Vitória! Quinn levou as mãos a boca tapando um enorme sorriso quando leu seu nome escrito no mural. Ela seria Julieta Capuleto na reencenação de Romeu&Julieta! Sua primeira protagonista! Os outros alunos deram tapinhas nas costas dela, que agradecia com um largo sorriso e vários "obrigada". Ela percorreu os olhos, com ajuda do indicador, a procura de seu Romeu.
_Jason Scott? Quem é Jason Scott? – Quinn perguntou em voz alta, olhando para os lados. Estava ali há um ano, mas conhecia a maioria dos estudantes. Se fosse um sophomore, como ela, ela saberia. Conhecia todos de seu ano e os veteranos mais famosos, aqueles que conseguiram papéis em musicais famosos como a Broadway.
_Eu sou Jason Scott – disse um rapaz alto pouco mais distante do grupinho que acompanhava o mural. Ele era realmente alto, talvez uns 3 ou 4 centímetros menor que Finn. Tinha os cabelos e olhos muito negros e seu semblante parecia muito sério, como se tivesse ganhado o papel de algum figurante na peça.
_Sempai Scott – uma garota de descendência japonesa chamada Sakura murmurou -_Não sabíamos que havia voltado da New York Film Academy, seja bem-vindo. (Sempai = pronome de respeito usado por alunos mais novos em respeito aos alunos mais velhos)
Jason baixou a cabeça para a garota em sinal de agradecimento. Ele segurava a mochila entreaberta com dois grossos livros dentro. Ele passou-a para o ombro direito como se fosse uma bola de praia e Quinn pode notar como ele era musculoso. Poderia entrar fácil em qualquer time que exigisse grande esforço físico. Ele passou pelos alunos sem encara-los, enquanto todos abriam espaço para ele passar.
_Você deve ser Quinn Fabray, é um prazer – ele estendeu a mão, respeitosamente, a qual Quinn apertou de leve -_Deve ser talentosa...ou a Srta. Lefreve não arriscaria pôr uma secundanista em um papel de protagonista. Meus parabéns.
_Obrigada, Romeu, creio que nos veremos muito até a apresentação da peça nas festividades de Natal – Quinn falou sorrindo, mas não obteve o mesmo gesto.
_Claro – disse ele tirando um post it e uma caneta do bolso da frente da mochila e anotando nele -_Olhe, este é o meu número. Gosto de me entrosar com parceiros de cena e, faremos par romântico, não? Não hesite em me ligar, precisamos começar o laboratório o mais rápido possível. Te vejo por aí.
Os outros alunos começaram o burburinho logo após a saída do rapaz. Quinn olhou para os lados. Parecia desinformada em meio aos cochichos.
_Com licença, alguém pode me dizer o que ta acontecendo? – ela disse puxando Sakura pela mão.
_Jason é uma das pessoas mais misteriosas desse curso. Ele nunca ri, nunca chora, nunca expressa emoção alguma...achávamos que ele era um robô até o vermos em cena. Não foi a toa que ele ganhou o intercâmbio para o NY Film Academy. Confie em mim, ele é genial.
_Poupe-me a encheção de linguiça, Sakura, qual é o motivo das fofocas paralelas?
_Desde que ele chegou nunca fez amigos, não entra em nenhum clube ou fala com alguém. Ele falou com você. Ok, não foi grande coisa mas para ele é algo. Talvez NYC tenha mudado ele um pouco.
Quinn continuou observando-a sem entender o ponto.
_Quero dizer, ele é lindo, as garotas morrem pela atenção dele... achamos que ele era gay, mas aí ele rejeitou qualquer interação com garotos também, recusou as propostas de todos os clubes esportivos da faculdade e nunca foi visto numa festa.
_Por que eu nunca ouvi falar dele? – retrucou Quinn, impertinente.
_Ele ganhou a bolsa logo no primeiro ano do curso, ficou meses com a gente, é realmente uma descoberta. – ela observou Quinn e pós a mão no queixo, pensativa -_O que faria um prodígio voltar e rejeitar o resto da bolsa?
Quinn flexionou a mandíbula contra a maxila e fez o conhecido bico pela qual era conhecida. Intrigante. Ela ajeitou a bolsa e decidiu ir a mansão do Deke ver Biff. Em seu new beetle vermelho ela titubeou os dedos pelo volante, tentando pensar se deveria aceitar a proposta constante do ex e voltar com ele. A popularidade de Biff a colocaria fácil em pé de uma briga justa com Emily mas ao mesmo tempo... deveria ela se submeter a namorar o idiota que Biff um dia fora com ela? Talvez ele tivesse mudado, já fazia um ano desde o término deles com Puck jogando-o no container de lixo. Mas, bem, PUCK tinha mudado... por que não ele também?
Ela estacionou pouco distante da casa e passou pelos carrões importados dos garotos, sem se importar muito de verdade com todo aquele luxo. A mansão do DKE lembrava a das Kappas com estilo arquitetônico grego adornado de pilastras e o símbolo da fraternidade, um brasão com cores azul, cinza, vermelho e amarelo e o lema o qual nunca Quinn tinha parado para ler, "Amigos do Coração, Para Sempre". Gay, ela pensou antes de tocar a portinha branca localizada exatamente ao meio do casarão de lajotas vermelho-alaranjadas.
_Srta. Fabray, quanto tempo! – Lady Helga havia atendido a porta. Ela era a governanta do Deke, uma senhora alemã de 50 e tantos anos por quem Quinn tinha muito apreço. Ela sempre contava a garota sobre as festas "secretas" que os garotos resolviam dar. Biff poderia ter sido escroto com ela, mas ao menos traição não parecia constar na lista daquele namoro fracassado, segundo as espionagens da senhora. -_Helga, me perdoe, estou em falta com você, estive muito atarefada esse semestre pra dar um pulo aqui e...meu namoro com Biff não terminou muito bem, como você bem sabe – ela abraçou a pequena e rechonchuda senhora, depositando um simbólico beijinho no rosto dela.
_É por isso que o whatsapp e o facebook estão aí, senhorita Fabray, para nos aproximar, aliás, parabéns pelo papel, vai ser uma brilhante Julieta – ela retrucou com um pesado sotaque, o que fez Quinn rir, junto ao fato que mal a mãe dela, Judy, sabia usar aquelas redes sociais mas nada que a engajada governanta do Deke não soubesse -_O Sr. McIntosh ainda está acamado, mas os garotos tem se esforçado para mante-lo a par de seus estudos...ah, mas suba, tenho certeza que ele ficará encantado em ve-la. Vou preparar um chá e levar...
_Obrigada, Helga, pretendo ser rápida, só vim ver como Biff está – ela respondeu antes que a adorável senhora a entretesse tempo o suficiente para convence-la a ficar mais.
Quinn subiu as escadas pausadamente, a mansão parecia desabitada aquela hora. Era exatamente meio dia e meia e os rapazes deveriam estar almoçando na cozinha. Escolher aquele horário havia sido proposital, não queria terceiros sabendo que ela esteve ali, pensando se deveria ou não voltar com o ex namorado por motivos não muito nobres, mas ela estava desesperada depois do desastre sobre sua candidatura.
Ao colocar o pé no primeiro andar um gemido fez as orelhas dela se levantarem como as de um cachorro de raça doberman. Ela olhou para os dois lados. Os corredores lisos não davam a ela uma cobertura para espionar. Não que ela tivesse com esse intuito, mas a curiosidade a sugava. Com quem ele estaria tendo aquela aventura sexual? Precisava saber antes de jogar o verde em alguma conversa com ele. Os gemidos aumentavam e diminuíam descompassadamente. Ela correu até o quarto que percebeu estar vago, ao lado do de Biff, e colocou a orelha na parede. Por um momento pensou que talvez um copo de vidro fizesse diferença.
_Você precisa ir antes que subam, podem desconfiar – ela ouviu a voz abafada de Biff falar, relaxado -_Vou te elevar ao topo da casta nessa faculdade, veja a próxima jogada... agora vá.
Quinn arregalou os olhos e se arrastou para a ponta da cama, onde poderia se esconder caso a vadia que chupava Biff passasse para dar uma vistoria antes de ir. Ela ouviu a porta abrir e fechar e esperou os passos se distanciarem para que ela pudesse correr em passos mudos até a porta e flagrar a garota, mas falhou ao ouvir as vozes de outros rapazes subindo as escadas. Ela deu meia-volta e se apoiou na parede, respirando fundo, e então voltou-se a porta fechada do garoto McIntosh.
E enfim deu três toque na porta do garoto.
_Biff? – ela forçou um sorriso, entrando no quarto enquanto ele ajeitava as calças deitado na cama.
_Quinn – ele sorriu imediatamente – Sabia que viria uma hora ou outra, estive te esperando.
E como! Ela pensou, fingindo um sorriso maior que o do Chesire Cat, de Alice no País das Maravilhas. Adorava saber a verdade quando sabia que alguém estava mentindo.
_Vim saber como você está – ela disse alisando o braço bom do rapaz, de maneira suave – Fiquei preocupada com você.
_Tenho certeza que fizeram isso pra me tirar do campeonato, aquele Evans, o novato... nenhum dos meus faria isso comigo, eles me adoram. Tenho certeza que foi ele, não confio naquela cara de anjo.
_Você não conhece o Sam, ele nunca faria isso – replicou Quinn no mesmo instante, enrijecendo na cama.
_Está defendendo o ex que está com sua dita grande amiga? Quinn... ambos sabemos como Emily é traiçoeira e pouco confiável, caso contrário por que ela roubaria seus holofotes na festa das Kappas?
_Você estava lá? – ela arqueou a sombrancelha direita.
_Não, mas eu lidero o Deke, então eu tenho que saber de tudo – ele estufou o peito enquanto falava, amava repetir aquilo – Quinn eu posso te ajudar, tem que me dar outra chance... – ele falou se aproximando dela. Encostou o rosto na lateral do dela e puxou o queixo da garota em sua direção. Droga, Quinn sabia onde aquilo ia dar – Vamos, minha loira, eu tenho estado tão solitário...
_Senhor McIntosh, seu almoço! – alguém anunciou detrás da porta.
_Pode entrar! – respondeu Quinn, se levantando na mesma hora. Estava agradecida agora que a empregada chegara para alimentar o ex. Nem a pau voltaria com ele e a mentira descarada do quarterback havia decidido isso. Biff era definitivamente carta fora do baralho.
Ela se despediu de um relutante ex namorado e correu em direção as escadas. Tinha em mente como daria a volta por cima.
