Eu não escrevi Deltora Quest. A série e todos os personagens pertencem a Emily Rodda.

Sei que não estou caprichando tanto como deveria nesta fic, mas não estou tendo muito tempo e não quero me enrolar muito e acabar abandonando. Me desculpem por isso. Reviews seriam muito bem vindas! Obrigada!

Capítulo 5

Uma visita de Jasmine

Era uma tarde quente e Lief estava trabalhando na ferraria. Nem ouviu o portão abrir. Claro que chegar em silêncio era característico dela.

_ Ocupado demais para visitas, senhor ferreiro?

O rapaz virou-se de um salto. O martelo caiu no chão com estrondo. Ela começou a rir.

_ Desculpa, não quis te assustar!

Jasmine estava linda. E muito estranha ao mesmo tempo. Os cabelos estavam penteados e presos num coque elegante, um único cacho solto caindo sobre seu rosto. Usava um etéreo vestido lilás e delicadas joias de prata enfeitavam seu colo e orelhas. Lief achou que ela estava parecendo um anjo. Ao mesmo tempo era muito antinatural vê-la vestida assim. Tudo isso ia contra a concepção de liberdade que o garoto associava à felicidade dela. Um guarda estava parado alguns metros atrás.

_ Está tudo bem, Lief?

Ele se apressou em se recompor.

_ Ah, sim, sim. Eu só estou surpreso. Que bom que você veio, Jasmine!

_ Estou atrapalhando?

_ Não, claro que não, eu... Você quer entrar?

O guarda ficou do lado de fora. Lief indicou a Jasmine que se acomodasse no sofá e lavou as mãos apressadamente na cozinha. De repente se sentiu envergonhado das suas roupas sujas diante da futura rainha.

_ Me desculpe por te receber vestido desse jeito, eu realmente não esperava...

_ Oras, Lief, você parece estar achando que eu virei uma dondoca! _ ela retrucou furiosa _ Parece que não sabe que eu não me importo com essas coisas. Como se não me bastasse todo mundo naquele palácio me dizendo o que vestir e o que fazer. _ e imitou em uma voz estridente_ Esses modos não são adequados a uma rainha, não é assim que uma rainha deve se vestir, nhénhénhé.

Lief riu.

_ Quer dizer que estão te aborrecendo muito por lá?

_ Insuportável! Aliás, se me permite... _ Ela tirou as sapatilhas e cruzou as pernas sobre o sofá. _ Aaah, como é bom!

O rapaz sentou-se ao lado dela.

_ Então, como você tem passado? Insuportável não parece o tipo de expressão usada por alguém feliz.

Ela grunhiu.

_ Você sabe que não me sinto bem em lugares fechados, muito menos cercada de roupas caras e gente esnobe.

_ Quando você não apareceu mais aqui imaginei que você estivesse ocupada com o casamento. Esperava te encontrar mais empolgada.

Ela hesitou.

_ Lief, se eu te contar uma coisa, você me promete que não vai falar para ninguém? _ disse diminuindo o tom de voz.

Ele assentiu, sério.

_ Eu não sei se quero me casar com Dain.

Lief sentiu borboletas esvoaçarem em seu estômago.

_Eu não sabia como recusar quando ele me pediu, com todos os súditos dele vendo e gritando. Eu gosto bastante dele, mas não desse jeito entende? Eu não estou preparada para me casar, ainda mais para ser rainha. Lief, eu não quero essa vida para mim!

A medida que falava, seu tom de voz se aproximava do desespero. O rapaz segurou as mãos dela entre as suas, inclusive para disfarçar que ele próprio estava tremendo um pouco.

_ Você tentou conversar com ele, pedir um tempo para pensar? Dain é compreensivo, gosta muito de você, ele vai entender.

Jasmine suspirou.

_ Lief, é sobre isso que eu queria conversar com você. Dain está muito diferente desde que assumiu o trono. Ele não é mais o garoto gentil e sensível que conhecemos. Mesmo comigo ele está cada vez mais... autoritário.

_ Autoritário?

_É, você não tem acompanhado as leis que ele está promulgando?

Lief limitou-se a negar com a cabeça. Achou melhor não mencionar que evitava qualquer coisa que pudesse lembrar-lhe do rei ou do cinturão.

_Nos primeiros dias ele agiu como sempre. _ ela prosseguiu _ Um pouco mais seguro de si que o que estávamos acostumados, mas achei que era porque agora ele é o rei. Aí ele começou a ter algumas atitudes estranhas. Passou a não aceitar opiniões de ninguém, evitar contato com cidadãos de Del, ser ríspido com funcionários do palácio. Então, quando ele determinou o aumento dos impostos e disse que não enviaria socorro aos deltoranos que estão escravizados na Terra das Sombras porque não valia o risco, eu não aguentei mais. Fui falar com ele e acabamos brigando feio. Eu disse que ele não estava agindo como um verdadeiro rei, que não estava trabalhando pelo povo e pelo reino. Aí ele segurou meu braço e gritou que eu era só a noiva dele e que não tinha direito de opinar em nada. Eu o xinguei o quanto pude e fui arrumar minhas coisas para ir embora. Depois ele foi me procurar e pediu desculpas, dizendo que estava sob muita pressão, que estava muito preocupado com a segurança do reino, que eu tinha razão, que não estava dando conta de tantos deveres, mas precisava de mim ao lado dele para orientá-lo. Então prometeu que me daria qualquer coisa como um presente de desculpas. Aí, entre outras coisas, eu pedi para vir te visitar, porque até minhas saídas do palácio ele estava restringindo, com a desculpa de que "era para minha segurança".

Lief engoliu em seco. Ainda estava lutando contra a vontade de ir até o palácio socar Dain por ter sido grosseiro com Jasmine. Mas esse comportamento do rei era muito estranho. O Dain que ele conheceu não era assim.

_ Talvez ele esteja sob muita pressão mesmo. Ele é muito jovem para uma responsabilidade tão grande. Ele tem usado o cinturão com frequência?

_ Nunca o vejo sem ele.

_ O cinturão não permitiria que alguma influência maligna agisse sobre ele. Talvez... talvez ele esteja mesmo precisando do seu apoio agora. _ Jasmine bufou, e ele prosseguiu _ Ele é o nosso rei, Jasmine. Dê um tempo a ele. E você sabe que se precisar de ajuda eu vou estar ao seu lado.

Ela sorriu.

_ Então você faria um favor para mim?

_ Claro!

_ Converse com ele, Lief. Vá até o palácio e fale com ele. Ele vai ouvir você! _ ela hesitou e continuou reticente _ Eu sei que você não voltou mais lá porque é doloroso para você, mas quem sabe fosse até bom você enfrentar essas lembranças.

Lief suspirou. Não conseguia negar nada para ela nessa situação.

_ Está bem, eu vou tentar. Mas não sei se ele vai me receber.

_ Claro que vai, não seja bobo!

Ao se despedir, ela o abraçou. Foi a melhor coisa que aconteceu desde que voltara a Del.