Ao ouvir o som da porta, Defteros franziu o cenho com a imagem de uma Jim completamente sem jeito.

– Oi Defteros, desculpe a demorar.

–Nossa! O que houve? Resolveu tomar um banho de café antes de vir aqui?

–Engraçadinho sabe que não, eu...vamos ao que importar? – Disse Jim desanimada.

Defteros se aproximou da ruiva com um andar felino e levou uma mão ao queixo da mesma fazendo-a olhar para si.

–Não precisa ficar chateada e nem envergonhada, para mim ainda está linda.

– Obrigada Defteros, mas acho melhor resolvermos logo nossas pendencias. – Respondeu Jim dando as costas para o grego enquanto organizava a papelada.

Defteros aproximou-se mais enlaçando sua cintura fazendo seus corpos colarem. Jim sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando sentiu o hálito quente do grego em sua nuca.

–Está com pressa? Não quer me dizer o motivo dessa carinha desanimada? Sabe que não gosto de vê-la desse jeito.

–Não é nada, não quero preocupá-lo com besteiras. – Jim remexeu-se um pouco para assim tentar afastar aquele deus grego de si.

–Besteiras? Coisas vinda de você nunca serão besteiras para mim, sabe muito bem disso. – O grego inalou o cheiro que se desprendia dos cabelos de Jim como uma droga, como sentia falta daquilo depois que a ruiva havia terminado consigo, tiveram um relacionamento de 3 ano e devido a depressão, Jim havia acho melhor terminado o relacionamento, não achava justo prender Defteros a alguém como si, a doença estava a levando ao fundo do poço e não queria levar o grego consigo apesar de gostar e muito dele.

–Podíamos jantar juntos qualquer dia desses. O que acha? – O gêmeo mais novo roçou os lábios levemente no pescoço de Jim fazendo a ruiva soltar um suspiro indesejado, o grego logicamente havia notado e gostado de saber que ainda lhe causava aquelas reações. Afinal sabia bem como deixar qualquer mulher de pernas bambas e não era diferente com Jim.

–Defteros...você sabe que não vim aqui para isso.

– Eu sei. – Disse o grego sem dar muita importância

–Então acho melhor vermos as pendencias não é?! – A ruiva tentou se desvencilhar dos braços que a mantinham presas, aquilo estava se tornando perturbadoramente quente e...úmido? Isso era ruim...muito ruim, não podia perder o controle depois de tanto tempo ainda mais ali? Não mesmo! Depois do grego não havia sido tocada por ninguém, não tinha cabeça para pensar em coisas do tipo, se havia terminado com o grego então não fazia o menor sentido ter outro em sua cama ainda mais em tão pouco tempo. Já fazia um bom tempo que Defteros não tentava nada e justo agora ele resolvera usava de seus dotes para fazê-la cair em seus braços. O grego era a tentação em pessoa, a personificação de um deus na terra...sim. A pele bronzeada pelo sol, os cabelos completamente repicados caindo como cascata em suas costas até a altura do quadril, o perfume amadeirado deixava evidente seu bom gosto, o jeito de olhar com as safiras era como um predador prestes a capturar sua presa, os lábios finos e bem desenhados possuíam um sorriso capaz de desarmava qualquer cidadã, o abdômen definido o grego fazia questão de exibir com os blusões não tão apertados, mas que deixam bem evidentes o quanto era caprichoso com sua aparência.

– Sim, mas diga que aceita jantar comigo, só diga que sim. – Com os braços ágeis, o grego virou Jim rapidamente de frente para si mantendo seu olhar sensual preso as esmeraldas.

– Eu não sei. Eu... não sei se...

O grego levou o dedo aos lábios da ruiva interrompendo o que já sabia, mas dessa vez não aceitaria um "não" como resposta.

– Shuuuuu... só diga que aceita e pronto, não tem nada de mais é só um jantar que mal a nisso? – Ah o sorriso e aqueles olhos que pareciam desnudá-la como resistir? A ruiva ficou alguns segundos contemplando o belo rosto abençoado pelos deuses que o grego possuía, sua mente a fez voltar no tempo...o tempo em que caia nos braços do grego indo do inferno das crises de depressão aos céus nos lábios macios do geminiano. Respirou fundo desviando o olhar em seguida.

– Está bem, eu aceito mas...- o grego levou novamente o dedo aos lábios de Jim

– Não se preocupe, será no restaurante que você escolher.

Jim sorriu sem jeito, com aquelas safiras mirando-lhe era quase impossível resistir, assentiu com a cabeça e se afastou um pouco do grego.

– Agora que já me convenceu vamos ao trabalho já está quase na hora do almoço. – Jim segurou o grego pela mão e o levou a mesa onde discutiram sobre os ajustes que Defteros solicitara.

Depois de quase duas horas a reunião que havia tido com Defteros finalmente terminou, Jim estava faminta e mais pensativa do que nunca. Aceitado ao pedido de jantar de Defteros e isso era um problema e o jeito como o grego sussurrava em seu ouvido... sacudiu a cabeça tentando se desvencilhar daqueles pensamentos, apoiou o rosto nas mãos e sua maldita memória... lembrou-se da burrada que havia feito antes de falar com Defteros e sentiu vontade de se atirar de um penhasco a marrada a uma pedra. Abaixou o olhar triste para si e viu a mancha de café sem sua blusa. "Tinha que fazer mais uma de suas burradas não é?! Sua estabanada" repreendeu-se mentalmente.

–Droga. – Sussurrou.

–Eu disse que voltaria por isso não precisa chorar. – Jim levantou a cabeça rapidamente para fitar o dono da voz e não ficou nem um pouco surpresa.

–Ah...você de novo Kardia. Olha desculpa, mas não estou para brincadeiras agora. – A ruiva levantou-se e deu as costas para o grego, realmente não estava com humor para brincadeiras.

–Ei perai! Não precisa ficar tão chateada. – o grego fitou as esmeraldas e viu nelas a certeza que Jim não estava muito bem.

– Vem... – Colocou os braços sobre os ombros de Jim a guiando para o elevador. – Hoje eu pago seu almoço e nem me vem dizer que não precisa porque não vou aceitar um "não" como resposta.

"Mais um" pensou - Mas Kardia...

–Não me venha com "mas" Jim, hoje você vai comigo e pronto.

Como discordar? De Kardia? Impossível, ainda mais com aquele sorriso que só ele sabia dar. Jim sorriu em resposta e deixou-se guiar pelo grego até o restaurante que ele escolhera.

– Então senhor, o investigador deu alguma notícia sobre o paradeiro de Aya? – Perguntou Teema

–Não! – Bufou Hakurei. – Ainda não Teema. Não pode ser tão difícil encontrar uma garota ruiva e japonesa. Qual a dificuldade nisso? – Esbravejou Hakurei.

– Senhor, tente se acalmar, ela pode estar em qualquer lugar da Grécia e se ela veio fugida para cá é certo de que não quer encontrada. – Justificou Teema.

– Eu sei, mas temos que encontrá-la custe o que custar Teema. Escute irei dar uma saída e não sei a que horas irei retornar. Quero que continuem vasculhando cada centímetro da Grécia, embaixo de pedras, latas de lixo, puteiros, hotéis velhos e até no Submundo se for preciso, em qualquer lugar, mas encontre essa bendita garota.

–Mas senhor, se ela estiver no submundo isso significar que...

–Teema! – Levou as mãos as têmporas "Não acredito que esse moleque disse isso. "

– Sim senhor!

–Ache a garota! – Disse e depois se retirou deixando um Teema confuso.

– Dohko, irei tomar um café a tarde com Yuzuhira, tá a fim de ir com a gente? – Perguntou Shion

– Ãhnnn...e ficar de castiçal para você? É ruim em?! – Gargalhou o chinês

–Castiçal? Me dá um tempo, você faz isso a quarto anos não sei porque está reclamando disso agora.

–Tenho que terminar de revisar uns processos e não sei se terei tempo, se acabar antes quem sabe. – Disse dando de ombros.

– Deixa de ser fazer de importante você pode muito bem fazer isso depois. – Shion voltou a sua mesa. – As 14:00 chinês e sem desculpas. – Intimou o ariano.

– E aí, o que vai querer hoje?

– Hummmm...salada.

–De novo amor? Vai acabar desmaiando qualquer dia desses por só comer folhas. – Resmungou Sísifo

– Também acho Esther, um dia fora da dieta não mata ninguém. – Disse Akemi fazendo um beichinho.

–Ownnnn...você fica tão lindinha com esse biquinho.

–Manigold...Qualquer pessoa para você fica linda fazendo biquinho, a única coisa que ela precisa é estar de saias. – Retrucou Xu.

–Ahhhh bela também não é assim vá. Ta achando que dou meu corpinho de graça pra qualquer uma é?!

–Hum...Tenho certeza que sim ...- A loirinha cruzou os braços. – Mas também isso não é da minha conta. – Deu de ombros.

–Está com ciúmes Akemi? – Perguntou Mathure colocando mais lenha na fogueira.

– Eu? Fala sério! Com ciúmes desse carcamano...isso é ridículo. – A loirinha virou o rosto fazendo pouco caso da situação.

–Ahãn...sei, finjo que acredito.

–Mas é para acreditar mesmo. Até parece que eu perderia meu precioso tempo com um cafajeste como esse Italiano. – Deu de ombros Akemi

–Cafajeste? Assim você está me ofendendo oh oxigenada. – Bradou o italiano

–Oxigenada é sua madre. – Revidou a loira

–Não fale assim da minha madre sua metidinha, você se acha muito gostosa né?!

–Metidinha? Prefiro ser metida ao ser uma "dada" como você.

–Ihhhh...já estou até vendo onde isso vai terminar. – Cochichou El cid para Sísifo que estava ao seu lado que balançou a cabeça concordando.

– Ei...e hoje em?! Que mancada da Jim. – Disse o leonino Regulus chamando a atenção dos outros enquanto Akemi e Manigold trocavam "elogios" nada singelos.

–Aiii nem fale nisso eu já estava vendo a hora dele voar na garganta dela. Vocês viram a cara que ele fez quando ela tentou concertar a merda?– Caiu na gargalhada Mathure.

–Tadinha vocês viram como ela ficou depois que ele saiu correndo? Ela ficou completamente sem jeito. – Lamentou Esther com cara de pena ao lembrar-se da cena.

–O pior foi ela tentar limpar ele. – Disse o sagitariano dando gole em sua bebida logo em seguida.

– E ele onde foi? – Questionou Regulus.

– Ele me disse que iria para casa tomar um banho para tirar o cheio de café. – Disse Asmita dando um leve sorriso.

– E Jim e Kardia? Não quiseram vir El cid? – Disse Regulus

–Eles saíram um pouco antes de nós. Ouvi Kardia dizer que hoje o almoço da ruiva era por sua conta e saíram. – Respondeu o espanhol.

– HAHAHAHAHA...Já vi que o escorpião já enfiou seu ferrão na moranguinho. – Disse Manigold

–Eu acho que AINDA não Manigold, mas se continuar nesse ritmo ele irá sim. – Disse Mathure

–Ah não seja tão má Mathure. Acho que Jim e Kardia só se deram bem e acabaram virando amigos, para mim a ruiva só tem olhos pra uma pessoa. – Asmita cruzou os braços deixando os outros que ainda não haviam notado com vários pontos de interrogação em suas mentes. Esther, El cid e Sísifo sacaram de cara quem era a pessoa que o budista falava.

–E ai desembucha... por que está com essa cara de quem comeu e não gostou? – Kardia perguntou e lançou seu sorriso encantador para Jim que ficou corada.

–Ah...Kardia só estou com alguns probleminhas pessoais nada demais. – Tentou desviar do assunto, coisa que Jim sempre tentava fazer.

–Sei...-Kardia fez uma pequena pausa olhando para o cardápio, chamou o garçom e fez os pedidos. – Tem certeza que é só isso? –Completou

Jim tentava esconder os olhos embaixo da aba de sua boina xadrez cinza e preta assim como escondia completamente seus fios carmesins.

– Ah Kardia, eu não sei, parece que estou fazendo tudo errado e...e, sei lá eu sempre me sinto deslocada e...e...

– Você gosta dele não é?! – A ruiva empalideceu com a pergunta direta do escorpiano, que cara de pau era aquela em praticamente afirmar que gostava dele? Ah sim, cara de pau. Vindo de Kardia o que poderia esperar.

–Co...co...como?

–Olha, não me vem com essa, eu já percebi desde o dia em que chegou que você caiu nas graças do francês sem sal sem ele fazer o mínimo esforço... o que é irritante. – Falou o grego levando o dedo à altura do nariz de Jim que estava vermelha como um pimentão.

– Eu? Nem vem Kardia! – Cruzou os braços virando o rosto. – Degel me odeia e você sabe muito bem disso, não inventa tá?!

– E isso machuca você? O fato de achar que Degel lhe odeia doí?

– Kardia...Degel - me- o-de-i-a. – Soletrou. - Qual a parte da frase você não está conseguindo absorver?

–Jim, eu já absorvi sim "Degel me odeia" até porque você já disse isso uma porção de vezes, então agora vê se você entende que a questão não é o fato de Degel te odiar ou não, a questão é: Você gosta dele SIM ou NÃO? – O grego encarou as esmeraldas de Jim

Do que adiantava tentar fugir? Mesmo que tentasse o grego já havia notado há séculos seus suspiros pelo francês.

–Sim! – Sussurrou

O grego levou a mão direita ao queixo de Jim fazendo-a olhar para si.

–Eu não te ouvi. – Disse o grego com aquele maldito sorriso sacana.

As esmeraldas de Jim dançaram fitando as safiras do grego por alguns segundos buscando coragem para admitir o que no fundo não queria, mas sabia que Kardia não iria se dar por vencido dessa vez.

–Sim...sim eu gosto dele tá bom! É isso que queria ouvir seu grego teimoso e chato, eu sabia que não devia ter vindo almoçar com você. – Mexeu o rosto para se desvencilhar das mãos másculas do grego, pegou sua bolsa e seus óculos escuros e levantou-se.

– Ei perai! Aonde você vai? – Kardia levantou ao mesmo tempo e a segurou pelo braço.

–Embora, onde mais eu iria? Você sempre me questiona sobre isso, sempre dá um jeito de tocar nesse assunto para me fazer confessar o que você já sabia. Está satisfeito agora? Você já ouviu o que queria não é?! Então, deixe-me Kardia.- Disse emburrada

–Jim não precisa ficar assim, qual o problema em gostar de alguém? Não é nenhum pecado estar enamorada por Degel ou seja lá por quem for, acalma- se não precisa sair correndo desse jeito eu sei que está faminta.

–Não, não estou, perdia a fome! Porque você não aproveita esse tempo e vai correndo contar pro seu "melhor amigo" o que descobriu hein!? Não foi pra isso que me trouxe aqui? Para arrancar de mim uma "confirmação"? Vocês com certeza são confidentes e sei que não vai perder essa oportunidade. Vai lá e conta pra ele! – Gritou tentando se desvencilhar das mãos do grego que a segurava pelos ombros.

–Jim olha pra mim! A minha amizade com Degel não tem nada a ver conosco, ele é ele e você é você, não confunda as coisas ruiva. Somos amigos e confidentes sim a anos, mas o fato de você ter se aberto comigo não me dá o direito de contar um segredo que você confiou a mim mesmo que ele esteja envolvido. Eu posso ser um doido, impulsivo, mas nunca, jamais trairia a confiança de um amigo e eu sou seu amigo. Não vou contar nada a ninguém e muito menos a ele... a não ser que você queira, entendeu?! – Enquanto falava o grego manteve suas safiras presas aos olhos de Jim, o tom de voz e o olhar sério deixava mais do que claro que dessa vez não era uma de suas piadas. Kardia podia ser o que for, mas fidelidade a amigos verdadeiros era uma de suas maiores qualidades que só poucos tinham o prazer de ter de si.

–Seu pedido senhor! - O garçom havia chegado com os pedidos e o cheiro que emanava dos pratos fez a barriga do grego roncar.

–Obrigado. Hummm... e aí ainda tem certeza que ainda está sem fome? – Kardia deu seu melhor sorriso.

Depois daquelas palavras Jim resolvera dar um voto de confiança e voltou a mesa com o escorpiano. Assim com o cheio a comida também estava ótima, deliciaram-se com os pratos típicos da Grécia.

–E então...está mais calminha depois que matou a fome? – Perguntou Kardia.

– Sim...- Jim fez uma pausa enquanto olhava as pedras de gelo se movimentarem com as bolhas de gás de seu refrigerante favorito. – Ah Kardia eu não sei o que fazer, ele me repele de uma maneira que me faz sentir tão mal, é como se eu estivesse com uma doença contagiosa. Se ele está em um lugar e eu chego ele sai, se tento conversar ele sempre dá um jeito de sair, se faço um trabalho ele sempre critica, é visível que ele não suporta minha presença desde que pisei na Óros e depois de hoje... – Voltou as esmeraldas para o rosto do grego que exibia um sorriso debochado. Na verdade Kardia sabia muito bem que o que Degel tinha por Jim e com certeza não era aversão. O grego sabia que para o amigo era tão difícil conter a atração que tinha pela ruivinha que preferia repeli-la ao ceder à "tentação" japonesa. Degel era sistemático e muito precavido, não fazia nada por impulso e por isso iria manter Jim longe de si tempo suficiente até saber tudo sobre ela. O problema era esse "tempo" que Kardia achava absurdo ser perdido, Degel ficaria "estudando" Jim por meses se fosse preciso até descobrir quem ela realmente era. Tudo bem que ela ainda era uma incógnita, mas também não precisava perder tanto tempo com essas babaquices.

–É...você deu um banho nele. – Riu o grego lembrando-se da cara de desespero de Degel.

–Ah Kardia nem me lembre!

Flashback

Ohhh...presta a atenção por onde vai apressada. – Avisou Mathure.

–Me desculpe! - A ruiva por um segundo virou o rosto para se desculpar e com isso sentiu o impacto e algo quente cair sobre seu braço.

–Ahhhh...DROGA! - Praguejou e quando olhou para ver no que tinha esbarrado a ruiva quase caiu dura.

– Ah Meu Deus! Degel...me...me perdoe eu...eu...me distrai. Oh droga! – A ruiva estava completamente nervosa, por que tinha que trombar e para piorar sujar completamente a camisa branca que Degel havia escolhido para o trabalho? A feição séria do francês deixou Jim ainda mais nervosa. Pegou alguns papeis toalhas na mesa mais próxima e tentou amenizar a burrada cometida, pedindo mil desculpas, Jim começou a passar os papeis desesperadamente no peito do francês que estancou na hora. Sentiu os pelos de sua nuca se erriçarem e um calor começar a esquentar seu baixo ventre, aquelas borboletinhas agora começavam a dançar dentro de seu estômago causando aquela maldita sensação.

–Non...Já chega! Non...non precisa! – Pedia o francês tentando manter seu alto controle.

–Gomen Degel...Me Desculpe por favor eu...eu...sou uma desastrada. "Sua desastrada, idiota" Xingou-se mentalmente.

–Já chega...pare Jim. – Pedia o francês nervoso, mas Jim parecia não ouvir, estava tão concentrada em tentar concertar o estrago feito que não percebia os pedidos de Degel. O papel segurado por Jim começou a dançar sobre seu braço direito sujo de café, peito e ...abdome?! Não, aí era demais.

–CHEGA! – Bradou o francês fazendo todos estancarem. Jim ficou estática olhando nas violetas do francês.

– Você é surda mesmo, non está me ouvindo dizer para parar com isso?

–Desculpe. – Sussurrou Jim completamente sem jeito. – Eu...eu não queria... – Antes mesmo de terminar a frase Degel passou por si esbarrando em seu ombro e saiu sem dizer mais nada.

–Olha, se pudesse me jogaria do Monte Olimpo. Que ódio de mim! – Escondeu o rosto com as mãos. – Pensei que ele iria me fuzilar com aquele olhar, ele ficou furioso. Até gritou.

Kardia tentou conter em vão a gargalhada.

–Jim foi hilário, sua cara de depressão foi ótima. Você quase cavou um buraco e se jogou ...HAHAHAHAHA.

–Ahhhh pare de rir! Está me fazendo sentir pior.

–HAHAHAHAHAH...Ele...ele saiu como um foguete, nem olhou para trás.

–Õnnnnnn...que vergonha! - Disse Jim

–Hummm...aposto que ele foi correndo pra casa tocar uma. – Kardia falou para si.

–O que?

–Nada! Nada não...eu aposto que ele correu para tomar um banho aquele francês metido. Duvido que fosse ficar o resto dia com a camisa sujinha de café...blééééé...é um fresco. Se fosse eu teria deixado você me limpar todinho, só que...com a língua.

–Você é muito canalha mesmo. Você só pensa nessas coisas? – Deu de ombros

–Ah para, quer que eu pense em que? Contar, dívidas ou...na chapeuzinho vermelho. Me poupe, eu quero é pensar em coisas boas.

– Ai ai Kardia você é louco mesmo. Pelo menos você me faz rir e isso tenho que admitir.

–Olha só não sou palhaço não em?!

–Para mim é e dos bons. Agora vamos já passa das 14hr e ainda tenho umas coisas para entregar a Defteros. – Bufou

– Ok...Ah! Antes que eu me esqueça, amanhã é sexytafeira e...-

–Eeeee? – Disse Jim curiosa.

–É dia de BOATEEEEE e você vai co-mi-go mocinha. Ainda não comemoramos sua entrada para o grupo da Óros esqueceu?! – Disse Kardia empolgado. Disse farra? Sim, era com ele mesmo, o grego era praticamente vip em várias boates em Atenas.

–Ãhnnn Kardia eu acho que não é uma boa ideia.

–Se é uma boa ideia? Jim é uma ótima ideia, fazemos assim eu irei até sua casa e vou no seu carro com você.

– Mas por que no meu carro?

–Por que eu vou querer beber todas e preciso de alguém sobreo para dirigir para mim e você será minha motorista. E então o que acha? Olha vai ser ótimo sair para dançar, curtir, dar uns amassos, etc, etc... – Disse o escorpiano fazendo gestos com as mãos

–Eu vou pensar no seu caso até amanhã ok?! Agora vamos porque já estamos mais do que atrasados.

– Olá Hakurei, quanto tempo. – Disse Shion apertando a mão do sogro.

–Oi papai, eu estava com saudades. – Disse Yuzuhira abraçando Hakurei.

– Eu também. Esse molenga do Shion está cuidado de você direito não é?! – Falou olhando de lado para Shion que deu um sorriso amarelo.

–Papai não começa.

–Está bem.

–Olá Hakurei quanto tempo. Devia nos visitar mais vezes.

–Ah é verdade Dohko nem me fale, estou com uma bomba nas mãos.

–O que houve papai? – Perguntou Yuzuhira

–Ok...eu sei que você vai aceitar, ninguém resiste ao um pedido do escorpião.

–Você é muito convencido. – Disse Jim enquanto caminhava com Kardia ao seu lado.

–Ahhhh para ohhh do Japão! Eu posso falou?! Dá uma boa olhada no deus grego aqui e me diz "Onde você já viu um grego como eu por aí em?!" Alto, porte atlético olha meu tanquinho.- Levantou a blusa e deu uns tapinhas nos gominhos (que por sinal eram uma delicia) que definiam seu abdômen, Jim olhava o jeito exibido do grego e só lhe restava rir. Como era convencido aquele "deus de cabelos azulados." – Dá uma olhada no "muque" do garoto. – Forçou o braço mostrando os músculos bem definidos. – Pode pegar eu deixo.

–Ahahaha...não Kardia, eu me satisfaço somente em olhar os músculos do "deus grego". – Enfatizou bem as ultimas palavras.

– Sem falar que o garoto aqui é muito bem dotado, não me leva a mau não falou?!

–Ahahahahaha...O problema é saber se tem "potencia", senhor "deus grego".

– Potência? Aqui é pau, madeira e lenha ruivinha.

Enquanto Kardia descrevia sua performance, Jim percebera que um rosto conhecido começava a se aproximar.

–Olha só se tivéssemos combinado não teria dado certo.

Jim deu um sorriso singelo para o simpático lemuriano.

–É verdade, é um prazer revê-lo Shion.

–Igualmente Jim. – Shion deu um abraço caloroso em Jim que retribuiu, não sabia explicar mas o jeito tranquilo e a voz calma de Shion lhe acalmava. Cobrou-se porque ainda não havia feito uma visita a ele e a Dohko se a companhia deles era tão boa.

–Jim quero lhe apresentar uma pessoa, essa é Yuzuhira, minha noiva. – Yuzuhira aproximou-se e deu um sorriso e estendeu a mão para Jim.

Jim fez a tradicional reverência Japonesa a noiva de Shion que se encantou e a cumprimentou com o mesmo movimento.

–E esse é Hakurei Yaminato, pai de Yuzuhira. – Shion estendeu a mão em direção ao investigador indicando a Jim.

– Muito prazer Jim. – Cumprimentou o investigador.

– Hajimemashite – Volveu Jim ao investigado que estancou. Japonesa? Será? Pensou

– Estamos indo até a cafeteria, você dois querem vir conosco? – Perguntou Shion

–Ah não! Acabamos de voltar do almoço, deixe para a próxima. – Disse Kardia. – E falando nisso é melhor irmos Jim já estamos mais do que atrasados.

–Verdade, melhor irmos mesmo Kardia, Defteros vai me matar.

–Ei, perai! É sério que você irá embora sem me dar pelo menos um "oi"? – A voz chamou a atenção dos outros. Era Dohko que se aproximou de Kardia dando-lhe um aperto de mão e voltou na direção de Jim.

–Dohko, me desculpe eu não percebi que estava aí. – Jim abriu os braços em direção ao chinês que a abraçou.

– Ah é...você só liga pro Shion né?! – Com o jeito moleque, o chinês levou a mão direita a boina que escondia os fios carmesim de Jim esfregando-a fazendo os fios rubros ficarem a mostra. Hakurei estancou "ruiva"? O investigador ficou imóvel, pensou em avançar até Jim, mas conteve-se, a garota que procurava era Aya Oikawa e não... Peraí! E se ela...? Pensou.

–Ai Dohko! Não faz isso. – Jim retirou a mão do chinês do topo de sua cabeça e voltou a esconder os fios na boina. Essa sempre assim quando estava em local público escondia-se atrás de sua boina e seus óculos Raiban aviador.

Jim segurou no dedo mindinho de Kardia e começou a arrastar o grego.

–Desculpa pessoal, foi um prazer revê-los e um prazer conhece-los, mas precisamos ir. Vamos Kardia estamos atrasados. – Resmungo a última frase e saiu arrastando o grego consigo.

Kardia apenas acenou e deixou-se guiar por Jim que parecia bem apressada. Hakurei manteve-se imóvel observando a japonesas e o grego se distanciarem.

–Algum problema Hakure? – Perguntou Shion

–Não... – Fez uma pausa. – Na verdade acho que acabei de resolver um. – Volveu o investigador deixando um Shion sem entender.

–Vamos! Eu explico no caminho...

Continua...