- Anda logo, Ronald! – Hermione gritou para um Ron de passo lento. – O Harry vai amar a surpresa.
- Hermione, você poderia se acalmar? – Ron estava carregando várias malas, então não podia correr assim tão facilmente como Hermione.
- Eu avisei que era melhor trazer isso com um feitiço de levitação.
- Eu já falei que eu consigo! Só relaxa, ok?
Os dois caminhavam o mais rápido que podiam para longe das carruagens e em direção à escola. O dia estava frio e a neve dificultava a caminhada.
Hermione estava ansiosa para encontrar Harry. Afinal, depois de três semanas sozinho Harry deveria estar arrasado. Por isso ela e Ron decidiram voltar o mais rápido possível para fazer companhia ao amigo e, como a Sra. Weasley fez questão de todos estarem reunidos para a ceia de véspera de Natal, eles saíram da Toca na manhã seguinte.
Depois de quinze minutos de caminha e um misto de cansaço e frio, eles finalmente alcançaram as portas de entrada do castelo. Hermione rapidamente segurou-as para que Ron pudesse passar e este, assim que colocou os pés no piso de concreto, deixou tudo desabar.
- Eu sinto muito Hermione. Eu vou dar um jeito. – Ron tentava apanhar todas as malas do chão e carrega-las escadaria a cima.
- Ron, por favor, dá pra você parar de tentar ser cavalheiro? – E Hermione, usando a varinha, fez as malas seguirem pela escada na frente deles.
- Hermione, eu não sei o que seria sem você. – Ron deu um beijo carinhoso na boca da garota.
Ao alcançarem o retrato da mulher gorda, ambos se deram conta de que não sabiam a nova senha e que agora teriam que esperar até o momento em que Harry ou algum Gryffindor aparecesse. Mas era manhã de natal e isso levaria décadas.
- Nós não sabemos a senha, mas será que você nos deixaria entrar? – Hermione perguntou ao retrato.
A Mulher Gorda balançou a cabeça com os olhos fechados. Parecia que ela estava cansada e não dormia há tempos.
- Por favor. – Ron ajudou.
- Não! – O quadro abriu os olhos. – Espere... Vocês são amigos daquele garoto magricela de cabelo assanhado, não são?
- Harry? Sim, nós somos. – Hermione respondeu.
- Oh. – A Mulher Gorda abriu passagem. – Então entrem, por favor. Vocês estão prestes a ver algo interessante.
Ron e Hermione trocaram olhares intrigados. O que poderia ter de interessante para ver sobre Harry?
Colocando as malas ao lado de uma poltrona, Hermione se apressou para subir ao dormitório masculino. Ron veio ofegante ao seu lado.
Ao chegarem à porta do quarto, Hermione impediu Ron de prosseguir.
- Shhhhh. – Ela sussurrou. – Vamos fazer uma surpresa, Ron, precisamos ir devagar.
- Tudo bem, tudo bem. – Ron sussurrou de volta e lentamente abriu a porta.
Apenas uma cama estava ocupada e era a de Harry. Todas as outras estavam bagunçadas e com as cortinas abertas. Da entrada ambos conseguiam ouvir a respiração de Harry por trás das cortinas da cama.
Hermione se sentiu um pouco triste por ele estar sozinho, nem Neville havia dormido ali.
Ron caminhando sorrateiramente pegou uma ponta da cortina, virou para Hermione e contou até três.
- Um, dois, três... – Ele sussurrou, puxou a cortina e gritou junto com Hermione: - SURPRESA!
Harry estava coberto por lençóis, Ron pensou que ele parecia incrivelmente maior do que qualquer pessoa normal. Ele não se levantou imediatamente como Ron esperou que fizesse, em vez disso tirou apenas a cabeça de baixo do cobertor. O que causou um efeito estranho, como se apenas metade do corpo tivesse vida.
Foi ai que Ron percebeu que Harry não tinha engordado exageradamente enquanto eles estavam fora. Havia outra pessoa na cama com ele.
Uma garota, pensou Ron, e ele e Hermione estavam atrapalhando tudo.
- Gente! – Harry exclamou completamente envergonhado. – Vocês já voltaram!
- É, mas nós já estamos indo. – Hermione puxou Ron. – Desculpe se lhe acordamos.
- Espera! – Ron gritou. – Quem é a sortuda? – E quando Hermione lhe lançou um olhar assassino, ele completou: - Eu preciso conhecer a namora do meu melhor amigo.
- Ron! – Hermione irritou-se. – Vamos embora agora!
- Não. – Harry falou. – Vocês devem mesmo conhece-lo.
E antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa, Harry puxou Draco de baixo das cobertas.
Draco ainda estava tentando acordar, por isso a situação estava completamente confusa para ele.
- Na verdade vocês já o conhecem, mas dessa vez eu posso apresenta-lo como meu namorado. – Harry sorriu tremendo de ansiedade para saber o que Hermione e Ron iriam falar.
- Harry, seus amigos estão aqui mesmo ou isso é algum tipo de pesadelo? – Draco perguntou ao ouvido de Harry.
- Não é pesadelo. – Harry respondeu.
Quando Harry olhou para os amigos, ambos tinham expressões opostas. Hermione estava espantada, mas um sorriso brincava em seus lábios. Ron por outro lado estava com uma expressão impossível de ler, mas Harry interpretou como desprezo e nojo.
- Eu acho isso maravilhoso. – Hermione foi a primeira a falar. – Eu sempre suspeitei que por trás de toda aquela tensão de vocês houvesse algo a mais. Acho realmente maravilhoso. Parabéns aos dois. – Ela sorria de orelha a orelha.
- Não pensei que diria isso durante minha vida, mas... Obrigado Granger. – Draco falou.
Harry estava preocupado com o que Ron faria, ele já estava com cara de assassino por muito tempo.
- Ron? – Harry chamou.
- Harry, por favor, não fique chateado com o que ele pensar. – Draco comentou baixinho. – Eu estou aqui, ok?
Harry balançou a cabeça, mas ainda tinha os olhos grudados a Ron.
Hermione deu um empurrão leve no ruivo, e isso o puxou de volta ao mundo real.
Para a surpresa de todos, Ron deu de ombros.
- Por mim tudo bem, cara. – Ron falou. – O que você quiser fazer, eu vou apoiar.
Harry sorriu. Ele nunca pensou que seus amigos fossem reagir assim. Hermione tudo bem, mas Ron nunca pareceu ser tão liberal.
- Nós estamos saindo. – Hermione sorriu e puxou Ron até a sala comunal.
- Uau. – Draco disse. – Nem em meus sonhos mais extremos eu pensei que o Weasley fosse dizer isso. Com aquela cara pensei que fosse me amaldiçoar.
- Eu sei! – Harry exclamou feliz. – Isso é incrível. Se Ron agiu assim, acho que não serão muitas as pessoas que vão se importar com isso.
- Eu não contaria muito com isso. – Draco disse ao se levantar da cama. – As pessoas são estúpidas demais.
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Hermione estava impressionada pelo modo de como Ron agiu. Ela pessoalmente já suspeita sobre aqueles dois há bastante tempo e sempre esperou que eles conseguissem se acertar. Quanto a Ron, ele era péssimo em perceber qualquer coisa, mas agiu tão brilhantemente que Hermione sentia vontade de abraça-lo até perder todas as forças.
- Ron. – Ela disse quando os dois se sentaram em poltronas opostas. – Aquilo que você disse... Foi brilhante.
- Não precisa ficar tão impressionada Hermione. – Ron disse. – Eu não me importo com Harry ser gay. Eu acho até legal, sei lá, pelo menos ele fica longe da minha irmã. Só acho que ele poderia ter escolhido alguém melhor que o Malfoy.
- Mas você não percebe Ron? Eles são perfeitos um pro outro.
- Eu não consigo pensar assim.
- Mas você ainda vai. Com o passar do tempo vai perceber que eles se completam.
- Quer saber? Eu espero que sim, espero que eles sejam felizes. Mas também espero que Harry tenha cuidado com o Malfoy. Sabe-se lá o que ele pode realmente estar fazendo.
- Ron, confie em mim. Malfoy não está fazendo com Harry nada além do que você está fazendo comigo. Os dois estão apaixonados.
Ron segurou a mão de Hermione e a beijou.
- Se o Malfoy sentir por Harry metade do que eu sinto por você eu confio totalmente nele.
Hermione sorriu e se inclinou para deixar Ron beijá-la, mas foi atrapalhada pela visão de certa Mulher Gorda desapontada por não ter havido nenhuma confusão.
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Os dois estavam vestidos, Draco usava o suéter verde que Harry havia lhe dado, sentavam lado a lado na cama.
- Eu estou me sentindo um pouco estranho. – Draco falou.
- Eu também. – Harry disse. – Talvez pela noite passada, talvez por essa manhã.
- Vamos dizer que seja pelos dois. Só espero que não esteja sendo difícil pra você sentar. – Draco riu e Harry jogou um travesseiro contra ele.
- Não tem graça. – Harry disse.
Mas tinha graça. Tudo o que Draco falava fazia Harry sorrir, não importava o que fosse.
- Não queria ter que sair do quarto. – Draco falou. – Que droga esse casalzinho ter voltado.
- Draco! – Harry protestou.
- Desculpa, desculpa. É só que eu gostaria de ficar aqui com você o dia inteiro fazendo nada. Bem... Talvez fazendo alguma coisa.
- Se quer saber, eu também. Mas o Neville ia voltar pra cá de qualquer jeito. – Harry disse depressivamente. – Vamos, nós estamos perdendo o café da manhã.
- Espera! – Draco gritou quando Harry se levantou.
- O que foi? – Harry se espantou.
- Você não pensou que eu fosse te deixar ir ao encontro de estranhos em lugares sem escapatória por uma quantidade considerável de tempo sem nem ao menos arrancar um pedaço seu antes, pensou? – Draco perguntou com tom de brincadeira.
- Não?
- Óbvio que não. Agora vem aqui pra eu poder te dar um beijo apropriado.
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Harry e Draco desceram ao encontro de Ron e Hermione. Draco e Ron passaram o caminho até o Grande Salão sem dizer nada, enquanto Harry e Hermione conversavam sobre o que eles fizeram nos últimos dias.
Ron teve um pequeno espanto ao entrar no Grande Salão. Tudo estava bastante vago, mas os alunos estavam sentados em todas as mesas. Havia Gryffindors sentados na mesa dos Hufflepuffs, Ravenclaws na de Gryffindors e assim por diante. Luna apresentava Neville a algumas Ravenclaws. A não ser pela mesa vazia de Slytherin, parecia que não havia mais divisão de casas em Hogwarts.
- O que aconteceu aqui? – Ron perguntou.
- Incrível! – Hermione disse. – Eu nunca concordei com aquela segregação.
Draco estava indo em direção à mesa vazia, mas Hermione o impediu.
- Malfoy, não vai sentar com a gente? – Ela perguntou.
O coração de Draco levou uma pontada ao ouvir seu antigo sobrenome. Harry percebeu.
- Draco. Chame-o de Draco. – Harry tentou ajudar.
- Tudo bem, se ele quiser. – Hermione ficou sem entender, Draco concordou. – Então venha sentar conosco.
Draco caminhou lentamente até a mesa de Gryffindor. Ele amaldiçoou a todos por não poder abraçar Harry ali em público, por que ele realmente estava precisando de algum consolo naquele momento.
Harry se sentou ao lado de Draco. Todos comeram silenciosamente sem saber o que falar. Era possível sentir o constrangimento pairando no ar.
Alguns momentos depois, o correio estava chegando. Várias corujas pairavam sobre os alunos. Draco recebeu um grande pacote de carta.
A carta era de Narcisa. Draco ficou preocupado ao pensar que alguma coisa poderia estar acontecendo com sua mãe. Arrancou bruscamente o envelope e começou a ler a carta:
Querido Draco,
Perdoe-me por passar tanto tempo sem lhe enviar notícias, mas só agora encontrei uma maneira de fazer isso sem que seu pai descubra. Não responda, pois ele irá interceptar sua carta, não importa os esforços que eu ou você fizermos.
Quero que saiba que eu estou bem. Depois do acontecido naquela noite, seu pai pareceu apagar tudo aquilo da memória, eu imaginava que ele esqueceria sobre deserdar você, mas infelizmente ele nunca pronuncia seu nome, então não sei o que fazer para ajudar. Mas não se preocupe meu filho, junto a essa carta estou enviando dinheiro o suficiente para pelo menos dois meses.
Temo que esse não seja o único motivo dessa carta. O Senhor das Trevas está prestes a completar seus planos e para isso, é claro, ele vai precisar de você. Sinto muito que precise passar por isso querido, mas é a única opção. Você-sabe-quem passou todas as informações sobre o plano ao seu pai, mas como ele não vai dar o braço a torcer, eu vou tentar lhe ajudar ao máximo. As instruções estão em um pequeno pergaminho junto a essa carta. Queime depois de ler, por sua própria segurança.
Eu entendo se você não quiser fazer parte desses acontecimentos, principalmente agora que está ao lado de Harry Potter. Entendo que você queira mudar de lado e de fato eu apoio sua decisão. Mas faça apenas esse favor a você-sabe-quem. Depois tudo se resolverá.
Eu te amo meu filho, por favor, não se esqueça disso.
Sempre com amor,
Narcisa Black
P.S: Eu não deserdei você. Eu tenho orgulho de você. Ficaria honrada se quisesse aceitar meu sobrenome.
Draco estava perplexo após ler a carta. Você-sabe-quem realmente iria precisar dele e agora esse momento estava mais próximo do que nunca.
Aquela era a primeira vez que Draco via sua mãe assinar alguma coisa com seu sobrenome de solteira. Narcisa Black.
Aquilo fazia dele um Black agora. Sentiria falta do nome Malfoy, mas Draco Black não era completamente ruim. Ele teria orgulho de carregar o nome de sua mãe.
Draco se levantou e conteve o impulso de se despedir de Harry com um beijo, mas apenas acenou pra todos e disse a ele que precisava ir.
Harry ficou um pouco preocupado, mas achou que se Draco quisesse falar sobre aquilo, era melhor que a iniciativa partisse dele mesmo.
Hermione também parecia preocupada e perguntou se Harry sabia de alguma coisa. Harry deu de ombros.
- Espero que esteja tudo bem. – Ele disse. – Depois ele virá falar comigo, se precisar de alguma coisa.
Hermione não achou aquela frase convincente, mas parou de falar.
- A propósito, agradeço pelo que vocês fizeram. – Harry disse. – De verdade. Eu estava apreensivo sobre a reação de vocês. Não sei o que eu faria se não me ficassem do meu lado.
- Harry, não precisa agradecer. – Hermione começou. – Nós somos seus amigos e estaremos felizes qualquer que seja sua escolha. Nós só queremos que você seja feliz.
- É, cara. – Ron completou. – Eu ainda tinha minhas dúvidas sobre o Malfoy…
- Draco. – Harry interrompeu. – Chame-o de Draco.
- Eu ainda tinha minhas dúvidas sobre o… Draco. – Ron continuou. – Mas Hermione aqui me convenceu de que vocês dois foram feitos um pro outro e blábláblá. De qualquer forma, se ele… Se vocês realmente se amarem, qual é o problema disso?
- Vocês não fazem ideia de como é bom ouvir isso. – Harry sorria. – E, bem, se puderem não falar sobre isso com ninguém, pelo menos por enquanto, eu ficaria ainda mais grato.
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Draco terminara de ler suas instruções e agora observava a lareira de sua sala comunal levar embora qualquer registro da existência daquele pequeno pedaço de pergaminho.
Ele se sentia mal. A dor de cabeça anteriormente curada havia voltado com força total. O que piorava a situação era a impossibilidade de ele falar sobre tudo isso com Harry.
Sabia que no momento que mentisse para Harry, seu coração se transformaria em uma bomba com tempo limite de duração. O maior medo que ele tinha na vida era perder Harry e agora isso poderia virar realidade.
A sensação de cair do alto de uma vassoura não era nada comparada com o que ele sentia naquele momento.
Draco tentou fazer qualquer coisa para se acalmar, se arrastou até a cama e ali ficou tentando apagar tudo aquilo de sua cabeça.
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Só faltava um dia para as aulas recomeçarem. Harry nunca mais havia tido momentos a sós com Draco. Depois de como ele saiu do Grande Salão, Harry havia passado noites em claro sofrendo de preocupação. Desse modo, decidiu que a primeira coisa que faria antes da volta às aulas seria tentar ajuda-lo.
Harry bateu no retrato, mas ninguém apareceu.
Dizendo a senha, ele entrou gritando por Draco.
Já dentro do quarto, Harry podia ver o corpo de Draco jazendo em sua cama. Correu até Draco e se juntou a ele.
Draco logo abriu os olhos e avançou alguns centímetros em direção a Harry, mas não se esforçou o suficiente para alcança-lo.
- Draco, eu sinto muito, mas não suporto mais. Você precisa me dizer o que diabos está acontecendo. – Harry disse.
- Você não deveria estar aqui. As pessoas vão chegar a qualquer momento. – Draco disse.
O Slytherin tinha decidido que se ele não tinha escolha a não ser ajudar Voldemort, era melhor para ambos se ele se afastasse de Harry.
- Fodam-se as pessoas. Eu quero saber como você está. Eu tenho o direito de saber!
- Não há necessidade disso. Eu não tenho nada pra contar.
- Eu penso que foi por culpa daquela carta, mas… Quem sabe talvez eu seja o culpado. O que eu fiz de tão terrível que você não olha nem nos meus olhos?
Draco ficou em silêncio enquanto seu coração se partia. Harry se sentia culpado. Era pior do que ele imaginava. Tudo aquilo não estava afetando apenas ele, estava afetando Harry da mesma maneira, fazendo com que ele duvidasse de si mesmo. As lágrimas reprimidas durante todos esses dias vieram à tona e Draco agradeceu pelo quarto estar escuro o suficiente para Harry não perceber.
- Harry, eu te amo. Você não seria capaz de fazer nada pra me machucar. – Draco falou quando conseguiu secar os olhos. – Eu te amo muito e você sabe disso. Mas agora não tem nada que você possa fazer. Não tem nada que eu possa fazer. Você precisa parar de se preocupar, ok?
- Como eu posso parar de me preocupar se você não fala comigo? – Harry mesmo no escuro, tentou olhar dentro daqueles olhos cinzentos. – Esses dias foram os piores. Você não come nada, nunca fala nada. Se há algo de errado você deve me contar. Eu não posso evitar pensar que eu sou o culpado.
- Você é a única pessoa que ainda me ajuda a continuar, Harry. Mas você tem que acreditar em mim. Não importa o que aconteça, só se você acreditar em mim. Eu te amo, por favor, acredita em mim. Por favor... – As lágrimas se fizeram visíveis a Harry e Draco se agarrou a ele. Talvez se Harry acreditasse por um instante nele aquela situação ficaria melhor.
- Eu... Eu acredito em você. Eu também te amo, mas é por isso que eu não posso parar de me preocupar. Talvez se você saísse desse quarto...
Draco percebeu que Harry tinha razão. Ficar ali remoendo tudo o que estava para acontecer não mudaria nada. O que ele deveria fazer era aproveitar todo o tempo que ainda restava, principalmente aproveitar seu tempo com Harry.
- Tudo bem. Vamos sair logo daqui antes que aqueles Slytherins idiotas cheguem. – Draco disse e sorriu pela primeira vez em dias.
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Eles decidiram passar o último dia de férias juntos. Draco ainda parecia abalado, mas agora estava se distraindo fugindo dos Slytherins que chegavam a cada minuto.
Assim que ele e Harry saíram da sala comunal, a avalanche de alunos, em sua maior parte Slytherins, começou. A maioria já estava na escola há algum tempo. Ginny já tinha voltado a trocar olhares assustadores com Harry há três dias.
Harry quis ir pra sua própria sala comunal, mas Draco insistiu que ele não ficaria por nenhum momento em uma sala entupida de Gryffindors.
- A biblioteca. – Draco disse. – O pessoal ainda tá chegando, não vai ter ninguém lá.
Ou assim ele pensava. Harry deveria ter suspeitado antes, mas como não falou, lá estavam eles encarando uma Hermione cercada de livros.
- Ah, oi Granger. – Draco disse perdendo o pouco de ânimo que antes tinha.
- Olá meninos! – Hermione sorriu.
Draco olhou para Harry como quem dizia que eles precisavam cair fora dali imediatamente, mas como Hermione havia os chamado para se juntar a ela, Harry balançou a cabeça e puxou uma cadeira para sentar.
- Aproveitando o último dia livre? – Ela perguntou.
- É. – Foi só o que Draco respondeu.
Passaram-se diversos momentos com o ar pesado e constrangedor antes que Hermione puxasse Harry e sussurrasse no ouvido dele:
- Acho melhor vocês irem pra outro lugar. Malfoy não parece nada feliz.
- Draco. – Harry sussurrou de volta.
Hermione sorriu enquanto Harry se levantava e puxava Draco para fora da biblioteca.
- Isso foi uma péssima ideia. – Draco observou.
Correndo para longe da multidão, eles agora procuravam pra onde ir. Alguma sala vazia, algum armário de vassoura que fosse.
Já era mais de meio-dia quando eles finalmente encontraram uma sala vazia que estava convenientemente aberta.
- Bom, então eu acho que é aqui que vamos fazer nosso piquenique romântico. – Disse Draco assim que entraram.
- Piquenique? – Harry perguntou confuso como sempre.
- Já é hora do almoço, Harry. Você não espera que eu fique aqui passando fome, espera? – Draco brincou.
- Ah... Não, claro que não. – Harry respondeu, levando a sério, como sempre. – Eu vou, ahn, pegar comida na cozinha. Você... Você fica aqui.
- Ok. – Draco riu em resposta.
A sala era muito escura e parecia não ser usada há anos. Teias de aranha estavam penduradas em todo canto e exceto por uma escrivaninha minúscula e quebradiça, não havia nem um móvel ali dentro.
Draco se escorou na parede e deslizou até o chão. Sentiu alguma coisa prender em seu cabelo e amaldiçoou Merlin pela existência de aranhas.
Curtos minutos depois, um Harry suado e ofegante voltou com uma toalha recheada de comida.
- Tinha uns... Elfos que não... Que não me deixavam sair... Mas eu... Eu consegui... – Ele tentava falar.
- Tá bom Harry, se acalma. – Draco riu novamente. Esse dia estava melhor do que o esperado. – Você conseguiu, é isso que importa.
Harry espalhou a comida em cima da toalha, ele não usou magia, de alguma forma achou que para Draco, ele faria o trabalho.
A comida trouxe cores para a sala escura e depois mais cores ainda quando Draco conjurou pequenas luzes coloridas.
- Agora sim parece um piquenique romântico. Um piquenique romântico em um lugar fechado, mas mesmo assim... – Harry comentou quando terminou de organizar a comida.
- Eu não quero sair daqui – Draco disse.
- Nós não vamos.
- Mas eu meio que... Eu sei que é ridículo, mas eu queria ficar aqui pra sempre.
- Sério? Essas teias de aranhas não são bem o seu estilo.
- Eu odeio essas malditas aranhas. Mas se você ficasse aqui, eu não iria me importar muito.
A comida quase não foi tocada por um longo tempo, eles estavam ocupados demais um com o outro.
Draco se sentia tão pesado quanto ao segredo que escondia de Harry que não conseguiu o soltar por momento algum. Nem mesmo quando os beijos os deixaram sem ar e suados.
- Acho que a gente devia comer logo, antes de ficar frio ou coisa pior. – Harry disse.
Draco respirou fundo e soltou o ar, acenando com a cabeça.
Até que eles tentaram, mas apenas uma uva na boca do outro levou a múltiplos beijos novamente. E logo eles bolavam no chão.
Por algum motivo Draco não conseguia conter a risada, talvez fosse a inesperada felicidade misturada com a apreensão do que viria em seguida.
Eles perderam muito tempo nisso, se cansaram e acabaram pegando no sono. Quando Draco acordou se deleitou assistindo a respiração de Harry que dormia em seu peito. Deu um beijo leve em sua testa suada e tentou se levantar sem acordá-lo, sua coluna doía por causa do chão duro.
Ele deu uma espiada para fora da sala escura e percebeu que já era quase noite, não havia mais ninguém nos corredores.
- Está indo embora sem mim? – Harry perguntou ainda deitado.
- Claro que não. Porque eu faria isso? – Draco sorriu e se sentou ao lado de Harry novamente.
- Acho que desloquei algum osso deitando aqui. – Harry disse se sentando.
- Ei, espera. – Draco disse. – Eu sei um feitiço de conjurar, porque não fiz isso antes?
Com um balançar de varinha um colchão grosso e comprido apareceu no chão sujo da sala escura.
- Brilhante! – Harry disse. – Deveria mesmo ter feito isso antes.
- É, eu sei. – Draco disse meio desapontado.
- Pelo menos eu poderia ter feito isso logo. – Harry disse e se jogou em cima de Draco levando os dois a caírem desconfortavelmente em cima do colchão.
- Por isso você quer dizer me partir ao meio? – Draco implicou.
Mas logo em seguida o susto da queda foi esquecido porque Harry estava tirando a blusa de Draco.
A pele estava ficando quente e o corpo suado. Não fazia nenhum sentido manter as roupas, por isso foi a vez de Draco despir Harry e um segundo depois só restava e roupa de baixo separando-os da nudez.
Quando Harry estava a ponto de deslizar a mão para baixo do outro, Draco disse:
- Espera. – Respirou fundo e continuou. – Dessa vez eu quero tentar algo diferente, se tiver tudo bem pra você.
- Claro. – Harry respondeu.
- Deixa comigo dessa vez, ok?
Draco queria ter a oportunidade de sentir aquilo por completo, caso essa fosse a última vez que Harry ficasse com ele.
Draco puxou Harry pra cima dele e se contorceu pra tirar as roupas que faltavam nos dois, depois passou as pernas em volta de Harry e beijou seus lábios.
- Você quer o que eu penso que você quer? – Harry perguntou quase em forma de sussurro enquanto beijava o pescoço de Draco.
- Isso é exatamente o que eu quero. – Ele respondeu.
Depois de sentir a pulsação de Harry, Draco o puxou ainda mais. Agora suas pernas estavam dobradas e Harry estava deitado no meio delas. Draco gostou disso, porque assim poderia ver aqueles olhos verdes.
- Você... Você não precisa usar isso. – Draco apontou para os óculos de Harry.
Harry pensou por um momento e deu de ombros.
- Tem razão, eu não preciso. – E colocou os óculos de lado.
Harry parecia pronto, mas Draco tremia.
- Você está bem? Tem certeza que quer isso? – Harry perguntou preocupado.
Depois de uma respiração longa e profunda, Draco respondeu, repetindo as palavras:
- Isso é exatamente o que eu quero. – E foi ele quem puxou Harry para dentro de si.
Ambos ofegaram e Draco pensou que não doía tanto assim como pensava, na verdade a dor não era nada comparada ao prazer.
- Sim. – Ele sussurrou enquanto Harry continuava. – Exatamente o que eu quero.
E beijou novamente aqueles lábios, esquecendo todas as suas preocupações.
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Por terem dormido a tarde toda, eles ganharam energia para passar a noite acordados. Mas quando a diversão acabou; o cansaço foi imenso e acabaram dormindo demais.
Draco acordou com um tímido raio de sol entrando por uma rachadora na janela, ele se alongou e bocejou, sorrindo por ainda estarem ali. Deu uma volta na sala apanhando suas peças de roupa, ele ainda estava exausto da noite passada.
Pensou em acordar Harry, mas ele dormia tão sereno que achou melhor não perturbá-lo. Lembrou-se tristemente de que hoje era o dia do plano de Voldemort, mas tentou apagar o pensamento com o rosto de Harry.
Olhando para fora da sala, Draco achou estranho não haver nenhum aluno ali. Segundos depois, duas Gryffindors de mãos dadas passaram correndo por ele.
- Nós já estamos atrasadas! Anda logo! – Gritou a garota da frente.
- Eu não acredito que vamos nos atrasar na aula do Snape. – Gritou a outra de volta.
Draco se alarmou e pulou em cima de Harry.
- Harry, acorda! Nós estamos atrasados! Harry!
Harry se levantou depressa, assustado.
- Não me diga que é aula do Snape. – Harry disse.
- Sinto muito, mas é a verdade. – Draco disse. – Agora o que nós vamos fazer? Não dá pra ir desse jeito.
Eles tiveram a ideia de trazer suas roupas com mágica pra lá e agora se vestiam apressadamente.
- Eu não acho que a gente vai conseguir! – Harry alarmou.
- Cala a boca e me passa minha gravata.
Harry lutava contra os botões da camisa enquanto entregava a gravata a Draco. Segundos depois eles passaram correndo pela porta da sala e se apressaram pelos corredores.
Draco passou por um espelho e viu o estrago que estava seu cabelo.
- Oh não, eu não vou entrar na sala de aula assim. – Ele disse, parando para se arrumar.
- Draco, anda logo, não temos tempo pra isso!
- Harry, você não tem que me esperar. Além do mais, é melhor que a gente chegue separados.
Harry deu um último olhar pra ele e saiu correndo em direção às masmorras.
Draco não levou tanto tempo pra conseguir dominar seu cabelo, mas quando deu uma última olhada no espelho, percebeu uma coisa estranha: Sua gravata não era verde, era vermelha, ele estava com a gravata de Harry.
Por sorte ele lembrou de um feitiço de mudança de cor que fez da gravata verde, mas então ele lembrou de uma coisa.
- Harry! – Draco gritou enquanto corria atrás dele.
Se Snape visse Harry com uma gravata Slytherin aquilo lhe renderia uma punição terrível.
Quando finalmente alcançou Harry, já era tarde demais, Snape já estava brigando com o garoto.
- ...Isso é alguma brincadeira de mal gosto? Entre logo. O verei mais tarde na detenção, Potter. E menos trinta pontos para Gryffindor. – Snape disse com veemência e empurrou Harry para dentro.
Harry baixou a cabeça e entrou na sala de aula.
- Ah, mais um atrasado. Se não entrar logo serei obrigado a lhe colocar na detenção também, Senhor Malfoy. – Snape também empurrou Draco, mas sem tanta brutalidade.
Draco sentiu-se inclinado a corrigi-lo, afinal ele não era mais um Malfoy, mas pensou melhor e soube que aquela não era uma boa ideia.
Ele se sentou ao lado de Harry e lhe deu um olhar como que uma desculpa, Harry deu de ombros e sorriu.
Eles acharam melhor não falar nada durante a aula, apesar da vontade ser grande, mas Snape os olhava de maneira estranha e Draco suspeitava o motivo.
A aula terminou depois de uma eternidade e menos quinze pontos para Gryffindor. Draco saiu ao lado de Harry.
- Eu sinto muito pela detenção. – Draco disse. – Nós fomos tão cegos para não ver a diferença entre as gravatas...
- Não tem problema. De verdade. Já estou acostumado com isso. – Harry deu de ombros novamente. – Talvez eu possa te ver quando eu sair de detenção?
- Errr... Na verdade eu não posso hoje. – Draco respondeu com um nó na garganta. – Eu tenho que fazer uma coisa.
- Tudo bem. – Respondeu Harry. – É triste, mas tá tudo bem.
E então os dois se separaram para aulas diferentes.
O segundo período passou rápido assim como os próximos e logo era o final do dia. Draco agora comia seu jantar, calado, na mesa dos Slytherins. Aquela era quase que uma última refeição antes de queimar na fogueira.
A alguma distância ele via Harry comendo e sorrindo de alguma coisa que o Weasley disse. Era arriscado, mas Draco não poderia passar por tudo o que estava pra vim sem se despedir de Harry.
Ele engoliu o que restava em seu prato e esperou que Harry terminasse de comer. Harry demorou mais do que ele esperava, estava demorando para não ir pra detenção. Quando ele se levantou Draco correu atrás.
- Ei Harry! – Ele chamou.
- Draco. – Harry disse antes mesmo de se virar.
- Eu queria, hã, te desejar boa sorte, você sabe, com o Snape... – Draco inventou.
- Eu já disse que não tem problema.
- É, eu sei, mas eu só pensei que talvez isso pudesse ajudar. – E puxou Harry para o canto da parede onde por sorte ninguém veria eles se beijando. – Eu te amo.
- Eu te amo também. – Harry respondeu e lhe deu mais um beijo antes de partir.
Draco sentiu um peso cair sobre seus ombros, porque ele realmente amava Harry, mas daqui a poucos minutos tudo estaria arruinado.
Ele se viu entrando de volta no grande salão e se sentando no mesmo lugar. Blaise lhe deu um olhar estranho, mas ele decidiu ignorar.
Olhou novamente para a mesa de Harry e o espaço que estava vazio agora. Draco percebeu naquele momento que, quaisquer que fossem as consequências de desobedecer ao Lorde das Trevas, isso não seria nada comparado ao fato de perder Harry. Ele só teria que manter sua mãe a salvo, o restante não importava.
Draco se levantou com uma nova perspectiva. Estava caminhando até a mesa dos Gryffindors.
- Granger, será que eu poderia falar com você um instante? – Draco perguntou, tocando o ombro de Hermione.
Ron olhava de Draco para Hermione, mas seu olhar só indicava curiosidade.
- Claro Malfoy. – Ela se levantou e o seguiu.
- Pode me chamar de Draco. Na verdade Malfoy não é mais meu nome. – Ele disse quando saíram do salão.
- Se você diz. – Hermione parecia confusa, mas não tocou no assunto. – Pode me chamar de Hermione também. – Ela sorriu um sorriso verdadeiro de dentes grandes. – O que você queria falar comigo?
Draco só queria ajuda com alguns feitiços de defesa que ele ainda não tinha praticado e Hermione ajudou de bom grado. Não levou muito tempo, mas quando terminaram a maioria das pessoas já haviam saído do grande salão.
- Muito obrigado Hermione, obrigado mesmo. – Draco disse quando já estava indo embora. – Só mais uma coisa: Se você puder, por favor, não fale nada disso pro Harry, pelo menos não ainda. Eu vou falar pra ele, não se preocupe.
- Sem problemas, não falo. – Ela concordou e acrescentou antes dele se afastar: - E Draco, o que quer que esteja fazendo, por favor, tome cuidado.
Ele gritou um "Pode deixar" por cima de todas as pessoas que saíam e se dirigiu ao ponto de encontro.
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vá para a sala precisa
deixe os Comensais da morte entrarem
guie-os para onde quer que Dumbledore esteja
mate Dumbledore custe o que custar
siga para onde quer que MacGonagall esteja
mate MacGonagall custe o que custar
deixe os Comensais terem sua diversão
leve-os de volta à sala precisa
venha com eles
faça isso e você estará a salvo
desobedeça e todos que ama morrerão
Essas eram as instruções de Voldemort escritas em uma caligrafia terrível, exatamente como Draco lembrava antes de queimar o pergaminho. No momento que as recebeu ele se lembrou de agradecer aos céus por não conter nada ali que envolvesse Harry.
Agora pensava se conseguiria mesmo fazer o que estava tentando fazer.
Ele atingiu o limite. Não tinha mais nada que pudesse aguentar, não poderia perder a única coisa boa que já lhe aconteceu, por isso seria capaz de arriscar sua vida para evitar que tudo fosse destruído. Afinal, ele preferia a morte a viver em um mundo em que Harry o odeie.
Com os feitiços que Hermione o ajudara a aprender na ponta da língua, ele planejava revidar. Já era hora de deixar de ser um fantoche nas mãos de Voldemort, ele iria escolher o próprio futuro agora.
Demorou um pouco para a sala se materializar, ele sabia o motivo: Não era disso que ele precisava.
Quando conseguiu se concentrar, entrou na sala precisa de varinha em punho e abriu o armário sumidouro. Lá estavam eles, todos aqueles monstros terríveis servidores de Voldemort.
Nenhum deles ele conseguia reconhecer.
- Está tudo pronto garoto? – Perguntou o que saiu do armário primeiro.
- Sim. – Draco sorriu e sentiu o peso sair de seus ombros.
Ele levantou a varinha o mais rápido que já havia levantado em toda sua vida, apontou para o bando de Comensais e usou um feitiço de paralização não verbal. Todos eles estavam imóveis.
- Agora se vocês quiserem viver, vão embora. E não se esqueçam de dizer ao seu precioso Voldemort que já cansei dele. Agora sou só eu quem manda em mim! – Draco gritou com entusiasmo por seu plano ter funcionado.
Ele viu os olhos dos comensais, a única coisa que podiam mover, se voltarem para o armário sumidouro.
- O Lorde das Trevas nos avisou que talvez você precisasse de um pequeno incentivo. – Disse um homem um tanto familiar saindo do armário.
Draco se assustou e por isso não teve tempo suficiente de paralisar o homem também, quando enfim ergueu a varinha o homem puxou alguma coisa atrás dele, uma corda amarrada em algo muito maior.
- Eu não faria isso se fosse você. – O homem disse. – Um movimento e ela morre.
Draco ignorou o comentário porque se deu conta do motivo do homem ser tão familiar. Ele não sabia como, mas tinha o reconhecido.
- Pansy. – Ele sussurrou quase que pra si mesmo. – Você matou a Pansy! – Dessa vez ele gritou.
- Então era esse o nome dela? – O homem riu. – Garotinha bonita, talvez eu não devesse ter matado ela tão rápido, eu deveria ter levado ela comigo, se é que me entende.
- Seu filho da puta! – Draco se descontrolou. – Eu vou te matar! Eu vou te matar agora!
- Eu já disse pra não se mexer ou ela morre. – O homem disse e finalmente puxou totalmente a corda que veio acompanhada por uma mulher.
Draco entrou em choque e quase não conseguiu dizer:
- Mãe?
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