Kaleido Star

A Lenda – Primeira Parte Deliriun

Nota: Os personagens de Kaleido Star não me pertencem infelizmente, mas amo esse anime demais.


Capitulo 15: Sentimentos e Frustrações.

.I.

Respirou fundo para não tecer comentário algum sobre o comportamento daqueles dois, que só faltaram chutar um ao outro enquanto desembarcavam. Caminhou calmamente, vendo-os seguirem a frente, resmungando algo entre si e carregando os presentes que levava para os gêmeos.

Algumas pessoas que ainda estavam na rua àquela hora, olhavam com curiosidade o trio nada discreto passando, a única coisa que podia fazer era sorrir, tentando andar o mais rápido possível para acabar logo com aquilo.

Provavelmente pegariam o espetáculo daquela noite quase no fim, se ainda conhecia bem os horários deles; Sora pensou, apressando o passo.

-Vamos rápido, ou vamos nos atrasar; ela falou impaciente, seria uma boa oportunidade para aqueles dois aprenderem algo de útil.

Trocando um olhar confuso, antes de segui-la a passos rápidos.

Passaram por um vão na tenta, encontrando logo um lugar vazio nos bancos mais afastados daquela arquibancada.

Franziram o cenho ao mesmo tempo, que espécie de circo era aquele? –os dois pensaram, vendo que ali dentro tudo era muito simples, bem diferente do Kaleido Star.

Estavam tão acostumados com circos grandes de renome internacional, que era um pouco traumatizante ver um interiorano.

Crianças riam e pulavam em seus lugares sem conseguirem se aquietarem diante das acrobacias surpreendentes de Pámela no trapézio e a apontaria incrível do próprio Sr Park ao atirar suas adagas afiadíssimas. Até mesmo Tanque estava animado aquela noite, jogando para cima Milo e Mila, como se os gêmeos fossem apenas dois alteres.

Sora sorriu ao ver o clima alegre e convidativo daquele lugar, era tão bom estar ali, tanto quanto no Kaleido Star, mas ali, aquela atmosfera de simplicidade e inocência era o que mais lhe cativava. Aprendera coisas muito importantes ali que jamais esqueceria.

-Sora, o que eles estão fazendo? –Yuri perguntou, ao ver as crianças literalmente invadirem o palco, brincando com os acrobatas, como se fossem parte do elenco.

-Se divertindo; ela respondeu sorrindo, enquanto se sentava em um dos bancos de madeira.

Era com um espetáculo assim que sonhava, com todos se divertindo. Esse era seu objetivo desde que executara a técnica angelical e não iria parar, até atingi-lo. Por isso estava desenvolvendo aquela técnica nova; ela pensou, mal notando o olhar curioso dos dois sobre si.

Aos poucos as pessoas foram deixando o palco, despedindo-se de todos com rostos iluminados e sorrisos contagiantes.

-Oras, mas se não é a grande Sora Naegino que esta aqui. Por acaso esta se sentindo superior demais para vir se juntar a nós? –a voz debochada de Pámela chegou até os três, fazendo os dois acrobatas serrarem os orbes.

-De maneira alguma; Sora respondeu sorrindo ao se levantar. –Estava apenas relembrando os bons tempos; ela completou, descendo alguns degraus e aproximando-se do palco.

-Não ligue para ela Sora, Pámela adora provocar a todos; Jill falou com seu típico ar enigmático.

-Já estou acostumada; a acrobata brincou.

-Mas pelo visto os dois guarda-costas ai não; Pámela comentou, apontando para Yuri e Leon que lhe lançavam olhares tão afiados quanto adagas.

-Sr Park, creio que o Carlos já deve ter lhe avisado que Yuri e Leon viriam para resolver algumas coisas com o senhor; Sora comentou com o dono do circo que se aproximava, terminando de tirar do alvo de madeira suas adagas.

-Como? –Sr Park perguntou, voltando-se para os dois que pareceram empalidecer. –Ah sim, claro que disse; ele apressou-se em completar, com um sorriso quase sádico nos lábios. –Vão ficar até sexta, não?

-...; Yuri e Leon assentirem freneticamente.

-Esses dois estão aprontando alguma coisa; Mila sussurrou para o irmão, que assentiu concordando.

-Eles são estranhos; Milo comentou.

-Ótimo, creio que nossas instalações são um pouco simples, mas fiquem a vontade. Jill vai acompanha-los até onde vocês dois poderão ficar, amanhã começamos o trabalho; o Sr Park avisou.

-Como? –os dois perguntaram surpresos com a menção a palavra 'trabalho'.

-Isso mesmo, não acham que o Carlos mandou vocês para cá a toa, não é? –Sora perguntou, voltando-se para os dois, com os orbes serrados.

-Não; eles responderam, engolindo em seco.

-Muito estranhos; Mila ressaltou para o irmão, vendo tudo de longe.

-Bem... Sr Park, só gostaria de saber uma coisa; Sora começou, com um sorriso inocente.

-E o que é? –o dono do circo perguntou, fazendo todos os franzirem o cenho, diante da intenção por trás daquele sorriso.

-Vocês por acaso não teriam uma corda 'bem' reforçada ai? sabe, daquelas cordas que da para amarrar duas pessoas bem juntinhas; ela perguntou, olhando de soslaio os dois acrobatas, enquanto mantinha a expressão angelical, gesticulando displicente.

-Temos; ele respondeu sem entender ao certo quem ela queria amarrar com as cordas. Acenou para Tanque, pedindo que trouxesse a corda.

-Se importa se eu ficar um pouco com ela, depois eu lhe devolvo; Sora falou, vendo Tanque assentir confuso, lhe entregando a corda. –Obrigada; ela agradeceu com um doce sorriso.

-O que ta acontecendo? –Mila perguntou para o irmão.

-Não sei, mas aqueles dois são muito estranhos; Milo respondeu apontando para os dois acrobatas que pareciam ter visto um fantasma desde que Sora pegara a corda. –É melhor ficarmos de olho neles;

-...; Mila assentiu.

-Ahn! Podemos ir então? –Jill perguntou, já imaginando o porque do pedido inusitado da acrobata, graças a uma longa conversa que tivera com a namorada algumas horas antes deles chegarem.

-Hei! Sora, trouxe alguma coisa pra gente? –Mila perguntou, correndo até a acrobata e saltando pra cima da jovem.

-Isso mesmo, amanhã é nosso aniversario; Milo completou, seguindo a irmã.

Se aqueles dois caras estranhos estavam aprontando alguma coisa, não os deixariam ficar muito perto da acrobata, só por segurança; os dois haviam combinado.

-Crianças, cuid-...; Sr Park não teve tempo de avisar que poderiam cair, pois no momento seguinte ouviu-se um baque seco e os três foram ao chão.

-Sora; Yuri e Leon falaram quase correndo até ela, mas ouviram a risada dos três.

-Esta ali atrás, mas vocês só poderão abrir amanhã; Sora explicou, apontando para os pacotes na arquibancada.

-OBA! –os dois gritaram antes de saírem correndo na direção dos pacotes.

-Essas crianças; Pámela falou, balançando a cabeça levemente para os lados.

-Ai como tenho saudade desse tempo; Sora murmurou, com ar letárgico.

-Nunca é tarde para se voltar aos bons tempos; Jill comentou, com um meio sorriso nos lábios.

-Certamente; ela respondeu, fazendo os outros dois acrobatas quase avançarem sobre o ruivo, por não saberem do que exatamente eles estavam falando.

-Bem Pámela acompanhe a Sora, é melhor vocês descansarem; Sr Park avisou, ainda fitando seriamente os dois trapezistas.

-...; Todos assentiram.

.II.

Colocou a mala em cima da cama, enquanto ainda ouvia o som do secador de Pámela vindo do outro lado do quarto. Ainda se lembrava da ultima vez que quase surtara ao abrir a mala e ver Fool confortavelmente deitado entre suas roupas.

-"Ainda bem que ele esta com a Rosetta"; ela pensou, suspirando aliviada. –MAS QUE DROGA; Sora berrou, ao abrir a mala.

-Oi Sora; Fool falou com um largo sorriso, acenando para ela.

-O que foi? –Pámela perguntou, virando-se rapidamente para ela, ainda com o secador em mãos.

-Her! Nada não, foi só que lembrei que esqueci de trazer uma coisa; Sora apressou-se em dizer, enquanto pegava rapidamente Fool de dentro da mala, antes que ele fugisse.

-Então ta; Pámela falou, voltando ao que fazia.

-O que esta fazendo aqui? –Sora perguntou entredentes para o espiro espertinho.

-Ta me sufocando, Sora; Fool falou, se debatendo.

-Eu deveria te dar como ração para a Yunathan, já que ela pode te ver também; ela ralhou, apertando-o.

-Ai, não achou que eu fosse te deixar viajar sozinha não é? –ele justificou-se, tentando se soltar.

-Fool, você não me engana, o que esta aprontando? –Sora perguntou.

-Hei Sora, tem certeza que esta bem? –Pámela perguntou, ouvindo-a resmungar.

-Claro; a acrobata respondeu, com um sorriso nervoso. –Vou dar uma voltinha pra tomar ar, daqui a pouco eu volto; ela falou, saindo rapidamente dali com Fool.

-o-o-o-o-

Remexeu-se na cama, incomodado. Não conseguia dormir de jeito nenhum, também pudera com aquele gigante roncando; Yuri pensou, sentindo uma veinha saltar em sua testa.

Não sabia se Leon estava numa situação tão ou pior que a sua, mas tinha que concordar que dessa vez os dois se meteram numa grande encrenca; ele pensou, vendo o acrobata do outro lado do quarto, com um travesseiro sobre a cabeça tentando aliviar aquele som ensurdecedor e tentar dormir com isso.

Olhou para os lados, vendo que ninguém notaria se saísse dali, se bem que, nem todos haviam ido dormir, até mesmo Jill não estava no quarto, o que era meio suspeito; ele pensou desconfiando, lembrando-se do tom que ele usara ao conversar com Sora.

Tudo bem que o garoto era namorado de Mia, mas mesmo assim não gostara da forma que ele e Sora se trataram quando chegaram; ele pensou, emburrado, enquanto levantava-se.

-o-o-o-o-

-Hei Sora não pode me deixar aqui; Fool gritou para ela, depois que a mesma o amarra de ponta cabeças no varal atrás do circo e se afastara, indo sentar-se no capô de uma caminhonete.

A noite estava incrivelmente estrelada, não era sempre que tinha tempo de ficar olhando o céu, quando estava no Kaleido Star; ela pensou, dando um baixo suspiro.

-Sem sono? –alguém perguntou, sentando-se a seu lado.

-Não, é só que deu vontade de ficar um pouco aqui, vendo as estrelas; Sora respondeu apontando para o céu.

-Procurando por algo especial? –Jill perguntou de forma enigmática, vendo um meio sorriso formar-se nos lábios dela.

-Quem sabe? –ela respondeu.

-Mia me ligou, perguntando se chegou bem; ele comentou, acomodando-se melhor. –Ela me contou que os últimos dias andaram sendo bastante agitados no Kaleido Star;

-Você não faz idéia; Sora comentou, passando os dedos com suavidade pelas melenas rosadas.

-Imagino, ela me disse também que você esta desenvolvendo uma técnica nova para 'A Lenda' e tentou me subornar para tentar fazer você me contar como é essa técnica; ele continuou, dando um meio sorriso. –Porque lá ninguém mais agüenta de curiosidade;

-Suborno? –Sora falou, arqueando a sobrancelha, vendo-o dar de ombros. Deu um baixo suspiro, balançando a cabeça levemente para os lados. –É melhor me poupar dos detalhes sobre esse 'suborno'; ela continuou.

-Cada um se vira com o que tem; Jill justificou.

-Acontece o seguinte, eu só estava treinando e perdi a hora, ai todo mundo chegou e já começaram as especulações por terem visto o que não deviam; ela explicou, lembrando-se do que acontecera em seguida.

-Entendo... E agora não te deixam em paz por causa disso? –ele perguntou, como se já soubesse a resposta.

-A cada cinco passos que dou para fora do Kaleido Star tem pelo menos cinco meninas atrás de mim; Sora falou, dando um suspiro cansado. Só as amigas não haviam percebido que ela já notara a perseguição silenciosa dos últimos dias.

-Deveria contar a elas que você já sabe; Jill falou.

-Não, é mais divertido deixá-las na expectativa de que vão descobrir alguma coisa; ela brincou, rindo. –Só tenho dó do Ken, você não foi o único subornado para tentar descobrir o que estou preparando para a Lenda;

-Vendo por esse lado; ele murmurou, observando atentamente as expressões da jovem.

Desde que ela chegara sentira que havia algo diferente, não era só aquela confiança que ela adquirira ao longo dos anos e das provas que fizera para chegar aonde chegará, agora entendia porque da namorada estar tão ansiosa para que conseguisse alguma informação, esse elemento surpresa de agora era o que estava deixando todos curiosos.

–Mas mudando de assunto; Jill começou.

-O que foi? –Sora perguntou, vendo-o ficar sério.

-Você esta diferente; ele falou.

-Como? –ela perguntou, surpresa.

-É, os outros podem não ter percebido, mas alguma coisa mudou não é? –Jill insistiu.

-Talvez; Sora murmurou, erguendo os olhos, para fitar as estrelas. –Todos nos mudamos, pode não ser ao mesmo tempo, mas mudamos; ela falou em meio a um suspiro.

-O que você acha que mudou, então? –ele perguntou, mais sugerindo do que indagando.

-Não sei dizer, só acho que descobri que ainda restam alguns demônios a serem enfrentados. Coisas que não posso simplesmente enterrar; ela respondeu de maneira enigmática.

-Esta se referindo há? -ele começou.

-Uma vez eu ouvi uma frase assim 'Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio', então quer dizer que se amamos algo, também odiamos outra coisa. Já que nada funciona sem equilíbrio.

Uma breve pausa foi feita pela jovem, onde nada mais era ouvido alem da respiração leve de ambos, enquanto ele esperava paciente que ela continuasse.

-Mas, sempre achei difícil me ver odiando alguém, pelo próprio sentido da palavra ser muito forte, com o tempo descobri que isso era tão fácil, chegava a ser banal; ela falou, dando um suspiro quase frustrado. - Você vê todos os dias pessoas falando 'Eu odeio tal coisa', ou 'Há como odeio quando isso acontece', elas dizem odiar algo que as desagrada, da mesma forma que falam em amor, como algo banal também.

-Vendo por esse lado; ele murmurou, concordando com ela. Não era difícil ver as pessoas usando tais expressões de maneira tão banal, que com o tempo o sentido de tais palavras estava se perdendo.

-Quando começamos o Lago dos Cisnes, eu ficava me perguntando. Como Odette conseguia amar incondicionalmente Siegfried, ao contrario de Odila, que era egoísta e o queria só para si, o que a fazia odiar Odette por isso. Ambas amavam, a sua própria maneira, mas ainda sim; ela explicou, voltando-se para ele. -Eu fico me perguntando se em algum momento Odette não deve ter odiado, sei lá, não odiado outra pessoa, mas a si mesma por não ter feito algo diferente. Tudo bem que é um conto de fadas e diferente de Romeu e Julieta que acaba com tragédia, esse teve um final feliz, mas convenhamos, na vida real nem tudo é só, sorrisos e risadas.

-...; Jill assentiu concordando, compreendendo as contradições que ela apresentava. –Você quer dizer que nem mesmo Odette poderia ser uma pessoa completamente boa;

-Ninguém é perfeito, Jovem Jill, ninguém; Sora completou, com um olhar vago. –E descobri que nem eu fujo a essa regra. Como dizem por ai, 'amamos e odiamos na mesma proporção', são coisas contraditórias, mas enfim...; Ela fez uma pausa.

-...; Ele assentiu, esperando-a continuar.

-Eu descobri isso quando conheci o Jovem Leon; Sora continuou, quase num sussurro. –Lembro do primeiro dia dele no Kaleido Star, foi um verdadeiro inferno, nós nos desentendemos e aquela foi a primeira vez que eu virei para alguém e disse 'Eu não gosto de você'; ela falou, lembrando-se do que acontecera. –Nesse dia eu descobri que não era imune a esse tipo de sentimento, por isso não conseguia interpretar a Odette perfeita que a Mia criou. Todos estamos fadados a sentimentos que não somos capazes de controlar;

-Realmente, não tem como não odiar; ele falou, quase num sussurro, erguendo os orbes para o céu, fitando as estrelas.

-Nunca pensei que naquele dia sentiria tanta raiva de alguém, mas ele me provou que eu estava errada. Nem quando o tempo de apresentação no Monkey Heave foi reduzido, eu me senti tão frustrada como ao ver o Jovem Leon em suas atuações.

-Porque diz isso?

-Porque eu via o deslumbre de todos os espectadores com o ator e a atuação chamativa, que não notavam o quão ele era indiferente. Não importa o quão difícil é uma técnica, se você não a faz com sentimentos, ela se torna a mais patética de todas; Sora falou, em meio a um novo suspiro. -Eu me sentia frustrada, particularmente pelo fato de vê-lo executar essas técnicas com perfeição, mas sem sentimento algum, enquanto os outros ao redor, davam o sangue para satisfaze-lo, não por ele, mas porque tinham paixão pelo que faziam, independente se estava do gosto dele ou não; ela falou, acomodando-se melhor sobre o capô.

-Bastante exigente, não; Jill comentou, conseguindo imaginar perfeitamente o quanto deveria ter sido difícil agüentar aquela fase.

-Eu não me sentia frustrada porque descobri que eu podia odiar, mas não me conformava com alguém que não demonstrava nenhum dos dois sentimentos.

-Mia me contou sobre quando você surtou; ele falou de repente.

-...; Ela assentiu, quase sorrindo com isso.

Também se lembrava que se não fosse Mia e Ken, certamente Leon iria precisar de um cirurgião plástico, naquele dia que ela e Mey fizeram o teste para a peça Drácula, ficara tão irada com o que ele falara sobre Layla, que não havia nem se importado com quantas regras de ética estaria destruindo por tentar estrangular um companheiro de palco.

–Uma vez, o Jovem Yuri me disse uma coisa, jamais vou esquecer disso; Sora falou, sorrindo.

-O que é? –Jill perguntou, em tom curioso.

-Não há nada mais triste do que ver um palhaço chorar... Não importa se seu coração esta triste, o trabalho de um palhaço é fazer as pessoas rirem; ela repetiu, como se ainda ouvisse a voz do acrobata ecoar em sua mente, como se fosse ele a repetir essas palavras para que Jill ouvisse. –Antes disso eu nunca havia reparado que as expressões que os palhaços pintavam em suas faces eram tristes, mas ainda sim eles fazem de tudo para alegrar as pessoas, mesmo que elas talvez nunca venham a saber se eles estão tristes ou felizes. O que eu quero dizer é que até mesmo eles que vivem sob uma mascara demonstram sentimentos, não existe alguém indiferente a tudo, um cubo de gelo frio e inexpressivo;

-...; ele assentiu, concordando.

-Tentando entender porque ele era assim, descobri um lado meu, que desconhecia a existência; a jovem confessou.

-Entendo; Jill murmurou, vendo-a apoiar os braços sobre os joelhos e descansar a cabeça sob o apoio de uma das mãos. –Não deve ter sido fácil...;

-...; Ela negou com um aceno.

-Todos os dias são motivos de mudança em nossas vidas, o simples fato de acordar e continuar a respirar, já representa mudança; ele falou, fitando o céu estrelado. –Mas é melhor ir dormir um pouco, a viajem deve ter sido cansativa;

-Você não faz idéia; Sora falou num sussurro tão baixo que mal ele ouviu.

-Como? –Jill perguntou, franzindo o cenho.

-Boa noite Jovem Jill; ela falou, dando um meio sorriso, enquanto se levantava.

-Boa noite; ele respondeu, vendo-a se distanciar.

Era incrível como alguns anos não faziam com uma pessoa, ainda se lembrava daquela menina estabanada chegando em um circo completamente diferente daquele que sonhara atuar. Com pessoas e espectadores que não conhecia, mas que logo no segundo dia, interpretara uma princesa que ninguém ali jamais vira.

Ela tinha o poder de mudar tudo a sua volta, transformar até ambientes pesados em lugares agradáveis, permitindo que qualquer espetáculo seja encenado, mesmo com simplicidade, mas com sentimentos.

–Ninguém nunca disse a vocês que é falta de educação ficar ouvindo a conversa dos outros? –Jill perguntou, sem mover-se. Olhando de soslaio, por cima de seu ombro.

Duas sombras saíram de lados opostos da caminhonete, revelando-se.

-Mia já me contou o que vocês dois andam aprontando e acreditem, Sora pode ter uma paciência santa, mas para as infantilidades de vocês, ela já esta chegando ao fim; Jill avisou, voltando-se para os dois acrobatas.

-Mas...; Yuri começou.

-Só espero que tirem alguma lição do que ouviram, porque é isso o que ela queria quando começou a falar, mesmo sabendo que vocês dois já estavam aqui; o acrobata sentenciou, fitando-os com um olhar dardejante.

-Como? –Leon perguntou surpreso, não pensou que a jovem houvesse percebido que estavam ali, mas quando se aproximou, simplesmente não conseguiu ir embora ao ouvir o que ela falava.

-Vocês são patéticos, só vocês acham que ela esta alheia ao que esta acontecendo; Jill completou, levantando-se. –E é melhor irem dormir logo, o trabalho começa cedo aqui;

Viram-no se distanciar, enquanto ainda ouviam as palavras da jovem ecoar em suas mentes. Até sentirem uma presença atrás deles.

-Esse garoto tem potencial, não sei porque ele ainda não pode me ver; Fool comentou casualmente.

-Hei! Pensei que tivesse me livrado de você; Leon falou, com os orbes serrados.

-Você não tinha que estar com a Rosetta, não? –Yuri perguntou, tentando pegá-lo, mas Fool esquivou-se rapidamente.

-E deixar a Sora sozinha com vocês, não mesmo; ele respondeu, sem se importar com os olhares dardejantes dos dois. –Mas o destino é tão irônico, tanta mulher bonita espalhada pelo mundo que poderia ser a futura estrela do Kaleido Star e uma parceira melhor para a Sora do que vocês, mas não, justo vocês dois resolveram que iriam me ver; ele reclamou, gesticulando displicente.

-O Poltergaist pervertido, o que quer dizer com isso? –Yuri perguntou, serrando os orbes perigosamente.

-Eu? –Fool falou apontando para si, mas não viu Leon fazer um rápido movimento e pegá-lo.

-Eu que fique sabendo que você esta espiando ela no banho e te dou para Yunathan comer, ouviu bem? -ele avisou, perigosamente.

-Hei! –o espírito do palco reclamou.

-Isso mesmo; Leon continuou, com um olhar de gelar o inferno.

-É melhor irmos dormir; Yuri falou, mas parou lembrando-se dos roncos. –Tentar dormir pelo menos; ele completou, mais para si do que para os dois.

-Antes vou fazer uma coisa; o acrobata falou, indo até o varal e pegando uma cordinha para amará-lo. –Essa noite você vai dormir com trilha sonora; ele completou sarcástico, amarrando-o e levando-o para o quarto que estavam com Tanque.

Continua...


Domo pessoal

Muito obrigada a todos pelo grande apoio e incentivo para continuar com a fic. Eu decidi que vou continuar com Deliriun até o final, mesmo porque faltam poucos capítulos agora para finalizar essa fase.

Depois, em Equilibriun e Amore, as outras duas faces de A Lenda, vou repensar melhor no que vou fazer, antes de continuar a postar.

Antes de ir, agradeço a todos pelos reviews e grande apoio mesmo. Obrigada pessoal, vocês não sabem o quanto foi importante receber o apoio de vocês.

Até a próxima

Um forte abraço...

Dama 9