Capitulo nove: Parte da razão

—Dói-me. —queixou-se James, ao sentir como os analgésicos pouco a pouco deixavam de fazer efeito.

—E seguirá assim até que saibamos como quieta-te o feitiço protetor que tens posto em cima.

James reconheceu a voz de seu interlocutor ao primeiro momento.

— Que faz aqui? —Perguntou de má vontade.

—Tenho um par de preguntinhas para ti. —Severus se sentou em uma cadeira que antes estava um pouco mais apartada da cama.

— Que quer saber agora? —Estava realmente farto, doía-lhe todo o corpo e não estava em seus estandartes de bom acordar, e fazer em presença de Severus Snape.

—Quero saber como foi que teu pai te concebeu.

— Contaram-lhe a história da abelhinha e a flor? —Disse com voz irônica.

—Claro, mas uma parte não entendi —disse com o mesmo tom —, a parte em que eu me deitei com teu pai, para procriar-te.

O sorriso retorcido que enfeitava a cara de James se apagou nesse momento. Sentiu como o sangue de todo seu corpo se congelava. Como a transpiração em suas costas se afiançava e lhe provocava calafrios.

— Como se atreve…?

— Como se atrevem vocês a me negar tal informação? —Interrompeu-lhe elevando a voz. Tinha estado disposto a escutar a outra versão das coisas, mas escutar que James se debochava dele, o superou. —Me negaram sua existência…

—Isso não é assim —disse molesto o garoto — Por que meu pai faria algo pelo estilo? Claro, só por ser quem é, se lhe tem que estar buscando para que me conhecesse, Verdade? —Disse com ironia, soltando o cumulo de sensações que tinha adentro —Meu pai sim lhe disse de mim, mas você não se importou.

—Isso é inverossímil. —disse apertando os dentes. — Nunca abandonaria a um filho meu, muito menos se seu pai é um fedelho ainda.

— Agora é um fedelho? —Perguntou prejudicial. —Pois isso não se importou quando lhe atirou.

— Não te vou permitir que me fale assim!

— Que?! Exercerá agora seu papel de pai?! —Gritou-lhe com lhe mesmo tom. —Não me faça rir. O último que fará nesta vida é escutar de mim o que o chame dessa maneira.

—Nunca te imporia o que me chames assim —disse em um tom mais baixo, mas não por isso menos intimidante —, mas quero saber a verdade. Por que não recordo tudo o que passou?

— Que sim eu? Não estou em sua cabeça como para saber que é o que quer ou não saber.

—Se segue nessa pose não poderemos falar como gente civilizada.

— Pois eu não quero que esteja aqui! —Gritou irritado — Afaste-se de mim! Afaste de meu pai e de nossa vida! —Respirava irregularmente e apertava os punhos sobre sua cama. —Como fez faz anos. —disse o olhando fixamente, ainda sem poder o ver.

Severus não disse mais, estava demasiado extasiado pelos olhos de James. Tinha esperado ver os olhos verdes de Lily ou Harry Potter, inclusive imaginou-se que poderiam ter sido negros como os seus, pelo menos essa ideia passou por sua cabeça faz umas horas, enquanto velava seu sono. Nunca se esperou o que essas lindas pestanas emoldurava uns olhos tão bancos, não tinha uma gota de cor nessas janelas. Incrivelmente, esse era a cor mais formosa que pôde ter tido.

Severus pôs-se de pé e afastou-se da cadeira na que estava. Se seguia nessa habitação não sabia que faria.

—Quando encontre a teu pai, poderemos saber o que passou —disse quase em um sussurro, que pelo silêncio que tinha na habitação, era facilmente escutado —, mas te repito, nunca soube de ti, se tivesse sabido…

—O "tivesse" não existe, senhor Snape —disse se acomodando para o outro lado da cama.

Quando James ficou só, pôde por fim chorar.

… \-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-

—Tenho o número da habitação em onde têm a seu filho, Potter —disse um homem a seu lado, o torturando em sonhos — Sabe que mais se averiguou? —Disse-lhe sussurrando-lhe ao ouvido. —Que Severus Snape lhe salvou a vida, lhe dando seu sangue.

Harry escutou como o maníaco esse se afastava e lhe deixava só novamente. Não podia se sacudir, estava claramente enfeitiçado e não poderia se mover por quiçá quanto tempo, mas ainda assim podia escutar tudo o que lhe diziam, e esperava que só se tratasse de uma mais de suas torturas psicológicas, por que não podia achar que em só três meses, tudo o que tratou de ocultar por quinze anos, se perdesse por um estúpido acidente de vassoura.

… \-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\

—Severus, não entendo nada do que esta dizendo. —disse Minerva, tratando de entender por que o homem que sempre viu como um homem culto, educado e dentro de seus cabales, quase se atirava dos cabelos, enquanto dava voltas pela habitação.

—Não posso achar que esse fedelho mimado me tenha ocultado. Claro! Agora sim entendo muitas coisas.

— Coisas como quais? —Perguntou a mulher, vendo que não poderia sacar informação de outra maneira.

—Como o porque o garoto me odeia… coisa que de todas formas não entendo por completo, mas se tomamos em conta que ele acha que eu sim sabia de sua existência, e que ainda assim o desdenhei…

— A quem desdenhaste?

—A James… Me esta escutando? —Perguntou olhando à mulher com uma sobrancelha alçada.

—Faço-o, mas desde faz um bom momento disse-te que não entendo a que vem tudo isto.

—James Potter é meu filho biológico. —declarou, vendo como a mulher se cobria a boca com ambas mãos e tratava de evitar que um gemido saísse por sua boca — Sim, como o ouve. Acabo-me de inteirar que em algum momento de minha vida me deitei com Harry Potter e dessa união chegou ao mundo o fedelho insolente que esta em uma cama de San Mungo com uma ferida no braço, e ao que não posso ajudar por que o idiota de seu pai o sobre protege no ponto de lançar um feitiço sobre ele que não lhe permita a ninguém o tocar —disse com o último fôlego que lhe ficava, antes de cair sobre a cadeira que estava em frente a mesa da mulher.

—O que me conta está fora de toda lógica, Severus —disse após uns minutos que utilizou para analisar a situação. — Quer dizer que Harry esperava a James quando se foi de Hogwarts?

—Assim é. —disse sem tomar muito em conto as palavras da mulher, mais pendente em tratar de recordar algo, mas nada entrava em sua cabeça.

—O que quer dizer que quiçá por isso se foi de Hogwarts.

—Pode ser…

—Severus… Que é o que recorda?

— Nada! —Disse irritado —O último que posso recordar é as classes que lhe dava ao garoto, nada fora do comum… mas…

— Mas?

—Aí algo que me molesta. Faz em uns dias, estando só, recordei a Potter. Dizia-me que estava esperando um bebê. Estava em frente a mim, mas depois alguém o apontou pelas costas. Não vi nada mais após isso.

— Acha que possa ser parte de uma lembrança?

—É o único que posso imaginar por agora.

… -\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\-\

—Esta é a habitação —disse o homem —762-779 —disse lendo na porta. Um par de Aurores estavam dormindo graças ao feitiço que lhes tinha lançado.

O homem abriu a porta e pôde ver, pese à escuridão da noite, a silhueta do garoto sobre a cama. Acercou-se com cuidado, apontando-o sempre com sua varinha. O garoto dormia placidamente, seu peito subia e baixava com acalma.

—Tenho-te, James Potter —disse com um sorriso retorcido, enquanto desaparecia com o garoto da habitação.

Nota tradutor:

E mais essa agora? Quem foi que sequestrou James?

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve!