Eu não escrevi Deltora Quest. A série e todos os personagens pertencem a Emily Rodda.

Já aviso que este capítulo será mais violento que os anteriores.

Capítulo 9

O Verdadeiro Dain

Enquanto isso, Jasmine caminhava pelos corredores do palácio em direção ao seu quarto. Ela odiava aquele lugar. Ir até a ferraria, com todo seu silêncio e simplicidade, era um grande alívio. Mas hoje não restara muita paz em seu coração depois que saíra de lá. Ela sabia que Lief tinha razão, ela estava correndo perigo ali. Ela não contara a ele de onde viera toda sua certeza de que Dain não era o herdeiro. "Para sua própria segurança, Lief não pode saber antes da hora.", repetiu mentalmente a si mesma.

O beijo dele também não lhe saia da cabeça. Há algum tempo se sentia confusa quanto aos próprios sentimentos. Quando ainda estavam buscando as pedras, ela chegara a pensar que estava se apaixonando por Dain. Mas desde que ele a tornara sua noiva, e portanto a afastara de Lief, ela percebeu que não conseguia tirar o ferreiro da cabeça. Ela sentia tanta falta do amigo, do companheirismo entre eles, e até das discussões. Lief tinha seu próprio tipo de rebeldia, e ao mesmo tempo em que isso motivava as brigas entre eles, também os unia. E enquanto os poucos e respeitosos beijos que Dain lhe dera a faziam sentir-se desconfortável, o de Lief ainda queimava em seus lábios e fazia seu coração disparar. E agora que sabia que Dain era um farsante, tinha certeza de que a frieza que sentia nos carinhos dele não era coisa da sua imaginação. Na verdade, o que sentia por ele agora era nojo. Fosse ele quem fosse.

Virou em um corredor que dava para uma série de salas pouco usadas. Deu de cara com Dain no meio do corredor.

_ Meu amor! Estava justamente te procurando! _ disse ele com um largo sorriso.

Jasmine sentiu um calafrio. Havia algo de sinistro naquele tom gentil.

_ Posso conversar um momento com você? _ o rei indicou uma pequena sala ao lado.

_ Claro, Dain.

"É só uma sensação ruim", repetiu Jasmine a si mesma, se encaminhando para a porta.

_ Eu gostaria que fosse em particular. _ ele olhou para Kree e Fili, acomodados sobre o ombro dela.

A garota hesitou um momento. Então retirou os animais de seu ombro e colocou-os sobre o braço flexionado de uma armadura vazia apoiada na parede ao lado. Os dois chiaram, indignados.

_ Está tudo bem. _ ela sussurrou _ Eu já volto. Fiquem aqui.

Mas quando a porta se fechou atrás do casal, Kree agarrou um Fili exasperado e alçou voo pelo corredor em busca de uma janela aberta.

Dentro da sala, Jasmine observou as pinturas nas paredes, a estante ocupada por alguns livros e vasos elegantes e as duas poltronas de veludo sobre o belo tapete. Era um tipo de sala de leitura ou descanso.

_ Como foi seu dia, meu bem? _ começou Dain, aparentemente muito interessado em um vaso decorado com motivos toranos.

_ Bem. Visitei Lief e conversamos a tarde toda. _ Ela não pedira autorização do noivo para ir à ferraria, mas sabia que uma mentira não duraria muito. _ Foi agradável.

_ Oh, sim, imagino como tenha sido agradável. _ A voz dele era fria. Jasmine achou ter ouvido um toque de irritação.

_ Dain, você não está furioso por eu ter ido, está? Você disse que não iria mais me impedir de sair do palácio.

_ Mas nosso acordo não incluía a sua traição. _ ele voltou-se, a fúria visível no rosto.

_ Do que você está falando? _ Jasmine estremeceu. Ele não podia saber o que tinham conversado, poderia?

_ O guarda que te acompanhava viu por uma fresta na cortina você e aquele traidor se beijando. _ disse Dain, começando a gritar _ Era para isso que você queria tanto ir à ferraria? VOCÊ ESTÁ TREPANDO COM ELE, NÃO É, SUA VAGABUNDA?

A bofetada quase derrubou Jasmine.

_Não é nada disso, Dain, você está ficando louco! _ ela gemeu.

Mas ele atirou-se sobre ela e agarrou-lhe o pescoço. A mão gelada cortou-lhe a respiração. Então Jasmine entendeu.

_Você é um Ol! _ ofegou

_Ora, ora, a garota selvagem é mais inteligente do que parece... Vamos nos divertir um pouco antes de eu decidir que tipo de morte trágica você vai ter. O povo vai ficar consternado quando virem seu rei arrasado pela morte da noivinha.

Ele atirou-a no chão e abriu as calças. Jasmine tentou gritar, mas ele apertou-lhe o pescoço de novo.

_Mesmo que você pudesse gritar, ninguém iria te ouvir, meu amor. _ disse o monstro erguendo a saia do vestido dela.

Jasmine se debateu em pânico, sentindo a mão dele deslizar sobre sua coxa. Porém, nesse momento, batidas na porta interromperam o movimento de Dain.

_Majestade! _ Chamou uma voz. _ O senhor está aí? Precisamos de seu parecer urgente aqui!

_Estou sim, Randel, só um momento! _ Dain respondeu sem largar Jasmine, num tom que faria qualquer um acreditar que estava terminando de assinar uma pilha de documentos.

O falso rei olhou a garota subjugada com um ar de deboche e sussurrou:

_Você sabe que vai me esperar quietinha aqui, não é querida? Ou farei questão de matar o seu amante nojento na sua frente, da maneira mais lenta e dolorosa que conseguir imaginar. _ Apertou-lhe ainda mais forte o pescoço por um instante antes de soltá-la.

Ergueu as calças e saiu do quarto falando alto com o guarda, para que ele não a ouvisse tossir.

Jasmine levou um bom tempo até conseguir respirar normalmente de novo. E mesmo depois disso, ainda ficou deitada no chão, na posição em que ele a deixara, sem forças, apenas sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto.

Teria ficado ali, sem reação, até que o monstro voltasse, se não fosse um bater insistente na janela. A garota voltou os olhos e descobriu Kree bicando o vidro, com Fili agarrado em suas patas. Unindo forças, arrastou-se até a janela e abriu-a. A ave entrou e pousou em seu ombro. Os dois animais a afagaram preocupados.

_ Está tudo bem. Não deu tempo de ele me machucar de verdade. _ Ela tranquilizou-os, enxugando as lágrimas. _ Precisamos pensar em como sair daqui agora.

Ela queria encorajá-los, mas estava tão fraca que sua voz era apenas um sussuro. Kree sabia disso. Com um grasnado, alçou voo janela a fora.

_ Ei! _ a moça chamou _ Você sabe onde ele foi? _ perguntou a Fili. O bichinho sacudiu o focinho, negando.

Em minutos o pássaro havia voltado. Soltou no colo da garota um pequeno frasco e grasnou apontando a janela. Jasmine olhou o rótulo.

_ Mel Abelha Rainha. _ ela sorriu para os companheiros _ Obrigada, Kree.

A garota bebeu aos poucos todo o conteúdo do frasco, até sentir que podia caminhar sem que suas pernas tremessem. Então aproximou-se da janela e começou a fazer cálculos.

_ Vamos sair daqui. _ determinou _ Lief precisa de nós.