Eu não escrevi Deltora Quest. A série e todos os personagens pertencem a Emily Rodda.

Pessoal, eu adoraria se quem lesse me enviasse umas reviews, para que eu saiba no que posso melhorar! Obrigada!

Capítulo 2

A Cela Vazia

Lief fez o caminho de volta a Del no interior da carroça de Steven, junto com Barda e Jasmine. O antigo guarda estava ainda muito fraco para caminhar, e os dois companheiros se recusaram a deixa-lo sozinho. Ao longo do dia, Barda melhorou consideravelmente, à medida que descansava e recebia novas doses de mel da Abelha Rainha. Lief começou a se sentir bastante animado. O fim da busca pelo herdeiro, a melhora do amigo, a proximidade do reencontro com seus pais e ainda por cima passar o dia ao lado de Jasmine contribuíram muito para seu bom humor. Agora que a missão estava cumprida, Lief se perguntava como iria convencer Jasmine a ficar em Del. Ela certamente queria voltar para as florestas, mas o garoto tinha esperanças de convencê-la a ficar, e talvez, dentro de algum tempo, confessar seus sentimentos por ela. Não conseguia mais negar que estava apaixonado. Além das frequentes pontadas de ciúme, agora começava a surpreender a si próprio olhando tolamente para ela.

_ Algum problema, Lief?

O rapaz despertou de seu devaneio. Barda dormia, Jasmine o fitava confusa. Aparentemente ele estivera olhando tolamente para ela.

_ Ahn? Não, Jasmine, desculpe, estava só pensando... na nossa jornada.

Ela sorriu.

_ É tão bom saber que conseguimos, não é?

Ele assentiu.

_ O que você está planejando fazer agora?

_ Não sei. _ respondeu ela, subitamente séria _ Acho que vou voltar para as florestas.

_ Todos ficaríamos muito felizes se você decidisse permanecer em Del. _ arriscou ele.

_ É muita gentileza sua. Mas não sei se há lugar para uma garota selvagem e rebelde em uma cidade como Del.

_ Você é muito mais do que isso. Você vai ver como haverá um lugar para você, se você o quiser. Pense com carinho em ficar, ao menos por algum tempo.

_ Está bem, vou pensar! _ ela riu _ mas se continuarmos falando vamos acordar Barda, e ele precisa descansar.

"Bom, a sorte está lançada.", pensou Lief.

Chegaram a Del no fim da tarde. A comitiva foi recebida com festa. Ao verem Dain com o cinturão, o povo finalmente entendeu que luz era aquela que havia expulsado os Ols e os Guardas Cinzentos. Era o seu rei, usando o cinturão de Deltora finalmente reconstruído e os heróis que o haviam encontrado. Lief ficou emocionado ao ver a felicidade das pessoas.

Dain não quis se demorar pelas ruas. Disse que havia muito trabalho a ser feito. Lief também tinha pressa. Seus pais deviam estar em algum lugar nas masmorras. Quando chegaram ao saguão do palácio, conseguiu se aproximar de Dain e avisar-lhe sua intenção.

_ Acho melhor ter calma, Lief. Não sabemos que armadilhas podem estar espalhadas por aí. Mas não se preocupe, vamos separar agora mesmo equipes para vasculhar o palácio com ajuda dos membros da resistência.

Dain parecia ter se tornado repentinamente muito seguro de suas decisões. Lief se perguntou se isso era efeito da responsabilidade recém-adquirida ou se ele sempre fora assim e estivera escondendo esse lado para não chamar atenção para si. De qualquer modo, teve de concordar que ele tinha razão.

O novo rei coordenou a divisão dos grupos para explorar o palácio. Barda, que alegou já estar bem o suficiente e conhecer o palácio melhor que qualquer um ali foi escalado para ir com um grupo aos jardins e estábulos, junto com Perdição. Dain queria que Jasmine se juntasse à equipe que ficaria no andar térreo por ser "mais seguro", mas ela insistiu para ir junto com eles às masmorras.

_ Como se eu não soubesse me defender. _ reclamou ela.

As masmorras eram frias e úmidas. A primeira cela estava vazia, mas na segunda havia um velho maltrapilho, muito magro e ferido, que ao entender que estava sendo libertado, ajoelhou-se aos pés de um constrangido Dain e chorou copiosamente, gritando:

_Obrigada, muito obrigada, majestade! Bendito seja, meu rei, bendito seja!

Jasmine abriu seu cantil e ofereceu ao homem, que bebeu sofregamente, sem parar de balbuciar agradecimentos.

Cenas semelhantes repetiram-se em várias celas. A cada nova cela aberta, o aperto no coração de Lief aumentava. Onde seus pais estariam? O corredor das masmorras já estava no fim...

Quando a porta da última cela foi arrombada, Lief precipitou-se para dentro dela. Estava vazia.

_Mas... eles tinham de estar aqui em algum lugar, como...

Um dos homens da resistência abaixou-se e ajuntou algo do chão.

_ Senhor... _ ele chamou baixinho.

Dain se adiantou e pegou os panos manchados de sangue.

_ Lief... eu sinto muito... você reconhece isto?

Lief olhou. Um dos trapos era a camisa de seu pai. A que ele estava usando quando o vira ali naquela cela, depois de beber a Água dos Sonhos. O outro, um pedaço do vestido de sua mãe.

O rapaz apoiou-se na parede. Mal teve consciência de Jasmine se adiantando para ampará-lo.

_ Lief, eu... eu sinto tanto. _ela murmurou.

_ Mas... onde...

_ Dizem que eles jogavam os corpos no mar. _ adiantou-se Dain.

Lief não fez questão de esconder as lágrimas.