Shion, Kardia, Asmita e Degel ao verem o corpo de Jim ir ao chão desacordada correram até ela gritando por socorro. O ariano pegou o celular que estava caído observando que a ligação havia sido finalizada recentemente. Um médico e duas enfermeiras correram em direção a gritaria.
–Ela está entrando em estado de choque. – Disse o jovem médico aflito.
Dois enfermeiros correram com uma maca colocando Jim sobre ela rapidamente. Degel, Shion e Kardia eram contidos por três enfermeiras e Asmita.
– Ela vai ficar bem senhor, acalme-se, por favor. –Pedia a enfermeira para Kardia.
–Me acalmar? Que porra é essa? O que está havendo?- Berrou Kardia
Degel aflito não desgrudava os olhos espantados da maca que se afastava mais e mais até sumir por uma porta dubla. Sacudiu os braços com força finalmente se libertando das mãos da enfermeira mais velha e passando por ela a passos largos. Shion fez o mesmo e correu atrás de Degel, trombando com o aquariano ao abrirem a porta ao mesmo tempo.
–O que está havendo Doutor? – Questionou Shion extremamente nervoso.
–Olha vocês não podem ficar aqui, precisam voltar pra sala de esperar. Desse jeito só iram piorar a situação.
– Não sem antes de me dizer o que está havendo. – Kardia que passou pelos dois como uma bala foi agarrado quase de imediato por dois enfermeiros que tentavam arrastá-lo para fora.
– Mas que droga, me solta! – A voz de Shion saiu em quase um grito enquanto seus olhos não se desprendiam do rosto desacordado de Jim.
Degel assim que invadiu a sala de emergência fixou os olhos no rosto pálido de Jim que não esboçava nenhuma reação, seu coração batia com tamanha força e um medo desesperador tomou conta de si de tal forma que nada mais a sua volta fazia sentido. Um zumbido agudo e o som de seu coração acelerado eram as únicas coisas que ouvia. Dois enfermeiros tentavam impedi-lo de avançar sobre o corpo de Jim, mas o mesmo parecia não ouvir e nem ver mais nada.
– Droga me larga! O que estava havendo com ela seu imbecil? – Berrou Kardia sendo arrastado por um enfermeiro.
–Ela está em estado de choque, agora, por favor, senhores saiam daqui, não veem que estão nos atrapalhando? Por favor, se não saírem chamarei a segurança. – Disse o médico em tom de ameaça.
Shion respirou fundo tentando recuperar a calma e deixou ser guiado pelo enfermeiro. Kardia sem escolha foi praticamente jogado para fora da sala junto com Shion. Asmita que estava próximo da confusão pedia calmamente para que os amigos se acalmassem e deixassem o pobre médico trabalhar. Degel sem reação, sentiu a mão leve do indiano tocar seus ombros despertando assim para a realidade.
–Acalme-se amigo. Ela vai ficar bem.
Degel prendeu seus olhos aos azuis do mestiço que parecia ler sua alma e seus sentimentos. Não era atoa que Asmita havia ganhado o apelido de "Iluminado", pois era isso que parecia ser, um ser completamente de outro "plano astral" que qualquer outro ali presente. De imediato sentiu suas bochechas esquentarem e rapidamente virou o rosto para que Asmita não visse o quanto havia ficado constrangido por deixar tão evidente seus sentimentos por Jim.
–Também não precisa se envergonhar Degel. O amor faz parte de nós. É o que somos então não tem que se envergonhar por ter perdido o controle por causa dela. Acredite eu sei muito bem como se sente. Ter seus pensamentos completamente tomados por uma só pessoa, a mesma que lhe rouba o ar e lhe devolve de uma forma quase instantânea, chegará uma hora em que não conseguirá mais viver sem isso e finalmente perceberá que o controle sobre sua vida não é mais seu, por que sua vida agora está nos braços de outra pessoa. Irá resistir no início, mas com o tempo verá que necessita tanto da presença alheia como qual o ar para respirar. Vai por mim, eu caí francês e você...mesmo não admitindo nem pra si mesmo já caiu. – Degel somente olhou frio para Asmita que sorriu de leve afastando-se em seguida.
–Mas que droga foi essa?- Indagou El Cid.
–Ela está em estado de choque por algum motivo que não sabemos. – Respondeu Shion levando uma das mãos a cintura.
–Estado de choque? – Disse Esther, Akemi e Sísifo ao mesmo tempo.
–Oui! – Degel fez uma pausa olhando para Esther. – E Aspros? - Perguntou.
–Falei com Defteros. Quando ele soube o que houve com Regulus e em seguida com Jim ficou desesperado, disse que iria fretar um jato e que ele e Aspros chegariam o mais rápido possível.
– Mas o que houve gente? Ela parecia bem. Como ela cai em choque assim do nada? – Perguntou Mathure com o olhar perdido.
–Pode ter sido o stress do dia. – Deduziu Manigold.
Degel se afastou do grupo e seguiu para perto de Shion que estava em um canto mais afastado conversando baixo com Dohko que mantinha o cenho franzido.
– Shion?!
–Ah oi Degel. Que susto não é?!
–Oui. Shion pode me entregar o celular da Jim? – Pediu Degel calmamente
–Ah sim, claro Degel, está aqui. Desculpe eu olhei nos registros de ligações dela e retornei para o último número que a ligou, mas não obtive resultado.
–Entendo merci Shion.
–Não precisa agradecer. Foi um susto e tanto. Olha, seja lá quem foi que ligou ou o que foi dito nessa ligação causou o estado de Jim. Ela estava bem ao lado de Kardia e do nada caiu no chão.
–Concordo. Mas quem teria sido? – Dohko levou uma das mãos ao queixo em uma demonstração clara de reflexão.
O som da porta da sala para onde Jim havia sido levada tirou os três de suas suposições, grudando três pares de olhos no jovem médico que se aproximava.
–Ela está bem, está dormindo. Irá ficar em observação por enquanto e logo-logo vocês poderão ver a amiga de vocês. Eu avisarei okay?! – Informou o médico saindo logo em seguida.
Tilintar.
– O QUE FOI QUE VOCÊ FALOU? - Bradou Hakurei ao ouvir toda história contada por Tenma.
–É isso que ouviu senhor. Eu vi com meus próprios olhos, a garota recebeu uma ligação e se afastou, ficou por alguns minutos no telefone e de repente caiu em choque no chão. – Tenma se aproximou mais do detetive que prestava total atenção aos contos do rapaz. – Senhor eu tenho quase certeza de que ela é a garota que procuramos e seja lá quem foi naquele telefonema a deixou muito assustada.
–Você viu os gêmeos Eyfyis por lá?
–Não senhor eles ainda não retornaram do Japão, mas acredito que já devam estar sabendo do ocorrido e estarão voltando a jato para Grécia.
–Tenma preciso que você fique a postos naquele hospital, se o nosso assassino ligou para ela é sinal de que está mais perto do que nunca e ela pode estar muito vulnerável a ele. Me informe assim que os gêmeos chegaram e não perca nada Tenma, ouviu bem? Nada que nos leve a encontrar esse maldito.
–Sim senhor! – Tenma saiu rapidamente da sala, juntando rapidamente alguns policiais saindo em seguida.
Hakurei juntou suas coisas, pegando celular enquanto caminhava para fora do departamento. Discou o número de Aiacos e aguardou até que ele atendesse.
–Eiiii...até que enfim velhote. Achei que tinha morrido.
–Mais respeito moleque. Agite seus homens inúteis e levantem seus trazeiros gordos.
–Como assim?
–Encontrei Aya e parece que nosso assassino também. – Hakurei desligou o celular arrancando com o carro em seguida.
Tilintar.
Mathure, Asmita e Akemi resolveram que já era hora de irem para casa descansar. Acharam melhor estarem um pouco descansados pela manhã até por que, a Óros não havia parado e ainda havia muito que fazer. El Cid e Manigold resolveram ficam um pouco mais caso os outros precisassem de algo, assim como Shion e Dohko que faziam companhia a Esther e Sísifo. Degel e Kardia como sempre ficaram juntos.
– Que horas são? – Perguntou Kardia dentro de um bocejo.
– São uma da madrugada. – Degel passou a mão pelo rosto cansado observando uma bela enfermeira se aproximar.
– Puxa com a hora voa, que loucura. Estava tudo bem e de repente...bummm...tudo desmoronou! - Disse Kardia gesticulando.
–Com licença, senhor Marchand?! – A jovem enfermeira entrou na sala observando o modo desleixado com que Kardia estava jogado no sofá. O grego somente sorriu.
–Oui sou eu!
–O senhor já está liberado pra ver sua namorada. – Kardia olhou para Degel que ficou sem jeito por conta do "adjetivo" usado pela enfermeira. – Ela foi trocada de quarto, mas não se preocupe, eu levarei o senhor até ela.
–Merci. – Degel levantou-se e quando a enfermeira ameaçou deixar o local, Kardia histericamente interrompeu.
–Eiiii espera um pouco aí, Eu também quero ir. – O grego colocou as duas mãos na cintura.
–Desculpe senhor, mas só pode entrar uma pessoa. – Volveu a enfermeira constrangida.
–Nem vem com essa oh do jaleco, eu vou entrar sim e se eu não for ele também não irá. – Kardia segurou no antebraço de Degel puxando o amigo para perto de si. Degel olhou friamente de Kardia para a enfermeira bufando sem seguida.
–Non se preocupe, ele é completamente louco, mas é inofensivo faz isso o tempo inteiro. – Ironizou Degel
–Ãnh?! – Assustou-se a pobre enfermeira.
–Eu não sou maluco nada, e eu irei com você seu idiota ou você não sai daqui.
Degel olhou sério para Kardia que não se intimidou.
–E aí, vamos todos ou não? – Indagou o grego, segurando também o braço fino da enfermeira arrastando-a assim como Degel consigo até o quarto onde Jim dormia tranquilamente.
Quando chegaram ao quarto Jim dormia tranquilamente, Kardia foi o primeiro a se aproximar afastando a franja farta e beijando carinhosamente a testa fria. Degel observou a cena por alguns segundos sentindo certa inveja ao mesmo que sentia o ciúme reclamar dentro de si. Inveja de Kardia por ser tão espontâneo e demonstrar com tamanha facilidade aquilo que realmente sentia, não se importando com o que os outros achavam, o que era bem diferente de si. Havia tanta coisa que queria dizer, mas simplesmente as palavras não saiam e por mais que seu coração apertasse e sua vontade fosse correr e tomar Jim nos braços, Degel manteve seu jeito frio e calmo de sempre. Kardia segurou a mão pequena notando o quanto ela estava fria. O francês sentia seu coração acelerar a cada passo dado em direção a Jim.
–É ela está fria mesmo. – Degel tocou levemente a mão de Jim com a ponta dos dedos, sentindo a pele macia e uma aflição tomar conta de si.
–Degel?! – Kardia sorriu ao chamar o amigo que mantinha os olhos fixos no rosto de Jim.
O francês somente movimentou as sobrancelhas dando permissão ao amigo para continuar.
– Está completamente apaixonado por ela não é?! Não por que, só de olhar pra você já dá pra notar. E não negue, eu conheço você e sei o quanto está caidinho por ela.
–Você e suas teorias malucas Kardia. – Sério Degel levou o indicador à testa de Jim tocando levemente com as costas do dedo fazendo a ruiva franzir o cenho com o toque do amado.
– Ah é mesmo é?! Então me explica o que foi aquilo na sala de emergência hein?! – Degel arregalou os olhos e se afastou da cama.
–Ei não precisa fugir de mim assim okay?! Somo amigos qual é?! Esqueceu que se não fosse por mim você não teria ficado com Jim?! - Degel manteve o olhar preso na janela.
De repente uma pessoa esbaforida passou pela porta indo diretamente a cama onde Jim estava ignorando completamente os dois presentes que se assustaram com a invasão.
–Jim?! Jim fale comigo por favor! Não faz isso comigo meu anjo. – Defteros tomou Jim em um abraço apertado, afundando o rosto na curva do pescoço da moça.
–Def..Def..Defteros?! – Balbuciou Jim.
Defteros abriu um largo sorriso acariciando com ternura o rosto e os cabelos de Jim. Degel com o cenho franzido observava a cena diante de seus olhos sem acreditar no que via. O jeito como Defteros olhava e acariciava "sua Jim" – Sim sua - não era somente um carinho qualquer. Era obvio que ele nutria bem mais do que "carinho de irmão" ou algo do tipo para com Jim e o francês não estava gostando e nada de toda aquela intimidade. Kardia parecia ter um fantasma diante de seus olhos, eram tão claros os sentimentos do gêmeo mais novo pela ruiva que qualquer um notaria sem o menor esforço.
–Ele...está...muito perto não?! O rosto dele... e...e os lábios estão...perto demais...não é?!- Cochichou o Kardia para Degel que se manteve imóvel.
–Quer me matar do coração?! Me perdoa...- Esfregou o próprio rosto no rosto frio de Jim. – eu prometo que...- tocou os narizes. – não vou deixar você sozinha de novo okay?! – O grego beijou a testa de Jim, em seguida a ponta do nariz fino e por fim uniu seus lábios gentilmente.
Degel arregalou os olhos e cerrou os punhos marcando a palma da mão não conseguindo acreditar no que via, seu coração pareceu falhar uma batida. Só podia ser brincadeira e de muito mau gosto. Defteros estava tomando o que era seu sem o menor pudor e dor na consciência. Jim estava praticamente desacordada e isso lhe dava menos direito.
–Deveria deixar que ela pelo menos acordasse antes de fazer algo do tipo, non acha Defteros?! - O grego parou o que fazia, finalizando com um novo beijo na testa de Jim e depositando-a novamente na cama. A voz de Degel foi cortante e ao mesmo tempo sutil, mas demonstrava claramente que não havia gostado do que presenciou.
– Degel, Kardia?! Me desculpe eu nem percebi que vocês estavam aí, eu...fiquei tão aflito que...me desculpem, como vocês estão?
O gêmeo mais novo estendeu a mão para cumprimentar Degel que somente olhou com frieza e desprezo fazendo o grego estranhar aquela atitude. O francês irritado e enciumado não disse nada dando as costas para Defteros que ficou completamente perdido com aquela atitude.
"Quem ele pensa que é? Desgraçado como ele pode...como ele pode beija-la naquele estado? Como ele pode se quer tocar nela naquele estado?!Acha que só por que é...próximo dela pode fazer algo do tipo?! E ela será que realmente non tinhas forças para dizer um simples non?! Hum...talvez ela tenha até gostado por isso non reagiu. E se ela e Defteros são...non, melhor non pensar nisso. Non é um problema meu, mas então por que me sinto desse jeito? Por que estou com ciúmes. Ciúmes? Non, non é ciúmes é só...preocupação. É isso preocupação." – Pensava Degel que saindo do hospital a passos rápidos.
–Degel espera! - Berrou Kardia correndo atrás do amigo. – Droga e eu que sou o maluco?! Você vai sair assim e deixar ela lá nas "garras" daquele maníaco de mocinhas dopadas?!
–Ela vai ficar bem. Aspros também está aí e cuidará dela. – Volveu Degel tentando manter todo seu alto controle para não voltar lá e esmurrar Defteros.
–Ficar bem? Você pirou? Vai entregar ela assim de mãos beijadas pro Defteros? Degel...eu não tô acreditando nisso. Depois EU que sou o maluco. Pelo menos eu NUNCA deixaria barato. Eu iria lá e ele teria que me explicar direitinho que merda foi aquela.
–Kardia! Eu non sou você e se veio até aqui me azucrinar sugiro que volte lá pra dentro. Non estou com a menor paciência para seus ataques agora. – Rosnou Degel entre os dentes entrando no carro.
–Você vai embora mesmo?
–Oui, estou cansado, estressado e sujo. Preciso urgente de um banho, agora Kardia me faz um favor, se afasta do carro porque non quero passar em cima de seus pés.
– Dá pra parar de rosnar aí como um cão raivoso que eu sei que você não morde. – Kardia correu em volta do veículo e sentando rápido no carona.
Degel lançou um olhar fuzilante para Kardia que continuou no mesmo lugar, no fundo o mesmo sabia que aquilo não funcionava com o amigo, já que ele o conhecia muito bem. Sem muita escolha e paciência o aquariano respirou fundo tentando se controlar e não descontar sua raiva em Kardia. O amigo não tinha culpa pelo que havia acontecido no quarto de Jim e menos culpa ainda por estar sentindo tamanho ciúme da ruiva.
Tilintar
No hospital, Aspros cumprimentou Sísifo dando forças ao amigo, deixou tudo a disposição para que caso o mesmo precisasse de algum recurso. Regulus havia sofrido várias fraturas e incluindo um traumatismo craniano e os médicos ainda não sabiam como ele ficaria depois que acordasse. Depois de acertar tudo com o amigo, o gêmeo mais velho foi ao encontro de Jim e Defteros que conversavam cabisbaixos.
–Aspros!
Jim praticamente se jogou nos braços do geminiano mais velho que a acolheu com carinho.
–Isso tudo é saudade? Não posso sair de perto de você que já apronta mocinha?! Não faça mais isso conosco entendeu?!
–Aspros ele me ligou. Era ele no telefone...foi...ele! Foi ele quem fez isso ao Regulus. – Jim segurou firme a blusa de seda de Aspros como se precisasse daquilo para viver. O grego sentiu as mãos da menor segurar o tecido com força, cravando as unhas quase em sua carne.
Um enfermeiro baixinho abriu a porta do quarto avisando os irmãos que uma pessoa os procurava e que dizia ser urgente. Aspros e Defteros se entreolharam desconfiando da visita àquela hora e exatamente naquele lugar. O mais velho depositou um beijo suave na testa da ruiva e disse que retornaria o mais rápido possível. Defteros achou melhor não deixá-la sozinha, ainda mais depois daquela revelação. Ao sair rapidamente da sala, Aspros se surpreendeu ao saber que quem o aguardava era o detetive Hakurei, sogro de Shion.
–O que houve? O que lhe devo a "honra" de sua visita detetive. - Disse Aspros.
–Olá Aspros, sem que as coisas não estão boas, mas eu gostaria que me acompanhasse. – Aspros franziu o cenho.
–Eu não acho que a hora seja muito propícia não acha?!
–Eu discordo e acredito até que hora seja ideal.
–O que é que você quer em?!
–Aya! É sobre ela que vim falar. – Aspros franziu o cenho quase unindo as sobrancelhas.
–Pois bem senhor detetive, irei contatar o meu advogado e falaremos sobre isso se é o que quer.
–Não seja por isso. – Hakurei caminhou um pouco mais a frente pegando forte no baço de Dohko arrastando-o como um boneco e empurrando o mesmo em cima de Aspros que não acreditou na atitude do detetive assim como o chinês que xingou alguns meros palavrões em sua língua mãe.
–Se o seu problema é um advogado, és o seu advogado. Agora se presa à vida dessa garota é melhor vir comigo senhor Eyfyis ou lamentará não ter aceitado quando teve a chance.
Aspros olhou pra Dohko que não disse absolutamente nada diante daquela revelação. O chinês somente caminhou atrás de Hakurei. Sem saída e com medo, Aspros resolveu acatar o conselho do mais velho, o pesadelo já durava há muitos anos e isso realmente precisavam chegar ao fim.
Tilintar
Pela manhã Defteros levou Jim para sua casa já que o mesmo achou melhor que não ficasse sozinha, já que o "maldito" – era assim que o grego se referia a ele - a havia encontrado. A ruiva assim que pisou na casa do "ex" foi direito para o telefone, discando o número de Degel que não atendia suas ligações desde o dia anterior o que deixava a ruiva ainda mais cabisbaixa. Talvez o francês houvesse descoberto tudo e resolvido se manter bem longe de si, já que era um perigo para todos ao seu redor.
–Algum problema? – Perguntou Defteros abraçando Jim por trás.
–Perdi meu celular. – Volveu Jim melancólica.
–Ah Jim...está triste com isso? Escolha qual quiser lhe darei mil se for necessário.
–Eu sei...é só que. Não é só isso. – Volveu Jim completamente cabisbaixa. – Defteros...- Bufou
se desvencilhando dos braços forte do geminiano mais novo. – Ontem quando você chegou, você viu Degel no hospital?
–Degel?! Sim eu o vi assim que cheguei, ele estava com Kardia no seu quarto. Eu cheguei tão aflito que nem os vi, corri direto em sua direção. Ele ficou meio irritado porque eu a beijei enquanto estava sonolenta e saiu em seguida com Kardia como sempre atrás dele. Depois disso eu não o vi mais. – Riu
–Você o que?
–Olha me desculpe okay?! Eu fiquei tão feliz e ao mesmo tempo preocupado que acabei agindo sem pensar. Não foi nada de mais foi somente um beijo leve. – Justificou-se Defteros.
–Kuso* – Jim pegou o telefone novamente discando o número do francês que não atendia em momento algum. Passou a mão nos fios vermelhos sentindo uma angustia enorme crescer dentro de sim.
–Perai, pra quem você está ligando assim desesperadamente? – Questionou Defteros.
–PRO DEGEL! – A voz de Jim saiu quase como um grito fazendo o grego estancar.
– Alô Kardia?!
–Jim?! Oi cabeça de tomate como você está?
–Estou...bem...quer dizer...relativamente bem...Kardia, onde você está?
Kardia havia acabado de sair da Óros com Degel que dirigia tranquilamente pela rua movimentada em direção ao hospital onde Regulus estava internado. O escorpiano olhou para a face séria de Degel que sinalizou com a cabeça negativamente.
–Estou indo pro hospital agora ver como Regulus está e também veria você, mas já que saiu eu posso dar uma passada no seu AP mais tarde pode ser?!
–Eu não estou no meu apartamento estou na casa de Defteros. Eles acharam melhor assim por enquanto para que eu não fique sozinha e como Aspros precisou ir...ir resolver umas coisas eu acabei ficando com Defteros.
–Ah tá. Então eu posso passar ai se você quiser e lógico se eu puder.
–Ah lógico que pode, mas Kardia... – Fez uma pausa. – O Degel está com você? Eu perdi meu celular e não consigo falar com ele desde ontem à noite.
Kardia olhou para Degel de canto de olho que entendeu perfeitamente, o francês mesmo saudoso não demonstrou mantendo-se firme e novamente balançou a cabeça negativamente. Kardia levou uma das mãos a testa sem acreditar na maldita teimosia do amigo.
– Ah não Jim ele não está comigo. Eu só o vi de manhã e ele estava tão atarefado com as coisas no trabalho, talvez seja por isso que não tenha conseguido falar com ele. – Mentiu fazendo um carece de irritação.
Jim ficou em silêncio por alguns minutos refletindo nas palavras de Kardia.
–Jim?! Cê ainda está aí?! – Perguntou Kardia dando uma boa dentada em uma bela maçã, sua fruta predileta.
–Un*...estou. Kardia, me faz um favor...quando o vir peça a ele para ligar para esse número que apareceu no seu visor, é da casa de Defteros. Diga a ele que preciso muito falar com ele, é Jim sentou no sofá melancólica e cabisbaixa. A péssima sensação de ter algo errado e Degel simplesmente a ignorar agora estava sendo sufocante.
– Ei roux que vozinha triste é essa?! Eu odeio quando fica desse jeito. Não precisa ficar assim okay?! Pode deixar que quando eu ver aquele francês cabeça dura eu vou MANDAR ele procurar você.
Kardia percebendo a tristeza na voz de Jim, olhou sério para Degel que tentava ignorar a conversa, mas a tarefa estava sendo bem complicada, ainda mais que o amigo não estava ajudando em nada.
– Ta bom. Dá um beijo no Regulus por mim...eu irei vê-lo assim que puder.
–Já está dado! Beijos roux e não fica assim não tá?! Byee!
Jim ficou observando o parelho telefônico que segurava firmemente, pensativa. Sentiu um profundo arrependimento de não ter esclarecido as coisas com o francês quando teve a chance. Aquilo tinha que acabar, mesmo que perdesse Degel teria que contar a verdade antes que o mesmo descobrisse da pior forma possível.
– Você já contou pro Degel Jim sobre tudo que está acontecendo? Contou a ele sobre o dilema que vivemos a cinco anos?! - A voz de Defteros foi cortante, fazendo Jim estancar olhando fixamente nos olhos verdes faiscantes do gêmeo mais novo.
–Não. – Sussurrou
–Não?! Imaginei! – O grego caminhou como um felino em direção a Jim que por instinto levantou-se e deu um passo para trás sem quebrar o olhar. – E você acha mesmo que Degel irá aceitar isso tudo? Acha ele irá ficar feliz em saber que você pôs a vida dele em risco por puro egoísmo? Que mentiu para ele sobre quem você é?
–Não foi egoísmo! – Gritou Jim sentindo lágrimas quentes molharem seu rosto.
–Não?! Foi o que então? Amor? – Berrou o gêmeo. – Você devia ter dito a ele desde o início, você não entende o risco que o colocou. Eu nunca concordei com Aspros em por você na Óros e sabe por que Jim? Por que eu sabia que isso iria acontecer, sabia que você se envolveria demais com eles e que alguém acabaria ferido no final, sabia que ainda não era hora de socializar você e pra piorar você ainda...ainda foi para CAMA com Degel?! Pelos deuses Aya onde está com a cabeça?
–Não é bem assim Defteros, não é só cama eu...gosto dele, eu não fiz por mal. Acha que é fácil viver sozinho por tanto tempo? Eu tentei Aspros, mas você sabe tanto quanto eu que quando... quando gostamos de alguém não é tão fácil assim seguir certas regras, você não faz ideia de como me sinto em saber que ele está...que ele pode... Ah Deus me perdoe! – Jim soluçava em meio as lágrimas que desciam por seu rosto copiosamente.
–Eu só queria ter uma vida normal sem precisar viver mais me escondendo ou ter que viver pulando de país em país na tentativa de sobreviver. Eu nunca quis que isso acontecesse, eu tentei Aspros eu juro que tentei, mas eu não consigo mais viver desse jeito. – Completou.
–Jim...entenda uma coisa?! Olha pra mim – Aspros segurou firmemente o rosto triste entre as mãos olhando fundo dentro das esmeraldas marejadas. - Degel é certinho demais e nunca aceitará isso. Se você gosta realmente dele eu sugiro que se afaste. Será melhor pra vocês dois.
O grego sabia o quanto havia sido duro com Jim, mas foi inevitável. Conhecia Degel e sabia que o francês com certeza iria ignorar Jim até que ela desistisse, era sempre assim que ele agia, tanto com clientes chatos quanto com mulheres teimosas o que lhe doía ainda mais. Gostava tanto da ruiva e a queria tanto ao seu lado enquanto o francês metido a besta a ignorava sem dó e com certeza a deixaria sozinha. No fundo, não tinha por que culpa-lo, ele estava mais que certo em se poupar, só um louco viveria ao lado de alguém que é perseguido por um psicopata. Era melhor ser cruel com as verdades do que deixar sua querida Jim se afundar ainda mais por alguém que não a merecia, por mais que lhe doesse ver o quanto aquelas palavras a haviam machucado, Defteros não hesitou dando as costas para Jim sumindo no corredor.
A ruiva jogou-se no grande sofá vermelho aos prantos, amargando as palavras duras de Defteros. Sua mente vagueou pelas lembranças das poucas coisas, mas boas que havia vivido ao lado Degel. O dia em que se viram a primeira vez, os poucos sorrisos que o francês dava haviam ficado como tatuagem em sua memória, a voz rouca carregada pelo sotaque francês falando amenidades ao pé do ouvido, as conversas, as brincadeiras, as noites de amor e até mesmo as brigas agora lhe faziam falta. Chorou, chorou até a exaustão, apagando completamente em um sono profundo.
Tilintar
Na madrugada, Aspros seguiu com Hakurei e Dohko para o departamento. No caminho pensou bastante nos acontecimentos dos cinco anos em que manteve Jim escondida, agora o inferno havia voltado e já não sabia mais se poderia lidar com aquela situação. Seria injusto fazer Jim sair do país outra vez e viver completamente sozinha para tentar sobreviver.
–Então Aspros, como conheceu Aya? – Autorizou Hakurei colocando o pequeno gravador para funcionar.
Aspros respirou fundo, tentando maquinar uma forma de começar o depoimento.
– Através de Asgard.
–E por que se envolveu nisso tudo? O que ganhou com isso?
–Nada! Não ganhei nada em ajudar um amigo. Jim estava muito mal quando Asgard me pediu para tirá-la do país. De início eu hesitei um pouco, mas no final acabei aceitando. Quando eu a vi o estado dela era lamentável, parecia mais um...farrapo do que um ser humano. Naquela época ela já havia tentado suicido uma vez enforcando-se com um lençol, por sorte o lustre não aguentou o peso e quebrou. Asgard praticamente me implorou que tirasse Jim do Japão ou ela morreria, então eu aceitei. Primeiro nos fomos para China onde ela viveu escondida em Kowloon, na China. Não deixei faltar um grão de arroz a ela no tempo em que teve que se esconder naquele lugar horrível. Afinal, nada melhor para sumir do mapa do que uma favela daquelas não é?! Enfim, depois de quase um ano naquele lugar, levei Jim para Corea onde ficou por mais alguns meses, depois Espanha e por fim resolvi trazê-la para Grécia onde eu poderia ficar o tempo todo de olho nela. Eu não podia ficar sempre viajando e muito menos ligando sempre, poderia chamar a atenção e ela ser rastreada. Mesmo aqui ela quase não saia de casa, eu e Defteros revezávamos estar com ela, pois ela sempre tinha recaídas da depressão. Quando a envie para Espanha ela está em péssimo estado e acabou internada...ela havia tentado o segundo suicídio. Cortou os pulsos e uma vizinha, uma senhora muito simpática encontrou Jim quase morta.
–E quanto ao assassino? Você sabe quem el porquê de estar fazendo tudo isso? – Questionou Hakurei.
– Eu não sei como ele é fisicamente ou quantos anos tem. Jim nunca fala sobre o assunto. Ela nunca conseguiu terminar e eu também não me importava desde que ela estivesse segura e bem. Mas ela me disse uma vez que ele era um amigo de infância, alguém que confiava nela e ela o decepcionou.
–Em que sentindo?
–Bom...ela me disse que ele não era nada popular na escola e que ela era sua única amiga. Já Jim era totalmente ao contrário dele. Sempre foi bonita e pela sua aparência acabava chamando e muito a atenção de todos, principalmente dos rapazes. Ela me disse que se dividia entre os amigos da escola, o amigo de infância e o "namorado". Eu acredito que tenha sido passional.
Aspros respirou fundo passando as mãos nos longos cabelos.
– Por que acredita nisso? – Perguntou o detetive.
–Por que ela me disse aos prantos que ouviu uma conversa entre o tal namorado e o irmão sobre "pregar uma peça" no rapaz. Ela me disse que tentou conversar com o ex sobre o assunto, mas o mesmo só disse que seria uma brincadeira para deixar o garoto "esperto." Disse que tentou impedir, mas que não conseguiu. Ela me confessou que procurou pelo amigo, mas não o encontrou e que lamentava por tudo. Depois desse dia Jim teve uma recaída horrível da depressão e eu e Defteros concordamos em não tocar mais no assunto. E é assim até hoje.
–E por que não procuraram as autoridades?
– Por tudo estava indo muito bem, Jim estava progredindo no tratamento, havia ganhado peso e voltado a sorrir. Achei que ela poderia ter uma vida normal, depois que saímos do Japão nunca ouvimos se quer falar desse psicopata então, não havia motivos para tal. Ela era a sobrevivente de um assassinato e depois de tudo que passou merecia uma vida normal. Ele matou os pais dela e decapitou o irmão menor na sua frente. Achei que ela merecia uma vida boa depois do que passou.
– Você sabia dos riscos que corria quando a trouxe junto consigo não sabia?!
–Sim...sabia. Na vida sempre corremos risco, o tempo inteiro, mas não achei justo deixá-la definhar até morrer por algo que não tem culpa.
– Você fala com convicção que ela não tem culpa. Como pode ter tanta certeza disso Aspros? E se ela estiver mentindo?
–Não está eu acredito nela e acredito em Asgard também, olha, estou cansado, exausto e agora preciso ir para casa.
–Ainda não! – Volveu Hakurei
–Mas que merda o que é que você quer saber afinal? – Rosnou Aspros irritado.
–Quero saber quem é ele Aspros? É isso que quero saber.
–Ele? Ele quem?
–Não vou perguntar de novo Srº Eyfyis.
Aspros encheu seus pulmões de ar enquanto seus olhos estavam presos aos olhos de Hakurei que se mantinha apreensivo pela resposta do grego, assim como Aiacos que ouvia toda a história do outro lado da sala de interrogatórios.
– Ângelo...- Fez uma pausa. – O nome dele é Ângelo... Respirou fundo novamente. – Não sei o sobrenome e nem como ele é fisicamente muito menos de onde ele é, mas sei que desde a infância ele era conhecido como... "Alone".
Continua...
