Capítulo 2: Sangue maldito
Remus fechou os olhos de forma dolorosa enquanto Madame Pomfrey fazia os curativos, e mesmo com as poções contra dor, ele se sentia prestes a arrebentar. Talvez pelo fato de que nenhuma poção de cura, nem mesmo a mais poderosa, seria capaz tirar toda a dor emocional que vinha junto com a dor física após cada lua cheia. A enfermaria estava em um silêncio mortal com exceção dos eventuais sussurros da enfermeira que dizia está tudo bem, meu querido, já vai passar, talvez eu possa te dar algo para dormir esta noite. E ele queria mesmo agradecer, mas as palavras não saíam da sua boca e tudo o que ele pôde fazer foi abrir os olhos e observar os pedaços de gaze sujos de sangue que haviam sido usados na sua limpeza.
Sangue. Como odiava esse sangue, o sangue envenenado de um lobisomem. Remus pensou que talvez fosse um pouco doentio ter nojo do próprio sangue, do fluido que corria por seu corpo e o mantinha vivo, mas ele o odiava. Não se lembrava da noite em que havia sido mordido, era tudo muito enevoado e confuso e ele era tão novo, mas o sentimento ainda estava ali. A dor da primeira mordida, que se mostrou apenas uma amostra da dor que sentiria todos os meses pelo resto de sua vida.
Lobisomens são traiçoeiros, ele se lembrou de uma conversa entre seus pais que ouvira escondido. Só Merlin sabe o que esse menino será capaz de fazer quando crescer.
Seus olhos ficaram úmidos com a lembrança, mas ele não se permitiu chorar. Já fazia um tempo que ele aprendera a lidar com a dor.
Tomou um susto ao sentir uma mão grande, quente e calejada envolver a sua, e perguntou a si mesmo quando foi que mergulhara tão intensamente dentro de si mesmo a ponto de não ouvir a entrada de Sirius. Madame Pomfrey, ao terminar seu trabalho, deu um sorriso cortês para os dois e pediu licença antes de sair, não sem lembrar os rapazes de que Remus precisava descansar.
- E então, como está se sentindo? – o animago perguntou cauteloso, desenhando padrões invisíveis na mão de Remus com o polegar.
- Estou bem – ele respondeu como sempre. Não era mais uma criança para demonstrar fragilidade – É só, você sabe. Esse cheiro de sangue me deixa meio enjoado.
Sirius sorriu compreensivo, e Remus viu nos olhos dele o entendimento.
- Já isso passa – o rapaz mentiu, e Lupin nunca o amou tanto por suas mentiras indolores – De qualquer forma, nem é tão ruim. Seu sangue tem um cheiro meio doce.
- Que merda de coisa estranha pra se dizer, Black – Remus ouviu a voz de James enquanto o rapaz entrava na enfermaria, e mesmo sem vê-lo, o lobisomem sabia que o amigo estava sorrindo – Se quer se declarar pro nosso saudoso amigo Moony, faça isso direito.
Sirius só sorriu, um sorriso aberto mostrando seus dentes muito brancos, seus caninos muito pontudos, e havia mais palavras naquele olhar cinzento do que haveria em um discurso, e Remus se sentiu relaxar, ainda mais quando a mão – não tão quente, não tão grande, mas igualmente calejada – de James bagunçou seus cabelos.
E, durante aqueles poucos minutos, são sangue não pareceu tão odioso assim.
N/A: Esse ficou meio… estranho, e não sei se gostei muito dele. Uma insinuação básica de Wolfstar porque não resisto, e não deixem de dizer a opinião de vocês.
Sumário do próximo capítulo: Sentiu-se orgulhoso por sua pequena criação, que prometia tanto. Que prometia trazer de volta a dignidade que sua família, seu nome e seu sangue perderam na Segunda Guerra Bruxa.
