A Lenda
Primeira Parte
Deliriun
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, mas eu amo o Yuri mesmo assim XD... A musica 'No meu coração', também não, mas ela foi muito inspiradora para que esse capitulo saísse.
Capitulo 17: No meu coração.
.I.
Olhou atentamente para aquela tenda, há muitos anos que não entrava em um circo tão simples, nada contra, mas não tinha lembranças muito boas de lugares como aqueles; ele pensou, olhando para todos os lados.
Os bastidores, na verdade era mais como um corredor, com algumas caixas, equipamentos de segurança, luzes e o material usado pelos artistas durante o show. Era uma atmosfera tão diferente da que sentia no Kaleido Star.
-Tomem; Jill falou, estendendo algo aos dois.
-O que é isso? –Yuri perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Vassoura de Palha, Yuri Killian. Yuri Killian, Vassoura de Palha. Agora que já foram devidamente apresentados, comecem; ele avisou, entregando aos dois.
-Grrrrr! Esse moleque ta me irritando; Yuri rosnou, fuzilando Jill com o olhar, enquanto o jovem simplesmente o ignorava e se afastava para fazer outras coisas.
-Deixe de reclamar e faça logo o que ele disse; Leon rebateu, enquanto começava a varrer.
-o-o-o-o-
Andavam calmamente por uma feirinha de artesanatos, as crianças corriam na frente, enquanto Tanque tentava acompanhá-las, as duas apenas as observavam.
-Então; Pámela falou casualmente.
-Vamos, pergunte logo Pámela; Sora falou vendo que ela estava a um bom tempo tentando abordar algum assunto.
-Queria te perguntar uma coisa; ela começou enquanto as duas sentavam-se em um banco na praça.
-O que é? –a acrobata perguntou, recostando-se melhor.
-Se você tivesse que escolher um dos dois para ser seu parceiro na próxima peça do Kaleido Star, qual dos dois tem mais chances? –Pámela perguntou curiosa.
-Eu não poderia escolher, Pámela; Sora falou com um olhar vago. –Por enquanto os dois estão tão concentrados em se sabotarem e ficarem se provocando, que se eu fosse realmente escolher, definitivamente não seria nenhum dos dois; ela completou.
-Entendo; ela murmurou, vendo que não conseguira saber qual dos dois ela escolheria. –Mas deve existir um diferencial entre eles não?
-Como? –Sora perguntou, voltando-se para ela.
-Algo que faça um estar um pouco mais a frente do outro; Pámela falou de maneira casualmente.
-Existe, mas não vou tecer uma opinião sobre isso por enquanto, até o final da semana eu posso estar errada; ela falou, deixando a outra ainda mais desanimada.
-"Droga, o que eu posso fazer para ela falar?"; a acrobata se perguntou.
.II.
Aquilo fora realmente cansativo, mas o circo todo estava brilhando com a faxina que haviam feito. Só que quem não parecia muito contente com isso era Yuri.
-Estou com pó em lugares que desconhecia a existência; ele resmungou indo para o banheiro, assim que entraram na casa.
-Puff! –Leon resmungou, seguindo para a cozinha, era melhor ficar longe dele antes que perdesse o resto de paciência que tinha. Não agüentava mais ouvi-lo reclamar tanto.
Ouviu um choro de criança vindo de lá, respirou fundo, mais essa, quando só queria um pouco de silêncio.
Viu a Sra. Park sentada em uma cadeira em volta da mesa, tentando acalmar o filho que chorava copiosamente. Era de partir o coração ver lágrimas e mais lágrimas rolarem pela face do pequeno.
-Algum problema? –Leon perguntou, aproximando-se;
-Ele esta com sono; Lílian falou dando um suspiro cansado. –Mas estava muito inquieto para conseguir dormir.
-Está calor, deve ser isso que esta o deixando tão inquieto; o acrobata comentou.
-Acho que sim; a Sra. Park falou, afagando as melenas onduladas do pequeno em seu colo, tentando acalma-lo, mas tudo que fizesse parecia em vão.
-Quer ajuda? –Leon perguntou.
-Se conseguir fazê-lo dormir, ficarei eternamente grata. Preciso fazer o bolo para o aniversario dos gêmeos, mas com ele assim, não dá; Lílian explicou.
-...; o acrobata assentiu, dando um baixo suspiro. Estava ficando mole demais; ele pensou, lembrando-se da garotinha que encontrara no abrigo de animais, no dia anterior.
Estendeu os braços para o garotinho com um olhar calmo, para a surpresa da mãe embora o pequeno ainda chorasse, esticou os braçinhos para alcançar o acrobata.
-Tem rede aqui? –Leon perguntou, aninhando o pequeno entre os braços, enquanto se levantava.
-Ali fora; Lílian falou apontando para a área da frente.
-...; ele assentiu, com passos calmos afastou-se, enquanto a criança pousava a cabeça sobre seu ombro.
Lílian observou-os se afastarem com um olhar intrigado, Willian não era dado a ir com qualquer pessoa, até mesmo Pámela e Tanque às vezes tinham certa dificuldade em cuidar do pequeno, quando o mesmo deixava claro sua preferência por Jill.
-o-o-o-o-
Não precisou de muito para encontrar a rede que Lílian falara, com cautela sentou-se na mesma, deixando uma perna de cada lado, recostou-se de maneira que o pequeno ficasse deitado sobre sua barriga e se acomodasse melhor.
O choro não era mais tão alto, mas ainda sim, conseguia ouvir os soluços. Com um pé apoiado em um caixote próximo de onde estava, empurrou a rede lentamente, como se estivessem em uma cadeira de balanço.
-Não tenha medo, parede chorar...; Leon sussurrou melodiosamente, enquanto afagava as mechinhas encaracoladas do pequeno. –Me de a mão... Venha cá... Vou proteger-te de todo o mal, não há razão pra chorar; ele continuou vendo o garotinho aos poucos se acalmar.
No sei olhar eu posso ver
A força pra lutar e pra vencer
O amor nos uni para sempre
Não há razão pra chorar
A voz saia doce e acolhedora, enquanto a melodia era entoada com suavidade e espontaneidade, aos poucos as lágrimas diminuíam junto com os soluços que agora eram quase inexistentes.
Pois no meu coração
Você vai sempre estar
O meu amor
Contigo vai seguir
Era como se voltasse ao passado com isso e pudesse ver aquela garotinha de melenas prateadas junto de si, daquela mesma forma.
No meu coração
Aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar
Aqui!
Naquela época o único sonho que tinha era poder protegê-la de todo o mal, impedir que alguém a ferisse, embora tivessem tido uma vida difícil, desde o começo.
Porque não podem ver o nosso amor
Porque o medo
Porque a dor
Fora e voltara do inferno desde que ela partira, nunca julgou-se digno de realizar aquele sonho, mas prometera a ela fazer de tudo para que isso acontecesse.
Se as diferenças não nos separam
Ninguém vai nos separar
Era estranho ver como não tinha lembranças boas dos anos que se seguiram após a partida dela. Se fechara para o mundo e durante um bom tempo, isso não pareceu fazer grande diferença em sua vida... Até agora.
Sora estava certa, não havia como não ter nenhum dos dois sentimentos, mas antes de conhecê-la achava que conseguira isso.
E no meu coração
Você vai sempre estar
O meu amor
Contigo vai seguir
Foi nessa época que descobriu o quanto podara as asas da irmã, impedindo-a de voar e conquistar novos horizontes. Yuri também estava certo quando afirmou que os sonhos da irmã eram um fardo pesado demais para carregar, principalmente quando havia trancado seus sentimentos num cofre forte e jogado a chave fora, para que jamais fossem libertados.
Ao querer protegê-la, acabara fazendo-a ficar limitada. Diferente de Sora, que sempre batera de frente consigo e mesmo que se ferisse, continuava a lutar. Sempre com mais força e mais determinação.
Não deixe ninguém
Tentar lhe mostrar
Que o nosso amor
Não vai durar
Ela se tornara sua obsessão como Layla mesma dissera. Ela fizera suas barreiras estremecerem e lhe provara que era a única pessoa capaz de despertar os melhores sentimentos nas pessoas, mesmo que algumas, ainda lutassem contra isso.
Eles vão ver...
Eu sei...
Durante um tempo tentou se convencer de que ninguém poderia realizar o sonho da irmã, executando a técnica angelical, mas novamente o destino lhe mostrou que estava errado. Muito errado...
Pois quando o destino
Vem nos chamar
Até separados
É preciso lutar
Era interessante como os atos da Lenda, refletiam bem tudo isso que já vivera. Deliriun representava a vida onde tudo era branco e preto, as pessoas são amargas e conformadas com sua própria mediocridade.
Elas vão ver
Eu sei...
Equilibriun, a descoberta de que isso poderia ser diferente, quando algo no brilho da lua surge para lhe guiar por novos caminhos.
Nós vamos provar que
No meu coração
Eu sei,
Você vai sempre estar
E Amore... Sim o tempo todo as respostas estavam em suas lembranças. Era como se fosse um passo a passo, que o guiava para um mundo novo de descobertas e mudanças.
Eu juro que
O meu amor
Contigo
Vai seguir
Um meio sorriso formou-se em seus lábios, era como se tudo houvesse ficado mais claro agora.
No meu coração
Aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar
Aqui
Havia se esquecido porque começara, não queria apresentações que os artistas travavam batalhas e mais batalhas no palco e fora dele.
Queria um lugar que ela pudesse realizar seus sonhos e se propôs a lutar por isso. Mesmo que sem notar, perdeu-se no meio do caminho, até chegar ali.
Para sempre
É, o amor
Vai contigo
Sempre contigo
Mas agora que lembrara não iria se perder de novo. E isso era devido às duas pessoas que apesar de tudo jamais perderam a fé de que poderia mudar; ele pensou, lembrando-se da irmã e da jovem de melenas rosadas, que apesar de tudo, sempre esteve lá.
Basta fechar os olhos
É só fechar os olhos
Quando fechar os olhos...
-Vou estar... Aqui; ele completou num sussurro.
Fechou os olhos por um momento sentindo o corpo relaxar e ouvindo um ressonar baixinho. Abriu um olho vendo o garotinho usando o dedão como chupeta, dormindo tranquilamente.
Afagou-lhe os cabelos, antes de permitir-se pegar no sono também.
.III.
As crianças chegaram fazendo uma verdadeira bagunça, Lílian rapidamente pediu que elas fizessem silêncio. Com um olhar pediu que Sora a seguisse, enquanto os demais ficavam ali.
-Olhe; ela sussurrou, apontando para a rede.
Surpreendeu-se ao ver Leon com um pé no chão, balançando levemente a rede, enquanto dormia tranquilamente com o pequeno em seu colo.
Lílian pediu que ela fizesse silêncio enquanto se aproximava da rede com cautela, pegou Willian e a criança instintivamente aninhou-se nos braços da mãe ainda dormindo.
Leon acomodou-se melhor, cruzando os braços na frente do corpo e com um suspiro calmo, continuou a dormir.
Sora fitou-o atentamente, ele estava diferente, não pensava isso só pela cena que vira, mas conseguia sentir isso. Alias, nunca pensou em toda sua vida que veria algo do tipo, mas as pessoas mudam; ela pensou, dando um meio sorriso.
Aproximou-se, sentando-se em um banquinho ao lado da rede. Viu alguns fios prateados caírem sobre os olhos dele e os afastou com um toque suave.
Tão sereno quanto um anjo; ela pensou lembrando-se da conclusão que tivera em meio ao treinamento da técnica angelical.
Para tornar-se um anjo, por vezes era necessário ser o pior dos demônios.
Certamente Leon já descobria a resposta para o enigma da Lenda. Ainda faltava um e tinha mais três dias e meio pela frente; ela pensou levantando-se.
-Durma bem; ela sussurrou, depositando um beijo suave sobre a teste do acrobata, antes de se afastar.
.IV.
Deitou-se em um dos bancos da arquibancada tentando relaxar, os cabelos ainda estavam úmidos pelo banho recente. Agora até arriscava ficar por ali depois da faxina que fizeram.
Respirou fundo, tentando colocar a mente em ordem, apesar da noite de cão, tivera um sonho interessante.
Na verdade era quase uma lembrança da ultima vez que falara com o pai, antes do mesmo ir para o palco interpretar a técnica fantástica.
Durante muito tempo ficou imerso em dor, magoas e revolta, que esquecera-se das palavras dele aquele dia.
-Pelo melhor dos aplausos;
Sim, fora por isso que ele se dedicara tanto aos treinos, buscando sempre se aperfeiçoar. Ele queria o melhor, para os outros e para si. Pena que levara tempo demais para entender isso; ele pensou, dando um baixo suspiro.
Eh! Mas conseguia encontrar o caminho certo a seguir graças a ela. Sim! Sora sempre fora a estrela guia que mostrava o caminho aos corações mais frios.
Ainda se lembrava do que acontecera após o festival internacional de circo. Sentira seu coração se comprimir ao vê-la sair de lá com um olhar inexpressivo e sem vida, depois da conversa que tivera com a Layla.
Leon e May haviam participado da festa de premiação. May distribua sorrisos de vitória pelo troféu conquistado.
Como era ingênua. Se Sora fosse um pouco mais fria, quem sabe tão fria quanto Layla, ou como ele ainda conseguia ser às vezes. Teriam ganhado e todas as humilhações que Sora passara por causa da outra, voltariam em dobro.
Mas graças aos Céus, Sora não era assim; ele pensou com um meio sorriso formando-se em seus lábios, a medida que seus pensamentos eram tragados de volta para o passado.
-Lembrança-
Estacionou o carro em frente ao teatro municipal de Paris, onde estava acontecendo o festival. Dissera a ela que iria pega-lo no estacionamento e voltaria para buscá-la, enquanto ela iria falar com Layla.
Quis ir junto, mas Sora foi veemente ao dizer que preferia enfrentar isso sozinha. Ela era forte, mas suportar o gênio de Layla às vezes era uma tarefa divina demais para um pobre mortal. Ele bem sabia como Layla poderia ser cruel quando tinha seu orgulho ferido e tinha certeza que era assim que a acrobata se sentia agora.
Ferida por seu orgulho, por saber que, embora tenha sido difícil para Sora viver aqueles momentos antes do festival ela se recuperaria. Sora era capaz de tudo que desejasse, mesmo correndo o risco de perder tudo e perdendo, ela sempre se levantava.
Diferente dos dois, quando participaram daquilo na primeira vez. Layla jamais admitira perder qualquer coisa, ainda se perguntava se ela sabia o que era esse sentimento. A perda? –ele pensou dando um baixo suspiro.
Só esperava que aquilo terminasse logo, detestava aquele sentimento de impotência. Por saber que ela estava tão longe e ele mal sabia o que estava acontecendo.
Encostou-se na lateral do carro, vendo as poucas pessoas que restaram lá dentro, deixarem de vez o teatro, ainda comentando sobre tudo o que acontecera.
Sabia que agora ela não demoraria, Sora havia dito que voltaria ao Kaleido Star e a passagem era para dali a algumas horas. Mesmo sabendo disso ainda temia que ela fosse. Novamente aquele sentimento de impotência, sabia que jamais poderia mantê-la em um pedestal de prata, protegida de tudo e de todos, mas era muito difícil de se convencer disso quando sabia que ela estava sofrendo.
A mochila da jovem estava dentro do porta malas, aos poucos viu um grupo de garotas se aproximando e dentre elas, aquela que esperava.
Queria abraçá-la, confortá-la. Dizer que tudo ficaria bem, mas agora não tinha mais certeza de nada. Desencostou-se do carro esperando-a se aproximar.
-Yuri? –Sarah falou surpresa ao vê-lo ali, principalmente depois de ele sumir de repente antes da premiação.
-...; Yuri assentiu, voltando para Sora, que parecia hesitar. –Vamos?
-...; a jovem assentiu maquinalmente.
-Aonde? –Mia perguntou curiosa.
-Dar uma volta, nos encontramos depois no aeroporto; ele falou, abrindo a porta para que a jovem entrasse.
-Mas...;
-Até depois meninas; Sora cortou, antes que Anna pudesse falar alguma coisa.
Yuri deu a volta, assumindo o lugar do motorista, logo os dois se distanciavam diante dos olhares surpresos das demais.
O caminho foi silencioso e inquieto. Ela apoiou um braço na janela e fitava a paisagem lá fora com um olhar opaco e vazio.
Ver May erguendo aquele troféu sorrindo vitoriosa, fora o menos doloroso. Mas as palavras de Layla foram como uma flecha certeira que transpassara seu coração.
Jamais deveria ter aceitado aquele desafio para desistir novamente, se via imersa em brumas, perdida sem saber para onde correr.
A noite já caia e as luzes começavam a se acender, mas isso não era suficiente para aquecer seu coração. Mal notou o tempo que haviam rodado pela cidade, passando pelos cenários mais nostálgicos possíveis até chegarem ao aeroporto.
-Sora! –Yuri chamou, tirando-lhe de seus pensamentos.
Voltou-se para ele com o mesmo olhar de antes.
-Chegamos; ele avisou, pousando a mão sobre a dela suavemente.
-...; Sora assentiu silenciosamente, enquanto soltava o cinto.
Fitou-a preocupado, não gostava de vê-la daquela forma, sempre soube que aquela competição não era para ela.
Sora era uma menina doce e determinada. Capaz de mudar tudo a sua volta. Um ambiente hostil como aquele só serviria para deixá-la assustada. Um anjo daqueles não merecia estar entre tantos demônios.
Saiu do carro pegando a mochila da jovem no porta-malas.
-Eu vou com você até lá; Yuri avisou, apoiando a mão sobre o ombro dela.
-Obrigada; Sora agradeceu quase num sussurro.
A primeira palavra depois de três horas de silêncio absoluto. Caminharam pelo aeroporto sendo seguidos pelos olhares curiosos daqueles que os reconheciam.
Não estavam longe do portão de embarque. A passagem dentro do bolso da jaqueta parecia pesar a cada passo.
Parou por um momento respirando fundo antes de continuar.
Sentiu um par de braços fortes a envolverem ternamente e um soluço travado em sua garganta finalmente escapou.
Abaixou a cabeça, tentando conter as lágrimas, mas era impossível. Lutara, tentara a todo custo não chorar, mas sentia-se tão fraca para continuar.
-Chora, vai te fazer bem; ele sussurrou, apoiando o queixo sobre sua cabeça, a medida que a aconchegava entre seus braços.
-Me desculpe; ela sussurrou entre soluços, segurando-se firmemente na camisa dele.
-Não precisa; Yuri respondeu.
Não se importava com as pessoas que passavam por ali curiosas, ou outras compadecidas com cena. Só se importava com ela.
-Sei que foi difícil para você tudo isso; ele falou, afagando-lhe as melenas.
-Jovem Yuri!
-Sora, eu confio em você; Yuri falou serio, tocando-lhe a face de forma que a fizesse encara-lo. –Eu exijo que jamais se esqueça da promessa que me fez;
-Mas...;
-Jamais vou te deixar desistir; ele falou encostando a testa na dela. –Da mesma forma que você jamais perdeu a fé em mim. Eu não vou perder a minha em você;
-...; ela assentiu enquanto as lágrimas ainda rolavam por sua face.
-Você é um anjo, Sora; Yuri sussurrou. –Um anjo que tem o poder de mudar a vida das pessoas apenas com um sorriso. Não permita que as trevas tomem seu coração, lhe desviando do seu caminho;
-Eu não sei mais o que fazer; Sora confessou, num fraco sussurro.
-Enquanto lutar, as respostas sempre viram;
-Vôo 327 para San Francisco, embarque no portão 23.
-Esse é meu vôo; ela falou instintivamente aconchegando-se entre os braços dele.
-...; Yuri assentiu com pesar.
Como queria pedir que ela ficasse ali poderia torná-la a maior estrela já vista em qualquer canto do mundo. A colocaria para treinar com os melhores treinadores de trapézio, ela concertaria qualquer falha. E tinha certeza que em menos de um mês ela estaria pronta para retornar ao Kaleido Star.
Mas não podia ser assim; ele pensou frustrado. O Kaleido Star era a vida, os sonhos e tudo para ela. Jamais poderia ser egoísta a ponto de pedir algo assim.
-Tenho que ir; Sora avisou, afastando-se.
Porque tinha aquela sensação de que se ele pedisse para ficar, não hesitaria; a jovem pensou, lembrando-se que haviam vivido um dilema parecido no ano anterior quando deixara o Kaleido Star, balançou a cabeça levemente para os lados. Isso era impossível. Agora precisava voltar e encarar os problemas.
-Boa viajem; Yuri desejou, dando um beijo suave no alto de sua testa.
-Obrigada; ela falou, abraçando-o fortemente.
Um abraço terno, com um pouco de saudade e medo. Quanto tempo ficaram assim não souberam, mas também não notaram que eram observados por três pessoas que não foram capaz de ficarem indiferentes aquela cena.
-Sempre vou estar com você; Yuri falou ao afastarem-se. –Qualquer coisa que precisar não hesite em me ligar;
-...; Sora assentiu. –Obrigada por tudo Jovem Yuri; ela completou antes de pegar a mochila da mão dele e se afastar.
Seguiu-a com um olhar, até vê-la desaparecer no portão de embarque, agora, não podia fazer mais nada.
-o-o-o-o-
Suspirou pesadamente à medida que subia as escadas para entrar no avião. Lançou um ultimo olhar a França, se despedindo.
O avião estava quase completo, por isso logo encontrou seu lugar e ironicamente era ao lado do casal vencedor, estavam separados graças a Kami por um corredor.
Colocou a mochila no suporte em cima do seu acento e com um sorriso forçado cumprimentou a senhora que lhe faria companhia durante a viajem.
-Pensei que essa fosse à primeira classe; May falou em tom de deboche, enquanto Leon jazia impassível e Ken visivelmente triste diante do abatimento da jovem de melenas rosadas.
-Acho que não, porque deixaram você entrar; Anna rebateu ferina, enquanto passada por ela seguida de Mia, Rosetta e Sarah. Que entraram logo depois de Sora no avião.
-Hei! –ela ralhou levantando-se para ir tirar satisfações.
-May! –Leon chamou, fechando os olhos frios por um momento.
-Sim Leon; May falou docemente.
-Cale-se; ele mandou fazendo-a sentar-se desanimada.
Aquela não era uma parceria, não havia companheirismo ou cumplicidade. Muito menos amor por aquilo que fazia; Sora pensou com pesar, abaixando a cabeça. Não conseguia ver aquela cumplicidade que tivera com Layla ao executarem a técnica fantástica, muito menos aquele companheirismo que aconteceu entre os integrantes do grupo Freedom, quando lutaram a todo custo para que o Kaleido Star não fechasse.
-Deve ser muito difícil, não? –a senhora a seu lado perguntou.
-Uhn? –Sora murmurou virando-se para ela.
-Deixar alguém para trás assim; ela falou compadecida.
-Como?
-Eu vi você lá embaixo com aquele jovem. Ver vocês se despedindo foi de partir o coração. Me lembrei de quando tinha a sua idade e Albert e eu tivemos que nos separar durante um tempo; ela falou com ar nostálgico.
-Senhora; Sora começou corando furiosamente ao entender sobre o que a senhora falava.
-Mas olha, vou te confessar uma coisa, vocês são lindos juntos e desejo que não demorem a se reencontrar; ela falou sorrindo. –Nunca vi um casal com tanta cumplicidade demonstrada só em um olhar como vocês;
Abriu a boca para falar algo e acabar com àquela serie de olhares que tinha sobre si, vinda dos mais variados lados e que só a estava deixando nervosa, quando uma comissária de se aproximou.
-Senhorita;
-Sim?
-Pediram que lhe entregasse isso; ela falou estendendo-lhe um bilhete.
-Quem mandou? –Sora perguntou confusa.
-Oras menina, claro que deve ser aquele belo jovem. É uma pena eu não ter mais sua idade; a senhora falou com pesar, fazendo a comissária sorrir como se concordasse com ela.
Engoliu em seco, sentindo uma gotinha escorrer em sua testa.
-Obrigada; Sora agradeceu a comissária que se afastou em seguida.
Abriu o papel sob o olhar curioso de muitas pessoas ali. Rapidamente leu o conteúdo guardando-o no bolso de sua jaqueta, ouvindo murmúrios frustrados.
Um meio sorriso formou-se em seus lábios, enquanto fechava os olhos, suspirando calmamente.
Não importava o que aconteceu nada mudaria o que já estava feito, mas continuar a lutar, só dependia de si agora.
(...) Eu confio em você... (...)
-Fim da Lembrança-
Sentiu uma mão suave afastar os fios dourados de sua testa, suspirou suavemente. Estava tão imerso em seus próprios pensamentos que mal notou que cairá no sono.
Abriu os olhos lentamente deparando-se com a jovem de melenas rosadas, tentou levantar-se rapidamente, mas ela apoiou uma mão em seu ombro, impedindo.
-Calma; Sora falou com um sorriso gentil. -Não queria assustá-lo;
-Sora; ele balbuciou, sentando-se.
-Lílian estava chamando o pessoal para almoçar e você tinha sumido. Vim lhe procurar; ela avisou, sentando-se ao lado dele.
-...; Yuri assentiu um pouco confuso.
-Esta tudo bem, Jovem Yuri? –Sora perguntou preocupada.
-Não sei; ele balbuciou, lembrando-se de algo.
Logo no dia que voltara e Carlos anunciara o teste para a lenda, fora com Sora caminhar na praia, quando ela lhe dissera aquela frase, como era mesmo.?
-Quando a vida imitar a arte, você saberá o que fazer; uma voz pareceu ecoar em sua mente.
Já tinha a resposta, mas passara despercebido. Como pudera deixar isso acontecer; ele se recriminou, apoiando os braços sobre os joelhos e apoiando a cabeça entre as mãos.
-Jovem Yuri; Sora falou, pousando a mão sobre o ombro dele.
-Nossa história; ele falou num sussurro tão baixo que ela quase não ouviu.
-O que? –ela perguntou.
-Tudo que já vivemos agora, todas as lembranças; Yuri continuou erguendo a cabeça para encará-la. –É isso que a lenda representa como não percebi isso antes? –ele exasperou.
-Calma; Sora sussurrou, afagando-lhe os cabelos com uma das mãos. –Tudo tem seu tempo;
-Sora; ele murmurou surpreso.
-Algumas coisas, por vezes precisamos aprender sozinhos, se não, de nada valeria o esforço que os outros fazem, para jamais perderem a fé em nós; ela falou em tom compreensivo.
-Mas...;
-Vamos almoçar; Sora completou sorrindo, levantando-se do banco.
Assentiu silenciosamente, seguindo com ela. Era como se tudo houvesse ficado mais claro agora; ele pensou, dando um suspiro aliviado.
-o-o-o-o-
-Parece que as coisas estão indo mais rápido do que imaginei; Fool murmurou, observando atentamente o globo de cristal entre suas mãos, onde três constelações pareciam a cada segundo brilharem de forma mais intensa. –Aos poucos as coisas começam a se equilibrar...;
Continua...
Domo pessoal
Desculpem a demora em postar, mas esses dias foram uma loucura XD. Primeiramente gostaria de agradecer a todos que tem acompanhado essa história e me dando grande apoio para continuar.
Um aspecto desse capitulo que queria comentar é sobre a musica 'No meu coração', que em sua versão inglesa se chama 'You´ll be in my Heart' cantada pelo Phill Collins, mas eu preferi a adaptação cantada pelo Ed Motta, que é igualmente linda.
Sei que ver o Leon tendo uma reação dessas pode parecer estranho, mas vocês não sabem o quanto eu sonhei em colocá-lo numa cenas dessas. Eu sei, amo o Yuri, mas ele vai ter o seu momento 'Rock Star' mais para a frente, tenho até a musica perfeita para ele, só não terminei de traduzir ainda.
Mas quanto ao Leon, well... Pra quem disse que ele tava perdendo terreno, espero que a opinião tenha se equilibrado agora. De acordo com meus cálculos eles estão empatados, por enquanto XD
No mais era isso, sinceramente espero que tenham gostado do capitulo e nos vemos na próxima.
Um forte abraço
Dama 9
