Como sempre, o corre corre já começava cedo no departamento. Hakurei revirava seus papeis irritado ainda procurando por pistas sobre o tal assassino. Pensava em todos os motivos possíveis que levassem o psicopata a cometer tais atrocidades, mas não chegava a nenhuma conclusão. Enquanto solvia de seu forte café matinal, sentiu seu celular vibrar no bolso sacando o aparelho rapidamente quando reconheceu o número no visor.
– Pensei que havia esquecido nosso acordo. – Falou calmamente o detetive.
– Ora meu caro, já disse que você foi muito convincente não disse?! O que me pediu não foi tão fácil assim de conseguir, precisei de tempo. – Soou a voz rouca do outro lado
– Onde você está? - Perguntou o mais velho sem paciência.
–No lugar de sempre, encontro você em 15 minutos. – Desligou sem seguida.
Hakurei vestiu seu paletó rapidamente e saiu em disparada para o lugar combinado.
Assim que entrou na cafeteria logo avistou a figura andrógena que chamava a atenção de muitos pela sua beleza. Uma beleza que até muitas mulheres não possuíam e que talvez até os deuses invejassem tal perfeição da natureza.
– Olá Albafica, espero que tenha traga boas notícias. – Cumprimentou o mais novo com um forte aperto de mão que foi retribuído com tal intensidade.
– Isso irá depender do seu ponto de vista. – Volveu Albafica.
– Vamos logo ao que interessa. O que conseguiu? – Hakurei olhou o cardápio rapidamente pedindo qualquer coisa para si e para o outro.
– Bom eu tenho duas notícias, uma boa e outra ruim. Pela lógica irei começar pela notícia ruim está de acordo?
Hakurei nada disse, somente observou o outro por cima do copo de café que solvia.
– Pois bem, a má notícia é que Jim Kinneas não existe. – Falou calmamente enquanto dedilhava em seu tablet. – Ela é uma fraude, não possui documentos, nenhum registro, nada. Mas aí é aonde vem à notícia boa. – Albafica continuou passando o dedo indicador em seu tablet e após alguns segundos sorriu mostrando em seguida a Hakurei o que havia descoberto.
– Essa é Aya Oikawa a garota que sumiu do Japão logo após 1 ano que seus pais morreram e a última vez que foi vista estava na companhia deste homem. – Tocou na tela dando zoom na imagem da figura imponente que ela revelava.
– Eyfyis?! – Volveu Hakurei franzindo o cenho.
– Especificamente Aspros Eyfyis. Parece que o gêmeo mais velho trouxe uma bagagem extra quando voltou do seu "tur" pelo Japão.
– E pelo que você está querendo-me dizer é ...- Hakurei não terminou dando a chance para Albafica terminar.
–O que estou querendo dizer Hakurei é que Jim Kinneas é na verdade Aya Oikawa. Aspros a trouxe consigo e a mantém "relativamente" (frisou) escondida na Grécia e...Ah! Não só na Grécia. Aya já passou pela China, Coreia, depois pulou para Espanha até finalmente vir parar aqui onde ele a mantém bem próximo de suas vistas. A última foto que se tem registro de Aya antes de sair do Japão com ele é essa.
Albafica deslizou os dedos na tela do tablet mostrando a foto de uma Jim extremamente magra, olhos fundos e envolto a olheiras escuras, os cabelos curtos como de um garoto e tingidos de negros.
Hakurei observou a foto, pensando que talvez Aspros fosse algum tipo de milagreiro. A Jim da foto não se parecia em nada com a que estivera diante de seus olhos há dias atrás.
– Nem dá pra acreditar não é?! – Volveu Albafica notando o cenho franzido e o olhar de espanto de Hakurei.
– Sim e pelo visto o gêmeo mais velho está fazendo um excelente trabalho. Enfim, quero que me envie tudo que conseguiu por e-mail ainda hoje. – Disse o mais velho saindo em seguida.
Albafica respirou fundo, enquanto seu olhar vagueava pelo local. Fechou os olhos e terminou seu café jogando algumas notas na mesa.
–Desculpe Defteros, mas não estou a fim de ir em cana dessa vez. – Resmungou consigo mesmo enquanto deixava a cafeteria.
Tilintar
Os dias na Óros estavam sendo cansativos, os prazos apertados para a entrega dos trabalhos deixavam a turma a ponto de um ataque dos nervos. Esther e Sísifo trabalhavam em dobro e o stress estava no auge graças à ausência repentina dos gêmeos. Akemi e Manigold quase não se falavam mais, a não ser quando o assunto era trabalho como italiano havia dito que faria. Orgulhosa, Akemi tentava de todas as maneiras ignorar o quanto a frieza do canceriano a estava deixando péssima. As palavras ditas e o olhar de decepção e melancolia estampadas na face de Manigold martelavam sua cabeça dia e noite, o canceriano já não era mais o mesmo, agora se mantinha o mais sisudo possível e seu humor ainda pior. Não queria admitir, mas no fundo sentia falta dele.
– Manigold. – Chamou baixo recebendo o silêncio como resposta. – Manigold! – Chamou outra vez, o canceriano bufou levando uma das mãos a testa massageando-a.
–O que é! – Rosnou entre os dentes.
A loira voltou seus olhos para suas sapatilhas brancas por alguns segundos sentindo uma dor lacerante corroer seu peito. "Droga por que estou me sentindo assim? Ele é um idiota a fim de me levar pra cama, então, porque estou me sentindo tão mal? Que raiva de mim."– Pensou voltando seus olhos para a mesa e pegando alguns papeis com anotações.
– Três clientes ligaram cobrando aqueles projetos, o Sr. Covalski, a Sra Madellene e ...ãhn... o Sr ...- Manigold não deixou que terminasse, bufou levantando-se e começando a caminhar. Akemi observou a atitude do canceriano com espanto e sem saber o que fazer.
–Manigold! O que eu digo a eles se ligarem de novo?
–Mande que esperem. – Respondeu ríspido sem olhar para trás, caminhando em direção ao elevador.
Kardia e Degel que resolviam alguns assuntos de projetos se entreolharam com uma expressão de "Aí tem coisa" e continuaram seus afazeres que não demorou muito para chegarem ao fim.
– E aí cara você ta mal hein?! – Kardia pegou um cigarro oferecido pelo outro que mantinha o olhar fixo na bela paisagem que podia ser vista do terraço do prédio, acendo logo em seguida, tragando fundo e soltando a fumaça como um boi feroz.
– Está vendo demais grego metido. – Devolveu Manigold sem olhar para o outro que sorriu.
–E você está querendo enganar somente a si mesmo não né?! Não porque aqui, todos nós já notamos o péssimo clima entre você e a magrela e sem contar no seu péssimo humor.
Manigold manteve o olhar vago observando o nada. Pensativo, tragou com força o resto de seu cigarro e com um peteleco lançou a guimba para longe acertando a parede.
– Me diz logo cara, o que ta rolando? O que houve entre vocês não foi qualquer briguinha. Você só vive pelos cantos sozinho. E quando a galera está reunida você se afasta. – Kardia se aproximou do canceriano pousando a mão em seu ombro direito tentando passar confiança ao amigo que somente observava com a expressão sisuda. – Fala a verdade carcamano, você está de quatro pela Akemi não é?! Aquela magrela pegou você dê jeito e agora você fica por ai pelos cantos choramingando sei lá o que.
– Kardia por que não cuida da sua vida e para de me azucrinar com suas teorias malucas? – Respondeu entre os dentes.
Kardia se afastou soltando uma risada de deboche. A quem ele queria enganar? Todos sabiam que os dois estavam apaixonados, só que pelo orgulho o canceriano não dava o braço a torce assim como Akemi que já não era mais a garota "serelepe" de antes.
–Você vai se arrepender se continuar agindo assim Mani. Para de ser teimoso e vai logo atrás dela e diz o que sente. – Gritou o escorpiano.
Manigold continuou caminhando e somente respondeu com um belo dedo do meio, entrando no elevador em seguida. Quando a porta se fechou e se viu sozinho deixou seu corpo recostar no metal gelado, sentindo seus pelos se arrepiarem pelo contato. Fechou os olhos refletindo nas palavras de Kardia "Vai logo atrás dela e diz o que sente." Abriu os olhos observando o letreiro luminoso mostrando os andares, lembrando amargamente em seguida das palavras ácidas ditas pela loira "Acha que é só estalar os dedos que toda mulher do planeta corre pra...pra TREPAR com você como uma cadela no cio. Ohhhhh, mas o que um cão sarnento no cio como você iria querer se não cadelas?!"
–Cazzo! – Rosnou sentindo o efeito que aquelas palavras ainda lhe causavam.
Tilintar
No mesmo dia Degel havia convidado Jim para o almoço e lógico a ruiva aceitou de imediato. As coisas entre o francês iam melhorando a cada dia e os dois acabaram se entendendo melhor do que imaginavam. Degel mesmo com toda seriedade era atencioso e fogoso e Jim retribuía na mesma proporção. Estar com Degel era muito melhor do que havia imaginado, eram raros os dias em não ficavam juntos, mesmo com a agenda cheia de afazeres o francês sempre arruma tempo para estarem juntos. Comunicativa e inteligente era uma coisa que o francês prezava muito e quando estavam juntos era certo o clima pegar fogo.
– Eu adoro a comida daqui. – Disse Jim animadamente.
–Eu sei disso. Por isso te chamei sei o quanto gosta daqui e fico...- Fez uma pausa limpando a boca cuidadosamente com um guardanapo deixando Jim de boca aberta. "Como ele pode ser tão charmoso até quando limpa a boca com um simples guardanapo?" Pensou Jim. – Fico feliz em saber que está feliz. – Completou Degel.
Jim sentiu seu peito se encher de alegria sentindo como se pudesse flutuar somente com aquilo. Degel era realmente como Kardia havia dito, um gentleman de causar inveja e cobiça a muitos. Não era muito de falar, mas quando o fazia usava sempre as palavras certas. Seu jeito sério e calmo, com um olhar profundo e ao mesmo tempo analítico combinados com as sobrancelhas arqueadas deixava-o ainda mais sexy o que despertavam um desejo enlouquecedor, mas ao mesmo tempo sentia medo. Medo de que somente com aquele olhar ele poderia desvendar os segredos mais obscuros de alguém, principalmente os seus. Será que aceitaria? Como reagiria? Teria medo de si? Deus! Era melhor nem pensar. Só de imaginar em ver Degel lhe deixar já sentia seu estômago revirar de medo. Estava apaixonada, isso era irrefutável, completamente apaixonada desde a primeira vez que viu aquelas duas violetas que eram seus olhos.
–Algum problema mon chéri? – Volveu Degel tirando Jim de seus devaneios.
–Ah não é só que eu estava pensando se talvez você não seria um príncipe, um lorde ou coisa do tipo. Você é tão perfeito que nem parece existir. – Jim soltou aquelas palavras em um tom quase suplicante. Seus olhos dançaram sobre a face séria do outro que de início não esboçou nenhuma reação o que lhe causou um friozinho no estômago.
Degel deixou seus olhos dançarem juntos com os de Jim e por alguns segundos ficou somente observando o rosto levemente corado e os lábios carnudos entreaberto o convidando para prová-los – "E você só pode ter vindo dos Elísios." - Pensou o francês até que seu cérebro por um estalo processou o que ela havia lhe dito. Seria sério que ela achava mesmo que era um "lorde" ou um "príncipe"? Degel então começou a rir gostosamente deixando a amostra seus dentes brancos e bem feitos. Depois de alguns minutos, o francês respirou fundo tomando fôlego, seu rosto avermelhado pela risada e também constrangido pelo – de certa forma- elogio recebido.
–O que foi? O que eu disse de errado? – Indagou Jim sem entender.
– Acha mesmo que sou da realeza? – Volveu Degel.
–Por que não? Você é ...é sempre tão educado e..e..o jeito como você anda parece pisar em ovos, a forma como meche em seus cabelos é sempre tão sutil, seu tom de voz é sempre tão baixo, calmo e educado. A forma como segura na caneta quando precisa assinar algo e o garfo e faca pra você são...são como instrumentos musicais. Fora suas outras habilidades que o lugar e horário não me permitem mencionar. Tem certeza que você é real?
– Ainda se pergunta isso depois da noite retrasada? - Volveu Degel com um leve sorriso malicioso.
– Acho que já se passou muito tempo desde a noite retrasada. - Sorriu
–Costuma passar o dia observando as atividades alheias Jim?
–Só quando o "alheio" é alguém que me interessa. E sim eu passo as horas vagas observando você e sei bem que o senhor, Sr. Marchand faz o mesmo comigo, muito discretamente lógico, mas eu sei quando um homem olha para uma mulher com cobiça. – Devolveu Jim sem quebrar a troca de olhares.
–Acho melhor voltarmos a Óros, aqui non é lugar e nem hora para esses tipos de conversa. – Degel levantou estendendo a mão a Jim e sentindo a macies da mão pequena. Aquela brincadeira estava ficando perigosa, estar longe dela estava cada vez mais difícil, mesmo quando se programava para algo em que não incluía Jim seu íntimo clamava por ela. Estava se tornando uma necessidade física estar junto dela e isso o assustava. Depender assim de alguém não era do seu feitio ainda mais de alguém que não sabia muita coisa e com tão pouco tempo de relacionamento. Precisava descobrir mais sobre ela antes de sucumbir de vez a aquela tentação de longos cabelos vermelhos.
–Nervoso? – Perguntou Jim com um sorriso malicioso.
– Non.
–Tem certeza? – Quando Degel abriu a porta do restaurante para que Jim pudesse passar. A ruiva discretamente deixou a ponta de seus dedos tocarem o abdômen bem definido de Degel que com o susto segurou a mão de Jim rapidamente.
–Chéri aqui non. – Resmungou
– O que foi? Eu deixo você tão tenso a ponto de não poder se quer esbarrar em você? – Jim aproximou-se de Degel que sentiu os pelos de seu corpo de arrepiarem com o contado dos corpos e a respiração quente em seu ouvido. – Não se preocupe eu não quero ser presa por atentado ao pudor. – Seus lábios esbarraram levemente no lóbulo da orelha do aquariano que suspirou baixo. – Eu posso esperar até mais tarde.
Disse afastando-se somente para olhar nos olhos nublados de Degel que se manteve imóvel. Como uma criança, Jim segurou a mão do mesmo o puxando para que caminhasse sem quebrar o olhar e um sorriso sapeca nos lábios. Resolveram voltar caminhando a Óros que não era muito longe dali, queriam aproveitar mais a companhia um do outro e a bela paisagem do mediterrâneo.
Quando chegaram a uma certa distância, Jim ouviu uma voz no fundo chamar seu nome e começou a procurar com os olhos.
– Olha é o Regulus do outro lado. – Degel fez um sinal com a cabeça indicando a Jim a direção em que o rapaz estava acenando alegremente.
Jim devolveu o sorriso e balançou os braços acenando para o rapaz que olhou de um lado para o outro, observando que era possível a travessia.
Regulus começou a caminhar sorrindo distraidamente para o casal, quando de repente um carro negro saiu de uma esquina próxima acelerando com toda velocidade. Degel franziu o cenho não acreditando na cena diante de seus olhos assim como Jim que só teve tempo para um grito.
–REGULUS! AHHHHH MEU DEUS! REGULUS!
As pessoas olhavam assustadas a cena que havia acabado de ocorrer. O carro negro acertou o pequeno em cheio jogando-o para o alto, o fazendo rolar por cima do veículo e cair inconsciente no chão. Uma poça de sangue começou a se formar em volta do corpo inerte do jovem que não se movia. Jim entrou em pânico, gritando desesperada por ajuda e chamando o nome do jovem. Degel enquanto tentava conter Jim observou quando o carro sumiu no horizonte, o carro parecia estar esperando por aquilo e ter atropelado Regulus de propósito.
– ALGUÉM ME AJUDA! REGULUS POR FAVOR...NÃO!- Implorava Jim desesperada vendo o sangue do corpo do jovem se esvair por um corte enorme em sua cabeça.
Degel soltou Jim e correu em direção ao corpo do jovem leonino, levando as mãos ao corte no desespero em tentar conter o sangramento. Um homem que passava correu para ajudar, ele era um médico que retornava de seu almoço.
–Deixe que eu faço isso senhor, eu sou médico. – Falou o homem de meia idade. – Ajude sua namorada, ela está desesperada e pode entrar em choque.
Quando o homem terminou a frase, Jim aproximou-se tentando tocar em Regulus, mas foi impedida por Degel.
– Non Jim, non toque ele. – Degel tentava segurar Jim que gritava desesperada.
–ELE O ATROPELOU! ELE NÃO PAROU, POR QUÊ? O SINAL ESTAVA FECHADO POR QUE ELE NÃO PAROU? ISSO... ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO, NÃO POSSO PERDER MAIS NINGUÉM, NÃO É JUSTO! NÃO... NÃO...NÃO...DEUS POR FAVOR, NÃO TIRE NINGUÉM DE MIM OUTRA VEZ.
Degel segurou o rosto molhado pelas lágrimas sentindo seu peito apertar ainda mais com aquela confissão desesperada e inesperada. Ver Regulus naquele estado e Jim em tamanho desespero fazia o coração do francês bater a mil. Sentiu uma vontade enorme em saber o mais sobre as coisas desconexas que Jim resmungava, mas não podia pensar naquilo agora. Abraçou-a com um dos braços mantendo-a perto de si pedindo baixinho para que ela tentasse se acalmar pelo menos um pouco. Precisava avisar Sísifo, sabia o quanto o amigo ficaria desesperado o que o fez se sentir ainda pior, mas não tinha escolha, pegou o celular rapidamente discando o número do amigo, mas não obteve resultado.
– Droga cadê a ambulância? – Gritou uma pessoa na rua.
– Coitado tão jovem. Que tragédia. – Disse uma senhora curiosa que observava a cena com um olhar pesaroso.
– O carro não parou, o atropelou e foi embora. Que absurdo, será que estava bêbado? – Perguntou uma jovem para sua amiga gordinha que somente movimentou os ombros em sinal de descaso.
–Vamos Sísifo atenda o telefone. – Rosnou Degel.
–Degel. – Jim chamou baixo olhando para o rosto transtornado de amado com o celular ao ouvido olhou para o rosto molhado. – Por que ele não parou? Por que ele fez isso?
–Non sei chéri, eu non sei, mas tente se acalmar. Vai dar tudo certo okay?! - Volveu Degel secando algumas lágrimas que caiam pelo rosto triste de Jim que voltou a abraça-lo com força.
Olhou para o aparelho celular procurando por outro número e discando-o em seguida, logo a voz estridente se fez ouvir do outro lado da linha.
–Fala rabugento. Onde você está? Esqueceu que precisa voltar pro trabalho depois de sair pra dar umazinha?– Gargalhou Kardia do outro lado da linha.
–Kardia! Onde está Sísifo? – Perguntou em quase um grito o que fez Kardia se assustar.
–Sísifo? Está em reunião com alguns clientes. Ele e Mathure, por quê? O que ta rolando? Por que você está falando desse jeito e que barulho de sirenes é esse?
– Kardia chame Sísifo agora... - Fez uma pausa. – Regulus foi atropelado e está gravemente ferido.
Tilintar.
No hospital o grupo não conseguia acreditar no que havia acontecido. Sísifo estava inconsolável. A todo o momento grunhia sobre matar o desgraçado que fizera aquilo com seu sobrinho, Asmita e El Cid tentavam acalmar o amigo enquanto Degel relatava a um jovem policial todo o ocorrido. Esther sentanda um pouco mais afastada era consolada por Mathure e Akemi e Jim que parecia estar fora de órbita era abraçada por Kardia.
– Pelos deuses, viemos o mais rápido que podemos. – Disse um Dohko esbaforido sendo seguido por Shion que rapidamente se dirigiu ao sagitariano dando-lhe um forte abraço.
–Dará tudo certo meu amigo. Regulus é um garoto forte e sairá dessa. Você vai ver. - Falou Shion em seu tom mais calmo possível.
– Ele está péssimo Shion, sofreu traumatismo craniano e sua perna direita fora esmigalhada. Suas costelas foram quebradas e uma delas perfurou o pulmão. Quem foi o maldito que pode fazer uma coisa dessas? Como ele pode sumir sem prestar ajuda? – Sísifo levou as mãos ao rosto chorando compulsivamente.
–E então o carro saiu de um beco, atropelou o rapaz e não parou certo? – Perguntou o policial.
–Oui, era um carro completamente preto sufilmado. – Respondeu Degel exausto.
–Não conseguiu ver nada mesmo dentro do carro? – Perguntou novamente o policial.
–Non. Eu já disse que o carro era sufilmado, non dava pra ver absolutamente nada, ele só...saiu de um beco em alta velocidade e acertou Regulus em cheio sumindo na mesma velocidade.
O Policial acenou com a cabeça e disse que investigaria o número da placa do carro que Degel havia lhe informado. Quando o francês virou as costas para caminhar de volta para perto de Sísifo o jovem policial observou a figura de longos cabelos vermelhos sentada ao lado de Kardia que falava algo que a fez sorrir sutilmente. O policial imediatamente lembrou-se da voz de seu chefe ecoando em sua mente como um sino "Como pode uma garota ruiva sumir dessa maneira Tenma? Seja onde for, encontre-a o mais rápido possível".
–É desculpe senhor Marchand, mas...a garota que estava com o senhor, eu poderia conversar com ela um pouco? – Tenma rapidamente tentou uma desculpa para se aproximar de Jim, aquela era sua chance, se ela fosse a garota que Hakurei tanto procurava estaria feito. Degel olhou para a mão do policial que segurava seu braço sem perceber e em seguida olhou para Jim ao lado de Kardia. Retornou ainda mais sério para Tenma que engoliu em seco com o olhar gélido do francês.
–Non precisa perguntar nada a ela, pelo menos non agora. Jim está muito sensível ao que aconteceu e como sou responsável por ela, tenho certeza de que non é uma boa hora pra isso.
–É desculpe senhor Degel, eu entendo muito bem que esteja preocupado com ela, mas isso é um caso muito sério e qualquer testemunha é válida, ela estava lá presente e pode ter visto algo que o senhor não viu então, se continuar agindo assim pode atrapalhando a investigação.
Tenma tentou argumentar em vão. Degel franziu o cenho não gostando em nada daquela insistência. Ele sabia o quanto Jim havia ficada chocada com cena devido às palavras que ela havia repetidamente pronunciado e que agora martelavam em sua cabeça.
–Eu duvido que Jim tenha visto algo a mais que eu e já que precisa de um depoimento dela, pois bem, traga-me um mandado e estarei providenciando um advogado. Merci pela atenção senhor Tenma e excusez-moi. – Degel deu as costas a Tenma caminhando em direção a Jim sem olhar pra trás.
–Droga, filho da...! – Resmungou Tenma.
–E ai alguma novidade? – Perguntou Kardia a Degel que havia acabado de se aproximar observando o semblante perdido de Jim.
–Non, é sempre a mesma coisa, disseram que iram investigar. – Degel bufou e sentou ao lado oposto de Jim tocando sua mão levemente trazendo-a de volta a realidade.
–Acho que non preciso perguntar como você está non é?! – Jim sorriu em resposta e em seguida sentiu seu celular vibrar no bolso da jaqueta que usava. Sacou o aparelho observando com descaso no visor um número desconhecido.
–Não quero atender. – Resmungou para Degel.
–É melhor atender, pode ser importante. – Volveu o aquariano.
– Pode ser Aspros Jim, melhor atender. – Completou Kardia.
–Tem razão. Com licença. – A ruiva levantou-se e caminhou a passos arrastados para uma área vazia, mas não longe dali. Bufou atendendo ao telefone em seguida.
– Kinneas... – Disse Jim ao atender o aparelho.
–Nunca pensei que me sentiria feliz em ouvir sua voz outra vez... Aya.
Respondeu a voz jovial e suave do outro lado da linha fazendo Jim estancar tamanho o medo que começava a crescer dentro de si. Seu corpo involuntariamente começou a tremer, sua mão apertou o aparelho fazendo o mesmo dar um pequeno estalo com a pressão, seus olhos se arregalaram e a garganta ficou seca, extremamente seca, só podia ser um pesadelo.
– Como está o seu amigo? Espero que ele não demore muito a morrer, não quero ter dois trabalhos. Você me conhece bem e sabe o quanto sou perfeccionista.
–Co...c...como me... por...por que...por que fez... – Jim tentava pronunciar algo, mas sua voz não saia, seu corpo tremia sem parar e o suor frio escorria por suas têmporas. Degel de longe observou a extrema mudança de comportamento da amada, mas conteve-se em somente a observar.
–Como eu a encontrei? E por que atropelei seu novo amigo? É isso que quer saber? Bom até que foi difícil encontrar você, então achei melhor procurar por pessoas em volta de você, não foi fácil derrubar aquele Touro, realmente ele fez valer seu apelido. Mas não se preocupe não foi ele quem a entregou, nada como uma única correspondência mal destruída para me levar até você. E quanto ao garoto? Na verdade eu não tinha intenção nenhuma nele, eu queria seu namoradinho Aya, mas ele não desgrudou de você e também se eu o matasse agora acabaria a graça então mudei de planos.
Jim ficou em silêncio, já não conseguia mais controlar seu corpo que tremia e suava compulsivamente, seus olhos se encheram de lágrimas que escorreram pelo rosto repleto de pavor ao saber que ele havia se aproximado de Asgard e Degel? Ele queria pegar Degel? Seu coração retumbava dentro do peito de uma forma que parecia que iria explodir a qualquer momento, por Deus era pra ser Degel no lugar de Regulus.
–Não. – Sussurrou somente.
–Sim...olhe pra ele Aya. – Automaticamente levantou sua cabeça em direção a Degel e seus olhos se encontraram, o aquariano percebendo o desespero estampado no rosto da amada levantou rapidamente. – Olhe pra ele Aya e grave cada detalhe do rosto bonito, andrógeno, de feições belíssimas tenho que admitir, pois quero que saiba que por sua causa, por sua mentira eu vou cortar a garganta dele e deixá-lo sangrar até morrer. Eu vou matar Degel, Aya Oikawa!
O som da voz de Degel gritar seu nome foi a última coisa que conseguiu ouviu antes de cair desmaiada.
Continua...
