Eu não nasci de óculos
Eu não era assim
Quando você volta de um encontro às 4 da manhã, espera encontrar todo mundo dormindo como pessoas normais. Mas o cachorro do Sirius Black estava acordado. Quando foi que nos casamos para eu precisar dar justificativas a esse filho da puta? Aliás, porque eu tenho de compartilhar a minha vida quando ele, obviamente, não faz isso? Ele pensa que eu esqueci a droga do "Si" que a MINHA ruiva usou com ele?
- Não me diga que ela foi pra cama com você tão fácil assim.
- Vá se foder.
- Prongs, me diga que vocês usaram proteção...
- Não transamos, seu cachorro idiota.
Estávamos sussurrando, mas isso não seria necessário. Não quando Peter roncava tão alto no mesmo dormitório há apenas duas camas de distância. Enquanto eu me livrava da minha capa, o idiota apenas esperava uma resposta.
- Eu mostrei a passagem da bruxa caolha a ela. E nós jantamos. Só isso. Ah, ela também me fez prometer que não ofereceria ajuda com outra matéria para que ela não fosse obrigada a recusar.
- Mentiroso. Você está com um sorriso sacana, Jay. Você não estaria sorrindo por um jantar.
Ele está certo, é claro. A verdade é que assim que nós chegamos ao porão da Dedosdemel, eu não pude me conter. Não quando eu estava no escuro com a garota que gosto. Não sou culpado, sou? Só nos beijamos. Várias vezes. E eu achei que era uma boa ideia tentar ir um pouco mais longe que aquilo, mais ou menos até a segunda base. E ela ficara realmente muito puta. Agora, imagine a cena: nós dois no porão de uma loja de doces, uma iluminação pra lá de precária e a mão de Lilían Evans na minha cara. Certo, o pedaço da Lilían Evans tacar a mão na minha cara já é uma coisa corriqueira, mas relevemos.
- Então, tudo isso foi pra que você me usasse? De todos os lugares do universo, você me traz a um porão, James Potter? A DROGA DE UM PORÃO?
- Lils...
- FOI TUDO PARA DORMIR COMIGO, NÃO É? - Ela estava berrando comigo. A plenos pulmões. E eu só conseguia pensar o quão bonita ela é com raiva ou não. Eu sou maluco.
- Não! NÃO! - Tá, eu também tive de berrar. Devemos ter acordado o vilarejo todo, mas eu não me importo. - Eu me humilhei durante um ano e meio por um único motivo, Evans: te convencer de que quero passar o resto da minha droga de vida com você. Mas não dava pra te pedir em casamento na lata, não é? É preciso começar de algum ponto.
A ruiva pareceu sem palavras por alguns segundos e eu me senti realizado. Era uma vitória. Se eu estivesse sonhando, ela teria dito que me amava. Mas eu não estava sonhando, não é? Eu tornei a me aproximar, as pontas de meus dedos acariciando o rosto dela enquanto afastavam os fios rubros.
- Você quer sair comigo mais duas vezes, namorar, casar e ser a mãe dos meus filhos? Não precisa ser nessa ordem.
E, com a resposta dela, eu provavelmente me tornei o cara mais feliz do Reino Unido.
