Ok, Festival de Outono, alguns treinos e jogos com os bulldogs, o time de futebol americano de Yale, tempo para namorar e sair com os amigos, onde Sam Evans arranjaria tempo para dar conta de tudo isso? Não que fosse extremamente impossível já que seu amigo Kurt Hummel tinha tempo para trabalhar no café, ser assistente de moda, fazer caridade em um asilo, estudar em NYADA, namorar e ainda ter tempo para dar um pulo em Lima. Só era a primeira semana que o loiro havia se comprometido com tudo isso, mas só agora parecia cair na real. Jesus, estava sofrendo como uma mulherzinha chorona e mimada.

_Evans! – a voz grave do Senhor Tanner reverberou pela sala em estilo teatro grego, assim como eram a grande maioria das aulas da faculdade e só então Sam percebeu que babava em cima da apostila de Sociologia Básica -_Acredito que pode nos enumerar as raízes da sociologia indiana? Parece... interessado em informar seus colegas.

O quão ruim é acordar de repente? Ainda mais com 100 curiosos olhares te perfurando? Sam mal gostava de olhar os próprios amigos ou familiares acordando em casa, quanto mais daquele jeito.

_Er... talvez os pobres descendentes de Gandhi...

_Com licença, Senhor Tanner – disse o gongo entrando pela porta, os cabelos loiros resplandecentes a luz forte da sala -_O técnico Kerr exige a presença do aluno Samuel Evans no Yale Bowl.

_A Emily acha que eu sou idiota? – disse Sam colocando as mãos nos bolsos -_Já é a quinta vez que eu tô pra me ferrar em alguma coisa e alguém interfere – ele andava na frente de Rosario, com um tom emburrado na voz - _As pessoas estão começando a tirar sarro, todo mundo sabe do que a rainha de Yale é capaz por aqui.

Rosario acelerou o passo, se postando a frente de Sam assim que conseguiu.

_Não vou deixar você falar mal da Emily. Não quando ela faz de tudo por você – ela fitou os olhos deles sem desviar por um tempo, as mãos nos quadris de maneira vil. Sam se perguntou se aquilo era o comportamento normal das cheerleaders - _E só para que saiba, isso não tem nada a ver com ela, o técnico Kerr realmente lhe chamou – ela se retirou, lançando a ele um último olhar de desprezo antes de se dirigir até as cheerios.

Sam notou que Quinn estava lá, os agora enigmáticos olhos avelãs da garota pareciam opacos olhando o ex-namorado Biff ser levado na maca enquanto tinha o braço imobilizado. Os outros rapazes olhavam atônicos vendo seu líder ser arrastado para o pronto-socorro.

_EVANS! Está com sorte garoto, vai disputar o primeiro campeonato universitário no final do mês. McIntosh está com o braço quebrado, Deus sabe se um dia ele vai poder jogar como jogava.

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"Eu sou Emily Stark. Todos sabem disso, os calouros que a pouco entraram, os veteranos que, mesmo mais adiantados que eu, se curvam aos meus pés e até os mais intolerantes professores tremem ao meu sobrenome. Mas é claro que eu me aproveito disso. Não digam que sou má por me usar dessa vantagem. Eu não sou diabólica como cantam por aí, eu só tenho alguns... medos, daí eu uso meu lado mais detestável para me defender e, sim, e é nessa hora que me uso mais do meu nome. Admito, é insuportável.

Mas faz pouco mais de 2 meses que eu e Sam estamos namorando. Rosa já me perguntou por que me submeto a namorar com ele sabendo que ele sente algo pela Lucy e não quer admitir para si mesmo. Eu sei disso, eu já admiti pra ela, mas Sam foi o primeiro que não se importou com esse sobrenome ao qual eu e tantos outros damos tanto valor. Foi o primeiro que além de ignorar meu sobrenome, ignorou meu corpo, meu poder, minha sedução e minha beleza. Ele não gosta quando eu mando meus subordinados ficarem de olho nele, ainda que eu o faça para protege-lo. Eu nem sei como ele aceitou namorar comigo, mas eu rezo todos os dias para que ele aprenda a me amar de volta. Acredito que ele pode aprender com o tempo.

Eu sei como um calouro pode penar nesse lugar. Posso explorar minhas minions, como Jenny e Vivian, mas é o preço que tomei delas para que sejam alguém nessa selva. Eu as critico e peço o dobro delas, porque quero que elas deem o máximo de si e sejam notadas por seus próprios méritos.

Eu não entrei por próprio mérito nessa faculdade. Sou uma aluna mediana, tive meus altos e baixos na escola, e minha média no SAT não me colocaria em uma universidade do nível de Yale. Todas as vezes que vou para casa vejo isso subtendido na cara do meu pai. Meus irmãos Robbie e John entraram com os mais honráveis méritos. Extremamentes bons em tudo que fazem, tem um currículo impressionante e habilidades em toda área em que os ponham para atuar. Minha mãe não se importa, ela nunca teve que trabalhar na vida, contanto que o cartão dela tenha créditos. Talvez por isso papai e ela tenham uma relação terrível e ele não acredita que eu possa ter mérito em algo que eu faça por próprio punho.

Eu não sou a melhor da sala, mas me esforço, talvez esteja entre os melhores entre meus amigos. Mas custa muito sustentar um espaço entre os melhores estando envolvida em tantas atividades extracurriculares. Eu gosto de ter meu espaço, de curtir, de festa e viver também. Será que isso é tão ruim? É um crime? Eu não sei como a Lucy consegue. Eu a invejo em tantos aspectos... óbvio que ela nunca saberá. Não estou sendo desprezível com ela só por causa do Sam. Ele é parte disso, claro, como diz Maquiavel, se não tem alguém que te ame, os faça te temer. Me candidatar a liderança das Kappas poderia mostrar a meu pai a capacidade de liderança em um grupo importante, já que ele considera as feministas de Yale um bando de mulheres gordas desocupadas lutando por algo sem importância.

Ao mesmo tempo eu não queria ter traído a confiança de alguém que considero tão amiga como Lucy. Eu realmente a estimo, eu aprecio a amizade leal e importante dela. Todos gostam dela, principalmente os que me odeiam. Ela seria alguém que uniria todas as tribos estando no poder e isso seria ótimo por um lado mas por outro..."

_Ems, com licença... – a ruiva vou arrancada dos pensamentos de seu tumblr privado quando Rosario entrou, ainda de uniforme das cheerios - _já sabe do que aconteceu com o Biff?

Ela sorriu. Rosario era alguém em que ela confiava cegamente, a única que conhecia até suas entranhas e saberia o que ela estava pensando mesmo antes de tentar decifrar o rosto dela.

_Eu te amo, Rosa – Emily falou abraçando a amiga e aninhando o rosto no ombro da garota. Nada como uma fofoca para alegrar um súbito desânimo dela. Era o bastante para reanima-la e faze-la voltar a ser a megera vagabunda de sempre.