Eu não escrevi Deltora Quest. A série e todos os personagens pertencem a Emily Rodda.
Pessoal, eu adoraria se quem lesse enviasse umas reviews, para que eu saiba no que posso melhorar! Obrigada!
Capítulo 4
De volta à ferraria
Lief foi sozinho à ferraria depois do almoço. O portão arrombado abriu facilmente. A casa vazia estava empoeirada, as janelas com vários vidros quebrados, alguns móveis derrubados. Certamente lembranças de quando os Guardas cinzentos invadiram a casa para prender seus pais.
Lief vagou pelos cômodos vazios, atulhados de lembranças. Chegou ao próprio quarto e se deixou cair em sua antiga cama. Então, olhando as manchas do teto tão conhecido, pensou nos pais, em Jasmine, e deixou as lágrimas escorrerem de novo. Em meio à dor, uma vozinha resmungou dentro da sua cabeça: "Se ao menos eu não tivesse perdido o cinturão...".
O garoto deu um pulo. Como podia ter pensado aquilo? O cinturão não era seu. Ele agora estava com o herdeiro de Deltora. A missão estava cumprida, ele fizera valer a pena o sacrifício de seus pais e Deltora estava salva. As coisas estavam como tinham de estar. Se a morte se seus pais fora o preço a pagar pela liberdade de Deltora ele teria que aceitar isso. Haviam sido as vidas deles em troca das de milhares de deltoranos. Dain amava Jasmine, ela o escolheu, e ele ia fazê-la muito feliz. Ela se tornaria rainha, teria a família que sempre sonhou e todo o conforto que merecia. Era a maneira como as coisas tinham que ser. E a ele, Lief, cabia agora limpar a ferraria e retomar o trabalho do seu pai.
Foi o que ele fez pelos dias seguintes. Primeiro limpou a casa, consertou os móveis quebrados, trocou os vidros. Então procurou alguns dos antigos clientes de seu pai, e avisou que estava aceitando trabalho como ferreiro. Em uma semana estava abrindo as portas da ferraria. Mas nada disso apagou a saudade dos pais, ou os misteriosos impulsos de possuir novamente o cinturão de Deltora.
Nesse meio tempo, Barda e Perdição haviam partido para Noradz, acompanhados por 20 dos homens que se voluntariaram para a guarda do palácio. Ambos o visitaram antes de partir. Jasmine fora vê-lo duas vezes, e conversaram sobre os pais de Lief e a reforma da ferraria. Ela não disse uma palavra sobre o noivado. O rapaz se perguntou se ela conhecia seus sentimentos. Dain, por sua vez, não procurou Lief. Jasmine dissera que ele estava muito ocupado abrigando necessitados no palácio e trabalhando na criação das novas leis.
E Lief começou a ter sonhos com o cinturão.
O cinturão se tornara uma constante na cabeça do rapaz, o que lhe causava profundo remorso. O sentimento que tinha era uma espécie de cobiça, como se o cinturão devesse ser seu por direito. Ele não entendia de onde vinha aquele desejo irresistível. Então, no dia em que se completava uma semana da revelação do herdeiro, Lief sonhou que estava em uma sala escura e úmida. No centro da sala se distinguiam vagamente os contornos de uma mesa. E sobre ela havia algo reluzente. O garoto se aproximou devagar, e ali estava o cinturão. Ele o tomou nas mãos. O objeto pareceu reluzir em reconhecimento. Quando ia prendê-lo à cintura, Lief acordou em sua cama na ferraria, assustado e escorrendo suor.
A cidade estava sem ferreiro há algum tempo, e havia muito serviço a ser feito. Assim, nos seus primeiros dias de trabalho, Lief teve muito que fazer. Mas embora o garoto conhecesse bem o trabalho, ainda não era tão habilidoso quanto seu pai havia sido. Então, alguns dias depois, surgiu nos arredores da cidade um sujeito se dizendo ferreiro, que parecia ser bastante habilidoso. Logo, metade da freguesia de Lief desapareceu.
Jasmine também desapareceu. Passou semanas ser ir visitá-lo. Lief também não tinha muito tempo nem animo para ir ao palácio. Além disso, se ela não vinha, é porque devia estar ocupada demais com os preparativos do casamento ou coisa do tipo. Por outro lado, não havia notícias do retorno de Barda e Perdição, e os antigos amigos de Lief das brincadeiras pelas ruas de Del, pareciam considerá-lo uma espécie de ser superior agora que ele era um herói nacional. Não o visitaram, e quando o encontravam, o tratavam com uma estranha formalidade.
Assim, sem dinheiro, sem amigos e sem família, Lief passava as noites imerso em saudade, solidão e na constante lembrança do cinturão de Deltora.
Então, uma tarde, ela apareceu.
