Se eu tô alegre
Eu ponho os óculos e vejo tudo bem
Mas se estou triste eu tiro os óculos
Eu não vejo ninguém
Por que você não olha pra mim?
Me diz o que é que eu tenho de mal
Por que você não olha pra mim?
Por trás dessa lente tem um cara legal
Muito bem, eu tinha uma detenção com a Lily. Uma Lily adorável, meiga, maravilhosa e espumando de raiva. O que podia ser melhor que duas horas sozinho com ela? Eu só precisava achar a porcaria dos óculos reservas dentro daquele malão idiota. Depois de uma busca longa, finalmente achei a caixa que minha mãe pusera os óculos e os coloquei apressadamente, descendo as escadas e quase tropeçando. Era mesmo uma droga que minha mãe me conhecesse tão bem. Talvez ela pesquisasse mais feitiços para reparar minha visão caso não tivesse mandado fazer uma centena daquelas coisas.
- O que eu tenho de fazer? - Perguntei, seguindo-a para fora da Sala comunal. Eu sei que posso parecer meio retardado e acho que faz muito sentido, afinal, eu só notei um pouco depois que estava ferrado. Mais ou menos no mesmo momento que ela anunciou minha detenção: Limpar a sala de troféus. Nada contra os troféus, eles são ótimos. Eu tenho alguns lá dentro e tudo o mais. Mas ela precisava realmente me fazer ficar na porcaria de uma sala mal iluminada com ela por sabe-se lá quanto tempo? Com quem ela estava tomando aulas de tortura? Elizabeth Bathory?
- Me mostre um de seus múltiplos talentos, Potter. Limpar sem magia. Tenho certeza de que aperfeiçoou a técnica com o passar dos anos.
Eu não respondi imediatamente, apenas aceitando minha punição por ser míope. Mas eu não posso dizer que teria achado ruim se eu houvesse chegado até o topo da escada do dormitório feminino - não que isso fosse realmente acontecer devido ao feitiço na escada que Sirius fez o favor de descobrir para que todos nós tivéssemos aquela informação vital. Comecei a limpar em silêncio, afinal, era uma detenção e eu precisava me concentrar na poeira ou teria problemas.
Foi assim que eu cheguei a maldita conclusão de que sou mesmo retardado. Eu já tinha problemas maiores. Eu estou apaixonado por Lilian Evans e ela não me dá a menor bola. Nem mesmo quando ficamos trancados na mesma sala. Não posso ser culpado por ter feito alguma coisa, posso?
- Eu tenho outros talentos, Evans. Tem certeza de que está interessada nesse? - Indaguei cerca de quinze minutos depois, quando ainda estávamos em um silêncio sepulcral. Confessarei que tive de reunir toda aquela coragem que me fez ir para a Grifinória no primeiro ano.
- Qual seria seu outro talento, James Potter? - É isso. Estou convencido de que ela se diverte me torturando, porque não posso imaginar nenhum outro motivo para incentivar essa conversa. Vai ver está óbvio que minha queda por ela é tão grande que parece que me joguei do Grand Canyon ou algo nesse gênero. Me ergui, sorrindo maroto e passei a caminhar na direção dela que apenas me encarou sem entender coisa alguma - eu tinha esquecido que ela é tão devagar quanto Remus nesse quesito. No fim das contas, talvez não estivesse me torturando.
- Eu prefiro te mostrar, se não se importar.
