Após o café-da-manhã Harry insistiu que Draco fosse até a enfermaria e, depois de muito esforço, Draco concordou.
Mas eles nem ao menos conseguiram chegar até lá. Dumbledore interceptou seu caminho.
- Onde os dois garotos estão indo? – Ele perguntou com um sorriso.
- Nós vamos à enfermaria, Diretor. – Harry impediu que Draco falasse. – Como o Senhor sabe muito bem, Draco sofreu um acidente. E a propósito, foi muito imprudente do Senhor deixa-lo daquele jeito.
- Harry...
Dumbledore sorriu. Draco e Harry trocaram olhares.
- Oh, Harry. Como eu poderia ter feito algo tão imprudente e ainda assim aqui está Draco, muito melhor do que estava ontem. E o melhor, você está fazendo companhia a ele, não é?
- Estou... – Harry gaguejou. – E suponho que sim, ele está melhor...
- Então, meu garoto. O que de melhor eu poderia ter feito? Deixá-lo sozinho na enfermaria? Ou deixa-lo aqui com você ao lado dele?
- Eu... Esse não é o caso. Draco está doente e precisa de cuidados. Deixá-lo trancado sozinho no quarto não foi nada sábio. Ele tem que voltar pra enfermaria.
- Isso é o que você diz agora, Harry. E quanto ao que Draco pensa?
- Eu prefiro assim. Não quero voltar àquele hospital. – Draco disse sério. – Harry, por favor, vamos voltar.
- E essa é a escolha sábia a se tomar, Draco.
- Vamos Harry. – Draco puxou o outro, o que foi estranho, pois era Harry quem o estava carregando.
- Tudo bem, se é o que você quer.
Draco empurrou Harry até o lado de fora, ou melhor, fez com que ele lhe carregasse até lá. Aproveitaram a quietude do castelo pela falta de pessoas e a falta de fiscalização dos professores para se sentarem embaixo de uma árvore.
- Tem certeza que não quer ir à enfermaria? – Harry perguntou colocando Draco sentado na grama.
- Harry, como diria a Sra. Norrells, pelas cuecas velhas e amarelas de Merlin, dá pra você parar com essa fixação de querer me levar ao hospital?
- Quem é Sra. Norrells? – Harry perguntou confuso.
Draco explicou toda a história de como Maia o tinha salvado e como ela e a Sra. Norrells tinham cuidado dele.
Harry não pareceu muito confortável ao ouvir o que Draco tinha a dizer, especialmente a parte em que Maia (a mesma garçonete que Draco havia paquerado) tinha dado beijos em Draco e tinha desenvolvido uma intimidade muito grande.
Quando Draco terminou de falar, tudo o que Harry disse foi: - Hm.
- O que foi?
- Nada. – Harry escondeu, mas a verdade era que ele estava com ciúmes de Draco por culpa dessa tal de Maia.
- Enfim, eu estou muito agradecido pelo que elas fizeram por mim. – Draco concluiu e Harry não disse nada por um bom tempo. – Tá bom, me fala logo o que tá acontecendo.
- Eu já disse que não é nada.
- Harry, eu convivo com você há seis anos, acho que eu sei dizer quando está acontecendo alguma coisa.
- Mas você nem sequer falava comigo durante todo esse tempo, a não ser pra me xingar e tal. Como é que você sabe dizer o que está se passando na minha cabeça? – Harry arqueou uma sobrancelha.
- Talvez eu tenha prestado atenção em você durante esse tempo. – Draco falou com palavras rápidas.
- O quê?! – Harry quase que gritou. – Seu Slytherin sujo! Você gostava de mim durante todos esses anos, mas não dava o braço a torcer, não é?
- Eu não disse isso! – Draco protestou. – Só por que eu disse que prestava atenção em você não quer dizer que eu gostasse de você.
- Oh meu doce Merlin. Além de sujo ainda não admite as coisas. Que Slytherin mal criado.
- Eu já disse que não gostava de você. Não naquele tempo, pelo menos. Eu diria que agora eu gosto, mas já não tenho tanta certeza.
- Agora você me magoou. Mas se quer saber, eu acho que eu gostava de você desde sempre, só era muito orgulhoso para admitir.
- Dá pra gente voltar a falar sobre o que você tem?
- Tudo bem, tudo bem. Eu digo o que eu tenho, senhor observador. Mas só se você prometer não dizer nada. – Draco concordou com a cabeça. – Promete mesmo? – Draco concordou de novo. – Você jura?
- Harry, fala logo!
- Certo. Bem, é que... Eu acho que eu fiquei com ciúmes de você com essa tal de Maia.
Draco tentou, mas não conseguiu se conter e soltou uma risada alta.
- Você prometeu! – Harry cruzou os braços em protesto.
- Desculpa, desculpa. Eu sou fraco, não consegui me conter. Mas é que você ficou tão fofo dizendo que tem ciúmes de mim. Tão fofo que dá vontade de apertar.
E com isso Draco realmente o apertou. Pulou por cima dele e encostou o corpo de Harry na grama. Ignorando a dor de cabeça que insistia em aparecer, Draco deu repetidos beijos calorosos em um Harry muito envergonhado.
- Não precisa ficar assim, Harry. Eu também tenho ciúmes de você, se quer saber. Tudo por culpa daquela Weasley fêmea.
- Bem. – Harry conseguiu falar por entre as bochechas vermelhas de vergonha. – Com isso você não precisa se preocupar. Você sabe que só existe você pra mim.
- É melhor que isso seja verdade. A recíproca também é verdadeira.
Eles ficaram sem o que dizer por algum tempo. Harry até pensou em falar o que sentia por Draco, mas achou que seria demais para uma única manhã. E Draco estava simplesmente se ocupando em como dizer a Harry que ele queria mais beijos.
- Harry. – Chamou Draco que estava deitado ao lado de Harry. – Será que você poderia vim aqui?
- Mas eu já estou aqui.
- Não seja idiota. Estou falando pra você vim aqui.
- Ohhh. – Harry finalmente entendeu e se xingou mentalmente. – Não precisa repetir.
Harry se virou mais para o lado de Draco e Draco fez a mesma coisa. Draco tomou atitude, por que se fosse esperar por Harry eles iriam passar a noite ali. Ele puxou o moreno pela nuca e agarrou seus cabelos bagunçados. Harry pegou Draco pela cintura e puxava os botões da camisa dele para abrir. Um dos botões se soltou e pulou longe no mesmo instante em que Draco encostou a cabeça na grama e sujou os cabelos de terra.
- Acho que esse não é o melhor lugar pra gente fazer isso. – Draco reclamou e soltou os lábios de Harry.
- Sério, Draco? Depois do chão molhado do banheiro você está reclamando disso?
- Harry, aquilo foi uma exceção. Nós não devemos fazer disso um hábito. Eu não quero isso, ok? Eu tenho classe.
Harry soltou uma risadinha e exclamou: - Malfoys...
E imediatamente se arrependeu de ter feito aquilo. Draco não era mais um "Malfoy", o que Harry disse deve ter doído em seu peito.
- Draco, eu não quis... – Harry se desculpava, mas Draco estava indiferente.
- Não tem importância, eu sei que não foi de propósito. Nós podemos sair daqui agora? Não me sinto confortável. Me ajuda a levantar?
Harry se sentiu culpado e o ajudou imediatamente. A cabeça de Draco doía ainda mais agora, mas ele tentou não demonstrar aquilo.
- Vamos só ficar ali, certo? – Draco apontou para um banco de madeira a alguns metros. – Eu não quero voltar para o castelo.
- Tudo bem. – Harry obedeceu, ainda com um nó de culpa na garganta.
Eles sentaram e Draco quis logo quebrar o clima pesado.
- Harry, qual sua cor preferida? – Ele perguntou com um sorriso.
- Nunca pensei nisso... Acho que seria a cor do céu quando o sol ainda está nascendo. Quase que um azul alaranjado. Eu costumava observar o nascer do sol da janela do meu quarto na casa dos meus tios. Era uma das minhas partes preferidas do dia. E a sua?
- Verde esmeralda. – Draco respondeu sem piscar.
- Me deixa adivinhar. Por causa das cores da casa Slytherin. – Harry disse revirando os olhos.
- Não. Por causa da cor dos seus olhos. Essa é a minha cor preferida de todas. Dessa vez eu admito: Eu já tinha observado seus olhos desde a primeira vez que nós nos encontramos naquela loja de roupas, lembra?
- Draco... – Os olhos de Harry brilhavam e ele não sabia o que dizer.
- Cala a boca. – Draco virou o rosto, mas não com rapidez o suficiente para evitar o beijo que Harry lhe deu.
Com a intimidade, Harry e Draco não se sentiram desconfortáveis por passarem alguns minutos em silêncio, apenas aproveitando a companhia, falando sobre o passado e ainda dando alguns beijos aqui e ali.
Quando Harry decidiu que estava muito frio para eles ficarem ali por mais tempo a noite já estava chegando e foi então que Harry lembrou que aquela era a noite anterior ao natal.
Ele não falou nada, não queria perturbar Draco com aquela besteira. O garoto provavelmente nem se importava com o natal, mesmo assim, Harry iria lhe dar algum presente, agora só precisava comprar um.
- Draco, acho melhor você descansar um pouco agora. Já passou muito tempo aqui fora e você precisa de repouso. – Ele disse fechando as grandes portas de entrada atrás deles, ainda segurando Draco pelos ombros.
- Eu não acredito que você ainda está insistindo nisso! – Draco protestou. – Eu estou me sentindo muito bem.
Mas sua fraqueza e a respiração pesada diziam o contrário. Harry apenas revirou os olhos e desceu as escadas em direção às masmorras.
- Olha, se você não for descansar agora, eu vou te dar um Wingardium Leviosa e vou te levar flutuando até a enfermaria, ok? – Harry disse quando chegaram a porta da sala comunal de Draco.
- Por que você não desiste disso? Eu já disse que estou bem. – Mas como Harry não mudou a expressão nem um pouco, Draco admitiu a derrota. – Tudo bem, eu vou descansar, se você quer tanto isso. Mas eu tenho uma condição: Você vai ter que ficar aqui.
- Por mais que me doa dizer isso, eu não posso ficar.
Draco tentou falar alguma coisa, mas Harry lhe empurrou para dentro do retrato e foi atrás dele.
- Eu vou lhe pôr na cama e estarei por perto se precisar de alguma coisa, mas você sabe que eu não devo ficar, comigo aqui você não terá nenhum descanso. Então Draco, por favor, só tente descansar. Durma um pouco e quando você acordar eu estarei aqui.
Draco estava cansado, mas não por causa de sua saúde, pelo menos era assim que ele pensava, mas por causa da insistência de Harry. Para a discussão acabar, ele apenas acenou que sim, afinal, seriam apenas algumas horas sem Harry, logo eles estariam reunidos de novo e até que ele precisava de alguns momentos de descanso.
Harry praticamente lhe levantou e colocou por baixo das cobertas. Deu um beijo gentil em sua bochecha e sussurrou ao ouvido de Draco:
- Se precisar de mim, é só chamar. – E foi se afastando.
Draco o puxou pela gola da camisa e sugou um beijo de seus lábios. E quando Harry tentou novamente ir embora Draco o puxou dessa vez pela manga da camisa.
- Como eu vou te chamar se, sei lá, se eu estiver impossibilitado de andar? – Ele perguntou meio receoso que o comentário fizesse Harry querer jogá-lo na enfermaria.
Harry pensou por um momento e quando finalmente se decidiu sentou-se na beirada da cama de Draco e sacou a varinha.
- O que você vai fazer Potter? – Draco se sentou na cama também.
- Calma, não vou te enfeitiçar nem nada. Só quero te ensinar uma coisa, o problema é que pode demorar um pouco pra você aprender.
- Quer me ensinar um feitiço? Harry, por favor, não há feitiço que esse Slytherin aqui não possa aprender. – Ele deu um sorriso e pegou sua própria varinha.
- Tá bom, Senhor Modesto. Só que é um patrono.
- Patrono? – Draco engoliu em seco ligeiramente. – Fácil.
- Você já sabe fazer um? – E Draco negou. – Tudo bem. Primeiro você tem que pensar numa memória boa. Pense no melhor momento da sua vida, fixe sua mente nele.
Draco então fechou os olhos e tentou imaginar qual seria o melhor momento de sua vida. Mas ele só conseguia ver seu pai balançando o dedo em seu rosto e gritando. Sua mãe jogada no chão e chorando. Harry gritando desaforos contra ele e ele os devolvendo. Harry jogando uma maldição nele e ele sangrando. O Lorde das Trevas entrando em sua casa como se fosse o dono...
- Draco! – Harry gritou e sacodiu o corpo do outro.
Draco, tentando pensar em uma memória boa, tinha sem querer entrado em um mar de lembranças ruins. E agora lágrimas tímidas escorriam pelo seu rosto e seu corpo tremia.
- Draco, você está bem? – Harry perguntou quando ele finalmente conseguiu abrir os olhos.
- Claro que eu estou bem. Você não vê que eu estou perfeito? – Mas ao dizer isso Draco se agarrou forte a Harry.
Harry sentiu que o coração de Draco estava muito acelerado e ele estava frio.
- Desculpe, foi uma má ideia, eu vou pensar em outra coisa.
- Não! – Draco soltou Harry apenas por um instante para dizer isso e depois voltou a abraça-lo. – Só espera um instante, tá bom? Só me abraça um pouquinho.
Ele pensou que não tinha memórias boas de forma alguma, pois só vinham imagens ruins à sua cabeça. Mesmo assim ele disse a si mesmo que deveria ter, em algum momento ele foi feliz. E foi pelo abraço apertado de Harry que ele percebeu que estava sendo estúpido, ele tinha sim momentos felizes, a prova disso estava à sua frente agarrando seu corpo.
- Tudo bem, vamos tentar de novo. – Draco disse depois de se acalmar.
E de novo ele fechou os olhos e dessa vez tentou pensar em Harry, mas o primeiro pensamento que veio a sua mente foi o dia em que Lucius descobriu sobre eles e forçando a memória para ir embora ele se lembrou do momento em que sua mãe, Narcisa, tinha se erguido para proteger o filho. O rosto doce da mulher perguntando se ele amava Harry e a resposta positiva, depois Narcisa sorrindo apesar de tudo e o abraçando e dizendo que lhe amava. Draco conseguiu sorrir e escolheu essa memória.
- Consegui pensar em uma forte o bastante. – Ele disse ao abrir os olhos.
- Certo, agora você se concentra nessa memória e só nela. Depois você pronuncia "Expecto Patronum!" e tem que ser com bastante convicção.
- Tudo bem.
Draco fechou os olhos novamente e o rosto de sua mãe se consolidou a sua frente. Todos os momentos que ela havia lhe abraçado e dito que o amava, todas as cartas que antes Draco lia com certo desprezo. E finalmente sua mãe lhe ajudando contra seu pai: Narcisa lançando um feitiço em Lucius, correndo até Draco e o empurrando para partir, o empurrando para a segurança.
- Expecto Patronum! – Ele gritou.
Sentiu a varinha vibrar em sua mão e uma faísca de luz branca apareceu.
- Expecto Patronum! – Ele repetiu.
A faísca começou a se tornar uma luz e a varinha começou a esquentar. Harry olhava espantado para a força que o primeiro Patrono conjugado por Draco tinha. Quando a luz pareceu se unir para tomar forma, ela retrocedeu. O quarto antes iluminado por um brilho fantasma agora estava na escuridão.
Draco olhou para Harry como se pedisse desculpas. Harry por outro lado estava de boca aberta.
- Uau! Você não mentiu quando disse que saiba. Uau, incrível. Uau.
- Quer parar de dizer "uau"? Eu nem consegui conjugar um Patrono completo. Foi uma desgraça.
- Você tá brincando, né? Esse foi seu primeiro Patrono, Draco. Foi incrivelmente maravilhoso. – Harry sorria. – Só acho que a memória que você pensou não foi suficiente.
- Não foi suficiente? Em que memória você quer que eu pense? E pode parar de fazer essa cara, Harry, aposto que você conseguiu um Patrono na primeira tentativa.
- Claro que não. Eu demorei.
- Tá bom, se é o que você diz. – Draco deu de ombros mesmo sem acreditar. – Vou tentar de novo.
Draco se levantou da cama com Harry lhe ajudando. Ficou ereto e apontou a varinha para nenhum ponto específico.
Tudo bem, ele pensou, a memória não foi suficiente. Desculpa mãe, mas vou ter que pensar em outra coisa. Mas em que eu posso pensar? Minha mãe deveria ser mais que suficiente. Ela é a pessoa que eu mais amo. Ou... Talvez não. Harry é quem eu mais amo agora. Claro que ele é.
E, decidindo que memória ele iria usar, ele fechou os olhos pela terceira vez.
Pensou em Harry. Pensou na primeira vez que Harry veio lhe pedir desculpas na enfermaria. Pensou em como Harry lhe apoiou depois de Pansy ter partido. Pensou em como Harry segurou sua mão a caminho do funeral e em como ele disse "vá em frente" quando ele foi dar seu discurso. Pensou neles dividindo uma mesma cama. Pensou em alimentar os Testrálios ao lado dele. Pensou em quando tomou coragem e pediu pra Harry fechar os olhos e em como o primeiro beijo deles aconteceu.
- EXPECTO PATRONUM! – Draco realmente gritou dessa vez.
Sua varinha voltou a vibrar e as faíscas se tornaram luz mais rápido, dessa vez. A luz que iluminou o quarto correu para se fundir e no segundo seguinte um cervo prateado, exatamente igual ao que Harry tinha conjugado na noite em que Pansy se fora.
A primeira coisa que Draco disse foi: - Eu não acredito que meu Patrono é igual ao seu, Harry! Que falta de originalidade!
Harry já estava de pé e boquiaberto observando o cervo rodar o dormitório. O Patrono de Draco era igual ao dele. Harry não acreditava. Lupin havia lhe dito uma vez que o Patrono adquire uma forma que seja de enorme importância para o Bruxo que o conjurou. Dessa forma, Harry só podia ser alguém muito importante para Draco, ou de certa forma a mais importante de todas. Essa não podia ser uma notícia melhor, afinal Draco era sem dúvidas a pessoa mais importante para Harry.
- Você não vai dizer nada? Não tem como eu mudar a forma dessa porcaria não, hein?
- O que você quer que eu diga? Você conseguiu da segunda tentativa, você é maravilhoso! Realmente seus poderes são magníficos. E sinto informar, mas não há como mudar a forma do Patrono. Se ele adquiriu essa forma, deve significar alguma coisa pra você. Muita coisa na verdade, a coisa mais importante de todas. – Harry achou ter exagerado um pouco, mas não se arrependeu por ter dito aquilo, talvez assim Draco tomasse coragem para dizer o que sente antes dele.
- Isso que dizer que... Bem, eu vou descobrir o que isso quer dizer. – Draco era orgulhoso. – Você já pode ir. E... Obrigado por me ensinar o feitiço.
- Sem problemas. Mas, bem, tem certeza que já não sabe o motivo desse ser o seu Patrono? – Harry apontou para o cervo que já estava quase sumindo. – Quem sabe uma certa pessoa?
- Não. – Draco respondeu, seco.
- Tudo bem, darei um tempo pra você perceber a resposta que está... – Harry deu um passo e ficou bem a frente de Draco. – bem à sua frente.
Draco revirou os olhos e foi levado por Harry de volta à sua cama. Harry novamente lhe deu um beijo, mas dessa vez não esperou que ele lhe puxasse para ser um na boca.
Falando já da saída do quarto, Harry disse:
- Se precisar, é só conjurar seu cervo e me mandar uma mensagem, eu não vou estar muito longe.
Draco acenou com a cabeça e observou Harry ir embora.
Ele tentou limpar a cabeça e dormir, mas o fantasma do cervo prateado ainda estava lhe assombrando. Harry talvez seja, na verdade, Harry é a pessoa mais importante de sua vida. Mesmo assim ele se amaldiçoou mentalmente por ter demonstrado isso tão facilmente.
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Harry havia dito a Draco que estaria por perto caso ele precisasse de alguma coisa, mas, se contradizendo, ele agora corria embaixo da capa da invisibilidade em direção à Hogsmeade desejando que ainda tivesse alguma coisa que ele pudesse comprar para dar à Draco.
Ele havia planejado comprar os presentes de todos há pelo menos duas semanas. Hermione, Ron, Luna e provavelmente todos os seus amigos já haviam comprado os seus. Mas com toda a dor que a distância de Draco lhe causou ele tinha esquecido e agora com a volta de Draco ele não havia tido tempo.
Acelerando o passo para chegar antes do encerramento do expediente, ele finalmente chegou à rua principal. Ai percebeu mais um problema: O que comprar para um garoto que tem tudo? Draco com certeza deve gostar de ganhar presentes, mas o que Harry poderia lhe dar que se tornasse especial em sua vida?
Deixando o presente de Draco por último, Harry tirou a capa e entrou na primeira loja que viu. Ele nem leu o nome no lado de fora, mas se tratava de uma loja de roupas. Sem saber o que fazer, passou a mão por algumas roupas e tentou decidir se algum de seus amigos gostaria de recebê-las como presente. Levou um paletó de Tweed que ficaria perfeito para Lupin, um vestido longo e vermelho que ele já podia ver Ginny usando e vários vestidos de cores berrantes diferentes que eram perfeitos para Luna.
Depois de pagar, correu para a outra loja. Dessa vez era uma loja de artigos de quadribol. Tentando decidir qual dos itens levaria para Ron, ele acabou pegando algumas luvas de goleiro, uma camisa dos Chudley Cannons e um guia escrito pelo ex-apanhador dos Chudley Cannons e pediu para embalarem tudo em um só pacote para Ron. Ainda pegou alguns itens diversos para Dean e Simas.
Atravessou a rua e escolheu livros para Hermione, o que ele achou sem um pingo de originalidade, mas a pressa era sua inimiga. Depois entrou em uma loja de artigos variados e viu alguns acessórios que a vendedora disse serem presilhas para o cabelo, eles tinham formato de uma flor vermelha com uma borboleta preta. Harry os adicionou aos presentes para Hermione. Também levou alguns óculos esquisitos que Luna iria adorar.
Depois disso ele já havia comprado presente para todos, menos para Draco. Cheio de sacolas, Harry decidiu entrar no Três-Vassouras para beber alguma coisa. Sentou-se em uma mesa ao fundo e como o lugar estava praticamente vazio, uma garçonete logo veio até ele.
Para sua infelicidade, a garçonete era Maia, a garota que Draco havia paquerado e que agora provavelmente pensa que ele realmente gosta dela, essa Maia.
- Olá, posso pegar seu pedido? – Ela disse olhando para trás enquanto falava. – Ei, eu me lembro de você. Sim, você estava com o Draquinho.
Harry tremeu com a pronúncia do nome "Draquinho". Ninguém além de Pansy tinha o direito de chamar Draco daquela maneira.
- Sim, eu e Draco já viemos aqui. Ele me falou de você, de como você e sua tia cuidaram dele. Obrigado por isso.
- Oh, mas não precisa agradecer de maneira alguma. Foi realmente um enorme prazer cuidar de Draco. – Ela de alguma forma pensou que Harry gostaria de companhia e puxou uma cadeira da mesa para sentar. – Nós dois conversamos tanto e ele não me disse nada sobre você, vocês são amigos há muito tempo?
- Ah, sim, somos melhores amigos desde quando entramos em Hogwarts. – Harry sentia a raiva causada pelo ciúme subir por suas veias. – E você deve estar enganada, se vocês realmente conversaram tanto assim, ele deve ter falado sobre mim. Harry Potter? Esse nome não lhe é familiar?
- Oh, sim. – Maia corou e por medo de Harry descobrir que eles não conversaram tanto assim, concordou. – Na verdade ele falou bastante de você, especialmente enquanto dormia. – Essa última parte, Maia relembrava, era verdade. – Draco passou os momentos desacordados chamando pelo seu nome. Mas, enfim, o que importa é que ele falou sobre mim. O que ele disse? Você acredita que ele está... – Maia se aproximou e falou mais baixo. – Interessado?
Harry engoliu em seco para tentar diminuir a raiva que aquela garota desconhecida causava nele.
- Eu sinto muito informar, mas Draco é comprometido. E olha, a namorada dele é super ciumenta, se eu fosse você nem tentaria chegar perto, por que ela pode te lançar uma maldição ou coisa pior. – Harry se odiou por ter que esconder a verdade e se referir a ele mesmo como "namorada" de Draco.
Pelo menos valeu a pena só pela expressão que Maia fez depois dele dizer isso. Parecia que alguém havia jogado um balde de água fria na cabeça dela.
- E-ele tem namorada? – Ela perguntou incrédula.
Não. Pensou Harry. Mas tem um "quase" namorado. E é mesmo melhor você se afastar.
- Sim. – Ele disse. – Ele devia ter te contado, mas o Draco não é muito de falar sobre a vida pessoal dele com estranhos.
Essa última parte deixou Maia ainda mais deprimida. Ela se levantou ainda com uma expressão abatida.
- Bem, quando você o vir, diga que eu mandei um beijo. Só não diga isso pra namorada dele. – E já ia saindo de volta para a cozinha, mas Harry a chamou de volta.
- Ei, você não vai pegar meu pedido?
- Claro, claro, desculpe. O que você quer mesmo?
- Só uma cerveja amanteigada, obrigado.
E Maia se virou e quase se esbarrou em outra garçonete que estava passando para servir a mesa vizinha. Ela estava atordoada, mas segundos depois voltou com a cerveja de Harry.
- Obrigado. – Harry disse novamente e bebeu tudo com um sorriso no rosto. Agora Maia sabia que não deveria ao menos se aproximar da pessoa mais importante da vida dele.
Depois de terminar sua cerveja amanteigada, Harry não esperou por Maia e se dirigiu ao balcão para pagar a conta. Depois de entregar seu pedido, ele não tinha visto a garota em lugar nenhum.
Saindo para o ar frio e apertando o casaco contra o corpo, Harry finalmente teve uma ideia sobre o que comprar para Draco.
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Já era quase hora do jantar e o desejo que Draco tinha era de usar seu cervo para chamar por Harry para ajudar-lhe a sair da cama, mas com muito esforço ele conseguiu se levantar.
É claro que já era hora desse mal estar ir embora, mas parecia que a cada vez que Draco pensava sobre Harry ou sobre o Lorde das Trevas ele piorava.
Tentando manter-se de pé e balançando a cabeça para esquecer tudo isso, ele foi até o banheiro. Com um esforço ainda maior, ligou o chuveiro e segurou em todo lugar disponível para não cair. O banho foi rápido, nem de longe parecia um dos banhos que ele costumava tomar.
Ao entrar de volta no quarto, foi atingido por um sentimento de que estava esquecendo alguma coisa. Quando abriu as cortinas da janela e observou a neve caindo, lembrou imediatamente.
Todas as decorações no Grande Salão, a neve caindo lá fora, o ar diferente que tinha nas pessoas. Depois de contar os dias, Draco percebeu que aquela só poderia ser a véspera de natal.
Não que ele desse a mínima para esse dia, mas o estranho era Harry não ter falado nada. Provavelmente haveria um grande jantar ou um baile em Hogwarts e Harry nem se deu ao trabalho de avisá-lo.
Que seja. – Pensou. – Eu não me importo com essa porcaria de dia mesmo.
E de qualquer jeito ele ainda vestiu o traje mais elegante que encontrou e esperou pelo retorno de Harry.
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Depois de passar no corujal e entregar quase todos os presentes para Edwiges levar aos seus amigos, Harry agora corria de volta ao castelo, ainda coberto pela capa de invisibilidade.
Ele havia perdido muito tempo procurando pelos presentes de Draco e agora estava atrasado para o baile, que, aliás, ele nem havia contado a respeito para Draco.
Apressando o passo e quase derrubando todas as sacolas que carregava no meio da grama, Harry finalmente alcançou as escadas e voou para seu dormitório.
Harry se vestiu o mais depressa possível e logo estava correndo escada abaixo ao encontro de Draco.
Sussurrou a senha para o retrato e, ao entrar no quarto, deu de cara com um Draco vestido elegantemente. O perfume que saia dele atingiu Harry em cheio.
- Uau. – Foi o que Harry conseguiu dizer. – Uau.
- Oh, Harry, você e seu "uau". – Draco levantou-se e veio em direção a ele.
- Assim você acaba comigo. – Harry disse dando uma segundo olhada para Draco.
- Bem, quanto a você, acho que nós podemos dar uma melhorada.
Harry decidiu por não falar nada, olhou para ele mesmo dessa vez. Era verdade que ele não estava tão elegante quanto Draco. Na verdade ele estava totalmente fora do que se pode chamar de "vestido para um baile".
Enquanto Draco estava com o cabelo penteado e no lugar, Harry tinha fios de cabelo apontando para todas as direções. Draco vestia-se com um terno completamente preto, desde a gravata até os sapatos. Harry estava uma mistura de cores: Terno e sapatos marrons, calça preta, camisa branca e gravata azul.
Draco sentou Harry na cama e foi lentamente tirando suas peças de roupa.
- Não é justo você tirar minhas roupas enquanto você fica ai todo empacotado. – Harry sussurrou e Draco apenas colocou o dedo para tapar sua boca.
Depois de deixar Harry só de cuecas, Draco se dirigiu ao seu armário e arrastou até a cama múltiplas roupas. E, ainda sem falar nada, colocava e tirava elas de Harry.
Depois de repetidas tentativas, Harry terminou de ser vestido.
Draco deu um sorriso e finalmente abriu a boca novamente:
- Agora só precisamos descobrir o que fazer com seu cabelo.
O moreno nem teve tempo de ver o que estava vestindo ou ver se seu cabelo estava realmente ruim, por o loiro estava balançando a varinha em sua cabeça e uma áurea luminosa rodeava seus cabelos. Depois de alguns segundos Draco se afastou e balançou a cabeça em aprovação.
Harry se levantou e agora teve a oportunidade de olhar pra si mesmo, andou até um espelho que estava colocado na parede. Ele levou alguns segundos para se reconhecer.
O cabelo escovado para trás lhe transformou em uma pessoa completamente diferente. O terno era praticamente igual ao de Draco, exceto que era completamente preto.
Quando a imagem de Draco apareceu ao lado da sua no espelho, ambos deram um sorriso.
- Você realmente fez milagres. – Foi Harry quem falou primeiro.
- Suponho que sim. – Draco se aproximou e passou um braço pelos ombros de Harry. – Bem, na verdade acho que eu só melhorei o seu visual, mas a beleza já estava ai.
- Não tenho certeza disso. Diferente de você, eu não sou um deus.
Draco não disse nada com o comentário, mas Harry podia jurar que viu as bochechas dele ficarem vermelhas.
- Nós somos como opostos, certo? Tipo yin-yang. – Harry falou deixando de olhar para o espelho e se virando para Draco.
- Yin o quê?
- Yin-yang. É uma coisa trouxa. Duas metades opostas que se encaixam perfeitamente. Yin-yang. Preto e branco. Eu e você.
- Se eu entendi direito, sim. Por que você me completa e eu acredito que eu te completo também.
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Enquanto subiam as escadas em direção ao Grande Salão, Draco se perguntava o que diabos faria no baile. Afinal, se ele não poderia dançar com Harry nem beijá-lo ou ao menos abraça-lo na frente de todas aquelas pessoas, qual o sentido de tudo aquilo?
Por outro lado, Harry nem estava se dando conta desses detalhes e estava animado com a ideia de comemorar ao lado de Draco.
A música já podia ser ouvida das escadas. Ao abrirem as portas do salão, uma pequena multidão já estava lá. Luna foi a primeira que ambos reconheceram, principalmente pela cor prata reluzente de seu vestido. Ela parou a dança estranha que estava fazendo e veio andando em direção a eles, puxando Neville pelo pulso.
- Vocês vieram juntos! Oh, pelas estrelas, que coisa boa!
- Não, Luna, nós só viemos juntos por que não tem mais ninguém pra vim com a gente, entende? – Harry disse baixo e esperando que ninguém tivesse escutado o que a garota havia falado.
- Oh. Entendo. – Ela disse. – Só achei que vocês finalmente fossem... Bem, vocês sabem. De qualquer forma: Se divirtam. – E puxou um Neville confuso de volta a pista de dança.
Depois disso o humor de Draco diminuiu bastante, ele se sentou em uma das mesas vazias, com a desculpa de que estava com dor de cabeça para Harry não lhe insistir em nada.
Harry ficou preocupado, mas não queria falar nada para deixar Draco irritado, então se sentou ao lado dele na mesa esperando para ver o que iria acontecer.
Neville apareceu alguns minutos depois, aparentemente fugindo de Luna para respirar alguns instantes.
- Você vai mesmo passar a noite sentado ai, Harry? – Neville perguntou, ainda tentando recuperar o fôlego. – Venha dançar. A Luna está acabando comigo, talvez você pudesse me dar uma mãozinha.
- Neville, sinto muito, mas não posso deixar o Draco aqui sozinho. – Harry respondeu. – Se ele decidir levantar a bunda da cadeira eu posso até ir.
Luna emergiu do meio da multidão e gritou por Neville.
- Você está se escondendo de mim, Neville Longbottom?
- Ele só estava chamando a gente pra dançar. – Draco respondeu, de alguma forma tinha sentido vontade de ficar do lado de Neville.
- Ótimo, então vamos todos. – Luna disse sem esperar pelos outros e voltando a desaparecer.
Neville deu de ombros, sorriu e correu atrás dela. Estava claro que esse era o garoto que faria de tudo por Luna.
- Vamos Draco. Pensei que você fosse mais festeiro. – Harry tentou animá-lo.
- Já disse que estou com dor de cabeça, Harry.
- Se você está realmente com dor, vamos à enfermaria, ou ao menos vamos sair dessa barulheira. – E quando Draco negou: – Você não está com dor de cabeça. O que foi então?
- É besteira, só não quero dançar.
- Você não é de negar uma festa, Draco. Me fala logo o que está acontecendo.
- É só que eu não gosto de ter que esconder tudo isso, Harry. Nós viemos a essa porcaria de festa juntos, nós devíamos ter o direito de mostrar o que somos. Eu queria poder ser eu mesmo.
- Eu entendo. Eu também odeio isso. Mas é tudo para nossa proteção, principalmente para a sua. Se nós formos vistos juntos, as pessoas vão falar e logo Voldemort ficará sabendo e sua vida estará em perigo.
- Minha vida está em perigo desde o dia que eu enfrentei meu pai, não tem muita coisa que possa piorar minha situação.
- Draco, por favor. Olha, eu prometo que no momento certo todos vão saber sobre nós, não me importa o que pensarão. Só temos que esperar um pouco mais, ok?
- Tá bem, Harry. Já sei que não posso fazer nada. Agora vamos, deixe-me mostra-lo como se dança.
Draco deu um salto da cadeira e praticamente levantou Harry nos braços com uma força totalmente recuperada.
Afastando as pessoas do caminho, Draco arrastou Harry até a frente do palco, onde uma banda pouco conhecida estava tocando. Quando outra música começou a tocar, Draco soltou Harry e começou a dançar.
Com movimentos suaves e rítmicos, Draco atraia vários olhares. Harry ficou sem saber o que fazer, depois daquela demonstração de agilidade de Draco, ele seria humilhado seja qual fosse seu movimento.
Agora Draco rebolava a cintura calmamente, fazendo algumas Hufflepuffs babarem.
Se aproximando de Draco e ainda sem dançar, Harry sussurrou em seu ouvido:
- Tem certeza que não está com dor de cabeça? Acho que você está mesmo precisando ir ao hospital.
- Harry Potter! – Draco gritou em resposta. – Tentando inventar desculpas para não dançar! Venha cá, deixe-me ensiná-lo.
E com isso Draco virou Harry 180 graus, de modo que as costas de Harry ficassem de frente para Draco.
A diminuição momentânea dos olhares dirigidos a Draco deu a ele a oportunidade de pegar na cintura de Harry e balança-la de um lado para o outro.
- Você vai pra direita. Depois pra esquerda. Devagar, sem pressa.
O ritmo lento servia para aproximar o corpo de ambos e alguns segundos depois já estavam encostados um ao outro. Draco ainda com a mão na cintura de Harry.
- Aqui, sinta como eu faço. – Draco puxou a mão de Harry até sua própria cintura e dessa vez o ritmo foi acelerando.
Draco começou a respirar lentamente ao pescoço de Harry. O moreno não sabia se prestava atenção nas mãos de Draco que passeavam pelo seu corpo ou em suas próprias mãos que sentiam os movimentos formosos do loiro.
Harry precisou se afastar rapidamente de Draco quando percebeu o que estavam fazendo. Algumas pessoas já começavam a sussurrar sobre eles. O slytherin ficou constrangido, mas depois que Harry se afastou ele dançou até o final da música.
Sentado de volta na mesa, Harry precisou de vários segundos para controlar a emoção que aflorava dentro dele.
Quando a música acabou e depois que os aplausos sessaram, Draco voltou a sentar na mesa.
- Me desculpe. – Foi o que ele disse. – Não me dei conta do que estava fazendo. Nem percebi aquelas pessoas.
- Não precisa se desculpar. Eu fiz o mesmo que você. Também não tinha visto aqueles olhares, acho que quando estou com você as outras coisas perdem a significância.
- Por que não saímos daqui? – Draco levantou-se dando um sorriso para Harry. – Vamos voltar à quietude do meu dormitório. Lá eu posso te ensinar a dançar sem olhares furtivos.
- Espera só um instante. – Harry disse e foi procurar por Neville e Luna.
Depois que ele retornou, Draco se repreendeu e não perguntou o que ele fez ao procurar pelos outros, mas a perguntava estava pairando no ar.
- Não é nada de mais. – Harry finalmente disse quando alcançaram as escadas. – Só fui perguntar ao Neville se ele iria voltar logo para o dormitório, e como ele disse que iria passar a noite com a Luna, eu acho que está na hora de você conhecer o quarto de um Gryffindor.
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Enquanto se aproximava do retrato da mulher gorda, Draco sentia uma pequena ansiedade inchar no peito. Talvez fosse simplesmente por estar indo ver o quarto de Harry pela primeira vez, mas no fundo sabia que na verdade estava preocupado com as intenções do garoto.
Harry disse a senha ao retrato e deixou Draco entrar primeiro. Não foi um grande espanto, a sala comunal não era tão surpreendente quanto o Slytherin pensou que fosse, mas ainda sim era diferente do que estava acostumado. Diferente da sua, ali tinha um ar aconchegante, não havia tantos objetos espalhados pelos cantos e tudo parecia muito confortável.
- O que achou? – Harry perguntou abrindo os braços indicando a sala.
- Não é tão ruim, Potter. Devo admitir que pensasse que daria de cara com um salão de armas ou coisa parecida, mas até que é legal. – Draco deu de ombros.
- Bem, de qualquer forma acho que você vai gostar do quarto. – Harry caminhou até as escadas do dormitório masculino. – Venha.
- Se você insiste.
Harry deu passagem a Draco e este, quando subiu dois degraus, virou-se para roubar um beijo rápido de Harry e correu escadaria a cima.
- Hey! Você não pode simplesmente me dar metade de um beijo e correr pra longe desse jeito! – Harry gritou perseguindo Draco.
O loiro entrou no quarto com alguns segundos de vantagem e novamente não teve nenhuma surpresa: Era tudo mais apertado e menos elegante que seu dormitório, mas não fazia tanta diferença.
Harry entrou com tanta rapidez que esbarrou nas costas de Draco. Ele apenas balançou a cabeça e o empurrou para longe.
- Mas eu quero o resto do beijo! – Harry protestou.
- Calma ai, "Senhor carinhoso". Primeiro me mostre qual dessas é sua cama. – Draco tirou o paletó e jogou por cima de uma mesa ao seu lado.
Harry indicou com o polegar e, seguindo o exemplo de Draco, também tirou o paletó. O outro caminhou até lá, sentando-se na cama bagunçada e se remexeu para experimentar o quão confortável ela era.
- Acho que essa cama pode servir. – Draco disse.
- Pra quê? – Harry perguntou com uma cara de ingenuidade e Draco respondeu apenas ao puxá-lo pela gravata para cima dele.
O resto do beijo finalmente foi dado para Harry e agora eles se embolavam por cima das cobertas na cama apertada. Draco se livrou da boca do outro por alguns segundos para afrouxar sua gravata branca e Harry fez tirou a dele completamente. No outro instante os sapatos de ambos foram atirados contra a parede e seus pés esquentavam os do companheiro.
Com um entrelaçar de pernas, eles pararam a correria por um instante para olhar um ao outro, ainda tentando alcançar a maior quantidade de partes do corpo que se era possível tocar estando no mesmo lugar. Draco passou a mão no rosto de Harry e lentamente retirou seus óculos.
- Mas eu gostaria de ver seu rosto, Draco! – Harry reclamou.
- E eu quero ver seus olhos.
Harry olhou para aquele borrão de pele branca e cabelos loiros e pensou que não aguentaria esperar por muito tempo, mesmo que Draco poderia não sentir o mesmo, já era hora dele saber como Harry se sentia.
- Eu preciso falar com você. – Harry disse pegando os óculos de volta e se endireitando na cama.
- Tem que ser agora? Nós podemos falar depois. – Draco disse com uma voz que pedia para Harry calar a boca e continuar o que eles estavam fazendo.
- Draco, por favor, é importante.
- Tudo bem, mas é bom que não seja uma besteira. – Draco se sentou encarando Harry nos olhos.
Harry piscou por alguns segundos, tentando reunir a coragem de dizer aquilo de uma vez. Levantou-se e pegou uma sacola escondida debaixo da cama.
- Eu sei que ainda não é meia noite e que o natal é só amanhã, mas acho melhor fazer isso logo. – Harry falou de uma vez. – Na verdade, acho que se eu não fizer agora, não vou ter mais coragem de seguir em frente.
- Harry, que diabos você está falando? – Draco parecia confuso.
- Eu não sei se você comemora o natal e essas coisas, mas eu quero te dar meu presente. – Harry mostrou a sacola a Draco e sentou-se ao lado dele.
- Meu presente? Harry, você não precisava ter feito isso. – Ele disse com sinceridade.
- Bem, eu não sabia o que comprar, por que você é um garoto que tem tudo, mas depois de pensar um pouco eu encontrei algo que talvez te agrade.
- É sério, você não deveria comprar nada pra mim. Não é que eu tenha tudo, mas não acho que eu mereço.
- Cala a boca, Draco. É claro que você merece. Eu lhe daria o mundo se fosse possível, mas espero que você já saiba disso. Enfim, eu não conseguia pensar sobre alguma coisa que você fosse realmente precisar, mas então me lembrei da primeira vez que saímos juntos.
Harry tirou alguns embrulhos de dentro da sacola e espalhou por cima da cama.
- Abra esse primeiro. – Ele indicou um embrulho mediano e Draco o pegou.
Rasgando o embrulho, Draco agora tinha uma garrafa de Firewhisky nas mãos.
- Lembra o quanto nós bebemos naquele dia? – Harry perguntou e Draco estava muito atordoado para responder. – Espero que você goste, só não vá beber antes de ficar completamente curado.
Então Harry entregou o melhor embrulho de todos e Draco, colocando a garrafa de lado, o abriu.
- Sorvete de limão? – Draco se espantou quando tocou na tigela gelada.
- Você disse que era seu preferido. – Harry sorriu. – É melhor comer logo, por que o feitiço que o manteve gelado vai se acabar logo. Abra o próximo.
O outro pacote era vários livros e Draco não pôde se impedir de abraçar Harry com a maior força que conseguiu. Enquanto Draco abraçava Harry e reprimia as lágrimas que tentavam vazar de seus olhos, ele sentiu medo. O maior medo de sua vida. Harry era perfeito, pessoa mais importante de sua vida, ele o amava mais que tudo. Se tudo pudesse continuar da maneira que estava nesse exato momento, Draco nunca desejaria mais nada na vida. Mas novamente existia o Lorde das Trevas e seus planos estúpidos que Draco era obrigado a cumprir pelo bem de sua mãe.
- Obrigado, Harry. – Draco falou o mais alto que conseguiu com o nó de sua garganta. – Muito obrigado.
- Eu não fiz nada de mais. – Harry respondeu ao seu ouvido. – Só lembrei-me daquele dia e com foi perfeito para mim. Lembro de você dizendo que livros não são só para Ravenclaws, então achei justo que eles fizessem parte do seu presente.
- Sim, é perfeito. – Draco falou ainda agarrado a Harry.
- Bem, talvez você gostasse de abrir o último?
- Sim, é claro. – Draco se soltou e enxugou uma lágrima que teimou em escorrer de seus olhos.
O último pacote era macio e foi não foi difícil de abri-lo. Era um suéter verde. Draco achou lindo, mas não entendeu a relação daquele casaco com a primeira vez que saíram juntos.
- Na verdade esse não tem muita semelhança com os outros presentes. – Harry explicou. – Mas eu achei que você fosse gostar. A vendedora disse que era exatamente da cor dos meus olhos.
- Oh, Merlin. Sim, é exatamente da cor de seus olhos. Eu amei. De verdade. Ninguém nunca fez nada parecido com isso para mim. É tudo tão perfeito. Você é perfeito. – Draco disse olhando diretamente nos olhos brilhantes de Harry.
- Fico feliz que tenha gostado. – Harry sorriu abraçando o loiro.
- E agora, o que eu vou fazer? Você sabe que não tive como sair dessa cama para lhe comprar algum presente. – Draco se sentiu idiota por não ter pensado em nada daquilo, mas talvez a culpa fosse de sua família por não manter essa tradição. – A não ser que... Espera Harry. Eu tenho a coisa perfeita pra você.
Draco se levantou e foi procurar pelo paletó que havia tirado mais cedo.
- Na verdade eu ainda não terminei. – Harry disse.
- Bem, você pode continuar daqui a pouco. Primeiro eu tenho que lhe dar o meu presente. – Ele revirava os bolsos do paletó em busca de alguma coisa.
- Mas é importante! – Harry protestou.
- Tenho certeza que é, mas o meu também. – Draco respondeu e gritou: - Achei!
Segurando com firmeza o aparelho trouxa, Draco voltou a sentar na cama.
- Quando eu fui pra casa, passei a maior parte do tempo trancado no meu quarto. Isso – Ele balançou o aparelho. – Foi um presente de uma prima. É um aparelho trouxa, um telefone, eu acho.
- Celular. – Harry o corrigiu.
- Isso. Você vive no mundo trouxa, você entende. O ponto é que quando eu estava trancado no meu quarto, eu usei esse aparelho para escutar músicas trouxas. Em sua maior uma porcaria, se você quer saber. Mas teve essa música que se tornou minha preferida. Ela descreveu exatamente o que eu estava sentindo.
- Que música é? – Harry perguntou.
- Eu não sabia. Por isso estou tentando escutá-la novamente desde aquele dia. Ontem à noite eu finalmente consegui. É de alguma banda chamada The Smiths. Eu passei a noite tentando encontra-la e aprendi a mexer nesse treco. Eu também consegui gravá-la. O nome da música é "There is a light that never goes out" e Harry, eu quero que você fique com isso. – Draco empurrou o celular nas mãos de Harry.
- Eu não posso aceitar. – Harry devolveu a ele. – Você amou a música, você deve ficar com ela.
- Harry, você não está entendendo. Eu quero que você fique com isso, por que essa é a música que descreve o que eu sinto por você. E você deve saber o que eu sinto.
- O que você sente? – Harry perguntou curioso.
- Eu amo você. Você já deve saber disso, mas eu tenho que dizer: Eu te amo, Harry Potter. E eu quero que você fique com a música perfeita. – Draco falou lenta e claramente.
Foi a vez de Harry ficar atordoado. Draco estava dando o próximo passo antes dele e agora ele estava ali com aquela cara de bobo.
- Draco, eu... – Harry sorria tanto que era quase impossível falar claramente. – Essa era a outra parte do presente. Eu queria que você soubesse que você é o sol do meu dia, você é o vento do meu céu, as ondas do meu oceano a as batidas do meu coração. Eu te amo. Eu te amo como jamais pensei que fosse possível e eu adoraria poder chama-lo de meu.
- Você está pedindo pra namorar comigo? – Draco perguntou em tom de desafio.
- Você está dizendo sim? – Harry rebateu.
- Não seja idiota. – Draco respondeu fazendo Harry murchar. – Como eu poderia dizer não? Eu te amo, seu testa-rachada.
Harry sorriu novamente e seu corpo recebeu ondas elétricas de felicidade.
Era possível ver a quantidade pesada de nave caindo lá fora. Aquele era um dos dias mais frios do ano.
Draco olhou para Harry e entregou o aparelho em suas mãos novamente. Enquanto a música tocava, Harry percebeu que ela também descrevia exatamente o que ele sentia por Draco. A vontade de saírem dali, juntos. O medo de falarem o que sentiam. A capacidade de darem a vida pelo outro. E acima de tudo essa luz, essa força que estava dentro dele que nunca se apagaria, nunca iria embora. ¹
Draco desabotoou a própria camisa e Harry entendeu que palavras não eram mais necessárias e se juntou a ele.
No momento em que se beijavam, Draco se perguntou como, no meio de tanta neve caindo lá fora, era possível que ele sentisse como se estivesse queimando vivo.
A cama virou um espaço enorme onde eles podiam se mover a vontade. Os lábios de Draco acariciavam os lábios de Harry enquanto o desejo crescia. O toque que compartilhava já não era suficiente, ele queria mais, queria ir em frente e tentar diminuir o desespero angustiante de não satisfazer a necessidade.
Draco passou as mãos pelo peito de Harry até o pescoço e deslizou seus lábios para a nuca do garoto. A mão livre bagunçava os cabelos escuros, que antes estavam bem penteados.
- Prefiro... – Sussurrou Draco. – Prefiro seus cabelos bagunçados.
- Eu prefiro você de qualquer jeito.
Harry provou os lábios macios de Draco mais uma vez, tendo agora a oportunidade de deslizar uma das mãos pelas costas do loiro até embaixo da sua cintura. A calça foi lançada para longe e agora não havia barreira nenhuma separando o corpo dos dois.
O crescimento do desejo espantou Draco. Ele não sabia o que fazer a seguir, sempre queria mais e mais, mas o que era esse "mais" afinal? O que eles deveriam fazer?
Impedindo Harry de passar a mão mais embaixo, Draco ficou estupefato por um instante.
- O que foi? – Harry perguntou assustado. – Eu machuquei você?
- Não... – Draco tentou falar sem parecer um completo idiota. – É só que... Eu quero você, Harry. Eu amo você e esse desejo está começando a machucar. Eu não sei o que fazer. Eu quero seguir em frente, mas tenho medo de dar o próximo passo.
- Pensei que você fosse o único de nós que sabia o que estava fazendo.
- Esse é o problema, Harry. Eu não sei. Meu peito está ardendo e meu corpo está pedindo por mais. Mas eu não faço ideia do que fazer a seguir.
- Vamos só deixar ser. Vamos relaxar. – Harry encostou o queixo em um ombro de Draco e acariciou gentilmente o outro. – É só seguir em frente sem pensar.
Então Draco decidiu se deixar levar. Não importando o que aconteceria, ele estaria pronto.
O corpo de Harry agora estava comprimido contra o seu. Ele inclinou a cabeça, deixando todos os sentimentos internos passarem para fora. O coração martelava pesadamente contra o peito. Harry rolou por cima dele e o medo voltou.
Harry não dizia nada e também tentava não pensar. Draco respondia lentamente aos seus toques, cada vez que aumentava a velocidade os gemidos ficavam mais baixos e sombrios. Puxando Draco para cima de si, Harry virou de costas, tentando fazer com que o outro entendesse seus sinais.
Depois de alguns segundos de confusão mental, uma luz se acendeu na mente de Draco e ele reagiu ao que Harry estava pedindo. Suavemente aproximou seu membro dele e segurando-o pelas laterais do corpo, violou sua carne e fez com que ele soltasse exclamações.
- Harry, eu não quero te machucar... – Draco suspirava.
- Não... – Harry respondeu. – Eu te amo. Eu quero você.
Draco acenou que sim e continuou com o que estava fazendo.
A mistura de prazer e dor percorria o corpo de Harry. Ele se agarrou aos dedos de Draco para tentar expressar a sensação, suas mãos estavam quentes e suadas. Inclinando a cabeça, Harry pedia um beijo. Os lábios de Draco estavam mais molhados do que nunca.
Com a velocidade aumentando, a dor começava a ir embora e só permanecia o prazer.
Draco ainda estava apreensivo por Harry, mas Harry agora o puxava para perto. Com uma certeza maior, ele passou a investir com mais força.
Harry não conseguia conter a emoção que aflorava em sua pele. Draco também estava perto do ápice. Segurando forte as mãos um do outro e ainda tocando os lábios, se contorceram para juntar os corpos ainda mais. Com um abraço apertado e um beijo que deixou ambos sem ar, eles atingiram o ponto máximo e a sensação foi expressa pelo líquido que jorrou de ambos.
A cama voltou a diminuir e eles não conseguiram se soltar do outro.
Harry se virou para encarar Draco de frente. Puxando as cobertas para cima deles, deitou a cabeça em seu peito e disse o que era a única certeza em sua vida.
- Eu te amo, Draco. – Sua voz saiu pesada e arrastada. – Aconteça o que acontecer, você é a única coisa que importa.
- Eu te amo também. – Draco respondeu depressa. – Mas suponho que você já saiba disso.
A música antes abafada pelos gritos, agora estava repetindo pela quarta vez. Harry sorriu ao saber que, apesar de todas as confusões pelas quais passou e ainda passará na vida, ali estava ele com seu antes inimigo dizendo que o amava e realmente o amando.
Draco olhou para os olhos verdes de Harry e sentiu uma pontada ao lembrar-se de como ele o odiaria quando descobrisse o que ele seria obrigado a fazer. Era apenas isso que ele desejava: Poder viver sua vida ao lado de Harry, a pessoa que lhe completava, o yin do seu yang. O problema é que se dependesse do Lorde das trevas, tudo isso logo estaria acabado.
- Ei! – Harry gritou de repente. – Você deveria me ensinar a dançar!
- Calma, nós ainda teremos muito tempo. – Draco disse sem nenhuma gota de certeza. – Só espere um pouco seu Gryffindor gostoso. – Aquilo deu um tom cômico as palavras de Draco. – Que horror, nunca mais te chamo assim.
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Notas na areia: 1. Se você não está entendendo essa parte da letra da música, ela está no capítulo passado.
