Capitulo treze: Razões mais que óbvias

Severus chegou a sua habitação mais abatido do que nunca tinha estado em sua vida.

Nunca lhe poderia perdoar. Agora se podia entender muitas das coisas que passaram, pelo menos a grande maioria, mas a dúvida ainda persistia em sua cabeça.

Por que o fizeram?

Não era coisa de que simplesmente quisessem os atacar, quisessem que o ferisse dessa maneira, devia ter alguma razão, por muito estúpida que fosse, teria que ter algo para poder entender o motivo que levou a quem lhe atacou, para que o manipulasse de tal maneira.

Ainda não se podia sacar da cabeça a onda de lembranças que extraiu da cabeça de Harry. Por que agora era Harry, já não podia lhe dizer Potter com o mesmo desprezo que o fazia antes. Quiçá nunca foi desprezo, mas certamente o que fosse, já não estava aí.

Harry tratava de libertar seu braço do feroz agarre de Severus.

—Solta-me, não tenho nada que temer.

—Pois não te creio —o sujeitou com mais força e o levou a uma das esquinas, onde o fez sentar no solo —, agora mesmo me dirá que foi o que passou.

— E acha que por exigir-me o farei?

—Se não é por bem, será por mal —disse se afastando um pouco e o apontando com sua varinha.

—Não o faça —advertiu, com os olhos dilatados do medo.

—Não me deixa outra opção —viu como punha suas mãos como proteção, cobrindo seu rosto. —Legeremens.

Harry dava voltas por sua habitação, estava feliz, saltava de um lado para o outro. Severus via-o claramente, tinha que ter dezesseis anos, era demasiado jovem, de modo que decidiu adiantar nos acontecimentos, ir mais adiante.

Um Harry maior estava vomitando no banho, mas um sorriso enfeitava seu rosto. Viu-o acariciar seu ventre e vê-lo chorar, mas suas lágrimas não eram de amargura, eram essas que aparecem quando um está feliz.

Tenho que lhe dizer hoje —disse se pondo de pé.

Severus seguia-o de perto, não queria se perder detalhe do que passou essa vez. Agora estava seguro que o tinham enfeitiçado, alguém lhe tirou suas lembranças.

Harry lavou-se a boca e depois de molhar-se a cara e o cabelo, saiu de sua habitação. Passaram cerca de Weasley e Granger que lhe perguntaram onde ia, mas ele só lhes disse que já vinha, que não se preocupassem. Passaram cerca de uma das janelas que davam ao campo de quidditch e viram como Draco se levava a Ginny para o campo. Iam da mão.

Quando Severus viu que Harry se dirigia à masmorra, apurou seus sentidos. Algo estava mau aí. Por que não tinha mais alunos nos corredores que davam a Slytherin? Não tinha uma alma em todo o lugar.

Chegaram ao que era seu despacho e escutaram ruídos desde adentro. Viu como o cenho de Harry se enrugou. Eram gemidos e choros, lógicos de um ato amatório ou sexual, desde onde se lhe visse. Viu como o garoto começava a suar copiosamente. E sem saber por que esticou a mão para que não avançasse, mas sua mão atravessou ao garoto. Recordou que estes só eram lembranças.

Harry abriu a porta e sua mão ficou na maçaneta, sem ser capaz de dar um passo para além. Severus viu por sobre seu ombro e a cena mais bizarra apareceu em frente a ele.

Severus via-se a si mesmo, nu tendo sexo com uma de suas alunas, e não só isso, desde uma porta posterior, um rapaz apareceu, só vestindo uma camisa e se acercou a eles. O Severus que estava no chão de seu despacho, alongou a mão para agarrar ao garoto e o arrastou com eles ao chão, mostrava como o beijava na boca.

Harry estava respirando de maneira errática, sem deixar de negar com a cabeça, enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas. O Severus que só estava de espectador, teve vontade de tirar daí, de lhe dizer que essa imagem era falsa, que não tinha feito isso, mas como o negar agora?

Severus —o chamado de Harry foi tão agónico, que de não ser uma lembrança, Severus lhe tivesse abraçado.

O Severus da lembrança levantou a cabeça e viu que Harry estava na entrada, não se deteve, não se levantou, nem sequer disse algo. Seguiu investindo a garota, enquanto beijava ao garoto, que o Severus espectador, não reconheceu de nenhuma parte.

Harry não caminhava, não era capaz de apartar os olhos deles três.

Severus não podia fazer nada mais que ver que é o que passaria, mas já entendia por que Harry o odiava.

Por favor —rogou Harry, baixando a mirada.

Severus escutou um bufo e viu ao outro Severus que lhe fazia senhas ao outro jovem. O garoto sorriu de lado e acercou-se a Harry. Quis advertir-lhe que não se acercasse ao garoto, mas não podia lhe dizer nada.

Veem conosco, Harry. —lhe disse o garoto, que a estas alturas expunha seu corpo completamente nu.

Solta-me. —disse-lhe quando este lhe tomou do braço.

Vamos, desfruta conosco. —afastou a Harry da porta, o arrastando quase e depois fechou a porta do despacho.

Afasta-te. —disse-lhe soltando-se quando estiveram quase no centro. Olhou a Severus e negou com a cabeça — Não tem nada que dizer? Nada que explicar?

É necessário? —Perguntou com sorna, fechando os olhos enquanto investia com mais força.

Harry girou-se, não queria ver, mas se sentia incapaz de dar um passo. Não podia se afastar por seus próprios meios.

Severus viu como seu passado se corria no interior da garota, que agora reconhecia como Pansy Parkinson. A garota ria gustosa e o beijava no rosto, mas Severus sustentou-a e afastou-a um pouco de seu corpo, e caminhou em direção a Harry, com todo seu corpo nu e suado.

Desejo-te —Disse-lhe aspirando o aroma de sua nuca. — Quero ter-te.

Que? —Perguntou volteando-se — Como se atreve?

Vamos, Harry —disse-lhe sustentando-o da cintura —, não pode me deixar assim —lhe disse mordiscando seu pescoço.

Basta, deixa-me —disse-lhe afastando-o. —. É um maldito.

Não me fale assim, Harry —lhe disse acercando da mão, caindo contra seu corpo —, sei que te divertirá —lhe fez senhas ao outro jovem que se acercou e começou a manusear a Harry.

Não, pare, se detenham! —Disse ao ver que ambos começavam o tocar. — Severus, por favor! —Disse ao sentir como abria sua camisa inesperadamente — Severus, é importante, te rogo!

Não rogue, Harry, nunca o fizeste em meus braços, e Nicholas é muito complacente também.

Severus, estou esperando um bebê, um filho seu!

Isso pareceu deter a Severus, mas só foi para que seu rosto se transformasse em um de completa ira.

Como que estas esperando um bebê? Tenta-me enganar?

Severus…

Cala-te! —Disse-lhe esbofeteando-o. —Não me engane, Harry. Você não pode ter um filho meu.

Mas eu… —Disse o vendo com temor, cobrindo sua bochecha lastimada.

E se é assim —disse com ar aterrador —, não viverá por muito. —Arrojou a Harry contra o solo e se subiu sobre ele, tratando de lhe tirar a roupa. — Te farei meu, Harry. E se para valer esta esperando um engendro, este deixará de viver, eu tirarei de seu corpo com minhas investidas.

Por favor, Severus! —Disse tratando de afastar de seu corpo. —Não faça isto…

Disse que se calasse —o sustentou com força do pescoço —esse bebê não verá a luz.

Harry afogava-se, mas parecia resignado. Severus queria atacar-se a si mesmo, não podia achar que tudo isto estivesse passando, ou que passasse em retrospectiva. Mas então viu como Harry se apertava o ventre, ao que parece, e pelo punho apertada da mão de Severus, este acaba do golpear. Severus ia arremeter novamente contra ele, mas Harry lhe golpeou em suas partes nobres e o homem se retorceu de dor. Harry pôs-se de pé, com a dor refletida em seu rosto e correu fora do despacho. Severus seguiu lhe, só para o ver desaparecer de Hogwarts, depois de que Minerva lhe permitisse.

Severus saiu da cabeça de Harry e viu como este voltava a ter os olhos anegados em lágrimas.

— Foi suficiente lembrança para ti? —Perguntou-lhe antes de pôr-se de pé e afastar-se dele.

Severus tinha-se ficado um momento mais nesse lugar, para depois levantar-se e voltar a suas próprias habitações. Não tinha cara para olhar a Potter agora, e quiçá nunca.

Nota tradutor:

Mais um capitulo prontinho pra vocês, espero que gostem

Vejo vocês no próximo capitulo

Ate breve!