Quinn olhou longe o palco vazio e as grandes cortinas vermelhas do mais famoso teatro nova iorquino. Sam estava indo a Yale e nem tinha avisado a ela. Ele a tratava bem quando eles se encontravam, era cordial e carinhoso, como era com todos, mas era claro que nem aquela amizade entre os dois restava, mas uma condição de respeito. E ele tinha estado mais uma vez com Mercedes, lutando por ela. Ela corou e comprimiu os lábios. Claro, Mercedes não havia traído ele, ao contrário dela. Ela era bonita, talentosa e confiante de si mesma. Aceitara recomeçar sua carreira musical do zero porque confiava no próprio talento, enquanto ela teve de se sujeitar a namorar o babaca Biff McIntosh por ele ser um dos mais ricos e poderosos da universidade. E então voltou com Puck. Mas ele não merecia aquilo. Era um bom rapaz e havia mudado, mas agora eles moravam quilômetros de distância um do outro e, conhecendo Puck do jeito que ela conhecia, o relacionamento não duraria mais que alguns meses, então foi melhor terminar antes que depois fosse mais difícil. Se fosse para ser entre eles, então ficariam juntos quando se reencontrassem. O celular dela vibrou e ela olhou a mensagem que Blaine tinha enviado perguntando sobre o paradeiro dela. Ela suspirou. Teve vislumbres de Sam novamente, ele olhando todo bobo quando ela brincava com Stevie e Stacy no chão e quando os olhos deles se encontraram, ele baixava os olhos colocando o franjão que usava na época para esconder o rosto. Ela sorriu por dentro e por fora, fazendo um bico para conter um sorriso ainda maior e então voltara a correr atrás dos irmãos do garoto, se levantando de uma vez do chão.

O celular dela tocou e ela atendeu.

_LUUUUUUUUCCCCCCCCYYYYYYYYYYYYY – uma voz embriagada se esganiçou ao telefone – Por que diabos você não ta aqui com a gente, sua vagabunda? A CALOURADA CHEGOU HOJE, CADÊ VOCÊ PRA FESTA?

_Olá, Emily, boa noite – ela sorriu levemente pelo canto da boca – Desculpa, eu não podia deixar de vir ver a Rachel, hoje é um dia muito especial pra ela, eu já tinha faltado no dia da estreia dela então eu não podia deixa-la na mão, mas prometo que já estarei voltando amanhã.

_Sua puta – Emily xingou entre risos – me traga um chaveiro da estátua da liberdade ao menos! Te amo, sua vaca, beijos! – e desligou.

Ta aí uma bela amizade. Quinn se virou. Rachel estava nervosa, era seu retorno para os palcos depois que o seriado de TV dela havia dado errado, ela tinha que apoiar a amiga. Fora muita sorte e auto-humilhação ter sido aceita na Broadway novamente. Agora ela daria vida a Elphaba, a Wicked Witch, bruxa má do Oeste. Ela se adiantou e correu para o camarim. Kurt, Puck, Santana, Mercedes, Mike, Sr. Schue e Tina estavam lá. Mike, Tina e Mr. Schue haviam chegado aquela manhã. Puck passara 1/3 das férias no apartamento de Rachel, andando de cueca pra cima e pra baixo enquanto fazia seus exercícios físicos, Quinn achava que para provoca-la.

_Pessoal, muito obrigada por virem e me apoiarem apesar de tudo que acontecer, não sabem o quanto são importantes para mim. E desde que Finn se foi... – a voz dela tremeu.

_Ei, ei, nem inventa de chorar. O pessoal da maquiagem não passou horas te maquiando de verde pra você se borrar então faz o seguinte...vai lá e ARREBENTA! – disse Santana puxando a amiga para um abraço e todos ao redor fecharam a roda, desejando-a boas coisas.

Rachel respirou fundo e entrou. Quinn e os amigos seguiram para o camarote VIP, Quinn rastreando qualquer crítico que pudesse com os olhos.

_Está muito bonita, Quinn – comentou Puck, com aquele sorriso travesso de sempre no rosto. Quinn revirou os olhos e sorriu, apoiando o queixo na mão e olhando para frente.

_Obrigada, Puckerman, você também está – ela respondeu, o mais educadamente possível.

Em alguma metade de um ato, com o teatro lotado, e entre silvos e aplausos, Puck não parava de investir em Quinn.

_Puck... para, tá chato, já – retorquiu Quinn, empurrando o rosto dele que beijava o ombro dela.

Puck virou para o palco e riu da situação, coçando o nariz.

_Eu precisava saber – ele murmurou baixo, sem olhar pra ela.

_Do que está falando? – ela tirou relutantemente os olhos do meio da apresentação de Ding Dong! The Witch is Dead! e o olhou a luz refletir em seus olhos.

_Precisava saber se ainda gostava de mim, é disso que estou falando – ele completou.

_Pra que? – ela perguntou, arqueando as sobrancelhas, em dúvida. Não é como se fosse um campeonato ou coisa do tipo.

Puck apenas sorriu e levantou beijando a testa dela como se ela fosse uma criança de 5 anos. Que estranho. Mas ao menos ele tinha parado de corteja-la e quando as cortinas se fecharam para os atores se curvarem ao público, ela bateu palmas menos demoradamente que o público e seguiu ao camarim para dar os parabéns a Rachel. Deu dois toques na porta. Nada.

_Rach... – Quinn ficara feliz de não ter terminado de proferir o nome da amiga, porque ao canto do camarim semi-aberto ela e Puck se beijavam euforicamente entre risos e sorrisos. Uma Quinn boquiaberta deu um passo para trás e uma onda de raiva passou pela cabeça dela. Há quanto tempo aquilo estaria acontecendo? Já se passavam mais de 2 anos da morte de Finn, a loira pensava que Rachel ficaria em luto eterno. Aquilo era a resposta. Lembrou-se que eles haviam namorado vagamente no segundo ano e como tinham se dado bem. Aquilo seria uma traição a Finn? Seria uma traição a ela? Ela deu as costas e saiu, antes que pudesse ser vista quando a imprensa e os outros começassem a chegar.