Para Quinn fora meio difícil fingir que não havia visto nada no dia anterior. As imagens de Puck e Rachel se beijando ainda ressoavam na cabeça dela. Como eles se olhavam, como se beijavam, como ambos pareciam felizes. Ela não estava com raiva, mas tampouco entendia o que se passava em sua própria cabeça. Ela queria que ambos fossem felizes, mas as lembranças de Finn e Rachel juntos não saia da cabeça dela. Não sabia se era certo a namorada com o melhor amigo enquanto ele estava morto. Ela sacudiu a cabeça rapidamente e voltou a por os olhos na estrada. Quem era ela para julgar? Traia Finn com o melhor amigo enquanto este estava vivo, não era como se Puck e Rachel tivessem assassinado ele para viver aquele amor ou algo do tipo. Talvez ela só tivesse que amadurecer a ideia na própria cabeça. Ela seguiu pela Route 95, estava contente que New York ficasse a 1h30min de New Haven. Era bem mais rápido que as 10h30 que levava para ir a Lima visitar a mãe. Por sorte, Judy Fabray parecia estar querendo uma mudança para New York, já que o novo namorado havia expandido os negócios para lá, isso a livraria de pisar em Lima por um bom tempo.

Voltar a mansão da Kappa Kappa Gamma, sua irmandadade, era um alívio. Os símbolos gregos ΚΚΓ escritos na fachada a faziam se sentir em casa, ela sentia que pertencia aquele lugar. Irmandade(sorority) era o nome dado para as fraternidades compostas apenas por mulheres. Fraternidade(fraternities) eram apenas de cunho masculino, embora fraternidades mistas tivessem surgido com o tempo.

A enorme mansão era digna dos filmes hollywoodianos como em "Legalmente Loira". Quinn particularmente achava que a decoração do filme ainda era pobre comparada aquela. A mansão possuía pilastras gregas logo na entrada ostentando ainda mais o que já se tinha uma ideia por fora. O símbolo da irmandade, uma chave, era orgulhosamente estampado por volta da casa com um grande placa bordada com o nome do grupo. O chão de mármore era xadrez e possui várias réplicas de estátuas gregas e quadros de autores famosos. O brasão emoldurado logo para quem entrar ver, em azul marinho e azul claro, com uma coruja nos arcos inferiores.

Os três andares da casa possuíam quartos para singles, ou seja, nada de dividir quartos. E todos eles eram disputadíssimos assim que uma aluna se formava, havia uma disputa para aquele lugar, nem todas teriam o privilégio de estarem ali. Não tinha nada como ser uma Kappa de Yale. As Kappas eram, geralmente, as mais populares e desejadas do campus. Elas ocupavam grande parte das posições de destaque, eram as cheerleaders, as presidentes de conselhos, as mais inteligentes da sala e as mais bonitas. Era também o lar das filhas das pessoas mais influentes do país. Quinn não só tivera sorte de estar ali, tinha se esforçado ao máximo para ser notada naquele lugar. Era fácil uma das melhores da turma, e era mais uma vez a capitã das cheerleaders de Yale.

Ela nem pisara no seu alojamento oficial, o Ezra Stiles, seu despontamento inicial como caloura a alavancara, e namorar Biff McIntosh, membro mais famoso do Delta Kappa Epsilon, uma das mais tradicionais fraternidades não só da faculdade, como dos Estados Unidos. O ΔΚΕ ou simplesmente DKE (ou ainda Deke) era o correspondente masculino do KKG(Kappa Kappa Gamma). Seus membros eram os filhos da mais alta sociedade, jogadores e estrelas do time de futebol americano, do time de basquete, os líderes de qualquer grupo, os namorados das Kappas. O Deke não só tinha construído parte da história da universidade, mas os nomes das figuras públicas tinham simplesmente 5 ex-presidentes americanos, isso sem falar nos políticos, homens de negócios e esportistas famosos. Biff era filho de um dos empresários mais importantes do país, cursava administração e herdaria a McIntosh Association. Ela nem precisou correr atrás dele, Biff a bajulara desde que pôs os olhos nela, apesar de que depois do namoro firmado todo aquele amor parecia ter passado. Mas era bom ser namorada dele, os garotos a respeitavam quando ela passava, as outras irmandades a admiravam e até os professores a olhavam diferente. Quando ela competiu por sua vaga entre as cheerleader de Yale, desbancou direto Rosario Cruz, mão direita e melhor amiga de Emily Stark, e conquistou seu posto como head cheerleader.

Rosario Cruz era mexicana. Mas o que você imagina sobre o povo mexicano? Para a maioria dos norte-americanos, qualquer latino tinha a aparência de índio, a pele avermelhada, os olhos pequenos de cor negra. Rosario era sim mexicana, mas era todo o oposto a essa regra. Ela tinha os cabelos loiro-acizentado e grandes olhos azuis-cinzento que viviam esfumados. Era o tipo de beleza que as estrelas latinas Thalía e Anahí tinham. Rosario era o tipo de menina que tinha tudo para ser fútil, mas era muito mais séria e reservada que aparentava. Ela e Emily se conheciam desde pequenas e suas famílias eram amigas não por algum tempo, mas por gerações.

Os Stark tinham raízes escocesas e eram uma família influente e poderosa. Emily cursava o segundo ano de direito, a família dela era dona do mais prestigiado escritório de advocacia do país. Seu pai, Edward Stark, era juiz e seus dois irmãos mais velhos, Robbie e John, promotores. Emily era a praticamente a Regina George da vida real. Ela podia fazer o que quisesse, com quem quisesse, e os pais não a puniriam. Diferente da mãe de Rosario, a chef Camila Cruz, dona Katherine Stark, ou Kate, como gostava de ser chamada, era uma dondoca preocupada apenas com moda e viagens. Quinn achava que ela teria um grande futuro como estilista, mas a peruagem dela não a deixava trabalhar.

Quinn subiu a pomposa escada que levava ao segundo andar e tocou duas vezes na porta do quarto da garota Stark, que era ao lado do dela.

_Emily?

Nada.

Quinn se atrevera a entrar, aliás estava sendo até muito educada já que a mesma nem bater a porta batia. Por pouco ela não a pegara olhando as fotos de Sam no computador e reclamando da vida enquanto ouvia "All by myself".

_Amiga, cheguei, só queria que soubesse

_AAAaaaah fecha essa porta,Lucy – balbuciou a ruiva e Quinn imediatamente entendeu e fechou a porta. Noite de porre.

_Você não tem jeito – disse Quinn em um muxoxo -_Vou te trazer um café.

_Não,não...aaai – disse a amiga levantando a cabeça mas voltando a cama quase que de imediato -_Rosa já me trouxe, fica um pouco comigo...

Quinn deitou ao lado da garota e passou as mãos pelos cabelos dela.

_Está fedendo a tabaco – disse Quinn entre sorrisos -_mas está mais bonito que quando lavado.

_Ah, cala a boca – Emily resmungou, com a mão tapando os dois olhos para evitar a mínima luz que escapava da cortina estilo blackout - _Sabe, levei o primeiro fora da minha vida ontem... mas tava bêbada então se encontrar com ele vou fingir que não lembro.

_E você ao menos sabe o nome desse? Digo, você não é muito de perguntar nomes – pontuou Quinn.

_Acho que era... Sean Edwards, algo assim...ele realmente me atrai, vou investir nele – ela falou, decidida.

Quando Emily colocava algo na cabeça ela simplesmente conseguia. Quinn não sabia se aquilo estava ligado ao fato de ela simplesmente ter tudo que queria, seja pelos pais, pelos irmãos ou até por terceiros.

Uma batida na porta.

_Oi,Emily... Quinn! Que bom que está de volta, fez falta ontem. Escutem, Maddie tá chamando todo mundo lá embaixo, parece que é importante – disse Rosario, abrindo a porta para as meninas saírem.

Quinn estava grata de Rosa estar ali, ainda que Emily fosse extremamente magra era bem alta e, ainda que não fossem visíveis sob as roupas, tinha músculos cultivados pelos treinos incessantes de tênis. As duas guincharam Emily até o sofá antes que Maddie pudesse notar, com tantas garotas ao redor.

Maddie era o apelido para Madeleine Waldorf-Astoria, herdeira da rede de hotéis mais luxuosa de Manhattam. Maddie era sênior, o que significava que aquele era o último ano dela na faculdade. Ela tinha cabelos ondulados um palmo abaixo das orelhas e nunca deixava de usar acessórios na cabeça. Ela era a atual líder das Kappas, as meninas gostavam dela e a admiravam por ela ser alguém muito humilde mesmo que tivesse mais dinheiro que muitas das garotas ali. Ao contrário da precessora, que escolhia as garotas por beleza, Madeleine se empenhava em escolhe-las pelo esforço e um conjunto de fatores que não envolviam beleza. Ela dizia que todas poderiam ser uma Kappa, ajudava as menos favorecidas com tratos de beleza e até doava algumas de suas roupas caríssimas para elas. Maddie também tinha uma gatinha persa branca chamada Madame Tiberaux, que era mais gorda do que deveria ser.

_Meninas, como sabem é meu último ano em Yale. Conversei com papai e acredito que ano que vem eu vá fazer pós em Paris. Reuni vocês para anunciar que a nova líder já está em minha mente mas...

_Mas? – acompanharam as meninas em uníssono e Maddie riu.

_Se esforcem, eu estou observando vocês e tenho uma indicada de cada ano, mas lembrem que, dependendo de seus esforços, tudo pode mudar. Emily Stark, Quinn Fabray. Por enquanto está entre vocês.

N/A: A história é totalmente fictícia e portanto qualquer semelhança é mera coincidência. Os personagens principais são da série Glee e portanto a FOX tem todos os direitos, ainda que o resto sejam personagens criados por mim.
As fraternidades e irmandades existem e os nomes delas são reais, mas seus membros são totalmente ficticios.