Capitulo dezoito: Nossos inícios

Harry caminhava pelo corredor que dava a seu dormitório. Não podia deixar de pensar no que viu essa noite e não achava que o esqueceria nunca. Tinha-se decidido a dar uma volta antes de ir à cama e Ron com Hermione estavam em suas coisas. Desde que fizeram-se noivos as coisas estavam levando-se de diferente forma. Era como se de um momento eles fossem dois e ele estivesse sozinho. Não que eles o excluíssem, mas sempre se sentia como mau terço quando eles chegavam a se pôr românticos. Queria a seus amigos, mas não pretendia estar presente a suas vidas para sempre. Ainda que o de hoje, certamente é dessas coisas que não compartilharia com ninguém, nem ainda que lhe prometessem que Voldemort deixaria de interferir em sua vida. E é que ver a Snape como nunca antes o tinha visto, não tinha preço.

Tinha tido que ir com ele para suas classes de Oclumência, claro, as coisas tivessem estado bem se não lhe tivesse dado por entrar ao despacho de Snape sem que este lhe autorizado. Após o que pareceram ser horas nesse frio lugar, completamente ridículo, por que só passaram uns quantos minutos, se decidiu por "bisbilhotar" por aí.

Tinha muitas coisas interessantes nesse lugar, desde artigos mágicos a livros, tanto de feitiços como muggle. Não lhe surpreendeu para nada que Snape tivesse uns contos de Edgar Alan Poe, mas o que se lhe surpreendeu foram umas novelas, que nem em seus mais loucos sonhos tivesse imaginado que o homem poderia interessar em um tema como esse.

Sentiu ruídos por trás de uma porta e assustou-se, seguramente Snape esta voltando e lhe encontraria bisbilhotando por assim, mas nada passou, o homem não apareceu depois da porta. E se tratava-se de um ladrão? Não, isso seria ridículo estando em Hogwarts. Um comensal infiltrado? Isso se que poderia passar. Acercou-se com cautela, sacando sua varinha em caso de ter que a ocupar, mas não se esperava que essa porta desse a um corredor. A curiosidade matava-o e deixou de lado essa vozinha em sua cabeça que lhe dizia que tinha que se retirar dantes de que as coisas se pusessem feias.

Tinha duas portas e baixo uma destas estava saindo vapor e não associou nada. Sua mente disse-lhe que quiçá se tratava de fogo. Snape poderia estar lá dentro, no meio de lamba-las e inconsciente? Ok, era negativo pensar assim, mas ultimamente estava pensando tudo da mesma maneira, de modo que tomando a maçaneta da porta a girou com cuidado, não fora a ser que para valer tinha fogo e se calcinara por salvar a esse gorduroso.

Abriu os olhos com assombro ao encontrar a fonte do vapor. Não era mais que água quente. Água quente que banhava o corpo de Snape, e corpo nu de Snape. As cores subiram-se lhe ao rosto e uma pulsada em seu baixo ventre deu-lhe mostra de que seu corpo hormonalmente revolucionado estava mais vivo que nunca. Absteve-se de gemer, mas não de olhar. Snape lavava seu cabelo afanosamente, mostras travessas gotas perdiam-se entre suas glúteos. Ficou colado vendo o traseiro nu e alvo de Snape, sentindo como se lhe fazia água a boca. E depois o melhor, Snape estava com os olhos fechados, enxaguando seu cabelo do excesso de shampoo. O pênis de Snape estava ereto. Merlin! Estava admirando ao homem como o trouxeram ao mundo e ele não era capaz de se mover.

Move-te, Harry!

A voz em sua cabeça desta vez soava evidentemente alarmada e foi o suficientemente clara como para o fazer retroceder com cuidado e ir fechando a porta devagar, para não ser detectado.

Regressou sobre seus passos e chegou novamente ao despacho de Snape, mas não ficou aí, não era capaz de fazer. Não poderia ver ao homem à cara neste momento, de modo que correndo deixou as masmorras.

Agora estava em sua habitação e não era capaz de deixar de pensar nesse sujeito, que era como um demônio quando lhe propunha, mas que escondia um corpo escultural baixo todo esse quilo de roupa negra.

— Que faz aqui, colega? —Perguntou-lhe Ron quando o viu deitado encima de sua cama — Não tinha que ir com Snape? —levantou uma sobrancelha ante a cara vermelha de seu colega de casa, mas não disse nada.

Harry já dormia, eram cerca das duas da manhã, quando uma sombra se deslizou pela habitação dos leões. Uma mão cobriu a boca de Harry e este abriu os olhos com terror, mas um sussurro no ouvido lhe fez deixar de brigar.

—Siga-me agora mesmo, Potter ou terá que dizer ao diretor e todo o corpo docente, que é o que fazia esta tarde em minhas habitações, e que fazia espiando-me enquanto me tomava um banho.

Harry sentiu suas bochechas arder, e estava seguro que Snape sentiu o calor ao ter ainda sua mão sobre sua boca, pelo que não pôde fazer mais que assentir.

Caminhou atrás de Snape pelos corredores já desertos do colégio, seguramente eram mais das doze da noite, por que não tinha nem sequer monitores por aí.

Quando chegaram ao despacho de Snape, seu rosto era uma verdadeira chama. Viu de relance a Snape e seus olhos cruzaram-se, pelo que baixou novamente a mirada e seguiu caminhado quando o professor lhe deu o passo ao despacho. Não se moveu de seu lugar junto à entrada, por se tinha que fugir?

—Professor eu…

—Ponhamos as coisas em ordem —disse caminhado ao redor do despacho —, entrou em meu despacho, sem que lhe tivesse autorizado ao fazer. Eis sua primeira falta —disse enumerando com categoria —, segundo; entrou em minhas habitações privadas sem autorização. Terceiro; atreveu-se a olhar enquanto eu me encontrava me dando um banho… e não se atreva ao negar, Potter —disse ao ver como este abria a boca com a intenção de rebater —sou espião, Potter, sei quando a gente se acerca e com as intenções que o fazem —disse se acercando — Poderia você dizer o mesmo? —Harry estava a cada vez mais pálido — Com que intenções ficou olhando, Potter?

—Eu não…

—Sim fez, não sei por que o trata de negar.

—Não estou o negando —disse levantando a cabeça por fim, grave erro, por que Snape estava quase ao lado seu e não podia se concentrar bem sem recordar a cena do banho.

—Deveria de aprender a mentir melhor, Potter —disse-lhe acercando a seu ouvido —, por que as coisas poderiam mal se interpretar.

Harry e Severus seguiam na cama, enquanto Harry relatava-lhe partes do que viveram no passado.

— De modo que tiveste seu momento voyeur? —Perguntou-lhe Severus acariciando os quadris de Harry.

—Foi incrível como esse momento mudou nossa vida para sempre —disse desfrutando das caricias —, desde esse momento estiveste metido em minha cabeça e te encarregaste de reforçar dia com dia.

— Ah sim? Por que?

—Ainda continuávamos com as classes de Oclumência, e a cada vez que podia se metia nessa lembrança e isso não fazia, mas que me envergonhar. —Disse olhando à cara, agora que podia o fazer, não perderia momento no dia de olhar esse rosto —, mas o melhor foi quando te confessaste.

— Eu? Acho que este mau, o sentimental aqui é você.

— Recorda? —Perguntou-lhe levantando uma sobrancelha.

—Não, mas imagino…

—Não imagine nada, me deixa te contar.

Harry estava preparado para uma nova prática com Severus, a cada dia era mais excitante, por que tinham uma espécie de atira e solta que o deixava quente por horas, mas não se atrevia a lhe dizer nada a esse misterioso homem que se encarregava de "lhe esquentar a sopa".[1]

— Este preparado? —perguntou-lhe ao ouvido, aparecendo por suas costas e assustando no processo.

—Por suposto que sim —respondeu ao desafio, sabendo ante mão que seria derrotado de todos modos.

—Veem —disse-lhe sustentando da mão, algo que não tinha feito nunca nesses meses de flerte mútuo.

Harry seguiu ao homem e viu que se dirigiam à mesma porta pela que entrou faz meses e se acercaram à porta do banheiro, as cores se lhe subiram ao rosto novamente e isso acarretou um riso nítido por parte de Severus.

—Não te ria —lhe pediu, mas isso nem sequer soou a rogo, era mas bem uma imploração em voz muito baixa.

—É que não entendo por que ainda se envergonha, se não pode evitar sacar de sua cabeça a cada vez que chegamos a esta lembrança.

—Será por que não quero o fazer —disse sem pensar e tarde se deu conta de que o tinha dito em voz alta —, eu sinto muito.

— Por que o sente? —Perguntou-lhe, enquanto punha-o em frente a ele, apoiado na porta —Tem tratado de negar o que sente por muito tempo.

—Por que não é correto.

— Quem o diz? —disse sorrindo de lado.

— Todo mundo? —Perguntou com ironia.

—Pois eu não digo isso —disse acercando a seu corpo e o abraçando —só espero que cresça rápido. —disse-lhe ao ouvido.

— Por que? —Perguntou embriagado com o aroma do corpo de Snape.

—Por que seria um delito o que te beijasse agora.

—Lembro que não me beijou até que regressei no ano seguinte. Estive muito mau pela morte de Sirius e você se encarregaste de que superasse sua perda de maneira magistral —lhe disse ao tempo em que deixava um beijo na base de seu pescoço —, posso dizer que vivi um muito bom namoro, pelo menos pelo tempo que durou.

—Quando passou tudo o de Parkinson —disse com voz assertiva.

—Não —lhe corrigiu —, foi quando parti a buscar as Horcrux com meus amigos. Tivemos que permanecer separados, enquanto você mantinha a Voldemort afastado de nós. Foram meses horríveis nos que só sentia falta sua presença. Até que voltámos ao colégio pelas Horcrux que estavam em Hogwarts, te busquei no colégio…

—E fiz-te o amor pela primeira vez—disse abrindo os olhos impressionado.

— Severus? —Perguntou, enquanto sentava-se na cama para ver à cara a seu amante — Pode recordar?

—Não é possível —disse se sentando também — Supõe-se que quando um recebe um Obliviate, não pode recuperar essas lembranças.

—Pode ser que… —disse tomando as precauções — E se a pessoa que te enfeitiço morre?

—Isso seria provável, somando a que eles não tinham o poder necessário para fazer um feitiço com tanto poder, mas Parkinson ainda esta viva.

— E está-o? —Perguntou duvidando do que ia dizer — E se foi condenada ao beijo?

— Por sequestrar-te e pôr a vida de nosso filho em perigo? Não o creio.

—Mas o ministério italiano pôde ter pedido a cabeça dela, recorda que eu trabalhava para eles, e o ataque em que me vi envolvido, também se viram envolvidos três Aurores mais que faleceram.

—Então….

—Parkinson está morta.

Ficaram novamente calados, a cada um metido em seu próprio mundo.

—Não posso o crer —disse deixado de cair na cama, e se levando a Harry com ele, que ficou novamente sobre seu peito —por fim pagará todo o que nos fez.

—Sim —disse perdido em suas lembranças, mas depois um sorriso travessa formou-se em seus lábios —, Por que não me conta que é o que recorda de nossa primeira vez?

Snape sorriu de lado, enquanto acercava a seu amante a seu corpo e fechando os olhos começava a contar sua versão dos fatos.

Severus sabia que estava no colégio, muitos rumores se tinham estendido pelos alunos e dava graças a que os Carrow não se tivessem inteirado ainda disso.

Tinha que seguir com seu papel, como diretor do colégio. Novamente tinham que pôr em perigo a seu companheiro. Desde faz meses que lhe tinha perdido o rastro, mas Narcisa lhe tinha confiado que eles três estiveram em sua casa, em qualidade de reféns, mas que tinham conseguido escapar com bem.

Saiu de seus pensamentos quando sentiu como a porta de seu despacho era aberta e voltou a se pôr seu mascara de indiferença, que caiu no mesmo instante em que viu à pessoa que entrava nesse momento.

—Harry —disse com voz agónica, enquanto caminhava ao encontro do jovem, que só fechou a porta inesperadamente e correu aos braços daquele homem.

—Oh, Severus. Não sabe quanto te precisei —lhe disse o abrasando.

—Eu também, meu amor —o afastou um pouco de seu corpo, mas só o necessário para poder beija-lo com fervor.

Entregaram-se a um beijo que almejavam com paixão, com loucura e desenfreio. Faz meses que não sabiam um do outro, se sabendo ambos em perigo de morte.

Harry abraçou-se a Severus com mais força que antes.

—Preciso-te, Severus. Juro-te que não é um capricho, mas preciso saber que fui seu antes de me enfrentar a ele. Quero saber que te tenho comigo, não só em minha mente, senão também em meu corpo.

E Severus não precisou ouvir nada mais. Morria-se por ter a Harry entre seus braços. De sentir sua pele quente. Percorrer com suas mãos a cada trecho de sua pele, tal e como o para agora, enquanto recostava a Harry no longo sofá que estava no despacho e o começava a despir. Ia beijando a cada espaço de pele que ia ficando ao descoberto, e se dedico a lamber e curar com seus lábios a cada marca ou cicatriz que tivesse em cima. Percorreu-lhe desde a em frente à ponta dos pés, beijando-o, venerando-o, fazendo-o gemer com seus caricias, sem deixar nada no esquecimento. Fez-lhe gritar quando chegou a seu ereto pênis e o meteu em sua boca, lhe dando a Harry sua primeira felação. Fazer correr em sua boca, enquanto seus dedos, betunados com líquidos seminais, iam alargando a pequena abertura de seu ânus, que agora se dilatava para receber a seu próprio membro. Fazer que se sustentasse dele com força e quando viu que podia se mover o fez saindo e entrando inesperadamente, rosando sua próstata e conseguindo que Harry gemesse e chorasse de alegria, de emoção, de se sentir um por fim, de sentir o encher por dentro quando o orgasmo lhes atacou e Severus ejaculo em seu interior.

Harry estava nas nuvens, não era capaz nem sequer de abrir os olhos. Nem de pronunciar palavra.

Severus não podia falar, sua garganta se secou pelos gemidos e sua respiração era errática, mas ia pausando-se pouco a pouco.

—Amo-te. —disse-lhe beijando-o, e depois abrasando contra seu corpo, ainda sem sacar seu membro macio de seu interior.

—Eu também te amo, Severus. —disse-lhe com os olhos banhados em lagrimas. —, não sabe o feliz que sou neste momento.

—Posso fazer-me uma ideia —disse tomando a mão do menor e pondo sobre seu coração —por que sinto o mesmo que você.

Quando Severus terminou seu relato já se encontrava novamente no interior de seu amante recuperado. A conversa subiu a temperatura de ambos e não foram capazes de reter seus impulsos. Precisavam-se, amavam-se, voltavam a recordar e agora eram capazes de lutar contra vento e maré por sua felicidade. O resto do mundo que esperasse. Tinham uma vida como família a qual desfrutar, e passariam uns quantos meses mais antes de que o mundo voltasse a escutar da família Snape Potter.

Fim

Então finalmente chegou o fim!

Vejo vocês nos reviews!

Até breve!