– Vruuu...vruuuu – O som do vibrar do celular fizera Degel acorda de vagar de seu sono, que em especial havia sido pesado. O francês moveu a cabeça em direção a cabeceira da cama fitando com desgosto o aparelho moderno que vibrava sem parar. Imaginou quem deveria ser àquela hora da manhã, mas não estava com a menor vontade de falar com quem quer que fosse.
Tentou movimentar o braço direito sentindo aquela dormência incomoda, como se algo tivesse sugado todo o sangue daquela parte do seu corpo. Voltou seus olhos e observou o rosto sereno de Jim que ressonava com a cabeça apoiada em seu braço dormente. Sua mente logo trouxe as lembranças da noite anterior, os beijos e os gemidos, as caricia trocadas, o sexo intenso e quente. Depois que Jim pegou no sono em seus braços no carpete, Degel achou conveniente levá-la para o quarto já que haviam feito sexo, não tinha motivos para que ela dormisse em outro lugar.
Jim ainda acordou mais duas vezes em busca de mais de si que não negou, apesar do cansaço. Degel era um homem sério e frio no seu dia a dia, mas na cama sabia como nunca ser um homem quente, habilidoso e muito carinho o que fazia com as muito bem selecionadas que passavam por sua cama não quisessem mais outra coisa.
Acariciou levemente com a ponta dos dedos o rosto de traços finos de Jim, observando cada detalhe do rosto adormecido. Jim se remexeu um pouco, tentando encontrar uma posição ainda mais "aconchegante" nos braços de Degel ao mesmo tempo em que fez uma leve careta devido à cosquinha que os dedos de Degel faziam em sua face. Virou o rosto institivamente tentando fugir daquela sensação o que fez sua franja cair deixando sua testa totalmente amostra, revelando uma cicatriz. Degel observou o corte por alguns segundos e em seguida levou os dedos aquela marca, sentindo o quanto ela parecia funda, mas ao mesmo tempo não era tão grossa. Devia ter em média meio centímetro de largura.
Jim resmungou algo que ele não entendeu, fazendo o voltar seus olhos rapidamente para o rosto adormecido e em seguida voltou a observar a cicatriz. Traçou com os dedos a extensão da mesma. A grande cicatriz ia até o topo da cabeça de Jim o que fez seu sangue gelar, sentindo um calafrio de nervoso ao imaginar a gravidade do ferimento e o que poderia ter causado aquilo.
Haviam passado a noite juntos, mas não havia notado a parte da cicatriz que se iniciava a uns quatro centímetros de distância do seu couro cabeludo. Talvez pelo êxtase ou por que simplesmente não havia necessidade no momento em se forcar em certos detalhes e agora com a pouca claridade que já adentrava seu aposento era possível observar os "certos detalhes" que não havia perdido tempo em se focar na madrugada anterior.
O aquariano com cuidado puxou o braço dormente depositando a cabeça de Jim em um dos vários travesseiros. Caminhou calmamente ao banheiro ontem fez sua higiene matinal e um bom banho. Voltando ao quarto somente com a cintura enrolada em uma toalha enquanto secava as longas madeixas. Enfiou-se em uma cueca e uma calça de moletom branca deixando o tórax desnudo, penteou os longos cabelos esverdeados enquanto observava o bendito aparelho que ainda vibrava insistentemente no criado mudo. Degel bufou de irritação pegando e atendendo sem nem ao menos olhar o visor.
– Bonjour! – Cumprimentou com a voz típica frieza.
–Bom diaaaaa rabugento! Não, acredito EU que hoje não seja um simples "Bom dia" e sim um EXCELENTE dia. HAHAHAHAHA...– Degel levou à mão livre a têmpora massageando-a. Era inacreditável ter aquela voz gritando em seus ouvidos logo de manhã.
– Kardia. - Respondeu com descaso - Non acha que está cedo demais para piadinhas grego? O que quer a essa hora? –Perguntou sem disfarçar a irritação.
–Ahhhhhhh meu amigo não é possível que depois dessa noite você AINDA tá nesse mal humor. Diz pra mim: Ela é ou não tudo que você imaginou seu Francês idiota?
Degel ficou em silêncio, tentando processar o que Kardia havia acabado de dizer. Como era possível ele saber que Jim havia passado a noite consigo? Tudo bem que alguém pudesse ter dado falta dela em sua casa, mas aquilo não justificava. Kardia só podia estar blefando. Sim ele estava blefando.
– Do que está falando Kardia?
– Degel...qual é ?! Olha, eu sei de tudo tá picolé. Somos amigos e eu só queria te ajudar e pelo visto consegui. Um ponto para o Kardia!– Volveu Kardia com uma convicção de quem acabará de realizar um ato heroico deixando Degel atônito.
– Perai! Você... Conseguiu? Como assim? Eu non...non estou entendendo. –Fez uma pausa tentando absorver por completo as informações malucas que o grego havia dito.
– Espera... as chaves...! – Degel enfiou a mão na franja farta apertando os olhos com força enquanto se recordava da saída da boate. Sabia que aquele último abraço tinha sido "apertado" demais. Agora tudo fazia sentido.
Ela não havia perdido as chaves. Kardia as havia pegado no momento em que a abraçou retirando as chaves do bolso enquanto estava distraída com o "apertão" em suas nádegas. Sem as chaves do carro Jim não poderia sair da boate e nem se quer entrar em casa. Quando Degel disse que sairia junto, Kardia rapidamente "furtou" as chaves dela, o grego sabia que o francês se compadeceria da situação em que ela ficaria e jamais a deixaria na rua sozinha.
Degel respirou fundo tentando manter o controle, pois sua vontade era torcer o pescoço de Kardia pelo telefone mesmo.
–Kardia non acredito que fez isso seu... seu idiot! E se eu non estivesse lá? E se eu non a tivesse visto? Ela teria ficado ensopada e sozinha naquele estacionamento. Você faz ideia do que fez? Você...você... e suas atitudes infantis achando que tudo na vida é brincadeira seu..seu...irresponsável!
Rosnou o aquariano andando de um lado para o outro tentando controlar o tom de voz, Jim ainda dormia e não queria acordá-la.
–Ahhh qual é picolé, não precisa ficar tão irritado assim, não aconteceu nada de mal com ela. Ela segura, está ótima dormindo aí na sua cama, tenho certeza e outra você acha mesmo que eu a deixaria sozinha lá caso você desse pra trás? Lógico que não né Degel! Você devia me agradecer isso sim, seu mal agradecido assim você me magoa. – Respondeu Kardia transpassando uma falsa chateação na voz.
Degel respirou fundo tentando se acalmar, afinal do que estava reclamando? Se Kardia não tivesse se arriscado pegado as chaves de Jim provavelmente nunca teria tido a noite que teve. Não tinha do que reclamar, havia dado certo, o plano maluco de um maluco havia dado certo, tinha que admitir e no fundo havia gostado. Gostado e muito.
– Kardia...olha mesmo seu plano sendo louco assim como você eu...me desculpe! Merci mon ami e você estava certo. Por mais duro que seja ter que admitir isso, você estava certo, eu...deveria ter procurado Jim a mais tempo. – Admitiu Degel, sentindo um nó na garganta. Depois daquela confissão o grego a partir de agora iria infernizar seu juízo, vangloriando-se daquilo pelo resto de seus dias.
– Cacete Degel, nunca pensei que ouviria você dizer isso algum dia. Hahahaha...Qual é?! Não precisa agradecer, somo amigos e eu só quero seu bem mesmo você duvidando disso. Vamos fazer assim: Você fica me devendo uma ok?! –Volveu em um tom divertido.
Degel sorriu e concordou sem tirar os olhos de Jim que se revirar na cama, mudando de posição expondo seu bumbum redondo e o corpo completamente nu de bruços entre os lençóis.
–Kardia?!
–Sim! Quer me agradecer de novo é?! –Riu o grego.
–Jim ontem a noite disse...- Fez uma pausa. – Disse que você tinha razão. Por quê? – Perguntou enquanto caminhava em direção à cama.
– Ah, sim! Jim gostou de você desde o dia que se viram pela 1ª vez, quando foram apresentados lá na Óros, mas você sempre tão frio e deslocado não dava brechas para que ela se aproximasse. –Enquanto Kardia completava sua explicação, Degel continuou observar os detalhes do corpo de alabastro largado em sua cama.
– Jim me confessou seu interesse por você em um dia que almoçamos juntos e desde então resolvi agir. Depois que saímos do restaurante eu lhe dei um abraço e disse: Ei Ruiva não fiquei triste, Degel é melhor do que imagina, sei que parece um velho rabugento, mas tenho certeza que no dia em que vocês se aproximarem irão se apaixonar. Você vai ver.– Continuou o escorpiano.
Degel sorriu, mas nada disse somente escutava com atenção. Quando suas violetas lhe deram a visão das cicatrizes espalhadas no corpo da ruiva seu semblante mudou quase que imediatamente. As marcas eram finas, provavelmente aliviadas por uma cirurgia, mas para alguém observador como Degel, eram mais que obvias. Cicatrizes de cortes, cortes feitos por faca ou qualquer outro objeto cortante. Desligou o telefone sem nem ao menos se despedi de Kardia, deixaria para terminarem a conversa em outra hora. Aquela marca na coxa direita de Jim o fez engolir em seco. Como não havia percebido aquilo na noite anterior? Tocou levemente a enorme cicatriz que ia da altura do quadril até próximo ao joelho. Era fina, mas profunda, igual à da cabeça a diferença era a extensão da mesma. Na parte posterior do braço esquerdo, também havia outra cicatriz semelhante à da coxa.
–Mon die o que houve com você? – Perguntou para si mesmo com espanto continuando a observa com detalhe as outras marcas.
Já havia notado que os dedos da mão direita de Jim eram um pouco diferentes, como se tivessem sidos quebrados e havia também marcas de queimaduras nos dedos e na altura do pulso. Continuou descendo até as panturrilhas, observando as cicatrizes de queimadura que tinham ali e que também pareciam ter sido "aliviadas" por alguma cirurgia corretiva.
Aqueles cortes não pareciam ter sido causados por algum acidente, eles eram quase perfeitos, como se tivessem sido feitos propositalmente o que fez o estômago de Degel revirar, sentindo uma sensação estranha, uma mistura de medo e curiosidade em querer descobrir a origem de todas aquelas cicatrizes.
Tilintar
Flashback
Na noite anterior Asmita e Mathure saíram da boate e m seguida de Jim e Degel. Mathure não queria quebrar a promessa que havia feito a Asmita e por isso não demoraram a sair daquele "buraco de rato", como ele gostava de chamar. El Cid logo se engraçou com uma morena e desapareceu sem deixar rastros, Kardia também não demorou muito a se engraçar com alguém em um canto escuro da boate. Manigold se engraçou com uma morena "voluptuosa" não conseguiu ir aos "finalmente", não por falta de vontade da morena e sim por que simplesmente não conseguiu o que o deixou de péssimo humor. Pegou o telefone da morena e prometeu que ligaria assim que pudesse, inventando uma desculpa qualquer. Ainda tentou algumas vezes investir em Akemi, que se mantinha firme na tarefa de ignorá–lo completamente o que deixava o italiano soltando fogo pelas ventas. Queria terminar o que havia começado na noite anterior, desde que a loira fora para Óros sentia algo dentro de si vibrar, o jeito arredio consigo o deixava com ainda mais vontade de "amansar a ferinha".
– Merda! - Resmungou bebendo seu uísque de uma só vez, sentindo o líquido rasgar sua garganta e fazendo uma careta enquanto observava a loira conversar animadamente com Esther e Sísifo um pouco distante. – Me dá outro! – Rosnou ao barman que somente obedeceu. Manigold repetiu o ato, engolindo a bebida rascante de uma vez só sem tirar os olhos da loira que caminhou ao bar onde Manigold estava.
– Três caipirinhas, por favor! – Pediu Akemi debruçando sobre o balcão ignorando o olhar fuzilante de Manigold.
Um homem moreno que já estava cobiçando a loira desde chegou aproveitou a oportunidade e aproximou-se puxando conversa.
–Oi! Você dança muito bem. – Akemi olhou para o lindo grego de olhos castanhos e cabelos negos e deu um meio sorriso agradecendo.
– Meu nome é Kevin e você é?
Akemi relutou um pouco em responder, mas por fim acabou dizendo um nome qualquer que lhe veio à mente.
–Lucy. – Mentiu
–Humm...Lucy. – Repetiu o moreno, aproximando-se perigosamente. – Reparei que está sozinha. Quer companhia? - Continuou o moreno, deixando seu corpo roçar levemente em Akemi que se afastou um pouco.
–É...obrigada ...hum...Kevin não é?! Então... eu não estou sozinha, estou com uns amigos não precisa se incomodar. – Volveu Akemi.
Manigold que não estava longe observava com um olhar fuzilante. Não conseguia entender o porquê de estar se sentindo tão irritado e ainda mais em ver aquele carinha jogar seu "papinho baby" pra cima de Akemi, mas sabia que se ele continuasse não iria segurar sua ira por muito tempo. Seus olhos não desgrudavam da cena, sua perna sacolejava freneticamente tamanha a ansiedade e nervosismo, lutando a todo custo para não sucumbir à vontade de socar a cara daquele metido a mauricinho.
– Puxa, eu estou observando você desde que entrou por aquela porta e não vi você acompanhada de ninguém. – Volveu o moreno perigosamente perto fazendo o sangue de Akemi gelar. Aquele tipinho ela já bem conhecia, bonitos e cafajestes. – Eu vou dar uma festinha no meu apartamento com uns amigos e pensei que você poderia participar. O que me diz? Vai ser divertido, umas amigas também irão então, será tudo bem "divididinho", não precisa se preocupar.
Ao terminar o rapaz rodeou a cintura da loira com umas das mãos puxando o corpo pequeno para mais perto de si tentando beijar sua boca. A loira só teve alguns segundos para desviar o que fez o rapaz ter um pouco mais de acesso ao seu pescoço e sem perder tempo, afundou o rosto ali aspirando o perfume suave que usava.
–Não! Pare eu não quero! – Disse enquanto tentava empurrava o rapaz sem sucesso.
– Ahh qual é gata relaxa, eu prometo que festinha você será minha. – Volveu o rapaz que tentou novamente a tomar os lábios de Akemi que tentava a todo custo se desvencilhar dos braços que a seguravam com força sentindo um nervoso crescer dentro de si.
– Me sol...! – Não terminou a frase, o rapaz segurou sua nuca com força e tomou seus lábios sem delicadeza e permissão, forçando a língua pra dentro da boca da loira que tentava se soltar.
De repente sentiu um puxão e uma mão rodear sua cintura para que não fosse ao chão ainda sentido a respiração ofegante e pelo beijo forçado.
– Você está surdo stronzo?! A ragazza disse NÃO. – Berrou – Será que ela não foi clara o suficiente ou vou ter que desenhar pra você entender?! –Disse olhando bem fundo nos olhos do rapaz, puxando Akemi para que ficasse atrás de si protegendo-a com o próprio corpo. A loira sentia o nervosismo crescer e a tensão aumentar ainda mais depois que ver o olhar fulminante de Manigold para cima do rapaz que não se intimidou e o encarou na mesma proporção. Não sabia o que fazer, seu corpo começou a tremer de medo, o italiano demonstrava sem dó o quanto estava furioso e alto pela grande dose de uísque que já havia enjerido, se eles brigassem ali seria o fim.
– Quem você pensa que é italiano para se meter onde não foi chamado? Ninguém te convidou pra festinha então me faz um favor... desinfeta. – Volveu o rapaz de nome Kevin no mesmo tom batendo com o indicador no peito de Manigold com força que somente observou a mão do rapaz com desprezo e em seguida voltou a encara-lo com um sorriso debochado.
–Se fizer isso de novo vai se arrepender. – Volveu o canceriano com "sangue nos olhos".
–É mesmo?! Vai fazer o que italiano? Me bater com o rolo de macarrão ãhn?! – Ironizou o rapaz.
–Olha rapazes já chega okay?! - Akemi na tentativa de apaziguar a situação tentou entrar no meio dos dois, mas foi impedida pelo braço do canceriano que não deixou que ela saísse de trás de si. Pegou no braço do mesmo e começou a puxa-lo para que se afastasse do rapaz.
– Vamos Mani, vamos sair daqui. Deixa ele pra lá eu estou bem okay?! Não precisa disso. Vem! – A loira segurou e começou a puxar o canceriano pelo braço que não baixava o olhar nem por um segundo, encarando com raiva a face do "atrevido".
Manigold devagar cedeu aos apelos de Akemi deixando-se guiar devagar, mas quando finalmente deu as costas Kevin resmungo em bom som para que Manigold ouvisse "Ela deve ser a puta dele".
Manigold não pensou duas vezes, voltou rápido na direção de Kevin ignorando os apelos de Akemi desferindo um soco direto no rosto do rapaz que caiu por cima da bancada derrubando copos e garrafas de bebidas que estavam ali. Kevin que não teve tempo para reagir, sentiu um gosto de sangue e a camisa ser puxada bruscamente e um novo soco acertar seu rosto fazendo-o dessa vez ir ao chão.
–Seu filho da puta! – Berrou o rapaz que se levantou rápido e partiu para cima acertando Manigold no estômago e em seguida no rosto.
O canceriano deu um sorriso sacana como resposta o que irritou mais ainda o rapaz que tentou socá–lo novamente, mas não acertou pôs Manigold foi mais rápido e desviou desferindo uma joelhada no estômago e outro soco que levou Kevin ao chão novamente.
Manigold sem dar tempo para reação alheia sentou em cima do rapaz e com uma mão o segurava pelo colarinho da camisa azul clara já manchada de sangue desferindo mais dois socos no rosto do outro.
–Manigold para com isso! Já chega, por favor, você vai matar ele. – Akemi gritava desesperadamente enquanto tentava arrancar o canceriano furioso de cima do rapaz que já estava quase desmaiado puxando-o pela camisa.
–REPETE O QUE VOCÊ DISSE! –Gritou e disparou mais um soco. – FIGLIO DI PUTTANA! – E lá se foi outro soco fazendo agora o nariz do rapaz sangrar.
As pessoas em volta somente olhavam e gritavam como se estivessem em um ringue, filmando e fotografando a confusão. Kardia e Sísifo correram em direção a confusão, se espremendo no meio da multidão e empurrando quem estivesse pela frente antes que os seguranças pudessem chegar ai.
–Manigold você enlouqueceu? – Berrou Sísifo dando um "mata leão" no canceriano na tentativa de segurá–lo.
–SEU DESGRAÇADO, VOU FAZER VOCÊ ENGOLIR TUDO QUE DISSE SOBRE ELA!TUA MADRE É QUE É UNA PUTTANA E PÔS VOCÊ NO MUNDO, MALEDETTO! – Gritava o canceriano ainda grudado na camisa do rapaz.
– Já chega Manigold, você já massacrou o pobre coitado. Vamos sair daqui anda! – Disse Kardia que empurrava o canceriano pelo peito ajudando o sagitariano a segurar a fera.
– MALEDETTO! - Repetia entre os dentes Manigold enquanto se deixar ser guiado pelos amigos que o arrastaram para fora da boate. Depois da confusão não havia mais condições de ficarem naquele lugar.
Quando os três finalmente saíram, Esther já estava do lado de fora com Akemi que ainda tremia um pouco de nervoso.
–Mas que louca é essa Manigold, você pirou é?! – Disse Esther olhando atônita para o estado do canceriano.
A camisa desgrenhada e suja de sangue. No canto do lábio havia um corte que escorria um filete de sangue e abaixo do olho direito um pequeno corte que já começava a ficar roxo.
– Ahhhh Esther até você. Não encher vá! – Resmungo indo em direção ao mustage, tirando a chave do bolso.
–Oeeee...onde pensa que vai desse jeito? – Volveu Kardia arrancado as chaves da mão de Manigold que nada disse. – Eu dirijo o valentão.
Manigold entrou o banco do carona lançando um olhar cabisbaixo para Akemi que somente desviou entrando no carro de Esther e Sísifo que partiram logo atrás de Kardia.
Fim do Flashback.
–Aff...e foi assim que terminou nossa noite. – Disse Esther ao telefone com Mathure que mal podia acreditar naquela história.
– Estou besta! Ainda bem que sai logo depois de Jim, se Asmita presenciasse isso eu ficaria trancafiada em casa por um ano e olhe lá. – Volveu a mais velha.
–É minha irmã, fiquei com pena da Akemi que estava lá no meio daquela confusão sem saber o que fazer. Por sorte Kardia e Sísifo conseguiram segurar a fera e levá-lo para casa.
–E Akemi como está?
–Não sei, ainda não consegui falar com ela. Já liguei algumas vezes, mas o celular dela só dá fora de área e o de casa somente chama. – Falou Esther com preocupação.
–Bom eu vou sair daqui a pouco, Asmita e eu combinamos de almoçar fora hoje. Quando terminarmos eu dou uma passada na casa dela pra saber como ela está e saber mais "detalhes" sobre esse bafão. Te dou notícias pode deixar. – Volveu Mathure observando o loiro sair do banho extremamente sexy com os cabelos molhados e uma toalha na cintura.
–Poxa que bom, eu ainda vou ter que dar uma passada na Óros para resolver algumas coisinhas. Sabe como é, Aspros e Defteros viajaram assim do nada e os abacaxis sobraram para quem né?! - Jogou-se no sofá.
–Ai que coisa! Essa viagem deles pro Japão assim do nada foi tão...estranha. Você tem certeza que não sabe de nada maninha? – Mathure caminhou na ponta dos pés em direção ao virginiano que secava os cabelos distraidamente com uma toalha e arrancou a outra de sua cintura dando um susto no mesmo que por instinto escondeu sua nudez com uma almofada fazendo Mathure sorrir com a atitude infantil do outro.
– Ah Mathure ele disse que eram assuntos pessoais e nada mais. Disse também que seria bom para relaxar já que o ritmo é sempre intenso e precisava de férias e rever um amigo, mas eu não sei tive a sensação de ele estar escondendo algo. Tenho sentido ele e Defteros um tanto tensos a mais ou menos uma semana.
Disse Esther caminhando até a cozinha e pegando uma generosa xícara de café
–Bom o fato de ele querer rever um amigo não é problema, o problema foi a forma como ele fez isso, assim do nada?! E se ele foi rever o tal "Asgard" – Enfatizou o nome. – Por que não levou Jim com eles já que faz tanto tempo que ela não o vê?! Pelo que me lembro ele é como um pai pra ela.
– Sim é mas...!
–Mas nada Esther e outra, uma coisa que não sai da minha cabeça. Como você e Sísifo nunca ouviram se quer falar de Jim já que ela está aqui há tanto tempo?
– Olha Mathure, eu já pensei sobre isso, questionei Aspros e Defteros sobre isso assim que ela foi pra lá, mas eles simplesmente não dizem. Somente dizem que isso é assunto deles e que certas coisas não devem ser comentadas e só.
–Sei...ta muito esquisita essa história.
– Bota esquisita nisso, mas olha eu não vou mais tocar nesse assunto, seja lá qual for uma hora saberemos disso você pode ter certeza. Agora deixa ir preciso resolver algumas coisas logo, Sísifo ainda quer dar uma passada na casa do irmão, já faz um bom tempo que não se veem.
Despediram-se e cada uma foi a seus afazeres.
Mathure depois do almoço com o indiano fizeram um passeio pelas ruas da Grécia, observando o mediterrâneo e aproveitaram para comprar algumas coisas, o mestiço queria alguns incensos novos e ervas para seus chás malucos. Em seguida seguiram para a casa de Akemi que estava bem na medida do possível. A loira contou com detalhes tudo o que havia acontecido incluindo o acontecido no carro de Manigold na noite antes da boate. Mathure que bem desconfiada como era sacou logo o motivo da raiva do italiano expondo a Akemi seu ponto de vista. Manigold explodira mais de ciúmes do que propriamente de raiva. Akemi de início não aceitou o ponto de vista da morena que insistia naquela teoria maluca, Manigold com ciúmes de alguém? Só se fosse dele mesmo. Com tanto rabo de saia por aí não havia motivos pra isso. A morena ainda insistiu um pouco, com a ajuda de Asmita que pela descrição dos fatos também levou a crer que Manigold + Bebida + Pé na bunda = Maníaco bêbado com dor de cotovelo possessivo.
–Ahhh gente vamos parar okay?! Essa história já deu e outra...se ele ta com dor de cotovelo e acha que ser um...Maníaco sei lá das quantas que o Asmita falou vai me fazer mudar de ideia e ir pra cama com ele está muito enganado. Eu não vou ser mais uma "vadia" a passar pela cama dele nem morta. Quero ele bem longe de mim. – Disse Akemi com descaso cruzando os braços. – Eu não vou ser mais uma das vadias deles, não mesmo! - Completou
Mathure trocou um olhar com Asmita que somente sorriu em resposta, era óbvio que a loira estava caidinha pelo italiano assim como o mesmo já demonstrava que não aguentaria segurar as calças por muito tempo já não era de hoje. Aquela guerrinha entre os dois já se fazia desde que se conheceram e agora depois do acontecido o fogo que havia entre eles estava os consumindo até o último fio de cabelo. O amasso no carro foi só a fagulha que faltava e que agora havia começado a queimar e muito aquela fogueira.
–Akemi escuta. – Tomou as mãos da outra a segurando junto as suas. – Você já parou pra pensar na possibilidade de ele não querer você como uma das "vadias" e sim como a "única" pra ele?! – Volveu Mathure calmamente sem desviar o olhar dos grandes olhos azuis que pareciam analisar as informações.
–A única? Você está me chamando de vadia? Está me dizendo que ele me quer como a única vadia dele é isso?! – Ironizou.
–Aiiii Akemi não começa de papinho baby ta?! Você entendeu muito bem o que eu quis dizer, não se faz de sonsa não! – Bradou Mathure sem muita paciência.
–Mathure não vem com essa tá!? Você até parece que andou cheirando meia por ai, de onde tirou essa ideia absurda? Eu acho que Asmita não está te fazendo muito bem. E desde quando Manigold é homem de uma pessoa só?! Aff...eu não acredito que ouvi isso justo de você. – Respondeu irritada, aquela conversa já estava um saco. O que eles queriam? Armar um time de torcida a favor do Canceriano?!
– Não minha amiga eu só estou tentando abrir seus olhos. Pensa um pouco, tudo bem que ele já tenha saído com trezentas mulheres e isso nunca foi segredo até por que ele nunca fez questão de esconder isso de ninguém, mas uma coisa nós temos que levar em consideração. Quando foi que você viu aquele carcamano idiota perder o controle assim por causa de uma garota? Quando foi que você se quer ouviu falar que Manigold tenha tido um bate-boca e pior, sair na mão com alguém pra defender uma garota ou só porque viu uma das garotas que ele tenha saído se engraçar com outro cara? Nunca!
Mathure se aproximou de Akemi a segurando pelos cotovelos forçando-a a olhar para si.
–Amiga acorda! Você foi a primeira e isso não pode ter sido assim do nada, se ele se indispôs assim por sua causa com certeza você tem algum significado pra ele.
–Concordo com Mathure. – Interrompeu Asmita calmamente. – Conheço Manigold a anos e nunca o vi perder a cabeça por causa de mulher. Já o vi brigar por bebida, carro, cigarro, futebol, etc. Mas por mulheres? Isso não faz o estilo dele.
– Mas...mas...o cara estava me agarrando e...e...forçou um beijo eu tente...tentei sair e não consegui e...e...o...Mani...Manigold apareceu do nada e...me ajudou. – Explicou gesticulando, andando de um lado para o outro, sentindo-se mexida com toda aquela informação.
– Então pensa bem. O cara te agarra e o italiano aparece no "cavalo branco", metaforicamente falando, e salva você das garras do lobo mau "Grssssss" – Falou Mathure fazendo cosquinhas na barriga de Akemi que sorriu como uma criança. – Japa pensa bem okay?!
– Mathure eu...eu não quero somente cama entende?! Não é com ele propriamente e sim com qualquer um. – Explicou a menor.
–É logico que eu te entendo, mas se você não tentar nunca irá saber. Não estou dizendo pra "sair correndo e se jogar" nos braços daquele carcamando lindo. – Gargalharam juntas. – Só estou dizendo para pensar bem nas coisas.
Akemi concordou que pensaria no assunto, mas por que queria fugir daquele assunto do que realmente faria. As observações de Mathure a deixaram com a pulga atrás da orelha, mas não queria pensar sobre isso. Tentaria ao máximo se manter firme na tarefa de não sucumbir a Manigold até que o mesmo mostrasse o que realmente queria.
Tilintar
Passaram-se duas semanas depois que Jim e Degel se entregaram ao fogo da paixão pela primeira vez. O francês esclareceu a ruiva no mesmo dia o que de fato havia acontecido na boate o que fez a mesma quase esganar Kardia que somente gargalhava e se vangloriava da situação. Concordaram que de início era melhor manter a relação dos dois em segredo, até por que a ruiva ainda não havia pensado em como contaria aquilo a Defteros, já que havia dado sua palavra ao grego que iriam jantar juntos, não que esse fosse o problema, mas no fundo sabia das reais intenções do outro e que assim que soubesse não ficaria nada satisfeito com o novo relacionamento de Jim. O francês também pensava em como seria a reação de Aspros aquela situação mesmo Jim sento responsável por suas atitudes, mas o jeito explícito que o grego mostrava o quando prezava por Jim era o que o preocupava. Até onde iria o senso de proteção de Aspros? Resolveu dar tempo ao tempo e também lhe dar as respostas que queria. Respostas de coisas que ainda se perguntava sobre Jim. O mesmo sempre procurava responder as curiosidades da ruiva sobre si na expectativa de deixá-la mais confiante e assim desabafar algo sobre seu passado o que não estava funcionava muito.
–Mon chéri posso usar seu computador? Eu queria ver alguns e-mails. – Pediu Jim dando um sorriso para Degel de devolveu.
–Está aprendendo mon petit. – Degel caminhou em direção a Jim lhe entregando uma taça de vinho e depositando um beijo carinhoso sem sua testa.
–Eu tenho um ótimo professor. – Disse Jim piscando em seguida.
– Fiquei à vontade. – Volveu Degel com um sorriso voltando a cozinha.
Jim rapidamente procurou por alguma mensagem de Aspros observando que havia recebido um e-mail bem cedo. Sorriu e começou a ler rapidamente sentindo lágrimas molharem seu rosto por conta da sensação nostálgica que começou a sentir.
"Olá Jim, como está? Espero que esses malucos estejam cuidando bem de você (rsrs). Aqui as coisas andam muito bem. As cerejeiras estão belíssimas como sempre, mas esse ano elas parecem mais especiais. Sempre me lembro de você quando as vejo, pois sei o quando você sente falta de tudo isso. Sinto tanto em não poder lhe proporcionar a alegria de poder vê-las pessoalmente, pois sei o quanto você as adora e sente falta, mas ainda tenho esperanças de que você poderá relê-las sem medo e que esse pesadelo um dia irá acabar devolvendo assim sua vida de volta. Asgard está bem, teve alguns probleminhas, nada grave. Ele me contou que Hikaru e Sayaka, suas melhores amigas, sempre perguntam por você, disseram estar morrendo de saudades suas. Acredito que o sentimento seja recíproco o que me dói ainda mais. Estou aproveitando para descansar e também resolver alguns problemas. Asgard está morrendo de saudades suas e pediu desculpas por não entrar em contato durante esses meses, o nosso "touro" teve alguns problemas, nada grave, mas que infelizmente o impossibilitaram de entrar em contato.
Ainda pretendo ficar por mais alguns uns dias no Japão, uma semana a mais talvez, mas entrarei em contato assim que tiver uma posição. Não se preocupe, eu ficarei bem.
Estamos com saudades, nós te amamos!
Um grande beijo de seu amigo Aspros e um abraço de urso de seu pai postiço Asgard."
Jim respeitou fundo tentando manter o controle. Estava na casa de Degel e não poderia desabar assim. Não queria que ele a visse naquele estado e nem envolvê-lo naquela situação. Fechou os olhos por alguns instantes, sentindo a saudade e a dor dilacerar seu peito com a confusão de lembranças boas e ruins. Por que as coisas tinham que daquele jeito? Por que tudo aquilo simplesmente não poderia acabar e ter sua vida de voltar? Por que tinha que perder tanto? Irresponsabilidade, essa era a palavra, a palavra que dava nome a toda aquela desgraça. Pensou em Degel e como ele estava sendo bom pra si, em Kardia e em como o grego havia se tornado um de seus melhores amigos e lhe dava tantos motivos para rir quando não havia mais nenhum, pensou em Aspros e Defteros e em todo o sacrifício que os gêmeos faziam por si sem obrigação e sim por carinho e afeição. Deus será que falharia com eles também assim como falhou com outros no passado? E ele? O que havia sido feito dele? Será que ainda a procurava ou quem sabe Deus havia sido piedoso e o feito esquecer que ela um dia se quer existiu. Sua irresponsabilidade e egoísmo tiveram um preço alto demais. Um peso tão grande que carregaria em seus ombros até o túmulo.
Sentiu sua cabeça dar voltas diante de todo aquele turbilhão de emoções, tristeza, mágoa, saudade... CULPA. Sacudiu tentado expulsar aqueles malditos pensamentos. Tinha que se manter no controle ou Degel podia perceber. Respirou fundo enchendo os pulmões de ar e soltando devagar, secando as lágrimas com blusa ouvindo os passos do francês se aproximar. Fechou a tela do computador rapidamente e colocou seu melhor sorriso.
–Está com fome. -Jim somente acenou com a cabeça e seguiu com Degel para a cozinha.
Tilintar
Manigold depois de alguns dias resolveu que já era hora de pedir desculpas a loira pela confusão. Tentou compensar isso a convidando para um almoço que foi prontamente negado por ela, o que deixou o italiano bem desapontado. Questionava-se em como havia chegado a tal ponto de se pegar várias vezes no dia pensando no sorriso dela. "Droga! Mas tinha que ser no sorriso? Por que não nos peitos?". Achava-se um idiota por não conseguir parar de tentar alguma aproximação com Akemi que perseverava em se manter o mais longe possível de Manigold chegando até a mudar seu lugar de trabalho o que deixou o outro furioso.
– Sua loira metidinha, o que pensa que está fazendo? – Rosnou o canceriano.
–Trocando de lugar, não é obvio?! –Ironizou
Manigold começou a andar de um lado para o outro como um leão enjaulado. A loira estava evitando tudo que podia e não fazia nenhuma questão de ser discreta e deixava claro com suas ações o quanto a presença do outro lhe incomodavam.
–Do que você tem medo em?! – Disse aproximando-se perigosamente o que fez a outra engolir em seco, mas sem perder a pose.
–Eu? Com medo? De você? Poupe-me Manigold! – Volveu desviando o olhar.
– Sei.... " Merda como essa magricela me deixa desse jeito? " – Pensou fitando a loira de cima a baixo. – Então por que a ragazza está tão arredia assim? Não que já não fosse antes, mas depois que te dei uns amassos você ficou trezentas vezes pior. Isso tudo é medo de ter uma recaída?
Prensou o corpo pequeno contra a porta fazendo a loira soltar um grunhido baixo pela surpresa deixando seu rosto corado pela vergonha e o calor imediato que aquele contato causou. A sensação de ter seu corpo preso ao do canceriano era excitante demais, o jeito firme e decidido a deixavam quase sem ar, levando embora todo seu raciocínio.
–Acertei não é?! Puxa loira não precisava me tratar tão mal só porque queria sair comigo era só ter dito sim quando eu...- Akemi não deixou que terminasse a frase, empurrando bruscamente o outro que deu alguns passos para trás quase derrubando uma cadeira. Precisava reagir e rápido ou sucumbiria a aquela tentação de 1,84m ali mesmo, naquela copa pequena.
–Sair com você? Está louco Manigold? Você se acha bom demais não é?! Acha que é só estalar os dedos que toda mulher do planeta corre pra...pra TREPAR com você como uma cadela no cio. Ohhhhh, mas o que um cão sarnento no cio como você iria querer se não cadelas?!
As palavras cuspidas da loira saíram sem que ela própria percebesse. Estava irritada e excitada com toda aproximação e por conta do nervosismo acabou falando o que não devia. O canceriano arregalou os olhos e entreabriu os lábios surpreso em ouvir aquilo tudo.
–Do que você me chamou?! – Sussurrou.
–Eu...eu...Manigold me...me desculpe.
–Entendi agora eu entendi. É assim que me vê não é?! Como um cão sarnento no cio é isso?! – Rosnou
–Me desculpe! – Pediu sentindo o peito doer com tamanha força que seu coração batia. Seus olhos dançavam de um lado pro outro observando a expressão desapontada e irritada do outro.
– Sabe Akemi eu nunca tinha visto você dessa força. Nunca mesmo, nunca vi você como uma "cadela no cio" ou como uma "vadia". Sempre respeitei você, trabalhamos há tanto tempo juntos e qual foi a vez que se quer toquei em você com segundas intenções? Qual foi a vez que me dirigi a você com desrespeito? Lógico tirando o dia do carro, porque eu sempre soube que você não era uma qualquer, que não era daquelas de só dar uma "trepada" e desaparecer no dia seguinte. Eu sei que não presto, mas "cão sarnento"?! Sarnento? Tem tanto nojo assim de mim? – Disse com amargura.
– NÃO! Não é isso...eu...eu não sinto...eu não sinto nojo de você. – Akemi sentia uma angustia enorme crescer dentro de si, já havia ofendo o outro em outras ocasiões, mas nada tão agressivo e sabia que dessa vez havia passado e muito dos limites.
Manigold caminhou devagar em direção a porta, segurando a maçaneta com firmeza e abrindo a porta devagar sem olhar para Akemi, dizendo antes de sair:
–Fica tranquila Akemi, eu não vou mais importunar você com nada. Você é uma excelente profissional e isso não ira mudar em nada nossa relação aqui na Óros. Não precisa se preocupar, eu nunca mais vou por um dedo se quer em você ou irei dirigir algo a você que não seja trabalho. – Saiu.
As palavras foram ditas com uma frieza jamais vista por Akemi que ficou sem palavras, sentindo um arrependimento horrível e a angústia crescer dentro do peito, "Nunca mais..." , era muito tempo. Ouvir aquelas palavras e ver a expressão de decepção estampada no rosto do outro foi com um soco em seu estômago lhe fazendo encarar a realidade. Aquilo realmente havia sido demais e não justificava as palavras que havia dito. "O que foi que eu fiz?" Sussurrou sentindo uma lágrima quente molhar seu rosto.
Continuar..
