Cap – 3 - Depressão

Sua cabeça latejava, o gosto de ferrugem na boca a obrigou a uma careta de nojo, forçou os olhos a abrirem devagar por conta da tonteira estava difícil distinguir algo. Sacodiu levemente a cabeça para ver se assim as coisas voltavam ao seu lugar. Ouviu um choro baixo

-Onee-chan¹! A resposta para o chamado fora um gemido de dor devido a forte dor na cabeça. Forçou seus olhos a tentarem se forcar de onde vinha o chamado, mas a tonteira e a dor estavam fazendo seu trabalho perfeitamente.

-Onee-chan... – Mais choro. – Onee..one...onee-chan, me ajude! - A voz de choro e suplica a forçaram a despertar por completo. Levantou a cabeça e levou seus olhos na direção da suplica e quando seus olhos finalmente encontraram de onde vinha o chamado a visão que teve fez seu corpo estremecer. Seus olhos se arregalaram em desespero, sua respiração ficou descompassada, seu coração começou a bater tão forte que pensou que iria explodir dentro do peito. Instintivamente forçou seu corpo a levantar, mas não conseguia, percebeu então que estava...amarrada? Forçou o corpo novamente a levantar, mas não obteve sucesso, começou então a sacodir-se em desespero com a cena que estava diante de seus olhos. Seus pais haviam sido enforcados no portal de entrada para o corredor que levava aos quartos, estavam um de frente para o outro, mortos. Seu irmão menor jogado ao chão com uma corrente presa ao seu pé direito, havia várias marcas de sangue em sua roupa e seu rosto. Em seu braço um corte grande por onde seu sangue se esvaia levando a pequena vida embora.

- Não...Kaeda?! KAEDAAAAA! – Continuou sacodindo o corpo na tentativa inútil de livrar-se daquela maldita corda até que em um impulso a cadeira em que sem encontrava caiu. Sentiu seu ombro esquerdo ser deslocado com a força do impacto, uma dor intensa a fez trincar os dentes para não gritar, respirou fundo em seguida engoliu a dor porque a dor maior estava na cena em sua frente. Seus entes queridos daquela forma, seu cérebro a mil por horas tentava localizar em alguma parte de sua memória como aquilo havia chegado aquele ponto. Voltou seus olhos para os pais mortos e ficou por alguns segundo analisando a cena até ouvir passos. Focalizou na direção do som que aumentava conforme o ser se aproximava da cena de horror que estava diante de si. Forçou os olhos a tentarem enxergar algo no escuro corredor e viu...os olhos azuis, o sorriso que agora era maldito. Sua expressão de curiosidade passou para surpresa, não podia acreditar o que ele estava fazendo ali? E com aquele sorriso de como se gostasse do que via. Sim, ele estava gostando do que via, ficou olhando fixamente para aqueles olhos tentando silenciosamente buscar uma resposta para aquilo tudo até que o som de tilintar a fizeram acordar de seus devaneios. Ele se aproximou devagar e abaixou próximo a si, deitou a cabeça em seu próximo ombro para que ficasse na mesma posição e visse seu rosto de frente. Olhou-a dentro das esmeraldas que agora faiscavam de ódio.

- Por quê? – As palavras saíram carregadas de ódio e revolta, ele não respondeu só ficou a observá-la.

- Maldito! Por que? Por que fez issooooooooooo? – Gritou de raiva, ódio, revolta.

- Você está linda assim, sabia? – Levou a mão direita ao rosto caído sujo de sangue.

-Não me toca! – Gritou e em seguida lançou contra o rosto de seu algoz uma cusparada misturada com um pouco de sangue. Ele fechou os olhos institivamente e aquilo que havia acabado de acontecer levara embora sua pouca paciência. Levantou-se de vagar, obrigou-a a ouvir o maldito tilintar, caminhou em direção ao menino que chorava e implorava por ajuda.

-Onee-chaaaaaaaann! Tasuketeeee²!Onegai³...Onee…onee-chan! – A voz sôfrega implorava por ajuda. O menino tremia pelo medo de ver aquele ser se aproximar de si como um felino preste a atacar.

-Não...não, não, não!Deixa ele em paz! – Gritou. - Por favor, não... deixe-o, por favor...ele é só uma criança. Não faça isso, ele não tem culpa! – Implorou aos berros.

Parou ao lado do menino que chorava, olhou-a nos olhos.

-Diga! – Ordenou com a voz fria.

- O que? – Ela respondeu sem entender, ficou olhando dentro de seus olhos frios e a expressão gélida.

-Diga a ele que ficará tudo bem. – A frieza em sua voz faziam-na tremer , não acreditava que ele a obrigaria aquilo. Não! Aquilo era muita dor, demorou a processar a ordem dada pelo psicopata que agora ameaçava seu irmão querido.

- DIGAAAAAAAAA! –Um grito ecoou pelo lugar levando-a tremer de susto e de medo. Olhou nos olhos do menino que chorava compulsivamente e clamava por ajuda. Respirou fundo e as lágrimas escorreram queimando sua face, seria obrigada a mentir para ele, seria obrigada a fazê-lo acreditar que aquilo que diria era verdade, mas no fundo sabia que não era. Olhou nos olhos e em com a voz trêmula...mentiu.

- Ficará tudo bem! Kaeda...olhe para mim...ficará tudo bem. – Chorou mais, descompassadamente, estava desesperada, sentia-se inútil, impotente e agora mentirosa. Mentira para o irmão em seu último momento de vida, por mais forte que tentasse parecer não conseguia esconder a dor. De repente ouviu-se o som de lâminas cortando algo e o esguicho de sangue voar até seu rosto.

-AHHHHHHHHHHHHH! NÃOOOO, KAEDAAAA! – Levou as mãos ao rosto tentando limpá-los, a respiração descompassada, o corpo tremia em desespero. Olhou para as mãos e depois para seu próprio corpo e constatou que não era sangue e sim suor. Olhou de um lado para o outro tentando se localizar. Fora outro pesadelo, outra lembrança que a corroía. Era assim quase todas as noites, a imagem de seu irmão sendo decapitado e o sague quente que havia lavado sua face não saia de sua memória, maldita memória que a atormentava todas as noites. Mesmo depois de vários tratamentos, ainda era massacrada pelas lembranças. Levou as mãos de volta ao rosto e uma lágrima escapou, respirou fundo tentando se recompor.

- Droga! Outra vez. – Olhou para o rádio relógio digital no pequeno criado mudo ao lado de sua cama e notou que ainda eram três da madrugada. Bufou, havia perdido mais uma noite de sono e sabia que não conseguiria mais dormir depois daquilo. Levantou-se e caminhou até o banheiro, jogou as roupas em qualquer canto enfiando-se embaixo da agua quente. Era uma pena aquilo não lavar sua alma como lavava seu corpo. Ficou assim por quase quarenta minutos, enrolou seus longos cabelos carmesim em uma toalha e vestiu seu roupão branco. Caminhou até a cozinha, resolvera tomar um café bem forte. Enquanto a cafeteira trabalhava, caminhou de volta ao quarto, pegou seu celular e discou um número e esperou até que atendesse.

- Alô! – Disse a voz sonolenta.

- Desculpe ligar a essa hora...mas eu precisava . – Disse sem jeito, sabia que era tarde e que ele estaria dormindo, mas as sensações do sonho ainda estavam incomodando, precisava conversar.

- Hum...Jim o que houve? – Bocejou – Aconteceu alguma coisa? – Perguntou enquanto acendia seu abajur e olhava as horas. Constatou que ainda eram 3:55 da madrugada, revirou os olhos não acreditando que havia sido acordado aquela hora, se fosse outra pessoa já a teria matado pelo telefone, mas por Jim ele faria qualquer coisa.

- Aspros...eu, estou com medo. Tenho tido pesadelos constantes e piores que antes. Eu, eu ..desculpe não devia ter te acordado a essa hora. Perdoe-me, mas é que... – Levou as mãos ao rosto, sentiu seus olhos lacrimejarem, a imagem do rosto de seu irmão implorando por ajuda açoitavam-na agora quase todas as noites, era raro em que tinha noites inteiras de sono. Tentou ser forte e não demonstrar mas sem suportar mais chorou, deixou que as lágrimas de dor e medo molhassem seu rosto triste.

-Acho que terei outra recaída, estou com muito medo de não suportar outra vez Aspros, não quero ficar sozinha...não outra vez. Eu não pude fazer nada...eu...Deus...eu...! – Os soluços agora ecoavam de sua garganta, tentava prende-los, mas era mais forte que si. Até isso era mais forte que si, sentia-se uma inútil, fraca... medíocre. Levou a mão direita a boca tentando abafar o choro.

-Jim isso não irá acontecer. Ouça-me, não tenha receio em me procurar sempre que precisar, sabe que pode contar comigo, eu quero te ajudar, eu sempre a ajudei desde que veio para Grécia, não vou abandoná-la agora e nem nunca, está me ouvindo? – Disse firme Aspros.

- Sim...- respirou fundo para recuperar o folego. – Eu sei disso e sou grata por tudo que fez e que ainda faz por mim Aspros...só não queria ser um peso nem para você e nem para Asgard, você já tem tantos problemas e eu...

-Jim...já chega, não quero mais ouvi-la repetir isso. Você nunca foi e nunca será um peso para mim e muito menos para Asgard. Não quero nunca mais que diga isso e isso já não é mais um pedido, você entendeu! – A voz imponente de Aspros não havia deixado espaço para ser discordado.

-Sim Aspros...me desculpe...por tudo! Ainda mais agora por acordá-lo para ouvir minhas bobagens. – Secou as lágrimas no roupão e se dirigiu ao armário, pegou um xicara e encheu de café, caminhou até a varanda com a bela vista para o mar e se aconchegou na espreguiçadeira de madeira escura. O reflexo da lua no mar era incrivelmente belo e a melodia que se desprendia das ondas do mar era o melhor calmante de já tivera, sentou-se em posição de lótus e apoiou o telefone no ombro.

-Eu perdoo você, mas só dessa vez. Se me acordar assim todas as noites eu não sei o que será de mim. – Riu

- Tudo bem, vou tentar não fazer de novo ok?!– Sorriu e em seguida deu um gole em seu café fazendo uma cara de satisfação.

-Como foi o almoço? Soube que se desentendeu com Degel.

- Como soube disso tão rápido? – Perguntou com ar de curiosidade voltando a segurar o celular com a mão.

-Eu tenho meus métodos. Nada acontece ali que eu não saiba e isso você pode ter certeza Dona Jim. – Disse Aspros.

- Ãhnn Aspros você sabia que Esther e Sísifo eles são namorados? Eles ficam lindos juntos. – A ruiva riu com ironia tentando desconversar, Aspros era como um irmão e conhecia bem certas atitudes de si.

- É Claro que sim. Esther, Sísifo e eu nos conhecemos no jardim de infância, eles já estão juntos praticamente desde os 9 anos, isso não é nenhuma novidade para ninguém...e não desconverse Jim, eu a conheço e sei que adora fugir de certos assuntos. Agora me diga o que houve para se estranhar com Degel? - Insistiu Aspros.

-Eu não consigo te enganar não é?! Olha não houve nada! Pelo menos não da minha parte. – Respondeu sem dar muita importância.

-Não fez nada? Tem certeza? – Insistiu o geminiano mais velho.

-Eu juro Aspros! – Levantou a mão em sinal de juramento – Eu só estava cantando e Kardia começou a me acompanhar, ele acabou se chateando e disse que minha voz era horrível. – Disse e em seguida riu lembrando-se da situação. – Ele é um metido e mal humorado isso sim e...acho que não canto tão mal assim poxa. Lógico... não sou nenhuma Whitney Houston, mas também não era pra tanto. – Fez um muxoxo e encostou-se na espreguiçadeira.

-Sei...tem certeza que não quis provocá-lo? Nem um pouquinho? – Perguntou o grego com ironia.

Jim engolira em seco, na verdade não havia feito aquilo para provocá-lo e muito menos irritá-lo, pensando bem até queria sim provocá-lo, mas com certeza de uma maneira muito mais prazerosa.

-Sim...é verdade, eu não fiz por mal. Por que está insistindo nisso? – Perguntou a ruiva.

-Jim eu vi o jeito como vocês se olharam e... eu já lhe disse que sei tudo o que acontece na Óros Ólimbos não já?! – Perguntou o grego

-Sim...já disse e eu já entendi o recado ok?! Eu juro que não fiz por mal, você deveria dar um aumento a ele sabia quem sabe assim ele não muda aquele humor horrível. – Caiu na gargalhada logo em seguida.

O grego agora sentia certo alívio por ouvir Jim rir. O fato de saber que ela estava prestes a ter uma recaída de sua depressão deixava Aspros como coração partido, não queria mais vê-la definhar, havia sido horrível o tempo em que ele e Defteros lutaram para que Jim não desistisse de tudo, não fora nada fácil aquele ano Jim já havia tentado se matar duas vezes, depois de várias internações por forte anemia e depressão profunda, antidepressivos e entre outros conseguiram pelo menos ajudar a ruiva a continuar a batalha por uma nova vida, sabia que para Jim não era nada fácil voltar a uma vida normal, mas ela merecia uma nova chance e o grego estava disposto a fazer das tripas coração para que isso desse certo.

-Aumento de salário? – Gargalhou o grego. – Degel é muito bem remunerado Jim e eu acho que não é bem disso que ele precisa para mudar de humor. – Ironizou o grego.

- Que ironia é essa, Senhor Aspros Eyfyis hein?! – Falou levando uma das mãos a cintura.

- Ironia!? Não minha cara, sou homem e entendo muito bem de coisas que você jamais entenderá. Agora eu vou tentar voltar a dormir já que ainda me restam algumas horas e você deveria fazer o mesmo. – Bocejou

- Tem razão, vou deixá-lo dormir agora. Obrigada...eu te amo Aspros. – Confessou a ruiva com carinho.

-Eu também amo você Jim, agora tente voltar a dormir, amanhã terá que estar bem disposta para o trabalho e não pense que darei moleza a você só porque disse que me ama. – Disse o grego como um tom de irmão mais velho.

-Acho bom mesmo. Boa noite Aspros e durma bem. – Despediu-se a ruiva desligando o celular logo em seguida. Fitou por alguns minutos a paisagem que havia sido presenteada por Aspros, já que fora ele quem providenciara tudo para Jim vir para a Grécia. O grego escolhera tudo a dedo assim que soube que ela precisava sair do Japão as pressas, o apartamento loft ficava no 6 andar de um dos prédios com vista para mar, próximo a porta de entrada havia um pequena cozinha estilo americana com uma bancada e 3 bancos com estofados na cor branca, seguindo uma pequena sala com um sofá de canto também na cor branca separava os dois ambientes, no centro uma mesa de estilo puff também na cor branca era coberto com uma passadeira de bambu, uma porta de vidro dava acesso a varanda com vista para o mar, nela havia uma estátua de uma gueixa pintada a mão que Defteros encomendará de um dos melhores escultores da Grécia. Ao lado direito havia outra porta de vidro que também dava acesso a cama futon coberta por uma manta roxa e travesseiros brancos onde Jim dormia. No banheiro branco a pequena banheira com detalhes em madeira escura com laterais em acrílico verde claro era mais uma das escolhas pessoais de Aspros que por sinal agradara e muito a ruiva.

Jim ficara na varanda por mais algum tempo admirando a lua cheia até que por fim resolveu acatar o conselho de Aspros, voltou para o quarto e jogou-se no futon, quem sabe o sono não viria visitá-la outra vez.

Já cedo e o departamento de policia estava com uma movimentação intensa, o entre sai de pessoas já se iniciava bem cedo. O chefe Hakurei Yaminato revirava alguns papeis em sua mesa procurando algo que não conseguia encontrar, bufou levando as mãos até o topo da cabeça, ainda eram oito da manhã e já se sentia exausto, aquela vida já estava o deixando cansado também após 30 anos de serviço era mais que obvio, pensava em parar, se aposentar e ir para o interior viver uma vida tranquila com sua esposa. Sim, isso era uma ótima ideia, fechou os olhos tentando relaxar e quem sabe fugir daquilo tudo. De repente alguém o tirou de seus devaneios

-Senhor, desculpe incomoda-lo, mas o senhor tem visita. – Falou o jovem policial.

-Droga, a essa hora? Diga que não poderei receber ninguém essa manhã, tenho muitos assuntos para resolver. – Reclamou Hakurei.

-Mas senhor, parece importante. – Justificou-se Teema, o policial novato.

Hakurei coçou a cabeça e bufou sem responder. O rapaz sabia que não gostava nem um pouco de ser incomodado quando estava estudando alguns casos que ainda não haviam sidos solucionados, mas naquele caso não teve escolha. O rapaz esgueirou-se para perto da mesa do delegado e disse em um sussurro.

-Senhor, parece importante. Ele disse que é um investigador do Japão e que precisa muito falar com o senhor. – Cochichou o novato. Hakurei rapidamente levantou os olhos em direção ao rapaz o fitando com dúvida. Olhou de um lado para o outro tentando lembrar-se de algo que tivesse necessidade daquela visita, mas de nada se lembrou, resolveu então recebe-lo.

-Mande-o entrar Teema e me traga um café, por favor.

-Sim senhor, com licença. – O rapaz acenou com a cabeça e se retirou. Em seguida um homem jovem de cabelos azul escuro, olhos violeta, sobrancelhas grossas e um semblante que não agradou em nada o delegado avançou por sua sala. Hakurei o olhou dos pés à cabeça analisando o ser que acabara de entrar em sua sala.

- Bom dia Sr Yamaminato, eu me chamo Aiacos Suikyo – Estendeu-lhe a mão em cumprimento e Hakurei fez o mesmo. – É um prazer, me falaram muito bem de você. – O rapaz abusado, sentou e logo em seguida puxou um cigarro do bolso da camisa e levou a boca.

Hakurei levantou as sobrancelhas e fechou os olhos, não podia acreditar, por que um moleque...Sim! Para si aquele suposto investigador não passava de um moleque, teria vindo do Japão até a Grécia? Não podia ser somente para irritá-lo, havia algo mais importante que isso, tinha que haver. Hakurei sentou-se mirando o rapaz e foi diretamente ao ponto, não estava com humor para traquinagens.

- O que veio fazer aqui Sr. Investigador? Espero que seja realmente importante para ter me atrapalhado. – Disse irritado.

- Puxa...é sempre tão receptivo Sr Yaminato? – Ironizou o rapaz.

- Me chame de Hakurei somente. Diga-me o que houve para ter se deslocado de tão longe até aqui. Acredito que não seja somente para apertar minha mão. – O chefe do departamento realmente não estava de bom humor, era cedo e já lhe mandaram uma bomba daquelas. Entrelaçou os dedos das mãos apoiando-as na mesa encarando sério o rapaz.

Aiacos levou seu cigarro a boca e tragou. Ficou assim por alguns segundos e então começou seu discurso.

-Bom, eu e meu parceiro viemos aqui a procura da única sobrevivente de um massacre que ocorreu a 5 anos no Japão, três pessoas entre elas um menino de cinco anos foram brutalmente assassinados. Aya Oikawa saiu fugida do Japão para Grécia e após isso uma série de assassinatos brutais começou a ocorrer. As vítimas são sempre as mesmas: Garota branca, magra, aproximadamente 1,75m, entre 26 a 29 anos e todas ruivas. – Aiacos levou a mão à bolsa que havia trago com sigo e retirou uma ficha que continha fotos e informações sobre as vítimas e entregou-as. Hakurei começou a folhear o arquivo e quando se deparou com a primeira vítima sentiu seu estômago embrulhar. Não que não estivesse acostumado a ver pessoas mortas, mas a forma como as garotas haviam sido mortas era a questão, todas tiveram seus olhos e seu couro cabeludo completamente arrancados.

- Como sabem que todas eram ruivas? – Questionou Hakurei.

-Ele sempre deixa uma mexa de cabelo na palma da mão das vítimas. É como uma pista para mostras quem ele realmente quer quem ele realmente procura. Um tipo de ritual maluco de um sádico psicopata. – Tragou o cigarro e soltou a fumaça pelas narinas.

- Quem ele realmente procura? – Hakurei levantou a sobrancelha direita em sinal de questionamento.

- Sim! Todos os indícios levam a crer que a pessoa que ele procura seja Aya Oikawa. Os perfis das garotas assassinas batem com de Aya. Um homem chamado Asgard foi encontrado há três dias quase morto em sua residência por vizinhos, ele havia sido torturado. Ele sofreu um acidente de trabalho há uns anos atrás e por isso se aposentou da função de bombeiro, foi ele quem resgatou Aya, ele era um de seus vizinhos e a conhecia desde criança. Como ela ficou completamente sozinha "o Touro" como ele é conhecido, acabou se tornando responsável por ela e a levou para sua casa. A garota estava sofrendo uma forte depressão, o que não era para menos depois do que presenciara e ele foi quem a ajudou. Não sabemos exatamente o motivo que o levou a mandar Aya para fora do país, mas acreditamos que o assassino havia a encontrado. – Tragou seu cigarro outra vez e expulsou a fumaça de seus pulmões pelas narinas para então continuar.

-Ainda não sabemos onde ela está, o homem está em coma induzido devido aos traumas e não conseguimos nada além de uma correspondência vinda daqui. Se acharmos a garota, acharemos o assassino, agora...- fez uma pequena pausa. – Se ele a encontrar antes de nós...

-Ela estará morta. – Concluiu Hakurei.

-Sim! Ela é nossa única chance de pegarmos esse filho da puta! – Apagou seu cigarro bem na ponta da mesa onde Hakurei encontrava-se.

- Tudo bem investigador e como a encontraremos? Você faz alguma ideia de onde ela possa estar? –

-Bom...ainda não sabemos por onde começar, mas não temos outra escolha. Será como achar uma agulha no palheiro. – Aiacos cruzou os braços encostando-se a parede.

- Precisamos de mais pistas. – Disse Hakurei.

-Concordo. Tenho uma equipe que está no Japão trabalhando por mais pistas sobre a garota.

- Então, temos que começar o mais rápido possível. Espero que seja realmente um bom investigador Sr Aiaco, por que se não for...ela estará em sérios apuros. – O chefe do departamento levou a mão às têmporas para massageá-las. Uma garota fugida do Japão com um assassino psicopata em sua cola não era bem o que queria no momento, mas não podia negar que após ver as fotos das vítimas, mesmo sem conhecer Aya temeu por ela, se ele havia feito aquilo com garotas que não eram sua "real vítima" imagina o que faria quando a encontra-se.

-Eu sou e espero que a SUA equipe também seja muito boa...e de preferência rápida. Enfiou a mão em um dos bolsos e retirou um cartão com número de celular.

-Tome, ligue-me caso tenha alguma novidade. Entrarei em contato assim que tiver alguma informação. – Saiu batendo a porta deixando um sério Hakurei de cabeça quente. Era só o que me faltava. Justo agora? – Questionou-se o Detetive.

-Teema...onde está meu café?- Gritou o detetive, agora mais irritado do que nunca.

Já havia se passado quase um mês desde que Jim começara a trabalhar na Óros Ólimbos e já havia cativado a turma das antigas, principalmente Kardia que com seu jeito descolado e falador acabou fazendo amizade rápido o que para o francês rabugento não era nada agradável.

-Ah Kardia já chega, por que sempre que chego você me enche de beijos? Sabe que não gosto que fiquei me agarrando assim. O que vão pensar de mim? – Falou a ruiva tentando se livrar das garras do escorpião.

-Você se preocupa mais com o que "eles" irão pensar ou o que "ele" irá pensar? – Ironizou o grego.

-O... o...o...que ? Como assim? Ele... ele quem? Você é maluco Kardia. – Empurrou o grego que caiu sentado na cadeira de Jim. – Por que não volta pra sua mesa e me deixa trabalhar em vez de ficar aqui falando bobagens? – Tentou desconversar a ruiva.

-Você é sempre sonsa assim ou ta querendo me fazer de idiota? – Falou brincando com uma caneta.

-E você é sempre abusado assim ou ta querendo me irritar? Bem que me avisaram que intimidade é uma droga. – Jim cruzou os braços fingindo irritação.

-Bom, depende da intimidade. Se for aquela intimidade em que um fala com o outro enquanto estão na privada é uma merda mesmo, agora se for aquele tipo intimidade em que no final os dois viram os olhinhos em puro deleite essa sim é uma porra de uma intimidade. – Gargalhou o grego notando a forma como Jim havia ficado corada.

-Kardiaaa! Seu...cara de pau você não tem vergonha disso não seu...seu, sai...sai logo da minha cadeira antes que eu lhe de uns tabefes isso sim. – Puxou o grego de sua cadeira "Como posso ter feito amizade como alguém tão depravado como Kardia?" Ela sempre se perguntava.

- Humm...aí teremos um problema. – O grego levou o dedo ao queixo como sinal de questionamento. A ruiva não entendeu bem e fitou o rosto do escorpiano com certa curiosidade.

-E se eu gostar de seus tabefes? Ihhhh...teremos um sério problema porque, eu sei que você é não é de se jogar fora, mas eu gosto de você só como minha amiga e não para ter aquela intimidade que se vira os olhinhos no final em deleite, sabe? Aquele que lhe falei agora pouco? – Enquanto Kardia tagarelava suas idiotices El cid que era o companheiro de estação de Jim havia acabado de voltar a mesa o que havia deixado Jim ainda mais corada.

-Então, eu sei o quanto deseja provar do meu corpo sarado Jim, mas... não rola entre nós? Entendeu? – Ao final o grego fez a sua melhor cara de sonso, a intenção dele havia se concretizado, deixar Jim como um tomate.

-Kardia? – Disse a ruiva de olhos fechado.

-Sim amor. – respondeu o grego com ironia.

-Sai...da...minha...mesa. – Soletrou cada palavra entre os dentes, Jim havia ficado completamente sem jeito na frente de El cid que tentava a todo custo não dar bola para a conversa, mas era praticamente impossível com Kardia deixando a ruiva completamente sem jeito bem ao seu lado. O Espanhol tentou segurar uma risada, mas foi inevitável não rir da cara de brava que a ruiva havia colocado.

-Ownnn! Você fica ainda mais fofa assim com essa carinha de mau. – Ironizou o grego mais uma vez.

-Ora seu...sai, sai...vá caçar o que fazer seu cara de pau! – Saiu empurrando-o e dando leves tapas em suas costas. O grego querendo irritar ainda mais a ruiva deixava o corpo ainda mais pesado o que dificultava a ruiva a tirá-lo de sua estação. El cid e agora Mathure que passava indo em direção a impressora começaram a rir da dificuldade da ruiva em empurrar o grego que a essa altura já estava quase deitado em cima de si.

-Eu também te amo ruiva, não precisa fazer demonstrações de afeto em público, desse jeito meu frágil coração não aguenta.

- Kardia...seu...filho da mãe, já que é assim...! A ruiva abaixou uma das mãos e mirou bem em direção a bunda do escorpiano que quando sentiu que a ruiva faria o famoso "fio terra" bem na frente de todos o grego um salto.

-Eitaaaaaaaaaaaa...PERAI, isso não! Nem vem com esse dedinho safado. Já disse que demonstrações de afeto em publico abalam meu coração, mas isso...nem fodendo!

-Ahhhh agora arregou seu safado?! Vai, mete o pé, vai trabalhar é o melhor que você faz vai. – A ruiva terminou de empurra-lo até fora de sua estação.

-Eu vou, mas eu volto. – Mandou a sua famosa piscadela para a ruiva, apertou a mão de El cid e saiu.

Jim praticamente se jogou em sua cadeira bufando. Era sempre assim entre ela e Kardia, o grego descarado sempre dava um jeito de deixá-la completamente sem jeito. No fundo ela gostava daquilo, ter atenção de alguém era muito bom depois de tempos sozinha. O grego era divertido e sempre dava um jeito de fazê-la rir, era como se adivinhasse os dias em que a depressão insistia em bater a sua porta.

- Alô – Disse Jim ao telefone que acabara de tocar.

-Jim onde você está? Já estou te esperando a mais de dez minutos com aqueles desenhos que lhe pedi e até agora nada. – A voz do "chefe" soou irritada.

-Ãhnn...Defteros?! A meu Deus! Desculpe eu...eu...sinto muito ...

-Você tem 5 minutos para vir até aqui e me mostrar tudo, fui claro?

-Sim!

-Otimo! Tu...tu...tu...! – Defteros desligou antes mesmo de Jim despedisse.

A ruiva rapidamente voltou-se para seu computador e mandou os projetos para a impressão.

-Droga! Por que tinha que me entreter naquela maldita conversa com Kardia. Defteros vai me matar. – A ruiva levantou-se e saiu em disparada na direção da impressora sem prestar muita a atenção por onde passava quase trombando com Mathure.

-Ohhh...presta a atenção por onde vai apressada. – Avisou Mathure.

-Me desculpe! – A ruiva por um segundo virou o rosto para se desculpar e com isso sentiu o impacto e algo quente cair sobre seu braço.

-Ahhhh... DROGA! – Praguejou e quando olhou para ver no que tinha esbarrado a ruiva quase caiu dura. Mathure que havia acabado de passar por Jim ficou de boca aberta e Manigold que ficava perto dali ouviu o som da "trombada", curioso levou a cabeça para fora de sua estação.

-Ihhhh... Merda, avvitato4! – Exclamou o italiano, já imaginando o que estava por vir.

Continua...

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1 - Onee-chan quer dizer irmã só que com mais respeito.

2 – Tasukete = Salve-me, socorra-me ou salve-a

3- Onegai = Por favor

4 – Avvitato = Ferrou.

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