- Mãe? – Draco perguntou olhando para a mulher loira amarrada e amordaçada aos pés do Comensal.

Narcisa apenas gemeu, inabilitada de falar pela mordaça.

- Você não pode fazer isso! – Draco gritou e tentou se aproximar de Narcisa, o homem o impediu com um movimento de varinha. – Solte ela agora!

- Não, não, não. – Disse o homem. – Você vai fazer o que o Lorde das Trevas mandou e depois, somente depois, eu solto essa vadia. Entendido?

E com isso o peso voltou aos seus ombros. É claro que não poderia ser assim tão fácil.

Ele podia ver Narcisa balançar levemente a cabeça. Ela não quer que eu a ajude.

Apesar disso ele não podia simplesmente abandonar sua mãe para a morte, não havia outra opção.

- Certo. – Ele disse libertando os outros Comensais do feitiço. – Eu faço o que ele quer. Só não espere que eu goste disso.

- Eu nunca esperei isso, garoto. – Disse o homem. – Eu sou Hilbert Sanders, não é um prazer conhece-lo.

- Pouco me importa o seu nome. Eu vou te matar de qualquer jeito quando isso acabar. – Draco respondeu.

- Wow, você é mais bravo do que me disseram que seria. – Sanders disse.

Draco engoliu a vontade de lançar a maldição da morte nele.

- Hm, hm. – Uma mulher bonita, alta e de cabelos negros fingiu uma tosse atrás de alguns Comensais.

- O que você quer? – Perguntou Sanders.

- Você não pode sair por ai levando o crédito pelo assassinato dos outros. – E Draco já sabia o que ela diria em seguida. – Fui eu quem matou aquela garota.

- Eu matei ela junto com você. – Replicou Sanders.

- Na verdade não. Por acaso foi da sua varinha que saiu o feitiço? Óbvio que não. – A mulher continuou.

- Olha, não vamos discutir isso agora. – Sanders se irritou. – E Morgana, é sua vez de vigiar essa daqui. – E apontou para Narcisa.

- Você que vigie. – Disse a mulher que aparentemente se chamava Morgana. – Eu vou com o resto deles, nunca que eu vou bancar a vigia.

Ela foi a primeira a sair da sala e também a primeira a entrar na lista mental de Draco, a lista das pessoas que eu iria assassinar nem que fosse a última coisa que fizesse. Sanders também estava nessa lista, assim como Voldemort e possivelmente seu Lucius, se ele tivesse alguma coisa haver com isso.

Sanders ficou para trás, relutante. E Draco aproveitou um momento minúsculo de distração dele para dizer no ouvido de sua mãe que ficaria tudo bem, ele prometeu mesmo sem acreditar nas suas próprias palavras.

Antes de ele sair da sala, Narcisa conseguiu soltar somente sua boca das amarras.

- Não faça isso Draco! Não os ajude! – Ela gritou. – SAIA DAQUI...

Foi interrompida por um tapa que Sanders lhe deu. Draco avançou contra ele, mas já era tarde para fazer qualquer coisa, Sanders já havia lhe empurrado para fora da sala precisa.

Ele não fazia ideia de onde Dumbledore estaria, não havia se preocupado em procurar. Primeiro guiou os doze Comensais ao escritório de Dumbledore, ele não estava lá. Morgana já estava irritada.

- Você não disse que sabia onde ele estava? – Ela perguntou.

- Ele é um Mago e o diretor dessa escola. Ele pode estar em qualquer porra de lugar, Morgana. – Draco disse mais irritado do que planejado.

- Ei! Você não tem o direito de me chamar de Morgana. Tenha respeito, garoto. – Ela cuspiu. – É Donavan pra você.

- Seu nome é Morgana Donavan? – Ele riu. – Esse é o nome mais ridículo que eu já ouvi.

Alguns comensais riram e Morgana ficou tão irritada que derrubou um quadro da parede.

- Ficou louca? Quer que alguém nos veja? – Perguntaram alguns dos comensais.

Foi ai que Draco teve uma ideia que seria ruim para Dumbledore e bom para aqueles desgraçados.

- Vamos voltar. – Ele disse e agora se encontravam novamente em frente a sala precisa.

- Você tem ao menos alguma ideia do que está fazendo? – Riu Morgana.

- Cale a boca. Todos vocês. – Draco disse e tentou se concentrar no que ele precisa, mas de forma alguma quer.

Quando abriu a porta viu que se encontrava na Torre de Astronomia. Dumbledore estava na extremidade da sala, virou-se para eles e disse:

- Draco, meu garoto. Estava esperando por você, porém devo dizer que estou triste em vê-lo.

Draco também estava.

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Harry não aguentava mais limpar frascos, polir caldeirões e organizar os utensílios de Snape. Para completar, os comentários sarcásticos do professor o estavam levando a loucura.

- Está aproveitando seu tempo, Potter? – Snape disse pela enésima vez. – Que pena que está passando tão rápido.

- Sim, professor, eu estou amando isso aqui. – Respondeu Harry sarcasticamente.

- Cuidado com essa boca senão faço sua casa ficar com pontos negativos. – Snape replicou.

A situação continuou assim por mais pelo menos vinte minutos, foi quando uma luz prateada iluminou severamente a sala de aula de poções.

Era uma fênix, Harry reparou, o patrono de Dumbledore é uma fênix.

O patrono se aproximou de Snape e produziu um som com a voz de seu diretor.

- Está na hora. – E então a luz se apagou.

Snape se levantou com um pulo, passou a mão pelo corpo em busca de sua varinha e se dirigiu a porta da sala.

- Saia, Potter. Está livre, vá embora. – Snape disse sem nem olhar para Harry, se apressando para subir as escadas.

- Mas... Professor, o que está acontecendo? – Harry perguntou confuso. – Dumbledore está bem?

- Nada disso é da sua conta, Potter. Vá embora agora.

Mas Harry apenas fingiu que estava indo embora. Quando Snape voltou a subir as escadas Harry se esgueirou silenciosamente atrás dele. Dumbledore poderia precisar de ajuda.

Depois de muitas escadas e corredores, Snape estava entrando na torre de astronomia. De longe Harry pôde ver Dumbledore. Havia muitas pessoas presentes, alguém apontava uma varinha para o diretor, alguém de cabelos tão claros quanto o luar.

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- Expelliarmus! – Draco gritou assim que Dumbledore sacou a varinha.

Os Comensais pareceram impressionados pela rapidez, Morgana só deu de ombros.

- Eu não quero isso! Por favor, saiba que eu não quero isso! – Draco gritava enquanto apontava a varinha para Dumbledore, ele não sabia se teria forças para ir até o fim.

- Vamos logo, garoto! – Gritou Morgana. – Nós não temos a noite toda. Acaba logo com ele velho!

- Cala a boca! – Draco gritou. – Eu consigo fazer isso! Só cala a boca.

Mas ele não sabia realmente se podia.

- Draco, você não tem que fazer isso. – Dumbledore disse, desarmado e com defesa alguma além de suas palavras. – Você não precisa fazer nada que eles mandem.

- Você não entende! – Draco tremeu. – Eu não quero fazer isso, mas eu preciso! Eu preciso salvar minha...

Ele não pôde terminar porque Snape apareceu. Os Comensais deram vivas pela chegada do companheiro.

- Severo Snape, há quanto tempo. – Morgana se aproximou dele, ignorando o que acontecia a sua volta. – Não o vejo desde... Bem, você sabe, desde Lily. Apesar do que o Lorde das Trevas pensa, eu não acho que esteja aqui para nos ajudar. – Ela falou alto o suficiente para que todos, incluindo um Harry escondido, pudessem ouvir.

Harry estava confuso como sempre, mas a menção do nome da mãe fez sua ira elevar.

- Draco! – Ele saltou entre a varinha de Draco e Dumbledore. E só conseguia pensar em como seguir Snape foi uma ótima e uma péssima ideia. – Draco, que porra você tá fazendo?

Não. Não o Harry. Qualquer coisa menos isso. Por favor, o Harry não. O Harry não. – Era só isso que a mente de Draco processava.

Morgana colocou a varinha na garganta de Snape antes que ele pudesse se mexer.

Os Comensais da morte se aglomeraram e sussurraram entre si "É Harry Potter" e "Vamos matar ele".

- É a droga do Harry Potter, nós não podemos tocá-lo. – Lembrou-os Morgana. – Ou vocês querem que o Lorde das Trevas dê vocês de comer àquela cobra nojenta dele?

Os Comensais se calaram, mas não Harry.

- Você não vai responder? Que porra você tá fazendo? – Harry repetiu a pergunta com mais força.

- Vai. Embora. Agora. – Draco gritou para Harry.

- E porque diabos eu faria isso? Você está prestes a matar Dumbledore. Me fala que merda tá acontecendo.

- Não tem nada haver com você Harry, vá embora!

- Draco, escute o que Harry tem a dizer. – Dumbledore insistiu.

- Cala a boca! Harry, vá embora! – Draco gritou para quem quisesse ouvir.

- NÃO! Me diz o que você tá fazendo AGORA! – Harry se descontrolou, ele nem estava com a varinha em punho.

- Ah, pelo amor de Merlin. – Morgana rolou os olhos. – Diz logo pra esse insuportável o que você está fazendo.

Draco corou e suou ao mesmo tempo em que seu cérebro inventava uma mentira dolorosa.

- Eu sou um deles. Eu sou um Comensal da Morte, assim como você suspeitava. Eu estou do lado deles, estou aqui para matar Dumbledore. – Draco disse num fôlego só.

Harry ponderou aquela resposta por menos de um segundo antes de tirar uma conclusão.

- Eu não acredito em você. – Harry disse encarando Draco nos olhos.

- O quê? Por quê? – Draco se espantou.

- Não depois de tudo o que passamos, não depois de ter certeza de que você me ama. – Harry anunciou seriamente.

Nem Dumbledore nem Snape se mexeram. Morgana ergueu as sobrancelhas. Três comensais soltaram risadinhas e outros dois tiveram que ter certeza e disseram em voz alta "Ele... e ele? Ohhh".

- Era tudo uma mentira... Potter! – Draco cortava o próprio coração aos poucos. – Eu nunca te amei. Meu objetivo era me infiltrar na sua vida e como você é um homossexual de merda eu tive que me prestar esse papel.

- Isso está ficando interessante. – Morgana comentou para si mesma.

- Você está escutando suas próprias palavras? Por Merlin, escute o que você está dizendo! Mentiras, invenções. Por favor, Draco, confie em mim, me conte a verdade.

- Eu... Eu estou contando a verdade. – Draco gaguejou. – Agora saia. Saia da minha frente!

Draco não aguentava mais. Ergueu a varinha e estava prestes a dizer aquelas palavras. Se não fosse pelo som que o coração de Draco fazia e as risadinhas de Morgana a sala estaria em silêncio mortal.

Ele olhou para o lado por um segundo e viu que Morgana balançava a cabeça enquanto ria, ele quase conseguia ouvi-la dizer "Vai garoto, mata logo ele, nós não temos o dia todo".

Então Draco o fez ainda apontando a varinha para Harry.

- Avada Kedavra! – Ele gritou. Harry não pôde acreditar e fechou os olhos, ele queria que Draco fosse a última coisa que ele visse, mesmo que tenha sido dessa maneira.

Mas a luz não o atingiu. Draco virou a varinha no último momento e atingiu aquela mulher de cabelos negros. Morgana ficou tão espantada quando a luz veio em sua direção que se agarrou a Snape. Agora o corpo da mulher jazia no chão com uma mão agarrada ao pulso do professor.

Levou um piscar de olhos para todos perceberem a situação. E o que aconteceu em seguida foi tão rápido, que não pareceu passar de uma inspirada de ar.

Snape se soltou do pulso de Morgana a tempo de se defender de quatro maldições da morte que passaram por cima dele, rebatendo-as aos seus criadores que caíram imóveis no chão. Harry conseguiu puxar a varinha do bolso e desarmou três pessoas de uma vez. Draco que se sentia em um sonho, ou em um pesadelo, paralisou o restante deles com o mesmo feitiço que Hermione lhe ajudara a aprender. Dumbledore continuava calmo em seu canto, nem se deu ao trabalho de apanhar sua varinha.

Quando percebeu que havia acabado, Draco correu para Harry. Snape apanhou as varinhas dos Comensais do chão e paralisou os três que ainda estavam vivos e livres. Os resultados foram quatro mortes e sete paralizações que mais tarde gerariam prisões.

Draco abraçou Harry tão forte quanto era possível.

- Eu não queria, Harry. Não queria matar Dumbledore nem você. Eles me obrigaram. Esse não sou eu. Eu também não queria matar aquela mulher, mas foi ela Harry, foi ela quem matou Pansy. – Ele tentava explicar a verdade para Harry e atropelava as próprias palavras. Draco choraria se não fosse a felicidade que sentia por estar livre daqueles monstros. – Eu fui dizer que não faria nada por Voldemort, mas eles estavam com a minha mãe.

Então ele lembrou. O que quer que tenha acontecido aqui, sua mãe ainda era refém daquele psicopata.

- Eu sei, Draco. Eu acredito em você. – Harry o abraçou de volta com a mesma força.

- Vocês estão bem? – Dumbledore perguntou, colocando uma mão em um ombro de um deles.

Draco se soltou timidamente de Harry e se dirigiu a Dumbledore.

- Eu sinto tanto Senhor. Por favor, me perdoe. – Draco tentou.

- Meu garoto, não faça isso. Eu estou bem o suficiente para recusar desculpas desnecessárias. O que importa é que estamos todos bem. – Dumbledore sorriu, calmo como sempre foi.

- Minha mãe, Senhor. Sanders está com ela, ela está sofrendo. Só por isso eu concordei com essa loucura. – Draco disse a Dumbledore.

- Mas é claro, sua mãe. Precisamos ajudá-la imediatamente. – Dumbledore sorriu e Draco pensou porque diabos ele sorria para tudo. – Severo, ajude Narcisa.

- Sim, Senhor. – Snape disse e saiu da sala deixando um grupo de Comensais paralisados para trás.

- Espere. – Dumbledore chamou. – Leve eles com você.

- Mas Senhor... – Snape tentou.

- Leve-os, Severo. Você precisará de ajuda, eu garanto. É Sanders quem está lá. – Dumbledore insistiu.

E assim eles saíram da Torre de Astronomia, deixando Dumbledore para cuidar dos outros.

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- Finalmente! Não aguentava mais esperar. E então? Já deu tudo certo? Alguma fatalidade? – Perguntou Sanders quando Draco entrou na sala precisa.

- Eu lhe conto tudo isso assim que você soltar a minha mãe. – Draco respondeu.

- Nada disso garoto. Cadê os outros? A Morgana tá bem? – Por um piscar de segundo Sanders pareceu preocupado.

- Eles estão ótimos. Quer que eles entrem? – E Draco abriu a porta revelando Snape e Harry.

Sanders tentou agarrar Narcisa novamente, mas ela foi ágil o suficiente para rolar para fora do alcance dele. Snape foi rápido, Sanders já não conseguia se mexer, estava paralisado.

- O que você tá fazendo? – Draco perguntou espantado. – Ele ajudou a matar a Pansy. Ele merece morrer!

- Não é assim que as coisas funcionam. – Snape replicou. – Ele vai passar o resto da vida em Azkaban. Isso é pior que qualquer morte, acredite.

Draco precisou concordar com ele, mas antes de ajudar a mãe a se soltar ele sussurrou no ouvido de Sanders.

- Ei, Hilbert? Sua preciosa Morgana já era, ela está morta. Eu sei disse por que fui eu quem a matou.

Sanders moveu os olhos e lágrimas rápidas começaram a sair deles. Snape se apressou e levitou o corpo do Comensal para fora da sala. Harry e Draco ajudaram Narcisa a se soltar e se levantar.

- Meu filho, você está bem. – Ela envolveu Draco em seus braços. – Graças às estrelas você está bem. O que aconteceu? Onde estão os outros? Você está bem Harry?

- Nós estamos bem, Senhora Malfoy. Draco salvou a todos nós. – Harry disse e a mulher lhe ofereceu um abraço rápido, mas confortável.

- Eu estava tão preocupada com você Draco. Como conseguiu se livrar de todos eles?

- Vamos apenas dizer que o Harry teve uma participação importante. Ah, e não vamos nos esquecer daquela vadia que matou a Pansy. – Draco disse ainda em choque depois de tudo.

- Você diz Donavan? Morgana Donavan? Ela está... Morta? – Narcisa perguntou apreensiva.

- Você não se importa com ela, se importa mãe?

- Eu estudei com ela... Bem, ela era uma Gryffindor, mas mesmo assim. De qualquer forma é um alívio, aquela mulher era perigosa.

Eles levaram Narcisa para a enfermaria como Snape havia instruído. Ela pegou no sono rapidamente depois de Madame Pomfrey medicá-la. Draco decidiu que era melhor pra ela ficar a noite sozinha, então saiu do hospital com Harry.

Depois de tudo o que passou em sua cabeça hoje, nada era melhor que andar com Harry ao seu lado. Quando o impulso veio, ele não reteve e segurou a mão de Harry. Harry o agarrou de volta e eles se beijaram no corredor escuro.

- Eu te amo tanto. – Draco disse. – Mas você é tão idiota. O que estava pensando pra se enfiar na frente de uma varinha apontada?

- Quer a resposta curta? Eu estava pensando em você. Não tem como eu te ver daquele jeito e deixar pra lá.

- Mas você arriscou sua vida por mim, seu idiota. Você nunca deve fazer isso.

- Eu não arrisquei minha vida, eu a salvei. Minha vida é você. – Ele sorriu.

- Vamos logo dormir, seu idiota. – Draco sorriu de volta. – Eu estou tão cansado.

- No meu quarto ou no seu?

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Eles não passaram a noite juntos, Draco não teria disposição para isso. Em vez disso Harry o levou às masmorras e Draco passou a noite inteira sem conseguir dormir.

Apesar de por um lado ele se sentir tão aliviado por tudo ter acabado e sua mãe estar em segurança, por outro sua mente pulsava de preocupação com o que viria a seguir, com como Voldemort reagiria quando soubesse.

Mas o principal motivo para a noite sem sono foi sua consciência pesada. Ele sabia que Morgana Donavan era uma mulher ruim e precisava ser detida, mas isso não tirava sua culpa pela morte dela. Ele também se perguntava se Sanders era envolvido com ela de alguma forma, por isso havia chorado daquela maneira quando descobriu sobre sua morte.

Pansy estaria satisfeita por tudo o que Draco fez, disso ele tinha certeza. Foi somente esse pensamento que o ajudou a dormir por exatos treze minutos antes que Blaise viesse acordá-lo.

- Acorda! – Blaise gritou no ouvido de Draco. – Se eu fosse você se vestia o mais depressa possível. Dumbledore está procurando por você.

- Valeu Blaise. – Draco tentou agradecer sarcasticamente, mas o sono fez suas palavras parecerem reais.

Ele se levantou e vestiu a mesma roupa da noite passada o mais rápido que seu cansaço permitiu. Quando reparou ao seu redor, não havia ninguém se aprontando para a aula e por isso achou estranho o fato de Blaise estar acordado.

- Ei Blaise? – Draco se aproximou do colega de quarto. – Por que você tá acordado tão cedo?

Zabini deu de ombros e nem se deu ao trabalho de encarar Draco nos olhos.

- Por que você chegou ontem tão tarde? – Blaise rebateu com o mesmo tom.

- Olha, eu não estou querendo brigar, só estava tentando ter uma conversa com você. Como nos velhos tempos, sabe. Por Merlin, até o Craig e o Goyle lidaram com a situação melhor que você. Mas se não é isso que você quer, tudo bem.

Blaise pareceu pensar no assunto pelo resto do tempo que Draco levou para se vestir. Quando Draco já estava saindo do quarto ele finalmente decidiu o que fazer.

- Tá certo, você venceu. Eu não quero mais ficar assim com você. – Blaise falou para o espanto de Draco. – Isso vai ser uma merda de dizer, mas é, eu gosto de ser seu amigo, não quero que isso acabe.

- Ótimo Blaise. – Draco sorriu. – Eu não quero que acabe também. Então tá tudo bem entre nós agora? Você vai entender quem eu sou de agora em diante?

- Draco, você pode falar, eu não sou estúpido, já sei sobre vocês dois.

- Hã? – Draco fingiu confusão. Na verdade ele tinha medo do que Blaise faria se ele confirmasse.

- Ah, qual é, tanta gente já sabe.

- Tudo bem, tudo bem, é verdade. Eu entendo se você pensar que agora nossa amizade não pode mais funcionar...

Para a surpresa de Draco, Blaise sorria.

- Você não faz ideia de como o que diz é engraçado. Só porque você está com um cara quer dizer que eu não quero mais ser seu amigo? Ah, por favor.

- Bem. – Draco ria também. – Na verdade eu pensei isso mais pelo fato dele ser um Gryffindor...

- Eu estou achando que você passou muito tempo sem prestar atenção ao que acontece ao seu redor.

- E o que está acontecendo ao meu redor?

- Você realmente não viu Parvati Patil sentada na nossa mesa ontem?

- Não... Eu não vi.

- Pois é, ele é minha namorada agora. Achei que deveria saber...

- Ela é a gêmea Ravenclaw? Ou ela é a Gryffindor? – Draco ponderou, pensando que se ele estivesse correto, aquela era uma ótima notícia.

- Gryffindor. – E Draco sorriu. – Pois é.

- Então eu acho que isso significa muitas mudanças vindo em nossa direção. – Draco disse.

- Boas mudanças, pode apostar. – Blaise completou.

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Dumbledore estava esperando do outro lado do retrato. Draco ainda duvidava se era ele mesmo quem o diretor procurava.

O diretor sorriu no momento que o viu e pediu para Draco acompanha-lo em sua caminhada.

Eles andaram silenciosamente até a enfermaria. Narcisa era a única no salão. Ela estava sentada na cama rodeada de poções. A mãe de Draco sustentava um olhar abatido.

Antes de entrarem, Dumbledore puxou Draco por um instante.

- Quis que viesse agora, pois sua mãe está precisando de uma companhia. Mas antes precisa saber que a situação não é das melhores. Não me entenda mal, Narcisa ficará bem, mas os planos de Voldemort vão continuar interferindo em ambas suas vidas.

Draco assentiu, aquilo não era nem de longe novidade. Voldemort só pararia de interferir em sua vida quando estivesse morto. O Lorde das Trevas era responsável atualmente por nada mais nada menos do que transforma-lo em um assassino, aquilo nunca iria mudar.

- O que o senhor quer que eu faça? Eu tentei fazer meu melhor, mas o que eu consegui foi piorar tudo e fazer com que pessoas morressem.

- Não diga isso, Draco. Você salvou a todos nós.

Draco não pensava assim. Ele era um assassino. Além do mais, para Draco, foi por causa de Harry que eles conseguiram sair vivos, não por ele.

Draco se contentou em acenar com a cabeça para Dumbledore, não havia como explicar aquilo para o diretor.

Eles entraram para se encontrar com Narcisa e ela teve a expressão mudada quando viu Draco. Dumbledore deixou que conversassem a sós.

Narcisa não levou muito tempo trocando palavras com Draco, ela só pediu para que o filho tivesse cuidado e chamou Dumbledore para se juntar a eles, agradecendo pelo que o diretor estava fazendo.

- Ora, mas eu não fiz nada. – Disse Dumbledore. – Entretanto eu vou pedir que façam uma coisa, vocês dois.

- Claro, qualquer coisa pra ajudar. – Narcisa respondeu.

- No momento vocês devem ficar aqui. Inclusive você Narcisa, até mesmo quando estiver recuperada. É muito perigoso lá fora, depois do que aconteceu Voldemort estará esperando a próxima oportunidade para atacar e não tenha dúvida de que os nomes dos dois estão no topo da lista. – Ele parou por um instante para tomar ar e coçou a barba. – Quando a hora chegar, vocês precisam estar prontos. Voldemort vai atacar, não há duvida, mas precisamos fazer alguma coisa pra evitar os danos.

- Eu farei qualquer coisa. – Narcisa concordou. – Mas não quero que nada aconteça a Draco.

- Mãe... – Draco tentou.

- Não há discussão. Depois de Draco ter salvado a todos nós o Lorde das Trevas colocará a culpa dele e aposto que depois de Harry Potter, Draco é o próximo que ele quer ver morto. Eu não me importo com o que aconteça comigo, mas quero que Draco fique em segurança, é minha única condição. – Narcisa estava mais determinada do que Draco jamais tinha visto, até mais do que na noite da briga com seu pai.

- Pois bem. Draco ficará em segurança o máximo possível. – Dumbledore concordou depois de alguns segundos. – Não posso garantir que ele não sofrerá em nenhum momento, mas prometo que tomarei todas as medidas possíveis para que assim seja.

- Sendo assim, eu farei mais que o possível para ajudar. – Narcisa sorriu e apertou a mão de Dumbledore, mas não como um cumprimento, estava mais para uma promessa em forma de gesto, um acordo.

Draco nem se deu ao trabalho de argumentar, sua mãe estava determinada demais. Mesmo assim, depois daquelas promessas por sua segurança ele sabia que se fosse necessário, se Narcisa ou Harry estivessem em perigo, nada daquilo lhe impediria.

Dumbledore foi embora depois daquilo e Draco ficou com a mãe. Eles não se falaram muito e Narcisa pegou no sono. Ele não sabia o que fazer com todos esses pensamentos rodeando sua mente.

Deixou sua mãe sozinha depois de um tempo e foi tomar banho antes de as aulas começarem. Ele não teria nenhuma aula conjunta com Gryffindor hoje. Seria um longo dia.

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Harry levantou de um salto e correu para o banho. Ainda tinha uma lembrança da noite passada ecoando em sua cabeça. Saiu o mais rápido que pôde do banheiro e quase escorregou. Deu de encontro com Ron na porta do dormitório.

- O que é que está acontecendo? – O ruivo perguntou.

- Acho até melhor você chamar a Hermione. Ai eu conto tudo. – Harry disse e foi se vestir enquanto Ron chamava Hermione.

Ele desceu as escadas para encontrar os dois amigos dividindo o assento de uma poltrona. Harry não deu nem um segundo pra Hermione o cumprimentar, contou logo tudo que tinha acontecido.

Quando terminou de contar Hermione estava chocada, mas Ron parecia que tinha visto a própria mãe levar um raio na cabeça.

- Não acredito. Não acredito. – Ron repetia. – Aqueles desgraçados! E o Malfoy foi incrível! É, quer dizer, o Draco foi incrível. Bem feito pra aquela vaca! Mas a mãe dele tá bem? Ela tá? Não acredito!

- Calma ai, cara. – Harry disse.

- Isso quer dizer que Voldemort tá adiantando os planos. Ele tá perto, Harry. – Hermione acrescentou. – Você tem que tomar cuidado.

- Eu sei disso. – Harry concordou. – Na verdade todos nós temos que tomar cuidado.

- Na verdade quem está me preocupando agora é o Draco. – Hermione continuou. – Você sabe que Voldemort vai ficar louco quando descobrir o que aconteceu e eu não duvido que ele queira descontar tudo no Draco.

Harry sentiu um aperto no coração enquanto Hermione falava, como se ele soubesse que alguma coisa aconteceria com Draco e ele não pudesse evitar.

- Você tá certa. Eu não sei o que fazer, ele tá em perigo com certeza.

Eles continuaram a falar em como poderiam ajudar Draco durante todo o caminho para a aula, mas Harry se sentia mal por continuar com um mal pressentimento a respeito de Draco.

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Na mansão Malfoy, Voldemort alimentava Nagini esperando pelas informações de como o garoto Draco tinha se saído. Ele sentia a euforia de saber que Dumbledore e MacGonagall estavam mortos, seu próximo passo seria matar Harry Potter. Draco seria tão bem recompensado por seus serviços... Se tudo saísse bem talvez até recebesse a marca negra.

Nagini estava satisfeita depois de comer tantos pedaços de um sangue ruim. Voldemort já estava impaciente, já tinha passado tempo o suficiente para voltarem.

Ele mal terminou esse pensamento e Rabicho entrou na sala, acompanhado por um homem magricela e com tufos de cabelo branco somente no alto da cabeça.

- Mi-milorde. – Chamou Rabicho, tão baixo que foi quase inaudível.

- Eles retornaram? – Voldemort perguntou sem se dar ao trabalho de se virar.

- N-não M-milorde. – Rabicho gaguejou ainda baixo. – E-eles não voltaram. E-eles não v-v-v-vão v-voltar.

- O que? – Voldemort se virou, os olhos vermelhos brilhando.

- Este... Este h-homem d-disse que eles não vão voltar.

- Eles estão mortos, Milorde. – O homem disse olhando para os pés de Voldemort. – Eu sou a sua fonte em Hogwarts. Eles morreram... Não todos, mas alguns. Sanders foi preso junto com outros, Morgana está morta.

- Não. – Voldemort não gostou do que aquele homem dizia. – Morgana é forte demais pra que isso seja possível. Como sugere que essa mentira tenha acontecido?

- Não é mentira Milorde. Eu o vi sendo levado. Pelo que ouvi foi obra do garoto, foi ele quem a matou. O garoto Malfoy, isso. Qual o nome dele mesmo? Draco, é. Foi Draco Malfoy.

Nagini se afastou como se soubesse o que viria a seguir. Voldemort puxou a varinha com uma rapidez impressionante que não permitiu nem mais um suspiro para o homem magricela antes de a luz verde o atingir. Rabicho gemeu e se encolheu quase sendo atingido por um dos móveis que Voldemort explodia ao redor. Segundos e uma sala destruída depois Voldemort chamou por ele.

- S-sim, Mi-milorde?

- Mande uma coruja a Hogwarts. Eu quero que eles saibam. – Ele disse calmamente.

- S-saibam o-o que M-milorde?

- Que Draco Malfoy está tão morto quanto Harry Potter.

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Harry e Draco não se viram durante o período de aulas e nem tiveram a sorte de se cruzar durante as refeições. Harry decidiu como um impulso ir até a sala de aula vazia que eles haviam dividido certa noite. Para sua surpresa Draco estava lá esperando por ele.

- Você sabe oclumência? – Draco perguntou quando Harry entrou pela porta.

- O que é oclumência? – Harry perguntou confuso.

- Sério Harry, às vezes nem parece que você é um bruxo.

Harry se sentou ao lado dele e descansou a cabeça em seu ombro.

- Você tá legal? Quer dizer, depois de tudo que aconteceu ontem? – Harry perguntou.

- Não acho que posso dizer que eu tô. – Draco disse. – Dumbledore me chamou e falou umas coisas que Voldemort está atrás de mim. Como se eu não soubesse.

- Eu sinto muito Draco, queria poder fazer alguma coisa pra ajudar, queria mesmo.

- Você fala como se fosse culpa sua.

- Mas é culpa minha, tudo que envolve Voldemort é culpa minha.

- Ah, por favor, tá se achando demais.

Harry riu nervosamente por um momento.

- Ei, lembrei de uma coisa que nós temos em comum. Nós dois somos odiados por Voldemort. – Harry disse.

- É verdade. E não esqueça de que ele também quer me matar, então são duas coisas que temos em comum. – Draco completou.

Eles riram da própria infelicidade, mas foram interrompidos por um ecoar de gritos e desespero.

- Que porra...? – Draco se levantou e foi olhar o que era aquilo.

Não deu tempo de abrir a porta, ele foi lançado no chão com a dor dentro da cabeça, assim como Harry e todas as pessoas de Hogwarts.

-Espero que tenham recebido a carta. – Disse a voz que era ecoava continuamente dentro da cabeça de cada um. – Eu informei a situação naquela carta, aceite como uma cortesia. Meninos, meninas, professores e diretores, minhas exigências são poucas e eu serei educado o suficiente para informar quais são antes de atacar.

Houve silêncio por alguns segundos e eles puderam ouvir os próprios pensamentos de novo.

- Eu quero duas pessoas, eu quero essas duas pessoas vivas em minhas mãos ou atacarei. É necessário que saibam que se eu atacar, ninguém sobreviverá. Porém, se me entregarem essas duas pessoas, deixarei que todos continuem a viver suas vidas miseráveis em paz. – Voldemort estava calmo e falava devagar para que todos compreendessem suas palavras. – Entreguem-me Harry Potter e Draco Malfoy e poderão viver. Vocês têm meia hora.

O alívio foi instantâneo quando Voldemort se calou. A gritaria começou.

Depois foi possível ouvir a voz de Dumbledore mandando todos se reunirem no Grande Salão. Harry pensou se iriam pedir a opinião de todos se eles deveriam se entregar ou não.

Draco já estava com a varinha em punho, mas rodeava a sala sem saber se deveria sair ou não.

- O que vamos fazer? – Draco perguntou. – Por um lado não somos fortes o suficiente pra derrotar Voldemort, mas por outro não podemos deixar todas essas pessoas morrerem por nós. Nós temos que ir.

- Nós não temos que fazer nada. – Harry falou.

Lá fora ouviam-se pessoas perguntando onde Harry e Draco estavam. 'Onde eles estão?' 'Será que se entregaram?'

- O que diabos você tá falando? É claro que nós temos que fazer alguma coisa, as pessoas vão morrer por nossa causa!

- Eu não disse que as pessoas precisam morrer. Eu disse que nós não temos que fazer nada. Eu vou fazer alguma coisa.

- Mas que droga Harry, isso não é hora pra tentar ser o herói! Você ouviu o que ele disse, ele quer nós dois.

- Eu sei, mas ele vai ter que se contentar só comigo, porque não existe a possibilidade de eu deixar você ir pra lá.

- Você tá ficando louco?! Você acha que eu quero deixar você ir? Porra, eu prometi que eu nunca ia deixar você ir.

- Eu sinto muito Draco. – Harry baixou a cabeça e Draco percebeu que por trás dos óculos escorriam lágrimas. – Eu tenho que ser egoísta. Eu não consigo.

- O que...?

Harry lançou algum feitiço que Draco não conhecia nele. Ele foi jogado contra a parede e pregado lá envolto por uma gosma com textura de teia de aranha. Os braços separados e longe demais da varinha caída no chão.

- Não se atreva a fazer isso Harry! – Draco gritou. – Eu... Eu não consigo também, tá certo? Eu não suportaria viver num mundo sem você. Agora me solta pra gente resolver isso como deve ser, juntos. Harry, por favor, você é a única coisa boa que já aconteceu na minha vida, eu não posso te perder, por favor.

Harry se aproximou de deu o beijo mais demorado que seu fôlego aguentou. Tocou o rosto de Draco uma última vez e se afastou.

- Não faz isso. Por favor, não faz isso. – Draco tentou argumentar enquanto as lágrimas acompanhavam as de Harry.

- Eu sinto muito Draco. – Harry disse.

- Eu te odeio, Harry! Como pode fazer isso comigo? EU TE ODEIO! – Ele gritou o mais alto possível.

- Eu te amo. – Foram as últimas palavras de Harry antes de fechar a porta e deixar Draco no escuro.

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Harry teve que correr escondido pelo meio da multidão, se alguém o visse a confusão seria enorme. Ele se arrependeu de não gastar alguns segundos voltando ao dormitório para pegar sua capa de invisibilidade, mas agora já era tarde, ele já estava no portão que levava para fora do castelo.

Olhando ao redor, Harry abriu o portão o mais silenciosamente possível. Para sua surpresa, deu de cara uma multidão conhecida. Hermione, Ron, Luna, Neville, Dino, Seamus, Neville, Ginny e até mesmo Blaise e Maia estavam esperando por ele.

- Que diabos? – Harry protestou, o mais alto que a situação permitia. – O que vocês estão fazendo aqui?

- Você é tão previsível, Harry. – Foi Hermione quem falou. – É claro que a gente sabia que você iria se entregar a Voldemort.

- Só que a gente não podia deixar isso acontecer. – Luna terminou por ela.

- Vocês eu entendo. Acho uma péssima ideia, mas entendo. – Harry disse e se virou para Maia. – Mas o que você faz aqui? – Ele tinha que admitir que a garota ainda lhe causava um pouco de ciúmes por causa de Draco.

- Eu? – Maia se espantou e corou imediatamente. – Bem... Eu estava com Ginny quando você-sabe-quem falou aquelas coisas, então... Então eu fiquei pra ajudar...

- Na verdade, – Ginny a interrompeu. – eu tenho uma coisa pra dizer. – Ela segurou nas mãos de Harry. – Harry, eu sinto muito por tudo aquilo que aconteceu, eu estava confusa... Ou alguma coisa assim. Seria ótimo se você pudesse me perdoar.

- Hã... Claro Ginny. – Harry disse meio constrangido por estarem fazendo aquilo na frente de tanta gente e num momento tão incômodo. – Fico feliz se voltarmos a ser amigos.

- Ótimo! – Ela exclamou e abraçou Harry rapidamente. – Ah, só mais uma coisa. Pessoal, na verdade Maia e eu somos... Ah, vocês sabem né? Enfim, só queria que ficassem sabendo.

Harry ficou espantado. Bem, pelo menos assim Maia não teria mais interesse por Draco. Ron franziu as sobrancelhas e olhou de Ginny para Maia. Hermione já ficou preocupada com o que ele iria fazer.

- Vocês duas? Sério mesmo Ginny? – Ron disse e de todas as coisas que ele poderia dizer a seguir, só acrescentou isso: – Ela não é um pouco velha pra você?

- Pelo amor de Merlin! – Foi Blaise quem interrompeu o discurso de Ginny. – Não estamos aqui pra fazer as pazes e apresentar namorados. O Lorde das Trevas vai atacar a qualquer momento a não ser que a gente faça alguma coisa.

- Você tá certo. - Disseram Dino e Seamus ao mesmo tempo.

- Certo, certo, mas qual é o plano? – Perguntou Neville. – Voldemort vai matar a todos nós se formos atrás dele junto com o Harry.

- E cadê o Draco? – Blaise perguntou.

- Ele... Ele não vai vim. – Harry respondeu constrangido pelo que tinha feito. – Ele tá a salvo, eu me assegurei disso.

- Quer dizer que ele ficou lá em segurança enquanto a gente arrisca a vida aqui fora? – Dino ficou inconformado.

- Isso não parece coisa que ele faria. – Luna disse. – Harry, você obrigou ele a não vim?

Harry queria esconder a cara no chão. Ou pelo menos que todo mundo fosse embora e o deixassem morrer em paz. Não era como se ele tivesse tido escolha, Draco não poderia morrer e pronto.

- Eu fiz o que eu tinha que fazer, tá certo? – Harry quase gritou. – Ele está a salvo e isso é tudo que importa. Eu não pedi pra nenhum de vocês virem aqui, podem ir embora.

- Ninguém aqui vai embora, seu idiota. – Ron disse e deu uma tapa de leve na nuca de Harry. – Nós viemos te ajudar e nós vamos ficar porque é isso que nós queremos.

Houve um coro de pessoas dizendo que sim, era isso que eles queriam e mandando Harry parar de ser idiota e calar a boca.

Ainda assim a questão permanecia: O que diabos eles poderiam fazer contra Voldemort?

Luna e Hermione foram as quem mais deram ideias, mas mesmo com todo o esforço não criaram nada suficiente para um bom plano.

- A gente tem que pensar de forma simples. – Ron falou. – Eu acho que é assim que vamos conseguir alguma coisa.

- É, você tem toda razão, parabéns. – Blaise disse. – Agora só falta a droga de um plano!

- Esperem, acho que sei de uma coisa que pode dar certo. – Maia interferiu. – É idiota, mas pode dar certo.

E foi mesmo aquele plano idiota que deu certo.

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- Atingiram seu último minuto, espero que tenham feito a escolha mais sábia. – A voz de Voldemort voltou a ecoar na mente de todos.

Draco respirou fundo para a dor de cabeça ir embora, não foi muito eficiente. Seu corpo também doía por estar preso à parede. A garganta ardia depois de chorar e amaldiçoar Harry tão alto.

Apesar de tantos gritos nenhuma pessoa o ouviu e ele ainda tentava se soltar. Já havia tentado de todo jeito e agora não sabia mais como poderia sair dali.

Ele pensava em Harry e em como nunca perdoaria esse ato de egoísmo. Também pensava em como se sentiria culpado se alguma coisa acontecesse a Harry.

Lembrou-se de sua mãe e em como ela deveria estar preocupada com ele depois do que Voldemort disse. Nem reconfortar a própria mãe ele poderia.

A lembrança da mãe trouxe lembranças da infância e ele pensou no dia em que sujou a toalha de mesa preferida de sua mãe quando virou um prato de louça usando a mente quando tinha apenas quatro anos, essa foi a primeira vez que ele usou magia. A mãe nem se importou com a toalha, tamanha era a felicidade de ver os poderes do filho. O pai foi quem o advertiu sobre a magia, dizendo que ele deveria tomar cuidado para não machucar as pessoas que ama.

Agora graças a magia ele tinha machucado tanto pessoas que odeia quanto pessoas que ama e agora a lista estava prestes a aumentar.

Depois de lembrar-se da primeira vez que usou magia ele decidiu se concentrar para ver se conseguiria repetir o ato. Talvez se sua concentração fosse forte o suficiente ele conseguiria trazer a varinha para sua mão usando a mente.

Foi assim que Draco conseguiu se soltar, depois de míseros dez segundos de concentração.

As pessoas que antes corriam lá fora pelo visto já estavam todas reunidas no Grande Salão. Pensando um pouco, Draco percebeu que não seria lá onde ele encontraria Harry.

Ele caminhou até o lado de fora e não encontrou ninguém no caminho. Quando abriu os portões ele viu cabelos pretos sendo bagunçados pelo vento.

Harry gritava alguma coisa para a multidão de Comensais da Morte, Draco não conseguia ouvir.

Se aproximando silenciosamente e abaixado para não ser visto, Draco se escondeu atrás de um arbusto e tentou descobrir o que diabos Harry estava fazendo enfrentando todas aquelas pessoas sozinhas.

- Venha Voldemort! – Harry gritava enquanto gesticulava com a varinha e balançava o corpo. – Você não quer tanto um pedaço de mim? Pois venha pegar!

- E onde está o garoto Malfoy? – A voz de Voldemort era profunda, mas não tão profunda quanto a voz que antes ecoou na cabeça de Draco. – O acordo era os dois.

- Você vai ter que se contentar comigo! – Harry continuou a gritar. – Você não vai chegar nem perto do Draco!

- Sendo assim... – Voldemort sussurrou. – Ataquem.

Os Comensais passaram correndo na frente de Voldemort e tentaram passar pelo portão, mas alguma coisa como um escudo invisível os impediu. Pelo menos metade deles atravessou e caíram do outro lado, imóveis.

- Ah. – Voldemort disse por trás dos Comensais enquanto eles abriam caminho. – Vejo que se esconde atrás de truques como um covarde. – E gesticulou com a varinha desfazendo a barreira de proteção. – Ataquem certo dessa vez.

Antes que eles pudessem entrar e acabar com qualquer vestígio de Harry outras pessoas apareceram ao lado dele. Draco conseguiu identificar cada uma delas. Hermione, Ron, Ginny, Maia, Dino, Neville, Luna, Seamus e o mais impressionante de todos: Blaise.

Eles foram surpreendentemente rápidos e boa parte dos comensais que sobraram foram atingidos.

Dino teve que desviar de três maldições da morte seguidas, enquanto Seamus foi atingido por um Septasempra no braço. Seamus gritou e deixou a varinha cair. Se não fosse por Blaise ele teria sido atingido novamente. Hermione e Luna lutavam lado a lado com uma sincronia de dar inveja, Neville e Ron tentavam fazer o mesmo, mas não conseguiam um desempenho tão bom quanto elas.

Maia era quem parecia mais assustada e usava Ginny como escudo contra os Comensais, Ginny não parecia se importar, na verdade ela parecia apreciar o fato de duelar contra aquelas pessoas. Harry estava no centro e batalhava relativamente bem.

Depois de rápidos dois minutos a batalha diminuiu o ritmo e os últimos três comensais conseguiram ferir dois dos oponentes. Maia foi atingida na orelha, apesar de todo o esforço de Ginny para protegê-la. Blaise foi atingido no lábio superior o sangue escorria, mas ele insistia em dizer a todos que não era nada de mais.

Quando esses últimos foram derrotados, Voldemort era o único que restava. Apesar de tudo, ele ainda mantinha o ar de superioridade.

- Acho que você não tinha um exército tão bom assim, não é? – Gritou Neville para Voldemort.

Voldemort piscou os olhos vermelhos e balançou a varinha. Maia gritou enquanto Neville foi jogado para longe. Luna correu para ver se ele estava bem, a luz que o atingiu não era verde.

- Como ousam? – Voldemort finalmente expressou a raiva que sentia. – Vocês são apenas crianças! Como ousam desonrar meu exército?!

- Ah, nós não só "desonramos" seu exército como vamos desonrar você também. – Ginny rebateu.

Nesse exato segundo, Dumbledore apareceu acompanhado por Snape, MacGonagall e Narcisa.

- O que significa isso?! – MacGonagall foi a primeira a falar.

- Não se mexam. Nenhum de vocês. – Voldemort gritou para eles.

As "crianças" não obedeceram à ordem, enquanto os outros ficaram imóveis, eles tentaram o que puderam, lançaram qualquer feitiço que acharam poderoso o suficiente.

Draco já tentava sair do canto há muito tempo, mas de alguma forma se sentia preso ao chão. Pensava que a hora certa de sair chegaria.

Esse pensamento foi confirmado quando ele viu Voldemort erguer a varinha em direção a Harry enquanto Harry usava a porcaria do feitiço "Expelliarmus", aquilo não seria útil contra o que Voldemort iria fazer.

Com uma olhada para a mãe e um vislumbrar rápido no garoto que salvou sua vida, ele se levantou. A última coisa que ouviu foi a mãe gritar "Draco!" quando percebeu o que ele estava fazendo. A última coisa que viu foi Harry, ele não o conseguiu odiar no último momento, a único sentimento que coube em si no momento foi amor. A última coisa que sentiu foi um calor surgindo com o aumento dos batimentos do seu coração, seguido por um frio enorme no peito, exatamente onde a luz o atingiu.

- Não. – Foi o que Harry conseguiu falar. – Não.

Narcisa estava no chão com lágrimas escorrendo por todo seu rosto. As pessoas ao redor estavam sem ação, incluindo Voldemort.

Depois de míseros segundos de espanto, Voldemort riu. Uma risada profunda e assustadora.

- Esse é Draco Malfoy, não é? – Voldemort ria alto. – Bem, só posso dizer que estou grato por ele ser burro o suficiente para se meter no meio de uma maldição da morte... Me poupou muito tempo.

Narcisa gritou de agonia.

- Seu desgraçado! Seu filho da puta! – Harry não conseguia tirar o nó da garganta, nem mesmo chorar ele conseguia. – Você está tão morto seu filho da puta!

Não se abriu espaço para Voldemort responder aos insultos, todos apontavam as varinhas para Voldemort, incluindo Narcisa.

O que aconteceu no próximo segundo foi espantoso para todos eles, lançaram um feitiço que nenhum, nem mesmo Dumbledore conhecia. As varinhas tremeram e, juntas, emitiram uma luz cinza, como a cor dos olhos de Draco. A luz de cada varinha convergiu para um único ponto e foi na direção de Voldemort. Seus esforços de defesa foram inúteis. Quando a luz se desfez, ele já estava morto.

Um suspiro de alívio foi seguido pela realização que Draco estava caído bem na frente deles.

Narcisa foi a primeira a se aproximar do corpo do filho, as lágrimas já haviam molhado a parte da frente do vestido da mulher.

- Draco? – Ela chamou inutilmente. – Draco, por favor, fala comigo.

Dumbledore foi o próximo a tocar em Draco.

- Venha comigo Narcisa. – Ele falou para a mulher. – É melhor você vir comigo.

- O que é que você sabe?! – Ela gritou. – Você prometeu Dumbledore. Você me prometeu que ele ficaria a salvo!

- Eu... eu sinto muito. – Dumbledore gaguejou pela primeira vez que qualquer um pode lembrar.

Harry continuava em choque, ainda não acreditava. Draco não poderia estar... Ele não está.

- Harry, você tá bem? – Hermione perguntou, mas tudo o que Harry podia ouvir era um ruído distante. – Eu sinto muito, Harry. Eu sinto tanto. – Lágrimas escorriam dos olhos dela.

- A gente tá aqui com você, tá certo? – Ron tentava ajudar.

Maia era a que mais chorava entre eles depois de Narcisa, os soluços da garota podiam ser ouvidos a muitos metros de distância.

- Ele... Ele era... Uma pessoa tão boa... Tão boa mesmo. – Maia falava para Ginny por entre os soluços enquanto a outra tentava fazer o machucado em sua orelha parar de sangrar.

Harry se afastou de Ron e Hermione em silêncio. Foi só quando ele viu Narcisa agarrada ao corpo inerte de Draco que as lágrimas começaram a sair desesperadamente.

Ele caiu de joelhos ao lado de Draco. Narcisa esticou o braço e pegou sua mão, ainda agarrada a Draco.

Os outros estavam afastados, tentando dar privacidade para eles. Blaise tentava esconder que chorava baixinho ao longe. Luna não conseguia olhar para longe de Draco, Neville lhe abraçava enquanto lágrimas saiam de seus olhos grandes.

Os olhos de Draco ainda estavam abertos e focalizados no nada. Harry esticou a mão para fechá-los, mas não conseguiu. Aquela não poderia ser a última vez que ele veria aqueles olhos.

- Eu não posso aceitar isso! – Harry se levantou. – Eu não posso. Ele... Ele morreu por mim. Aquela maldição iria me atingir se não fosse por ele, eu não posso aceitar isso.

- Harry? – Narcisa falou confusa olhando para ele.

- Deve haver algum jeito. Tem que haver algum jeito. – Harry dizia, mas ninguém parecia saber de uma maneira de trazer Draco de volta.

- Harry, você sabe que não existe feitiço pra trazer de volta os mortos. – Ron falou baixinho perto de Harry.

- Talvez não, mas pode haver um jeito de impedir que ele seja morto. – Luna falou ainda olhando para Draco.

- O que vocês estão falando? – Narcisa colocou o corpo de Draco gentilmente no chão e se levantou para entender o que acontecia.

- Luna tem razão. – Hermione interferiu. – Eu sei que não é aconselhável, mas... Bem, existe uma maneira. Nós poderíamos voltar no tempo. Eu ainda tenho o vira-tempo que a Professora MacGonagall me deu, nós poderíamos usá-lo para impedir que isso aconteça.

- Isso... Isso poderia funcionar. – Narcisa conseguiu sorrir por entre as lágrimas.

- Eu vou. – Harry disse. – Eu tenho que fazer isso.

- Que loucura vocês estão tentando fazer? – Dumbledore protestou. – Draco está morto, isso é um fato que nós não podemos mudar. Brincar com o tempo não vai trazê-lo de volta.

- O que diabos está tentando dizer? – Narcisa gritou. – Que mesmo que exista a possibilidade de impedir que isso aconteça, nós não podemos nem tentar?

- Eu estou dizendo que a vida de Draco não pode ser posta acima do perigo de mexer com o tempo.

Narcisa bufou e estapeou Dumbledore. Duas vezes.

- Como pode dizer uma coisa dessas? Você prometeu protege-lo e agora quer impedir-nos de salvá-lo? Você é um homem doente.

- Eu não me importo com o que Dumbledore pensa. – Harry disse. – Mione, por favor, pegue o vira-tempo.

- Claro. – Hermione concordou e buscou a varinha.

- Mas... Mas Dumbledore disse... – Ron tentou.

- Eu não me importo com o que Dumbledore pensa. – Repetiu Harry. – Se fosse a pessoa que você mais ama no lugar de Draco, você não faria o mesmo?

- Acho que... Acho que você tem razão. Se fosse a Mione eu iria até o inferno pra salvá-la.

Hermione sorriu para Ron e entregou o vira-tempo para Harry.

Harry olhou para Narcisa que acenou com a cabeça e abraçou Harry. As pessoas se reuniram para ver Harry partir.

Ele colocou o cordão ao redor do pescoço, mas antes que pudesse girar o vira-tempo a mão de Dumbledore o impediu.

- Sinto muito Harry, mas não posso deixar que faça isso. – Dumbledore disse sem tirar a mão de cima da de Harry.

- O Senhor pode muito bem ir se fuder por que eu não me importo. – Harry disse tentando expressar a raiva que sentia de Dumbledore.

- Harry, meu garoto. Eu sei que está triste pela morte de Draco, mas não deve tomar medidas desesperadas somente por causa disso.

- Somente por causa disso? Somente? Draco está morto, ele está morto e é culpa minha. Ele é a pessoa que eu mais amo nesse mundo e agora está morto. Isso é um motivo insignificante para o Senhor?

Narcisa voltou a chorar e Dumbledore soltou a mão de Harry.

- Não adianta Harry, não vou deixar você fazer isso. Ainda mais sozinho.

Harry segurou o impulso de espancar Dumbledore até a morte.

- Eu vou com ele. – Foi Snape quem se pronunciou.

- Do que está falando Severo? – Dumbledore discutiu. – Você não pode realmente estar apoiando essa loucura.

- Não é loucura, Senhor. Eu entendo o que Potter está passando e, sinceramente, não ter usado o vira-tempo para salvar a pessoa que eu mais amava na vida foi o pior erro que eu poderia cometer. E não esqueça que foi você quem me convenceu.

- Está falando de Lily? Depois desse tempo todo você ainda pensa nela?

- Sempre.

Harry teve um pequeno conflito ao descobrir que Snape era apaixonado por sua mãe, mas no momento ele só podia ser grato a Snape.

Antes que Dumbledore dissesse outra coisa para tentar impedi-los, Snape se aproximou de Harry.

- Vamos, Potter?

Harry pediu que ele esperasse um segundo. Aproximou-se de Draco novamente e sussurrou para que só ele ouvisse: "Você vai ficar bem, eu prometo." E tocou os lábios dele com os seus. Draco estava frio como a noite.

- Vamos. – Harry disse e passou o colar ao redor do pescoço de Snape

Enquanto girava o vira-tempo Hermione sorria para eles. "Você vai conseguir", ela disse.

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Harry não sabia quanto tempo eles haviam voltado. Os corpos dos Comensais não estavam mais espalhados pelo chão. Pelo menos ele sabia que estavam antes do ataque.

- Vamos. – Snape disse e empurrou Harry para um esconderijo.

- O que está fazendo? Temos que achar o Draco.

- Não podemos interferir. – Snape disse lentamente. – Não podemos deixar que nos vejam. Vocês conseguiram vencer a batalha, só podemos interferir quando Draco aparecer.

- Mas eles nos verão de qualquer forma. – Harry protestou. – Nós temos que matar Voldemort antes que ele mate a mim ou ao Draco.

- Nós vamos matar Voldemort, mas você quer que a batalha seja perdida? Nós já sabemos que tudo dará certo antes de Draco aparecer, então vamos deixar assim.

Harry concordou e eles esperaram. Ele viu tudo acontecer novamente: Harry aparecendo sozinho e se deparando com todas aquelas pessoas, eles criando uma estratégia, Voldemort chegando e a batalha começando. A única diferença foi que dessa vez ele pôde ver o momento em que Draco apareceu, Harry sentiu o maior alívio de sua vida ao ver aqueles cabelos loiros. A cada segundo ele se mexia como se fosse entrar na luta e o coração de Harry parava, mas ele não saiu do lugar.

Então Neville foi lançado e Harry soube que o momento havia chegado. Snape se levantou com ele e juntos apontaram a varinha para Voldemort.

- Avada Kedavra. – Harry e Snape disseram tão juntos que ninguém nunca saberia qual foi a maldição que atingiu Voldemort primeiro.

- Que porra é essa? – O Harry do presente disse.

Depois disso ficou confuso para todos eles. Luzes saíram das varinhas exatamente como tinham feito antes e atingiram o corpo de Voldemort. Draco pulou e foi atingido por uma luz imaginária. Narcisa gritou. O Harry e o Snape do presente desapareceram.

Todos eles sentiam dor de cabeça, era como se tivessem vivido aquele momento duas vezes, tinham memória do que aconteceu em ambas as vezes.

Narcisa e Harry correram ao encontro de Draco.

- Draco? – Narcisa repetiu as mesmas palavras de antes. – Draco, por favor, fala comigo.

Harry percebeu que dessa vez os olhos dele estavam fechados. Se ele estivesse morto Harry nem conseguiria ver seus olhos de novo, nunca mais.

Então Harry teve a impressão de ver Draco se mexendo.

- Harry... O Harry tá bem? – Foram as primeiras palavras de Draco de volta a vida.

Narcisa agarrou forte o filho e sorriu o maior sorriso que conseguiu.

Harry chorou o maior choro de sua vida. Chorou tanto que soluçava e engasgava com as próprias lágrimas.

- Mãe, você tá me sufocando. – Draco protestou e Narcisa o soltou. Seu peito ardia onde a luz imaginária o atingiu. Mesmo com a dor ele se levantou e foi até Harry que tremia.

Harry se levantou com o rosto inchado pelas lágrimas e correu para Draco. Draco o envolveu com os braços tentando fazer o tremor passar, mas com a presença de Draco só fez Harry chorar mais, se é que era possível.

- Nunca mais me prenda na parede. – Draco sussurrou.

- Nunca mais se jogue na frente de uma maldição da morte. – Harry sussurrou de volta como conseguiu.

- Eu prometo se você prometer. – Draco disse e quando Harry concordou com a cabeça, ele o beijou, com lágrimas e tudo.

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Quando a notícia da morte de Voldemort se espalhou, Hogwarts entrou em clima de festa. Ninguém conseguia se concentrar o suficiente para passar um período inteiro dentro da sala de aula. Por isso Dumbledore decidiu por fazer uma semana especial, uma grande comemoração pela liberdade de um mundo sem Voldemort.

Para Draco, a felicidade era grande. Agora sabia que sua vida não tinha mais empecilhos, pelo menos não tão grandes para ameaçassem sua vida. Sua mãe tinha ido para casa no dia seguinte a batalha, ela queria saber com Lucius estava depois de tudo. Draco não se importava mais com o pai, mas se era o que ela queria, que assim fosse.

Ele sentia-se grato somente por estar vivo. Lembrava-se do que lhe havia acontecido, lembrava-se da luz verde atingindo seu peito e do frio. Era como se ele tivesse passado horas mergulhado em águas congeladas, e depois resgatado. Às vezes ainda sentia uma queimação no peito e hoje percebeu que uma cicatriz se formou ali, ela tem a forma de uma estrela.

No dia da batalha Draco sentia-se tão cansado e frio, por isso só queria dormir com alguma coisa quente ao seu lado, então foi dormir com Harry. Mas quando Draco acordou Harry disse que havia passado a noite sem conseguir dormir.

Harry está agradecido por essa semana festiva, assim poderia passar o tempo todo com Draco.

Ainda doía lembrar o momento em que Draco se jogou na frente da maldição por ele. Harry havia temido que Draco mantivesse o ódio que ele sentiu quando o prendeu na parede, mas assim que ele o beijou pela primeira vez, Harry soube que ficaria tudo bem.

Harry se apressava pelos corredores em direção as masmorras, seria a primeira vez que ele e Draco ficariam sozinhos desde a sala de aula vazia. As pessoas nos corredores cumprimentavam Harry, dizendo que ele fez um bom trabalho. Desde a morte de Voldemort, Harry e seus amigos têm recebido tanto reconhecimento pelos seus feitos quando possível com se eles fossem famosos, era irritante.

Por sorte, assim como Draco havia dito, a sala principal Slytherin estava vazia. Os alunos Slytherin eram os que mais comemoravam a morte de Voldemort, aparentemente porque livrou os familiares de muitos deles de suas garras.

Harry já sabia a senha do retrato, por isso foi logo em direção ao quarto de Draco. Ele estava sentado na cama, com a camisa desabotoada.

- Você nunca que chegava.

- Muita gente nos corredores. Ei, o que é isso? – Harry apontou para o peito de Draco.

- Na verdade eu não sei. Apareceu depois da batalha. Acho que é uma cicatriz de sobrevivente, sabe como a que você tem.

Harry tocou a cicatriz em forma de estrela com a ponta dos dedos.

- Ei, sei mais uma coisa que temos em comum. – Harry sorriu.

- Deformações na pele? – Draco sugeriu. – Pois é.

- Se me permitir, eu achei essa cicatriz super sexy. – Harry sorriu, tentando deixar passar no que ele estava pensando.

- Sério mesmo? – Draco pareceu genuinamente impressionado. – Sendo assim. – Ele sorriu e desabotoou o resto da camisa. – Acho que você vai poder vê-la melhor daqui. – E puxou Harry pra cima dele.

Draco ofegou quando seu sangue começou a esquentar. Sim, aquilo o fazia se sentir melhor do que qualquer coisa. O calor de Harry melhorava sua saúde, principalmente depois de ter sido atingido pela luz.

- Você tá bem, não é? – Harry perguntou. – O suficiente pra fazer isso?

- Isso me faz melhor do que bem. – Draco respondeu e beijou os lábios de Harry, entrelaçando suas línguas.

Quando Draco parou de beijá-lo para tomar fôlego, Harry deslizou a língua pelo pescoço de Draco até seu peito, onde a cicatriz estava. Aquela parte era fria e por isso ele fez o possível com a boca para esquentá-la. Draco arquejou e jogou longe a camisa de Harry, assim como a calça. Harry se contorceu e tirou a calça de Draco juntamente com a cueca enquanto ainda beijava a cicatriz.

Harry passou a mão pelo membro de Draco fazendo-o se contorcer, Draco puxou a cueca de Harry com tanta força que acabou rasgando em vez de retirar.

- Vamos fazer como da última vez. – Draco sussurrou ao ouvido de Harry enquanto ele se posicionava entre as pernas do Slytherin.

Harry sentiu a necessidade de sorrir e Draco lambeu os próprios lábios, agarrando o lado direito da bunda de Harry.

- Eu te amo. – Harry sussurrou antes de começar.

- Eu te amo também, óbvio. – Draco disse e aproveitou para molhar os lábios na boca de Harry quando ele se aproximou com mais força.

Draco passou os dedos pelo mamilo de Harry e Harry o empurrou de novo e de novo e de novo. As mãos de Draco arranhavam as costas de Harry quando eles terminaram e caíram, ainda colados, de lado na cama.

- Mas Harry, é sério. – Draco disse depois de um tempo. – Acho bom a gente parar desse negócio de morrer um pelo outro. Acho melhor nós começarmos a viver pelo outro, que tal?

- Por favor, que seja assim. – Harry sorriu e se esticou para roubar mais um beijo de Draco antes que eles caíssem no sono nos braços um do outro.

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