Quando Quinn enfim estacionara seu new beetle vermelho, notou que o conversível branco de Emily Stark ocupava pelo menos 2 vagas. Não sabia o quanto ela havia visto, mas de fato nada tinha acontecido. Mentiria até o final e se fosse preciso, mentiria antes, durante e depois.

Quinn subiu as escadas apressada, aquela conversa não poderia esperar, sabia muito bem que a tendência era piorar e Emily não era exatamente do tipo que relevava nada. Jogaria aquilo na cara dela mais cedo ou mais tarde, no maior estilo drama queen, traída e abandonada, isso se não acrescentasse o que nunca havia existido.

A ruiva a esperava escorada na porta do próprio quarto, os olhos azuis-gelo fulminantes.

_Que bom que ainda está acordada – disse Quinn, aproximando-se devagar, sem deixar de sustentar o olhar da patricinha. Uma vez que se deixar ser intimidada por Emily Stark, ela monta em cima de você. Portanto, en garde!

_Você me diz uma coisa, Lucy Caboosey, mas faz outra...como pode me trair? Perguntei pra você sobre ele... menti por você, até mandei meus subordinados descolarem carteiras falsas pra você e sua namoradinha de Lima! – ela estava furiosa, andava de um lado para o outro de braços cruzados, o vestido curtíssimo que ela usaria no abate de Sam subindo a cada puxada de ar que ela tomava.

_Ems, eu não sei o que você viu, mas seja lá o que for, não foi nada – Quinn respondeu tranquilamente, engolindo o ímpeto de voar em cima dela para que ela entalasse com esse Lucy Caboosey.

Emily virou de chofre e a encarou com um sorriso irônico nos lábios avermelhados por um de seus milhares batons MAC.

_Vi você beijando ele, ninguém me falou, eu vi.

_Não – Quinn balançou a cabeça negativamente, que burra pensar que aquela vergonha morreria com ela e Sam – você deve ter olhando de um ângulo errado, beijei a bochecha dele em agradecimento dele ter me acompanhado até meu carro aquele horário. Lembra que eu te falei que eu e ele tínhamos namorado? Traí ele, ele só me suporta...juro.

Um silêncio se perpetuou enquanto ela sustentou outro olhar de cachorro molhado para a amiga, esperando que ela engolisse aquela balela toda.

_AAaaai amiga, tá tão difícil – Emily desmontou abraçando a loira forte.

Quinn retribuiu o abraço suspirando de alívio. Pelo menos ela sabia que seu futuro como atriz seria brilhante.

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Sam não estava nem um pouco afim de ir aquela festa, mas o faria por apoio a Quinn e o lançamento da candidatura dela a sucessora da irmandade, ou seja lá o que aquilo fosse, parecia significar muito para ela. Como deveria se arrumar para uma festa daquela? Ele olhou o convite que Emily havia lhe dado, só constava o endereço, senha e um pequeno mapa ensinando o lugar da festa. Era um convite simples em várias tonalidades de azul, com um selo dourado do grupo.

Blaine saira do banheiro, ele rolava a escova pelo cabelo freneticamente. Achava que ficava com ele armado, mas na opinião de Sam ficava muito melhor daquele jeito. E o amigo parecia ter seguido o conselho de Quinn, vestia calças jeans e um cardigan vinho, nada de gravata borboleta ou gel. E aquilo parecia incomoda-lo.

_Cara, para com isso, tá parecendo a Srta. Pillsbury – Sam falou, terminando de colocar o cinto em sua jeans.

_O que a gente não faz por amizade – Blaine riu pelo canto da boca, continuando a passar a escova pelo cabelo enquanto se olhava no espelho vertical - _Não se estressa escolhendo roupa, é uma festa de faculdade, é capaz de chegarmos e a maioria já estar nua.

Sam sorriu, esperando que fosse verdade. Vestia uma camisa simples cinzenta e mais um casaco de couro preto por cima, o outono podia surpreender em questões climáticas.

Os dois chegaram em minutos no Honda Captiva de Blaine, Sam logo reconheceu os carros de Quinn e Emily estacionados perto um do outro. O som alto rugia "Problem" de Ariana Grande pelo bairro e dois grandes homens de terno preto inteiravam a imagem da suntuosa mansão Kappa.

_Boa noite... – disse Sam, retirando a senha e entregando ao segurança negro, que estava mais próximo. Ele passou uma pequena máquina com um tipo de código de barras e devolveu-o a Sam -_Não o perca .

Ele mal havia colocado um pé na enorme sala de estar quando Emily surgiu, sabe-se lá da onde, com um copo vermelho na mão. O vestido dela era mais colado e mais curto do que deveria ser para aquela estação do ano, mas ela não parecia sentir frio quando jogou os braços por volta da nuca de Sam e beijou os lábios do garoto.

_Wow,wow,wow – Sam afastou o rosto do dela, a encarando – o que foi isso?

_Foi só um convite de boas-vindas, Sam Evans, não gostou? – ela piscou para ele, colocando os dedos nos próprios lábios enquanto o encarava.

_Emily, já falei pra pegar leve na bebida – uma garota branquinha de cabelo curtos se aproximou, lançando a Emily um olhar de reprovação -_Oi, eu sou Madeleine Waldorf-Astoria

_Samuel Evans – ele apertou a mão dela -_E esse é meu amigo, Blaine Anderson, somos calouros.

_Hmm calouros, é? Acredito que Emily deve ter tido um motivo especial para convida-los – ela falou, voltando a olhar a ruiva -_Digo, ela não costuma ser simpática com calouros.

_Pra sua informação, Veterana Maddie, eles são convidados da Lucy, estudaram com ela no preparatório.

_Ah, sim, então sejam realmente bem vindos – ela sorriu para os dois - _Falando nela, não a vejo há um bom tempo, ela já deveria estar aqui, o brinde oficial da candidatura dela está marcado para as 9. Emily?

_Vim lá de cima nesse instante, ela não tá la.

_Então me deem licença, vou procura-la, fiquem a vontade, qualquer coisa que quiserem estarei por aí.

Era uma garota realmente simpática, Blaine e ele acenaram com a cabeça quando ela saíra em direção a um grupo de meninas que ameaçavam jogar umas as outras na piscina.

_Sam, vem, quero te mostrar algo no meu quarto, é uma bola autografada pelo Tom Brady... Blaine, parece que estão precisando de um vocalista pra banda, ele não pode vir... – Emily falava, parando brevemente para tomar ar. Como se Sam fosse cair nessa. Ele se desvencilhou da garota e se virou para seguir Blaine, mas o amigo já estava rodeado por garotas da fraternidade, que o alçaram ao palco com um microfone na mão. Poucas estratégias era tão boas como aquela. Blaine desatara a cantar os primeiros trechos de Pompeii praticamente na mesma hora que pegou o microfone.

Sam nem entendera como chegara ao segundo andar com a ruiva o puxando pelo braço. Ela tagarelava sem parar sobre jogadores de futebol americano e esportes. Mudava de assunto e adicionava um a outro com uma velocidade impressionante.

_Então, o que achou? – ela entregou a bola de futebol americano assinada pelo astro do Patriots a Sam, que a examinou com os olhos brilhando.

_É incrível – ele girou a bola com os dedos e examinou a bola, tendo cuidado para não esfregar os dedos na assinatura do astro - _Como conseguiu?

_Meu irmão Robbie conheceu ele em uma festa e ficaram amigos, desde então ele vai pra algumas festas da nossa família...se gostou tanto pode ficar.

_Sério? – ele segurou a bola antes que ela caísse pelo espanto – Stark, isso representaria muito pra mim, não sei se posso...

_Shh – Emily o calou, beijando os lábios do garoto - _Me chame só de Emily, vamos, não precisa ser tímido.

Sam cedeu. Um presente tão precioso... não custava nada ficar com uma garota bonita como Emily, ainda que ele não gostasse de garotas atiradas e desesperadas como ela. Ele a beijou e puxou os lábios dela, que pressionou o corpo contra o dele, empurrando-o para a cama. Ela não era exatamente uma garota recatada e deixou isso bem claro quando passou as mãos por cima do volume das calças dele. Ele nem havia ficado excitado ainda quando ouviu uma voz embargada gritar algo próximo a eles.

Uma estalada forte na parede ecoou. Sam levantou o peitoral, se ele não conhecesse perfeitamente aquela voz poderia ficar ali a noite inteira. Aquela só podia ser a versão alcoolizada de uma garota que se revoltava com tudo e todos quando bebia: