língua pelo corpo nu do outro. Os beijos se tornaram ácidos quando eles chegaram próximos ao clímax.

Eles vieram juntos e com isso o prazer e o cansaço percorreram toda a extensão de seus corpos.

Ficaram ali, agarrados um ao outro por alguns minutos. Limitaram-se a não dizer nada, o abraço era mais suficiente do que qualquer palavra.

Harry manteve a cabeça colada ao peito de Draco enquanto o outro massageava seus cabelos assanhados. Cabelos que ficaram ainda mais bagunçados pelo balanço que a respiração pesada de Draco causava neles.

- Eu acho que é melhor a gente sair daqui. – Harry falou.

- Tudo bem. – A voz de Draco estava rouca. Ele tinha respondido o oposto do que queria. Ele não via nenhum problema em ficar ali, deitado no chão molhado com Harry em seus braços para sempre. Mas, como sempre, ele tinha que voltar para a realidade.

Harry ligou o chuveiro, ajudou Draco a se levantar e os dois tomaram banho juntos, com uma nova intimidade criada há poucos minutos.

Draco se aproveitou e roubou mais um beijo de Harry quando ele lhe trouxe a toalha.

Eles se vestiram – Harry muito mais rápido que Draco – e subiram para o Grande Salão, com Harry apoiando um Draco perfumado e penteado nos ombros.

A decoração de Natal irritava Draco. Ele nunca gostava dessa época do ano, para ele Natal deveria significar família. Seus pais nunca se importaram em lhe oferecer carinho, pelo menos não seu pai. Narcisa até tentava, mas eles nunca foram muito próximos. Quanto a Lucius, esse parecia ter um orgulho por causa da formalidade com que seu filho lhe tratava. Nem quando era criança e recebia vários presentes ele se sentia satisfeito. A casa estava sempre vazia, ninguém além de seus pais participavam das comemorações. E Lucius era tão distante que parecia nem estar presente.

Harry interrompeu a corrente de pensamentos de Draco quando o colocou sentado à mesa. Mas não qualquer mesa: A mesa de Gryffindor.

- Harry. O que diabos você está fazendo? – Draco falou irritadamente e deu graças por não ter nenhum Slytherin presente e por o Salão estar quase vazio.

- Eu estou colocando você na mesa. Pra comer. – Harry balançou uns talheres na frente de Draco com uma cara confusa.

- Na mesa de Gryffindor, Potter?

- Ah, por favor, Draco. Você quer ir sentar sozinho na sua mesa?

- E você tem alguma ideia melhor? Por que você não senta comigo na mesa dos Slytherins? – Draco perguntou um pouco sarcasticamente.

- Ok. – Harry deu de ombros e começou a levantar Draco pelos braços.

- O que você está fazendo? – Draco se soltou dele. – Eu não estava falando sério. Se algum Slytherin souber que eu te deixei sentar à nossa mesa eu estou frito.

- Draco, depois de tudo o que você fez, vai mesmo importar aonde nós dois vamos sentar? – Harry pegou Draco de volta e o arrastou até sua mesa e sentou ao seu lado. – Slytherin ou Gryffindor? No final isso faz alguma diferença?

Draco não disse nada, apenas deu de ombros. Mas no fundo ele sabia que Harry estava certo. O que era uma casa afinal de contas? Aquela denominação só servia pra segregar os alunos. Era inútil.


Lonny 13: Depois de um milhão de anos, eu finalmente terminei esse capítulo. Mil perdões pela demora, mas eu estava (ainda estou) super ocupada e ainda fui atingida por uma grande falta de inspiração. De qualquer forma, aqui está o capítulo que ficou grande e eu decidi dividir em duas partes. Espero sinceramente que gostem e perdoem a demora. Reviews?