Degel havia chegado cedo a Óros no dia seguinte por conta de uma reunião com Gêmeos Eyfyis. A noite anterior havia sido tensa, com pensamentos e sonhos nada castos graças à tentação carmesim que havia lhe atiçado até o último fio de cabelo. Estava bem adiantado para reunião, o que era normal, preferia mil vezes estar presente em um compromisso 2 horas antes do que 2 minutos atrasado. Aproveitou a calmaria da Óros para tomar um bom café e revisar algumas coisas, ler alguns e-mails e fazer os últimos acertos para a reunião.

Depois de um tempo, ouviu som de passo conhecidos no chão de mármore vindo em sua direção.

–Bom dia cubo de gelo. Dormiu bem. – Cumprimentou Kardia

–Bonjour – Respondeu o Francês, com sua típica voz gélida sem olha para o grego.

–Está tudo bem? – Perguntou Kardia com um sorrisinho sarcástico nos lábios.

–Oui...- Respondeu Degel enquanto bebericava seu café e fingia ler alguma coisa em alguns papeis

Kardia continuou com aquele sorrisinho, estava morrendo de curiosidade em saber se a ruiva o havia ligado na noite anterior e como havia sido a conversa entre eles.

– Tem certeza? Você não me parece muito bem, parece ter dormido pouco. Algo te incomodando Degel? – Ironizou

–Non só non dormir muito bem à noite. – Respondeu

–Deixa eu adivinhar...- Fez uma pausa fingindo pensar em algo. - Você deve ter recebido certo telefonema antes de dormir o que deixou você bem perturbado, uma ligação não esperada o que realmente te assustou, então você pensou: Deuses por que me tiraram como motivo de chacota dessa vez? Estão querendo levar embora toda minha sanidade com essa voz melodiosa ao telefone a essa hora. – Disse Kardia com uma mão na testa e outra no peito como se fizesse um drama enquanto imitava a voz e o sotaque arrastado de Degel. – Acertei? – Terminou com seu discurso.

Degel franziu o cenho, "Filho da..." – Pensou, voltando seus olhos para o computador tentando ignorar a presença de Kardia.

– Acertei! Eu sabia, ela te ligou não foi? E ai, sobre o que vocês conversaram? – Perguntou Kardia com certa euforia.

– Kardia até onde eu me lembro non lhe dei autorização para dar meu numero pessoal para ela e nem para ninguém. – Rosnou entre os dentes o aquariano.

–E desde quando eu preciso de sua autorização para fazer alguma coisa? – Rebateu o grego.

–Desde que essa "alguma coisa" seja relacionada as minhas coisas particulares.

–Ah tá tá tá. Agora me diz você a convidou para sair?

–Mon die, outra vez essa história Kardia? Você non esquece isso?

–Não, não esqueço, eu sou seu amigo e quero seu bem.

–Então se quer realmente meu bem, para de me atormentar sobre isso. Já falei mil vezes que non irei convidar ninguém para sair, ainda mais alguém que mal conheço.

–Mas Degel, como pode querer conhecer alguém se você se quer se aproxima dela? Como você tem a cara de pau de dizer que mal a conhece se você faz questão disso? Ela já tentou várias vezes ter algum contato com você e você sempre a repele. – Fez uma pausa. – Amigo, se você nunca der uma oportunidade nunca saberá se vale a pena. Por que você não dá uma oportunidade? Por que você não se dá uma oportunidade? Ela é uma garota incrível, qualquer cara em sua sã consciência iria querer sair com ela.

– Se ela é tão incrível assim por que você non sai com ela? Por que quer joga-la pra cima de mim? Se a acha tão incrível assim fique com ela para você, vocês já são tão achegados será fácil convencê-la em sair com você. – Disse com a voz fria de sempre.

Kardia bufou olhando para o teto. A teimosia de Degel era irritante, mas no fundo sabia que nem podia cobrar muito, o francês não sabia ou pelo menos se sabia fingia muito bem do interesse que Jim tinha era por si, o grego sentia o peito doer pela vontade de contar ao amigo sobre a declaração que a ruiva havia feito no outro dia, mas havia prometido e não era de quebrar suas promessas. Degel estava certo em recusar e ele sabia disso, era o jeito dele, analisar, pensar, meditar e blá blá blá antes de tomar qualquer decisão, Jim não era uma garota qualquer, era sua companheira de trabalho e se aceitasse ter algo com ela teria que aceitar as consequências independentes de boas ou ruins. E para piorar, a ruiva era "protegida" de Aspros e isso só o fazia pensar que as consequências daquela vontade insana de seu corpo não seriam nada boas.

– Está bem seu chato teimoso, mas depois que perdê-la não me venha dizer que não avisei e muito menos não me vem chorar no meu ombro. – Disse fazendo um muxoxo.

Degel soltou o ar de seus pulmões pela boca, tentando processar aquilo tudo. Se Kardia soubesse o quando ele a desejava, de como observá-la todos os dias e ter que conter a vontade insana de tomar seus lábios. Como queria provar, como queria sentir o gosto, o calor, aspirar o cheiro da pele branca até seus pulmões explodirem. "Non, melhor nem pensa, posso me prejudicar e muito menos fazê-la afundar comigo."

– Vamos mudar de assunto. O que você está fazendo aqui tão cedo? – Perguntou o francês.

– Hoje é dia de farra e eu já estou animado desde cedo. – Respondeu Kardia com entusiasmo.

–Ah oui, já tinha me esquecido disso. – Devolveu o francês fazendo gestos de desdém com a mão.

Kardia levantou uma sobrancelha, devido a atitude do amigo. Como podia, conhecia Degel desde a infância e o mesmo ainda tentava intimidá-lo com aquele jeito "metido" e as atitudes de desdém?

–Pela sua cara de desdém você "acha" mesmo que não irá né?!

–Eu só non acho meu caro, eu non irei. – Rebateu o aquariano com firmeza.

Kardia deu uma gargalhada gostosa que ecoou pelos corredores da Óros fazendo Degel praticamente unir as sobrancelhas. "Por que eu ainda aturo você?" Questionou-se mentalmente.

–Qual é a graça? – Perguntou Degel na sua famosa tranquilidade, por dentro estava se roendo, Kardia tinha o dom de lhe tirar do sério, mas não daria o braço torcer, na verdade nunca dava. Era assim desde a infância, Kardia o "pentelho" e Degel "o santo de gelo".

–Você! - Fez uma pausa. - Você é a graça Degel. – Gargalhou por mais alguns minutos enquanto Degel o fitava com os olhos inexpressivos de sempre.

– Ai ai Degel você devia ser comediante sabia?! Olha eu marquei de ir para o apartamento de Jim as 21:00 e de lá iremos encontrar o pessoal, se eu não tiver chegado você ...- Deu um tapinha no ombro do amigo. – Vê se vai se divertindo enquanto eu não chego com a ruiva.

"Marquei de ir para o apartamento de Jim... Malditos deuses sádicos, por que me tiraram para diversão dessa vez? Então Kardia iria buscar Jim em SEU apartamento?! "– Aquela informação para Degel fora como um tapa bem no meio de suas "fuças", Kardia tinha total liberdade com a ruiva até mesmo para visita-la em seu apartamento. O francês sentiu a face quente e um embrulho no estômago, respirou fundo tentando não demonstrar seu desagrado e sem olhar para Kardia caminhou em direção a sala de Aspros enquanto ouvia o blá blá blá que o grego ainda pronunciava. Blá blá blá essas eram as únicas palavras que conseguia ouvir, sua mente em apenas alguns minutos fora capaz de imaginar mil coisas entre o escorpiano e a ruiva o que só o irritava ainda mais. "Que droga, eu mesmo o mandei ficar com ela. Por que estou me sentindo assim? Malditos deuses."

–Degel você ta me escutando? – Disse Kardia cruzando os braços.

Degel parou e virou-se calmamente para Kardia respirando fundo antes de responder.

–Oui Kardia, infelizmente estou ouvindo e eu non irei à boate nenhuma da última vez que aceitei ir e ficar lá com você eu non faço a menor ideia de como voltamos para casa e acho até que seja melhor que continue assim sem lembra, até hoje ainda desconfio que você tenha me drogado, então non conte comigo. – A resposta fora dada de forma fria e calma como já era de se esperar da parte do "príncipe gelado". Degel raramente se alterava por pior que fosse a situação sempre matinha aquela calma e o olhar frio e mesmo se roendo de ciúmes de Jim com Kardia ele não demonstraria.

–Ahhh porra Degel, você ainda está magoado com isso? Eu já pedi desculpas há séculos sobre isso e...eu não droguei você tá legal?! Era só...uma coisinha leve para nos deixar mais...soltos. – Ironizou a ultima palavra.

–Ahhh...uma coisinha para nos deixar mais "soltos"?! Eu non irei a lugar nenhum Kardia, non conte com isso.

Degel tentou virar-se, mas foi impedido pela mão do grego em seu braço que o virou com certa rudeza, o aquariano franziu o cenho e mirou a mão do grego em seu braço, depois voltou suas violetas faiscantes para as safiras do grego. Kardia ainda não havia olhado bem o rosto do amigo e foi nesse momento notara no olhar do francês que o mesmo estava irritado, mesmo mantendo aquela calma e a frieza natural Degel não conseguia esconder nada do grego por mais que tentasse, eram amigos de anos e sabiam exatamente dizer o que o outro sentia só pela troca de olhares.

–Irei ao apartamento de Jim às 21:00. – Fez uma pausa percebendo o efeito que aquelas simples palavras estavam causando no amigo. – Irei busca-la e encontraremos o pessoal na boate as 22:00. – Segurou o queixo de Degel sem quebrar o olhar. – Iremos esperar você, por isso não falte. – Piscou e deu um leve "tapinha" no rosto do amigo que se manteve imóvel observando o grego voltar para mesa. Respirou fundo retomando a postura altiva e seguiu para a reunião com Aspros.

_Tilintar_

Gemidos, sussurros e juras de amor ecoava pelo quarto, o som dos quadris se chocando denunciava a forma intensa do prazer entre eles. Os dedos entrelaçados, olhos fixos um no outro, as respirações se chocando tamanha a proximidade de seus rostos, o retumbar de seus corações dava-lhes a impressão de que um podia ser ouvido pelo outro. O contraste das peles era como água e vinho, sol e chuva, quente e frio, a pele de alabastro, os cabelos dourados e os olhos de um azul tão límpido lhe davam a sensação de estar sendo possuída por um deus, um anjo, algum ser sagrado. Asmita se arremetia com habilidade e maestria, ondulando o quadril hora rápido, hora devagar tentando prolongar o prazer do corpo moreno embaixo do seu. O mestiço Hindú no trabalho ganhara o apelido de "O iluminado" por conta de sua aparência, o rosto plácido, a voz baixa e sempre calma assim como seu jeito irritantemente altivo o que lhe dava ar de superioridade e arrogância e essa combinação o tornava amado para uns e extremamente odiado por outros.

Quando a Egípcia forçou a inverter as posições o mestiço não se opôs, deixou a morena cavalgar sobre seu corpo esguio, mas bem trabalho. Aquela posição lhe dava visão privilegiada do corpo moreno, os seios fartos pareciam dançar no ritmo do cavalgar, o rosto amorenado agora levemente ruborizado e coberto por uma fina camada de suor assim com todo o corpo, os lábios entreabertos buscavam ar para seus pulmões, os cabelos negros caindo sobre cascata faziam leves cocegas em seu peito já bem desenhado por unhas. Como havia sentido falta daquilo, nunca pensava que pudesse ser submetido a tal sentimento. Os gemidos agora sem controle ecoavam da garganta de Mathure, as palavras desconexas e às vezes sussurradas em uma língua que Asmita não entendia, mas sabia que eram palavras de prazer, à forma como clamava seu nome repetidas vezes e o tremor em seu corpo denunciavam que a morena já estava muito perto do ápice. Segurou a cintura delgada com carinho e firmeza ajudando-a a intensificar o prazer aumentando a velocidade, em poucos segundos sentiu o corpo da morena ser tomado por uma onda de prazer se contraindo e estremecendo, jogou-a de volta na cama tomando os lábios suculentos com luxuria enquanto se arremetia com mais vigor e velocidade fazendo o som do ranger da cama ecoar pelo quarto, sentindo como se correntes elétricas passassem por cada célula do seu corpo tirando de si todo o pouco autocontrole que mantivera até ali, cravou seus dentes na curva do pescoço da morena que trincou os dentes abafando o grito de dor enquanto sentia seu interior ser preenchido pelo liquido quente e perolado de seu virginiano. Ficaram assim por alguns minutos, tentando acalmar as respirações até se deixar cair abraçado sobre o corpo da morena, descansando o rosto sem seu peito que subia e descia no ritmo de sua respiração agora calma e relaxada, fechou os olhos ouvindo o som do coração acelerado e aspirando o cheiro de Amora e Sândalo que se desprendia daquela pela, adorava aquele cheiro, estava apaixonado, completamente apaixonado por ela. No início, Asmita achara que Mathure seria a parceira ideal, séria e discreta não era de se apegar a ninguém assim com ele o que era bem esclarecido entre eles, não cobravam nada um do outro, era somente sexo casual e nada mais, achara que não teria problemas em se relacionar com ela, mesmo dentro da Óros, odiava ter pessoas se metendo em sua vida e dando "pitaco" onde não eram chamadas. Mantinham um relacionamento aberto, cada um fazia o que bem entendia e quando a cama estava vazia e fria um aquecia a do outro sem compromisso até o dia em que a vira a com outro em um "jantar romântico", sentiu suas entranhas serem retorcidas e percebeu ali que aquele "sexo casual" já havia ficado mais sério do que imaginava, no fundo sabia que já estava apaixonado pela morena a bastante tempo, mas o jeito fechado e discreto de Mathure não o levava a crer que aquele sentimento fosse recíproco. Por medo e orgulho de ser o único a amar e sofrer resolveu assim se afastar e pela primeira vez amargou a tão famosa "dor de cotovelo". A morena sem entender apenas aceitou com pesar a decisão do amante, sentia falta das manias, do sorriso doce do indiano e aquele cheiro de mate verde que se desprendia dos longos fios dourados, odiou-se dia após dia por ter se deixado apaixonar e assim como Asmita, o orgulho e o medo falou mais alto por longos seis meses. A coisa entre os dois iam de mal a pior, o trabalho já não fluía tão bem quanto antes e o que era "harmonia" entre os dois virou guerra. Asmita sendo açoitado pela saudade resolvera em um último ato desesperado de esquecer Mathure apresentara sua nova namorada aos amigos da Óros fazendo o coração da morena em frangalhos. O sofrimento de Mathure aumentou em triplo e sem suportar mais entrou em acordo com os Gêmeos e conseguiu um afastamento por três longos meses, viajou para o Cairo se despedindo apenas de Esther sua irmã, amiga e confidente, achava que se afastando conseguiria pelo menos aliviar e acalmar seu coração quebrantado.

Quando retornou do Cairo, uma semana antes de Jim entrar para o grupo, fora recepcionada pelos amigos com festa surpresa no apartamento de Esther regado a muita bebida e comida e como diz o velho ditado "Quando a bebida entra, a verdade sai", tomada pelo ciúme justificável Mathure explodira em uma discussão com Asmita cuspindo finalmente toda sua dor e sentimentos na face do indiano. A briga acabara na cama, entre os lenços rubros da casa de Asmita, haviam se entendido e depois de amagar a dor da separação por puro orgulho e medo os dois se entenderam.

– Isso irá deixar marcas sabia?! – Sussurrou a morena

–Desculpe. – O loiro levantou um pouco o rosto depositando um beijo no local que já começava a mostrar um leve arroxeado por conta da mordida.

–Adoro seu cheiro. – Completou.

–É mesmo? E porque nunca me disse isso antes? – Perguntou Mathure com um sorriso nos lábios.

–Você já é metida demais, se soubesse disso ficaria ainda pior e você sabe que aqui "o iluminado" sou eu – Respondeu Asmita sorrindo.

– Ah Asmita por Rá, você é muito petulante mesmo. – Disse enquanto afagava os fios dourados.

– Petulante? O que posso fazer se eu sei que sou irresistível? Nem você a "alto suficiente" dos Mahsati conseguira resistir aos meus atributos. – Disse rindo o virginiano fitando os olhos cor de caramelo que tanta amava.

–Ahhhh é mesmo Oh Sagrada Reencarnação de Buda do século XXI?! Pelo que eu saiba a Vossa Senhoria encontra-se na mesma situação que eu ou estou enganada?

Asmita observou o belo rosto da morena por alguns segundos lembrando-se de tudo que havia amargado até estar ali nos braços da sua paz, acarinhou com os dedos a face morena tomando os lábios macios com carinho.

– Parece que estamos no mesmo barco Senhorita Mahsati e não me arrependo nem por um dia se quer, se soubesse teria sido mais rápido.

Ana behibek¹ (Eu te amo) - Confessou Mathure em sua língua materna

Hum Tumhe Pyar Karte hae.² - Devolveu Asmita também em sua língua voltando a saborear os lábios macios da morena até ser obrigado por seus pulmões a separar os lábios. Trocaram mais algumas carícias e foram para o banho. Enquanto Mathure se arrumava no quarto o indiano ajeitava a mesa do café com frutas, pães, queijo, leite, café e chá. Quando Mathure finalmente saiu do quarto observou a mesa posta com muito capricho "É...acho que sou uma mulher de sorte." Pensou.

– Mais tarde o pessoal irá para boate, pensei que poderíamos ir um pouco. – Disse a morena enquanto bebericava seu café.

–Boate? Você sabe que simplesmente abomino lugares lotados, um monte de gente fedida e suada se agarrando disputando espaço praticamente dentro de uma caixa de fósforos. – Fez uma pausa para bebericar seu chá verde. – E...meu dia começou excelente e eu pretendia que terminasse da mesma forma.

– E quem disse a você que não irá terminar da mesma forma? – Respondeu a morena com os olhos fixos nos do indiano que nada disse.

– Eu pretendo... Não! Eu IREI terminar minha noite na cama com você Asmita, mas eu gostaria de ir com eles hoje, o pessoal irá comemorar a vinda da Jim para o grupo da Óros e não será em uma boate "chechelenta" qualquer, sabe como Kardia e Manilgod são. São loucos, mas ao mesmo tempo muito vaidosos e não iriam a qualquer boatezinha de quinta categoria. Esther me disse que eles fizeram reservas vips na melhor boate de Atenas para todos nós e...eu gosto de lá, será na área vip e não junto das pessoas "fedidas e suadas" como você disse.

– Então, já que você pretende ir a essa comemoração, eu espero você voltar. – Respondeu frio.

–Não Asmita, você não irá me esperar. – Limpou a boca com o guardanapo levantando-se. – Você irá comigo. – Pegou sua bolsa aproximando-se do indiano que a olhava incrédulo. – Você sabe muito bem que negar algo para mim assim como eu negar algo a você nunca existiu entre nós e não será agora que existirá. Você irá a boate comigo a noite "Iluminado" e quando voltarmos...- Enfiou a mão nos fios dourados puxando Asmita para um beijo forte e quente, enfiando a língua na boca pequena explorando com habilidade todo aquele pequeno orifício até o ar faltar. – Tenha certeza de que será muito bem recompensado. Agora vamos, não quero chegar atrasada a reunião.

Caminhou em direção a saída do apartamento sendo seguida por um Asmita.

–Você dirige. – Disse Mahsati entrando no carro. – Falando em Jim, você não acha essa garota um pouco estranha?

–Às vezes...porquê? - Perguntou Asmita sem dar muita importância.

–Ah "Mita", sempre me perguntou de onde realmente essa garota veio e...Tudo bem que ela é uma ótima profissional mesmo sendo o primeiro emprego dela, mas...não sei ela parece estar escondendo alguma coisa. Assim que entrou era bem mais comunicativa e agora parece que vem se retraindo cada vez mais.

–Eu já tinha pensando sobre isso. Realmente ela é um tanto misteriosa e até hoje me perguntou por que ela não quis falar sobre seus pais.

–Perai, como assim "não quis falar"? Você perguntou algo para ela?

– Não...Eu não...mas Shion sim.

–Shion?

–Sim...no dia em que ela chegou, no almoço Shion perguntou sobre seus pai e ela desconversou. Acredito que nem todos perceberam, dá pra ver por que você nem havia notado. Ela simplesmente desconversou e não tocou mais no assunto, El Cid me contou também que em uma conversa, quando mencionou a palavra "família" Jim também mudou de assunto. – Disse o mestiço com a voz calma sem tirar os olhos na estrada.

–Depois disso ficou obvio que ela tem problemas com a família. Agora QUE tipos de problemas ela tem é que é o mistério. E se ela for uma assassina? Ou uma viciada? Ou quem sabe uma traficante? – Riu

–Acho que não chega a tanto, não precisa dramatizar assim, mas acredito que seja algo sério. Não sei ainda o que é, mas ela não pode esconder algo grande por muito tempo e seja lá o que for essa garota mostrará o que realmente é ainda mais se ela se envolver com ele.

–Esse "ele" que você diz seria nosso Coordenador? – Perguntou Mathure com ar de curiosidade.

–Exato!

– Degel?! Hum...a danada tem bom gosto, até que o francês é bonitão ainda mais com aquele sotaque. O único problema é: Será que ele terá coragem de se envolver com a "protegida" do Aspros? Seria como transar com a filha do chefe.

– É nisso você tem razão. Se caso ele se envolvam e algo der errado, Degel estará em maus lençóis com os gêmeos. Apesar de que até que Jim é uma boa garota, é muito inteligente por sinal, quando entrou aqui era mais comunicativa e extrovertida, acredito que algo tenha acontecido, ela tem estado muito calada de uns tempos para cá, na verdade ela se tornou bem introvertida de umas semanas para cá, quase não tem falado muito, apesar de que o sem noção do Kardia ainda consegue tirar dela até uns palavrões.

–Hummm...bom eu não sei, mesmo achando o francês muito charmoso eu ainda acho que o grego leva mais vantagens. – Resmungou Mathure.

–Pois eu tenho certeza de que Degel tem 100% de chances, só ainda não percebeu ou finge não saber. Sabe com ele é, enquanto não tem total confiança de algo ele não arrisca, ainda mais em relacionamentos. Um casinho aqui e outro ali, sem apego ou compromisso é bem melhor do que arriscar ter o pescoço cortado pelos gêmeos, irá rodear, rodear e rodear até..- Freou o carro na vaga do estacionamento do prédio. – Perder a garota.

–Depois você diz que eu sou a má.

– Sim você é e sabe disso.

–Ok "iluminado", vejo você depois da reunião. -Despediu-se indo cada qual a seus afazeres.

_ Tilintar_

O dia havia passado rápido e em um piscar de olhos já era hora do almoço. O escorpiano já havia enchido Jim de perguntar sobre o dia anterior, mas a mesma se manteve impassível e não revelou ao curioso que havia conseguido um fio de esperança em pelo menos almoçar com o Frances e se tudo desse certo seria naquele dia. Sabia o quanto Degel era discreto e por isso resolveu esperar todos saírem e aguardar até que a maldita reunião acabasse para abordar o francês. Sabia que era um risco, reuniões daquele tipo às vezes duravam o dia inteiro, mas iria esperar. Queria tirar a má impressão que Degel tinha de si o mais rápido possível.

–Não vai agora por que "vermelha"? - Perguntou o jovem Regulus

–Não estou com fome ainda e...ainda preciso terminar umas coisas antes do almoço.

–Ah tá bom, sei! Não tá com fome, mas já são mais de uma da tarde. – Reclamou

–Eu sei Regulus, mas...olha, obrigada pela preocupação, mas eu vou ficar bem. A gente pode ir juntos na segunda, o que acha? – Disse Jim com um largo sorriso deixando o leonino com cara de bobo.

–Sério vermelha? – Perguntou com entusiasmo.

–Sim, você escolhe o lugar ok?! – Piscou a ruiva.

–Okay! – Disse Regulus com entusiasmo.

–Vamos embora muleke, agora que já ganhou um almoço a sóis com a moranguinho vamos matar quem nos mata. – Falou Manigold enlaçando o pescoço do estagiário arrastando o garoto consigo. - Arrivederci! – Despediu-se acenando enquanto arrastava Regulus pelo pescoço.

Enquanto o italiano se afastava Jim ouve o tom de chamada de seu telefone e se volta rápido para mesa para atendê-lo.

–Moshi Moshi! – Disse Jim atendo o telefone rapidamente, do outro lado ninguém nada disse, mas era possível ouvir a respiração.

–Alô, pode me ouvir? – Tentou a ruiva novamente recebendo como resposta apenas silêncio.

–Alô! – Falou mais alto e em seguida esperou, podia ouvir claramente a respiração de alguém do outro lado da linha, sentiu um aperto no peito e uma aflição querer tomar conta de si.

– Tu Tu Tu...- Nada além da respiração pode ser ouvido e o som de que o telefone havia sido desligado. Jim ficou com um olhar perdido imaginando quem seria e se a pessoa podia ouvi-la, tinha certeza de que ouvia claramente a respiração de alguém do outro lado da linha. Sentiu um calafrio percorrer sua espinha e suas mãos começarem a suar, fechou os olhos respirando fundo tentando acalmar o coração que estava aos pulos.

–Ta tudo bem? – Sentiu o peso da mão de Kardia em seu ombro direito.

Jim mirou as safiras do grego por alguns segundos e sorriu tentando transpassar uma calma que não sentia.

–Sim, ta tudo bem eu acho que foi engano.

–Não ta com fome mesmo?

–Não! Melhor ir com eles Kardia.

Kardia fitou Jim de cima à abaixo observando bem a ruiva com até fixar seus olhos nas esmeraldas.

– Me ligue se precisar de alguma coisa roux, okay?! – Tocou de leve no queixo de Jim que apenas acenou com a cabeça.

A ruiva respirou fundo, sentindo um misto de alivio e medo. Agora que os "piores" já haviam saído para almoçar, o jeito era esperar. Esperar até que a bendita reunião terminasse. Não queria constranger Degel por isso achara melhor esperar que Kardia, Regulus e Manigold saíssem, pois sabia que se um dos três os visse juntos com certeza não iriam perder a oportunidade.

Após quarenta minutos de esperar finalmente Degel, juntamente com Mathure, Defteros, Aspros, Esther e Sísifo saíram da sala, trocaram mais algumas palavras e cada um foi a seus afazeres. A ruiva ficou por alguns minutos de longe observando e pensava se realmente devia tentar. Respirou fundo e caminhando a passos lentos aproximou-se da mesa de Degel que estava concentrando na leitura de seus e-mails.

–Degel?! – Chamou baixo.

O francês sentindo dos os pelos de seu corpo se erriçarem, já havia ficado tenso demais na noite passada e não queria que as coisas piorassem, sabia que se olhasse para a ruiva seus olhos o trairiam e devorariam sem permissão o rosto bem desenhado.

–Oui Kinneas. – Respondeu frio

–Hum...bom eu tive que ficar para terminar umas coisas e acabei ficando sem companhia para almoçar, então pensei se não podia lhe pagar aquele almoço. Eu iria sozinha mesmo, mas vi vocês saindo da sala, achei que seria uma boa. Odeio ficar devendo. - Sorriu

Jim sentia suas mãos frias e suadas, sabia que Degel não se convenceria fácil com aquela desculpa esfarrapada. Queria muito poder ter uma oportunidade de mudar a visão do francês sobre si e um almoço a sós seria ideal. Não lhe custava tenta, o "não" como resposta já garantido, mas não custava tentar receber um "sim" como presente.

Degel sentiu aquele típico frio na barriga ao ouvir o convite, já esperava por isso só não esperava que fosse tão rápido. "Que poder é esse que essa infeliz tem sobre mim? Estou me sentindo um garotinho de 15 anos." - Pensou.

–Non estou com fome irei mais tarde, merci. –Mentiu com a voz tipicamente fria e sem se quer olhar para Jim que não questionou e somente respondeu um "okay" sussurrado, voltando a passos arrastados para sua mesa, pegou sua bolsa, os fones e saiu.

O aquariano respirou fundo enquanto massageava as têmporas lembrando-se das palavras de Kardia: "-Mas Degel, como pode querer conhecer alguém se você se quer se aproxima dela? Como você tem a cara de pau de dizer que mal a conhece se você faz questão disso? Ela já tentou várias vezes ter algum contato com você e você sempre a repele. Amigo, se você nunca der uma oportunidade nunca saberá se vale a pena. Por que você não dá uma oportunidade? Por que você não se dá uma oportunidade? Ela é uma garota incrível, qualquer cara em sua sã consciência iria querer sair com ela.".

Droga Kardia, até quando non está por perto sua maldita voz esganiçada me assombra. – Resmungou dando uma olhada em seu relógio de pulso, realmente já era tarde e estava com fome, então –seja lá por que- resolveu dar ouvidos a voz do grego que ecoava em sua mente. Era somente um almoço, não havia motivo para ficar apreensivo.

Levantou-se rapidamente e saiu a passos largos, se tivesse sorte ainda alcançaria Jim.

_Tilintar_

Em um restaurante perto dali

–Ei Carcamano, o que houve na nareba? – Perguntou Regulus dando gargalhadas ao olhar o nariz "enfeitado" com um curativo do italiano.

–Digamos que tive um pequeno problema no volante ontem à noite.

– Você bateu? – Perguntou El Cid.

– Não, mas foi quase. – Rosnou

– Estava distraído com o que em Manigold? – Disse Regulus entre risos.

–Ahhh que pergunta besta Regulus, só pode ter sido por causa de alguma ragazza que ele viu por aí. - Disse Kardia.

–Por que você não te mete com tua vida em grego infelice?!- Rosnou Manigold.

A noite do italiano havia sido um fiasco, pensara que iria se dar bem com a japonesa, mas ao contrario. Havia levado um bela joelhada no nariz, que por sorte não quebrou, teve um corte por dentro mas nada tão grave e mesmo a loirinha o levando para casa e cuidado de sua ferida o italiano teve que se contentar em dormir no sofá e sozinho.

– Ihhhh...que mal humor em?! Foi tão grave assim? – Perguntou El cid

–Não, foi apenar um corte na parte interna. Eu vou viver. – Responde e logo em seguida trocou um olhar nada gentil com Akemi que permaneceu praticamente muda durante o almoço.

Sua mente não a deixava relaxar, havia passado a noite acordada pensando nos beijos e nas mãos habilidosas de Manigold passeando por seu corpo esguio. "Maldição, como fui cair nessa furada?".

Durante o almoço o papo rolava solto entre o grupo e vez por outra Akemi e Manigold trocavam certos olhares que não passou despercebido por El Cid, que notou que algo estava errado...ou talvez se acertando entre os dois, achou melhor não comentar, não pelo menos ma frente dos outros.

_Tilintar_

Degel correu assim que saiu do elevador, atravessando o salão até a saída. Parando e procurando por Jim.

–Non acredito que estou fazendo isso. – Sussurrou para si enquanto procurava pala ruiva com o olhar. Havia um ônibus parado e quando o mesmo deu a partida ele a viu do outro lado da rua, parada perto de um taxi falando ao celular. Olhou de um lado para o outro constatando que não vinha nenhum carro e atravessou quase correndo.

–Jim. – Chamou, mas a mesma pareceu não ouvir.

–Jim. – Tentou outra vez sem sucesso enquanto se aproximava. Jim desligou o telefone voltando para o taxi quando sentiu seu braço ser segurado por alguém.

–Jim...Merci, eu lhe assustei?

–Degel?! - Fez uma pausa tentando processar a imagem perfeita do francês. "Como ele é lindo, Deus." Pensou.

–Você estava ao telefone. Eu chamei, mas você pareceu non ouvir. Pardon se a assustei eu non queria. Eu mudei de ideia em relação ao almoço, teria algum problema em ir com você agora? – Perguntou meio sem jeito.

– Só se você soltar o meu braço. – Respondeu deixando Degel corado, o mesmo havia ficado tão concentrado nas palavras que esqueceu completamente que estava segurando Jim pelo braço.

–Oh mon Dieu! Pardon Jim...eu. – Disse corado soltando o braço de Jim em seguida que sorriu com o jeito com que o francês falava.

–Tudo bem sem problemas. Eu vou gostar de ter companhia para o almoço. – Disse enquanto entrava no taxi sedo seguida por Degel.

O almoço entre os dois ocorreu tranquilo e agradável, Jim era realmente o que Kardia havia lhe dito, logico que já sabia disso, mas depois daquele almoço teria que admitir, Jim era ainda mais encantadora do que pensava, as bochechas da ruiva haviam ficado coradas praticamente o almoço inteiro, ficou imaginando o que seria que ela estaria pensando para estar com as bochechas assim. Conversaram sobre diversos assuntos até coisas que Degel nem imaginava que ela pudesse saber. Havia sido melhor do que esperava, pensara que quando chegassem ficariam sem assunto e passariam o almoço inteiro sem trocar uma palavra se quer, mas a ruiva realmente era comunicativa e sabia ter uma conversa muito agradável.

"Como não conheci você antes? Agora entendo por que Kardia insiste tanto nisso. Isso é loura, non posso me apaixonar por ela. Ela é a queridinha de Aspros, trabalhamos juntos e se algo der errado e non...non posso fazer isso. Merde, por que tinha que ser tão encantadora? Por que alguém tinha que ter um sorriso tão lindo? " – Pensou enquanto Jim falava uma porção de coisas que já nem ouvia mais.

Ao termino do almoço, Degel pagou a conta alegando que se intrometeu no almoço de Jim e que fazia questão de pagar daquela vez que Jim não precisava se preocupar, pois haveria outras oportunidades. A ruiva ainda tentou argumentar sem sucesso, mas no fundo ficou feliz, ainda devia o almoço ao francês e como ele não permitiu que pagasse a dívida, então ainda teriam que almoçar outra vez.

O restante do dia passou rápido, todos muito animados para a farra que ocorreria a algumas horas, exceto Degel e Asmita. Até o sério El Cid havia se animado. Todos saíram no horário, nenhum fez hora extra, nem Degel que fora arrastado por Kardia para casa.

_Tilintar_

–Hummm...o que é que vou vestir? Algo mais básico ou mais sexy? – Falou consigo mesma.

Enquanto pensava, Jim ouviu o som da campainha tocar, olhou para o relógio e se assustou, já era 21:10 com certeza era Kardia a tocar sua campainha e ainda nem sabia com que roupa iria. Correu até a porta dando passagem para o grego que estava lindamente vestido em um jean escuro, blusa social preta com os três primeiros botões abertos o que deixava a mostra a divisão bem feita do peito moreno do grego, as mangas estavam dobradas na altura do cotovelo e os cabelos ainda húmidos estava solto caindo como cascatas em suas costas.

–Nossa! Você está lindo Kardia. – Elogiou Jim.

–Obrigada! E você? É assim que vai? Com calça de moletom, regata e pantufas mesmo? – Ironizou

–Ah lógico Kardia, estou doida para ir a festa do pijama. – Devolveu a ironia do grego.

– Porra você ainda nem começou a se vestir. Que saco desse jeito vamos chegar atrasados roux. – Reclamou.

–Eu sei, eu te falei que não ia a uma boate há séculos e to indecisa no que usar. Eu nem lembro qual foi a vez em que entrei em um desde que mudei para cá. – Disse enquanto voltava para o quarto sendo seguida pelo grego.

–Cacete Jim é uma BO-A-TE. Como se vai vestido para uma balada? De pijamas que não é! Cacete eu vou ter arrancar esse seu pijaminha brochante e te enfiar dentro de uma roupa decente é isso?!

–Vá a merda Kardia!

–Olha a malcriação roux, não to gostando do seu tom em?! – Disse enquanto olhava dentro do guarda roupa de Jim que ficou boquiaberta com o descaramento do grego.

–Hummm...Isso aqui é show. – Disse atirando uma peça de roupa na cama enquanto procurava mais algumas. – Combinado com isso aqui ficará uma gata.

–Você é um cara de pau Kardia, até onde me lembro, não lhe dei autorização para mexer em minhas coisas. – Rosnou Jim.

– Cara isso vai ficar demais. Anda cala a boca e veste isso.

–Que? Perai você não quer que eu use isso quer?! – Disse Jim enquanto examinava as peças de roupas escolhidas pelo grego com um olhar assustado.

–Não só eu quero como todos os homens da boate. Agora anda, veste logo isso! – Disse o escorpiano enquanto andava em direção à sala deixando Jim sozinha.

Jim ainda examinou as peças sem acreditar que usaria aquilo. "Isso não vai dar certo." – Pensou enquanto se livrava se seu "pijama brochante".

Continuar..